ISSN 1678-0701
Número 63, Ano XVI.
Março-Junho/2018.
Números anteriores 
Início      Cadastre-se!      Procurar      Submeter artigo      Fazer doação      Contato     Apresentação     Normas de Publicação     Resultado do prêmio     Prêmio: Destaques     Prêmio: Selecionados     Artigos     Dicas e Curiosidades     Reflexão     Para sensibilizar     Entrevistas     Culinária     Arte e ambiente     Divulgação de Eventos     Sugestões bibliográficas     Educação     Plantas medicinais     Práticas de Educação Ambiental     Educação e temas emergentes     Ações e projetos inspiradores     Gestão Ambiental     Cidadania Ambiental     Relatos de Experiências     Notícias
Prêmio: Selecionados

10/03/2018TRIBOS EM CENA: DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL COM ATITUDE  
Link permanente: http://www.revistaea.org/artigo.php?idartigo=3078 
" data-layout="standard" data-action="like" data-show-faces="true" data-share="true">




1 DADOS DE IDENTIFICAÇÃO



NOME DO PROJETO:

Tribos em Cena: Desenvolvimento Sustentável com Atitude


ORGANIZAÇÃO PROPONENTE:

CICS – Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Canoas/RS


COORDENAÇÃO: Jeane Kich


MUNICÍPIO DE ABRANGÊNCIA DO PROJETO: Canoas/RS, Esteio/RS, São Leopoldo/RS


NÚMERO DE PESSOAS ENVOLVIDAS: 750 diretamente


DADOS DA ORGANIZAÇÃO PROPONENTE

ENDEREÇO: Rua Ipiranga, 95 - Centro

CIDADE: Canoas/RS

ESTADO: Rio Grande do Sul

TELEFONE: 51 3472 2293 / 8445 9741

E-MAIL: parceirosvoluntarios@cicscanoas.com.br



Profissionais:

Márcia Souza – Assistente Social

Maria Inês Pacheco – Assessora Pedagógica

Erbert Soria – Professor da Oficina de Cinema

Victória Freire – Estagiária de Comunicação




1.1 CATEGORIA E TEMÁTICA DO TRABALHO


Mobilização socioambiental

Temas abordados: Água, Ecologia, Diversidade, Biodiversidade, Sustentabilidade, Desenvolvimento Sustentável, Escolas sustentáveis, Resíduos Sólidos, Coleta Seletiva, Arte com Reciclados, Responsabilidade Socioambiental, Saneamento, Consumo consciente, Redução do Consumo.











2 APRESENTAÇÃO


O projeto Tribos em Cena: Desenvolvimento Sustentável com Atitude é fruto de uma construção coletiva da ONG Parceiros Voluntários em Canoas e Esteio, com alunos, professores e a Tribo Kaingang Por Fi Gá de São Leopoldo. O projeto teve início em março de 2015 e culminou em março de 2017 como uma proposta de intervenção socioambiental, buscando contribuir para o desenvolvimento sustentável da região, a partir do apoio à formação social, ambiental e cultural de crianças e adolescentes de escolas públicas e de jovens índios. A proponente da Iniciativa é a CICS – Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Canoas, sendo o Projeto executado pelo seu setor de responsabilidade social, a Parceiros Voluntários de Canoas, com apoio financeiro da Petrobras.

Os participantes do Projeto são oriundos da Tecnologia Social Tribos nas Trilhas da Cidadania, cujas ações são desenvolvidas pela ONG Parceiros Voluntários junto às escolas desde 2004. Como objetivo, a iniciativa visa desenvolver o protagonismo juvenil de crianças, adolescentes e jovens, tendo como trilhas a educação para a paz, o meio ambiente e a cultura. Professores, ao serem convidados a pensar propostas para suas escolas na possibilidade de um novo projeto, alegaram a dificuldade de promover uma cultura de mudanças frente à responsabilidade socioambiental. Eles perceberam que os alunos se envolviam nas ações sociais e ambientais dentro das escolas, mas, fora delas, mudavam suas posturas. Descartavam lixo nas ruas ou em outros ambientes incorretos, não reciclavam estes materiais, compravam produtos sem refletir sobre o impacto de sua produção sobre a natureza, utilizavam energia como se ela fosse infinita, etc.

Assim surgiu o projeto Tribos em Cena, promovendo encontros de reflexão, visitas às belezas naturais e espaços de degradação, bem como capacitações para o desenvolvimento do raciocínio crítico. A iniciativa possibilita que o grupo se reconheça como protagonista da sociedade que idealiza. Uma alternativa para ir além dos muros escolares, abrindo horizontes e permitindo que os alunos vivenciem os problemas socioambientais no seu cerne, mobilizando-se para ações concretas, enfrentando, de acordo com seus potenciais, limites e grau de mobilização para a resolução, os reais problemas sociais e ambientais de Canoas e Esteio.











3 JUSTIFICATIVA


As cidades de Canoas e Esteio, apesar de suas diferenças em termos de tamanho territorial e número de habitantes, apresentam grandes similaridades. Ambas possuem índices elevados de desenvolvimento econômico devido ao grande pólo industrial e sua privilegiada posição geográfica possibilita o rápido escoamento de sua produção, seja através da navegação fluvial pelo Rio dos Sinos e Rio Gravataí, ou pelas rodovias e ferrovias que realizam o transporte de passageiros e de mercadorias.

Mesmo com o crescimento econômico, existe, nos Municípios, grande desigualdade social, decorrente da falta de empregos de boa parte da população, principalmente a mais carente que, em sua maioria, migrou de outras cidades do interior do estado para tentar buscar melhores perspectivas de vida. Assim, de acordo com levantamento realizado pelo poder público municipal de Canoas, já existem 120 áreas irregulares, com ausência de saneamento básico e outras condições de higiene adequadasi.

Considerando o último Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), relativo ao ano de 2013, que analisou 5.565 municípios do Brasil, os dados não são muito bons, pois Canoas encontra-se em 551º lugar e Esteio em 467º. Índices baixos, se considerarmos, por exemplo, que Porto Alegre está em 28º lugar e Caxias do Sul, com o mesmo porte econômico de Canoas, em 113ºii. Esse índice considera que apenas o crescimento econômico não é suficiente para medir o desenvolvimento de uma cidade, o IDHM é constituído da avaliação de critérios relacionados à saúde, educação e renda.

E as similaridades entre as duas cidades não param aqui. Canoas e principalmente Esteio, apresentaram em 2013 uns de seus piores problemas socioambientais: as enchentes que deixaram milhares de pessoas desabrigadas por diversas vezes no ano.

Um dos principais fatores apontados para as cheias é a construção da nova rodovia, a BR 448, que liga o Vale dos Sinos a Porto Alegre. De acordo com reportagens, essa construção não teria previsto a infraestrutura adequada para o escoamento de água dos diques, valões e arroios. Contudo, técnicos do Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre (DNIT) seguem negando que a construção da rodovia seja a grande causadora das constantes enchentes. iii

Já um levantamento feito pela Câmara de Vereadores de Esteio aponta para a necessidade de repensar todo o represamento das águas do Município. De fato, algumas ações vêm sendo realizadas, principalmente em Esteio. Os vereadores aprovaram o orçamento de R$ 200 mil para auxiliar nas ações de combate às cheias com serviços de limpeza, desobstrução de bueiros, tubulação e hidrojateamento nos bairros e remoção dos resíduos que entopem a rede e impedem a vazão de água das chuvas. O Secretário de Obras e Viação afirmou que a retirada de materiais depositados nos encanamentos foi dificultada pela grande quantidade de resíduos encontrados na rede. Segundo ele, muitos pontos da cidade têm mais de 60% da capacidade de vazão comprometida. Sem fiscalização, grande quantidade de lixo é descartada diariamente em várias ruas do Município, que com as chuvas acaba parando nos encanamentos. Ainda segundo o Secretário, 14,2 mil m³ de resíduos já foram retirados de ruas, redes e arroios durante as limpezas. Os funcionários geralmente encontram plástico, galhos de árvores, sacolas com resíduos domésticos, roupas, garrafas PET, pneus, restos de materiais de construção, entre outros entulhos. iv

Todo esse problema é consequência da ação do ser humano, que constrói a cidade de forma insustentável e descarta seu lixo nas ruas, arroios e terrenos baldios de maneira irresponsável. Mesmo com campanhas de conscientização do poder público, escolas e ONGs da Região, grande parte da população não se conscientiza de que os problemas socioambientais são decorrentes de suas próprias ações no dia a dia.

Como consequência ainda pior, grande parte desses resíduos acaba parando nos rios que banham as cidades, cujas águas são tratadas para consumo. Prova disso é outro ranking negativo: o Rio dos Sinos é o quarto rio mais poluído do Brasil, seguido do Rio Gravataí que é o quinto, segundo dados do IBGE de 2013.v Contribuem para essa poluição a falta de saneamento básico dos municípios, bem como o descarte de produtos que as empresas liberam nos rios.

De acordo com a Secretaria do Meio Ambiente de Canoas, essa poluição começa na base das nascentes que são utilizadas como depósito de lixo doméstico. Das 70 nascentes identificadas na cidade, pelo menos 16 estão em situação de degradação. Essa água corre para os arroios da cidade que, por sua vez, também são usados para descarte de materiais ainda maiores como isopor, sofás, armários, utensílios domésticos. Toda essa água poluída desemboca nos rios dos quais é tirada a água para o consumo da população.

Importante considerar que muitos destes estudantes tribeiros são afetados pelos problemas ambientais, uma vez que residem em diferentes bairros dos municípios de Canoas e Esteio e se utilizam das águas poluídas dos rios que abastecem estas cidades de forma direta, sem o devido tratamento, bem como sofrem com as consequências das enchentes. Esses foram os principais apontamentos feitos por reuniões de avaliação da ação Tribos nas Trilhas da Cidadania, com professores, alunos e ONGs das cidades de Canoas e Esteio. Alguns educadores contaram que realizam a coleta seletiva na escola, mas os próprios alunos ficam desacreditados sobre o destino correto dos resíduos quando percebem que não há um recolhimento específico em todos os bairros, sendo que a coleta de todos os lixos é feita ao mesmo tempo pelo mesmo caminhão.

Outra dificuldade apontada pelos mestres é que eles não conseguiam conscientizar as crianças e adolescentes em sua totalidade em relação aos problemas socioambientais, em especial em relação ao cotidiano dos mesmos, em suas ações rotineiras, inconscientes, de anos e anos de maus exemplos de vida em comunidade, como relatava uma professora: “dentro da escola estamos tentando realizar uma educação ambiental, contudo, o aluno sai da escola, e, quando a gente vê, está comendo uma bala e jogando o papelzinho no chão, sem se dar conta de que esse papel pode contribuir para entupir um bueiro”. Nesse sentido, houve o entendimento de que não adiantava trabalhar somente o problema na escola, mas era preciso conscientizar os alunos, pais e comunidade em geral de que são agentes de impacto ambiental. Uma aluna do projeto, por exemplo, comentou sobre sua atuação em casa: “temos uma pequena confeitaria e a minha mãe faz a separação do óleo de cozinha para não ir para a água, porque vimos que um litro de óleo de cozinha jogado no ralo polui até 20 mil litros de água, mas nossas vizinhas e mães de minhas colegas acham isso uma bobagem”.

E, corroborando com esta idéia uma das escolas participantes de Tribos nas Trilhas da Cidadania, se destaca pelas suas atividades interdisciplinares: a Escola Municipal Professora Nancy Pansera, localizada em uma invasão no Bairro Guajuviras, em Canoas, realizou duas atividades diferentes. Primeiro, recebeu uma peça de teatro que trata do tema indígena e, depois, os alunos dessa escola tiveram a oportunidade de conhecer efetivamente uma aldeia. Esta ideia motivou os jovens, professores e familiares e os resultados de suas ações surpreenderam positivamente, de forma que a escola trouxe a proposta de que fosse elaborado um projeto para assegurar que esta iniciativa aconteça de forma frequente e organizada, sobretudo, com mais escolas participantes.

Deste exemplo, foi, então, elaborado o presente projeto denominado Tribos em Cena: Desenvolvimento Sustentável com Atitude, que visa contribuir com o desenvolvimento socioambiental de Canoas, Esteio e Região, a partir do apoio à formação social, ambiental e cultural de crianças, adolescentes e jovens estudantes de escolas públicas e de jovens índios, a partir da realização de encontros destas diferentes culturas, de conhecimentos das belezas ambientais bem como dos espaços de degradação, recebendo capacitações para o desenvolvimento crítico, possibilitado que se reconheçam como protagonistas da sociedade que idealizam.

A aldeia visitada foi a do Povo Kaingang. Localizada no Bairro Feitoria, em São Leopoldo, a tribo luta há séculos pela demarcação de terras dentro de seu território ancestral, o qual engloba espaços de São Paulo, do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. A grande maioria das famílias migrou de diferentes regiões do estado, de modo especial do planalto, onde há a maior concentração populacional do povo Kaingang. Em São Leopoldo, há 15 anos, a Tribo se denomina Por Fi Gá, nome de um pássaro existente na Região. Suas casas estão construídas em um pequeno espaço de 2,5 hectares doados, após muita luta, pelo governo municipal. Hoje, a reserva possui documentação oficializando a área de proteção emitida pelo Ministério da Justiça – Fundação Nacional do Índio.

Ao todo, na aldeia, hoje, vivem 210 pessoas distribuídas em 42 famílias, com média de cinco integrantes em cada família. Constantemente, novas famílias migram para o local. Essa realidade de migração é identificada também pelo senso IBGE 2010, que aponta que 36,2% da população indígena no Brasil reside atualmente em áreas urbanas.

A discriminação dos índios que migram para a cidade é muito evidenciada pelo cacique da Tribo: “quando chegamos aqui, o prefeito chegou para mim e disse: índio, teu lugar é no mato. E eu disse: e teu lugar é na Itália, de onde não deveria ter saído”. Existe, portanto, a hegemonia de uma cultura sobre a outra que julga e hierarquiza, delimitando os lugares dos merecedores ou não da ocupação de determinados espaços. Contudo, para o índio, essa lógica é inversa, conforme destaca o vice cacique: “a cidade do homem branco avançou nas tribos, por isso, nós, hoje, andamos nas periferias e somos chamados de maconheiros e ladrões”.

A fonte de renda da Tribo é o artesanato, dentre eles, a confecção de balaios, cestas, filtro dos sonhos. Sua venda ocorre em feiras, nas ruas e nas calçadas das cidades, onde são vistos como indigentes. Praticamente não existe infraestrutura para o desenvolvimento das atividades. Após muita resistência, o grupo conseguiu, em Canoas, um espaço mais digno para a comercialização de seus produtos, que também é sazonal.

Atualmente, todas as famílias são cadastradas no Programa Federal Bolsa Família e são acompanhadas por uma Agente de Saúde da própria Tribo, capacitada para tal. Conforme os caciques, as famílias são beneficiadas pelo PAA – Funai (Programa Alimentar) somente a cada 3 meses.

Em visita à Tribo, ficou evidenciado que há, ali, um grupo étnico marginalizado, de povo historicamente excluído, roubado em suas terras desde 1.500, que cedeu conhecimentos e terras que muitos de nós usamos para viver sem pagarmos nenhum direito, que mantém, desde suas origens, toda a cultura, costumes, tradições religiosas, hábitos alimentares e um modo de ser vinculado à terra e à natureza e que, apesar do contato com o “homem branco”, na Tribo, os índios mantêm sua língua ensinada na própria escola do povoado por um professor Kaingang. Os problemas e desentendimentos entre eles são julgados pelos próprios líderes e as punições ocorrem na própria cadeia da Tribo. A água para consumo é retirada da própria nascente e, por isto, preservada. Apesar de ter uma religião própria, a pajelança, outras religiões tiveram a permissão dos caciques para serem pregadas na Tribo, na medida em que o pregador seja um índio.

Diante de tamanha riqueza cultural, por ocasião da visita à Tribo, o cacique Darci Fortes mencionou que a Tribo não possui registros de sua história, suas lendas e tradições. Também mencionou que os adolescentes e jovens não tem alternativas de lazer, o que faz com que procurem outros espaços fora da aldeia, sem estarem preparados para os perigos que a cidade oferece. Por isso, os integrantes da Tribo Kaingang foram também público desse projeto, visando promover o resgate histórico da Tribo através de um livro que foi editado pelo historiador Demétrio Leite e um vídeo gravado pelos próprios índios adolescentes e jovens que participaram de uma oficina de cinema ministrada pelo professor Erberti Sória.

É, portanto, uma via de mão dupla entre os dois públicos do projeto. Os alunos das escolas tiveram a oportunidade de conhecer e ressignificar posturas e valores, levando em consideração a importância dada ao povo indígena. Este, por sua vez, teve a sua tradição, costumes e, principalmente, a sua história, reconhecidos através dos alunos e dos materiais produzidos no Projeto.

Nesse sentido, o projeto buscou a transversalidade, pois visava à compreensão de que não existe espaço nem tempos culturais privilegiados que permitam julgar e hierarquizar como mais corretos. Os participantes aprenderam não somente através de dados históricos, mas mergulharam em suas raízes, na história vivida. Tiveram a oportunidade de confrontar crenças e conhecimentos, passando a respeitar os ideais de um povo que luta para se manter vivo, que cultiva a terra e dela tira seu alimento, utiliza-se da água, mas cuida de suas nascentes, pois sabe que delas depende a sua sobrevivência. Esse contato propiciou a percepção de potencialidades mútuas, da diversidade linguística, da diversidade cultural através do conhecimento de lendas e histórias, passando a entender que todos são elementos da natureza, não havendo cultura melhor ou pior, mas que o bem-estar de todos é necessário para a melhoria da comunidade, da sociedade, do meio ambiente, enfim, assegurando a existência da vida no planeta.

Portanto, a partir desta comparação cultural como método educacional, entende-se este projeto como uma oportunidade de transformação socioambiental, na qual crianças, adolescentes e jovens perceberam neles mesmos, os valores internos positivos em relação ao outro, à vida e à natureza. E por acreditar nas crianças, adolescentes e jovens e nos seus poderes de transformação é que as principais ações foram realizadas com esses públicos, proporcionando espaços e estratégias educativas que os preparem para a vida adulta numa sociedade complexa e em constantes mudanças, com reconhecimentos de seus valores, interesses e capacidades de participações.

Assim, além dos índios, este foi outro público apoiado. Ou seja, estudantes que possuem a faixa etária entre 10 e 17 anos, de 15 escolas públicas de Canoas e Esteio. Para participarem deste projeto, os alunos deveriam estar, no máximo, no 7º ano. As escolas que não possuíam ensino fundamental completo deveriam escolher uma turma que estivesse cursando o penúltimo ano, pois a proposta prevê que o aluno participe por dois anos para que os objetivos sejam alcançados.

Portanto, como na ação Tribos existem mais escolas envolvidas, o critério de seleção para a participação nesse projeto foi a pré-disposição e comprometimento da escola em trabalhar a Educação Ambiental deste projeto de forma inter e transdisciplinar. Das escolas participantes, foram escolhidas 10 escolas de Canoas e cinco escolas de Esteio.

Em relação à Educação Ambiental, no Município de Canoas esta se apresenta para a população, atualmente, como um dos itens prioritários, especialmente no que tange à estratégia de investimento em educação. Deve ser buscada a ampliação do currículo escolar, sendo incluída a educação ambiental, além de cultura, diversidade humana, liderança e empreendedorismo.vi Tal priorização ocorreu no Congresso de Planejamento da Cidade de 2011 a 2021, evento que contou com a participação dos cidadãos como uma das premissas básicas para a formulação de metas para a cidade. Isto porque Canoas e Esteio não possuem um documento denominado “Agenda 21”. Contudo, o Congresso de Planejamento da Cidade de 2011 a 2021, criado em Canoas, estabelece as estratégias de curto, médio e longo prazo para a busca de uma cidade mais sustentável, mais humana, mais integrada, mais inovadora e mais próspera, com metas definidas pelos próprios participantes do Congresso. Nesse sentido, a presente Iniciativa vem contribuir com todos os eixos, uma vez que busca o equilíbrio socioambiental, ampliando a qualidade de vida, formando lideranças conscientes do seu papel e potencial para solucionar problemas comunitários, dentro das escolas, como propõem as metas estabelecidas.

Acreditamos, então, que o Projeto Tribos em Cena: Desenvolvimento Sustentável com Atitude contribuiu para formar cidadãos socioambientalmente responsáveis, uma vez que colocou crianças, adolescentes e jovens imersos em outra cultura, onde eles puderam ter um olhar diferente, de outro ângulo, sobre a sua própria cultura, e refletir sobre os hábitos ambientais e sociais de sua comunidade. Também foi uma forma de valorizar outro povo, que passa a ter um registro de seus costumes, um resgate histórico e de autoestima que se espera que seja capaz de impulsioná-los a verificar as vantagens de manter os aspectos positivos de ambas as culturas e de incentivar as mudanças das questões que precisam ser superadas, a partir da conscientização de que cada um é importante para o todo e pode propor ações para salvaguardar a sociedade e a natureza, junto ao meio em que vive.

Desta forma, objetivou-se iniciar uma onda de mudança positiva, através da educação, sobretudo a ambiental, a partir das crianças, adolescentes e jovens, que, mobilizados, puderam influenciar outros de suas comunidades. Por conseguinte, minimizam-se demandas socioambientais a partir da união e quebra de interesses individualistas e da desesperança instalada na própria sociedade. Estes grupos envolvidos passam a se sentir importantes, pertencentes a uma parte valorizada da história, a qual promove ações que entram para as memórias da vida, e começam a ter atitudes positivas, como os índios fizeram e registraram em suas lendas e ainda continuam fazendo, mantendo vivos seus valores,


3.1 MARCO LEGAL


4.1.1 Constituição Federal de 1988 – a Carta Magna do País - artigo 23, inciso VI, aponta a competência comum da União, do Distrito Federal, dos Estados e dos Municípios, proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas. Artigo 225 - “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para a presente e as futuras gerações” (BRASIL, 1988).


4.1.2 Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999 - institui a Política Nacional de Educação Ambiental. Capítulo I trata da importância da Educação Ambiental em todos os níveis e modalidades educativas: Art. 2º A educação ambiental é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não formal. Art. 3º Como parte do processo educativo mais amplo, todos têm direito à educação ambiental, incumbindo: I – ao Poder Público, nos termos dos arts. 205 e 225 da Constituição Federal, definir políticas públicas que incorporem a dimensão ambiental, promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e o engajamento da sociedade na conservação, recuperação e melhoria do meio ambiente; II – às instituições educativas, promover a educação ambiental de maneira integrada aos programas educacionais que desenvolvem; [...]. VI – à sociedade como um todo, manter atenção permanente à formação de valores, atitudes e habilidades que propiciem a atuação individual e coletiva voltada para a prevenção, a identificação e a solução de problemas ambientais.


4.1.3 Decreto nº 4.281, de 25 de junho de 2002, que regulamenta a Lei nº 9.795/99 reforça as instituições educacionais de todos os níveis de ensino (art. 5º) como entidades responsáveis pela execução da política nacional de educação ambiental, envolvendo demais organizações da sociedade: Art. 1º A Política Nacional de Educação Ambiental será executada pelos órgãos e entidades integrantes do Sistema Nacional de Meio Ambiente - SISNAMA, pelas instituições educacionais públicas e privadas dos sistemas de ensino, pelos órgãos públicos da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, envolvendo entidades não governamentais, entidades de classe, meios de comunicação e demais segmentos da sociedade. (BRASIL, 2002).

 

Pela relevância e urgência do tema, e pela necessidade do engajamento de todas as instâncias da sociedade no processo, a educação ambiental requer que seja trabalhada aliando o formal e o informal. Assim, o Projeto Tribos em Cena embasa-se nessas diretrizes partindo no artigo 1º da Lei 9.795/1999 que apresenta a educação ambiental como [...] processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade. (BRASIL, 1999). Incentivamos através do Projeto com as escolas o desenvolvimento dos temas de forma transversal e a interdisciplinaridade no processo que a Educação Ambiental requer.

3.2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A proposta do Projeto Tribos em Cena se baseia no conceito de Protagonismo Juvenil, que, de acordo com Costa (2001:5)vii, “designa a participação de adolescentes atuando como parte da solução e não do problema, no enfrentamento de situações reais na escola, na comunidade e na vida social mais ampla”. Trata-se, portanto, de “um método pedagógico que engloba um conjunto de práticas e vivências, que tem como foco a criação de espaços e condições que propiciem ao adolescente empreender ele próprio a construção de seu ser em termos pessoais e sociais”.

Acredita-se que através da participação da criança, do adolescente e do jovem na resolução de problemas da sociedade, possibilita-se a educação para a solidariedade, desenvolvendo diferentes formas de aprender: aprender a ser, aprender a conviver, aprender a fazer e aprender a conhecer, buscando um desenvolvimento verdadeiramente humano, promovendo autonomias individuais, das participações comunitárias e do sentimento de pertencer à espécie humana (MORIN, 2000)viii.

Nesse contexto, a educação passa a ser um processo de diálogo que se insere além das fronteiras da sala de aula, favorecedora de mudanças sociais nos contextos de ações. Nesta direção, Freire (1996, 1999, 2001)ix entende a educação como uma ação política que pode ser orientada, pelo diálogo e pela reflexão crítica e situada, a liberar os indivíduos dos significados impostos através de currículos e conteúdos hegemônicos. Passa, portanto, a ser uma educação que respeita as diferentes manifestações, argumentos e opiniões, as trocas intersubjetivas de experiências, reconstruindo e resignificando sentidos e valores.

A partir destes sentimentos e atitudes se busca preparar multiplicadores com olhar e ações pelo Desenvolvimento Sustentável. Para Leonardo Boff (2012)x Sustentável é uma realidade que consegue se manter, se reproduzir, conservar-se à altura dos desafios do ambiente e estar sempre bem. E isso resulta do conjunto das relações de interdependência que entretém com todos os demais seres e com seus respectivos habitats.

Por esse motivo, o projeto busca reunir diferentes atores de diferentes culturas: os estudantes das escolas de Canoas e de Esteio e os índios da Tribo Kaingang, que, em primeiro momento, em uma análise superficial e preconceituosa, parecem não ter algo em comum e até pelo contrário, podem apresentar traços de culturas oposicionistas, com ensinamentos contraditórios, uma em relação à outra, tendo existido, por isto, no passado, tentativas de eliminações recíprocas, o que hoje tenta-se evitar, tendo em vista que foi mundialmente tipificado pela ONU, como crime de genocídio, a tentativa de eliminar uma etnia, um povo. Assim, além de evitar tal retrocesso cultural de não respeito e de não convivência harmônica entre diferentes etnias, o que a história nos revela ter consequências devastadoras, passada esta falsa noção destas duas culturas tão diferentes não aparentarem pontos em comum, fica fácil perceber o interesse mútuo de descobrimento do véu que os separa e também a necessidade de auto revelação dentro de cada cultura, nos processos de formação de seus indivíduos.

Nesse contexto reside a riqueza que diferencia o projeto Tribos em Cena: a união de duas culturas que, em pontos desiguais e semelhantes, unem-se para avançarem na sua continuidade e preservação de seus valores, juntas na construção de uma sociedade mais justa e solidária, sobretudo e também no âmbito ambiental. E em seu cerne, o jovem encontra seu lugar, pretendendo escrever uma nova história, resgatar ideais para a transformação da sua sociedade, consciente da importância de sua reflexão, mobilização e participação nas diversas ações propositivas para salvaguardar o futuro das pessoas e do planeta.

Em cada movimento, em cada oficina, em cada visita, em cada ação realizada, percorre o discurso e a práxis transdisciplinar, que, segundo D’Ambrósio (1997)xi, repousa sobre uma atitude mais aberta, de respeito mútuo e mesmo humildade em relação a mitos, religiões, sistemas de explicação e de conhecimentos, rejeitando qualquer tipo de arrogância ou prepotência. Borbas (1999)xii afirma que a educação transdisciplinar vivencia o educar sem interromper sua heterogeneidade, pressupondo o exercício da flexibilidade, pois possibilita a vazão de um amplo espectro de referenciais, promovendo uma travessia do eu para o nós, da constituição do sujeito singular para o sujeito plural, (re)vitalizando uma pedagogia crítica que tenha como Esteio a autonomia de raciocínio do educando, a solidariedade, o entrecruzar entre o saber epistêmico e o saber da comunidade.

Aliada à transdisciplinaridade, o Projeto se vale da metodologia da educação ambiental utilizada de forma crítica e construtiva, visando à inserção na construção de novos significados para o cotidiano, a constituição de identidades locais; de engajamento crítico, conscientização, capacidade de mobilização e capacidade de dar novos sentidos às ações de transformação da realidade socioambiental local. Na perspectiva de uma leitura crítica da realidade, as metodologias que dão suporte às práticas participativas em educação ambiental, informadas e motivadas pela teoria, desenvolvem estratégias que se baseiam na promoção de uma atitude problematizadora, portanto, na politização da problemática ambiental (FRANCO, 2006)xiii.

Para trabalhar a temática nas escolas o projeto abordou a metodologia da Agenda 21 e os princípios da Carta da Terra com os educadores, para um processo de parceria entre os vários setores da comunidade para a elaboração de um Plano de Ação Conjunto, de forma a garantir o bem-estar social e a qualidade do ambiente com ações de proteção socioambiental e para o desenvolvimento com sustentabilidade. E, especificamente com os estudantes, a Agenda 21 escolar, embasada em princípios e valores alinhados ao convívio saudável, utilizada tanto nos recintos escolares, como no meio familiar e social onde tal influência é exercida.


































4 DESENVOLVIMENTO


A primeira edição do Projeto Tribos em Cena: Desenvolvimento Sustentável com Atitude aconteceu de março de 2015 a março de 2017, em três etapas que correspondem às ações no primeiro e no segundo ano, e a atividades de estudos, reflexões e avaliações, de ocorrência mensal, durante este período, em encontros nas escolas

A primeira etapa do Projeto Tribos em Cena visou instrumentalizar as Tribos Escolares no sentido da organização, conscientização e sensibilização sobre o conhecimento necessário para o cuidado com o meio social e natural. Consistiu nas ações iniciais de reconhecimento da proposta, das realidades e possibilidades de ação. Foi utilizado o curta premiado – Pajerama, dando início às reflexões, e, a partir de seis atividades ocorridas no primeiro ano do projeto, aconteceram mobilizações dos agentes multiplicadores para o processo de educação ambiental.

  1. Abertura

A CICS/Parceiros Voluntários de Canoas apresentou, no dia 29 de abril de 2015, no Auditório do Prédio 11 da Ulbra, o projeto “Tribos em Cena”. Contemplado na Seleção Pública Comunidades, programa Petrobras Socioambiental, a ação desenvolvida com dez escolas de Canoas e cinco de Esteio, buscando oportunizar aos participantes a vivência e trocas sobre questões socioambientais de suas cidades. Na ocasião foram assinados os termos de cooperação com as 15 escolas selecionadas. Cada escola foi presenteada com um símbolo natural - uma muda da árvore nativa de Araçá; e um símbolo social – filtro dos sonhos adquirido da Tribo Kaingang, presente no encontro. A foto abaixo representa a ocasião da entrega. Também foi realizada uma apresentação de dança da Tribo Por Fi Gá e um teatro com os alunos do projeto Ler Arte. O auditório cheio reuniu em torno de 500 pessoas, entre alunos, professores e apoiadores que também marcaram presença nessa grande celebração. 


Lançamento do projeto Tribos em Cena, no auditório da Ulbra, quando foram entregues uma muda de Araçá e um filtro dos sonhos para cada escola participante.


  1. Reuniões de capacitação dos Professores

Semestralmente foram realizadas reuniões com as escolas participantes do projeto Tribos em Cena onde os professores responsáveis compartilharam planejamentos e ações de seus alunos nas escolas e na comunidade do entorno, numa troca de experiências e materiais. Foram discutidos temas, avaliados os materiais construídos nas escolas, os passeios realizados e a interdisciplinaridade aplicada nos estudos e nas atividades.


Capacitação com professores do Projeto


  1. Criação, Alimentação e Divulgação do Blog

Foram criados blogs no início do projeto, através de oficinas de trabalho, importante ferramenta de divulgação, acompanhamento e atualização de todas as ações socioambientais, livres ou combinadas, realizadas pelas tribos. A cada momento, uma nova notícia era lançada numa diversidade de formas de realização. Foi construída uma rede de blogs onde os tribeiros oportunizaram aos colegas das escolas e à comunidade o conhecimento de suas propostas e ações, sendo estas multiplicadas através do compartilhamento nos perfis particulares do Facebook e na fanpage do Projeto.


Momento de criação dos blogs


  1. Visita à nascente e arroio

Uma das ações comuns que iniciou na Semana do Meio Ambiente/2015 foi quando os tribeiros das 15 escolas realizaram o primeiro momento da trilha das águas, na oportunidade de conhecer desde a nascente, e o trajeto de um arroio, para chegar ao rio da região. Uma ótima oportunidade de conhecimento sobre bacia hidrográfica, suas belezas e problemáticas, mata ciliar, biodiversidade, poluição, saneamento básico. Além disto, conhecer os impactos do processo de urbanização, através de visita a campo sob o olhar interdisciplinar da geografia, das ciências e da história, possibilitando conhecimentos para preservar, e a importância de cuidar do meio ambiente que nos cerca. 


Saída no Arroio Araçá com coleta de amostra na nascente.


  1. Saída a campo no Rio dos Sinos

O segundo momento da trilha das águas aconteceu quanto os tribeiros percorreram com o barco Martim Pescador o Rio dos Sinos e realizaram a visita ao Parque Natural Imperatriz Leopoldina, pela Trilha dos Sinos, e o conhecimento do herbário de São Leopoldo. Foram diversas atividades nas quais receberam informações sobre a coleta de água e de plantas, organização e armazenamento de diferentes espécies da flora. Também vivenciaram dinâmicas ambientais, surgindo, destas experiências, uma diversidade de propostas em cada escola.

Tribeiros em saída a campo no Rio dos Sinos e na Trilha do Parque Natural Imperatriz Leopoldina


  1. Visita à Cooperativa de Reciclagem

Os participantes do projeto “Tribos em Cena: Desenvolvimento Sustentável com Atitude” visitaram cooperativas de reciclagem com o objetivo de conhecer de perto a realidade sustentável, possibilidade esta de conscientização sobre a prática e o funcionamento do processo de separação de resíduos. Puderam conhecer o trabalho realizado pelos cooperados e a destinação dos materiais trabalhados.

Os participantes conhecem cooperativas de reciclagem


ETAPA II

A segunda etapa do Projeto Tribos em Cena possibilitou o aprofundamento sobre os temas e a reflexão a partir das realidades encontradas. Com a ressignificação de valores, o intuito foi de encaminhar para as propostas de ações e a realização de atividades pontuais, conforme cada necessidade ia sendo levantada.

Consistiu nos denominados Encontros Mensais de Cidadania, quando cada tribo se reunia com o professor responsável e com a educadora da Parceiros Voluntários de Canoas, em rodas de conversas, para vivências em dinâmicas, apresentação de propostas e trabalhos, numa relação constante entre as experiências no conjunto e o estudo das realidades locais.

Temas desenvolvidos:

  • 1º semestre 2015 – Solidariedade, Voluntariado, Sustentabilidade;

  • 2º semestre 2015 – Diferenças Culturais, Cidadania, Diversidade;

  • 1º semestre 2016 – Ecossistema, Planejamento, Plano de Ação Conjunta

  • 2º semestre 2016 – Mobilização, Avaliação, Relatório

Os encontros aconteceram paralelos à primeira e à terceira etapa, costurando informações, conhecimentos, proposições e ações. Culminou na realização de festas, gincanas, caminhadas, revitalização de espaços, trabalhos conjuntos entre tribos, mobilização da comunidade em busca de soluções de problemáticas pontuais, oferecimento de palestras com participação dos pais, criação de barco ecológico com apoio de universidade, bem como proposições alavancadas a partir dos conhecimentos, propostas e vivências dos alunos denominadas como “ações extras das tribos”.