ISSN 1678-0701
Número 62, Ano XVI.
Dezembro-2017/Fevereiro-2018.
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Entrevistas

10/12/2017ENTREVISTA COM SABRINA DINORÁ SANTOS DO AMARAL PARA A 62ª EDIÇÃO DA REVISTA VIRTUAL EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM AÇÃO  
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ENTREVISTA COM SABRINA DINORÁ SANTOS DO AMARAL PARA A 62ª EDIÇÃO DA REVISTA VIRTUAL EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM AÇÃO por BERE ADAMS

 

Foto: Varanda de casa (meu lugar predileto) Agosto de 2017

 

Apresentação: A entrevistada desta edição é Sabrina Dinorá Santos do Amaral. Eu a conheci pelas redes de Educação Ambiental e o nosso primeiro contato pessoal se deu em 2009, no VI Fórum Brasileiro de Educação Ambiental que ocorreu no Rio de Janeiro. Sabrina tem uma trajetória incrível e inspiradora. Ela é Educadora Ambiental, militante de movimentos socioambientais e de juventude e meio ambiente. Entre outras tantas atividades (atua em ONGs, Coletivos Educadores, Redes de Educação Ambiental), ela se dedica a implementação da Agenda 21 escolar, a práticas cotidianas para uma escola sustentável e em processos formativos e de gestão hídrica. É graduada em Pedagogia e em Ciências Biológicas, Especialista em Educação Ambiental, Mestre em Educação e Doutoranda em Qualidade Ambiental. Atualmente é coordenadora de Educação Ambiental da Prefeitura Municipal de Taquara. Também é coordenadora local do Projeto Peixe Dourado - do Comitê de Gerenciamento da Bacia do Rio dos Sinos -, é integrante do Programa Permanente de Educação Ambiental deste comitê do Grupo de Estudos Socioambientais e participa do Projeto Verde Sinos.  Com toda esta trajetória, certamente teremos muito que aprender com esta grande Educadora Ambiental.

 

Rio2009comsabrina.jpg

 

Foto: Sabrina e Bere no VI Fórum Brasileiro de Educação Ambiental – 2009/RJ

 

Bere – Sabrina, é um imenso prazer tê-la como nossa entrevistada. Começo te perguntando: o que te levou ou te inspirou para seguir pela trilha da Educação Ambiental?

 

Sabrina – Olá Bere, acho que o correto é quem me inspirou. Tornei-me professora muito cedo, aos 15 anos de idade já estava nas salas de aula das escolas públicas da cidade de Parobé (RS). Foi quando conheci a professora Nelci Lázaro, ambientalista, e pessoa muito presente na comunidade, ela coordenava a educação ambiental do município, e eu me encantei com o trabalho dela a ponto de segui-la em todos os desafios que surgiam.

 

Bere – Como é importante termos profissionais de Educação Ambiental que promovem sopros de inspiração e que incentivam mais e mais pessoas a voarem em busca de realização de sonhos e ideais! Agora vamos para uma questão conceitual. Se é que isto é possível, como você define a Educação Ambiental, em poucas palavras?

 

Sabrina – Para mim, “Pertencimento”, pois deste sentimento vem meu amor pela educação, meu encantamento pela vida e minha vontade de lutar por tudo que acredito.

 

Bere – Em 1999 a Lei Federal nº 9.795 instituiu a Política Nacional de Educação (PNEA). Como você avalia as políticas públicas vigentes para a Educação Ambiental, desenvolvidas a partir de então?

 

Sabrina – A PNEA (Política Nacional de Educação Ambiental) foi um grande marco para a Educação Ambiental, logo após a ela, veio o ProNEA (Programa Nacional de Educação Ambiental), que foi revisitado ainda este ano, e ainda tivemos as DCNEA (Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Ambiental), lançadas em 2012. Todas elas foram importantes passos na construção de uma educação ambiental, crítica e emancipatória, porém, o que tenho observado é o desmantelamento das estruturas de educação ambiental, e seus espaços de proposição, encaminhamento e decisão no âmbito das políticas públicas.

 

Bere – Lamentável que isto venha acontecendo. Também venho percebendo “retrocessos” e perdas do que foi conquistado com muita luta. Sobre a Educação Ambiental propriamente dita, ainda hoje há certa dificuldade de uma compreendê-la como uma prática interdisciplinar, e volta e meia vem à tona a ideia de torná-la uma disciplina. O que você pensa sobre esta questão?

 

Sabrina – Realmente este é um debate antigo no âmbito da Educação Ambiental formal, educadores ambientais do Brasil todo consensuaram e expressaram a natureza transversal da EA na PNEA e no ProNEA. Acredito que podemos encontrar nas DCNEA um grande reforço neste tema, fazendo valer como prática educativa integrada, contínua e permanente, e não como uma disciplina específica do currículo.

 

Bere – Sim, as DCNEA reforçam e esclarecem muitos aspectos da Lei 9.795/99. Entre outras publicações, você é autora do livro Ecopedagogia: Refundamentando a educação na era planetária, de 2003. Fale-nos um pouco desta obra e do que você mudaria - ou acrescentaria - nela, hoje:

 

Sabrina – O livro Ecopedagogia: Refundamentando a educação na era planetária foi construído como trabalho de conclusão do meu curso de pedagogia. Nele procurei apresentar indagações pedagógicas para o processo de ensino-aprendizagem voltado às questões socioambientais. Procurei trazer a Pedagogia de Paulo Freire juntamente com as proposições de Gutiérrez e Prado. Para mim ele ainda é muito atual, pois traz uma proposta de educação que têm ganhado força e forma entre escolas e educadores, porém, com certeza o capítulo de experiências eco pedagógicas e seus espaços de aprendizagem se encontrariam com muitas outras proposições.  

 

Bere – Você também é autora de diversas publicações dirigidas à formação de Educadores Ambientais. Você considera que os professores estão preparados para a aplicação de uma Educação Ambiental crítica e interdisciplinar?

 

Sabrina – Tenho acompanhado um importante movimento, em inúmeras frentes, para a ambientalização do currículo nas universidades. Observo que algumas têm buscado inserir nas licenciaturas, disciplinas voltadas ao tema, mas acredito que ainda não seja o suficiente, por este motivo, tenho me dedicado a formação continuada de professores.

 

Bere – Você atua, em diversas frentes, de muitas ações desenvolvidas pelas Redes de Educação Ambiental, então, gostaria que você comentasse qual a importância destas articulações, para a consolidação da Educação Ambiental?

 

Sabrina – Para mim as Redes são instrumentos de organização das lutas. Cássio Martinho as cita como principal forma de expressão e organização coletiva, no plano político e na articulação de ações, e sendo assim, é através delas que visualizo os maiores feitos da Educação Ambiental, tanto a nível global, quanto local.

 

Bere – Esta revista é a confirmação do que você pontuou, pois ela nasceu de uma rede informal articulada por mensagens eletrônicas, o GEAI (Grupo de Educação Ambiental da Internet), e lá se vão 15 anos de revista.  Desde lá, a minha percepção de que tudo está relacionado vem se ampliando. Como você pensa que política, cultura e Educação Ambiental estão relacionadas?

 

Sabrina – Uma sociedade mais justa, este é o sonho, é a busca pela garantia para todos, do fim das opressões de raça e gênero, é acreditar no respeito e na conservação do meio ambiente, buscar a educação de qualidade, a saúde, alimentos, dentre outros. Nessa luta, existem diversas ferramentas como a educação, mudança cultural, diálogo, troca de saberes, todas se relacionam, todas colaboram com a caminhada.

 

Bere – Você, atualmente, pesquisa sobre como transformar as escolas públicas em Espaços Educadores Sustentáveis. Fale-nos um pouco sobre o que são Espaços Educadores Sustentáveis:

 

Sabrina – O exercício da cidadania perpassa diferentes tecidos de nossa sociedade, encontramos estruturas, princípios e diretrizes para a sustentabilidade em residências, entidades e diferentes organizações, fazendo delas espaços sustentáveis. Meu estudo se volta às entidades, instituições e ou organizações, que apresentam, além de estruturas, princípios e diretrizes sustentáveis, também a intenção de educar através delas. Neste caso, podemos fazer um recorte nas instituições educacionais, que enquanto espaços educadores encontram-se em transição a constituírem-se como Espaços Educadores Sustentáveis.

Neste contexto, me dedico às quatro dimensões propostas aos espaços educadores sustentáveis. No espaço físico, busco questionamentos sobre a adequação dos espaços em matrizes mais sustentáveis, e ecotécnicas que transformem e materializem a sustentabilidade da escola, através do potencial educador das edificações. Em currículo, trabalho com a incorporação da EA de forma inter e transdicsiplinar, perpassando o Projeto Político Pedagógico, práticas e saberes socioambientais. Na dimensão da Gestão, o principal mote baseia-se na constituição e no desenvolviemnto de ações das Comissões de Meio Ambiente Qualidade de Vida na escola, as COM-VIDA´s e na dimensão Comunidade, o desafio da mobilização e da facilitação da participação e do engajamento da sociedade.

 

Bere – Para finalizar, nesta sua vasta trajetória, quais foram as suas maiores dificuldades encontradas, de uma forma geral, e quais foram as maiores realizações?

 

Sabrina – Minha maior dificuldade foi, sem dúvida, a maior realização. Sensibilizar gestores para a importância de uma educação ambiental formal, crítica e emancipatória, constituída através de processos coletivos e participativos. Hoje temos em Taquara a Institucionalização da Educação Ambiental na Secretaria Municipal de Educação, e um programa de Educação Ambiental construído por educadores e comunidade no âmbito do Coletivo Educador Ambiental.

 

Bere – Finalizando, então, essa gostosa e elucidativa entrevista, deixa-nos uma frase, um pensamento:

 

Sabrina – "Não há nada como o sonho para criar o futuro. Utopia hoje, carne e osso amanhã."

- Victor Hugo

 

Bere – Sabrina, em nome de toda equipe da revista Educação Ambiental em Ação, te agradeço pela sua generosidade por compartilhar tantas riquezas da sua trajetória. Você é uma pessoa inspiradora, que não só “veste a camiseta” da Educação Ambiental, mas a vive, em sua plenitude, parabéns e gratidão!

 

Bere Adams e Equipe da revista Educação Ambiental em Ação

 

Endereço de e-mail para contato com Sabrina Amaral <sdsamarall@gmail.com>

 

 

 



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