| | O artigo parte da reflexão sobre as produções artísticas da Pop Art para discutir o encobrimento da percepção visual ocasionado pela avalanche imagética que nos rodeia, visando contribuir para a compreensão do papel desempenhado pelas imagens na sociedade contemporânea.Os nossos olhos são como câmeras escuras. No entanto, mais do que permitirem a entrada da luz, através deles penetram as imagens do mundo. Assim, as imagens guardadas em nossa memória passam a fazer sentido e nos permitem [...]A crônica visual narrativa que apresento se configura como um dos retratos possíveis da contemporaneidade, um tempo no qual a efemeridade dos conteúdos e a eternidade dos invólucros caracteriza a "vida líquida" problematizada por Zygmunt Bauman.Que olhos serão estes? Imerso no ritmo alucinante do cotidiano o transeunte quase não percebe essas mudas presenças que, diferentes dos vigilantes olhos eletrônicos, manifestam as singularidades construtoras da cidade contemporânea. O palimpsesto gerado pelo graffiti no espaço urbano nos remete às imagens gravadas nas cavernas. Estaremos construindo uma nova Lascaux?O artigo tem por objetivo problematizar questões relativas à cultura das sociedades capitalistas que perpetuam uma trajetória de dominação, exploração e desvalorização das diversidades, seja no âmbito do humano como no da própria natureza.Estreou recentemente nos cinemas de todo país o filme “Ensaio sobre a Cegueira”, do diretor Fernando Meirelles baseado na obra homônima do escritor José Saramago. Meirelles, fiel à história de Saramago, nos apresenta a história de uma humanidade degradada em conseqüência de um mal de proporções epidêmicas, uma estranha cegueira que expõe a precariedade das relações e dos valores da sociedade contemporânea.O artigo discute as implicações e os impactos ambientais das atividades de mineração de carvão na Vila do Seival, no município de Candiota (RS), apresentando fotografias como pequenos focos iluminadores que nos possibilitam refletir sobre a degradação das relações estabelecidas entre o homem e o meio natural em seus trajetos na busca pelo tão famigerado progresso.O artigo discute as relações entre a estética e a ética das produções artísticas contemporâneas, a partir das propostas conceituais de Marcel Duchamp, confrontadas com algumas manifestações que colocam em cheque o próprio estatuto da obra de arte, problematizando as relações sócio-ambientais.O artigo tem por objetivo aprofundar as reflexões sobre as questões referentes à degradação das relações do homem contemporâneo com o meio, utilizando imagens fotográficas da Praia do Cassino (Rio Grande, RS) como instrumentos de transposição, análise e interpretação dos vestígios de mentalidades e comportamentos, na articulação de uma discussão sobre novas formas de olhar o mundo.A que lugar eu pertenço? A globalização nos leva a re-imaginar a nossa localização geográfica e geocultural. As cidades, e, sobretudo as mega-cidades, são lugares onde essa questão se torna intrigante. Ou seja, espaços onde se apaga e se torna incerto o que antes se entendia por “lugar” [...] Cláudia Mariza Mattos BrandãoNosso século é marcado pela tirania da eficiência, do máximo desempenho e da lógica do mercado e do consumo, assumindo uma mentalidade totalizadora que molda os imaginários individuais, impondo códigos, condutas e comportamentos, e agravando o processo de afastamento entre o homem e o meio[...]O vai-e-vem das grandes cidades, o movimento contínuo e frenético que determina o compasso de nossas ações cotidianas, não deixa muito espaço para a observação, para o envolvimento com o outro. A construção de um olhar estético-crítico sobre o mundo implica na compreensão da importância da leitura visual nos processos de formação do cidadão contemporâneo. No documentário Janela da Alma o escritor José Saramago afirma que estamos cegos e, mais do que nunca, vivendo na caverna de Platão: - Ver é muito complicado, proclama.A crise ecológica remete a um colapso global - social, político e existencial - que se configura como uma situação histórica peculiar, colocando a subjetividade como um parâmetro diferenciador na constituição das individualidades emergentes. O artigo aborda a vivência de um projeto de extensão universitária, “Olhares Viajantes”, do curso de Artes Visuais – Licenciatura (FURG). Cláudia Mariza Mattos Brandão[...] A expressão artística, como resultado da articulação dos códigos específicos de cada linguagem, possui uma forma que está impregnada da visão de mundo de quem a realiza [...]
A cidade que se impõe a nós por sua presença cotidiana demonstra que o homem excede em sua capacidade de consumo comprometendo cada vez mais a qualidade da vida urbana. Vivenciamos uma época que massifica comportamentos e padroniza personalidades na busca da ascensão profissional-financeira: um requisito fundamental para a sobrevivência em nossa sociedade consumista. Com esse comportamento perdemos a essência, o olhar particularizado sobre o que nos rodeia, enfim... perdemos a identidade individual e coletiva. O projeto Identidades pretende instaurar a discussão sobre as questões identitárias na contemporaneidade, resgatando através da arte, da educação e da ação cidadã, a relação do homem com o seu meio e, conseqüentemente, consigo próprio."A Modernidade consagrou a idéia do ser humano superior e do ambiente natural como um recurso inesgotável a ser explorado, e impôs uma ordem humana ao mundo natural 'desordenado'. No mundo renascentista tudo encontrava identidade e lugar numa realidade pseudo-ordenada".As civilizações sempre reconheceram que a água desempenha um papel determinante como suporte da vida sobre o planeta. Na Antigüidade a consciência social da necessidade de preservação da qualidade dos mananciais e o caráter mítico da água foram fatores que favoreceram sua preservação.As marcas da Educação Ambiental na paisagem urbanaUm pouco da história, dos desafios para a crise atual e a relação da Arte neste contexto.O transeunte vive em estado de alerta, numa extrema atenção que visa, antes de tudo, à sua própria sobrevivência. Seu olhar não pode demorar-se em nenhum ponto do mundo que o circunda, pois poderá ser tarde demais: por isso ele não espera que aquilo que vê o olhe, não anima mais o inanimado. Decadência da aura, crise da experiência: o transeunte perde a memória e com isso, a identidade. (Machado, IN: OLIVEIRA e SANTAELLA, 1987: 107)Edward HopperDa longa relação entre natureza e cultura constitui-se a paisagem. Se analisarmos a paisagem, natural e urbana, como um texto escrito pelas sucessivas gerações humanas, poderemos identificar na topografia inanimada um agente histórico com vida própria |