ISSN 1678-0701
Número 63, Ano XVI.
Março-Junho/2018.
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10/03/2018ATUAÇÃO E CONCEPÇÕES SOBRE EDUCAÇÃO AMBIENTAL DE PROFESSORES DO ENSINO FUNDAMENTAL: UM ESTUDO DE CASO EM SÃO GABRIEL/RS  
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Revista Educação ambiental em Ação 33

ATUAÇÃO E CONCEPÇÕES SOBRE EDUCAÇÃO AMBIENTAL DE PROFESSORES DO ENSINO FUNDAMENTAL: UM ESTUDO DE CASO EM SÃO GABRIEL/RS


Mirla Andrade Weber1, Josiane Martins Flores1, Rosângela Silva Gonçalves Nunes1

2 Beatriz Wardzinski Barbosa


1Campus São Gabriel, Universidade Federal do Pampa

2 Programa de Pós-graduação em Ciência do Solo, Universidade Federal de Santa Maria


Resumo: A Educação Ambiental objetiva construir no indivíduo conhecimentos, habilidades e atitudes para à conservação do ambiente. A escola é o principal local para o desenvolvimento desta atividade e o professor o elemento-chave. Este trabalho objetivou conhecer as concepções de professores sobre Educação Ambiental.


Abstract: Environmental education aims to build on the individual knowledge, skills, attitudes and abilities focused on environmental conservation. As the school is the main place for the development of this activity, having the teacher as the key element, this work aimed to know the teachers conceptions about environmental education


Introdução

A educação é um processo constante extremamente importante na formação do sujeito e da cidadania, tendo como um de seus objetivos a formação de mentes críticas, cidadãos conscientes e atuantes, que possam avaliar e questionar tudo o que lhes é oferecido. Atualmente vivemos numa sociedade que enfrenta várias problemáticas sociais, econômicas, éticas e ambientais. Neste contexto, frente às questões ambientais, também é necessário a formação de cidadãos críticos e conscientes. Neste sentido, tem-se os objetivos da Educação Ambiental (EA).

A Lei nº 9.795/99, que dispõe sobre a EA e instituiu a Política Nacional de Educação Ambiental, expressa que,


Entendem-se por EA os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade (BRASIL, 1999).


A escola é o espaço mais adequado para o desenvolvimento de atividades voltadas para a reflexão sobre as questões ambientais, sendo que através destas atividades a EA pode contribuir eficazmente para a formação de sujeitos mais críticos, conscientes e éticos. Portanto, o professor passa a ser a figura-chave no processo de implementação da EA no currículo escolar, sendo que frente a uma crise ambiental na qual se inserem os sujeitos, as atividades desenvolvidas na escola devem observar a sua dimensão cultural e imaginária, oferecendo oportunidades, ao professor e aluno, para a construção e reconstrução de representações mais adequadas a um novo significado e papel a ser desempenhado por eles no domínio ambiental (GAZZINELLI, 2002).

Na EA, além do tipo de conhecimento desenvolvido pelo professor, também são importantes suas conexões com a difusão de temas e conceitos relativos à área, porque o trabalho escolar com a EA tem buscado o desenvolvimento de valores, atitudes e comportamentos humanos que considerem a relação entre sociedade e natureza. Para alcançar tais objetivos, a EA encontra interface na habilidade dos professores em desenvolverem meios de ensinar - atividade por si só complexa e sujeita a situações inesperadas (MENDES; VAZ, 2009).

Neste sentido, o professor tem papel indispensável, tornando-se extremamente necessário avaliar os saberes docentes sobre a temática ambiental para podermos entender os possíveis caminhos de sua prática social e pedagógica, conhecer suas concepções e como agem frente às questões ambientais no contexto local e escolar (AZEVEDO; FERNADES, 2010).

A presente pesquisa teve como objetivo conhecer as concepções dos professores sobre a EA, investigar o desenvolvimento deste tema na sua formação acadêmica e as práticas desenvolvidas por estes em uma escola municipal de ensino fundamental de São Gabriel, RS.


Metoeriais e Métodos

Esta pesquisa foi uma atividade desenvolvida dentro de um projeto de extensão realizado em uma escola municipal de ensino fundamental de São Gabriel, RS, que teve como objetivo desenvolver atividades de EA com alunos de quinto e sexto ano. As atividades do projeto ocorreram no período da manhã e foram desenvolvidas durante todo o período letivo de 2015.

Em junho do mesmo ano, foi aplicado um questionário confidencial a 12 dos 14 professores da escola com o objetivo de adquirir informações relacionadas à percepção destes sobre a EA e o que os mesmos têm desenvolvido em relação à temática. A aplicação dos questionários ocorreu no período destinado a reuniões semanais de professores, em duas etapas: uma com sete docentes, no turno da manhã, e outra com 5, no turno da tarde. Todos os participantes autorizaram o uso dos dados para fins de pesquisa.

O questionário apresentava 30 questões: 18 questões objetivas e 12 dissertativas e foi dividido em três partes. A primeira parte visava conhecer a formação e a área de atuação profissional dos entrevistados. A segunda parte pretendia conhecer as ações e opiniões dos professores a respeito da EA. Já a terceira parte buscava identificar as atividades de EA elaboradas ou não com seus alunos e por qual motivo. Neste trabalho não são discutidas todas as questões.


Resultados e Discussão

Para manter o anonimato dos participantes da pesquisa, os professores receberam as seguintes denominações: P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7, P8, P9, P10, P11 e P12. Em relação à formação acadêmica, cinco dos doze professores são formados em Pedagogia, dois em Educação Física, dois no Magistério, um em Matemática, um em Letras/Literatura Brasileira e um em Ciências Sociais. O tempo de atuação na profissão variou dos quatro aos trinta e três anos. Na Tabela 1 encontra-se a formação, tempo de atuação na profissão e disciplinas ministradas pelos entrevistados.


Tabela 1 - Perfil dos professores entrevistados. São Gabriel, 2015.

Professores

Formação profissional

Tempo de atuação na profissão

Disciplinas ministradas

P1

Letras/Literatura Brasileira

Quatro anos

Literatura e Língua Portuguesa

P2

Pedagogia

NR

Anos iniciais

P3

Pedagogia

Vinte anos

Sala de recursos

P4

Matemática

Cinco anos

Matemática/Supervisão

P5

Ciências Sociais

Cinco anos

Educação Física, Artes, Ensino Religioso

P6

Educação Física

Cinco anos

NR

P7

Educação Física

Quinze anos

Educação Física, Artes, Ensino Religioso

P8

Pedagogia

Trinta e três anos

Anos iniciais

P9

Pedagogia

Quinze anos

Arte, Ensino Religioso, Língua Portuguesa

P10

Pedagogia

Quinze anos

Arte, Ensino Religioso, História e Geografia

P11

Magistério:

Ciências

Vinte e nove anos

NR

P12

Magistério

Quinze anos

Anos iniciais

Fonte: Questionários, 2015. NR = Não respondeu.


Dos doze professores, apenas 16,7% tiveram alguma abordagem sobre EA durante sua graduação, 25% revelaram que a temática não foi desenvolvida com eles e 58,3% responderam que não recordavam se este conteúdo tinha sido trabalhado durante seu curso de graduação. Estas observações vão ao encontro do estudo realizado por Guimarães e Inforsato (2012), os quais entrevistaram 24 professores e 24 formandos em Ciências Biológicas de Piracicaba. Dos professores entrevistados, 76% responderam que não discutiram EA durante a sua formação inicial e 43% responderam que este tema não foi discutido em nenhuma disciplina. Em relação aos formandos, a maioria respondeu que este tema não foi discutido em nenhuma disciplina da graduação - o que indica a fragilidade da formação crítica do professor de Ciências Biológicas em relação à EA. Segundo estes autores, essa formação necessita ser tratada de forma mais rigorosa na Universidade e nas licenciaturas em Ciências Biológicas para que os profissionais graduados possam atuar, efetivamente, na formação cidadã para uma sociedade mais sustentável.

Em estudo realizado sobre 15 cursos de licenciatura de uma Universidade do Rio Grande do Sul, Costa (2009) observou que apenas o curso de Ciências Biológicas pontua a EA como um dos seus objetivos; e somente os cursos de Ciências Biológicas e Geografia demarcam a variável ambiental no perfil do licenciado, evocando de modo genérico a necessidade de uma consciência socioambiental na execução da sua atividade docente, oferecendo a Disciplina Complementar de Graduação EA. Chaves e Farias (2005) observaram que os professores queixam-se que, com a atual formação, não estariam preparados para uma atuação interdisciplinar, postura inerente aos projetos de EA.

Além disso, pesquisas sobre formação de professores em EA tem mostrado que ações pontuais não têm sido suficientes para a incorporação da dimensão ambiental no currículo e a institucionalização da EA na escola. Estes trabalhos têm demonstrado que a EA, em muitos casos, continua sendo tratada de forma tradicional e conservadora. A formação crítica dos educadores ambientais tem sido frágil em relação às práticas de EA (TAGLIEBER, s/ano).

Quando questionados se trabalhavam EA com seus alunos, 83,33% responderam que sim, e 75% responderam que outros professores desenvolviam projeto de EA na escola. Em relação à questão que abordava se o projeto político pedagógico da escola contemplava EA, 41,7% afirmaram que sim, enquanto 8,3% confessaram que nunca leram o documento e 50% dos professores responderam que não se lembravam.

Dos entrevistados, 75% responderam que participam de cursos de formação e capacitação direcionados à sensibilização e conscientização da sociedade a respeito das diferentes problemáticas ambientais. Ao serem perguntados sobre os cursos, a maioria dos professores lembrou apenas do tema sobre Coleta Seletiva. Outros indicaram o curso AESul na Comunidade ou cursos oferecidos pela Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) e pela Secretaria Municipal de Educação (SEME).

Na pesquisa realizada por Azevedo e Fernandes (2010), foi observado que 72% dos professores entrevistados nunca participaram de cursos na área ambiental. Aqueles que participaram, citaram temáticas observadas neste estudo: Reciclagem de lixo e água e Saneamento e EA.

Pode-se observar pelas respostas à questão “O que é Educação Ambiental?”, que estes docentes possuem dificuldades em defini-la e que não há uma compreensão de que são processos que promovem a construção individual e coletiva de valores e aspectos relacionados à conservação do meio ambiente. Segundo revisão e discussão realizada por Lima e Oliveira (2011), há duas concepções principais de EA. Uma conservadora e tradicional, que é apolítica e é voltada para a transmissão de conhecimento (ensino de Ecologia), e outra transformadora e crítica, que visa uma mudança de realidade, pela reflexão do funcionamento dos sistemas sociais e ecológicos.

A maioria dos entrevistados possui uma visão de ambiente que se enquadra como conscientizadora e preservacionista, como pode ser observado nos comentários dos professores (Tabela 2). Estes dados vão ao encontro daqueles encontrados por Lima e Oliveira (2011), os quais observaram em duas escolas do Mato Grosso que 74% e 86% dos professores tem uma visão conservacionista/recursista da EA, ou seja, que esta tem por finalidade a conservação do meio ambiente e dos recursos naturais.

Concepções errôneas ou parciais sobre a EA podem comprometer a incorporação deste tema e seus aspectos nas propostas de ensino de futuros professores (SILVA; CARVALHO, 2012). Na pesquisa destes autores foi observado que não há por parte dos futuros professores de Física um entendimento mais amplo do significado da EA, o que se reflete sobre as concepções de ensino e de práticas culturais e pedagógicas. Somado a isso, estes licenciandos em Física acreditam que a EA deve ser abordada na escola exclusivamente por especialistas, no caso, os professores de Biologia.

Na questão sobre os documentos que os entrevistados tinham conhecimento, 58,33% conheciam os PCN’s, 25% a Agenda 21, 16,67% a Declaração de Estocolmo e 8,33 % a Lei Federal n. 9.795/99-PNEA. O conhecimento dos PCN’s é muito importante, visto que no volume 9 é explicitado sobre a importância da temática ambiental, ressaltando a importância de o professor conhecer esta temática (AZEVEDO; FERNANDES, 2010). Segundo este volume, a principal função da escola em relação ao tema meio ambiente é:

Contribuir para a formação de cidadãos conscientes, aptos para decidirem e atuarem na realidade sócio-ambiental de um modo comprometido com a vida, com o bem-estar de cada um e da sociedade local e global. Para isso é necessário que, mais do que informações e conceitos, a escola se proponha a trabalhar com atitudes, com formação de valores, com o ensino e a aprendizagem de habilidades e procedimentos. E esse é um grande desafio para a educação (PCN, 2000, p. 29).


Tabela 2 - Respostas dos professores à questão “Para você, o que é Educação Ambiental?”. São Gabriel, 2015.

Professores

Para você, o que é Educação Ambiental?

P1

É a conscientização da importância de se preservar o meio ambiente.”

P2

É preservar, conhecer e desenvolver meios e atitudes para conhecer e melhorar o ambiente que vivemos.

P3

É trabalhar assuntos relacionados ao ambiente, plantas, solo, água procurando despertar para a preservação e cuidado com o ambiente.”

P4

É a educação diária onde devemos estar conscientizados da importância do ambiente em que vivemos.”

P5

É termos a consciência de que os recursos são finitos e que temos que pensar nas gerações futuras.”

P6

Consciência ambiental, conscientização sobre a importância da preservação do meio ambiente”

P7

Educar para conseguir uma conscientização sobre tudo que está relacionado ao meio ambiente.”

P8

Uma conscientização sobre o meio ambiente.”

P9

É todo o cuidado que devemos ter com o meio ambiente que vivemos.”

P10

Como devemos nos comportar em relação ao meio ambiente, abrangendo vários aspectos como: preservação, economia de água, reciclagem.”

P11

É ser educado no ambiente onde estamos (sala de aula, escola, nossa casa, cidade...).”

P12

Na educação ambiental, aborda a preocupação com o Meio Ambiente, campanhas para que haja conscientização das pessoas a respeito, no seu dia-a-dia, seja em casa, no trabalho, em qualquer lugar em que estamos, com pequenas mudanças de hábitos de consumo, alimentação, contribuindo para desenvolver a consciência ecológica das pessoas.”


O desconhecimento em relação à Agenda 21, Declaração de Estocolmo e Lei Federal n. 9.795/99-PNEA também foi observado por Azevedo e Fernandes (2010), quando entrevistaram 18 professores de uma escola estadual de Minas Gerais em 2008. Segundo estes autores, o conhecimento destes documentos não significa que o desenvolvimento da EA na escola seja bem realizado. Entretanto, seu conhecimento é fundamental para orientar as ações pedagógicas. Estas observações demonstram algumas das limitações que a escola enfrenta para o desenvolvimento da EA, visto que é essencial o conhecimento dos professores sobre esta temática.

Em relação à opinião dos professores sobre como consideram o ensino sobre as questões ambientais em sala de aula, 33,33% consideram “bom” e o restante considera “regular”. Estes citam que a pouca exploração deste tema nos anos iniciais, a falta de debate em sala de aula, a falta de prática, o tema ser trabalhado apenas no dia do meio ambiente, entre outros, são aspectos que devem ser melhorados na EA.

Do total de entrevistados, 33,3% gostariam de receber informações referentes a como desenvolver a EA na escola. Destes professores, a maioria gostaria que fossem utilizados cursos, indicação de textos, livros e revistas, sites na Internet, oficinas, palestras e vídeos. Apesar da questão apresentar a alternativa “não gostaria”, 66,7% deixaram a questão em branco.

A terceira parte do questionário foi destinada apenas aos professores que responderam “sim” à pergunta “Você trabalha Educação Ambiental com seus alunos?”. De acordo com esses entrevistados, a EA é trabalhada principalmente com os temas voltados para preservação; conscientização; coleta seletiva e/ou reciclagem. Segundo Palmieri e Cavalari (2013), os principais temas de EA trabalhados nas escolas brasileiras são recursos hídricos (83%) e resíduos sólidos (71%).

Além de contínua, a EA necessita de integração com os conteúdos abordados em sala de aula. Entretanto, 66,7% dos professores assumiram que as atividades de EA têm sido desenvolvidas em momentos determinados do ano letivo, como por exemplo, Feira de Ciências, gincanas e Semana do Meio Ambiente.

Já em relação às práticas do ensino de EA em sala de aula, a metodologia utilizada é baseada no método empirista, isto é, tem ocorrido com base nas experiências dos entrevistados. A Tabela 3 apresenta os espaços mais utilizados para o desenvolvimento das atividades de EA; os recursos pedagógicos mais utilizados e as temáticas ambientais mais frequentes desenvolvidas com os alunos.


Tabela 3 - Espaços; recursos e temáticas ambientais utilizadas para a inserção da EA na escola. São Gabriel, 2015.

Professores

Espaços

Recursos pedagógicos

Temáticas ambientais

P1

-

-

Reciclagem do lixo, preservação da natureza, plantação de mudas e seu cultivo, diminuir o consumo de água e falar sobre água potável, boa para o consumo.

P2

Sala de aula

-

-

P3

-

Multimídia e livros

-

P4

-

-

-

P5

-

-

Degradação do meio ambiente

P6

Espaço escolar

Aula expositiva, filmes e teatro

Coleta seletiva, poluição e lixo

P7

-

-

-

P8

Pátio da escola e o bairro

-

Lixo e árvores

P9

Sala de aula, bairro, pátio da escola

-

Consumo da água, coleta seletiva

P10

Pátio e rua da escola

Livros de história, revistas, vídeos

Lixo economia de de água, reciclagem, desmatamento

P11

-

Passeios, amostra de trabalhos feitos pelos alunos, palestras

Água, meio ambiente e lixo reciclavel

P12

Sala de aula

Livros e gravuras

Lixo no lixo-reciclagem, meio ambiente- alimentação-ambiente escolar

Fonte: Questionários, 2015.


Sobre as temáticas ambientais mais frequentes desenvolvidas com os alunos foram identificados dois temas prioritários: o lixo/reciclagem e a água. Sem dúvida, as escolhas podem estar vinculadas à ampla divulgação desses temas na mídia (televisão, Internet, jornais/revistas).

No que se refere à participação, 66,7% dos professores afirmaram que os alunos participaram ativamente das atividades desenvolvidas no projeto, e que os instrumentos para avaliar o desempenho dos alunos incluem observações, interesse, envolvimento e participação nas atividades.

Dos entrevistados, 25% garantiram que as ações de EA por eles desenvolvidas se expandiram para a comunidade. Entretanto, ao serem analisadas através de que ações, percebe-se uma fragilidade: “Os alunos da escola de 15 em 15 dias saiam pelo bairro para recolher recicláveis... pois a escola fazia a venda dos recicláveis”; “coleta de lixo e trabalho de arvorização”; “os alunos levam aos pais, irmãos, etc”. As ações de EA deveriam promover a conscientização/sensibilização ambiental da comunidade, onde os alunos estão inseridos ao invés de simplesmente levar a família para dentro da escola sem real objetivo. A utilização de questões abertas é tida como uma dificuldade, já que é difícil comprovar respostas. No entanto, o projeto das árvores permite tais comprovações, visto que apesar da escola contar com espaço destinado a recreação e atividades esportivas, em toda a sua extensão, ela não possui nenhuma árvore.

A falta de tempo para pesquisa foi descrita como a principal dificuldade encontrada pelos professores para o desenvolvimento das atividades de EA. Metade dos professores mencionou que gostariam de ter desenvolvido atividades interdisciplinares ou mais práticas e passeios (dentro e fora da cidade). A outra metade deixou a questão em branco.

Segundo os próprios professores, quase 70% deles desenvolvem projetos na escola, porém alguns professores não responderam sobre a avaliação final do projeto desenvolvido. Os outros professores acreditam que “O trabalho é importante e sempre se tem pontos positivos, uma vez que com os pequenos, é mais fácil a conscientização”. No entanto, nem todos partilham dessa ideia: “O projeto foi lançado e desenvolvido, mas não foi satisfatório devido a pouca colaboração de pessoas que não deram continuidade ao projeto”.

Em relação à experiência adquirida, 55,5% dos professores disseram que desenvolveriam outro projeto de EA futuramente.

Os resultados observados neste estudo sobre as percepções dos professores com relação ao que estes entendem ser a EA demonstram que os professores entrevistados apresentaram percepções desprovidas de reflexões críticas. É possível observar que os entrevistados possuem formação acadêmica dentro de suas áreas, mas não estão preparados para trabalhar EA de uma forma participativa. Além disso, demonstram conhecimentos insuficientes para construir saberes críticos juntamente a seus alunos.

Em trabalho desenvolvido por Azevedo e Fernandes (2010), as respostas dos professores demonstram que os maiores desafios enfrentados para conseguir a inserção da EA em sua prática escolar são a motivação, a participação, a informação e a mudança de conceitos muitas vezes dos próprios docentes e dos alunos, e que essa mudança de concepção se constitui numa ferramenta imprescindível para modificar o paradigma ambiental da comunidade em geral.

Para o adequado desenvolvimento de atividades dentro da EA é necessário que os profissionais da escola estejam preparados, não bastando que a EA se torne uma disciplina obrigatória, visto que sua característica é a interdisciplinaridade e que deve ser desenvolvida em todos os níveis do ensino (TRAVASSOS, 2001).


Considerações Finais

Os professores entrevistados não receberam durante sua formação na Universidade treinamento para a inserção da EA na sua atividade docente.

O conceito de EA dos entrevistados é incompleto e a maioria deles possui uma visão de ambiente que se enquadra como conscientizadora e preservacionista.

As temáticas ambientais mais trabalhadas na escola são lixo/reciclagem e água.

A principal dificuldade quanto à inserção da EA na escola mencionada pelos entrevistados foi a falta de tempo para pesquisa.


Bibliografia

AZEVEDO, D. S.; FERNANDES, K. L. F. Educação ambiental na escola: um estudo sobre os saberes docentes. Educação em Foco, v. 14, n. 2, p. 95-119, set/2009-fev/2010. Disponível em: <http://www.ufjf.br/revistaedufoco/files/2011/10/Artigo-05-14.2.pdf>. Acesso em: 05/01/2017.


BRASIL. Ministério da Educação e Cultura/Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Meio ambiente e saúde. Brasília, v. 9, 2000.


CHAVES, A. L.; FARIAS, M. E. Meio ambiente, escola e a formação dos professores. Ciência & Educação, v. 11, n. 1, p. 63-71, 2005. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ciedu/v11n1/06.pdf>. Acesso em: 11/01/2017.


COSTA, R. G. A. Um olhar crítico sobre a educação ambiental na formação de professores em uma instituição de ensino superior gaúcha. Revista Eletrônica do Mestrado em Educação Ambiental, v. 22, p. 177-187, jan-jul 2009. Disponível em: <https://www.seer.furg.br/remea/article/view/2824/1591>. Acesso em: 11/01/2017.


GAZZINELLI, M. F. Representações do professor e implementação de currículo de educação ambiental. Cadernos de Pesquisa, n.115, p.173-194, 2002. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100-15742002000100007&script=sci_abstract&tlng=pt>. Acesso em: 11/01/2017.


GUIMARAES, S. S. M; INFORSATO, E. C. A percepção do professor de biologia e a sua formação: a educação ambiental em questão. Ciência & Educação, v. 18, n. 3, p. 737-754, 2012. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-73132012000300016>. Acesso em: 02/01/2017.


LIMA, A. M.; OLIVEIRA, H. T. A (re) construção dos conceitos de natureza, meio ambiente e educação ambiental por professores de duas escolas públicas. Ciência & Educação, v. 17, n. 2, p. 321-337, 2011. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1516-73132011000200005&script=sci_abstract&tlng=pt>. Acesso em: 02/01/2017.


MENDES, R.; VAZ, A. Educação ambiental no ensino formal: narrativas de professores sobre suas experiências e perspectivas. Educação em Revista, v. 25, n. 3, p. 395-411, 2009. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-46982009000300019&script=sci_abstract&tlng=pt>. Acesso em: 11/01/2016.


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TAGLIEBER, J. E. Formação continuada de professores em educação ambiental: contribuições, obstáculos e desafios. Disponível em: <http://www.anped.org.br/sites/default/files/gt22-3455-int.pdf>. Acesso em: 05/01/2017.


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