ISSN 1678-0701
Número 65, Ano XVII.
Setembro-Novembro/2018.
Números  
Início      Cadastre-se!      Procurar      Submeter artigo      Fazer doação      Contato     Apresentação     Normas de Publicação     Artigos     Dicas e Curiosidades     Reflexão     Para sensibilizar     Dinâmicas e recursos pedagógicos     Entrevistas     Culinária     Arte e ambiente     Divulgação de Eventos     O que fazer para melhorar o meio ambiente     Sugestões bibliográficas     Educação     Você sabia que...     Plantas medicinais     Contribuições de Convidados/as     Folclore     Práticas de Educação Ambiental     Soluções e Inovações     Ações e projetos inspiradores     Gestão Ambiental     Relatos de Experiências     Notícias
Artigos

16/09/2018ESTUDO DA GESTÃO AMBIENTAL, SOCIAL E ECONÔMICA EM UMA INSTITUIÇÃO DE ENSINO SUPERIOR  
Link permanente: http://www.revistaea.org/artigo.php?idartigo=3382 
" data-layout="standard" data-action="like" data-show-faces="true" data-share="true">

ESTUDO DA GESTÃO AMBIENTAL, SOCIAL E ECONÔMICA

EM UMA INSTITUIÇÃO DE ENSINO SUPERIOR





Mestranda CRISTINA MARIA TAVARES PEREIRA

Unicesumar – Centro Universitário de Maringá

cristavarestreinamentos@gmail.com

Profa. Dr a. EDNEIA APARECIDA DE SOUZA PACCOLA Unicesumar – Centro Universitário de Maringá

edneia.paccola@unicesumar.edu.br

Profa. Dr a. REJANE SARTTORI

UEM – Universidade Estadual de Maringá

rejane.sarttori@unicesumar.edu.br



RESUMO

As ações realizadas por meio de projetos voltados a gestão ambiental são necessárias para o desenvovilmento sustentável, que vem ganhando um espaço crescente nas Instituições de Ensino Superior (IES). O objetivo deste trabalho foi realizar um estudo sobre as ações socioambientais realizadas em uma Instituição de Ensino Superior da rede privada, localizada ao norte do Estado do Paraná. A metodologia aplicada foi pesquisa qualitativa, exploratória, cujos meios de investigação foram a revisão bibliográfica e um estudo de caso através de análise documental, embasada na temática sustentabilidade, foram analisadas as grades curriculares das disciplinas, bem como os projetos contidos e não contidos no Sistema Gestão Ambiental (SGA) elaborados pela IES. Os resultados puderam identificar, quantificar, classificar e sugerir novas propostas que estivessem em consonância com o tripé da sustentabilidade atendendo as dimensões ambiental, social e econômica, apontando para a adição de propostas com caráter ambiental e econômico, uma vez que a dimensão social apresentou uma quantidade relevante de projetos em execução. As propostas sugeridas envolvem ações como a formação de grupos de pesquisa com foco no tema socioambiental, a realização de eventos de extensão voltados a sustentabilidade, programa de sensibilização e conscientização para mudança de hábitos diários para a comunidade acadêmica que contribuam para as questões voltadas a gestão ambiental, criação de guia virtual que contemple e torne público as atividades realizadas no SGA da IES. Observou-se uma lacuna que compromete o processo contínuo das propostas, a falta de relatórios finais para mensuração de resultados, para corrigir tal situação, propôs-se o uso do ciclo PDCA, Plan-Do-Check-Act, considerada uma ferramenta de planejamento, execução, padronização, controle e busca por melhoria contínua.



PALAVRAS-CHAVE: Ensino Superior; Gestão Socioambiental; Tripé Sustentabilidade.





ABSTRACT


The paper consisted in performing a study about the social and environmental actions carried out in a Higher Education Institution of the private network, located in the north of the State of Paraná. The applied methodology was qualitative, exploratory research, whose means of investigation were the bibliographical review and a case study through documentary analysis, based on the sustainability theme, it was analyzed the curricula of the disciplines, as well as the contained and not contained projects in the Environmental Management System prepared by HEI. According to the analysis, it was possible to verify a gap that jeopardizes the continuous process of the proposals, the lack of final reports to measure results, to correct this situation, it was proposed to use the PDCA cycle, Plan-Do-Check-Act, considered a tool for planning, execution, standardization, control and search for continuous improvement. The results were able to identify, quantify, classify and suggest new proposals that were in consonance with the sustainability tripod fulfilling the environmental, social and economic dimensions, pointing to the addition of environmental and economic proposals, since the social dimension presented a relevant amount of projects in execution. The suggested proposals involve actions such as the formation of research groups focused on the socio-environmental theme, the holding of extension events focused on sustainability, awareness program to change habits in daily actions for the academic community, creation of a virtual guide that contemplates and disclose the activities performed in the ‘SGA’ of the HEI.

Keywords: Higher Education. Socio-environmental Management. Sustainability Tripod.





INTRODUÇÃO



Nas últimas décadas, as IES começaram uma transformação de cunho sustentável em respostas a uma crise ambiental global. O papel assumido pelas IES no processo de desenvolvimento e aprendizagem, na preparação de estudantes e fornecimento de informações e conhecimento, pode e deve ser utilizado também para construir o desenvolvimento de uma sociedade sustentável e justa (SILVA et al. 2015).

Macedo et al. (2013, p. 75) enfatizam que as IES devem instigar o debate e proporcionar informações consistentes acerca dos problemas nas dimensões sociais, econômicos e ambientais e essa integração da sustentabilidade pressupõe repensar a missão da própria instituição.

Para Barbieri (2011, p. 26) uma organização sustentável é aquela que pratica uma gestão socioambiental, contemplando em suas políticas e estratégias o compromisso para com o crescimento econômico, equilibradas aos aspectos ecológicos e progresso social, agregando aos seus proprietários e investidores, valor ao longo prazo e contribuindo de forma contínua para a solução dos problemas socioambientais.

Ávila (2014, p. 26) menciona que vários autores conceituam sustentabilidade procurando encontrar uma forma sistemática para operacionalizá-la nas organizações, a operacionalização do conceito de desenvolvimento sustentável (DS) ganhou diversas conotações e vários modelos alcançaram destaque, tanto no meio acadêmico quanto no empresarial.

Um dos principais modelos, que procurou reduzir a sustentabilidade a um padrão mínimo de operacionalização, é o denominado Triple Botton Line (TBL), conhecido como Tripé da Sustentabilidade, definido como o “princípio de assegurar que nossas ações hoje não limitarão a gama de opções econômicas, sociais e ambientais disponíveis para as gerações futuras” (ELKINGTON, 2012, p. 20).

De acordo com a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, o Sistema de Gestão Ambiental (SGA) é um conjunto de processos e práticas que permitem a uma organização reduzir seus impactos ambientais e aumentar sua eficiência operacional (EPA, 2006).

Ferranti e Jobbour (2012, p. 9) explicam que, para o planejamento, execução, padronização e verificação do SGA sugere a implantação da metodologia PDCA - Plan-Do-Check-Act (Planejar, executar, verificar e agir), o Plan refere-se ao planejamento das metas e dos processos para alcançá-las; Do, a implementação propriamente dita; Check, refere-se ao monitoramento dos processos; e Act, a ação contínua.

Cabe ressaltar que o Ciclo PDCA é uma metodologia com função básica ao auxílio no diagnóstico, análise e prognóstico de problemas organizacionais, a melhoria contínua é um dos objetivos da ferramenta que possibilita um ciclo contínuo (SILVA, CAVALARI e MUENCHEN, 2015, p. 283).

Assim, o objetivo deste trabalho consiste em realizar um estudo sobre as ações voltadas as questões socioambientais em uma Instituição Ensino Superior da rede privada localizada na região Norte do Paraná, analisando desde as grades curriculares das disciplinas dos cursos de graduação e pós-graduação, bem como os projetos voltados ao programa de Gestão Socioambiental elaborados pela IES.



MATERIAL E MÉTODOS



Para esse estudo, foi realizada uma pesquisa qualitativa, exploratória, cujo meio de investigação foi um estudo de caso em uma Instituição de Ensino Superior. Em relação a caracterização do local, o estudo foi realizado em uma Instituição de Ensino Superior, fundada no ano de 1966, na região Norte do Paraná.

Desse modo, primeiramente foi feita uma abordagem teórica do problema, caracterizado pela pesquisa bibliográfica sobre o tema em artigos científicos, em bases de dados eletrônicas.

Após a definição do problema, Toledo (2012, p.35) afirma que, durante a fase do planejamento, deve-se“determinar o procedimento necessário para resolvê-lo e, em especial, definir como levantar informações sobre o assunto objeto de estudo. Com isso, buscou-se identificar os projetos inseridos no SGA da IES.

O estudo de caso envolveu uma pesquisa de campo por meio de investigação documental abordando a temática gestão socioambiental nos cursos de graduação e pós-graduação a exemplo de projetos, grades curriculares das disciplinas e projetos integrados ao SGA, disponibilizados pela IES.





RESULTADOS E DISCUSSÃO



No processo da pesquisa foi possível constatar a criação de um programa de Extensão Universitária pela IES intitulado “Programa Gestão Sócio Econômico Ambiental”, formulado em 4 de outubro de 2012 com uma previsão de finalização e ou reformulação para dezembro de 2017, tendo como proponente um funcionário técnico-administrativo. Na época de criação da proposta constatou-se a importância de um SGA, vinculando projetos que já eram realizados e estavam desvinculados do programa. Com a proposta também abriria a possibilidade da inserção de novas ações que viessem a acontecer a partir do período apresentado, que pudessem atender as características ambientais, sociais, econômicas e que agregariam para a ampliação do Programa de SGA da IES.

Afirma Silva (2012, p. 23) que é possível perceber que as três dimensões da sustentabilidade são complementares para uma empresa ou sistema. Assim, para afirmar que uma empresa é sustentável, é preciso que sejam analisadas criteriosamente as ações e os indicadores econômicos, sociais e ambientais.

Barth e Rieckmann (2012, p. 28) enfatizam que a educação para a sustentabilidade no ensino superior representa um novo desafio para o sistema acadêmico, uma vez que muitas universidades realizam atividades para a sua implementação, e vários estudos apontam barreiras para a inserção da sustentabilidade nos currículos.

Na Política Nacional de Educação Ambiental, Lei N. 9.795, de 27 de abril de 1999, a educação ambiental é enfatizada como componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não formal. A política prevê que, ao poder público, nos termos dos artigos 205 e 225, da Constituição Federal Brasileira (CFB), cabe a responsabilidade de definir políticas públicas que incorporem a dimensão ambiental, promovendo a educação ambiental em todos os níveis de ensino e o engajamento da sociedade na conservação, recuperação e melhoria do meio ambiente (CFB, 1999).

Com base nesta necessidade de adequação as questões socioambientais serão apresentadas as informações da IES em estudo inerentes ao tema.

Observa-se no Quadro 1 a composição da matriz curricular de cada curso (graduação) com disciplinas que atendam as questões ambientais, econômicas e sociais, estando em conformidade com o tripé da sustentabilidade.



QUADRO 1: Relação das disciplinas socioambientais contidas nos cursos de graduação e pós-graduação oferecidas pela IES.

CURSOS

DISCIPLINAS













GRADUAÇÃO

ADMINISTRAÇÃO

Responsabilidade Socioambiental



CIÊNCIAS BIOLÓGICAS

Ética e Meio Ambiente

Ecologia

História e filosofia das Ciências Sociais

Educação e Legislação Ambiental

CIÊNCIAS CONTÁBEIS

Responsabilidade Socioambiental



GEOGRAFIA

Ética e Meio Ambiente

Climatologia

Análise e Planejamento Ambiental



MARKETING

Responsabilidade Socioambiental

Ética e Responsabilidade Social nos Negócios

PEDAGOGIA

Ética e Meio Ambiente





















PÓS-GRADUAÇÃO

















ANÁLISE, PERÍCIA E GESTÃO AMBIENTAL

Política, Legislação e Normatização Ambiental

Estudos e Licenciamento Ambiental

Avaliação e Gestão de Risco Ambiental

Perícia Ambiental Judicial e Securitária

Geoprocessamento Aplicado a Análise Ambiental

Climatologia Aplicada a Análise Ambiental

Análise de Bacias Hidrográficas

Biogeografia: Análise da Fauna e Flora

Biociências e Biotecnologia

Análise do Meio Socioeconômico nos Estudos Ambientais

O Espaço Urbano – Metropolitano nos Estudos Ambientais

Auditoria Ambiental

MBA EXECUTIVO EM GESTÃO DE NEGÓCIOS E ESTRATÉGIAEMPRESARIAL

Gestão Socioambiental

Fonte: Elaborado pela autora.

Analisando o Quadro 1 pode-se diagnosticar que os cursos de graduação e pós-graduação contemplam disciplinas que discutem as dimensões ambiental, social e econômico, fortalecendo o desenvolvimento de seus estudantes com uma visão ambientalmente correta reforçando a formação cidadã. Reis e Brancher (2015, p. 5) apontam que algumas “[...] instituições têm em sua matriz uma disciplina relacionada com a sustentabilidade.” Esse fato converge com a perspectiva de Jacobi, Raufflet e Arruda (2011, p. 21), que concluem que a maioria das instituições de ensino superior tem conseguido apenas pequenos avanços incrementais na direção do fortalecimento de uma agenda educacional para a questão da sustentabilidade, quando confrontadas com a complexidade, tem enfrentado resistência às mudanças estruturais e comportamentais mais significativas.”

É considerável que o processo de construção de valores sociais, de conhecimentos e de cidadania deve estar atrelado a relação do indivíduo com o meio natural e com a sociedade, superando os limites e os desafios,a caminho de uma prática transformadora” (PEREIRA, 2017, p. 5).

Observa-se a estruturação das grades dos cursos de graduação e pós-graduação com eixos voltados a gestão socioambiental. Oliveira et al. (2015, p. 48) reforçam que, para alcançar a estruturação de uma gestão voltada para a sustentabilidade, é importante transformá-la em um valor corporativo que reforce as posturas socialmente corretas, ambientalmente sustentáveis e economicamente viáveis.

As três dimensões devem estar integradas. Afirma Ávila (2014, p. 26) que a dimensão social refere-se ao capital humano, comunidade, toda a sociedade, definindo a necessidade de pagamentos de salários justos e adequados à legislação trabalhista, além de proporcionar outros aspectos como o bem estar dos funcionários. A dimensão ambiental refere-se ao capital natural de um empreendimento ou sociedade, indicando que é preciso amenizar o impacto ambiental negativo e compensar o que não é possível amenizar. A dimensão econômica refere-se aos temas ligados à produção, distribuição e consumo de bens e serviços, devendo levar em conta outros aspectos que envolvem o setor em que a organização atua (ELKINGTON, 2012, p. 20).



Projetos pertencentes ao Programa de SGA da IES



Foram apresentados os projetos no Programa Gestão Sócio Econômico Ambiental da IES. Para Lara (2012, p. 1646) “a implantação do SGA deve considerar as atividades de todos os departamentos, disciplinas e estruturas de gestão de uma instituição de ensino superior [...]”

Apresentam-se projetos contidos no SGA da IES: Conscientização Ambiental – Coleta de lixo eletrônico (2011); Coleta e destinação de resíduos laboratoriais (2011); Ações administrativas para a Sustentabilidade (2012); Reciclando o dia a dia e destinação de lâmpadas (2012); Palestras de Gestão Ambiental na Empresa (2012) e Sede de vida (2013). A partir da descrição de cada projeto foi realizada a classificação de acordo com o Tripé da Sustentabilidade. (Quadro 2)



QUADRO 2: Relação dos projetos da IES no programa SGA classificados de acordo com as dimensões da sustentabilidade.

IES

PERÍODOS

PROJETOS

DIMENSÃO AMBIENTAL

DIMENSÃO SOCIAL

DIMENSÃO ECONÔMICA





PROJETOS CONTIDOS NO SGA

2011 a 2016

Conscientização ambiental: Coleta de lixo eletrônico

X

X


2011 a 2016

Coleta e destinação de resíduos laboratoriais

X



2012 a

2016

Ações administrativas para a sustentabilidade

X

X

X

2011 a 2016

Reciclando o dia a dia e destinação de lâmpadas

X

X


2012

Palestras de Gestão Ambiental nas empresas

X



2013

Sede de Vida

X

X

X

Fonte: Elaborado pela autora.

No primeiro projeto, Coleta de lixo eletrônico (materiais eletrônicos, pilhas e baterias), El-Faro; Calia; Pavan (2012, P. 142) esclarecem que lixo eletrônico engloba todos os tipos de aparelhos eletrônicos que são passíveis de virarem lixo. De eletrodomésticos a brinquedos, tudo que recebe energia elétrica ou de baterias pode ser considerado um futuro e-lixo.

Esse projeto foi iniciado no ano de 2011, como o objetivo de conscientizar professores, funcionários, acadêmicos e a comunidade externa, sobre a da coleta e destinação correta destes resíduos sólidos. De acordo com relatórios da IES, entre os anos de 2011 a 2015 foram coletados 3.200 quilos de lixo eletrônico encaminhados para algumas ONGS, localizadas em municípios próximos, local onde os resíduos recebidos eram descaracterizados e destinados de acordo com a legislação vigente. Para uma das ONGs, foi concedido uma Certificação de Destinação de Resíduos Industriais referente aos anos de 2013 a 2015. Para concluir seu pensamento El-Faro; Calia; Pavan (2012, p. 145) acrescentam que a importância do trabalho de recolhimento do lixo eletrônico serve para evitar contaminação do meio ambiente por metais pesados; dar o destino e descarte corretos desse tipo de lixo, hoje é lei dar destino correto a esses materiais; finaliza dizendo que enquanto instituição educadora, é nosso dever dar exemplo e dar destino correto ao Elixo (El-Faro; Calia; Pavan, 2012, P. 153).

Com a existência do Curso de Ciências Biológicas na IES, gera-se resíduos contaminantes no decorrer das aulas práticas realizadas nos laboratórios específicos da área de Química/Física/Microbiologia, Citologia/Histologia, Anatomia Humana e Zoologia e Botânica. Para atender esta situação em 2011 foi elaborado o projeto de Coleta, transporte e destinação de resíduos laboratoriais, sendo contratada uma empresa terceirizada especializada em transporte, coleta, armazenamento temporário e destinação final dos resíduos, em conformidade com Resolução da Diretoria Colegiada – RDC no 306, de 7/12/2004 – ANVISA, Resolução do CONAMA no 358/2005 e as normas da ABNT – Norma Técnica no 10.004 (ABNT, p. 51). No levantamento das informações do projeto foi possível comprovar que a Certificação Técnica fornecida pela empresa especializada está documentada no período de 2011 a 2017.

Expõe Mistura, Vaniel e Linck (2010, p. 12) que [...] desenvolver uma visão crítica e uma consciência ética junto aos(as) docentes e discentes das disciplinas que utilizam os laboratórios nos diversos cursos quanto à toxicidade e periculosidade dos resíduos produzidos durante suas atividades práticas.

O terceiro projeto na IES, criado em 2012, denominado ações administrativas para a Sustentabilidade, o projeto contempla ações como impressões na copiadora utilizando os dois lados dos papéis e manter os locais sem uso com as lâmpadas apagadas. Foram distribuídos em 2015 canecas em acrílico para o uso de líquidos frios para todos os professores e funcionários com o objetivo de diminuir o consumo de copos plásticos.

Sabendo dos riscos causados pelas lâmpadas destinadas de forma incorreta, foi criado em 2012 o projeto Reciclando o dia a dia e destinação de lâmpadas, que estará em funcionamento até 2017. Primeiro as lâmpadas são acondicionadas em local apropriado na IES e uma empresa especializada e autorizada realiza a coleta das mesmas. Para cada lâmpada recolhida a IES paga R$ 0,80 (oitenta centavos). Não foi possível fazer o levantamento de quantidade recolhida versus valores pagos ao destinador final por falta de relatórios, assim inviabilizando uma análise mais detalhada desta prática realizada.

Palestras de Gestão Ambiental na Empresa (2012), com o objetivo de levar temas pertinentes a questão socioambiental, o projeto nasceu em 2012 e não possui registros. Não houve a aplicação deste projeto.

O último projeto chamado Sede de vida foi proposto em 2013, com uma única edição, realizado e executado por professores e acadêmicos do Curso de Ciências Biológicas da IES envolvendo a participação dos demais cursos e comunidade na coleta. O projeto foi desenvolvido com o propósito de conscientizar e levantar informações sobre a reutilização e reciclagem de materiais que, em seguida, contou com uma campanha de arrecadação de embalagens plásticas de suco em pó, para serem enviadas à TerraCycle® (empresa amiga do meio ambiente que oferece uma série de programas de reciclagem financiados por marcas, empresas e varejistas ao redor do mundo para auxiliar na reciclagem de resíduos). A TerraCycle® recebeu as embalagens plásticas e retornou valores monetários pelas embalagens coletadas (9.000 embalagens no prazo de um ano). Posteriormente estes valores foram destinados a Casa de Abrigo a menores do município da IES. A empresa líder global em soluções para resíduos de difícil reciclabilidade TerraCycle® (2017) tem no Mundo 3.783.212.164 Unidades de Resíduos Coletados e no Brasil são 32.070.161 Unidades, sendo uma empresa de importante papel no desenvolvimento sustentável. Deve se dar uma atenção especial aos materiais plásticos pois para Zanin e Mancini (2015, p. 143), [...] resíduos de componentes plásticos, apresentam grande tendência à piora de propriedade após reprocessamento industrial e por possuírem, em sua grande maioria, alta resistência à biodegradação.

Assim, o levantamento realizado sobre a descrição de cada projeto integrante do Programa de Gestão Ambiental criado em 2012 na IES em estudo, constatou-se que quatro programas continuam sendo trabalhados e contemplam o pilar ambiental.



Projetos existentes na IES não pertencentes ao SGA



Antes da criação do programa de SGA alguns projetos da IES já eram realizados, os mesmos foram descritos com seus objetivos e características, observando quesitos pertinentes e pertencentes ao tripé da sustentabilidade que atingiu em alguns casos as questões sociais, em outros as econômicas e também ambientais, assim, podendo serem integralizados ao programa.

De acordo com os dados levantados, notou-se a participação de docentes, discentes e funcionários envolvidos nas propostas abrangendo empresas, instituições filantrópicas, pessoas de toda comunidade externa, de todos os gêneros, idades e classes sociais. Lara (2012, p. 1656) considera que, as IES devem colocar em prática aquilo que ensinam, tornar a sua própria gestão interna um modelo de gestão sustentável de sucesso para a comunidade, influenciar com resultados as organizações as quais os seus formandos irão fazer parte, visando a construção de um desenvolvimento social mais sustentável e justo.

Em 2003 nasce na IES uma forma diferenciada de recepcionar os calouros, Projeto de Ensino: SIVA - Semana de iniciação à vida acadêmica, “uma atividade entre cursos que visa à integração e ambientação dos calouros, a superação de desafios, a demonstração e descobertas de talentos e o despertar para atitudes em benefício do próximo”. As atividades contemplam diversas provas de integração dos calouros de todos os cursos. No quesito solidariedade, todos os anos são escolhidas entidades sem fins lucrativos sejam arrecadados produtos (materiais pedagógicos, livros, produtos de higiene pessoal, de limpeza, alimentos não perecíveis etc.) que possam ajudar na manutenção diária destes locais.

As entidades beneficiadas na realização das coletas sociais foram: creches, asilos, brinquedotecas, lar de caridade, associação de inclusão para crianças e adolescentes, escolas públicas e secretaria de saúde do município e região de abrangência da IES. O projeto existe até os dias atuais, foi possível levantar as informações estatísticas de 2011 a 2013, neste período foram envolvidas 748 pessoas dentre elas docentes, discentes e funcionários da IES, que coletaram 1.228.656 itens de produtos que ao final foram destinados às entidades.

Projetos de extensão universitária contam com a participação da comunidade acadêmica e possibilitam contato direto com a comunidade externa, afirma Lara (2012, p. 1656), projetos de extensão e seu poder modificador: com relação à extensão, as oportunidades são claras: práticas concretas de ações de sustentabilidade. Projetos de extensão são ações processuais e contínuas de caráter educativo, social, cultural, científico e/ou tecnológico, com objetivo específico e prazo determinado.

O Projeto de Extensão Universitária chamado Garotos de Ouro, iniciou suas atividades esportivas de futebol de salão em 2005, o trabalho foi realizado com crianças e adolescentes, gênero masculino e feminino, com o objetivo de fazer o preenchimento do tempo vago das crianças carentes com faixa etária de 6 a 15 anos, com isso, proporcionando a profissionalização através do esporte com incentivos por meio da participação em campeonatos municipais, regionais e nacionais.

No período de 2005 a 2014 foram 793 participantes no projeto Garotos de Ouro e nos anos de 2015 e 2016, não foram apresentados relatórios. Com a falta de apresentação de relatórios não é possível mensurar a execução do projeto nos dois últimos anos.

Outro Projeto de Extensão Universitária elaborado pela IES é o Centro de Apoio à Pessoa da Melhor Idade (CAPMI), desenvolvido em 2010, tinha como foco a multidisciplinariedade, oferecendo atividades coordenadas por profissionais com experiência na área de pessoas da melhor idade. Trabalha o homem de forma global favorecendo a percepção do equilíbrio entre mente e corpo através de atividades físicas, artísticas e culturais, sem nenhum custo para as pessoas da comunidade externa com idade entre 45 e 80 anos, dos gêneros masculino e feminino, envolvendo acadêmicos em atividades para criar integração dos dois públicos, idosos versus jovens. Observou-se as características da dimensão social sendo exercido neste projeto. O projeto esteve com atividades até o ano de 2013 e atualmente está suspenso temporariamente, por falta de recursos financeiros. No período de 2010 a 2013 foram atendidas 255 pessoas no projeto social com idade entre 45 e 80 anos.

Confirma Rabelo e Silva (2011, p. 5) que, responsabilidade socioambiental corporativa surge como uma ferramenta para contornar e amenizar o caos social. Essa nova área de ação abrange a maioria das atividades que estão ligadas à instituição, que geram benefícios para a comunidade, tanto à interna, àqueles que fazem parte da organização, quanto à externa, toda a sociedade.

A dimensão social contempla, ainda, o projeto Fanfarra, que nasceu em 2001 e é realizado até os dias atuais. A proposta teve por finalidade oferecer aos acadêmicos da instituição e também extensivo aos alunos da rede pública de ensino, municipal, estadual e membros da comunidade, a oportunidade de participarem de um trabalho musical e disciplinar. As atividades exercidas no projeto de cunho social, oportuniza aos integrantes participações em festivais, passeatas, desfiles, abertura de jogos e eventos.

Participaram do Projeto Fanfarra 527 integrantes da comunidade em geral compreendidos entre os anos de 2005 a 2014. Identificou-se a falta de relatórios dos períodos de 2001 a 2004 e de 2015 a 2016.

O Projeto Doação de Sangue, Medula Óssea e Cidadania nasce em parceria com o Hemonúcleo do munícipio de Apucarana. Esta iniciativa surgiu em 1996 com o seguinte slogan: “Mostre que você tem coração – Doe Sangue. Salve Vidas”. A iniciativa foi promover solidariedade entre acadêmicos, professores e funcionários da Instituição, ao incentivar a prática voluntária da doação de sangue e o cadastramento de doadores para medula óssea. Com características sociais o projeto tem suas atividades até os dias atuais, contando com a participação da comunidade externa e assim contribuindo principalmente para a consciência cívica e solidária dos participantes, tornando-os doadores ocasionais em doadores habituais.

Para Malheiros et al. (2014, p. 8), a falta de doadores e elevados índices de inaptidão clínica e sorológica podem resultar em déficit nos estoques de sangue, gerando consequências adversas para os indivíduos e a saúde coletiva. Portanto, é necessário que se estimule de várias formas a doação de sangue, seja pela fidelização dos doadores ou mobilização permanente da população, portanto a necessidade da criação de projetos com cunho social, a fim de somar as ações coletivas.

Nos registros feitos nos relatórios da IES, foi possível acompanhar as informações referentes ao período de 2011 a 2014, tendo 546 doadores de sangue e 91 cadastramentos de medula óssea distribuídos nos quatro anos.

Visando atender a comunidade acadêmica da IES, foi criado em 2008 um espaço de apoio pedagógico chamado Brinquedoteca, organizado pelo curso de pedagogia com o intuito de possibilitar uma ampliação e aprofundamento dos conhecimentos  teóricos e metodológicos para as futuras pedagogas, além de proporcionar aos pais estudantes uma oportunidade de ter onde deixar seu(s) filho(s) no horário de aula, servindo de apoio para dias que não teriam onde deixar as crianças para poder estudar. Assim iniciam-se as atividades do projeto Lapbrinq – Brinquedoteca (laboratório de pedagogia), a fim de oferecer atividades e  incentivar a vivência das crianças com o lúdico. Para Mára (2014, p. 10), a missão institucional e os projetos amparam-se numa pedagogia de socialização plena, interação e diálogo entre pessoas e comunidades do entorno, de modo que elas se apropriem, afetivamente, dos espaços artísticos e educacionais para usufruto do direito social à educação e à cultura como garantias cidadãs. O mesmo autor afirma ainda que [...] é um objetivo a ser alcançado pelo conjunto de instituições, atores e agentes, inseridos num contexto socioeconômico, histórico e cultural – responsáveis pelo bem-estar.

A Brinquedoteca realizou atividades envolvendo 4.670 crianças e 110 idosos no período de 2011 a 2014. Nota-se que o projeto iniciou as atividades em 2008 e apresentou funcionamento até 2016.

O projeto de formação continuada dos professores (2013) oportuniza o crescimento pessoal e o desenvolvimento profissional, atingindo a dimensão social. Este incentivo financeiro se classifica também no pilar econômico do tripé da sustentabilidade, tendo a IES como uma investidora em seu quadro docente. De acordo com os dados apresentados foram 40 professores beneficiados em programas de Pós-Graduação Stricto Sensu (mestrado e doutorado), pois a formação faz parte de uma função da cultura sistêmica da padronização dos processos, treinamento e capacitação de pessoal.

Inicia em 2005 o projeto de Extensão Universitária intitulado “Formação Continuada Técnico-Administrativo”, a proposta é permitir e facilitar a formação dos funcionários em cursos superiores de graduação e de pós-graduação oferecidos pela IES, fornecendo incentivo através de flexibilidade de horários e apoio financeiro para o custeio do curso escolhido. As questões social e econômica são apontadas neste projeto. De acordo com os benefícios cedidos pela IES, foram 49 bolsas distribuídas na formação de graduação e 18 bolsas de Pós-Graduação (Lato Sensu).

O incentivo ao desenvolvimento humano é um dos grandes desafios na atualidade. De acordo com Sartori (2014, p. 3), vários são os desafios da sustentabilidade: Implementar normas de proteção ambiental; capturar os impactos externos das atividades além do nível local; reconhecimento da sustentabilidade social; desenvolvimento humano; erradicação da pobreza; produção e consumo equilibrado; incentivo à educação; desenvolvimento e manutenção de recursos ambiental [...].

O Projeto Convênio com empresas, criado em 2003, foi desenvolvido em parceria com as empresas da região de abrangência da IES, com objetivo de conceder descontos para os funcionários (e familiares) advindos destas empresas, proporcionar a qualificação através dos cursos de graduação e pós-graduação oferecidos pela IES. Sendo um benefício para os funcionários e seus familiares sem nenhum ônus para a empresa parceira. Neste projeto observa-se o aspecto econômico do pilar da sustentabilidade.

Sendo a viabilidade financeira um fator de decisão na maioria das vezes na busca por formação, este projeto possibilitou o ingresso de 347 estudantes na vida acadêmica entre os anos de 2003 a 2014. Parece haver um consenso sobre os desafios da sustentabilidade: integrar economia, ambiente e sociedade, bem como as questões institucionais; considerar as consequências das ações do presente no futuro; conscientização e envolvimento da sociedade de acordo com (SARTORI; LATRÔNICO e CAMPOS 2014, p. 22).

E por fim, descreve-se o projeto que pode ser considerado dentro do tripé da sustentabilidade, intitulado “Consumo consciente: Eu pratico!”. Este foi um projeto pontual do ano de 2014 que tinha por objetivo incentivar o uso do copo de acrílico no dia a dia do trabalho, ajudando a proteger o meio ambiente, contribuir com a educação dos colaboradores para a mudança de hábitos, desta forma, contribuindo para a sustentabilidade da IES e diminuindo o desperdício de materiais.

Em relatório final apresentado, observou-se que houve uma diminuição no uso de copos descartáveis, mas não houve um levantamento quantitativo para o resultado final da ação e por quanto tempo os copos ficaram em circulação.

Diz Pereira (2017, p. 13) que o conceito de desenvolvimento sustentável não se reporta apenas ao aspecto econômico, mas que vise além desse, aspectos ambientais e sociais. Ressalta ainda que, o desafio que se coloca para os engajados na educação é o de desenvolver e implementar estratégias que possibilitem a integração com as comunidades em seu entorno, transformando-as em participantes e protagonistas de projetos de mudança, inclusão social e desenvolvimento sustentável (NUNES; SILVA 2011, p. 30).

Observa-se a relevância em propor novos projetos nas dimensões ambiental e econômica, uma vez que a dimensão social está com número mais elevado de projetos. Nunes e Silva (2011, p. 30) confirmam que, o fortalecimento da relação universidade/sociedade prioriza a superação das condições de desigualdades e exclusão existentes. Através de projetos sociais, a universidade socializa seu conhecimento e disponibiliza seus serviços, exerce sua responsabilidade social, ou mesmo sua missão com o compromisso de melhoria da qualidade de vida dos cidadãos.

Sugeriu-se propostas no SGA da IES nas dimensões: ambiental e econômica (Quadro 3), que em alguns casos pode ter um resultado interessante com apenas os comportamentos diários adotados por acadêmicos, professores e técnicos administrativos. Planejar e realizar projetos vai ao encontro do desenvolvimento das compentências relativas às inovações sustentáveis (RIECKMANN, 2012, p. 36).

Complementa Silva et al. (2015) colocaram que o exemplo brasileiro de universidade que instituiu um Sistema de Gestão Ambiental vem da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). Por intermédio do projeto Verde Campus, a Unisinos foi a primeira universidade da América Latina a ser certificada segundo a ISO 14001.

O primeiro projeto lançado pela Unisinos (2012) foi a coleta seletiva de papel. No mesmo ano, iniciou-se o trabalho junto à Diretoria do Campus, com o Verde Campus prestando consultoria às suas ações. Em pouco tempo, as atividades da equipe passaram a envolver praticamente todas as rotinas de gestão ambiental realizadas na Universidade. Com isso, observa-se que, por mais elementar que seja um projeto, vale ressaltar que deve-se instituir nas propostas socioambientais da IES.

QUADRO 3: Sugestões de novas propostas que atendam dimensões econômicas e ambientais na IES.

DIMENSÕES DA SUSTENTABILIDADE

SUGESTÕES PROPOSTAS

















AMBIENTAL

  1. Formação de grupos de pesquisa voltados ao tema socioambiental, apoiando e agregando propostas ao programa SGA da IES.

  1. Cada curso organizar um programa de sensibilização de acadêmicos sendo extensivo à comunidade externa.

  1. Organizar e realizar eventos para expor os trabalhos realizados no meio acadêmico sobre as questões ambientais, sociais e econômicas na IES.

  1. Colocação de lixeiras recicláveis e orgânicas no campus.

  1. Menor uso e descarte de copos descartáveis, inserindo placas de sinalização em locais estratégicos, apoiando a conscientização do uso consciente.

  1. Controle de consumo de água fazendo uso de placas de conscientização.

  1. Criação de espaços verdes – controle de vegetação.

  1. Sensibilização e treinamentos de equipes de limpeza dos prédios para minimização da água e do uso de produtos de limpeza que possam ser escoados para tubulações ou diretamente no solo causando contaminação.

  1. Programa de sustentabilidade institucional com objetivo de promover ações diárias entre docentes, discentes e acadêmicos.

  1. Guia virtual de boas práticas voltado às questões socioambientais desenvolvido nos projetos da IES.









ECONÔMICA

  1. Uso racional de papel, evitando impressões desnecessárias e quando necessário utilizar o verso do papel já usado, em todos os setores da IES.

  1. Construção de cisternas para reutilização da água das chuvas.

  1. Diminuição em valores de contas de água e luz, através as ações de sensibilização quanto ao uso racional destes recursos.

  1. Venda de materiais reciclados separados e coletados no dia a dia, revertendo valores para melhoria do programa de SGA.

  1. Construir um capítulo no Guia virtual de boas práticas virtuais, voltado a questão econômica, sugestão de nome para o título deste capítulo ECONOMIZE: reverta desperdícios em recursos e contribua para o meio ambiente.

Fonte: Elaborado pela autora.

Observou-se um aumento nas ações voltadas às dimensões ambiental e econômica por meio das sugestões propostas.

Ressalta Silva (2012, p. 34) que as IES podem contribuir com a temática gestão do meio ambiente através de ensinamento nas salas de aula, debates, palestras, workshops, projetos de iniciação científica e extensão e também promovendo boas práticas nas suas diversas atividades. Essa iniciativa proporciona aos docentes e discentes a possibilidade de rever os seus hábitos, mudar o estilo de vida e também de servir como intermediador e facilitador de novas técnicas ambientais para com os demais membros da sociedade.

Sendo assim, torna-se necessária a preparação de todos os colaboradores – docentes, discentes e funcionários – para que participem, de forma efetiva, das práticas socioambientais da IES (IP, 2015). Sabe-se que o engajamento das pessoas por meio das atitudes diárias é essencial para a eficiência e eficácia nos resultados, portanto, os estudantes, professores e funcionários são os principais responsáveis por tornarem viáveis os projetos que compõem o SGA e ainda serem disseminadores nas questões socioambientais. Para Pereira (2017, p. 5) é por intermédio da consciência significativa que o indivíduo pode construir representações, conhecimento, valor e juízo moral. Diz ainda que “estes aspectos podem ser subsidiados pela educação, através de diálogo e discussão, para uma compreensão reflexiva e crítica que resulte, sobretudo, na ação coletiva transformadora (PEREIRA, 2017, p. 5).

Foi observada a falta de controle das atividades nos projetos do SGA da IES, com isso propõe-se o uso da ferramenta PDCA. Salienta Ávila, Madruga e Beuron (2016) que o Ciclo PDCA, também conhecido como Ciclo da Qualidade ou Ciclo de Deming, é uma metodologia que tem como função básica o auxílio no diagnóstico, análise e prognóstico de problemas organizacionais, sendo extremamente útil para a solução de problemas.

Aponta, também, Oliveira (2014, p. 48) que o ciclo PDCA é um diagrama em fluxo para aprender e aprimorar produtos e processos. O ciclo possui quatro etapas: (1) Planejar, que parte de uma ideia que alguém tenha de melhoria em produto ou processo – considerada etapa zero – e que culmine com um plano de mudar/testar melhorias, que passam a ser objetivos; (2) Fazer, que significa executar o plano obtido; (3) Checar, estudar os resultados da ação; e (4) Agir, na qual resulta em três possibilidades, adotar, abandonar a sugestão de mudança, ou retomar o ciclo do início, neste sentido, previsões devem ser feitas (DEMING, 1994, p. 131).

Com o uso da ferramenta os projetos passarão por um ciclo contínuo de melhorias e acompanhamentos do início ao fim, como isso, podendo atingir resultados mensuráveis e ter avanço na qualidade.

QUADRO 4: Aplicação do PDCA nos projetos do SGA para verificação das etapas realizadas

IES

PROJETOS

PLAN

Planejar

DO

Executar

CHECK

Verificar

ACTION

Agir











PROJETOS CONTIDOS NO PROGRAMA DE SGA

Conscientização ambiental: Coleta de lixo eletrônico

X

X


X

Coleta e destinação de resíduos laboratoriais

X

X


X

Ações administrativas para a sustentabilidade

X

X


X

Reciclando o dia a dia e destinação de lâmpadas

X

X


X

Palestras de Gestão Ambiental nas empresas

X

X


X

Sede de Vida

X

X


X























PROJETOS NÃO CONTIDOS NO PROGRAMA DE SGA

SIVA – Semana de iniciação à vida acadêmica

X

X


X

Garotos de Ouro

X

X


X

Fanfarra

X

X


X

Doação de sangue e cadastro de medula óssea

X

X


X

Clínica Psicológica

X

X


X

Lapbrinq – Brinquedoteca

X

X


X

Formação continuada de professores

X

X


X

Formação continuada técnico administrativo

X

X


X

Convênio com empresas

X

X

X

X

Consumo consciente: Eu pratico

X

X


X

Fonte: Elaborado pela autora.

Como pode ser visto, a fase final dos projetos apresenta a falta da mensuração de resultados, situação que pode chegar a inviabilização de futuras aplicações das mesmas propostas. Depois do sistema implantado, faz-se necessário o acompanhamento das atividades previamente estabelecidas a fim de verificar se as mesmas estão atingindo os resultados esperados (SILVA, 2015). Portanto, propõe-se a utilização da ferramenta PDCA, a fim de promover melhoria contínua e busca da qualidade.

Para Sousa et al. (2013), a ferramenta PDCA, analisa de forma detalhada e estruturada o processo, em que permite identificar os pontos de melhorias e ação corretiva para eliminarem os problemas.” Sendo assim, sugere-se a aplicação da ferramenta PDCA no programa socioambiental da IES.

No Quadro 4, foi exposto os projetos já existentes no SGA da instituição, e a apresentação das fases embasadas no ciclo PDCA. Para correção da falta de relatórios finais das atividades executadas propôs-se o uso da ferramenta Plan-Do-Check-Act (PDCA), para que seja feito o monitoramento e a busca de melhoria das ações praticadas.



CONSIDERAÇÕES FINAIS



A partir do estudo realizado, foi possível observar que a área do Ensino Superior no Brasil teve um crescimento elevado nos últimos anos, consequentemente, um acréscimo no número de ingressantes nesta fase do ensino, com isso, houve a necessidade de mudanças em suas práticas pedagógicas, tendo a questão da sustentabilidade mais evidenciada, respondendo aos indicadores ambientais, sociais e econômicos, evidenciados na Gestão Socioambiental das matrizes curriculares e a implantação de Sistemas de Gestão Ambiental.

Mesmo com a indispensabilidade desta nova necessidade alguns autores concluem que a maioria das IES têm conseguido apenas pequenos avanços incrementais no que tange ao fortalecimento de uma agenda educacional para a questão da sustentabilidade, ainda que sejam exigências de órgãos regulamentadores, quando confrontadas com a complexidade, enfrentam resistência às mudanças estruturais e comportamentais mais significativas.

Na IES em estudo foram identificadas adequações nas matrizes curriculares dos cursos de graduação e pós-graduação, atendendo as exigências do Ministério da Educação. Além das matrizes, fora implantado um Sistema de Gestão Ambiental, atendendo às questões socioambientais através dos indicadores ambientais, sociais e econômicos.

De acordo com os dados coletados dentro do SGA da instituição, foi possível observar que houve um número maior nos projetos com características sociais, já nos projetos que contemplam os aspectos ambientais e econômicos, nota-se número reduzido, isso ocasiona um desequílibrio no sistema, pois este deve contemplar o tripé da sustentabilidade, que preocupa-se com as dimensões ambiental, social e econômica. Certificou-se então, a necessidade de novas propostas para projetos voltados aos pilares ambiental e econômico, desta forma, foram sugeridas propostas de ampliação com objetivo de equilibrar os indicadores supra citados.

Contudo, foi identificado ainda, que os projetos encontrados no contexto sistêmico apresentam pontos negativos no fechamento de suas atividades tendo, em sua maioria, a falta de relatórios com os resultados alcançados e, em alguns casos, chegando a descontinuidade. Para isso, sugeriu-se a aplicação da ferramenta PDCA, para que a melhoria pudesse ser contínua com o acompanhamento desde de fase de planejamento, execução, padronização até a verificação final das atividades, possibilitando assim mensurar os resultados finais. A metodologia PDCA é uma forma cíclica de melhoria contínua, pois as propostas a cada fechamento do ciclo reiniciam-se de maneira automática.

Diante do exposto, pode-se identificar, quantificar, classificar, sugerir os projetos no SGA e fazer propor o uso da ferramenta PDCA, possibilitando o equilíbrio sob a ótica das três dimensões que são necessárias para que haja o desenvolvimento sustentável: o caráter econômico, tendo resultados financeiros e organizacionais; o campo social, criando efeitos sob os cidadãos incluídos na instituição, bem como na sociedade; e o aspecto ambiental, gerando conscientização, sensibilização e, por consequência responsabilidade com o meio ambiente.



REFERÊNCIAS

ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR ISO 14001: Sistema de Gestão Ambiental – Requisitos com orientações para uso, p. 51. Rio de Janeiro, 2015.

ÁVILA, L. V. A Perspectiva da Sustentabilidade do Plano de Desenvolvimento Institucional: Um Estudo das Instituições Federais de Ensino Superior. 2014. Dissertação (Mestrado em Administração) - Universidade Federal de Santa Maria, Rio Grande do Sul.

ÁVILA, L. V; MADRUGA, L.R. R. G.; BEURON, T. A. Planejamento e Sustentabilidade: O Caso das Instituições Federais de Ensino Superior. Journal of Environmental Management and Sustainability JEMS. Revista de Gestão Ambiental e Sustentabilidade – GeAS, v. 5, n. 1, p. 26, 2016.

BARBIERI, J. C. Gestão ambiental empresarial: conceitos, modelos e instrumentos. Rio de Janeiro: Saraiva, p. 26, 2011.

BARTH, M.; RIECKMANN, M. Developing teaching staff as a catalyst for change curriculum for education for sustainable development: a perspective of output. Journal off Cleaner Production, v. 26. p.28-36, 2012.

CFB. Constituição Federal Brasileira. Política Nacional de Educação Ambiental, Lei N. 9.795, de 27 de abril de 1999.

EL-FARO, O.; CALIA, R. C.; PAVAN, V. H. G. A logística reversa do lixo tecnológico: um estudo sobre a coleta do e-lixo em uma importante Universidade Brasileira. Revista de Gestão Social e Ambiental, v. 6, n. 3, p. 142-153, 2012.

ELKINGTON, J. Sustentabilidade, canibais com garfo e faca. São Paulo: M. Books do Brasil, p. 20, 2012.

EPA. United States Environmental Protection Agency. 2006.

FERRANTI, M. P.; JABBOUR, C. J. C. Instituições de Ensino Superior na transição para uma sociedade ambientalmente mais sustentável: grandes temas em debate à luz do conceito de sistema de gestão ambiental. Educação Ambiental em ação,  v. 39, p. 1-9, 2012.

IP. Instituto do Grupo Positivo de Ensino Superior. Relatório de Sustentabilidade. Curitiba, 2015.

JACOBI, P. R; RAUFFLET, E; ARRUDA, M. P. Educação para a sustentabilidade nos cursos de administração: reflexão sobre paradigmas e práticas. Revista de Administração Mackenzie, v. 12, n. 3, p. 21-50, 2011.

LARA; P. T. R. Sustentabilidade Em Instituições de Ensino Superior. Revista Monografias Ambientais - UFSM, v. 7, n. 7, p. 1646 – 1656, 2012.

MACEDO, C. V. P.; FREITAS, A. A. F.; GUERRA, D. S. Uma escala para mensuração da importância percebida pelos docentes sobre a abordagem socioambiental nos cursos de administração de empresas. Revista de Administração Mackenzie, v. 14, n. 1, p. 75-97, 2013.

MALHEIROS, G. C. et al. Fatores associados à motivação da doação sanguínea. Revista Científica da FMC, v. 9, n. 1, p. 8-12, 2014.

MÁRA, B. P. M. Projeto casa amarela: uma experiência de educação inclusiva e trabalho. Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte – Brasil. Revista & Educar – Scientific Journal – Revue Scientifique, n. 19, p. 1-10, 2014.

MISTURA, l. M.; VANIEL, A. P. H.; LINCK, M. R. Gerenciamento de resíduos dos laboratórios de ensino de química da Universidade de Passo Fundo, RS. Revista de Ciências Exatas Aplicadas e Tecnológicas da Universidade de Passo Fundo, v. 2, n. 1, p 1-12, 2010.

OLIVEIRA FILHO, J. E. Gestão ambiental e sustentabilidade: um novo paradigma eco-econômico para as organizações modernas. Domus online: Revista de Teoria Política, Social e Cidadania, Salvador, v. 1, n. 1, 2014.

OLIVEIRA, et al. Universidades Verdes: Inovações em Educação voltada para a Sustentabilidade. Revista Interdisciplinar de Ensino, Pesquisa e Extensão. Unicruz, v. 3, n. 1, p. 47-60, 2015.

PEREIRA, L. B. de O. Educação Ambiental no Ensino Superior: Um Trabalho com Valores, Com o Conhecimento e com a Participação Cidadã. Educação em Ação. Instituições de Ensino Superior Públicas do Estado do Paraná. Revista EA. n. 59, Ano 15, p. 05-13, 2017.

RABELO, N. S.; SILVA, C. E.. Modelos de indicadores de responsabilidade socioambiental corporativa. Revista Brasileira de Administração Científica, v.2, n.1, p. 530, 2011.

REIS, L. G; BRANCHER, I. B. Sustentabilidade no Ensino de Administração: um Estudo nas Instituições de Ensino Superior Públicas do Estado do Paraná. Revista EA. n. 50, Ano XII, p. 05-13, 2015.

RIECKMANN, M. Future-oriented higher education: which key competencies should be fostered through university teaching and leaming? Futures, v. 44, p. 127-135, 2012.

SARTORI, S.; LATRÔNICO, F.; CAMPOS, L. Sustentabilidade e desenvolvimento sustentável: Uma taxonomia no campo da literatura. Revista Ambiente & Sociedade, v. 17, n. 1, p. 1-22, 2014.

SILVA, D. B. Sustentabilidade no agronegócio: dimensões econômica, social e ambiental. Comunicação & Mercado/UNIGRAN - Revista Internacional de Ciências Sociais Aplicadas da UNIGRAN, v. 1, n. 3, p. 23-34, 2012.

SILVA, L. F.; CAVALARI, M. F., MUENCHEN, C. Compreensões de Pesquisadores da Área de Ensino de Física sobre a Temática Ambiental e as suas Articulações com o Processo Educativo. Ensino, Pesquisa Educação e Ciências, v.17, n. 2, p. 283-307. 2015.

SILVA, R. F. F. et al. Ações de gestão ambiental nas instituições de ensino superior (IES) de Caruaru-PE. XXXV Encontro Nacional de Engenharia de Produção: Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção. Fortaleza – CE; 13 a 16 de outubro de 2015.

SOUSA, W. C. et al. Aplicação da Ferramenta Pdca para Resolução de Problemas. SEGeT – Simpósio de Excelência em Gestão e Tecnologia. 2013.

TerraCycle. Programas Nacionais de Reciclagem, 2016.

TOLEDO, G. L.; OVALLE, I. Estatística Básica. 2. ed. São Paulo: Editora Atlas, p. 35, 2012.

UNISINOS. Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Campus Porto Alegre. Relatório SGA, 2012.

ZANIN, M., MANCINI, SD. Resíduos plásticos e reciclagem: aspectos gerais e tecnologia (online). Revista EdUFSCar, 2 ed, p. 143, 2015.



























" data-layout="standard" data-action="like" data-show-faces="true" data-share="true">
 
Início      Cadastre-se!      Procurar      Submeter artigo      Fazer doação      Contato     Apresentação     Normas de Publicação     Artigos     Dicas e Curiosidades     Reflexão     Para sensibilizar     Dinâmicas e recursos pedagógicos     Entrevistas     Culinária     Arte e ambiente     Divulgação de Eventos     O que fazer para melhorar o meio ambiente     Sugestões bibliográficas     Educação     Você sabia que...     Plantas medicinais     Contribuições de Convidados/as     Folclore     Práticas de Educação Ambiental     Soluções e Inovações     Ações e projetos inspiradores     Gestão Ambiental     Relatos de Experiências     Notícias