ISSN 1678-0701
Número 65, Ano XVII.
Setembro-Novembro/2018.
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Reflexão

16/09/2018ESQUECEMOS O QUE É DADO DE GRAÇA  
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ESQUECEMOS O QUE É DADO DE GRAÇA

Claudio Loes

No momento penso no tempo perdido com as virtualidades inúteis de mensagens, quadrinhos e vídeos trafegando pela internet. Sem esquecer as figurinhas, para alguns elas dizem muito enquanto para outros nada. O que tudo isto tem a ver com o que é dado de graça? Existe alguma intenção outra, proposital ou não?

Podemos começar pensando no uso das redes sociais. Muitas mensagens são lidas, algumas curtidas e outras poucas comentadas. Tem uma especial que recebi dias atrás. Um vídeo mostrando uma barreira para contenção de lixo em um córrego. Como o assunto me interessou assisti e uma tabuleta com uma frase fez com que eu parasse o vídeo. Retrocedi para ler com mais atenção.

A frase na tabuleta era de Ross Perot. “Ativista não é o homem que diz que o rio está sujo. Ativista é o homem que limpa o rio.” Sem entrar nos detalhes da origem, se a tradução está correta ou outro, posso partir da própria frase e seu sentido. Estamos num momento de muitas turbulências, dificuldades em tudo e um desânimo geral por todos os lados. É como se a frase do Raul Seixas fosse uma profecia se realizando, “o dia em que a terra parou”.

Perot talvez estivesse sendo concreto de fato e eu concordo. Se esta for a definição de ativista, então sou ativista. Porque ao mesmo tempo em que tudo está estagnado, tipo como todos os dias sendo sem cor e sabor, a reclamação por si só nada resolve. Se discursos resolvessem, estaríamos vivendo uma vida muito melhor.

Assim, é preciso agir. Por que temos dificuldade com relação à ação? Para mudar a maneira como pensamos existe um gasto de energia. Será sempre mais fácil e cômodo deixar tudo como está. A acomodação é sorrateira e cria uma prisão de facilidades e conforto, das quais não queremos abrir mão. Assim, o agir segue em linha. Nada vai acontecer porque é mais difícil ainda. Será preciso mudar o pensar e ainda tirar o corpo do torpor da mesmice para atravessar fronteiras que muitas vezes serão bem difíceis de serem transpostas.

Aqui começamos a vislumbrar algo mais sobre o nosso esquecer o que é dado de graça. Algo como o vizinho que todo ano no inverno nos traz um balde de mexericas. Depois de alguns anos ele não trouxe. Como era algo concreto, você lembra e descobre que elas estão caindo no pé. O que fazer? Se perguntar pelas mexericas ele reconhecerá que elas têm valor, enquanto que para ele tanto faz, estão caindo mesmo. O valor está na falta. Então, se ele reconhecer este valor poderá até trazer novamente um balde de mexericas porque recebendo elas também ganhará valor seu ato.

O exemplo é de curto prazo e pessoalmente acredito que nada deveria ser dado de graça. Faça um cálculo até onde for possível. Um trabalho voluntário é algo gratuito. Se hoje começasse uma greve de todo trabalho voluntário quais seriam as consequências? O voluntário perderia algo? Percebe! A sociedade que se diz rica, com ganhos financeiros, não iria muito longe sem trabalho voluntário. Isto é, muitos dão de graça e ninguém dá valor de fato e de direito.

Agora ampliando bem mais. Todos os dias nós precisamos beber água. É feita a captação, o tratamento e a distribuição. A captação, aqui na minha cidade, fica antes da área urbana e os efluentes da estação de tratamento de esgoto são lançados bem mais a jusante, ainda na área urbana. A água é dada de graça pela natureza.

Aí vem alguém muito letrado, com formação universitária e outros tantos títulos e diz: a água não é dada de graça porque precisamos tratar e limpar para poder consumir.

Este limpar, fazer o tratamento da água, é somente por causa de nós. Vá numa fonte no meio da mata natural e poderá beber da água sem nenhum tratamento. Quando as matas são protegidas, as fontes no seu interior são ótimas. Isto faz com que existam muitos programas para proteção de fontes.

Esquecemos tudo o que a natureza nos dá. Um círculo vicioso que não é virtuoso. Porque só nos damos conta quando falta. Podemos ampliar a nossa lista e isto por si só também não mudaria nosso modelo mental, nossa atitude, nossa ação com relação a tudo que a natureza nos dá. Lembrando que nós não conseguimos dar nada, nós só conseguimos transformar.

Muitos acreditam que cobrar pelos recursos naturais resolveria. Algo complicado, porque numa situação mais grave a especulação, as guerras, a luta por determinado recurso finito é que diriam qual o valor e quem estaria na disputa pelo controle do mesmo. Abrindo um parêntesis, nem vou entrar no diálogo sobre nosso entendimento como pertencentes a mesma espécie. Sempre tenho a impressão de que os humanos não se reconhecem assim.

Enfim, não tenho ideia no momento do que fazer. Só tenho certeza de que se continuar sendo de graça aquilo que a natureza nos dá, eu e todos nós esqueceremos isto. Continuaremos vivendo, gerando grande quantidade de lixo, até tornar nossa vida, bem... Será que continuaremos existindo se nada mudar?



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