ISSN 1678-0701
Número 65, Ano XVII.
Setembro-Novembro/2018.
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16/09/2018MANEJO DE RESÍDUOS VETERINÁRIOS EM PROPRIEDADE RURAIS DE URUGUAIANA-RS E SUA CORRELAÇÃO COM O GRAU DE ESCOLARIDADE  
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MANEJO DE RESÍDUOS VETERINÁRIOS EM PROPRIEDADE RURAIS DE URUGUAIANA-RS E SUA CORRELAÇÃO COM O GRAU DE ESCOLARIDADE

Tainara Bremm1, Thaís Lopes Gonçalves¹, Brenda Strassburger Scheffel¹, Rosana Klaus¹, Ailton Jesus Dinardi2

1Academicas do Curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), Campus Uruguaiana-RS.



2Professor Adjunto da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), Campus Uruguaiana-RS, ailtondinardi@gmail.com



Resumo: A revolução industrial e a atual revolução tecnológica inseriram no meio rural a geração de resíduos, porém, não havendo serviço de coleta nesse meio, cerca de 70 a 80% das drogas administradas em fazendas são lançadas no meio ambiente. (RODRIGUES, 2009). Os dados para o presente trabalho foram coletados por meio de aplicação de questionários durante um evento que reúne produtores rurais de Uruguaiana-RS. Esta pesquisa teve como objetivo avaliar a forma de descarte e destinação final dos resíduos veterinários, pelos proprietários rurais em função do grau de escolaridade destes. No presente trabalho não houve correlação entre o grau de escolaridade e a forma que é realizado o descarte, sendo que a maioria possuía ensino médio à superior, o que também contribuiu para correlação da importância dada ao correto descarte.



Palavras-chave: Conscientização, descarte de medicamentos, educação ambiental



Abstract: The industrial revolution and the current technological revolution have inserted the generation of waste in the rural environment. However, since there is no collection service in this environment, about 70 to 80% of drugs administered on farms are released into the environment. (RODRIGUES, 2009). The data for the present study were collected through the application of questionnaires during an event that brings together rural producers from Uruguaiana-RS. This research had as objective to evaluate the form of discarding and final destination of the veterinary residues, by the rural owners according to the degree of their schooling. In the present study there was no correlation between the degree of schooling and the way in which the discarding was carried out, most of whom had a high school education, which also contributed to the correlation of the importance given to the correct discard.


Keywords: Awareness, drug disposal, environmental education



INTRODUÇÃO

O homem sempre teve uma relação muito forte com o meio ambiente, utilizando-se deste para sobreviver desde os seus primórdios. Com o passar do tempo o homem foi evoluindo até chegarmos à revolução industrial, onde a poluição era vista como sinônimo de desenvolvimento. Mas, não demorou muito para que o homem começasse a sofrer com as consequências da poluição e começasse a se preocupar com o meio ambiente, foi então que surgiram as primeiras leis a favor deste (ROVERSI, 2013).

Segundo Mc Cormick (1992), o movimento ambiental não teve um começo claro. Não houve um acontecimento isolado que inflamasse um movimento de massas. Porém, para Grun (2007) o lançamento das bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki fez com que os seres humanos adquirissem a autoconsciência da possibilidade de destruição completa do Planeta. Segundo o autor, após o dia 6 de agosto de 1945 o mundo não seria mais o mesmo.

Para Capitanio et al (2014), o modelo de produção capitalista associado a atual revolução tecnológica e científica gerou no meio rural um aumento considerável na geração de resíduos. No meio rural, assim como no meio urbano, o destino inadequado do lixo é um problema para as pessoas, animais e para o meio ambiente local. Diferente dos grandes centros urbanos a maioria das comunidades rurais não recebem serviço público ou particular de coleta de lixo, sendo de responsabilidade do morador/produtor dar um destino final aos resíduos. Relatos citam que apenas 31,6% dos domicílios na área rural recebem coleta de lixo e que 70% dos domicílios rurais queimam, enterram ou lançam os resíduos em outras áreas (ROVERSI, 2013; CAPITANIO et al, 2014; MAZZA et al, 2014).

A Lei Federal N°12.305 de 2 de agosto de 2010, a qual instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, trouxe uma nova realidade, a responsabilidade compartilhada, sendo a mesma definida como:

[...] conjunto de atribuições individualizadas e encadeadas dos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, dos consumidores e dos titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos, para minimizar o volume de resíduos sólidos e rejeitos gerados [...] (BRASIL 2010).

Segundo o parágrafo 4° do art. 33° da referida lei, “os consumidores deverão efetuar a devolução após o uso, aos comerciantes e distribuidores, dos produtos, e das embalagens, a que se referem os incisos I e VI do caput, e de outros produtos de embalagens objetos de logística reversa na forma do §1°”.

Com relação aos Resíduos Sólidos de Serviço de Saúde (RSSS), segundo Bartholomeu (2011) não é a quantidade de RSSS que os tornam merecedores de atenção, pois eles representam uma pequena fatia dos resíduos sólidos urbanos gerados no país (cerca de 1% a 3%), mas sim suas características intrínsecas. Merecendo atenção em toda sua cadeia logística, desde a segregação, condicionamento, armazenamento, coleta, transporte, tratamento e disposição final.

Os resíduos gerados pelo uso veterinário, tais como embalagens de medicamentos, agulhas, seringas e outros precisam ser descartados de forma correta e segundo o Conselho Federal de Medicina Veterinária (2015) é responsabilidade do médico veterinário evitar o uso indiscriminado de produtos químicos e seguir as recomendações para o descarte ambientalmente adequado conforme a legislação, garantindo a preservação da qualidade do meio ambiente, minimizando os riscos à saúde pública, à segurança e saúde ocupacional. 

Baseando-se nestas questões, esta pesquisa teve como objetivo avaliar a forma de descarte e destinação final dos resíduos veterinários, pelos proprietários rurais de Uruguaiana, Rio Grande do Sul, em função do grau de escolaridade destes, para que posteriormente se possa fomentar e implantar processos de conscientização sobre os impactos socioambientais do descarte incorreto destes resíduos.

A presente pesquisa se torna importante e se justifica, à medida que vislumbramos o potencial agropecuário do Estado do Rio Grande do Sul. Segundo o Atlas Socioeconômico do Rio Grande do Sul, o estado é o 6º maior produtor de gado bovino do Brasil, com uma produção de 13.910.545 de cabeças em média no triênio 2013-2015, sendo que este rebanho se encontra mais concentrado no oeste e sul do Estado, associado principalmente a presença dos campos limpos, ambientes característicos do ecossistema Pampa. Destacam-se os municípios de Santana do Livramento com uma média de 631.348 cabeças no período 2013-2015; Alegrete com média de 644.128 cabeças e Uruguaiana com média de 359.205 cabeças.

Com relação ao rebanho ovino, o Brasil contava com um número médio de 17.771.841 cabeças no triênio 2013-2015, sendo o Rio Grande do Sul o estado com o maior rebanho do Brasil, com 4.143.824 cabeças/ano e com relação ao rebanho equino, segundo Vieira et al (2015) o Rio Grande do Sul, possuía em 2010 um rebanho de 438.390 cabeças, ocupando a quarta posição, com 7,97% do rebanho nacional, atrás apenas e Minas Gerais, Bahia e Goiás, ou seja, a pecuária no Rio Grande do Sul, ocupa papel de destaque na econômica, sendo que o uso de produtos veterinários faz parte desta cadeia produtiva, precisando ser quantificado e discutido o descarte dos recicláveis e resíduos produzidos.

Porém, segundo Macedo (2012), em propriedades rurais no Rio Grande do Sul, onde se encontram sistemas de manejo semiextensivo e extensivo em pecuária de corte e manejos intensivo em pecuária de leite, destacam-se o uso massivo de produtos veterinários.



MATERIAL E MÉTODOS

A pesquisa foi desenvolvida no município de Uruguaiana, Estado do Rio Grande do Sul, que possui uma população estimada de 129.784 habitantes (IBGE, 2017), sendo que esta população se divide em urbana 94% e rural 6%. Com uma área de territorial de 5.703,586 km² situado sob as coordenadas geográficas 29° 45′ 18″ S, 57° 5′ 16″ W, no extremo oeste do Estado do Rio Grande do Sul (Figura 01) junto à fronteira fluvial com a Argentina e Uruguai. Pertence à Microrregião da Campanha Ocidental, na Mesorregião do Sudoeste Rio-grandense, no Pampa brasileiro (BORTOLUZZI et al, 2007).



Figura 1. Mapa de localização da cidade de Uruguaiana no bioma Pampa, Rio Grande do Sul, Brasil.


Fonte: Bortoluzzi et al, (2007)

Para atender aos objetivos propostos, foi desenvolvido um questionário semiestruturado e os dados foram coletados por meio de aplicação deste instrumento durante um evento que reúne produtores rurais de e em Uruguaiana-RS, no segundo semestre do ano de 2016, sendo respondido por 72 produtores rurais. Este evento denomina-se “Noite da Pecuária” com periodicidade mensal, voltado a pequenos, médios e grandes produtores rurais, sendo organizado pelo Centro de Tecnologia em Pecuária (CTPEC) da Universidade Federal do Pampa em parceria com a Associação e Sindicato Rural de Uruguaiana/RS.

Com o intuito de caracterizar o perfil dos produtores e o nível de conhecimento acerca do manejo para com resíduos utilizados na propriedade rural o questionário considerou os seguintes parâmetros: Nível de escolaridade do produtor, conhecimento acerca de locais de recolhimento de resíduos, descarte de resíduos realizado em conjunto ao lixo comum, ciência a respeito de leis e normativas que regem o descarte correto de resíduos, grau de importância dado ao tema (descarte correto de resíduos e impacto socioambiental) bem como a forma com que o descarte é realizado na propriedade. Após a coleta, os dados foram tabulados em MS EXCEL e submetidos a uma análise descritiva, onde se obteve a frequência para cada variável.

A relação entre escolaridade dos produtores e manejo realizado na propriedade, bem como grau de importância dado ao tema em questão de acordo com a escolaridade do produtor foi realizada a partir do programa estatístico SPSS, utilizando tabela de referência cruzada e observação do qui-quadrado.



RESULTADOS E DISCUSSÃO

Observou-se que a preocupação com o meio ambiente está marcada na sociedade brasileira, pelo fato da degradação, que pode trazer danos irreversíveis (PEDROSO, 2010). Segundo o mesmo autor, o crescimento populacional e o avanço econômico determinaram a mudança de valores e a conscientização da população, sendo que a preocupação com o meio ambiente passa a fazer parte da vida das pessoas.

Ao avaliar as respostas apontadas pelos produtores observou-se que a maioria dos produtores pesquisados (63,89%) reside na cidade de Uruguaiana, local onde ocorre o evento mensal (Noite da Pecuária) e onde foi aplicado o questionário. Do total de produtores que responderam ao questionário, 48,61% dos produtores se enquadram na faixa etária de 18-30 anos de idade, 26,39% possuem de 31-45 anos, 18,06% com 46-60 anos e 6,94% com 61 ou mais anos de idade.

Dentre os entrevistados, 47,21% exercem apenas a atividade de pecuária, 5,56% trabalham apenas com a agricultura e 47,22% trabalham com pecuária e agricultura. Em relação ao tamanho das propriedades, estas foram dimensionadas de acordo com os módulos fiscais. Onde, 37,04% afirmaram ter até 4 módulos fiscais, 24,07% com 4-15 módulos fiscais e 31,48% com mais de 15 módulos fiscais, considerando que 7,41% dos produtores não opinaram em relação.

No presente trabalho não houve quantidade significativa de produtores rurais com baixa escolaridade. Foi observado que a grande maioria dos produtores rurais possuía um grau de escolaridade de médio a alto, sendo a maior parte com ensino superior. Este fato contribui para a percepção ambiental dos produtores rurais, que evidenciaram a preocupação com o correto descarte dos resíduos.

De acordo com os resultados obtidos no presente trabalho (Tabela 1), observou-se que não existem diferenças significativas em relação à escolaridade dos produtores e ao grau de importância que estes atribuíram ao descarte correto de resíduos veterinários. Sendo que a maioria (81,43%) dos produtores considera “muito importante” o correto descarte e apenas 2,86% declararam ser “pouco importante” esta prática. Na tabela 1 é possível observar as atribuições sobre a importância do correto descarte de acordo com a opinião de produtores, que possuem diferentes graus de escolaridade.

Estes dados diferem dos resultados obtidos por Junior et al (2016), o qual avaliou a relação entre a escolaridade dos produtores rurais da microrregião de Bauru/SP, com a destinação dos resíduos sólidos e despejo de esgoto nas propriedades agrícolas, onde observou que o baixo grau de escolaridade, influenciou significativamente na percepção ambiental dos produtores rurais dessa região.

TABELA 1 - Grau de importância atribuído pelos produtores de diferentes graus de escolaridade em relação ao descarte de resíduos.

 ESCOLARIDADE

GRAU DE IMPORTÂNCIA (%)


MUITO IMPORTANTE

IMPORTANTE

POUCO IMPORTANTE

NÃO OPINOU

TOTAL

FUNDAMENTAL

1,43

1,43

1,43

0,00

4,29

MÉDIO

28,57

4,28

0,00

0,00

32,85

SUPERIOR

51,43

7,14

1,43

2,86

62,86

TOTAL

81,43

12,85

2,86

2,86

100,00

Os dados obtidos foram maiores que 5% de significância, desta forma, não são considerados significativos pelo teste qui-quadrado.

Atualmente, em medicina veterinária são utilizados diversos tipos de produtos químicos. Esse avanço na manipulação de moléculas químicas utilizadas em favor da maior intensificação da produção de grandes animais, bem como no tratamento de doenças de animais de companhia traz consigo um importante problema, o gerenciamento e descarte adequado destes produtos (ANDRADE et al., 2013; OLIVEIRA 2012). Infelizmente, o Brasil com sua imensa extensão territorial apresenta sérios problemas com o adequado descarte de produtos. Este problema se acentua em propriedades rurais que se encontram distantes de centros de coleta. O manejo inadequado de resíduos oferece riscos tanto à saúde pública quanto à saúde ocupacional (ANDRADE et al., 2013).

De acordo com a tabela 2, é possível observar que os produtores em sua maioria (64,29%), queimam e enterram seus resíduos, ou seja, independente do grau de escolaridade realizam as práticas incorretas de descarte dos resíduos veterinários em suas propriedades. Não houve diferenças estatísticas entre as formas de descarte, isso por sua vez, remete a explicação de que o descarte é realizado de forma incorreta por toda a população devido à falta de informações de como proceder.

Estes resultados corroboram com Leonhardt (2015) que observou que a falta de informação foi um dos pontos constatados em sua pesquisa e que seria interessante a elaboração de algum material, cartilha ou algo semelhante, que fizesse chegar aos produtores rurais a correta maneira de manusear, segregar, armazenar, e destinar os RSSS.

Os produtores que realizam somente a prática de queima dos resíduos representam uma porcentagem mais alta (34,30%) que as demais práticas. Dos produtores, 27,14% apontaram que realizam outras formas de descarte, onde destes, 1,49% mostraram que possuem a consciência do correto descarte e afirmaram que esses resíduos são entregues em Agro Veterinárias ou junto a empresas especializadas. Entretanto, 2,99% afirmaram que descartam junto ao lixo urbano e 1,49% afirmaram que guardam e usam esses frascos de resíduos, isso evidencia que esta parcela mesmo se preocupando em retirar o lixo da propriedade continuam realizando incorretamente o descarte. Os demais produtores não apontaram quais as formas específicas de descarte.

TABELA 2 - Relação do grau de escolaridade dos produtores e formas de descarte dos resíduos veterinários.

COMO REALIZA O DESCARTE

ESCOLARIDADE (%)

FUNDAMENTAL

MÉDIO

SUPERIOR

TOTAL

QUEIMA E ENTERRA

1,43

5,71

18,57

25,71

ENTERRA

0,00

1,43

2,85

4,28

QUEIMA

0,00

17,15

17,15

34,30

NÃO OPINOU

0,00

2,86

5,71

8,57

OUTROS

2,86

5,71

18,57

27,14

TOTAL

4,29

32,86

62,85

100,00

Os dados obtidos foram maiores que 5% de significância, desta forma, não são considerados significativos pelo teste qui-quadrado.



A maioria dos produtores (75,71%) que responderam ao questionário afirmaram que desconhecem as leis que regulamentam o correto destino para os resíduos. Além disso, esta prática errônea ocorre pela falta de conhecimentos a respeito dos pontos de coletas. O que corrobora com 73,91% dos produtores rurais que afirmaram desconhecer estes locais específicos para coleta desses resíduos.

Segundo Reis et al (2013) em pesquisa com os responsáveis técnicos por clinicas veterinárias obtiveram resultados semelhantes, pois registraram que 69,4% dos responsáveis técnicos  entrevistados não conheciam a Resolução Anvisa, RDC 306/04, e, em consequência, desconheciam também o plano de gerenciamento de resíduos de serviços de saúde  (72,2%) e os critérios de classificação dos resíduos de serviços de saúde  (86,1%), o que os impossibilitaria a elaboração de procedimentos corretos de manuseio, segregação e destinação dos resíduos de serviços de saúde  gerados.

Estabelecimentos de pequeno porte, como clínicas veterinárias também apresentam um grande fluxo de utilização de resíduos, em contrapartida estão mais sujeitas a fiscalização e cumprimento da legislação. Entretanto, Araújo e Jeronimo (2012) demonstra em estudo na cidade de Mossoró que 50% das clínicas analisadas não cumprem com os procedimentos adequados para o correto de descarte de resíduos.

Desta forma, se observa a necessidade de transmitir a informação de que no Brasil, o gerenciamento dos resíduos de serviços de saúde foi regulamentado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA, por meio da RDC 306/04 e o Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA, pela Resolução CONAMA 358/05. Segundo a legislação, todos os geradores de resíduos de serviços de saúde necessitam executar um Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde que descreva os procedimentos relativos ao manejo de resíduos gerados nas suas dependências (BRASIL, 2004; BRASIL, 2005). Fica determinado ainda que os estabelecimentos necessitem contar com um abrigo externo para resíduos; realizar a segregação dos resíduos em grupos A (infectantes), B (químicos), D (comuns) e E (perfuro cortantes); acondicionar os resíduos em recipientes próprios; e providenciar a destinação adequada (BRASIL, 2004).

O Decreto nº 7.404, publicado em 23 de dezembro de 2010, regulamenta a Política Nacional de Resíduos Sólidos, criada pela Lei nº 12.305/2010. O decreto tem como principal objetivo implementar a logística reversa, na qual representa um Instrumento de desenvolvimento econômico e social para tornar viável a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, com reaproveitamento em ciclos produtivos, considerando o respeito ao meio ambiente. Em contrapartida, a grande extensão territorial do país, juntamente com a distância de propriedades rurais dos centros de coleta faz com que grande parte dos produtores rurais realize a queima e enterra dos produtos.



CONSIDERAÇÕES FINAIS

A pecuária no Rio Grande do Sul, em sistemas de manejo extensivo, mesmo com a conscientização dos produtores em relação ao impacto ambiental, necessita maiores mudanças quanto ao manejo, descarte e reutilização dos produtos veterinários utilizados. Faz-se necessário uma harmonia das ações do produtor rural com a logística reversa por parte das empresas fabricantes aliada a políticas governamentais que facilitem e incentivem o correto descarte desses resíduos de estabelecimentos rurais.

A partir dos dados obtidos percebe-se que o tema é considerado importante para a maioria dos produtores rurais, contudo, apenas uma pequena parcela preocupa-se em realizar o descarte de maneira consciente no que diz respeito à preservação socioambiental.

Entende-se ainda que a opção por determinado tipo de descarte e a relevância que o assunto possui para os produtores rurais não é influenciado pelo grau de escolaridade, levando a reflexão quanto ao papel das entidades educacionais na educação ambiental dos indivíduos e necessidade de maior abordagem interdisciplinar desta problemática.



AGRADECIMENTOS

À equipe do CTPEC por ceder espaço durante seu evento para a aplicação dos questionários e aos produtores rurais que participaram.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BORTOLUZZI, L. R.; QUEROL, M. V. M.; QUEROL, E. Notas sobre a ocorrência de Tityus serrulatus (Lutz & Mello, 1922) (Scorpiones, Buthidae) no oeste do Rio Grande do Sul, Brasil. Biota Neotropica, São Paulo, v. 2, n. 3, p. 357-359, 2007.

BRASIL. CONAMA. Resolução Nº. 358. Dispõe sobre o tratamento e a disposição final dos resíduos dos serviços de saúde e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF. 2005.

BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm Acesso em: 21 de set. 2016.

BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC nº 306, de 07 de dezembro de 2004. Dispõe sobre o Regulamento Técnico para o gerenciamento de resíduos de serviços de saúde. Diário Oficial da União, Brasília, DF. 2004.

CAPITANI, E; MÂNICA, A. N; REIS, M. R. Estudo sobre a destinação do lixo em uma comunidade rural de Chapecó/SC. 4º Congresso Internacional de Tecnologias para o Meio Ambiente. Bento Gonçalves. 2014.

CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA VETERINÁRIA. O descarte correto das embalagens de produtos veterinários faz parte da preocupação com a Saúde Única. Sala de Imprensa. 2015. Disponível em: http://portal.cfmv.gov.br/noticia/index/id/4460/secao/6 Acesso em: 25 de julho de 2018.

DE OLIVEIRA, A. L. T., de Oliveira Sales, R., Freitas, J. B. S., & Lopes, J. E. Alternativa sustentável para descarte de resíduos de pescado em Fortaleza. Revista Brasileira de Higiene e Sanidade Animal, 6(2), 1-16, 2012.

JERONIMO, C. E., & Alves, A. B. A. GESTÃO DOS RESÍDUOS DE CLÍNICAS VETERINÁRIAS–UM ESTUDO DE CASO NA CIDADE DE MOSSORÓ-RN. Revista Eletrônica em Gestão, Educação e Tecnologia Ambiental, 7(7), 1479-1493, 2012.

JUNIOR, A. C. P., PINHEIRO J. H. P. A, CARVALHO S. L. Relação entre o grau de escolaridade de produtores rurais e a destinação de resíduos sólidos e líquidos em propriedades agrícolas da microrregião de Bauru – SP. XIII Congresso Nacional de Meio Ambiente de Poços de Caldas, 2016.

LEONHARDT, R. B. Avaliação da destinação final dos Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde Veterinários em Integradora de Suínos. 2015. 74p. Monografia de Bacharelado em Engenharia Ambiental. Centro Universitário UNIVATES, Lajeado.

MACEDO, A. N. D. Desenvolvimento de métodos analíticos visando atender aos princípios da química verde na análise de resíduos de medicamentos veterinários em leite bovino (Doctoral dissertation, Universidade de São Paulo), 2012.

MAZZA, V. M. S; MADRUGA, L. J. R. G; ÁVILA, L.V; MACHADO, E. C; DUARTE, T. L; Gestão de resíduos sólidos em propriedades rurais de municípios do interior do estado do Rio Grande do Sul. Revista em Agronegócios e Meio Ambiente, v.7, n.3, p. 683-706, set./dez. 2014 - ISSN 1981-9951.

REIS, M. A., RANGEL-S, M. L., MATTOS, C. M. D., & FRANKE, C. R. Conhecimento, prática e percepção sobre o gerenciamento de resíduos de serviços de saúde em estabelecimentos médicos veterinários de Salvador, Bahia. Revista Brasileira de Saúde e Produção Animal, 14(2), 2013.

RODRIGUES, C. R. B. Aspectos legais e ambientais do descarte de resíduos de medicamentos. 2009. 112f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) - Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Campus Ponta Grossa, Ponta Grossa, 2009.

ROVERSI C. A. Destinação dos resíduos sólidos no meio rural. 2013. 49f. Monografia de especialização (Especialização em Gestão Ambiental em Municípios). Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Campus Medianeira.

VIEIRA, E. R.; DE REZENDE, A. S. C; LANA, A. M. Q.; BARCELOS, K.M.C; SANTIAGO, J. M.; LAGE, J.; FONSECA, M. G.; BERGMANN, J. A. G. Caracterização da equideocultura no estado de Minas Gerais. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.67, n.1, p.319-323, 2015.









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