ISSN 1678-0701
Número 64, Ano XVII.
Junho-Agosto/2018.
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14/06/2018PERCEPÇÕES DE RIBEIRINHOS SOBRE A DISSEMINAÇÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS NO RIO PIRACURUCA – PI  
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  1. PERCEPÇÕES DE RIBEIRINHOS SOBRE A DISSEMINAÇÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS NO RIO PIRACURUCA – PI

BRITO, Marily da Silva¹; FEITOSA, Raphael Alves².

¹Pós-graduanda em Ensino de Ciências e Matemática – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE). Endereço: Rua Adelaide Freitas n]670, Bairro Vista Alegre – Piripiri/Piauí. CEP: 64.260-000. E-mail: marilysilvabrito@gmail.com



² Professor da Universidade Federal do Ceará – UFC. Email: raphael.feitosa@ufc.br



RESUMO: Para compreender as percepções dos populares ribeirinhos do Rio Piracuruca em Piracuruca – PI, em sua interface com a educação ambiental e a destinação dos resíduos sólidos produzidos pelos mesmos, foram realizadas pesquisas bibliográficas e de campo na área das encostas do rio Piracuruca. Coletaram-se informações sobre o descarte de resíduos sólidos bem como sondar a consciência ambiental dentro da Instituição escolar em que filhos dos ribeirinhos estudam. Realizou-se uma série de questionários aplicados aos ribeirinhos os quais foram analisados e apresentados. 80% dos ribeirinhos gostam do local, 10% não gostam e 10% gostam um pouco e possuem uma visão unânime de que o rio está poluído; Reciclam ou reutilizam: Garrafas pet’s, papel, vidro, pneus e plásticos e usam com unanimidade a coleta de lixo municipal; Consideram que algumas ações mudariam a situação: políticas públicas, conservação de matas ciliares, cuidado com o lixo, informações, educação ambiental e valorização do rio. Em pesquisa realizada com discentes ribeirinhos do município de Piracuruca 60% afirmam ter educação ambiental formal e 30% às vezes e 10% não recebem tais fundamentos. Com isto foi possível destacar que o lixo está tendo um descarte errôneo, prejudicando o rio. E que o nível de educação ambiental informal e a educação ambiental formal são tidas de forma superficial.

PALAVRAS–CHAVE: Educação ambiental. Poluição hídrica. Degradação ambiental.



ABSTRACT: To understand the profile of environmental education in popular living by the riverside from Piracuruca River in the city of Piracuruca-Piauí and the disposal of solid waste produced by the same, they were conducted literature and field researches in the area of the Piracuruca river slopes. Information was collected on the disposal of solid wastes as well as sounding environmental awareness within the school institution where children of the riverside students study. It held a series of questionnaires to the residents who live on the riverside which were analyzed and presented. 80% of the riverside people like the place, 10% do not like and 10% like a little and have a unanimous view that the river is polluted; Recycle or reuse: PET bottles, paper, glass, tires and plastic and they use the municipal waste collecting unanimously; they consider that some actions would change the situation: public policy, conservation of the river forests, care of the garbage, information, environmental education and appreciation of the river. In a survey carried out with coastal residents of the municipality of Piracuruca, 60% said they had formal environmental education and 30% sometimes and 10% do not receive those grounds. With this it was possible to emphasize that the garbage is having an erroneous discard, damaging the river. And that the level of informal environmental education and formal environmental education are taken superficially.

KEYWORDS: Environmental education. Water pollution. Ambiental degradation.



INTRODUÇÃO

O crescimento desordenado da população mundial, o aumento da industrialização, o consumo exagerado, e, consequentemente, o aumento na geração de resíduos vêm gerando impactos negativos à saúde humana, meio ambiente e aos recursos ambientais.

A poluição antrópica está intimamente relacionada com o processo de urbanização e apesar de a água ser um recurso de fundamental importância à vida, os cursos d’água que são margeados por centros urbanos estão susceptíveis a impactos negativos advindos das mais diversas atividades realizadas pelo homem. Muitas vezes o rio funciona como corpo receptor de resíduos sólidos e líquidos provenientes de diversas atividades executada pela população que convive na área. (MELO, 2013)

A Política Nacional de Resíduos Sólidos traz na Lei n. 12.305, de 2 de agosto de 2010 conceitua em seu Art. 3º que:

XVI – resíduos sólidos: material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade, a cuja destinação final se procede, se propõe proceder ou se está obrigado a proceder, nos estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnica ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível. (BRASIL. 2012, p. 11)

Nesse cenário, os resíduos sólidos apresentam-se como vilões, pois quando expelidos no meio ambiente, leva muito tempo para a decomposição, causando assim a poluição e a impossibilidade imediata de recuperação do meio, tornando-se difícil a renovação dos recursos naturais.

O município de Piracuruca no estado do Piauí, tem área de 2.134,8 km², ocupando 0,85% em relação à área total do estado. (MACHADO, 2004, p. 09). É banhado por quatro rios principais: O Rio Piracuruca, o Rio Jenipapo, O Rio Catarina e o Rio Jacareí. (MACHADO, 2004)

O Rio Piracuruca (Local escolhido para a realização do presente estudo) é o principal curso d’água do município, nascendo na Serra da Ibiapaba - Ceará a uma altitude próxima aos 650 metros. Sua foz se encontra na localidade Barra do Piracuruca, onde o Rio Longá recebe suas águas, percorrendo aproximadamente 200 km de extensão. É considerado um rio federal, devido lançar suas águas em terras de mais de um estado (Piauí e Ceará).

Além destes rios principais, existem também vários outros pequenos cursos d’água que contribuem com a formação da bacia do Piracuruca. Conta com uma barragem com capacidade de 250.000.000 m³ a qual abastece a cidade.

De acordo com o Plano diretor do município de Piracuruca esta área é considerada uma macrozona de restrição máxima, assim especificada:

Art. 41. Respeitados os princípios e regras constantes em legislação federal e estadual, ficam consideradas como Macrozonas de Restrição Máxima:

  1. - toda a área formada pela Barragem do Rio Piracuruca, incluindo suas margens numa distância nunca inferior a 100 (cem) metros do último marco de inundação máxima;

  2. - toda a área banhada pelo rio Piracuruca dentro do território do Município, compreendendo suas margens numa extensão nunca inferior a 100 (cem) metros para cada lado, observado o seu nível mais alto de enchente;

  3. - toda a área banhada pelo rio Jacareí dentro do território do Município, compreendendo suas margens numa extensão nunca inferior a 50 (cinquenta) metros para cada lado, observado o seu nível mais alto de enchente. (PLANO DIRETOR, 2006, p. 15)

Mediante a preocupação em torno da conservação hídrica dos municípios, surgem as indagações: De que forma a população ribeirinha percebe a possível degradação do Rio Piracuruca? Qual o destino dos resíduos sólidos das residências ao redor?

Diante dessa problemática, o termo percepção é aqui compreendido como “o processo de organizar e interpretar os dados sensoriais recebidos para desenvolver a consciência de si mesmo e do ambiente” (MATOS; JARDILINO, 2016).

Nessa perspectiva, o presente trabalho visa traçar um perfil da educação ambiental nos populares de residências próximas ao Rio Piracuruca em Piracuruca – PI, bem como a destinação dos resíduos sólidos produzidos pelos mesmos. Assim, busca-se observar a área nas encostas do rio, coletar informações sobre o descarte de resíduos sólidos das residências e identificar o perfil de educação ambiental informal nas perspectivas dos ribeirinhos.

RESÍDUOS SÓLIDOS COMO AMEAÇA AOS RECURSOS HÍDRICOS: INTERFACES COM A EDUCAÇÃO AMBIENTAL

A liberação de resíduos no leito dos rios é um fato bastante comum, porém muito grave o que acarreta sérios danos ambientais, pois estes resíduos podem ser responsáveis pela contaminação do solo, água e ar, ocasionando danos a toda biodiversidade.

De acordo com White e Rasmussen (1998), a água é utilizada frequentemente para transportar produtos residuais para longe do local de produção e descarga. No entanto, infelizmente, os produtos residuais transportados são frequentemente tóxicos, e sua presença pode degradar seriamente o ambiente do rio, lago ou riacho receptor (CHAVES, 2009; MARTINS, 2007; MUCELIN; BELLINI, 2008). Assim, em consequência os ecossistemas aquáticos estão sendo perturbados (FERRARO JUNIOR, 2005).

O despejo de lixo doméstico nas margens de rios torna-se a cada dia mais preocupante, pois, os impactos gerados pela falta de saneamento básico, pelo aumento das atividades industriais, assim como pelo uso e ocupação desordenado em áreas marginais de um corpo hídrico, tornam-se cada vez mais agravantes. A educação ambiental surge dentro desse contexto de degradação da natureza, como uma via para a compreensão e superação dessa problemática (GUIMARÃES, 2004).

Os primeiros escritos sobre os efeitos danosos no Meio Ambiente já vem sendo discutidos desde a década de 60 (pontapé inicial com a publicação do livro “Primavera silenciosa” de Rachel Carson, tornando-se um clássico nos movimentos ambientalistas) dando surgimento em âmbito mundial a encontros, conferências, orientações para um programa internacional de Educação Ambiental, Seminários etc. (SEDUC/PI, 2007). Nacionalmente as ações efetivas se deram com movimentos sociais – 1970, tendo a temática ainda envolvida com reivindicações e resistência a ditadura militar, a ampliação dos direitos das mulheres e homossexuais etc.

Posteriormente surgiu no Brasil a Associação Gaúcha de Proteção ambiental Natural – AGAPAN, Secretaria Especial do Meio Ambiente – SEMA (1973); foi promulgada a Nova Constituição Federal (BRASIL, 1988) contendo um capítulo sobre o Meio ambiente; Criação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA (Lei 7.735 de 22 de fevereiro de 1989). Houve ainda seminários, associações, destacando-se a realização da Conferência das nações Unidas sobre meio Ambiente e desenvolvimento - ECO – 92 (1992 no Rio de Janeiro). (SEDUC/PI, 2007, p.13-14)

Neste cenário, acredita-se que a Educação ambiental é tida como uma ferramenta importantíssima de mudança de comportamento e de paradigmas tendo em vista que esta intervenção agressora antrópica não é inata do ser humano, mas resultado das relações sociais e historicamente construída. (LOUREIRO; LAYRARGUES, CASTRO, 2006).

Porém, apesar de tantos anos de discussões ambiental e das necessidades de respeito a natureza, a Educação Ambiental em sua maioria ainda é tratada de forma superficial. Esta por sua vez é importante pois como colocado por GUANABARA et al. (2008) as ações na área de educação ambiental com foco na transformação de cada indivíduo, tem um grande potencial e a soma destes sujeitos frutos do meio educacional, por sua vez, formariam uma nova sociedade com seus problemas ambientais superados.

A grande maioria da população do planeta já sabe que é importante a preservação da natureza, no entanto, a natureza nunca foi tão degradada quanto nos dias de hoje.

Layrargues (2006, p. 15-16), em seus estudos sobre a temática, afirma que:

A ação que me parece prevalecer nos ambientes educativos restringe-se apenas a difusão da percepção sobre a gravidade dos problemas ambientais e suas consequências para o meio ambiente.

Essa perspectiva não é suficiente para uma educação ambiental que se pretenda crítica, capaz de intervir no processo de transformação socioambiental em prol da superação.

Muitos dos projetos de educação ambiental que trazem os resíduos sólidos como tema principal acabam simplificando o problema, trabalhando, quase sempre, apenas com a questão da reciclagem e da coleta seletiva. Essa simplificação acaba gerando, muitas vezes, projetos de educação ambiental que abrangem o tema de forma reducionista (GUANABARA et al., 2008). O mesmo autor destaca que que o tema resíduos sólidos “deve ser abordado de tal maneira que faça com que os alunos reflitam sobre a complexidade existente em torno da questão”. (p. 123).

Partindo desse pressuposto e da disseminação de resíduos no meio ambiente, a educação ambiental deve incorporar uma nova roupagem crítica e atuante como forma de enfrentamento e mudança de paradigmas no fazer educação visando melhorias práticas diárias em sociedade. (LOUREIRO; LAYRARGUES, CASTRO, 2006).

Corroborando Feitosa (2013), compreende que existe uma concepção hegemônica de EA ligada às perspectivas tradicionais da educação, cujas características podem ser resumidas da seguinte forma: ênfase numa educação que visa à modificação de comportamentos; uso de pedagogias que tratam dos aspectos da individualidade, em detrimento de um trabalho coletivo; crença numa sacralização da natureza, a qual é vista longe de conflitos, isto é, cheia de perfeição e sempre em equilíbrio. Para Layrargues (2002, p. 181) a hegemonia na educação ambiental “traz em uma das frentes o discurso ecológico oficial a ideologia hegemônica que é encarregado de manter os valores culturais instituídos na sociedade” e visa manter o status quo hegemônico, sendo notadamente conservador. A hegemonia pode ser entendida como um conjunto de valores que foram incorporados pelas massas, que se torna a única “realidade” possível, e a mais “natural”, para a maioria das pessoas na sociedade.

Para a efetivação da hegemonia cultural, é preciso que todos e todas "aprendam" os valores da classe dominante. Porém, estes valores não aparecem de uma forma explícita, mas sim de uma forma implícita e, muitas vezes com atitudes inconscientes. Assim, boa parte da discussão acerca do papel social da escolarização centra-se no chamado "currículo oculto", o qual engloba a padronização velada dos ambientes educacionais, de valores normativos, morais, culturais, bem como a adequação ao sistema econômico capitalista. (FEITOSA, 2013, p. 03)

Uma crítica trazida por Guanabara et al. (2008), Layrargues, (2004) e Feitosa (2013), é que um dos limites dessa proposta é sua superficialidade no que tange aos aspectos estruturais da relação entre a sociedade e entre o ambiente. Isso, pois ela aborda os aspectos mais controversos da problemática socioambiental, deixando de relacionar os resíduos sólidos com a ordem política, a economia, as guerras, a produção em larga escala de armamentos, a urbanização e o monopólio financeiro-cultural de alguns grupos dominantes, em detrimento a soberania da maioria da população mundial.

No cenário de abordagem relacionada aos resíduos sólidos a Pedagogia dos três R’s (GUANABARA et al., 2008) vem com o objetivo de reduzir, reutilizar e reciclar. Esta por sua vez está presente em muito projetos escolares, a qual visa apenas uma prática comportamentalista, em vez de reflexiva, tornando-se na sua maioria a pedagogia da reciclagem. Esses autores ressaltam a pouca atenção é dada aos processos industriais da reciclagem em si mesmos, que nem sempre atendem aos interesses de proteção ao meio ambiente pois os custos ambientais da reciclagem podem ir além dos seus benefícios, transformando a indústria no principal beneficiário

(econômico) em detrimento da qualidade ambiental, além de encobrir um problema social grave que é o enorme contingente de necessitados (catadores) muitas vezessem direitos trabalhistas que contribuem para o enriquecimento unilateral, assim indicadores negativos de gestão de resíduos

Um exemplo dessas abordagens superficiais e idealizadoras de educação e enfrentamento ambiental é a problemática expressa no escrito de Feitosa (2013), o qual traz uma reflexão sobre o Decreto Municipal 14.367 e a Lei Nº 15.374 que proíbem a distribuição de sacolas plásticas nos estabelecimentos comerciais, respectivamente, nos Municípios de Belo Horizonte e de São Paulo. Para o autor, em meio às teias capitalistas, o objetivo do sistema é puramente quantitativo com o lucro e a exploração (sobre seres vivos e entes não-vivos).

Temos como solução “sustentável” para não prejudicar o ambiente que os consumidores podem adquirir as sacolas de uso retornável vendidas nas lojas. Observando bem esse argumento, notamos que, na verdade, o capital cria uma nova forma de fazer dinheiro: através da venda de sacolas de uso retornável vendidas nas lojas do supermercado. Claro, para lucrar mais, ao invés de dar as sacolas, por que não vendê-las com o subterfúgio de frear o consumo de sacolas plásticas. (FEITOSA, 2013, p. 04)

O referido autor corrobora ainda, a partir de conhecimentos do movimento “Volta sacolinha” que os custos elevados na distribuição de sacolas é altíssimo e o mesmo é pago pelo consumidor, pois embutido nos preços das mercadorias. A medida que usam as sacolas retornáveis tem-se diminuição de despesas pelos empresários e as mesmas não são repassadas para os consumidores em diminuição do preço de produtos, ocasionando mais lucro, além do aumento da compra de sacos de lixo.

O que essa concepção individualista, marcada pela ênfase na mudança de comportamento individual, traz como equívoco é achar que ações individuais (não usar sacolas plásticas, reciclar o lixo, etc.) vão modificar completamente a situação de destruição da natureza. Isso porque, a economia capitalista atual é voltada para a busca do lucro desenfreado, e as tentativas de mudança a nível meramente individual transformam- se em forma de novos consumos (comprar ao invés de sacolas plásticas, sacolas de uso retornável) e produção de mercadorias (ao invés de gerar resultados socioambientais efetivos. (FEITOSA. 2013, p. 05)

Nessa perspectiva a Pedagogia dos três R’s vem como aliada no cenário educacional, mas com algumas ressalvas:

A chamada pedagogia dos 3 R´s pode ser uma aliada na hora da elaboração de estratégias de educação ambiental, mas é preciso tomar cuidados para não reduzir a sua complexidade e trabalhá-la apenas como a pedagogia da reciclagem e da coleta seletiva. O elemento redução é imprescindível, e quando trabalhamos o conceito de redução de consumo é necessário falar também sobre o consumo ético ou sustentável. (GUANABARA et al., 2008, p. 126)

Muito já se fala em outros R’s, como o repensar o consumo de produtos e o rejeitar aquelas mercadorias que sejam danosas ao meio ambiente e a sociedade (LAYRARGUES, 2004; GUANABARA et al., 2008).

ASPECTOS METODOLÓGICOS DA INVESTIGAÇÃO

A pesquisa foi realizada com cunho bibliográfico e de campo contando a realização pesquisa quali-quantitativa, exploratória e de natureza aplicada (GERHARDT; SILVEIRA, 2009; GIL, 2007) para registrar informações sobre a atual situação do rio frente a visão dos ribeirinhos e a identificação do perfil de educação ambiental informal nas perspectivas dos mesmos. Este tipo de pesquisa tem como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito ou a construir hipóteses.

A escolha do perímetro da pesquisa levou em consideração a zona urbana da cidade, especificando as margens que possuem residências até 100m de distância. A escolha se dá para a observação da área nas encostas do rio (escolha de locais com maior número de residências).

As residências escolhidas próximas a dois locais distintos, estão localizadas na Rua Dr. Resende – centro da cidade, próximo a chamada “Ponte de Ferro”. Este foi intitulado pelo presente estudo como: Ponto 01 e as mesmas denominadas Residência A, Residência B e Residência C.

Outro local escolhido foi a Rua Projetada – centro da cidade, a qual três residências Residência D, Residência E e Residência F, em frente à Prainha de Piracuruca – PI (Ponto turístico da cidade). Este foi intitulado na presente investigação como Ponto 02. O ponto 03 foi uma escola com proximidades a esta área, a qual contempla alunos da redondeza. Isso se deu pela necessidade de explorar a percepção dos discentes sobre a importância do rio em questão, assim como possíveis formas de tratamento dos resíduos sólidos.

Dito isso, é relevante expor agora os instrumentos usados na pesquisa. Ela contou com os instrumentos de coleta de dados: observação às margens do rio, questionários semiestruturados endereçados a população ribeirinha e questionários fechados com discentes em uma escola de educação básica próxima ao rio Piracuruca, Município de Piracuruca-PI.

A observação às margens do Rio Piracuruca, configurada como pesquisa de campo, levou os pesquisadores a visualizarem a realidade do rio, das encostas e redondezas das casas de ribeirinhos registrado por meio de fotografias.

Ademais, junto aos ribeirinhos, aplicamos um questionário semiestruturado, perfazendo desde a sondagem do nível de escolaridade, ao tempo que mora no local, como a percepção dos mesmos sobre a poluição do rio e a presença da educação ambiental nas suas atitudes. Os respondentes do questionário foram seis ribeirinhos que moram em residências distintas (A, B, C, D, E, e F) e que há mais de uma década moram no local. Podem ser especificados da seguinte maneira: Sujeito 01 – Pós-graduada e reside há 12 anos no local; Sujeito 02 – Ensino fundamental e reside há 11 anos no local; Sujeito 03 - Ensino fundamental I e reside há 10 anos no local; Sujeito 04 - Ensino fundamental I e reside há 56 anos; Sujeito 05 - Ensino fundamental I com 15 anos no local e Sujeito 06 – Ensino Fundamental – 10 anos no local.

A última ferramenta utilizada na investigação foi um questionário aplicado na escola supra indicada, o qual foi contemplado uma turma de 2º ano do Ensino Fundamental, com a escolha de 10 crianças selecionadas de acordo com a proximidade de residências às margens do Rio Piracuruca.

Os dados foram coletados após a aplicação dos questionários e as respostas foram tabuladas na busca de padronizar e codificar as respostas obtidas. Posteriormente houve a análise dos dados, ponderando os mais relevantes para a pesquisa em questão e, após calculadas, as porcentagens foram apresentadas em forma de gráficos (GIL, 2007).

Nas perguntas abertas (questionário semi-aberto aplicado aos ribeirinhos), padronizou-se por categorias, tabulando-as de maneira idêntica as respostas. Estas foram usadas citações para fundamentar os resultados obtidos (GERHARDT; SILVEIRA, 2009).

  1. RESULTADOS & DISCUSSÕES

Através das observações da pesquisa in loco percebeu-se que as matas ciliares do Rio ainda estão bem preservadas em ambos pontos de observação (Ponto 01 e 02).

Martins (2007) cita denominações comumente usadas em diferentes regiões do Brasil, como floresta ripária, florestas ribeirinhas, matas de galeria, floresta ripícola, e floresta beiradeira. Definindo mais tecnicamente esta vegetação, o autor denomina como mata ciliar aquela vegetação remanescente nas margens dos cursos de água em uma região originalmente ocupada por mata. (CHAVES, 2009, p.04)

Contudo, observou-se uma longa faixa de areia no local que compreende ao Complexo Turístico Prainha (Ponto 02), o qual foi idealizado sem vegetação em seu paisagismo, a fim de impulsionar o turismo e em suas mediações. De acordo com as reflexões de Chaves (2009),tais práticas impulsionam o assoreamento da área e facilitam os níveis de erosão e sedimentação que representam uma séria ameaça aos reservatórios de água do país e que resultam no aumento de muitas doenças de disseminação hídrica, principalmente causadas por vírus e bactérias que são carregadas adsorvidos aos sedimentos. A presença da mata ciliar contribui para a redução destes fatores e a redução da poluição difusa rural.

Apesar da importância que as matas ciliares possuem para a biodiversidade, alguns trabalhos vêm demonstrando um alto índice de devastação (CHAVES, 2009; MARTINS, 2007; MUCELIN; BELLINI, 2008). Martins (2007) cita o desmatamento, os incêndios, extração de areia nas áreas marginais e traz ainda como exemplo as inúmeras enchentes verificadas na cidade de São Paulo pelo transbordamento dos rios Tietê e Pinheiros. (CHAVES, 2009)

Nos dois pontos (01 e 02) que foram alvos de observação in loco às margens do Rio Piracuruca ficou constatado presença de resíduos sólidos tais como: sacolas, latas, garrafas, galhos de árvores, restos de tecidos, embalagens diversas, copos descartáveis, lonas, pneus, caixas etc.

No transcorrer da pesquisa foi observado na zona urbana alguns os pontilhões sobre riachos (área circunvizinha ao rio) e estes apresentam grande quantidade de lixo em suas proximidades (até mesmo dentro do curso d’água), atuando como depósitos de resíduos, obstruindo parcial ou totalmente a passagem, poluindo as águas que desaguam no Rio Piracuruca. Isso pode intensificar as enchentes passageiras ou duradouras com baixo, médio ou grandes dimensões. Estas (de acordo com populares) em tempos de muitas chuvas são recorrentes, restando aos residentes do local buscarem outras lugares para se abrigarem, conforme relata uma moradora.

Conclui-se que nessa época de cheias, mesmo que o lixo presente não seja o principal causador (só um agravante), este por sua vez vai ser disseminado junto as águas poluídas, podendo causar doenças. Vale ressaltar que tanto nas enchentes como no dia-a-dia esse problema deve ser preocupante.

Entre os impactos ambientais negativos que podem ser originados a partir do lixo urbano produzido, estão os efeitos decorrentes da prática de disposição inadequada de resíduos sólidos em fundos de vale, às margens de ruas ou cursos d’água. Essas práticas habituais podem provocar, entre outras coisas, contaminação de corpos d’água, assoreamento, enchentes, proliferação de vetores transmissores de doenças, tais como cães, gatos, ratos, baratas, moscas, vermes, entre outros. Some-se a isso a poluição visual, mau cheiro e contaminação do ambiente. (MUCELIN; BELLINI, 2008, p 113)

Com a aplicação do questionário semiaberto à população ribeirinha descrita anteriormente (Sujeitos 01, 02, 03, 04, 05, e 06), obteve-se: 80% população gosta do local em que vive. Mas em contrapartida, há a consciência unânime que às margens dos rios está classificada como suja.

Após análise e de acordo com algumas considerações sobre possíveis causas da poluição do rio e concepções de educação ambiental dos populares pesquisados, obteve-se:

Considero suja, porque algumas lavadeiras deixam embalagens de sabão, água sanitária e até roupas nas margens do rio. (Sujeito 01)

Considero o rio imundo, com lixo e água podre. (Sujeito 04)

Considero uma poluição só. Horrível. (Sujeito 05)

Considero o rio sujo pois colocam lixo na beira do rio e animais mortos, etc. (Sujeito 06)

Mediante o exposto verifica-se a percepção dos ribeirinhos sobre os principais agentes, ações causadoras e a situação atual do rio.

Uma das perguntas apresentada aos mesmos (mediante questionário semi-aberto), na busca das concepções dos sujeitos sobre alguns fatores que influenciam na poluição do rio Piracuruca, dando como opções estabelecidas para escolha: 1. Ação antrópica; 2. Descaso do governo; 3. Falta de informação; 4. Desvalorização do rio; 5. Ausência de ações de conscientização e de educação ambiental, obteve-se os seguintes resultados:

  1. Ao levar em consideração o tópico ação antrópica, os ribeirinhos afirmam reciclar ou reutilizar alguns materiais como: garrafa pet, vidro, plástico, papel, pneus. Essa é uma ação que favorece redução do número de lixo produzido diariamente e que por ventura iria ser descartado de forma errônea ou coletado pelo poder público. Tendo como maior número de reutilização do plástico (60%), garrafas pet (60%), vidros (30%), assim como papel (20%) e por último, pneus (10%). Ressalta-se através da pesquisa que a coleta seletiva não é realizada, não há pontos de descarte na cidade e nem é impulsionado pelas empresas ou líderes do município.

  2. No segundo tópico que traz a opção de descaso do governo municipal, verificou-se com unanimidade por meio dos questionários que há frequência no recolhimento do lixo pelo serviço público.

Esta Política está configurada no CAPÍTULO V do gerenciamento dos resíduos sólidos, especificado no Plano Diretor do município

Art. 103. O Município desenvolverá no prazo de 24 (vinte e quatro) meses o Programa de Gerenciamento dos Resíduos Sólidos que deverá conter a estratégia geral da Administração Municipal para a gestão dos resíduos sólidos de modo a proteger a saúde humana e o meio ambiente, especificar medidas que incentivem a conservação e recuperação de recursos naturais e oferecer condições para a destinação final adequada dos resíduos sólidos.

§ 1o Compete ao órgão municipal responsável pela gestão da coleta e destinação dos resíduos sólidos no Município a elaboração do Programa de Gerenciamento dos Resíduos Sólidos. (PLANO DIRETOR, 2006, p 43)

O preocupante é que mesmo com o recolhimento de lixo frequentemente, observa-se muitos resíduos sólidos em alguns locais próximos às casas e às margens do rio levando a reflexão que a ação antrópica degradadora está causando tal poluição.Conforme dados obtidos em questionário aplicado, os sujeitos afirmam que muitas vezes a poluição do rio é feita por pessoas de fora da redondeza. Como verificado na fala do Sujeito 06 (anteriormente citada), animais mortos são deixados às margens, constatando que os residentes não o fariam devido mau cheiro.

Colabora com a concepção que a EA deve ser estendida a toda a sociedade piracuruquense na tentativa de levar a população à reflexão e uma possível conscientização sobre a visão individualista que se perpetua, estabelecendo uma relação de dominação sobre a natureza.

A compreensão e a ação que prevalece hoje no mundo é intermediada pelos paradigmas construídos historicamente pela sociedade moderna e que estabelecem essa relação tão desarmônica entre os indivíduos em sociedade e entre sociedade e natureza. Por essa relação da vida moderna com o mundo, e que vem sendo crescentemente intensificada ao longo dos últimos 500 anos, é que temos uma crise ambiental que põe em risco a própria sobrevivência da espécie humana e até mesmo a vida como um todos. (LOUREIRO. LAYRARGUES, 2006, p. 19)

Dando continuidade os tópicos: 3. Falta de informação; 4. Desvalorização do rio; 5. Ausência de ações de conscientização e de educação ambiental, o gráfico 01 abaixo vem mostrar a visão dos ribeirinhos sobre causas e ações que mudariam a situação, tendo estas (segundo a visão dos mesmos) como possível solução.




Gráfico 01 – Visão dos ribeirinhos sobre as ações que mudariam a situação de poluição do rio Piracuruca.



Conforme explicitado no Art. 103. do Plano Diretor do Município de Piracuruca traz medidas a serem adotadas para tal fim:

§ 3o O Programa referido no caput deverá fixar os critérios básicos para o gerenciamento municipal dos resíduos sólidos, contendo, entre outros aspectos:

  1. - ações voltadas à educação ambiental que estimulem:

  1. - a eliminação do desperdício e a realização da triagem e coleta seletiva de resíduos, por parte do gerador;

  2. - a adoção de práticas ambientalmente saudáveis de consumo, por parte da sociedade;

  3. - o aproveitamento do resíduo gerado;

  1. - o cronograma de implantação das medidas e ações propostas. (PLANO DIRETOR, 2006, P. 44)



Estas medidas, caso fossem efetivamente implementadas, contribuiriam diretamente na mudança de paradigmas e atitudes de valorização e conscientização da conservação do rio, mas de acordo com o gráfico anterior, há indicadores (de acordo com a população) que são realizadas de forma tímida.

Quando questionados sobre o que poderia ser feito para ajudar a conservar as águas, afirmam algumas soluções, tais como: políticas públicas, educação ambiental, valorização do rio, e informações. Cabendo esta responsabilidade para toda a população e aos governantes. Vale ressaltar que nos últimos anos (de acordo com populares) está havendo uma maior atenção dada ao Rio Piracuruca pela Secretaria de Meio ambiente do município.

A educação ambiental é uma forte aliada que deve ser proporcionada pelas ações governamentais, mesmo sabendo-se que estas medidas traçadas no Plano Diretor não são suficientes, pois devem ser atreladas a uma educação ambiental crítica. Há ainda a necessidade de gestão ambiental para impulsionar a população à reflexão tanto entre os populares como nas instituições escolares.

Na Constituição Federal de 1988 no capítulo destinado ao meio ambiente em seu Art 225 traz:

Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade, o dever de defendê-lo e preservá-lo para o bem das atuais e futuras gerações. (BRASIL. 1988)

A Educação ambiental vem como uma ferramenta de atuação social, devendo ser mais difundida pelos governantes e órgão responsáveis, pois a Política Nacional do Meio Ambiente (Lei Nº 6.938, de 31 de agosto de 1981) tem como princípios: Art. 2º - X: “educação ambiental a todos os níveis de ensino, inclusive a educação da comunidade, objetivando capacitá-la para participação ativa na defesa do meio ambiente”; visando, conforme seu artigo quarto: “[...] à difusão de tecnologias de manejo do meio ambiente, à divulgação de dados e informações ambientais e à formação de uma consciência pública sobre a necessidade de preservação da qualidade ambiental e do equilíbrio ecológico”.

Os artigos acima citados trazem a obrigatoriedade perante a Lei do desenvolvimento da Educação ambiental em nível escolar e na comunidade, sendo ela formal ou informal.

O questionário aplicado aos discentes ribeirinhos também demonstram com unanimidade gostarem do local onde vivem, tendo a classificação quanto a poluição do rio: 40% consideram suja ou intermediária e 20% veem o rio limpo. Percebe-se que mesmo as crianças têm uma percepção sobre a atual situação. Os estudantes reafirmam que suas famílias encaminham o lixo da residência na coleta municipal e que os mesmos realizam coleta seletiva.

Com relação ao próprio ambiente escolar, os alunos afirmaram com unanimidade jogar o lixo nas lixeiras da instituição, evitando, assim, jogar lixo no chão.

Sobre a frequência da temática ambiental na escola, obteve-se os seguintes resultados expostos no Gráfico 02, a seguir.

Gráfico 02 – Presença da Educação Ambiental na escola.



De acordo com os sujeitos pesquisados, a Educação ambiental é abordada falando sobre a preservação e conservação da natureza, concluindo-se que é trabalhada no seu sentido mais corriqueiro e singelo, configurando uma EA ainda tradicional.

Guimarães (2004) classifica em duas, as vertentes dentro da educação ambiental, a Educação Ambiental Tradicional (por vezes chamada também de conservadora) e a Educação Ambiental Crítica. Segundo o mesmo autor a Educação Tradicional é hegemônica, possui uma visão mecanicista da ciência, simplificadora dos fenômenos além de não poder ou não querer revelar as relações de poder que estruturam a sociedade atual. Esta por sua vez não tem potencial para alavancar as mudanças necessárias para a superação da atual crise socioambiental.

Assim, em busca de estratégias de mudanças, afirma-se que:

É necessário uma definição de novos paradigmas educativos centrados na preocupação por iluminar a realidade, e isto supõe a formulação de novos objetos de referência conceitual, principalmente a transformação de conceitos e práticas sociais. (LOUREIRO; LAYRARGUES, 2006, p. 07)

Mediante pressupostos, a Educação Ambiental Crítica vem com características contra-hegemônica, interdisciplinar, relacionada com a teoria da complexidade e com o objetivo de desvelar as relações de dominação que constituem a atual sociedade, sendo esta, uma proposta que pode e deve fazer um contraponto em relação ao que vem sendo realizado (GUIMARÃES, 2004).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estudo realizado sobre a disseminação dos resíduos sólidos às margens do Rio Piracuruca teve como objetivo traçar um perfil da educação ambiental nos populares de residências próximas ao Rio Piracuruca no município de Piracuruca – PI, bem como a destinação dos resíduos sólidos produzidos pelos mesmos.

Mediante as pesquisas, percebe-se que os ribeirinhos ali presentes tem consciência dos seus atos e da importância de conservação do rio. Consideram as margens do rio sujas e que medidas devem ser tomadas. O nível de educação ambiental informal é tida de forma superficial, com informações da televisão ou de conversas informais com os populares. Mas, estes possuem uma visão crítica da situação em que vivem e acreditam que fatores que influenciam na degradação do rio sejam: ação antrópica, descaso do governo, falta de informação, desvalorização do rio e ausência de ações de conscientização.

Os filhos de ribeirinhos que estão inseridos em instituições de ensino são sujeitos importantíssimos de trabalho educativo para a transformação de paradigmas obtidos da educação ambiental informal e de conservação do Rio Piracuruca no presente e futuro. Com práticas educativas eficazes, estes serão o intercâmbio de informação entre a escola e sua comunidade. Porém, vê-se que na escola que os filhos dos ribeirinhos estudam, no seu sentido mais corriqueiro e singelo falam sobre a temática, sendo estas práticas insuficientes.

Neste cenário, a Educação ambiental é tida como uma ferramenta importantíssima de mudança de comportamento e de paradigmas. Porém, apesar de tantos anos de discussão ambiental e das necessidades de respeito à natureza, em sua maioria ainda é tratada de forma superficial.

A ação que parece prevalecer nos ambientes educativos restringe-se apenas a difusão da percepção sobre a gravidade dos problemas ambientais e suas consequências para o meio ambiente. (LOUREIRO, LAYRARGUES, 2006) Além dessas práticas, conhecer as origens causadoras dos problemas ambientais também é válida, pois visa perceber que a degradação não é uma dinâmica natural do meio ambiente, mas como consequência antrópica sobre o meio causando a incapacidade de auto equilíbrio pela natureza. Nesse cenário há a necessidade de inserção de criticidade em torno da educação ambiental (formação de professores, temáticas das discussões levantadas, extensão da relação escola-comunidade) com ações que levem à reflexão dos sujeitos sobre as verdadeiras causas da degradação e os principais poluidores. Somente com essa extensão de conhecimentos e apropriação desse ver ambiental, poderão posicionar-se frente a temática e serem militantes na valorização do rio em estudo e do meio ambiente.

Portanto, compreender seu papel no meio que está inserido e a total dependência do homem para com a natureza contribuirá significantemente para o progresso e para a preservação da biodiversidade, podendo assim garantir a existência da vida. Valendo ressaltar que não se há tempo a perder, pois “Eis aqui a vida!

REFERÊNCIAS

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Em 17/02/2018.

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Acesso em 17/02/2018.





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