ISSN 1678-0701
Número 60, Ano XVI.
Junho/Agosto/2017.
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03/06/2017A ESCOLA: SEARA DE (RE) CONSTRUÇÃO  
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A ESCOLA: SEARA DE (RE) CONSTRUÇÃO

 

Maria Cristina da Silva (1)

Rogério Ramos do Prado (2)

              

(1)  Licenciada em Letras e Mestranda em Sistemas de Produção na Agropecuária,Unifenas -Coordenadora do Curso de Pedagogia Unifenas- Campus Alfenase-mail: maria.cristina@unifenas.br

(2) Graduado em Administração e Direito, Mestre em Administração  e Mestrando em Sistemas de Produção na Agropecuária Unifenas, Diretor de Extensão e Assuntos Comunitários –Unifenas- Campus Alfenas – e-mail:rogério.prado@unifenas.brm Sistemas de Produção

 

 

RESUMO

A escola tem vivenciado mudanças em seu currículo em todas as etapas do desenvolvimento escolar. Houve inserção de várias disciplinas contemplando várias áreas do conhecimento. Entre as quais a Educação Ambiental tem tido seu lugar nas grades curriculares nas escolas em todo país. Tal fato se dá visto que o meio ambiente e as implicações advindas deste contexto têm gerado inquietações entre pesquisadores e a sociedade leiga.A natureza, nosso bem maior, tem se mostrado frágil diante das agressões do homem na sua incansável busca pela sobrevivência. Nesta busca cada vez mais, o ser humano tem ocupado espaços que pertencem aos animais fazendo com que estes migrem para o convívio urbano causando desconforto e insegurança para ambos. Em alguns casos esses animais são afugentados de forma violenta podendo vir a óbito e, sendo assim é urgente discutir e refletir sobre os conceitos intrínsecos na tríade homem-natureza-sustentabilidade. O espaço escolar parece ser o local adequado para o diálogo e o debate que oportunizam a formação de valores e mudança de comportamento.E, nesse sentido,esse manuscrito propõe uma reflexão a partir de textos bibliográficos sobre a práxis pedagógica e adequação de conteúdos como subsídios importantes para delinearmos ações que legitimem a máxima promulgada na legislação vigente.

 

Palavras-chave:Educação Ambiental. Conhecimento. ServiçosEcossistêmicos. 

 

The school: a field of (re) construction

 

ABSTRACT


The school has undergone changes in its curriculum at all stages of school development. There were several disciplines that included various areas of knowledge. Among them, Environmental Education has taken its place in curricula in schools throughout the country. This fact occurs because the environment and the implications of this context have generated uneasiness between researchers and lay society. Nature, our greatest good, has been fragile in the face of man's aggressions in his relentless quest for survival. In this search more and more, the human being has occupied spaces that belong to the animals causing them to migrate to the urban conviviality causing discomfort and insecurity for both. In some cases, these animals are violently scared and may die, and it is therefore urgent to discuss and reflect on the intrinsic concepts in the man-nature-sustainability triad. The school space seems to be the appropriate place for dialogue and debate that allows the formation of values ​​and behavior change. And, in this sense, this manuscript proposes a reflection based on bibliographical texts on pedagogical praxis and content adequacy as important subsidies to delineate actions that legitimize the maximum promulgated in the current legislation.

 

Keywords: Environmental education. Knowledge. Ecosystem Services

 

INTRODUÇÃO

A escola tem sido alvo de análises nas últimas décadas enquanto instituição. Em seus inúmeros desdobramentos de desempenho considerou-se a vertente que observa os determinismos sociais e a dicotomia criada entre homem-circunstância, ação-estrutura, sujeito-objeto. Essa vertente se inspira num movimento existente nas ciências sociais, direcionado por um paradigma emergente que, segundoBoaventura (1991), tem como característica a superação do conhecimento dualista, expresso na volta do sujeito às ciências: o sujeito, que a ciência moderna lançara na diáspora do conhecimento irracional, regressa investido da tarefa de fazer erguer sobre si uma nova ordem científica.

O reflexo desse paradigma emergente é um novo humanismo,que coloca a pessoa, enquanto autor e sujeito do mundo, no centro do conhecimento, mas, tanto a natureza quanto as estruturas, estão no centro da pessoa, ou seja, a natureza e a sociedade são antes de tudo, humanas.

Sendo o homem e natureza um só: humanos, havemos de pensar meios reestabelecer a harmonia entre ambos a fim de que as gerações futuras sejam asseguradas. Restituir ao ser humano a capacidade de se encontrar em seu meio reconhecendo seu papel e importância nos desencadeamentos.

“ Nessa perspectiva caberá à escola, solo fértil de transformações e de empoderamento dos sujeitos planejar e desenvolver ações que levem o aluno ao encontro de si mesmo enquanto agente responsável pelo lugar que vive. ”(Ezpeleta& Rockwell,1986).

A educação, ainda compartimentada, vale-se de documentos como a Política Nacional do Meio Ambiente (BRASIL, 1999) que determina a inserção da Educação ambiental nos currículos de educação básica, visando atividades voltadas à conservação do ambiente. Como isso se dará, quais são os sujeitos envolvidos, quais são as implicações e especificidades contidas nas partes considerantes consiste num desafio da escola que também precisa localizar-se como instituição que transforma. Reflitamos sobre algumas questões.

 

 

O sujeito em contexto

 

De acordo com Vigotski(1989 p.139),as ideias e conhecimentos produzidos pelo homem num determinado momento histórico refletem a base material da sociedade na qual ele está inserido.

No momento que recuperamos a história do sujeito, podemos compreender como ele é determinado, pois o social o constitui. Sem as determinações sociais, não seríamos o que somos, pois elas são constitutivas do sujeito Pino(2002 pg.64).O homem se adapta facilmente desde que as condições o favoreçam em algumas vezes considerando-se como centro do universo e portando se comportando como se tudo estivesse o tempo todo a seu dispor incondicionalmente.

Segundo Bock (1999, p. 24), nesta concepção, há sempre um homem apriorístico, ou seja, um homem que se realizará se as condições humanas lhe forem dadas. Esse é um comportamento cultural espelhado, herdado uma vez que o ser humano é dotado de especificidades o que lhe possibilita interagir e agir de forma que o grupo ao qual pertence assume as mesmas características e vice-versa com base num mimetismo social.

Kahhale (2002, p. 76) pontua que a transmissão das experiências e dos conhecimentos ocorre pela educação e pela cultura, e não somente pela transmissão genética. Assim, através das experiências e das ações, [...] adquire consciência de que sua atuação [...] possui um fim dirigido e que é capaz de incorporar experiências anteriores. Ele é capaz de evocar o passado e planejar o futuro e estes são processos intencionais, conscientes.

Para Lago e Pádua (1984), a influência do homem sobre o meio ambiente vai variar historicamente de acordo com o modo de produção, a estruturação das classes, o aspecto tecnológico e o universo cultural de cada sociedade.

Segundo Almeida (1988, p.13), a noção de apropriação da natureza implica numa manipulação da mesma, subordinada aos fins propostos por seu dominador, que, em primeira instância, é o homem. A natureza provê os recursos essenciais para a permanência da espécie humana e os de todos os seres vivos.

Sendo necessário, então, refletir sobre manutenção destes recursos para as próximas gerações.

“O homem é uma parte deste universo e é composta por ele, no entanto, ele se autodeclara ter o poder de estipular a importância dos outros componentes em relação a seu interesse" (ALMEIDA, 1988, p.22).

É preciso que a educação de base, de forma interdisciplinar, dialogue em todos os espaços escolares sobre a importância do homem se perceber parte do sistema e, portanto, responsável pelas alterações.

[...]”já não é possível dissociar o homem do meio natural de onde não pode ser omitida nenhuma espécie animal ou vegetal, cada uma delas intervindo parcialmente num vasto equilíbrio. O homem e o conjunto da criação formam um todo e a salvação do homem exige a sua harmonia com a natureza. ”(DORST 1973, p.334).

 

A ESCOLA: MEIO DE TRANSFORMAÇÃO DO MEIO

 

Entre caminhos que a educação tem buscado no sentido de conscientização do papel individual e coletivo na preservação e compreensão do ecossistema, os grupos de estudos regulados pelo sistema enfatizam a educação ambiental prioritariamente na educação de base. De acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental, Art. 2°, a Educação Ambiental é uma dimensão da educação, é atividade intencional da prática social, que deve imprimir ao desenvolvimento individual um caráter social em sua relação com a natureza e com os outros seres humanos, visando potencializar essa atividade humana com a finalidade de torná-la plena de prática social e de ética ambiental.

Consoante a Conferência Sub-regional de Educação Ambiental para a Educação Secundária – Chosica - Peru (1976), a educação ambiental é a ação educativa permanente pela qual a comunidade educativa tem a tomada de consciência de sua realidade global, do tipo de relações que os homens estabelecem entre si e com a natureza, dos problemas derivados de ditas relações e suas causas profundas. Ela desenvolve, mediante uma prática que vincula o educando com a comunidade, valores e atitudes que promovem um comportamento dirigido à transformação superadora dessa realidade, tanto em seus aspectos naturais como sociais, desenvolvendo no educando as habilidades e atitudes necessárias para a dita transformação.

Vários lugares do mundo se debruçam, há muitas décadas, sobre a reformulação e formulação de documentos que norteiam e direcionam os fazeres pedagógicos no que tangem às ações próprias deste tema.

No texto da Conferência Intergovernamental de Tbilisi (1977),a educação ambiental é um processo de reconhecimento de valores e clarificações de conceitos, objetivando o desenvolvimento das habilidades e modificando as atitudes em relação ao meio, para entender e apreciar as inter-relações entre os seres humanos, suas culturas e seus meios biofísicos.

 A educação ambiental também está relacionada com a prática das tomadas de decisões e a ética que conduzem para a melhora da qualidade de vida.

A Educação Ambiental, de acordo com Quintas, J. S.(2008 ,p.43)deve proporcionar as condições para o desenvolvimento das capacidades necessárias para que grupos sociais, em diferentes contextos socioambientais do país, intervenham, de modo qualificado tanto na gestão do uso dos recursos ambientais quanto na concepção e aplicação de decisões que afetam a qualidade do ambiente, seja físico-natural ou construído, ou seja, educação ambiental como instrumento de participação e controle social na gestão ambiental pública.

Processo em que se busca despertar a preocupação individual e coletiva para a questão ambiental, garantindo o acesso à informação em linguagem adequada, contribuindo para o desenvolvimento de uma consciência crítica e estimulando o enfrentamento das questões ambientais e sociais. Desenvolve-se num contexto de complexidade, procurando trabalhar não apenas a mudança cultural, mas também a transformação social, assumindo a crise ambiental como uma questão ética e política, fala Mousinho (2003)

“A educação ambiental para uma sustentabilidade equitativa é um processo de aprendizagem permanente baseado no respeito a todas as formas de vida. Tal educação afirma valores e ações que contribuem para a transformação humana e social e para a preservação ecológica. Ela estimula a formação de sociedades socialmente justas e ecologicamente equilibradas, que conservam entre si relação de interdependência e diversidade. Isto requer responsabilidade individual e coletiva a nível local, nacional e planetário”. (LEONARDI, 1997, p. 399)

Com base nas premissas acima, a escola torna-se um espaço no qual o processo educativo levaráa um saber ambiental materializado nos valoreséticos que serão direcionados para a cidadania ativa considerando seu sentido de pertencimento e corresponsabilidade que, por meio da ação coletiva e organizada, busca a compreensão e a superação das causas estruturais e conjunturais dos problemas ambientais.

 

O CONHECIMENTO COMO AGENTE TRANSFORMADOR

 

O mundo tem voltado o olhar para as questões ambientais, os impactos da ação do homem, as implicações e consequências de ações geradas pelo instinto de sobrevivência bem como de comportamento equivocado oriundos da falta de conhecimento e de heranças culturais questionáveis.

A busca pela sobrevivência associada à falta de informação são os principais responsáveis pelo desequilíbrio ecológico e consequentemente pelos danos para o próprio homem.

Exemplo de falta desconhecimento como gerador desse desequilíbrio é o fato de em determinados lugares ser comum, a prática de matar corujas.

De acordo com Dos Anjos et al (2004), na cultura grega, indígena em geral e na Amazônia as corujas são vistas como bons prenúncios. Especificamente em Roma as corujas são consideradas como bruxas. Já na Colômbia, Bahia, Pernambuco, nos estados do Norte do Brasil e em Minas Gerais as corujas foram associadas a mau agouro, que não trazem sorte, seres funestos.

 Considera-se que no mundo, inclusive no Brasil, as representações socioculturais acerca das corujas, em sua grande maioria estão ligadas a maus presságios e podem prejudicar localmente o status de suas populações no planeta.

     Segundo o Dicionário de Símbolos, a coruja é uma ave de rapina noturna, que possui garras e enxerga na escuridão. Por esse motivo, ela pode simbolizar a lua, o misticismo e o bom augúrio.

As simbologias atribuídas a este animal variam bastante de cultura para cultura. Muitas delas associam essa ave ao simbolismo espiritual. Para os aborígenes australianos a coruja representa a alma das mulheres.

Por outro lado, muitas crenças associam a coruja com a morte, o desastre, o azar, que por meio de grito ruidoso e olhar penetrante, elas avisam que algo de ruim acontecerá. Não obstante, em algumas culturas antigas a coruja representava o governante da noite, guardião do submundo e protetor dos mortos.

Para os astecas, a coruja simbolizava o "Deus dos Infernos". Alguns acreditam que elas são animais que vêm à terra para comerem as almas dos moribundos.

Na Europa, durante a época medieval, corujas eram consideradas bruxas disfarçadas. Ainda hoje, a coruja é a divindade da morte e guardiã dos cemitérios.

Na Mitologia Grega, o símbolo de Atena,deusa da sabedoria e da justiça, era uma coruja. Isto porque ela possuía uma mascote que, segundo a lenda, lhe revelava os segredos da noite mediante seu poder de clarividência, inspirados pela lua.

Atena corresponde à deusa Romana Minerva,deusa das artes e da sabedoria, que também era representada por uma coruja.

Devido à sua capacidade de ver à noite, a coruja foi invocada pelos gregos e pelos nativos americanos como um oráculo do conhecimento oculto com poder de clarividência. Em outras palavras, quando os homens dormem, as corujas desvendam mistérios, pois enxergam o todo.

Além disso, na mitologia Grega, a coruja representa a figura de Ascáfalo, quando é metamorfoseado, filho de Aqueronte e da Ninfa Orfne e Guarda de Plutão, o Deus dos Mortos. Importante ressaltar que do grego, o termo "coruja" – Gláuks- significa "brilhante, cintilante".

Uma das divindades hindus chamada "Lakshmi", a deusa da prosperidade e da sabedoria, também é representada por uma coruja, nesse caso, branca.

O texto de Figueredo(2014) explica que as corujas são aves pertencentes à Ordem Strigiformes com padrões bastante característicos de comportamento, morfologia e anatomia.

 Apresentam hábito predominantemente noturno e são predadoras de animais invertebrados e vertebrados. São encontradas em todos os continentes, com exceção da Antártida.

Atualmente são descritas cerca de 210 espécies de corujas, das quais 24 já foram registradas no Brasil. Apresentam uma grande variação de tamanho, sendo que no Brasil temos desde os pequenos caburés (cerca de 60 g) até os jacurutus com cerca de 1 kg.

Suas penas são lubrificadas por um óleo à prova-d’água que elas passam no corpo, tornando-as impermeáveis.

Roedores silvestres e insetos constituem as principais presas da maioria das corujas, e uma série de adaptações garantem as refeições destes animais. Os olhos das corujas são grandes e voltados para frente.

Sua cabeça pode girar até 270 graus para ampliar o campo de visão. Veem muito bem tanto durante o dia quanto durante a noite, porém são incapazes de enxergar na ausência total de luz. A audição também é muito bem desenvolvida e muito utilizada na caça.

Na maioria das vezes a presa é detectada pela coruja através dos ruídos produzidos durante a locomoção no solo ou na vegetação. Nesse momento, a plumagem macia e a “dentadura” que possuem nas penas deixam o ar fluir livremente e, pela falta de impacto, reduz o ruído da batida das asas e permite a aproximação da presa através de um voo extremamente silencioso. Possuem bicos curvos e garras muito fortes com unhas encurvadas e afiadas para capturar e matar as presas, que na maioria das vezes serão engolidas inteiras. As partes não digeríveis, como carapaças de insetos, pelos, e ossos, são regurgitadas. As corujas são importantes agentes na integridade das comunidades, pois evitam a superpopulação das presas e eliminam indivíduos defeituosos.

O período reprodutivo desses animais ocorre durante a primavera em climas temperados e durante o ano todo nos trópicos. Os machos menores do que as fêmeas selecionam o local do ninho de acordo com a abundância de recursos para a reprodução, e tentam conquistar as fêmeas pela qualidade de seu território e ou por presentes nupciais - presas- apresentados durante o cortejo. Raramente constroem ninhos, utilizando quase sempre pequenas depressões no chão, cavidades em troncos ou até mesmo ninhos ou cavidades feitas por outros animais. A fêmea coloca de dois a três ovos que serão incubados por ela durante um período de 20 a 30 dias. Após o nascimento dos filhotes, ambos os pais participam do cuidado da prole.

Segundo Amaral (2007, p 57)Apesar das corujas estarem no topo, ou próximo dele, na teia alimentar, algumas espécies, principalmente as menores, podem ser predadas por outros animais, gaviões e alguns mamíferos. Quando se sentem ameaçadas, esses animais podem utilizar estratégias de defesa ativa e passiva. Na defesa ativa a coruja emite vocalizações de alarme e dá voos rasantes sobre o predador. No caso da defesa passiva, a coruja eriça as penas para inflar o corpo e estala o bico na tentativa de amedrontar e espantar a ameaça.

As corujas estão divididas em duas famílias:

Tytonidae: possui apenas a espécie Tytofurcata, conhecida como coruja-da-igreja por nidificar em torres de igrejas e residências. Ocorre em todos os continentes, exceto nos polos, e em todo o Brasil. São grandes caçadoras de ratos e por isso desempenham um importante papel no controle de pragas urbanas.

Strigidae: compreende todas as outras espécies de corujas, das quais podemos destacar a coruja buraqueira,Athenecunicularia, espécie mais comum e conhecida no Brasil. É uma ave terrícola de hábitos diurnos, porém mais ativa no início da noite. Habita ambientes abertos, e nidifica em tocas no chão feitas por outros animais, geralmente tatus.

 

AS CORUJAS E OS SERVIÇOS ECOSSISTÊMICOS

 

Assim como no caso dos ecossistemas de acordo com King, (1966; p.99)o conceito de serviços ecossistêmicos é relativamente recente, sendo utilizado pela primeira vez no final da década de 1960.

As funções ecossistêmicas são revisitadas enquanto serviços de ecossistema, na medida em que determinada função traz implícita a ideia de valor humano. De modo geral, uma função ecossistêmica gera um determinado serviço ecossistêmico quando os processos naturais subjacentes desencadeiam uma série de benefícios direta ou indiretamente apropriáveis pelo ser humano, incorporando a noção de utilidade antropocêntrica.

“Em outras palavras, uma função passa a ser considerada um serviço ecossistêmico quando ela apresenta possibilidade e ou potencial de ser utilizada na promoção e garantia de subsistência humana” (HUETING et al.pg.78, 1997).

Consoante MA, (2005a, p.119), papel dos serviços ecossistêmicos é crucial no alcance destes objetivos. Esse fato pode ser evidenciado pela constatação de que as regiões com maiores dificuldades em atingir as metas são aquelas onde suas populações apresentam uma maior dependência em relação aos ecossistemas e aos seus serviços.

Embora ainda não completamente compreendidas, as relações entre o bem-estar e os serviços ecossistêmicos são complexas e não-lineares. Quando um serviço ecossistêmico é abundante em relação à sua demanda, um incremento marginal em seu fluxo representa apenas uma pequena contribuição ao bem-estar humano. Entretanto, quando o serviço ecossistêmico é relativamente escasso, um decréscimo em seu fluxo pode reduzir substancialmente o bem-estar.

Uma das classificações são os serviços de regulação, estes se relacionam às características regulatórias dos processos ecossistêmicos, como manutenção da qualidade do ar, regulação climática, controle de erosão, purificação de água, tratamento de resíduos, regulação de doenças humanas, regulação biológica, polinização e proteção de desastres (mitigação de danos naturais), sendo derivados quase que exclusivamente das funções ecossistêmicas classificadas na categoria de regulação, discutidas anteriormente.

Diferentemente dos serviços de provisão, sua avaliação não se dá pelo seu nível de produção, mas sim pela análise da capacidade de os ecossistemas regularem determinados serviços.

Exemplo de regulação,é a cadeia de presas e predadores dos ecossistemas naturais próximos a áreas agrícolas oferecem o serviço ecossistêmico de regulação biológica que reduz o praguejamento das culturas

A degradação dos ecossistemas naturais e dos fluxos de serviços por ele gerados segundo MA(2003,)têm impactos importantes no bem-estar das populações, evidenciando a profunda dependência do homem em relação aos serviços ecossistêmicos. Esta dependência, por sua vez, reflete diretamente os processos de coevolução que remontam às origens da biosfera terrestre.

Entretanto, a transformação de ecossistemas biodiversos em paisagens cultivadas comcaracterísticas mais homogêneas, associada às mudanças econômicas e sociais, como arápida urbanização, melhoramento e barateamento nas condições de transporte e aprofundamento da globalização econômica, têm enfraquecido substancialmente as ligações entre ecossistemas,diversidade e identidade cultural.

Considerando as ligações entre o bem-estar humano e os serviços prestados pelos ecossistemas torna-se claro que qualquer ação que vise aumentar a qualidade de vida das populações e acelerar o processo de desenvolvimento deve reconhecer explicitamente a importância dos serviços prestados pelos ecossistemas para as condições de vida humana.

A redução da mortalidade infantil e o combate a doenças como malária apenas serão possíveis com o incremento na qualidade de alguns serviços ecossistêmicos, como a qualidade da água, produção de alimentos, mitigação de danos naturais, etc.

Para tanto, a capacidade de provisão e regulação dos ecossistemas deve ser consideradacomo um importante fator para o seu alcance.

                 As corujas, consoante Costa Neto(1999, p.74,76) são aves predadoras, ou seja, alimentam-se de outros animais sejam vertebrados ou invertebrados. Roedores silvestres e insetos constituem as principais presas da maioria dos diferentes tipos de corujas.

Contudo, algumas delas possuem dietas diferenciadas, alimentando-se principalmente de aves e morcegos como o mocho-do-diabo nas Américas do Sul e Central, ou de peixes como as corujas-pescadoras. Em geral corujas menores como a corujinha-do-mato tendem a se alimentar mais de insetos e outros invertebrados.

                 Segundo Motta (1998, p.60,62), depois de capturar e matar as presas, na maioria das vezes com as potentes garras, as corujas tendem a engoli-las inteiras, despedaçando-as somente quando estas apresentam um tamanho relativamente grande.

                  No processo digestivo peculiar dessas aves de rapina, as partes não digeríveis dos animais consumidos, como carapaças de insetos, pelos, penas, escamas e ossos, são regurgitadas no formato de uma “pelota” compacta, e não defecadas, como algumas pessoas pensam. Logicamente as corujas também defecam e excretam ácido úrico, como toda ave, e suas fezes são compostas essencialmente de restos orgânicos não absorvidos.

                 Apesar da variedade de presas encontradas nas pelotas desde caracóis, aranhas, escorpiões e insetos até pererecas, cobras, aves, ratos e gambás, os insetos e os roedores predominam na dieta de uma ou mais corujas estudadas.

                 A coruja-buraqueira é a mais generalista, pois explora quase todos os tipos de presas acima listados. Outras são mais especializadas, como o mocho-do-diabo, o qual consome basicamente um único tipo de presa, aves.

                 Assim como outras aves, a coruja é predadora de insetos e roedores que são prejudiciais à saúde do homem. Essa ação é encontrada na literatura como a nomenclatura de serviços ecossistêmicos.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

                        A partir das análises nos textos literários foi possível constatar que existe uma política de educação ambiental que transcende toda e qualquer expectativa, bem como direcionamento e orientações para que a escola desempenhe seus fazeres pedagógicos no que tange à educação ambiental.

 No entanto, ainda há muito a se fazer para que haja real efetivação de práticas significativas explicitadas nos documentos e promulgadas nas leis.

O conhecimento limitado de subtemas relacionados ao meio ambiente tem levado a simplificações, reducionismos e dificuldades em lidar com a complexidade do sistemaecológico bem como a compreensão das nuances implícitas na sua diversidade.

 A organização de forma compartimentada dos saberes que desconsidera o aluno na sua integralidade como sujeito pleno de conhecimentos empíricos, de comportamentos herdados, de emoções apreendidas em alguns casos de culturas cujos comportamentos são questionáveis como é o caso de superstições que levam à morte as corujas, por ser consideradas aves de mau agouro, precisa ser repensada.

O desafio da escola consiste em, a partir de uma linguagem comum, abordar as visões isoladas, compreender os geradoresdestas e buscar redirecionamentos.

A exemplo do conceito de Left(2001, p.247), a educação para o desenvolvimento sustentável exige, assim, novas orientações e conteúdo, novas práticas pedagógicas onde plasmem as relações de produção de conhecimento e os processos de circulação, transmissão e disseminação do saber ambiental. Isto evidencia a necessidade de incorporar os valores ambientais e novos paradigmas do conhecimento na formação dos novos atores da educação ambiental e do desenvolvimento sustentável.

                     Para tal, o professor também há que se reaver enquanto sujeito, sua identidade, sua herança cultural e corresponsabilidade na inovação e execução de projetos que contemplem a problemática que envolve os desafios de recuperar e manter o meio em harmonia reduzindo danos.

A educação ambiental não pode simplesmente existir enquanto disciplina, esse compartimento não comporta toda gama contida no tema, não se esgota em espaços enquanto momentos isolados; devendo ser abordada de forma interdisciplinar em diversos momentos do aprendizado valendo – se do primeiro produto da natureza que é o aluno, considerando o tempo necessário para a maturação e consolidação de saberes.

 Considerando que o papel primeiro da escola, para que se tenha êxito em qualquer seara de conhecimento é, antes de tudo, se perceber como agente formadora e transformadora capaz de desconstruir paradigmas, recriar e propor novos conceitos se articulando como mediadora entre o homem e de como ele se percebe em seu meio.

Um desses conceitos a ser recuperado é o de que os recursos encontrados na natureza, a fim de suprir as necessidades do ser humano, não lhes pertencem e não são inesgotáveis e que as futuras gerações dependem do bom senso comum para serem asseguradas.

Sendo necessário fomentar nos grupos de estudos discussões acerca da importância dos indivíduos se identificarem como indivíduos e como seres comunitários responsáveis pela conservação e manutenção do meio em que vivem, tendo com a natureza uma relação de respeito advinda do conhecimento e percepção de que estão interligados.

Comungar dos conceitos de Kujawski, (1980, p.4), quando diz que nem o homem é simplesmente "organismo", nem a natureza simplesmente "ambiente", ao qual estariam naturalmente conjugados como o animal ao seu habitat.

O homem é projeto, impulso de liberdade, e a natureza não é seu ambiente, sua casa prontinha para recebê-lo, mas sim circunstância adversa a ser moldada e estruturada em moradia para o homem de acordo com sua imprevisível e variável fantasia cultural.

A natureza científica do biólogo e a natureza utilitária dos economistas, tem que ceder lugar à natureza do pensador, do artista, do esportista, do homem religioso, do homem comum para que este não se dissolva no niilismo, mas sim assegure um pouco de sua autoidentidade ao nascer, viver e morrer à sombra das mesmas árvores.

É no reconhecimento de que os espaços de aprender, nos quais a escola se insere, precisam se reinventar é que estão as respostas e citando Paulo Freire (1999 pg.49), ‘’A educação é um ato de amor, por isso, um ato de coragem. Não podem temer o debate. A análise da realidade. Não podem fugir à discussão criadora sob pena de serem uma farsa. ”

 

 

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