ISSN 1678-0701
Número 65, Ano XVII.
Setembro-Novembro/2018.
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18/09/2018MUNDO AGRÁRIO BRASILEIRA E A GLOBALIZAÇÃO GENERALIZADA  
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MUNDO AGRÁRIO BRASILEIRO E A GLOBALIZAÇÃO GENERALIZADA

Willian Viera da Silva

Resumo: Este artigo trata das transformações do mundo agrário brasileiro tendo em vista os apontamentos do sociólogo Octavio Ianni. Segundo o autor, a globalização generalizada ocorrida na virada do século XX e XXI obrigou involuntariamente o sujeito do campo a se adaptar à nova conjuntura do capitalismo global. Este novo senário provocou uma desigualdade no campo em relação à cidade.

Palavras-chave: Campo. Brasil. Globalização. Impactos.

Abstract: This article deals with the transformations of the Brazilian agrarian world in view of the notes of the sociologist Octavio Ianni. According to the author, the generalized globalization that took place at the turn of the XX and XXI century involuntarily forced the rural subject to adapt to the new conjuncture of global capitalism. This new senate provoked an inequality in the field with respect to the city.

Introdução

O mundo agrário brasileiro desde a revolução verde iniciada nos anos sessenta no Brasil, passa por transformações que acabaram resultando na desigualdade do campo em relação a vida na cidade. A agricultura artesanal foi sendo gradativamente substituída pela agricultura industrial buscando aumentar a produção para atender os interesses do mercado global. As famílias camponesas que não conseguiram ou não podiam mecanizar sua produção, foram gradativamente sendo excluídas da lógica do capital.

De acordo com Octávio Ianni (1997), oriunda do desenvolvimento do sistema capitalista, a globalização generalizada, transformou os espaços das cidades e do campo. Para o autor, “na base da globalização está o desenvolvimento extensivo do capitalismo no mundo” (IANNI, Octávio, 1997, p.37). Este desenvolvimento altera a relação entre as forças produtivas e consequentemente modifica os espaços por elas incorporados.

Neste sentido, o campo vai gradativamente perdendo suas características primárias de outrora e adquirindo uma nova configuração que altera não somente o espaço, mas também a forma de se cultivar e produzir. Sobre isso Ianni (1997) afirma:

[...] à medida que se desenvolvem e generalizam, as forças produtivas e as relações de produção capitalistas assinalam condições, tendências, modos de produzir e reproduzir material e espiritualmente. A própria cultura de massa, de origem material e espiritual, espalha-se por todos os cantos e recantos. Modos de vestir, falar, agir, pensar, lutar, imaginar são impregnados de signos do mundo urbano, da cidade global. O que permanece é o bucólico, a nostalgia da natureza, a utopia da comunidade agrária, camponesa, tribal, indígena, passada, pretérita, remota, imaginária. (1997, p. 56).

Portanto, o campo vai deixando de ser o lugar da vida simples, da produção artesanal, do tempo natural e vai se transformando em nova fonte de renda e de lucro a serviço do capital financeiro. Não se vive para satisfazer a necessidades básicas da família e da comunidade, e sim, para atender ao mercado urbano e global. Aos sujeitos que não conseguem acompanhar estas transformações consequentemente estão condenados a viverem submissos às cidades.

Nesse contexto, como destaca Ianni (1997), “o mundo agrário descresse de importância ou simplesmente deixa de existir, se trata de avaliar sua importância na organização e dinâmica das sociedades nacionais e da sociedade global” (Ianni, Octávio, 1997, p. 40).

No entanto, é evidente que o campo não irá desaparecer de forma geral como se as novas forças produtivas o exterminassem, como salienta o próprio autor, “é claro que o mundo agrário continua a existir, estar presente e até mesmo revelar-se indispensável, mas diverso, transformado, transfigurado” (IANNI, Octávio, 1997, p. 40). Porém, o arado manual perde espaço para o mecânico, o irrigador para os sistemas mecânicos de irrigação, as enxadas para os tratores, os braços pelos robores.

Ao fazermos uma reflexão prática, de fato, estas substituições produtivas vão promover o aumento da produção e consequentemente o barateamento dos produtos, seria ótimo para alimentar a humanidade, no entanto, nem todo o produtor rural tem incentivo e verba para acompanhar o processo de mudança. O que se tem na maioria dos casos é o aumento da desigualdade social no campo em relação à cidade.

Nessa perspectiva, o sistema capitalista encontra-se representado pela criação das empresas urbanas que vão monopolizar e gerir o processo produtivo, obrigando os camponeses a se adequarem as suas exigências de mercado. Sobre isso, Ianni (1997) ressalta:

[...] ocorre que o mundo agrário já esta tecido e emaranhado pela atuação das empresas, corporações e conglomerados agroindustriais. São núcleos ativos e predominantes, articulando atividades produtivas e mercados, geopolíticas mercantis e marketings, modalidades de produtos e ondas de consumismo. Ainda que subsistam e se recriem as mais diversas modalidades de organização do trabalho e produção, muito do que se faz no mundo agrário está formal ou realmente subsumindo pelo grande capital flutuando pelo mundo afora. (IANNI, Octávio, 1997, p. 40).

O que se busca nessa lógica produtiva é quase que exclusivamente o lucro e não a qualidade do produto. Evidente que classificamos como qualidade do produto o fato do mesmo contribuir para o bom funcionamento do corpo humano, ou seja, a saúde humana e não os aspectos físicos e nem sua durabilidade da mercadoria.

Entrevistas realizadas com produtores rurais revelou que tempos atrás, aproximadamente uns trinta anos, uma vaca cuidada de forma artesanal produzia cerca de vinte litros de leite diários. Hoje em dia, devido a mecanização do meio rural, buscando atender os interesses do mercado global uma vaca chega produzir aproximadamente cem litros diários. A questão é, como isso é possível? Segundo Ianni 1997:

[...] conhecimentos científicos que se traduzem em tecnologias no âmbito da indústria. Esta provoca frequentes surtos de tecnificação de processos de trabalho e produção, mobilizando conhecimentos das ciências físico-naturais e sociais. Aí está a origem da maquinização e quimificação que se intensificam e generalizam nas atividades agropecuárias, na industrialização do mundo agrário. (IANNI, Octávio, 1997, p.49).

Porém, o preço a pagar é colocar a saúde em risco devido aos efeitos nocivos que a maquinização e quimificação dos gêneros alimentícios causam a saúde humana. Para efeito de análise, o autor elenca os diversos tipos de modernização do campo decorrente da generalização da globalização capitalista.

[...] também a informática invade esse mundo. Os meios de comunicação generalizam-se pelas mais diversas atividades. O computador, o fax, o telefone celular, a internet e outras tecnologias são incorporados na produção e comercialização. Mesmo sem desmontar do cavalo, em meio ao rebanho, o pecuarista abre o alforje e retira o lap-top, um indispensável computador portátil. Registra ali a situação do gado consulta via satélite as condições climáticas e fica sabendo os preços da carne nos mercados nacionais e mundial. Depois saca o telefone e determina ao interlocutor o fechamento de operações de compra e venda de soja. A visão futurística do empresário rural retrata a presença da informática no agribusiness. (IANNI, Octávio, 1997, p. 50).

Portanto, mesmo “sem querer”, o produtor incorpora toda essa evolução tecnológica e transforma meio que de forma “cociente” todo espaço do campo. A questão é, e aos pequenos produtores que por diversos motivos como, falta de recursos financeiros, matérias e os muitas vezes sujeitos a variações climáticas desfavoráveis se enquadram neste novo cenário? A resposta está na cidade. Favelização urbana e desemprego.

O pequeno produtor de antes que não conseguiu acompanhar o “progresso” do campo, encontra como única opção para não viver na miséria e escassez no campo, a busca de uma nova vida na cidade, totalmente fora do contexto social a qual viveu a maior parte da sua vida.

Ao se deparar com o mundo novo urbano, encontram nesse mesmo espaço, as tecnologias que já usara no campo, porém, desta vez num cenário totalmente montado para fora da sua realidade de vida. E o que discutiremos no outro capitulo ao falar da fome.

Desenvolvimento

Capitalismo e Desigualdade

Há tempos nos debates historiográficos, se discute a responsabilidade do sistema econômico capitalista sobre a desigualdade entre os povos. Os fundamentos de sustentação do capitalismo – liberdade total dos mercados, preservação da propriedade privada, livre concorrência, lucro/concentração de riquezas – são responsáveis pela disseminação da pobreza no mundo contemporâneo. Sobre isso Piketty (2013) afirma que:

Quando a taxa de remuneração do capital ultrapassa a taxa de crescimento da produção e da renda, como ocorreu no século XIX e parece provável que volte a ocorrer no século XXI, o capitalismo produz automaticamente desigualdades insustentáveis, arbitrárias, que ameaçam de maneira radical os valores de meritocracia sobre os quais se fundam nossas sociedades democráticas (PIKETTY, 2013, p. 10).

Portanto, o aumento da pobreza e da fome está diretamente ligado ao crescimento e concentração do capital. Os países periféricos do capitalismo, países como Brasil, têm que vivem essa problemática em maior profundidade, visto que a distância entre ricos e pobres é muito mais acentuada do que aquelas verificadas em países desenvolvidos economicamente. Garantir a produção e a distribuição equitativa de alimentos para o sustento básico da população pobre em contraposição ao atendimento das demandas requeridas pelo capital nacional e internacional não é tarefe simples ou fácil de administrada.

O problema não é a falta de recursos, visto que no Brasil, por exemplo, a produção agrícola tem grande importância na economia interna e externa de nosso país, constitui característica história brasileira. A questão remete à forma com que os recursos são distribuídos, ou seja, o problema consiste na distribuição de recursos e renda. Nesse contexto, Faria (2000) salienta que a desigualdade em nosso país “não só é uma das mais elevadas em todo o mundo, mas contribui também para entender como um país com renda per capita relativamente elevada pôde manter, nos últimos 20 anos, em média, cerca de 40% da sua população abaixo da linha de pobreza” (FARIA, 2000, p. 21).

A disparidade entre arrecadação e distribuição pode estar alinhada ao sistema econômico capitalista praticado pelo Brasil, que busca atender aos interesses do capital, que privilegia o agronegócio em detrimento da agricultura praticada por pequenos e médios produtores, tendo em vista maior obtenção de lucros às aos grandes conglomerados empresariais. Nesse sentido, Piketty (2013) recorda que:

[...] as realidades econômicas sociais haviam mudado profundamente: não se tratava mais de saber se a agricultura poderia alimentar uma população crescente ou se o preço da terra aumentaria até chegar ao céu, mas, sobretudo, de entender a dinâmica de um capitalismo industrial a pleno vapor (MARX apud PIKETTY, 2013, p. 16).

No Brasil, encontramos a partir da década de 1960, um fator preponderante como consequência dessa mudança, o advento da “revolução verde” que para Mazoyer e Roudart (2010) se trata de:

uma variante da revolução agrícola contemporânea desprovida de motorização-mecanização, desenvolveu-se muito mais amplamente. Baseada na seleção de variedades com bom rendimento potencial de arroz, milho, trigo, soja e de outras grandes culturas de exportação, baseada também numa ampla utilização de fertilizantes químicos, dos produtos de tratamento e, eventualmente, em um eficaz controle da água de irrigação e da drenagem, a revolução verde foi adotada pelos agricultores que eram capazes de adquirir esses novos meios de produção e nas regiões favorecidas, onde era possível de rentabilizá-los (MAZOYER; ROUDART, 2010, p. 28).

Este fenômeno que já se encontrava a todo vapor, sobretudo, nos países latino-americanos em vias de desenvolvimento. Nessa época, boa parte dos camponeses não conseguiu se adequar às novas técnicas de produção e ficaram relegados ao “atraso produtivo”.

Nessa perspectiva, Mazoyer e Roudart (2010) observam que:

[...] os produtores beneficiários da revolução agrícola ou da revolução verde só podem ganhar parcelas de mercado, ou se manter, se contarem com alguns latifundistas agroexportadores sul-americanos, zimbabuenses e, agora, ucranianos, russos, que não somente estão bem equipados, mas que, além disso, dispõem de vastos espaços pouco dispendiosos e de uma mão de obra que está entre as mais baratas do mundo (MAZOYER; ROUDART, 2010, p. 31).

De fato, mesmo aqueles agricultores que, de certa forma, conseguiram algum tipo de benefício com essa mudança no cenário agrícola, não passaram de meros instrumentos de manipulação dos grandes produtores e nenhuma alteração significativa ocorreu em suas rendas.

As nossas referências teóricas reforçam a ideia inicial de que as mudanças nas políticas de produção que visavam atender somente ao sistema econômico capitalista, contribuíram diretamente para o crescimento e manutenção da pobreza, bem como para a disseminação da fome, conforme argumentam Mazoyer e Roudart (2010):

Nessas condições, compreende-se porque as políticas de desenvolvimento que consistem em levar adiante a revolução agrícola contemporânea e a revolução verde nas regiões favorecidas, e as políticas alimentares que consistem em suprir cidades e povoados com gêneros alimentícios a preços sempre mais baixos, são particularmente contraindicadas para lutar contra a fome. De fato, essas políticas empobrecem ainda mais os camponeses e os mais pobres, que constituem a maioria das pessoas subnutridas no mundo (MAZOYER; ROUDART, 2010, p. 32).

Considerando esse contexto em que sobressai a desigualdade social e a manutenção da pobreza, decorrência direta do modelo econômico capitalista praticado na contemporaneidade, que modificou e modifica na razão de seus interesses vários setores da cadeia produtiva, inclusive o alimentício. Os únicos beneficiários são os grandes produtores e os pobres continuam desprovidos de qualquer sorte para assegurar efetivamente a sua subsistência, permanecem às margens do sistema, conforme exemplificação da revolução verde.

Distribuição da Pobreza

(A vida pobre no campo. Fotografia retirada do site Funding Aid Strategies Investments. Disponível em: https://www.fasi.biz/it/notizie/investimenti/12850-cooperazione-cdp-nuova-istituzione-finanziaria-allo-sviluppo.html)

A superação da pobreza é um problema enfrentado principalmente por países “subdesenvolvidos” ou em “vias de desenvolvimento”. No entanto, não é possível discutir as formas de superação, sem antes entender as suas causas. De acordo com Dupas (2012):

A população latino-americana abaixo da linha de pobreza evoluiu sucessivamente de 41% do total em 1980 (136 milhões de pessoas) para 43% em 2000 (207 milhões); e em 2003 ela já alcançava 44% (237 milhões). Já o índice de população indigente crescia de 19% em 2001 para 20% em 2003. Esse número teve forte influência da Argentina, onde a taxa de pobreza quase duplicou de 1999 a 2003 (de 20% para 42%) e a indigência quase quadruplicou (de 5% para 19%) (DUPAS, 2012, p. 82).

Podemos observar que a pobreza ao invés de diminuir, segue crescendo nos países latino-americanos, considerados nações em vias de desenvolvimento. No caso do Brasil, fatores que contribuem para o aumento dos índices de empobrecimento da população são o desemprego e o trabalho informal. Dupas (2012, p. 82) afirma que o “aumento da pobreza, da indigência e da fome em muitas regiões da América Latina esteve atrelado a um fator alarmante: a contínua elevação dos níveis de desemprego e a informalidade no mercado de trabalho nas últimas décadas”.

Soma-se a isso, a baixa ou má qualificação da mão de obra, o permanente processo de urbanização sem planejamento adequado, que caracteriza boa parte das cidades brasileiras. É extremamente comum, quando viajamos pelo país nos deparar com alto número de favelas, que não dispõe de condições mínimas para o cidadão levar uma vida digna e saudável. Além disso, outro fator preocupante oriundo do crescimento da pobreza e das péssimas condições de vida é o crescimento da criminalidade, como observado por Dupas (2012):

O número de homicídios cresceu 40% na América Latina durante a década de 1990, atingindo um índice seis vezes maior que o observado nos países da Europa Ocidental. Esse aumento contínuo tornou a região a segunda maior do mundo em criminalidade, somente atrás da África subsaariana. Esse contexto de “nova pobreza” também tem criado uma onda de migração – incluindo os indivíduos da classe média – sem precedentes nos países latino-americanos. A questão da imigração está se tornando, na agenda continental, um problema de graves proporções, caso não seja enfrentado o mais breve possível (DUPAS, 2012, p. 83).

Percebe-se a partir do recorte acima, que a imigração vem se tornando uma alternativa para os moradores das regiões pobres na América Latina e seus fatores estão ligados às dificuldades encontradas no mercado de trabalho. Isso se torna um problema tanto para os países em desenvolvimento que perdem mão de obra e, consequentemente, têm prejuízos circulação econômica quanto para os países desenvolvidos, que sofrem uma “invasão” ilegal por parte desses imigrantes.

Além disso, “a desigualdade de renda tem avançado em setores importantes da vida dos cidadãos, tais como a dificuldade no acesso ao consumo, ao crédito, à educação, à saúde, à inclusão digital, entre outras” (DUPAS, 2012, p. 83). Dentre outros fatores que contribuem para o crescimento da pobreza está a globalização desigual, que privilegia os países ricos e explora os pobres. Mazoyer e Roudart (2010, p. 38) alertam “para os riscos da globalização e da liberalização acentuarem as desigualdades entre os países, aumentarem o desemprego e a pobreza” nas mais diversas partes do mundo.

De fato, o interesse dos países ricos ao buscarem uma ligação global com os países pobres, consiste na busca por mão de obra barata e impostos mais baixos para instalação de suas indústrias. Quando se fala em igualdade de oportunidades entre ambos, vemos uma política de desprezo e de desvalorização da força de trabalho dos imigrantes.

A intensão dos países desenvolvidos não é o crescimento econômico dos uma menos desenvolvidos, ao contrário, o que se objetiva é a manutenção da riqueza dos mais ricos e da pobreza para os mais pobres. A relação bilateral entre eles no mundo global deixa evidente a intencionalidade dos mais poderosos. Por vontade deles, os países mais pobres não conseguem acompanhar o ritmo dos mais ricos. Sobre isso, Piketty (2013) ressalta:

É particularmente chocante constatar que os países que mais dependem de grandes receitas fiscais para o financiamento de seu Estado social, como os europeus, são também aqueles que menos fazem para de fato avançar na solução do problema, que na verdade é bem simples do ponto de vista técnico. Isso ilustra o drama dos pequenos países na globalização. Os Estados-nação construídos nos séculos passados não têm o tamanho adequado para editar e aplicar regras de tributação no contexto do capitalismo patrimonial globalizado do século XXI (PIKETTY, 2013, p. 661).

Portanto, a postura dos países menos desenvolvidos na economia global deve ser repensada uma vez que estes se encontram em plena desvantagem em relação aos mais ricos. Usar as mesmas técnicas de produção, não promove uma elevação do seus status, pelo contrário, acentua a pobreza e beneficia quase que exclusivamente os mais poderosos.

Conclusão

Tendo em vista os fatos analisados, vimos a mecanização no campo pouco contrubuiu para melhoria da qualidade de vida dos camponeses, pelo contrário, criou uma desigualdade social em relação a vida na cidade. Segundo Octávio Ianni a globalização generalizada oriunda da consolidação do sistema capitalista foi o fator determinante para a mudança no campo. Transformou este espaço num lugar totalmente mecanizado e desigual. Esta nova forma de produzir, mecanizada, esta alheia à maioria dos produtores rurais o que acarreta num aumento da desigualdade no campo em relação à cidade.

Além disso, a questão da pobreza esta diretamente ligada à forma que o sistema capitalista se desenvolve no mundo. O auge disso acontece após a virada do século XX para o XXI, onde a generalização da globalização se acentua distribui a desigualdade no mundo. Países considerados “subdesenvolvidos” ou em “vias de desenvolvimento” como o Brasil são os que mais sofrem com esse sistema que privilegia os mais ricos e explora os mais pobres. Pudemos verificar a partir da breve análise dos textos, que a pobreza é fruto dessa desigualdade proporcionada pelo sistema produtivo capitalista.

Casos como o da produção alimentícia exemplificam como o sistema contribui para acentuação da miséria e que sua superação passa por políticas que procuram repensar como este modelo econômico age principalmente em regiões periféricas do capitalismo, como a América Latina.

Referências

DUPAS, Gilberto. O mito do progresso ou progresso como ideologia. 2ª ed. São Paulo: Editora UNESP, 2012, p. 141- 182.

FARIA, Vilmar. Brasil: compatibilidade entre a estabilização e o resgate da dívida social. Cadernos Adenauer, n. 1. São Paulo: Fundação Konrad Adeunauer, 2000, p. 21.

IANNI, Octávio. A Era do Globalismo. O Mundo Agrário. - 3ª ed. – Rio de Janeiro; Civilização Brasileira, 1997, p. 36 – 57.

LENA, Philippe; NASCIMENTO, Elimar Pinheiro (Orgs). Enfrentando os limites do crescimento: sustentabilidade, decrescimento e prosperidade. Rio de Janeiro: Garamond, 2012, p. 171-181.

MAZOYER, Marcel; ROUDART, Laurence. História das agriculturas no mundo: do neolítico à crise contemporânea. São Paulo: Editora UNESP, 2010, p. 25-94.

PIKERRY, Thomas. O capital no século XXI. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2013, p. 1-41.

THOMPSON, Eric. Costumes em comum. São Paulo: Sachwartcz, 1998, p. 267-304.





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