ISSN 1678-0701
Número 59, Ano XV.
Março-Maio/2017.
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10/03/2017PERCEPÇÃO AMBIENTAL SOBRE A DEGRADAÇÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS NA COMUNIDADE DE PESCADORES ARTESANAIS DE MIGUEL ALVES/BRASIL  
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PERCEPÇÃO AMBIENTAL SOBRE A DEGRADAÇÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS NA COMUNIDADE DE PESCADORES ARTESANAIS DE MIGUEL ALVES/BRASIL

 

Kelly Polyana Pereira SANTOS1, Irlaine Rodrigues VIEIRA2, Nelson Leal ALENCAR3, Romildo Ribeiro SOARES 4, Roseli Farias Melo de BARROS5

 

1, Bióloga. Doutoranda em Desenvolvimento e Meio Ambiente do Programa de Desenvolvimento e Meio Ambiente (MDMA) – PRODEMA/TROPEN/Universidade Federal do Piauí (UFPI). kellypolyana@hotmail.com

2. Bióloga. Doutora em Desenvolvimento e Meio Ambiente do Programa de Desenvolvimento e Meio Ambiente (MDMA) – PRODEMA/TROPEN/Universidade Federal do Piauí (UFPI). irlaine.vieira@yahoo.com.br

3, Biólogo, Prof. do Departamento de Biologia, UFPI. nelsonalencar@hotmail.com

4, Biólogo, Prof. do Departamento de Biologia, UFPI. romildo@ufpi.edu.br

5, Bióloga. Profa do Departamento de Biologia da UFPI e dos Programas de Mestrado e Doutorado em Desenvolvimento e Meio Ambiente (MDMA/DDMA) /PRODEMA/PRPPG/UFPI. Curadora do Herbário Graziela Barroso (TEPB).      

rbarros.ufpi@gmail.com

 

 

Resumo: Objetivou-se analisar a percepção ambiental da comunidade de pescadores artesanais de Miguel Alves/Brasil, com enfoque sobre os principais processos de degradação ambiental ocorrentes no rio Parnaíba, bem como compreender o papel da educação ambiental realizada na comunidade. Participaram do estudo 183 pescadores. Os dados foram obtidos através de entrevistas semiestruturadas, observação direta e registro fotográfico, os tratamentos estatísticos foram desempenhados no SPSS 20.0.  Os pescadores apontaram diversos problemas que afetam o rio Parnaíba: desmatamento nas margens do rio, soterramento de lagoas, assoreamento, poluição com produtos químicos e irrigação. 40% dos pescadores afirmam que encontram constantemente peixes mortos ou doentes no rio. Constatou-se que há um programa de educação ambiental desenvolvido na comunidade. Os resultados apontam para uma necessária formulação de estratégias que permitam o uso sustentável do rio Parnaíba.

Palavras-Chave: Degradação Ambiental. Educação Ambiental. Recursos naturais.

 

ENVIRONMENTAL PERCEPTION ON THE DETERIORATION OF WATER RESOURCES IN THE COMMUNITY FISHERMEN CRAFT OF MIGUEL ALVES / BRAZIL

 

Abstract: It is aimed was to analyze the environmental awareness of the fisherfolk community of Miguel Alves / Brazil, focusing on key environmental degradation processes occurring in the Parnaiba River, and understand the role of environmental education carried out in the community. The study included 183 fishermen. Data were collected through semi-structured interviews, direct observation and photographic record, the statistical procedures were performed with SPSS 20.0. The fishermen pointed out various problems affecting the river Parnaíba: deforestation on the banks of the river, burying ponds, siltation, pollution with chemicals and irrigation. 40% of fishermen say constantly find dead or sick fish in the river. It was found that there is an environmental education program developed in the community. The results point to a necessary formulation of strategies to enable sustainable use of the river Parnaíba.

Keywords: Environmental Degradation. Environmental Education. Natural resources.

 

INTRODUÇÃO

 

A percepção ambiental é definida como sendo uma tomada de consciência do ambiente pelo homem, ou seja, o ato de perceber o ambiente que se está inserido, aprendendo a proteger e a cuidar do mesmo (MARIN, et al. 2003). Cada indivíduo reage e responde diferentemente às ações sobre o ambiente em que vive. As respostas ou manifestações daí decorrentes são resultado das percepções dos processos cognitivos e expectativas de cada pessoa (FERNANDES et al. 2009). De acordo com Zampieron et al. (2003), é de fundamental importância o estudo da percepção, para que se possa compreender melhor as inter-relações entre o homem e o ambiente.

A percepção ambiental está relacionada com os índices de IDH da população e tem reflexo na visão de meio ambiente dentro do seu contexto social. O estudo da percepção ambiental serve de base para a melhor compreensão das inter-relações entre o homem e o ambiente, suas expectativas, satisfações e insatisfações, julgamentos e condutas (ZAMPIERON et al. 2003).

As ações humanas têm ocasionado problemas de caráter ambiental com diversas transformações em níveis local, nacional e global. Existe uma crescente preocupação de estudos relacionados às análises ambientais, particularmente no que se refere às intervenções da sociedade na natureza (BRUNA, 2004).

No Brasil, a ameaça à biodiversidade ocorre em decorrência, principalmente, do desenvolvimento desordenado de atividades produtivas. A degradação do solo, a poluição atmosférica e a contaminação dos recursos hídricos são alguns dos efeitos nocivos observados (BRASIL, 2005).

Os ambientes aquáticos são utilizados em todo o mundo com distintas finalidades, entre as quais se destacam o abastecimento de água, a geração de energia, a irrigação, a navegação, a aqüicultura e a harmonia paisagística (SPERLING, 1993). A utilização dos recursos hídricos se faz presente desde a existência do homem na terra, buscando desta forma, várias alternativas de sobrevivência que viesse desenvolver o sistema econômico social, político cultural.

Os recursos hídricos superficiais gerados no estado do Piauí estão representados pela bacia hidrográfica do rio Parnaíba, a mais extensa dentre as 25 bacias da Vertente Nordeste, ocupando uma área de 330. 285 km2, o equivalente a 3,9% do território nacional, e abrange o estado do Piauí e parte do Maranhão e do Ceará (AGUIAR; GOMES, 2004).

O rio Parnaíba, conhecido como "Velho Monge”, é um rio brasileiro que banha os estados do Maranhão e do Piauí. É um dos maiores rios do Nordeste (1.400km) tendo um importante papel sócio-econômico, devido principalmente pela potencialidade de seus recursos naturais que propiciam aptidão para o desenvolvimento de inúmeras atividades: pesqueiras e agropastoris, de navegabilidade, de energia elétrica, de abastecimento urbano, de lazer, dentre outras (IBGE, 2014).

Muitos pescadores artesanais dependem dos recursos hídricos para sua existência, pois apresentam modo de vida baseado principalmente na pesca, ainda que exerça outras atividades econômicas complementares, sobrevivendo assim basicamente dos recursos naturais locais (DIEGUES; ARRUDA, 2001).

As populações tradicionais passaram a ser consideradas importantes como atores responsáveis pela proteção do ambiente natural no qual estão inseridas. Neste sentido, a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio 92) enfatizou a necessidade de se proteger essas populações, assim como os conhecimentos dos quais são detentoras. A associação das características das populações tradicionais, principalmente no que se refere à utilização dos recursos naturais e ao processo oral de transmissão, são partes constituintes do conhecimento destas populações, que, segundo Diegues & Arruda (2001), é composto pelo conjunto de saberes e saber-fazer a respeito do mundo natural e sobrenatural, transmitido oralmente, de geração em geração.  

Os saberes culturais que permeiam as relações do homem tradicional com o meio ambiente são altamente necessários quando se discute a educação ambiental (EA) em comunidades tradicionais. A construção de um processo contínuo de (EA) é uma forma estratégica de inclusão de toda a comunidade na criação de um ambiente em que o ser humano conviva em equilíbrio com a natureza, preservando sua diversidade (KLAUCK; BRODBECK, 2010), tornando-se, dessa maneira um meio de abrir caminhos que podem beneficiar tanto a realidade social, quanto a ecológica, permitindo que a população seja participativa, perceba o seu potencial transformador e seu direito de reivindicar (PADUA, 2013).

Diante do exposto, objetivou-se analisar a percepção ambiental da comunidade de pescadores artesanais de Miguel Alves/PI, Brasil, com enfoque sobre os principais processos de degradação ambiental ocorrentes no rio Parnaíba, bem como compreender o papel da educação ambiental realizada na comunidade na proteção dos recursos naturais.

 

 

MATERIAIS E MÉTODOS

 

Miguel Alves (Figura 1) é um município brasileiro do estado do Piauí. Localiza-se a uma latitude 04º09'56" sul e a uma longitude 42º53'43" oeste, estando a uma altitude de 50 metros, dista 112 km da capital. Sua população estimada em 2015 era de 33. 075 habitantes. Apresenta densidade demográfica (23,17 hab./km²). Possui uma área de 1.393,7 km² (IBGE, 2014).

Limita-se ao norte com: Porto/Nossa Senhora dos Remédios /Estado do Maranhão; ao sul: União/Lagoa Alegre; leste: Barras/Cabeceiras do Piauí/Nossa Senhora dos Remédios; oeste Estado do Maranhão (IBGE, 2014).

Clima tropical sub úmido, com duração do período seco de seis meses, possui temperaturas médias entre 22°C a 37°C. A vegetação local é formada por floresta decidual secundária mista, caatinga/cerrado e cerrado floresta. A precipitação pluviométrica é de 1.668,4 mm. Seus cursos d’água são: rio Parnaíba, lagoas do riachão, da salina e da salmas e riachos da arara e da ameixa. Possui solos concrecionários tropicais, associados a areias quartzosas, solos hidromórficos e solos aluviais eutróficos (IBGE, 2014).

O estudo foi desenvolvido na comunidade de pescadores artesanais filiados à colônia Z-14, a qual tem como atual presidente o Sr. Raimundo Nonato Viana.  Fundada em 25 de abril de 1986, esta colônia está incorporada a Federação dos Pescadores do Estado do Piauí e possui 440 associados. Destes, apenas 366 pertencem ao município de Miguel Alves, enquanto que os demais estão distribuídos entre Buriti/MA, Duque Barcelar /MA e Coelho Neto/MA.

 Os pescadores apresentam como atividade principal de fonte de renda, a pesca, sendo esta complementada na maioria das vezes pela agricultura. A comunidade é formada por indivíduos que muito dependem dos recursos naturais que os cercam, principalmente em relação à utilização de fitoterápicos e pescados.

O tamanho da unidade amostral foi calculado pela fórmula sugerida por Barbetta (2006): [n=N.(1/E²0) /N+ (1/E²0)], onde n= nº de elementos da amostra, N= nº de elementos da população, E0²= erro amostral, 5% no caso deste estudo, sendo amostrados 183 pescadores.

As coletas de dados foram realizadas entre os meses de julho de 2015 a julho de 2016, por meio de observação direta, pesquisa bibliográfica para dar suporte teórico-metodológico sobre áreas de degradação ambiental, e realizadas entrevistas semiestruturadas (BERNARD, 1988), com auxílio de formulário padronizado com questões abertas. através de Tais entrevistas foram realizadas mediante permissão dos entrevistados através de aceite, conhecimento e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), em duas vias, uma pertencente ao entrevistado e outra ao pesquisador.

Posteriormente, as entrevistas foram transcritas em laboratório em conjunto com os dados referentes às conversas informais registradas em diário de campo com transcrições da fala, onde utilizou-se códigos (E = entrevistado (a), seguido do número da entrevista e idade), além do registro fotográfico dos locais da pesquisa.

As planilhas com as transcrições estão arquivadas no herbário Graziela Barroso (TEPB) da UFPI.

Os dados obtidos foram analisados de acordo com propostas qualitativas e quantitativas. Aos tratamentos estatísticos, foi criado um banco de dados no SPSS 20.0, em seguida construídos gráficos e tabelas nesse software. Foi utilizado o Excel para estruturar e organizar as tabelas.


 

Figura 1: Localização do município de Miguel Alves/PI, Brasil

Fonte: Adaptado dos dados do IBGE (2014)


RESULTADOS E DISCUSSÕES

 

Percepção ambiental sobre as atividades antropogênicas e degradação dos recursos hídricos

           

A atividade pesqueira é realizada no rio Parnaíba e nas lagoas do seu entorno, realizada individualmente, reunidos em dupla ou em equipes. Os dados demonstram que os frutos da atividade pesqueira artesanal em Miguel Alves é destinada a obtenção de renda e sustento da família, pois parte do pescado é destinado a alimentação familiar e parte é vendida no mercado do peixe da cidade, características referidas por autores como Pieve et al., (2007), Burda; Schiavetti (2008) e Santos et al. (2014).

De acordo com os relatos dos pescadores, são vários os problemas que atingem o rio Parnaíba (Figura 2) que consequentemente diminuem a quantidade do pescado, fazendo com que a profissão de pescador seja menos incentivada ao longo do tempo e que a qualidade de vida do pescador seja afetada drasticamente. Pereira et al. (2016) também constataram quais eram  os problemas ambientais eram mais decorrentes ao longo do rio Cariú/CE, foram enumerados que os esgotos lançados no rio eram o principal problema (39%); enquanto que o lixo (31%), seguido por desmatamento da mata ciliar (19%) e uso de agrotóxico (11%).  Moraes e Jordão (2002) ressaltam que há poucas regiões no mundo ainda livres dos problemas da perda de fontes potenciais de água doce, da degradação na qualidade da água e da poluição das fontes de superfície e subterrâneas. Os problemas mais graves que afetam a qualidade da água de rios e lagos decorrem principalmente do desmatamento, da agricultura migratória sem controle e de práticas agrícolas deficientes. Os ecossistemas aquáticos são perturbados, e as fontes vivas de água doce estão ameaçadas.

 

 

Figura 2: Problemas detectados no rio Parnaíba pelos pescadores artesanais da colônia Z-14, Miguel Alves/PI, Brasil.

Fonte: Pesquisa direta (Julho/2015).

 

A pesca é a principal atividade de geração de renda na comunidade, porém muitos pescadores realizam atividades secundárias a fim de aumentar o orçamento familiar (Figura 3). A principal atividade complementar é a agricultura, que, na opinião dos mesmos, torna-se fator principal do processo de degradação ambiental, pois é realizada nas margens do rio e sem manejo adequado. Os pescadores artesanais realizam as atividades secundárias porque a renda adquirida somente com o pescado não é o suficiente para a sobrevivência da família, o mesmo observado por Fuzetti e Côrrea (2009) e Foschiera e Pereira (2014).

 

 

Figura 3: Distribuição da população de pescadores em relação as atividades complementares realizadas na colônia Z-14, Miguel Alves/PI, Brasil.

Fonte: Pesquisa direta (Julho/2015)

 

Os pescadores ressaltam que o rio Parnaíba vem apresentando um processo de assoreamento bastante avançado no trecho que banha o município de Miguel Alves. Segundo eles, tal processo vem ocorrendo em função da retirada das matas ripícolas para dar ocupação à prática da atividade agrícola, pois 17,72% dos pescadores possuem roças nas margens do rio, ou ainda, em função da venda de terras fragmentadas para a atividade rizícola. Em estudo realizado sobre a degradação ambiental do córrego da bica do Estevão em Arapoema-TO, Silva e Pazera Júnior (2011) verificaram que após a retirada da mata ciliar do córrego, ocorreu o alargamento em suas margens o que favoreceu a progressão de processos erosivos.

 A ação antrópica pode contribuir para o processo erosivo dos solos de diversas maneiras. A retirada da vegetação, além de afetar a biodiversidade acelera o processo da erosão. As análises de degradação ambiental de rios também foram objetos de estudo de Freire et al. (2014) e Morais et al. (2014).

Os pescadores relataram que parte da poluição do rio Parnaíba vem da agricultura mecanizada da rizicultura, e outra, das pequenas roças de subsistência cultivadas na beira do rio. Poluentes são inseridos na natureza e provocam reações que acabam por desequilibrar o meio. Os prejuízos causados por esse tipo de poluição vão desde o ambiental, econômico e social, podendo tornar impróprios para a vida os ambientes onde o resíduo foi depositado, desencadeando impactos ambientais negativos ao meio ambiente, tornando-o impróprio para quaisquer atividades. De acordo com Moraes & Jordão (2002), Armas e Monteiro (2005), Dellamatrice e Monteiro (2014) e Vale et al. (2015),  o uso de  poluentes podem atingir os lençóis freáticos, contaminando cursos d’águas. Os autores também ressaltam que as atitudes comportamentais do homem, desde que ele se tornou parte dominante dos sistemas, têm uma tendência em sentido contrário à manutenção do equilíbrio ambiental. Não podendo criar as fontes que satisfazem suas necessidades fora do sistema ecológico, o homem impõe uma pressão cada vez maior sobre o ambiente.

A comunidade de pescadores afirma que há contaminação das lagoas próximas ao rio, tornam-na imprópria para a pesca e o consumo de água. Quando o pescador entra em contato com águas e solos contaminados por poluentes, há a possibilidade de contaminação de doenças, dependendo do poluente e da concentração na qual ele se encontra, esse contato pode até provocar óbito.

A irrigação como ferramenta de apoio ao pequeno agricultor/pescador é destacada por estes, como atividade que apresenta desperdício de parte da água, havendo uma diminuição do volume de água do rio Parnaíba, em relatos, destacaram ainda que é necessário o uso consciente desse recurso afim de não prejudicar a  atividade pesqueira.

Segundo a percepção dos pescadores, outro impacto detectado no rio Parnaíba, ocorre devido ao soterramento das lagoas, desencadeado em função da preparação do solo para o plantio de arroz. Com isso, houve uma diminuição considerável dos números de lagoas que são utilizadas para o consumo geral de água e pesca. Durante o período chuvoso (janeiro, fevereiro e março) parte da água do rio, juntamente com uma quantidade considerável de peixes era levada para as lagoas, local onde os pescados completavam seu desenvolvimento, com o soterramento, toda essa dinâmica foi alterada. Há atualmente segundo relatos, apenas duas lagoas disponíveis para a pesca, antigamente esse número passava dos 50.

 

Percepção dos pescadores sobre as alterações na ictiofauna e suas possíveis causas e conseqüências

 

No tocante a produção pesqueira, 100% dos pescadores afirmaram está havendo diminuição na quantidade de pescados, relataram ainda, que a diminuição vem ocorrendo nos últimos dez anos, isso se justifica, segundo estes, principalmente a falta de enchente (22,95%), o que acarreta um baixo nível de água e conseqüentemente a escassez do peixe (Figura 4).

Figura 4: Fatores que contribuem para a diminuição da quantidade de pescado na colônia Z-14, Miguel Alves/PI, Brasil.

Fonte: Pesquisa direta (Julho/2015).

 

A pesquisa mostra que 40% dos pescadores já encontraram peixes mortos ou doentes no rio, estes reconhecem o peixe doente através de suas características morfológicas, pois apresentam coloração alterada, na maioria das vezes o peixe está esverdeado. O número de peixes com estes aspectos chega a dobrar quando se referem às lagoas, pois essas, segundo os entrevistados, são as mais afetadas antropicamente, Essas características moforlogicalmente alteradas dos pescados, podem ser indicativo de poluição nesses corpos d água.

Quanto à diminuição do tamanho dos peixes, 100% dos entrevistados afirmaram que houve redução na dimensão destes. Os pescadores acreditam que a diminuição no tamanho dos peixes ocorre porque não há tempo para que estes se desenvolvam, uma vez que são continuamente expostos à poluição proveniente dos impactos da implantação da rizicultura e da agricultura de subsistência, ou ainda sofrem com a captura por enganchos com tamanho de malha inapropriados. Vale ressaltar que os enganchos podem variar de tamanho de acordo com o pescado que se queira capturar, esse dimensão vai de 3cm a 12cm, sendo os tamanhos mais adequados estão entre 5cm e 12cm, pois eles capturam peixes médios a grandes.

O utensílio mais utilizado localmente para a pesca é o engancho (Figura 5), rede de espera em formato retangular, confeccionada com linha de nylon (também conhecida como linha americana), isopor e chumbo. É colocada geralmente por dois homens em locais rasos do rio onde fica por aproximadamente 24 horas. Sua função é capturar peixes de diversos tamanhos e espécies que ficam presos entre os espaços existentes entre um nó e outro do instrumento.

Na busca pela sobrevivência, o pescador se utiliza de medidas alternativas através de mudanças na diminuição no tamanho da malha de suas redes a fim de permitir a captura de peixes, devido a não existências de pescados de grande porte, corroborando com Netto et al. (2002), onde também correlacionaram artefato utilizado x produto pescado, citando o engancho como o mais utilizado, pois este é capaz de capturar uma variedade de peixes maior.

 

 

Figura 5: Artefato de pesca (Engancho) utilizado na captura dos peixes em Miguel Alves/PI.

Fonte: Santos, K. P. P (Julho/2015).

 

Por conta da queda nos estoques de peixe, pode-se dizer que a base econômica da população ribeirinha de Miguel Alves está alterada. Uma prova disso é que 37,97% dos entrevistados hoje pescam apenas para alimentação, uma vez que, segundo os mesmos, em suas pescarias não há peixe suficiente para o consumo de casa e para a venda. No entanto, todos afirmaram já ter sobrevivido da pesca em anos anteriores quando a abundância de peixes no rio era maior.

Quando questionados se gostariam que seus filhos seguissem a profissão de pescador, 95% dos entrevistados afirmaram que não. Dentre os motivos relatados estavam: “É uma vida sofrida”, “Viver da pesca não tem mais futuro”. Os relatos recorrentes em torno da escassez do peixe é um dos fatores que desestimulam os pais a desejarem que seus filhos sigam na ocupação. Costa (2009), Venturato e Valencio (2009), em estudo com os pescadores artesanais de Mato Grosso e São Paulo respectivamente, também constataram que muitos manifestam sentimentos de insatisfação com a atividade, afirmam ser até prazeroso a pescaria, outros demonstram fortemente a vontade de mudar de profissão, embora saibam que isso seria muito difícil devido à idade avançada para o mercado de trabalho, ficando sem perspectiva em ter outra atividade profissional e esperam se aposentar nessa atividade.

 Nessa perspectiva de estudo, Gondim (1999) afirma que é preciso fornecer acesso aos recursos pesqueiros com responsabilidades, pois os pescadores enfrentam problemas como a desvalorização da profissão do pescador, que significa a dificuldade de manter-se membro de uma comunidade de pescadores e com uma qualidade de vida satisfatória.

 

Educação ambiental na comunidade de pescadores artesanais de Miguel Alves/PI

 

Na comunidade de pescadores artesanais de Miguel Alves, constatou-se que há um programa de educação ambiental voltada para a valorização e respeito aos recursos naturais, essa programação é desenvolvida pela prefeitura municipal em conjunto com a colônia de pescadores Z-14 e o IBAMA.  Na ocasião, são realizadas palestras, oficinas e reuniões, a fim de conscientizar a população local sobre o valor e a utilização sustentável dos recursos naturais. Sobre educação ambiental, Lucena (2010), Menezes (2011), e Alves (2012), sugerem que é importante a implantação de um programa de educação ambiental, pois auxilia na conscientização das pessoas que se utilizam dos rios diariamente.

Para Reigota (1998), a educação ambiental exerce um papel fundamental na formação social, ética e moral de qualquer indivíduo. È a partir dela que o sujeito agrega sentimentos, valores, condutas e posicionamentos frente às imposições sociais no cotidiano. Algumas estratégias de trabalho de educação ambiental são desenvolvidas na comunidade de pescadores artesanais como forma de incentivo a preservação ambiental: Organização de seminários, Encontro de Educação Ambiental, todos com a participação do poder público, da sociedade em geral e das populações tradicionais locais

Os encontros realizados na sede da colônia com os pescadores tornaram-se um momento em que cada um mostrou sua insatisfação perante as dificuldades que estão enfrentando, bem como a apresentação de possíveis soluções por parte da colônia e do IBAMA.

Quando questionados sobre o que eles tem feito para a preservação dos bens naturais, 54,64% dos entrevistados afirmaram que respeitam o período da piracema, que vai de 15 de novembro a 16 de março, 19,15% só pescam com malha de tamanho superior a 5cm, 16,39% afirmam não usar agrotóxico nos plantios, 8,19% buscam seguir a risca tudo que é orientado pela colônia e ABAMA, e 1,63% respeitam as margens do rio, não retirando plantas pra a construção de canoas ou casas.  

Nos depoimentos dos participantes desta pesquisa fica evidente que a educação ambiental está presente, embora a maioria não tenha freqüentado a escola por muito tempo, adquiriram conhecimentos e admitem que muito do que aprenderam foi no dia-a-dia. Guarim Neto (2001) considera a Educação Ambiental como um sensibilizador para o ambiente e que o conhecimento não-escolarizado tem forte perspectiva para a educação-escolarizada: Nesses espaços de vivência e de pluralidade de experimentações, impregna-se um saber próprio que define, em muitos casos, entre as comunidades humanas inseridas nesse ambiente, características biorregionais de fundamental importância para a manutenção das relações ecológicas, educativas, sociais, econômicas e culturais.

 

Eu nunca fui pra escola não, mas eu aprendi muita coisa dessa vida... sei que a lua influência no peixe, nas noites de lua crara num pega peixe de iscama, só pega de dia, e que de noite pega peixe de couro,  e se eu quiser ter peixe, tenho que respeitar a piracema, isso ninguém me falou não, fui vendo no dia-a-dia mesmo”. (E. 83, 61 anos).

 

Por este relato, observa-se a importância dado aos recursos naturais por parte da comunidade local, que de forma tácita, compreende os processos da natureza, embora não tenha acesso à educação formal. Nessa perspectiva Reigota (1988) destaca que a Educação Ambiental deve orientar-se para a comunidade, deve procurar incentivar o indivíduo a participar ativamente da resolução dos problemas no seu contexto de realidades específicas.

 

CONCLUSÕES

 

Os pescadores possuem uma percepção ambiental acerca dos impactos presentes no rio Parnaíba e lagoas, para estes, isso decorre das atuais formas de uso e ocupação, principalmente relacionadas aos tipos de agricultura realizados próximo aos cursos d água, provocando desmatamento das margens com a retirada da vegetação nativa.

Os pescadores perceberam que a configuração da atividade pesqueira está sendo alterada no tocante ao número e tamanhos de pescados, tendo como conseqüência uma mudança no utensílio engancho utilizado na captura dos peixes. Esse processo se configura como uma transformação na forma de trabalho do pescador.

Desse modo, os pescadores demonstraram estar conscientes da necessidade de preservação ambiental, apontando sua preocupação com a diminuição crescente do estoque de peixes, pois sentem que sua vida cotidiana está intimamente relacionada à preservação das espécies.

Embora não tivesse acesso à escola formal, os pescadores demonstraram possuir conhecimentos empíricos e bem detalhados acerca dos recursos naturais. Estes são conscientes da importância de se respeitar os ciclos da natureza, e da necessidade da continuidade da atividade pesqueira.

Na visão dos pescadores, o rio Parnaíba continua sendo um importante recurso hídrico no que tange aos aspectos sociais e econômicos, pois contribui para o sustento de famílias ribeirinhas, apesar da reduzida qualidade ambiental.

A educação ambiental é realizada de forma pontual através de palestras, oficinas e reuniões promovida pela Colônia Z-14, Prefeitura Municipal e IBAMA, como objetivo de conscientizar os pescadores a usar de forma sustentável os recursos que os cercam.

 

REFERÊNCIAS

 

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