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ISSN 1678-0701
Número 59, Ano XV.
Março-Maio/2017.
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10/03/2017
EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO ENSINO SUPERIOR: UM TRABALHO COM VALORES, COM O CONHECIMENTO E COM A PARTICIPAÇÃO CIDADà 
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Unidade 059

EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO ENSINO SUPERIOR: UM TRABALHO COM VALORES, COM O CONHECIMENTO E COM A PARTICIPAÇÃO CIDADÃ

Leda Belitardo de Oliveira Pereira

 

Environmentaleducationin higher education: a job with values​​, with knowledge and with citizen participation

 

 

 

 

 

 

 

Resumo

Um dos objetivos deste trabalho foi de verificar como a população sente os problemas de saúde e saneamento em seus bairros, através de um inquérito elaborado pelos alunos da disciplina de Gestão Ambiental no ensino superior de Administração na Faculdade de Casa Branca,SP. Outro objetivo foi promover uma melhor percepção dos aspectos socioambientais nos próprios discentes, mediante a indagação e a busca por soluções para o meio em que vivem. Os alunos tiveram a oportunidade de uma aproximação intelectual e afetiva da situação ambiental e social da população do bairro visitado. E ainda, foram estimulados à participação ativa, através da elaboração de sugestões para melhoria da qualidade de vida das populações da periferia no município.

 

Palavras-chave: Percepção. Socioambiental. Cidades.

 

Abstract

One purpose of this study was to determine how the population feels the problems of health and sanitation in their neighborhoods, through a survey prepared by the students of Environmental Management discipline in higher education of Administration at Faculdade de Casa Branca, SP. Another objective was to promote a better understanding of the social and environmental aspects in their own students themselves through inquiry and the search for solutions to the environment where they live. Students had the opportunity of intellectual and emotional approach to environmental and social situation of the population visited neighborhood. And yet, they were encouraged active participation by developing suggestions to improve the quality of life in the outskirts of the population in the city.

 

Keywords: Perception. Socio-environmental. Cities.

 

 

 

Introdução

 

O crescimento das cidades brasileiras vem sendo caracterizado por inúmeros problemas de ordem social, política, econômica e ambiental. O processo de urbanização necessita de planejamento estratégico para criar condições satisfatórias de habitação. O interesse meramente político e econômico favorece o desenvolvimento inadequado da área urbana, ocasionando conflito permanente na sociedade contemporânea.

A carência de consciência ética, pensamento crítico e valorização humana traz como reflexoações de interesse individualista e insolidário, de desrespeito à formação social. Neste sentido, a participação dos indivíduos é fundamental parareivindicações de ações do poder público que favoreçam as condições básicas de infraestrutura e saneamento para uma melhor qualidade de vida da população.

 Neste panorama,a Educação é responsabilizada, erroneamente, pela transformação da sociedade. Antes, entretanto, é necessário compreender as finalidades e os limites do ato educativo para ‘mudança’ dos comportamentos individuais em padrões e em valores ambientalmente desejáveis. Acreditamos que a Educação Ambiental deva assumir o desafio do enfoque humanista e participativo, sob a perspectiva significativa da própria existência histórica do homem relacionado às suas práticas.Muito além de uma visão pragmática, utilitarista e reducionista, o desafio educacional deve revelar o sentido do conhecimento, para compreensão das dimensões política, social, cultural, ética e valorativa das atividades humanas e suas relações com a natureza.

 A investigação epistemológica da Educação nos remete ao contínuo questionamento sobre o tipo de ciência produzida, para quem e com quais finalidades e compromissos. O conhecimento e a Educação são expressões da prática significativa, que só ganham sentido quando exercem a função de mediar o agir histórico-social dos homens. (SEVERINO, 2001: p. 43)

Esses aspectos demandam tempo para a efetivação do conhecimento, para a reflexão profunda a caminho da ação coletiva, sob a ótica multidisciplinar,as quais resultariam em práticas profundas e duradouras às várias gerações, capazes de um enraizamento cultural inerente às condições sociais, econômicas, políticas e ideológicas da sociedade brasileira.  

Inúmeras pesquisas com ênfasenos problemas ambientais têm indicado que a intervenção humana é fator determinante de mudanças na dinâmica dos ecossistemas, resultando em desequilíbrios que atingem a biodiversidade, as condições climáticas regionais, sobretudo, os seres humanos e o seu modo de vida, conforme propõe Sánchez (2008 p.38-39) ao debater que as ações humanas no ambiente influenciam os fatores sociais, culturais e econômicos da sociedade.

 A cidade de Casa Branca, no interior do Estado de São Paulo, não foge a este quadro. Seus cidadãos sofrem com problemas de ordem estrutural, como a formação e a distribuição sem controle de sua população nos bairros da periferia e, conforme observado nesta pesquisa,os munícipes têm baixa percepção e clareza de direitos e deveres para se organizarem em ações de reivindicação aos poderes públicos regionais.

Neste contexto, o objetivo deste trabalho foi de verificar como a comunidade sente os problemas de saúde e saneamento em seus bairros, através de um inquérito elaborado pelos alunos da disciplina de Gestão Ambiental no ensino superior em Administração da Faculdade de Casa Branca. E ainda, promover uma melhor percepção dos aspectos socioambientais nos próprios discentes, mediante a indagação e a busca por soluções para o meio em que vivem. Os alunos tiveram a oportunidade de uma aproximação intelectual e afetiva da situação ambiental e social dos moradores dos bairros visitados, sendo estimuladosà participação mais efetiva, através da elaboração de sugestões para melhoria da qualidade de vida das populações da periferia no município de Casa Branca/SP.

A existência do ser humano e o processo contínuo de aprendizagem são construídos pelo conjunto de ações e interações significativas com a natureza material, com os demais membros de uma sociedade e com a consciência simbólica cultural. Sendo assim, o ensino, de caráter abstrato, passa a ser mediador destas relações de significação profunda, garantindo a efetivação da Educação.

Entendemos que a Educação Ambiental deva contemplar três dimensões: do conhecimento, dos valores e da participação política, conforme descreve Carvalho, (2006: p. 25-26), não como possibilidade de mudança no quadro de degradação ambiental, mas como instrumento eficaz de transformação social, por intermédio do pensamento crítico e da ação libertadora do indivíduo, cuja essência seja refratária ao discurso ideológico do atual sistema político hegemônico brasileiro.

 

A dimensão dos valores na sensibilização do ser humano

 

            A sociedade contemporânea legitima valores universais, impostos pela cultura hegemônica, como a igualdade, a liberdade e a justiça, que são transmitidos por incumbência da Educação, haja vista a história dos parâmetros curriculares escolares. Neste mesmo percurso histórico, a legitimação dos valores sociais se manifesta de maneira divorciada dos sentidos emocionais e da afetividade, ou seja, considerando a construção do juízo moral apenas pelo aspecto cognitivo.

Neste processo, enfatizamos o relato de Bonotto (2008: p.303), que um trabalho significativo na educação por valores depende da correspondência equitativa da esfera da cognição, na apreensão do conhecimento, com a esfera da afetividade, na experiência sentida, pois resultarão na reflexão e na ação do indivíduo.

Conforme dialoga Nucci (2000: p.85-87), a necessidade do ensino de valores tradicionais na sociedade ocidental, objetiva a construção de virtudes nos educandos, contudo, o autor abre um questionamento se de fato, este ensino é suficiente para o desenvolvimento da perspectiva moral crítica, fundamental ao ser humano.  Neste caminho, o autor destaca algumas implicações necessárias à educação moral, entre elas, a necessidade de formar concepções nos estudantes sobre noções de justiça e bem-estar nos outros, sobretudo, em sintonia com o desenvolvimento e com as experiências sociais concretas dos mesmos.

Do ponto de vista psicológico, La Taille (2000: p.109) descreve que as virtudes morais participam da gênese da moralidade e representam os traços de caráter essencial à “coesão da personalidade moral”. As representações do indivíduo, que formam a sua identidade, são sempre valorativas e, nesse meio, as virtudes são consideradas qualidades que possibilitam para o ser humano uma leitura valorativa de si próprio e dos outros.

De acordo com Severino (2001:p.91), “a moral é uma experiência comum à humanidade. A sensibilização moral possibilita que os sujeitos avaliem suas ações, geralmente como boas ou más, lícitas ou ilícitas, corretas ou incorretas”. Desse modo, a prática educativa, pela produção cultural, resulta em material simbólico que produzirá conceitos e valores, de referência para a intencionalização da ação do indivíduo, juntamente com sua consciência subjetiva, constituindo sentidos.  

 Como relata Hermann, (2005: p.36), dentre a dimensão valorativa, configura-se a problematização da estética aproximada à ética para a sensibilização moral. Para a autora, a razão, muito instrumental, não dá conta de explicar a pluralidade de orientações valorativas, desde os estilos de vida até a subjetividade, neste caminho, a estética pode contribuir para a sensibilidade moral.

            Concordando com o relato de Carvalho (2006: p.32), entendemos que as dimensões éticas e estéticas colaboram com a ruptura do pensamento racionalista, uma vez que, incorporam valores pela apreciação estética da beleza natural e trabalham o compromisso ético com a vida atual e das futuras gerações, sendo fundamentais ao surgimento de novos padrões de relação sociedade-natureza.

Na discussão de Bonotto (2008: p.299), a partir dos princípios encontrados no documento “Tratado de Educação Global para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global” - exposto na ocasião do encontro internacional ECO-92 na cidade do Rio de Janeiro, encontram-se alguns princípios valorativos.  Com exceção da ênfase à dimensão estética, o documento aborda a necessidade de consideração dos valores “ambientalmente desejáveis”, os quais se constituem como desafios ao ensino, na promoção dos mesmos à sociedade:

 

Valorização da vida: não somente a dos seres humanos, mas a de todos os seres vivos. Essa posição acarreta, como consequência, o respeito e valorização da biodiversidade e a necessidade de a sociedade rever sua posição em relação aos demais habitantes com os quais compartilha o planeta.Valorização da diversidade cultural: ao se valorizar a comunidade dos seres vivos de maneira ampla, incluem-se as sociedades humanas em seus aspectos não somente natural, mas também cultural. Isso se opõe a atitudes de desconsideração de outras culturas que não a nossa.Valorização de diferentes formas de conhecimento: ao valorizarmos diferentes culturas, também nos abrimos para as diferentes formas de conhecimento ou saberes, por elas estabelecidos. Isso se contrapõe à hegemonia do conhecimento científico, então considerado superior e suficiente para apreender – e dominar – o mundo.Valorização de uma sociedade sustentável: busca-se um modelo de sociedade baseado na sustentabilidade equitativa e qualidade de vida para todos, no lugar da superprodução e superconsumo para alguns e consequente pobreza para a maioria, o que implica o reajuste dos modelos atuais da economia da tecnologia.Valorização de uma vida participativa: para a construção de uma sociedade justa, equilibrada, nos aspectos social e ambiental, despontam valores como responsabilidade, solidariedade, cooperação e diálogo, possibilitando a todos a participação, em um processo democrático e autônomo, nessa construção (Bonotto, 2008: p. 299).

 

 

As dimensões do conhecimento e da participação cidadã como elementos de transformação social

 

Por intermédio da consciência significativa, o indivíduo pode construir representações, conhecimento, valor e juízo moral. Estes aspectos podem ser subsidiados pela educação, através de diálogo e discussão, para uma compreensão reflexiva e crítica que resulte, sobretudo, na ação coletiva transformadora.

A educação, como prática política e social, tem por finalidade construir sujeitos críticos, despidos do discurso ideológico, na construção de comportamentos compromissados, envolvidos com a democracia e atuantes em sua esfera histórica.

 

A educação precisa garantir aos educandos clara percepção das relações de poder na realidade histórica das sociedades. Sem tal compreensão, os sujeitos não entenderão o significado de seu existir. Daí que o trabalho educativo deve subsidiar os estudantes para desvendar os vieses ideológicos do processo. Mediante a crítica aos sentidos falseados, a educação pode contribuir para a formação de nova consciência social nos educandos. Só assim a educação evitará a reprodução social e atuará como força de transformação, contribuindo para extirpar os focos da alienação. (SEVERINO, 2001: p.88)

 

Neste enfoque, esperamos que a Educação Ambiental  forme um indivíduo capaz de debater, argumentar e opinar no contexto sociopolítico, construindo sua essência histórica e cultural, especialmente, dos valores e da moral na relação sujeito-sociedade-natureza.

Independente do conhecimento científico organizado separadamente em disciplinas no ensino formal, ou mesmo do conhecimento trabalhado no ensino informal, é fundamental considerar o conhecimento como a intencionalização da prática humana e a aplicação da subjetividade a um sentido, na esfera do trabalho, na esfera da sociabilidade e na esfera da cultura, conforme salienta Severino (2001: p.119-120).

A Educação é formadora do ser humano e, como mediadora do conhecimento, tem a finalidade de conduzir o pensar a um entendimento simbolizador. Este pensar significativo, através da inter-relação com a circunstância social, política e histórica do indivíduo com suas experiências estéticas e com os fenômenos naturais do seu meio, sobretudo, deve ajudar o educando a apreender o mundo.

Pela perspectiva filosófica, a educação é reconhecida como um fenômeno com significado real, diante do processo de construção da atividade prática, na qual a teoria é coadjuvante. Na realidade, a percepção das ações práticas ganha sentido, na medida em que esta prática pensada se torna intencional, ou seja, com significação valorativa, vinculada a um fim.

Contudo, é fundamental o reconhecimento de que a prática humana necessita da teoria para se efetivar de maneira significativa. A teoria esclarece a opacidade da gênese do ato prático, ganhando sentido quando é intencionalizadapela prática. Neste entendimento, a educação só é humanizadora se for intencionalizada pelo conhecimento e pela valoração, imbricados em uma significação apreendida pela existência histórico-social. (SEVERINO, 2001: p.9).

 

Metodologia

 

            A fim de realizar um inquérito que proporcionasse a análise, a sensibilização e a reflexão dos discentes, e os levassem para uma investigação, ação e participação, foi realizado umlevantamento estatístico que consistiu, de acordo com Toledo (2012: p.35), em: definição do problema; planejamento; coleta de dados; apuração dos dados; análise e interpretação dos dados. Na fase de definição do problema, foi proposto aos alunos que investigassem em diversos bairros da cidade de Casa Branca/SP o nível de satisfação do atendimento municipal e o que os moradores sentiam acerca dos diversos aspectos relacionados com as problemáticas ambiental e social.

Com o problema definido, Toledo (2012:p.35) afirma que, durante a fase do planejamento, deve-se “determinar o procedimento necessário para resolvê-lo e, em especial, definir como levantar informações sobre o assunto - objeto de estudo. Que dados deverão ser obtidos? Como se deve obtê-los?”.

Após discussão coletiva com os alunos envolvidos na pesquisa, decidiu-serealizar um levantamento de dados com base em sete quesitos, a seguir:

 

1 – Condições sanitárias gerais;

2- Abastecimento de água;

3 – Coleta de lixo;

4 – Condições de habitação;

5 – Fontes de poluição;

6 – Serviço disponível de saúde;

7 – Serviço disponível de assistência social.

 

Para cada um dos quesitos acima, o morador deveria atribuir uma nota de 0 a 10, de acordo com a seguinte escala:

 

- Não satisfeito: 0 – 3;

- Mediamente satisfeito: 4 – 7;

- Satisfeito: 8 – 10.

 

Para obtençãodos dados, inicialmente, foram sorteados oito bairros da periferia municipal, cujos moradores compuseram a população estatística a ser estudada. Por motivos de padronização e facilidade na análise dos dados, optou-se por selecionar uma amostra de 100 habitantes de cada bairro que, de maneira aleatória, foram entrevistados pelos alunos. De posse dos dados brutos obtidos através da coleta, foi necessárioorganizá-los, primeiramente através de tabelas de distribuição de frequências e, em seguida, para uma melhor visualização e facilidade de interpretação, os dados tabulados foram representados por meio de gráficos. Para a confecção das referidas tabelas de distribuição de frequências cada grupo elaborou uma tabela seguindo o modelo abaixo:

 

Tabela XX: Satisfação dos moradores do bairro **** com o quesito ****

Grau de satisfação

Notas

Frequência absoluta

Frequência relativa

Não satisfeito

0 – 3

X

X

Mediamente satisfeito

4 – 7

X

X

Satisfeito

8 – 10

X

X

Fonte: Pesquisa realizada pelos alunos do curso *** no bairro ***

 

Por frequência absoluta, entende-se o resultado da contagem direta dos votos para cada categoria. De acordo com Crespo (2009: p.23),

 

A leitura dos dados absolutos é sempre enfadonha e inexpressiva; embora esses dados traduzam um resultado exato e fiel, não têm a virtude de ressaltar de imediato suas conclusões numéricas. Daí o uso imprescindível que faz a Estatística dos dados relativos.

 

Dentre os dados relativos, o mais utilizado é através das porcentagens, obtendo, assim, a frequência relativa percentual relativa àquele item em análise. Para se calcular a frequência relativa em forma de porcentagem (%) referente a um resultado, primeiramente, fazemos o quociente (divisão) entre a frequência absoluta para esse resultado e o número de elementos da amostra escolhida, multiplicando, em seguida, o resultado obtido por 100.

 

 

Após a elaboração das tabelas para cada bairro optou-se, para fins de simplificação da análise, condensá-las com os dados acerca de cada um dos sete itens avaliados em uma única tabela, indicando apenas os índices percentuais das respostas com notas entre 8 e 10, conforme o seguinte modelo:

 

Tabela XX: Porcentagem de satisfação dos moradores do bairro ***

Quesito

Porcentagem de moradores satisfeitos

Assistência social

X

Serviço disponível de saúde

X

Fonte de poluição

X

Condições de habitação

X

Coleta de lixo

X

Abastecimento de água

X

Condições sanitárias gerais

X

Fonte: Dados coletados pelos alunos do curso *** no bairro ***

 

Conforme citado anteriormente, após a apresentação dos dados no formato tabular (tabelas) é útil, para facilidade de visualização e interpretação, colocá-los tais dados na forma de um gráfico.

A apresentação gráfica é um complemento importante da apresentação tabular. A principal vantagem de um gráfico sobre uma tabela prende-se ao fato de que ele permite conseguir uma visualização imediata da distribuição dos valores observados. Propiciam os gráficos uma ideia preliminar mais satisfatória da concentração e dispersão dos valores, uma vez que através deles os dados estatísticos se apresentam em termos de grandezas visualmente interpretáveis. Por outro lado, os fatos essenciais e as relações que poderiam ser difíceis de reconhecer em massas de dados estatísticos podem ser observados mais claramente através de gráficos. (TOLEDO, 2012: p.75)

 

A fim de se obter essa facilidade de análise dos dados obtidos, foram confeccionados gráficos do tipo colunas, através do software Microsoft Excel. Tal escolha se justifica, pois os gráficos de colunas, da mesma maneira que o de barras, “têm por finalidade comparar grandezas por meio de retângulos de igual largura e alturas proporcionais às respectivas grandezas”. (Toledo, 2012: p.76)

Neste caminho, a confecção dos gráficos de colunas referentes às tabelas obtidas, facilitou a apuração dos dados e permitiu a apresentação dos resultados em sínteses mais claras.

 

Resultados e discussão

 

Conforme descreve Tozoni-Reis, (2005: p.274-275), para qualidade em uma pesquisa ambiental de ação participativa, é importante que os temas ambientais sejam amplos para uma reflexão profunda dos envolvidos sobre o seu meio. É fundamentalsuperar o ensino tradicional, através do relacionamento da produção de conhecimentos ambientais com os conhecimentos pedagógicos, da parceria do saber acadêmico e não acadêmico e da participação dos educandos/investigadores nas tomadas de decisões coletivas.

Nesta orientação, os discentes e docentes do curso de Administração coletaram informações junto à comunidade de 08 (oito) bairros da periferia de Casa Branca/SP, os quais revelaram características de desequilíbrio ambiental e social distintas. Alguns bairros apresentaram uma organização mais efetiva, ou seja, com uma associação formalizada para defesa e reivindicações dos moradores. Já em outros, a população se sente abandonada, pois suas solicitações permanecem no descaso de vários setores administrativos municipais.

Para as condições sanitárias gerais, foi analisada a higiene e a organização, sobretudo, a canalização e o escoamento do esgoto doméstico. Quanto ao abastecimento de água, o objetivo era verificar as condições qualitativas para a população. Em relação à coleta de lixo, por ser um serviço terceirizado, a intenção do trabalho foi de revelar a periodicidade e eficiência da coleta nos bairros. Acerca das condições de habitação, buscou-se retratar a infraestrutura geral para as comunidades, principalmente a pavimentação, a iluminação, a segurança. Sobre as fontes de poluição, pretendeu-se explorar fatores contaminantes às margens dos bairros, visto que alguns se localizam próximos de áreas agrícolas, ou em locais próximos de grandes terrenos baldios sujeitos ao acúmulo clandestino de lixo urbano. Nas questões que trataram de avaliar os serviços de saúde e assistência social, o objetivo era de evidenciar a efetividade de setores descentralizados, contudo, na maioria dos bairros isso não acontece, em razão da ausência dos tão desejados “postinhos” de assistência médica, psicológica, odontológica e social pelos moradores da periferia.

 

a-Bairro Industrial

 

O bairro Industrial caracterizou-se de maneira singular, diferentemente da grande maioria dos outros bairros pesquisados. Por conter uma organização que pleiteia melhorias para seus moradores, uma “Associação de Amigos do Bairro Industrial” luta de maneira atuante nas reivindicações de melhoria junto ao poder público, entretanto, com dificuldades de mobilizar a atuação e a participação de mais moradores.

 

Fonte: Dados de pesquisa dos autores

 

            Com relação aos serviços de assistência à saúde e assistência social, nota-seque a Prefeitura Municipal não oferece apoio. Os moradores se dirigem aos postos centralizados de assistência médica e social. A coleta de lixo é irregular trazendo transtornos à comunidade, pois alguns munícipes descartam o resíduo doméstico em terreno baldio.

 

b- Bairro Jardim América 

 

            Obairro Jardim América apresentou-se com uma infraestrutura melhor em relação a outros bairros, pois os moradores apontaram satisfação nas condições sanitárias (higiene, segurança, organização, conservação).

 

Fonte: Dados de pesquisa dos autores

 

               Possui um sistema de coleta de lixo mais adequado, porém não possui postos de atendimento à população nas esferas da saúde e assistência médica.

 

c- Bairro Nazareth

 

Fonte: Dados de pesquisa dos autores

 

            O bairro Nazareth, possui uma população que não está satisfeita com a assistência médica e social, pois não existe posto local, só no centro da cidade. Durante campanhas de vacinação infantil, existe o atendimento provisório dentro da escola municipal do bairro. Quanto ao abastecimento de água,os moradores se sentiam satisfeitos, já que uma das estações de tratamento se localiza no bairro e os moradores podem verificar o trabalho e o monitoramento da qualidade da água.

 

d- Conjunto Habitacional Cecap

 

O bairro Cecap está localizado próximo ao centro da cidade e foi um dos primeiros conjuntos habitacionais construídos em Casa Branca, no final da década de 1970.

 

Fonte: Dados de pesquisa dos autores

 

            O nível de satisfação dos moradores foi maior do que 70% em todas as características pesquisadas. Além disso, o bairro oferece área de lazer e praça aos moradores, resultado das reivindicações de um grupo de moradores mais atuante.

 

e- Bairro Parque São Paulo

 

 

No bairro Parque São Paulo o que mais impressionou foi o nível de insatisfação das fontes de poluição.  Existe uma falta de disciplina por parte da população no uso das caçambas de contenção de lixo. Osdetritos e o entulho ficam acumulados aos redores destes coletores, causando péssimo cheiro.

 

Fonte: Dados de pesquisa dos autores

     Mesmo com esta situação visível, a população tem pouca percepção dos problemas, permanecendo apáticos e conformados com a situação local, segundo indica o resultado da pesquisa. É necessária uma sensibilização dos setores administrativos para a elaboração de campanhas de orientação aos moradores, quanto a organização geral do bairro, principalmente na questão do lixo espalhado pelas ruas.

 

f- Bairro Jardim Bela Vista

 

O Jardim Bela Vista é um bairro distante das áreas de assistência médica e social municipais. Não existe serviço disponível de saúde no local, exigindo o deslocamento da comunidade para o posto de atendimento central.

 

Fonte: Dados de pesquisa dos autores

 

A população sofre com o descaso na infraestrutura, com a falta de pavimentação das ruas e calçadas, além da pouca iluminação. As fontes de poluição são diversas, mas o que incomoda os moradores são as queimadas de cana-de-açúcar de áreas agrícolas no entorno.

 

g- Bairro Desterro

 

Nota-se que este foi o bairro onde a população revelou os maiores índices de satisfação. Este loteamento historicamente é o mais antigo de todos os bairros pesquisados, o que favoreceu uma melhor oportunidade de desenvolvimento estrutural e maior manutenção da qualidade das condições sanitárias.

 

Fonte: Dados de pesquisa dos autores

 

Possui serviço de atendimento médico e social, além disso, conta com uma “Associação de Amigos do Bairro do Desterro” atuante, a qual constantemente reivindica melhorias para seus moradores.

 

h- Conjunto Habitacional Waldemar Pereira (Andorinhas)

 

Fonte: Dados de pesquisa dos autores

 

            O Conjunto Habitacional Waldemar Pereira, por ser um bairro distante do centro da cidade, está sujeito a inúmeras fontes de poluição e ao desinteresse político,bem como sua infraestrutura deixa a desejar. Possui falta de orientação no controle e adequação dos resíduos sólidos e os moradores sofrem com as frequentes queimadas em terrenos baldios.

 

Considerações Finais

 

A organização e o desenvolvimento urbano são desafios que necessariamente devem ser enfrentados através de um planejamento participativo e com tomadas de decisões em cooperação. Neste trabalho, ficou evidente que os bairros com associações de moradores são mais organizados, apresentando menores problemas de ordem ambiental e social. Contudo, estes colegiados só continuarão se mantendo ativos se a população estiver fundamentada em valores humanos, em princípios éticos e democráticos, imbuída de conhecimento, para legitimação e consolidação de práticas participativas e cidadãs. 

O processo de construção de valores sociais, de conhecimentos e de cidadania deve estar atrelado a relação do indivíduo com o meio natural e com a sociedade, superando os limites e os desafios,a caminho de uma prática transformadora.

Esta proposta de investigação, ação e participação desenvolveu um espírito crítico nos discentes, pois tiveram a oportunidade de realizar atividades educativas fundamentadas nos conhecimentos e na construção de valores, anteriormente produzidos na teoria, posteriormente vivenciados na realidade prática da vida cotidiana da comunidade local.

Grande parte dos discentes que participaram da elaboração desta pesquisa reside em áreas afastadas do centro urbano. Através do trabalho de campo e o contato direto com a população, estes alunos passaram a entender as causas e as consequências das negligências políticas e administrativas, sendo sensibilizados a participarem ou se organizarem em associações para a luta da melhoria das condições de vida na periferia.

 

Referências

 

BONOTTO, D. M. B. Educação Ambiental e o Trabalho com Valores In: BONOTTO, D. M. B.; CARVALHO, M. B. S. S. (Org.) “Educação Ambiental e o Trabalho Com Valores: reflexões, práticas e formação”. São Carlos: Pedro& João Editores, p.35-55, 2012.

 

BONOTTO, D. M. B. “Contribuições para o trabalho com valores em Educação Ambiental”. Ciência e Educação, v.14, nº 2, p. 295-306, 2008.

 

CARVALHO, L. M. de. “A temática ambiental e o processo educativo: dimensões e abordagens”. In: CINQUETTI, H. C. S.; LOGAREZZI, A. (Orgs.). Consumo e resíduo: fundamentos para o trabalho educativo. São Carlos: EdUFSCar, p.19-41, 2006.

 

CRESPO, A. A. Estatística Fácil. 19.ed. São Paulo: Editora Saraiva, 2009.

 

HERMANN, N. “Estetização do mundo da vida e sensibilização moral”. Educação e Realidade. v.30, n.2, p.35-47, jul-dez/2005.

 

LA TAILLE, Y. de. “Para um estudo psicológico das virtudes morais”. Educação e Pesquisa, v.26, n.2, p.109-121, jul-dez/2000.

 

NUCCI, L. “Psicologia moral e educação: para além de crianças "boazinhas"”. Educação Pesquisa., vol.26, no.2, p.71-89. dez/2000.

 

SÁNCHEZ, L. E. Avaliação de impactos ambientais: conceitos e métodos. São Paulo: Oficina de textos, 2008.

 

SEVERINO, A. J. Educação, Sujeito e História. São Paulo: Olho d’Água, 2001.

 

TOLEDO, G. L.; OVALLE, I. Estatística Básica. 2. Ed. São Paulo: Editora Atlas, 2012.

 

TOZONI-REIS, M. F. de C. Compartilhando saberes: pesquisa ação educativa ambiental. In: FERRARO JÚNIOR, L. A. (Coord.). Encontros e caminhos: formação de educadoras(es) ambientais e coletivos educadores. Brasília: MMA, Diretoria de Educação Ambiental, p.269-276, 2005.

 

 

 

 

 



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