ISSN 1678-0701
Número 65, Ano XVII.
Setembro-Novembro/2018.
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16/09/2018O SEMIÁRIDO SOB A PERSPECTIVA DOS ESTUDANTES DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS DE ITAPETIM, PERNAMBUCO  
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O SEMIÁRIDO SOB A PERSPECTIVA DOS ESTUDANTES DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS DE ITAPETIM, PERNAMBUCO

Robson Victor Tavares1; José Lucas dos Santos Oliveira 2; Anna Fernanda Beatriz Amorim Cavalcante 3; Edevaldo da Silva4



1Universidade Federal de Campina Grande, Centro de Saúde e Tecnologia Rural. rvictor13@gmail.com

2Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente, Universidade Federal da Paraíba. lucasoliveira.ufcg@gmail.com

3Universidade Federal de Campina Grande, Centro de Saúde e Tecnologia Rural. annaf4085@gmail.com

4Programa de pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente; Universidade Federal de Campina Grande, Centro de Saúde e Tecnologia Rural. edevaldos@yahoo.com.br





RESUMO

A abordagem de assuntos referentes ao semiárido deve se pautar no pluralismo de ideais e permear todos os setores da sociedade. Nessa perspectiva analisou-se a percepção de estudantes da EJA de Itapetim, Pernambuco, sobre o semiárido no contexto escolar e social. Foram entrevistados 33 estudantes, por meio da aplicação de 7 afirmativas no modelo da escala de Likert e 3 questões aberta, que versavam sobre as concepções e práticas cotidianas em relação ao semiárido. A percepção dos entrevistados a respeito da região onde vivem foi envolvido numa perspectiva antropocêntrica e muito relacionados à estereótipos sobre as condições ambientais. Apesar do interesse relatado pelos estudantes, as ações diárias na escola e no convívio social relacionados à preservação e disseminação de informações sobre questões urgentes em regiões secas, são superficiais. Dessa maneira, o desenvolvimento de ações em Educação Ambiental que integre a comunidade e o currículo escolar são necessárias, para melhor conhecimento, compreensão e envolvimento consciente dos alunos sobre a ambiente que vivem.



Palavras-chave: Percepção, interdisciplinaridade, meio ambiente, convivência.



INTRODUÇÃO

O semiárido caracteriza-se por possuir grandes períodos de estiagem, com baixo índice pluviométrico e pouca umidade, influenciando na qualidade de vida das pessoas que vivem nessa região, principalmente, quanto à escassez de água (FELIX; PAZ, 2016).

As condições de trabalho das regiões semiáridas ainda são muito insalubres, o que contribui, sobretudo, para um declínio na economia da região, visto que boa parte da população tem como renda apenas os produtos da agricultura (FERREIRA; VIANA JÚNIOR, 2016). Essa realidade evidencia a necessidade de informar a população sobre as diversas formas de lidar harmonicamente com as peculiaridades da região, minimizando as dificuldades enfrentadas nessa convivência com o semiárido, nas épocas onde a chuva não está presente (FELIX; PAZ, 2016).

A necessidade de formar cidadãos que se preocupem com a situação atual da educação brasileira é fundamental para as transformações sociais necessárias e se tenha sociedades com ações que intercedam pelo bem estar e qualidade de vida da população, seja na escola ou nas suas atitudes voltadas ao ambiente, resultando em um progresso cultural conquistado através da educação (MORAES, 2016).

A educação engloba os processos que norteiam o ensinar e aprender, proporcionando ao educando, como pessoa, o desenvolvimento de atitudes conscientes em relação à sociedade e ao ambiente em que está inserido, contribuindo para sua formação ética e construção de pensamento crítico para diversas situações que podem a vir surgir no seu cotidiano (HAGUETTE; PESSOA; VIDAL, 2016).

Nesse contexto, a preservação do meio ambiente é essencial na busca de melhorar a qualidade de vida para a população e, a educação escolar sobre a preservação ambiental contribui para o pensar dos estudantes em qualquer nível de ensino sobre suas atitudes em relação ao meio ambiente (FERREIRA; VIANA JÚNIOR, 2016).

O ensino de Educação Ambiental nas escolas pode então contribuir para que os alunos tenham uma formação voltada para a sensibilização ambiental e abordando aspectos sobre a importância do meio ambiente para a vida, como também a necessidade de conservar e preservar (XAVIER; SILVA; ALMEIDA, 2016).

Para uma abordagem mais ampla e contextual, é importante que o educador aborde os temas ambientais de maneira interdisciplinar. A interdisciplinaridade desempenha papel fundamental na inserção de temas ambientais na escola através das disciplinas, onde o professor pode abordar conteúdos que antes não eram interligados, desenvolvendo um trabalho de integração dos assuntos de uma disciplina, com outras áreas do conhecimento (COSTA; LOUREIRO, 2015).

Neste sentido, Veloso et al., (2016) conceituam a interdisciplinaridade como:



[...]a intensidade das trocas entre especialistas e pela integração das disciplinas num projeto comum, em que se estabelece uma relação de reciprocidade, que irá possibilitar o diálogo entre os participantes, sendo ainda uma porta aberta para os processos transdisciplinares (p. 259).



Assim, a escola deve promover ações interdisciplinares que possibilitem abordar temas com importância social no contexto escolar, visto que, diversos fatores e situações que afligem a população podem ser resolvidos ou diminuídos pronunciadamente se os estudantes tiverem essa oportunidade de contato, levando para a comunidade o conhecimento onde as pessoas possam pensar e perceber o meio ambiente e a região que estão inseridos de forma diferente, adquirindo atitudes construtivas nessa relação homem natureza (HAGUETTE; PESSOA; VIDAL, 2016).

Esta pesquisa objetivou analisar a percepção de estudantes da modalidade de ensino Educação de Jovens e Adultos (EJA) de Itapetim, Pernambuco, sobre o semiárido no contexto escolar e social.



METODOLOGIA

A pesquisa envolveu estudantes da modalidade de ensino EJA, nível Médio, da Escola de Referência em Ensino Médio Teresa Torres, em Itapetim, Pernambuco (Figura 1). O município localiza-se na macrorregião do Sertão pernambucano e na microrregião do Pajeú, possui extensão territorial de 408,0 km² com população de 13.881 habitantes (IBGE, 2016).

O tamanho amostral foi definido segundo Rocha (1997), considerando erro padrão de 10%, sendo entrevistados 33 estudantes. A coleta de dados se deu através de um formulário com 10 itens, dos quais, três (03) foram questões discursivas e sete (07) afirmativas no modelo da escala de Likert, com 5 níveis de respostas, variando de “nenhum(a)” (nível 1), à “muito alto(a)” (nível 5). Os itens versavam sobre as concepções, as relações dos seres humanos com meio onde vivem e diversas práticas cotidianas relacionadas ao semiárido (Tabela 1). Os dados foram analisados por meio da estatística descritiva, utilizando o software Microsoft Excel 2013.

Figura 1 – Localização do município de Itapetim, Pernambuco (em preto). Acima à esquerda, mapa da América do Sul, com destaque para a área ocupada pelo semiárido brasileiro (cinza). Fonte: Autores (2016).



Tabela 1 – Itens do questionário aplicado aos estudantes entrevistados.

Item

  1. Você mora e estuda em uma região denominada de SEMIÁRIDO, inserida no bioma CAATINGA. Descreva as principais características dessa região.

  1. Apesar das condições ambientais, a Caatinga é a região semiárida mais populosa do mundo. Defina como é viver aqui, falando sobre os pontos positivos e negativos.

  1. Cite três animais e três plantas comuns na Caatinga.

  1. Assinale a importância da água para as pessoas da região onde você vive.

  1. Importância da preservação da biodiversidade da Caatinga (animais, plantas, micro-organismos, paisagens, rios, açudes).

  1. Importância da preservação dos componentes não vivos da Caatinga (solo, paisagens, rios, açudes).

  1. Frequência com que a escola onde você estuda trata de assuntos relacionados ao semiárido e sua preservação.

  1. Frequência com que você conversa com seus familiares e amigos sobre temas referentes ao semiárido e à Caatinga.

  1. Nível de riqueza biológica (quantidade de espécies de animais, plantas, micro-organismos, fungos) do semiárido.

  1. Seu nível de atuação em benefício do semiárido (não poluindo, cuidando da biodiversidade).





RESULTADOS E DISCUSSÃO

Foram entrevistados 33 estudantes, sendo 48,5% (n = 16) do gênero feminino e 51,5% (n = 17) do gênero masculino, com idade entre 17 e 51 anos.

As principais características citadas pelos entrevistados quando se trata do semiárido (Tabela 2), são a seca (n = 14) e os danos ambientais existentes (n = 12). Em relação à convivência no semiárido, alguns estudantes (58,3%) percebem mais pontos positivos do que negativos no semiárido, sendo as adaptações da vegetação e dos seres humanos à essa região como aspectos benéficos. No entanto, eles percebem a seca como um aspecto mais negativo, associada à escassez de água e o clima quente.

Resultados similares foram reportados por Gomes et al. (2012) pesquisando estudantes de escola pública de Campina Grande, Paraíba, onde o conceito de inferioridade do semiárido predomina entre os estudantes, que atribuem pouca importância à biodiversidade da Caatinga e em geral definiram pejorativamente o bioma, dando maior atenção à severidade do clima e escassez hídrica.



Tabela 2 – Principais características e os pontos positivos e negativos de viver no semiárido, segundo os estudantes entrevistados. (n) Número de respostas

Características do ambiente (Total de respostas, n = 43)

Seca (n = 14)

Escassez de chuva (n = 4)

Danos ambientais (n = 12)

Beleza (n = 1)

Clima quente (n = 6)

Lugar bom de viver (n = 1)

Falta de recursos (n = 5)


Pontos indicados como negativos (n = 16)

Mais positivo do que negativo (n = 5)

Plantar e colher no "inverno" (n = 1)

Adaptação da vegetação (n = 4)

Convivência com as pessoas (n = 1)

Adaptação dos seres humanos (n = 2)

Baixo custo de vida (n = 1)

Tranquilidade (n = 2)


Pontos indicados como positivos (n = 21)

Mais positivo do que negativo (n = 6)

Plantar e colher no "inverno" (n = 1)

Adaptação da vegetação (n = 5)

Convivência com as pessoas (n = 1)

Adaptação dos seres humanos (n = 4)

Baixo custo de vida (n = 1)

Tranquilidade (n = 3)




Os períodos de estiagem que atingem a região semiárida brasileira são preenchidos de estereótipos, ora pela sua aspereza, ora pela inexistência de estratégias de convivência com a seca, e já se instituíram na cultura do povo nordestino como uma representação social de pobreza e abandono, que deve ser combatida com veemência (CARVALHO; ALMEIDA, 2009).

No entanto, segundo Nascimento; Machado; Dantas, (2015, p. 96) “embora o semiárido nordestino seja visto ainda como uma região inóspita e atrasada, incapaz de propiciar aos seus povos uma vida digna e de qualidade”, Couqueiro (2012) defende uma maneira inovadora de encarar a realidade do semiárido, atentando às suas peculiaridades e a partir delas buscar uma convivência mais harmoniosa com o ecossistema.

As alterações ambientais no semiárido são graves e em sua quase totalidade a maior parcela de responsabilidade é da espécie humana, que com práticas incorretas e exageradas no uso dos recursos naturais (solo, água, vegetação, minerais) comprometem a própria qualidade de vida, reduzem as fontes de matéria prima e energia e ameaçam a manutenção da biodiversidade (NASCIMENTO; MACHADO; DANTAS, 2015).

O controle de atividades inerentes à atividade humana como a poluição, o desmatamento e a desertificação é eminente, visto que agravam ainda mais as circunstâncias ambientais do semiárido e exigem a execução de estudo de capacidade suporte do ecossistema e planos de mitigação (MMA, 2011; TRIGUEIRO; OLIVEIRA; BEZERRA, 2009).

Nesse sentido, a escola pode contribuir com ações efetivas de (re)educação ambiental que visem a transformação de comportamentos e o comprometimento com as questões ambientais (ALVES FILHO; RIBEIRO, 2014).

Com relação à diversidade de animais (Figura 2), os mais citados foram os mamíferos, entre eles o gado (30,3%; n = 10); cavalo (21,2%; n= 7) e tatu (21,2%; n = 7). Observa-se tendência semelhante à observada por GOMES et al. (2012), onde os estudantes listaram principalmente os animais de interesse econômico para o homem, tanto na pecuária quanto para alimentação. Outro fato é que não foram mencionados outros vertebrados, com os peixes e anfíbios, e tampouco os animais não vertebrados.

Essa concepção antropocêntrica, reflete o enraizamento da ideia de um planeta e seus bens naturais concebidos para utilização pelo homem, ao seu bel prazer, sem preocupação com os prejuízos advindos dessa exploração e as consequências de ordem global, como as monoculturas em detrimento dos habitats nativos, o esgotamento das fontes dos recursos, a poluição (ABREU; BUSSINGUER, 2013).



Figura 2 − Espécies animais citadas pelos estudantes. Répteis, em azul; Aves, em preto e Mamíferos, em cinza.



Dentre as plantas mais citadas, o mandacaru (Cereus jamacaru) foi o mais citado, perfazendo 22,8% (n = 13) do total das espécies de plantas citadas (Tabela 3). O mandacaru, é espécie vegetal pertencente à família das cactáceas, cresce em áreas atípicas, sendo considerada marcante na região semiárida por estar bem adaptada ao clima predominante e ser usada para alimentação de animais, devido a isso é bastante conhecida, tornando-se um símbolo regional (SILVA; ALVES, 2009).



Tabela 3 − Plantas presentes na Caatinga, segundo os estudantes entrevistados.

Planta

fa

fr

Planta

fa

fr

Mandacaru

13

22,8

Urtiga

3

5,3

Algaroba

5

8,8

Palma

2

3,5

Jurema

4

7,0

Girassol

2

3,5

Xique-xique

4

7,0

Aveloz

2

3,5

Aroeira

3

5,3

Marmeleiro

2

3,5

Angico

3

5,3

Juazeiro

2

3,5

Umbuzeiro

3

5,3

Outras

9

15,8

Os vegetais presentes em regiões áridas e semiáridas são bem adaptados as condições adversas da região, suportando longos períodos cm quantidades mínimas de água, e diversas estruturas que minimizem sua perda para ambiente (FELIX; PAZ, 2016).

O conhecimento da flora e fauna, bem como dos recursos naturais da caatinga, são necessários para o desenvolvimento de estratégias de ações que vise à criação de planos para o manejo adequado, com ênfase no valor da biodiversidade (NASCIMENTO; MACHADO; DANTAS, 2015). Além de possibilitar os usos e enriquecimento da caatinga e implantação de um programa de educação ambiental integrado às escolas da região do semiárido (DRUMOND et al., 2000).

Quanto à importância da água para a região semiárida, 72,7% (n= 24) classificaram como de elevada importância (Tabela 4). O destaque dos estudantes sobre a importância da água no semiárido pode estar relacionado ao fato de ser essencial à vida, e indispensável para qualquer organismo vivo (HOFSTATTER; OLIVEIRA; SOUTO, 2016), relacionado ao fato de ser um recurso limitante na Caatinga (SILVA et al., 2003).

Porém, ao considerarem a importância da água apenas para a espécie humana, depreciam as espécies vegetais e animais que compõe os ecossistemas do semiárido que também necessitam desse recurso para garantir sua sobrevivência (FELIX; PAZ, 2016).



Tabela 4 − Concepções e práticas cotidianas dos estudantes entrevistados em relação ao semiárido (os valores mais representativos estão em negrito)

Item

Nível de resposta

Nenhum(a)

Baixo(a)

Razoável

Alto(a)

Muito alto(a)

Importância da água

0,0

6,1

9,1

12,1

72,7

Riqueza biológica

3,0

18,2

30,3

39,4

9,1

Preservação da biodiversidade

0,0

9,1

18,2

36,4

36,4

Preservação (abióticos)

0,0

18,2

18,2

33,3

30,3

Semiárido na escola

3,0

21,2

39,4

33,3

3,0

Conversa no meio social

24,2

18,2

39,4

9,1

9,1

Atuação em prol do semiárido

6,1

6,1

57,6

24,2

6,1



O nível riqueza biológica foi considerado alto para 39,4% (n = 13) dos estudantes, e a sua preservação (Tabela 3) classificada como de muito alta importância por 36,4% (n = 12). Essa biodiversidade, a despeito do que se imaginava, apresenta considerável riqueza de espécies e, inclusive, abriga muitos endemismos, no entanto essas espécies estão sujeitas a diversos riscos a sua manutenção, uma vez que o bioma registra alto grau de impacto antrópico e poucas ações pró-ambientais (DELFIM, 2012).

Assim é fundamental o incentivo à preservação da diversidade biológica e a contribuição para informar ao grande público, em particular os estudantes, do patrimônio vivo que o semiárido abriga, para que este possa ser plenamente conhecido pela geração atual e mantido para as gerações futuras (LEAL; TABARELLI; SILVA, 2003).

A preservação dos componentes abióticos do ecossistema foi tida como de Alta importância por 33,3% (n = 11) dos entrevistados. Os ecossistemas resultam de inúmeras relações dos organismos entre si e deles com os componentes não vivos que interferem na dinâmica dos ecossistemas, influenciam nos mecanismos evolutivos e impactam na manutenção e estrutura da biodiversidade (DIAS; MAHIQUES; CEARRETA, 2012).

Um bom exemplo é o solo do semiárido, ainda que exposto a ação direta do clima quente e escassez de água da região, as espécies ali viventes são intrinsicamente adaptadas, contribuindo para a manutenção da riqueza biológica e diversidade de espécies, muito embora, mesmo com essa importância ecológica, ainda não receba a valia que merece, o que acaba contribuindo para uma desvalorização pronunciada por parte da população (SALES et al., 2016).

A escola amostrada, segundo 39,4% (n = 13) dos estudantes, aborda assuntos referentes ao semiárido de maneira Razoável. Também se concentrou em Razoável (39,4%; n 13), a frequência com que os entrevistados conversam sobre o semiárido com pessoas do seu convívio.

As escolas, enquanto mecanismo de formação, devem atribuir criticidade na conduta dos estudantes a fim de contribuir para a inserção de práticas ambientalmente responsáveis no cotidiano e direcioná-los para atuarem de maneira eficiente para a preservação ambiental (SANTOS; GÓES-SILVA; CORRÊA, 2013).

A maioria dos entrevistados (57,6%; n = 19) relatou ter práticas em benefício do semiárido com frequência Razoável. Esse resultado alerta para a necessidade de atividades de sensibilização e ações pró-ambientais cotidianas a fim de incutir práticas ambientalmente responsáveis no comportamento dos estudantes (PASCHOALIN FILHO et al., 2014).

Vale ressaltar que ações e atividades que enalteçam a importância do semiárido se fazem necessárias, principalmente na escola, onde o compartilhamento de ideias e informações pode produzir momentos de reflexão e mudanças atitudinais por parte dos estudantes, que vão refletir em todo o meio social e ambiental (HOFSTATTER; OLIVEIRA; SOUTO, 2016).



CONCLUSÕES

Os estudantes entrevistados apresentam concepções predominantemente estereotipadas a respeito do semiárido, numa representação social de inferioridade dessa região em relação às demais. Observa-se forte influência do antropocentrismo nas respostas, uma vez que a visão acerca dos recursos naturais e da biodiversidade está intimamente relacionada às benesses para a espécie humana.

A interação dos estudantes com o contexto em que estão inseridos, aparentemente, se estabelece de maneira superficial, pois não se observa uma relação de pertencimento entre o homem e o meio natural. O interesse e as atitudes em relação à preservação ao passo que ainda são insuficientes, são prejudicados pela escassez de iniciativas das escolas e do meio social.

Diante disso, constata-se a necessidade de uma maior integração da escola com a comunidade ao redor, para que em conjunto consigam descontruir estereótipos e se informar para conviver em harmonia com as condições naturais do semiárido e melhorar sua qualidade de vida.



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