ISSN 1678-0701
Número 63, Ano XVI.
Março-Junho/2018.
Números anteriores 
Início      Cadastre-se!      Procurar      Submeter artigo      Fazer doação      Contato     Apresentação     Normas de Publicação     Resultado do prêmio     Prêmio: Destaques     Prêmio: Selecionados     Artigos     Dicas e Curiosidades     Reflexão     Para sensibilizar     Entrevistas     Culinária     Arte e ambiente     Divulgação de Eventos     Sugestões bibliográficas     Educação     Plantas medicinais     Práticas de Educação Ambiental     Educação e temas emergentes     Ações e projetos inspiradores     Gestão Ambiental     Cidadania Ambiental     Relatos de Experiências     Notícias
Prêmio: Selecionados

10/03/2018A RELAÇÃO ENTRE AESCOLA E ATITUDES VOLTADAS À SUSTENTABILIDADE: A NECESSIDADE DE PRIORIZAR A EDUCAÇÃO AMBIENTAL  
Link permanente: http://www.revistaea.org/artigo.php?idartigo=3075 
" data-layout="standard" data-action="like" data-show-faces="true" data-share="true">

A RELAÇÃO ENTRE A ESCOLA E ATITUDES VOLTADAS À SUSTENTABILIDADE: A NECESSIDADE DE PRIORIZAR A EDUCAÇÃO AMBIENTAL







Zilmar Timoteo Soares** professor Dr. Dos cursos de graduação e Pós-Graduação da UEMASUL –Diretor do Curso Licenciatura em Ciências Biológicas – e-mail, zilmarsoares@bol.com.br

Iracilde Santos Adrião Graduanda em Pedagogia- E-mail: iracilde2009@hotmail.com - Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão-UEMASUL. E-mail: iracilde2009@hotmail.com

Jaine Silva SouzaGraduanda em Pedagogia E-mail: jaine_iasd@hotmail.com - Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão-UEMASUL. Bolsista do Projeto "Infância na contemporaneidade” - Bic quota UEMASUL 2017 - Bolsa de iniciação científica da FAPEMA.

Leandro Conceição dos AnjosGraduando em Pedagogia- E-mail: leandro.dosanjos22@outlook.com - Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão-UEMASUL

Magda Mirelly dos Santos Graduanda em Pedagogia. E-mail: magdamirelly14@gmail.com – Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão



Categoria: Mobilização socioambiental e Campanhas educativas;





RESUMO



O presente artigo analisa a importância da educação ambiental para a construção de valores sustentáveis, ressaltando a relação da escola e a conscientização diante a crise ambiental em que o planeta se encontra. Visto que, desde a infância, faz-se importante que o homem tenha motivos para preservar o planeta terra e que se sinta como sujeito responsável pelo equilíbrio da vida. Nesse contexto, o objetivo principal do estudo fundamentou-se nas questões norteadoras, tais como: a necessidade de se aderir a educação ambiental na organização e estruturação dos serviços educacionais, bem como a relação entre escola e a conscientização sobre o desiquilíbrio atual da natureza, destacando também a relevância de campanhas educativas sobre o meio ambiente na escola. Para chegar às conclusões sobre a temática, a análise bibliográfica como metodologia empregada fez-se necessária no percurso da construção do artigo. A partir da pesquisa bibliográfica, perpetuou-se a necessidade de abordar a análise da realidade escolar quanto à compreensão dos alunos sobre a crise ambiental atual, por meio da observação em sala de aula, mediante palestra frisando a sustentabilidade. As conclusões mostraram que ainda que seja bastante difícil exercitar uma visão do professor que não se aliena frente ao pessimismo de muitos, a equipe escolar que acredita e se esforça para fazer seu papel, orientada nos valores que mantém o equilíbrio dos recursos naturais, evidentemente poderá trabalhar de maneira mais harmônica e orientada também nos valores socioambientais. A instituição escolar engajada na necessidade da educação ambiental se apresenta como veículo de reprodução de práticas sustentáveis.





Palavras- chaves: Atitude sustentável. Campanhas educativas. Recursos Naturais.







1. INTRODUÇÃO







É impossível existir vida na terra sem os recursos que a mantém. Estamos vivendo em uma crise ambiental, onde a ambição do homem e o poder não racionalmente utilizado têm sido instrumento de ruína da sua fonte de vida, têm sido causas do desiquilíbrio da natureza, fruto da má apropriação dos recursos naturais.

Conforme Mello et al. (2007) Essa crise ambiental nunca vista na história se deve à enormidade de nossos poderes humanos, pois tudo o que fazemos tem efeitos colaterais e consequências não-antecipadas, que tornam inadequadas as ferramentas éticas que herdamos do passado diante dos poderes que possuímos atualmente. Um dos mais lúcidos filósofos contemporâneos, Hans Jonas, descreveu, com uma simplicidade contundente, a crise ética de profundas incertezas em que nos achamos: “nunca houve tanto poder ligado com tão pouca orientação para seu uso. Precisamos mais de sabedoria quanto menos cremos nela”. (MELLO, et al. 2007).

Nesse sentido, essa crise ambiental são consequências de poderes que o ser humano exerce sobre a terra. Em face disso, o homem se apropria da natureza, se beneficia dela, mas age de maneira desenfreada, fundamentado apenas à satisfação pessoal, não se dando conta dos efeitos colaterais de suas atividades de exploração.

Desde a infância, faz-se importante que o homem tenha motivos para preservar o planeta terra e que se sinta como sujeito responsável pelo equilíbrio da vida. Quando na infância, o ser humano é instruído a cuidar da natureza, suas ações se orientam pelos valores de sustentabilidade.

Porém, essas ações precisam ser ensinadas e motivadas, visto que o homem não nasce pronto, mas se modifica ao longo de seu processo de formação. Essas ações são potencialidades não desenvolvidas, e ao serem estimuladas por meio de informações mediadas pelo trabalho familiar e docente, as atitudes sustentáveis se desenvolvem.

Para o processo de desenvolvimento do homem, a escola representa um papel indispensável, trazendo além da formação intelectual, a formação de valores e princípios morais fundamentais. Em virtude disso, é importante que a escola esteja apta às práticas pedagógicas que sensibilizem os alunos à consciência da situação em que se encontra o planeta terra. Quando a criança é inserida no processo de manutenção do equilíbrio das condições de vida na terra, ela caminha para a formação de valores e comportamentos que permanecerão intactos.

Considerando tais colocações, o presente artigo tem como problemática: qual a relação entre a escola e a prática de atitudes voltadas para a conservação e equilíbrio da natureza? Com base nesse contexto, partiremos das seguintes questões norteadoras: Quais as contribuições da lei de Diretrizes e Bases nº 9.394/96 quanto à necessidade de se aderir a educação ambiental na organização e estruturação dos serviços educacionais? Qual a relevância de campanhas educativas sobre o meio ambiente na escola? Qual a relação entre escola e a conscientização sobre o desiquilíbrio atual da natureza?

A partir da pesquisa bibliográfica como metodologia, fez-se pertinente a necessidade de abordar a análise da realidade escolar quanto à compreensão dos alunos sobre a crise ambiental atual, por meio da observação no 4° ano do Ensino Fundamental de uma escola de rede privada na cidade de Imperatriz-MA. Após a observação, mediante o auxílio da professora responsável pela turma, foi proposta à professora pelo grupo de pesquisa a realização de uma palestra sobre atitudes sustentáveis, na qual o grupo e a docente responsável pela turma conduziria a palestra em sala de aula.

A palestra teve como objetivo proporcionar informações fundamentais sobre a importância do consumo consciente dos recursos naturais, bem como constatar em que nível de esclarecimento essas crianças se encontra quanto ao tema e promover a conscientização em sala de aula sobre a relação do homem com o meio ambiente.





2. A NECESSIDADE DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA ORGANIZAÇÃO E ESTRUTURAÇÃO DOS SERVIÇOS EDUCACIONAIS.





É importante ressaltar que na Educação Infantil e no Ensino Fundamental, há uma necessidade de promover a sensibilidade e percepção das crianças com o meio onde vivem, dando possibilidades da reflexão sobre qual seria sua relação com a natureza, os seus recursos, como ajudar a não degradar, como preservar.

Segundo Mello et al. (2007), na educação infantil e no início do ensino fundamental é importante enfatizar a sensibilização com a percepção, interação, cuidado e respeito das crianças para com a natureza e cultura, destacando a diversidade dessa relação. Ainda conforme os autores, nos anos finais do ensino fundamental faz-se relevante desenvolver o raciocínio crítico e interpretativo das questões socioambientais bem como a cidadania ambiental.

As questões socioambientais e a reflexão quanto a cidadania ambiental, no ensino médio e na educação de jovens e adultos, se orientam de modo mais aprofundado, promovendo o pensamento crítico frente ao contexto das desigualdades sociais que expõem uma parte da população à situação de vulnerabilidade e risco ambiental. Como exemplifica Mello et al. (2007):

No ensino médio e na educação de jovens e adultos, o pensamento crítico, contextualizado e político, e a cidadania ambiental devem ser ainda mais aprofundados, podendo ser incentivada a atuação de grupos não apenas para a melhoria da qualidade de vida, mas especialmente para a busca de justiça socioambiental, frente às desigualdades sociais que expõem grupos sociais economicamente vulneráveis em condições de risco ambiental. (MELLO, et al. 2007,p.31).

Nesse sentido, a educação ambiental proporciona aos alunos a possibilidade de apropriação das questões que fundamentam toda a estrutura e manutenção do mundo que vivem, assim como a capacidade de enxergar a situação de vulnerabilidade de grupos sociais, que por sua vez se enquadram em situação de risco ambiental, devido aos efeitos colaterais das atividades desenfreadas de exploração dos recursos naturais. Promover essa possibilidade de reflexão e análise abre-se caminhos para atitudes que busquem a justiça socioambiental.

O principal objetivo da educação ambiental nas escolas é a conscientização humana sobre a atitude de usufruir dos recursos oferecidos pela natureza sem prejudica-la. Diante de tal concepção, é necessário enfatizar o trabalho docente como instrumento de mediação dessa perspectiva, levando-a em consideração no planejamento de suas práticas pedagógicas, objetivando o incentivo às atitudes sustentáveis. Contudo, tais práticas, se atrelam a desafios complexos.

De acordo com a Educação (2007), a resolução n. 2 do Conselho Nacional de Educação (CNE) - institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Ambiental (DCNEA). Ela se coloca como um desafio para toda a sociedade brasileira, especialmente para os setores comprometidos com a educação nas escolas, para que estas sejam espaços educadores sustentáveis, integrando proposta curricular, gestão democrática, edificações e relações com a comunidade de forma a se constituírem como referências de sustentabilidade.

O Plano Nacional de Educação (PNE) menciona a obrigatoriedade da educação ambiental no ensino fundamental e médio com a observância dos princípios da Lei nº 9.795/99. Os Parâmetros Curriculares Nacionais orientam o programa pedagógico das escolas e a operacionalização da educação ambiental.



Art. 32. O ensino fundamental obrigatório, com duração de 9 (nove) anos, gratuito na escola pública, iniciando-se aos 6 (seis) anos de idade, terá por objetivo a formação básica do cidadão, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.274, de 2006).

I - o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo;

II - a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade; (CIVIL, 2017).

A lei citada, nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, de forma sucinta, menciona a questão ambiental, mas coloca como dever da escola proporcionar aos alunos esse quesito em seus conteúdos. Cabe salientar, que não se trata apenas de mencionar para os alunos questões de degradação do meio ambiente, mas provocar neles comportamentos voltados ao equilíbrio natural, fazendo-os entender que as atitudes simples e cotidianas estejam atreladas à conservação dos recursos que os mantêm vivos.





3. A RELAÇÃO ENTRE ESCOLA E O CONHECIMENTO DA CONDIÇÃO DE DESIQUILÍBRIO DA NATUREZA.



Com a crescente problemática da falta de recursos naturais, deve- se investir cada vez mais em atitudes sustentáveis como a economia de água, a reutilização de recursos orgânicos, a economia de energia, ações que diminuam os desgastes e degradação da natureza, como por exemplo, a atitude exercida por vários países ao assinarem um documento chamado Protocolo de Montreal, que passou a vigorar em 1989, onde o principal objetivo é reduzir a emissão de substâncias que venham a agredir a camada de ozônio.

Este documento foi assinado por 47 países, onde os mesmos se comprometeram a reduzir o uso dos CFCs (Clorofluorcarbonos) substância que era utilizada na composição de sprays, na limpeza a seco e na refrigeração. A substituição desse composto por outro de mesma equivalência, porém que não agride a atmosfera foi, portanto, segundo estudo de grande importância para a chamada “recuperação da camada de ozônio” onde cientistas obtiveram pela primeira vez, provas de que a mesma está se recuperando, constataram que o furo sobre o continente austral reduziu a um tamanho correspondente a meio Brasil, quatro milhões de quilômetros quadrados.

Da mesma forma, é essencial encontrar um meio que diminua a agressão a um dos recursos naturais essenciais para o ser humano que é a água. Atualmente o mundo passa por uma grande crise hídrica, pois, de toda a água disponível no mundo, boa parte é salgada, distribuídas nos mares e imprópria para consumo. E o que infelizmente é notável é que da pouca parte que está a nossa disposição um percentual é poluído.

Diante essa realidade, será que jovens e crianças estão cientes desse contexto? Há uma preocupação das escolas em promover inquietações em seus alunos quanto ao uso e aos abusos dos recursos naturais? Ou esse assunto é apenas mencionando sem uma orientação aprofundada?

Dados mostram que 97,61% da água total do planeta são oriundas dos oceanos, as calotas polares e geleiras correspondem a 2,08%, água subterrânea 0,29%, lagos 0,009%, lagos com água salgada 0,008%, água misturada no solo 0.005%, rios 0,00009% e vapor d’água na atmosfera 0,0009%. Assim sendo, apenas 2,4% da água é doce e somente 0,02% está disponível em lagos e rios que abastecem as cidades. Cerca de 50% da população consome água poluída e 2,2 milhões de pessoas morrem em decorrência de água contaminada.

Portanto, como a escola é um canal por onde é viável a construção da consciência crítica ecológica, torna- se fundamental, programar este conteúdo no meio acadêmico. E para motivar os alunos, a educação ambiental deve estar associada ao currículo e, e que disponha de alguma finalidade. Todo esse processo educativo está ligado ao fato de levar o educando a ter prazer em conhecer, a buscar aquilo que é novo, que é desafiante e venha a suscitar nele o desejo de buscar o aprendizado daquilo que está sendo ensinado.

Algumas instituições trabalham muito esse cuidado com a natureza especificamente no dia 21 de Setembro, onde é comemorado o dia da árvore, porém é notável que no resto do ano pouco seja abordado sobre essa problemática que é a sustentabilidade.

Quando há nas escolas a reflexão da necessidade de trazer para os educandos a compreensão do que é ter ações sustentáveis, essas atitudes prevalecerão durante todo o ano. Surgindo nesse contexto, atitudes como, separar o lixo orgânico dos demais, e reutiliza- lós como adubo para jardins e hortas que são cultivadas dentro do próprio ambiente escolar. Além de cultivarem, essa prática gera nos alunos o cuidado e o zelo para com o meio ambiente, e dentro desta atividade, são conduzidos a reutilizar materiais que antes eram descartados e muitas vezes acabavam poluindo rios e lagos. Tais materiais como garrafas plásticas, pneus, podem ser utilizados como vasos e recipientes para plantas, além de servirem como artigos decorativos.







4. A CONTRIBUIÇÃO DE CAMPANHAS EDUCATIVAS SOBRE O MEIO AMBIENTE NA ESCOLA





Fala-se muito sobre sustentabilidade, mas afinal o que é sustentabilidade? Sustentabilidade é um termo utilizado para definir ações sustentáveis que visam melhorias no planeta. A escola, sem dúvidas é um dos lugares mais importantes para conhecimento e fornecimento de informações, para tais descobertas não seria diferente, onde as crianças são conduzidas á conhecerem e desenvolverem suas preocupações com o futuro, dentro de sala de aula.

É de suma importância que os professores apresentem a realidade de como era há anos atrás, e de como hoje se encontra o planeta, buscando alternativas que ocasionem melhorias para a natureza. A educação ambiental, ao trazer aspectos do cotidiano, leva as crianças a refletirem sobre suas atitudes, de tal modo, acontece uma conscientização do que é imprescindível para uma melhor qualidade de vida do ser humano, respeitando o que o meio ambiente tem á oferecer.

Considerando que não há modelo único para a ação educativa ambiental, pois ela é forjada em seu contexto, nem há ordem de prioridade para tratar questões como recursos hídricos, resíduos sólidos, consumo, poluição do ar etc., senão como resultado da percepção de cada realidade, sugerimos alguns parâmetros para constituir a arquitetura de projetos educativos, um instrumento vital para organizar ideias. (MELLO et al.,2007,p 99)

É preciso considerar as percepções já presentes em cada criança sobre o contexto em que está inserida, assim como a realidade que vivem, fazendo com que cada uma delas relacione aspectos do dia a dia com o que vai ser trabalhado em sala de aula, facilitando assim a aplicação dos métodos. Paralelo a esse aspecto, cabe destacar que a escola tem uma grande influência sob as crianças e abrange formas que podem modificar todos os espaços do mundo seja ele político, social ou cultural.

Campanhas que promovam uma educação ambiental é um método relevante nesse processo. Campanhas de reciclagem envolvendo corte e colagem, conscientização por meio de cartazes, desenhos, produções textuais, maquetes apresentando processos de reciclagem e etc. A proposta de campanhas sobre o meio ambiente, ao envolver debates, ações práticas na construção de uma escola sustentável, pode ser uma possibilidade de conduzir os alunos à atitudes ecológicas.

Um aspecto importante a ser mencionado é a Conferência de Meio Ambiente na Escola em que Mello et al. (2007) faz uma ressalva : “A proposta da Conferência é bem simples, mas ousada: incentivar que todas as escolas realizem conferências de meio ambiente envolvendo também a comunidade para discutir, levantando problemas locais e propondo ações para enfrentá-los [...]”. Para os autores, esse tipo de conferência vai além dos muros da escola, e traz a comunidade para participar: (MELLO et al. 2007):

[...] Uma delas é a própria idéia de realizar uma conferência, que difere de um evento, seminário, fórum, congresso, pois inclui momentos de debate, troca de idéias e reflexões, também momentos de priorização e tomada de decisões. Isso exige que todos passem a olhar para os problemas socioambientais mais urgentes e definam o que é possível fazer em cada escola e comunidade. (MELLO et al., 2007, p. 38).

Diante de tais propostas, como seria a realidade socioambiental se milhares de escolas fizessem seu papel como espações educadores sustentáveis? Inevitavelmente, teríamos uma sociedade que preserva, que se atenta a sua responsabilidade de participar do equilíbrio da natureza. Essa proposta de escola sustentável, fruto da educação ambiental bem sucedida, tende a proporcionar às pessoas o posicionamento crítico frente as atividades desenfreadas de exploração dos recursos naturais.

Quando a escola proporciona esse posicionamento aos alunos, eles crescem cientes da necessidade de consumir sem destruir o meio ambiente, eles entendem que em sua profissão seja ela qual for, deve-se respeitar os limites de apropriação dos recursos naturais.





5. AÇÕES APLICADAS À ESCOLA



Na perspectiva de promover campanhas educativas na instituição escolar, bem como resultado da necessidade de análise da realidade escolar quanto ao tema sustentabilidade, o grupo de pesquisa, do presente artigo, propôs-se a realização de uma palestra sobre Sustentabilidade no 4° ano do ensino fundamental de uma escola de rede privada na cidade de Imperatriz-MA. A proposta foi aceita pela professora responsável pela turma, assim como pela coordenação. Após o posicionamento da escola, foi disponibilizado ao grupo seis horários, em dias alternados.

A palestra foi realizada com o auxílio da docente atuante, quem esteve sempre em sala durante o percurso do projeto, acompanhando e ajudando. O objetivo da atividade proposta foi de disponibilizar aos alunos o conhecimento sobre a situação de desiquilíbrio da natureza e constatar em que nível de esclarecimento esses alunos se encontrava quanto ao assunto e proporcionar a oportunidade de conscientização quanto à relação do homem com o meio ambiente.

Deu-se início com a pergunta: o que é sustentabilidade? Os alunos tiveram a oportunidade de responder. Uma das respostas que trouxe interesse em destacar foi de uma aluna, que afirmou:“É quando uma pessoa sustenta sua família”. A resposta dessa aluna abriu um leque de participação dos colegas. A partir das respostas que surgiam com o diálogo o termo sustentabilidade ganhou significado diante a turma.

A turma pôde participar do diálogo, bem como de toda a palestra que se seguiu sobre a temática. Após a explicação do termo Sustentabilidade como práticas que promovem o equilíbrio da natureza, as crianças se deram conta de que já sabiam do que se tratava, mas não foi constatada na turma num primeiro momento, com a pergunta inicial, a capacidade de entender que sustentabilidade pode está relacionada às atitudes simples do dia- a- dia.

Foram enfatizadas dez atitudes simples para que compreendessem o real significado do termo Sustentabilidade, como: Gaste menos água; Faça compras sustentáveis: leve sua sacola retornável reciclável; Não desperdice alimentos; Recicle o seu lixo! Separe-o; Apague as luzes: quando não estiver em um cômodo da casa, desligue as lâmpadas e até mesmo os eletrodomésticos; Economize Energia; Reduza as impressões; Menos Copos descartáveis: leve o seu copo na bolsa; Plante seus alimentos; Menos carros.

No que concerne ao resultado do diálogo, como instrumento para o alcancedo objetivo de promover a compreensão sobre essas atitudes sustentáveis, os alunos fizeram comparações com temas da disciplina de Ciências, sobre recursos renováveis. A maioria da turma soube fazer uma reflexão sobre sustentabilidade por meio da água como recurso renovável. “Um aspecto interessante dessa experiência de adaptação do tema com assuntos já revisados em sala de aula apresenta-se na capacidade dessas crianças em contribuir, dialogar sobre o assunto, meio da adaptação do tema ao cotidiano delas afirmar que:” Não é porque a água é um recurso renovável que a gente tem que desperdiçar".

A referida experiência proporcionou um vislumbre da riqueza de reflexões que as crianças possuem, visto que só precisam ser estimuladas. Quando estimuladas, essas crianças poderão ser agentes propagadores da transformação de um mundo que perece na má apropriação dos recursos naturais.

Após a palestra as crianças puderam relembrar de aulas anteriores que destacavam esses aspectos, mas constatou-se que há uma necessidade de trabalhar a educação ambiental por meio da interdisciplinaridade, baseando-se em temas geradores entre as várias disciplinas e que não seja uma instrução corriqueira, sem tempo para um aprofundamento.

Com o objetivo de proporcionar a livre expressão de ideias sobre o tema, foi disponibilizado à turma, um momento para produzirem em cartazes o que aprenderam na palestra e foram impressionantes as sugestões que foram surgindo. Tal experiência nos proporcionou a contemplação da capacidade e potencialidade desses alunos, que usaram de toda sua criatividade e colocaram em papel suas ideias de sustentabilidade. Como mostram as imagens

Foto 1- Produção de Cartaz pelas crianças de uma escola de Imperatriz

Foto 2- Atividade em grupo para a elaboração de cartaz sobre Sustentabilidade

Fonte; Autores, 2017.



Após a elaboração dos cartazes, as crianças foram conduzidas a expor seus trabalhos no mural da escola.



Foto 3- Exposição do trabalho no mural da escola

Fonte – Autores, 2017





CONCLUSÃO





A experiência do processo de construção do presente artigo em buscar a realidade escolar, relacionando-a as atitudes sustentáveis necessárias, fez-se possível a reflexão sobre a responsabilidade do trabalho docente, assim como de toda a comunidade escolar.

É preciso que haja uma atitude transformadora, não só por parte do professor, mas de um conjunto, que pode intervir, como: toda a escola; alunos, pais e comunidade; sistema de ensino; sistema político; e por que não toda a sociedade? Em geral, todos podem intervir ao enxergar a educação como um combustível, para o crescimento contínuo de cidadãos.

Ainda que seja bastante difícil exercitar uma visão do professor que não se aliena frente ao pessimismo de muitos, o docente e a comunidade escolar que mantém uma atitude firme quanto aos propósitos de um aprendizado, que se orientam também nos valores que mantém o equilíbrio dos recursos naturais, tende a promover a constituição de atitudes voltadas ao equilíbrio da natureza. Quando a equipe escolar acredita e se esforça para fazer seu papel, evidentemente poderá trabalhar de maneira mais harmônica e orientada também nos valores socioambientais.

Portanto, esta equipe escolar de atitudes transformadoras, poderá ter a plena convicção de que está a caminho de participar com maior sucesso no desenvolvimento de seus alunos. Considerando tais colocações, a escola se apresenta como veículo de reprodução de práticas sustentáveis, tal reprodução demonstra sua relação quanto ao âmbito individual e coletivo para a conservação e equilíbrio da natureza.

Com o resultado desse trabalho foi criado na escola uma comissão de professores que irão trabalhar o tema sustentabilidade, esse tema será colocado dentro do currículo de todas as séries. Ainda foi instituída uma mostra cientifica voltada para sustentabilidade. A primeira edição aconteceu em novembro com apresentação de 30 trabalhos durante dois dias, as crianças confeccionaram todo o material que foi apresentado. Para o ano de 2018, já está previsto a segunda edição para junho, com a perspectiva de 100 trabalhos.

O projeto foi relevante para escola, sociedade e meio ambiente. Os resultados positivos forram demonstrados pelo empenho de alunos e professores.







REFERÊNCIAS





CIVIL, Presidência da República Casa. LEI Nº 9.394, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996. Texto compilado (Vide Decreto nº 3.860, de 2001) (Vide Lei nº 10.870, de 2004) (Vide Adin 3324-7, de 2005) (Vide Lei nº 12.061, de 2009) Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional.



EDUCAÇÃO, Ministério da. CONSULTA PÚBLICA SOBRE O PROGRAMA NACIONAL DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL – ProNEA (VERSÃO DE 2004).



FREITAS, Eduardo de. Água potável; Brasil Escola. Disponível em: <http://brasilescola.uol.com.br/geografia/agua-potavel.htm>.

Acesso em: 30 de outubro de 2017.





FRANCISCO, Wagner de Cerqueira e. Camada de Ozônio; Brasil Escola. Disponível em: <http://brasilescola.uol.com.br/geografia/camada-de-ozonio.htm>.

Acesso em: 27 de outubro de 2017.





MELLO, Soraia Silva de et al. Vamos cuidar do Brasil: conceitos e práticas em educação ambiental na escola. Brasília: UNESCO, 2007. 248 p.























" data-layout="standard" data-action="like" data-show-faces="true" data-share="true">
 
Início      Cadastre-se!      Procurar      Submeter artigo      Fazer doação      Contato     Apresentação     Normas de Publicação     Resultado do prêmio     Prêmio: Destaques     Prêmio: Selecionados     Artigos     Dicas e Curiosidades     Reflexão     Para sensibilizar     Entrevistas     Culinária     Arte e ambiente     Divulgação de Eventos     Sugestões bibliográficas     Educação     Plantas medicinais     Práticas de Educação Ambiental     Educação e temas emergentes     Ações e projetos inspiradores     Gestão Ambiental     Cidadania Ambiental     Relatos de Experiências     Notícias