ISSN 1678-0701
Número 60, Ano XVI.
Junho/Agosto/2017.
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03/06/2017
A PRÁTICA DO PROFESSOR DE ENSINO FUNDAMENTAL COM FOCO NA EDUCAÇÃO AMBIENTAL  
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A PRÁTICA DO PROFESSOR DE ENSINO FUNDAMENTAL COM FOCO NA EDUCAÇÃO AMBIENTAL

 

Jéssica Olívia Bento Barbosa

Pedagoga formada pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB)

Docente no Centro Educacional Infantil José Eduardo Martins Jallad, ZEDU

e-mail: jessicaorly@hotmail.com

 

Julie Anne Nascimento Alves da Costa

Pedagoga formada pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB)

Docente no Centro Educacional Infantil Nossa Senhora Auxiliadora

e-mail: julye.alves@gmail.com

 

Suelen Regina Patriarcha-Graciolli

Bióloga, Doutoranda em Ensino de Ciências pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) Mestrado em Ensino de Ciências pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS)

Docente na Universidade Católica Dom Bosco (UCDB)

e-mail: suelenpatriarcha@yahoo.com.br

 

RESUMO

A Educação Ambiental (EA) tem ganhado força nos últimos anos por ser um tema que está diretamente relacionado com a formação do sujeito. Sendo parte do currículo formal, ela precisa estar inserida nas escolas em todas as disciplinas de forma integrada. Muitos ainda creem que a EA trata-se apenas de um estudo do meio, limitando-se a ecologia, o que demonstra a urgência de ser ensinada e trabalhada de maneira mais abrangente nas escolas. Desse modo, este trabalho tem o intuito de investigar como os professores do ensino fundamental de duas escolas da rede pública de ensino da cidade de Campo Grande, Mato Grosso do Sul,entende e trabalha a EA em seu ambiente escolar.Realizou-se uma pesquisa do tipo aplicada, de caráter qualitativo, classificada quanto aos seus objetivos como explicativa.Para a busca dos resultados, utilizou-se como instrumento, questionários, que foram analisados de acordo com a metodologia de análise de conteúdo. Sete professores foram investigados e os resultados mostraram que parte deles ainda acredita que a EA deva ser trabalhada principalmente na disciplina de ciências, não compreendendo a totalidade do meio e as responsabilidades de todos. As análises também mostraram que alguns professores dispõem da visão socioambiental do meio, no entanto, na prática, limitam-se em atividades pouco abrangentes.

Palavras-chaves: Prática Pedagógica. Visão docente. Socioambiental.

 

1.INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem como propósito investigar como o professor dos primeiros anos do ensino fundamental entende e trabalha a Educação Ambiental (EA) na sua prática. Desse modo, a pesquisa foi centrada na prática pedagógica do professor e seu entendimento sobre EA.

Podemos observar que a partir da realidade que vivenciamos consideramos importante a associação entre EA e educação escolar desde os anos iniciais do Ensino Fundamental para a melhoria da qualidade do ensino e, consequentemente, da qualidade de vida de todos aqueles que participam da escola, isso porque numa concepção de EA transformadora, a educação escolar é um ambiente de mudança social, onde ocorre uma transformação associada aos valores, aos padrões cognitivos, à ação política democrática e às relações econômicas. Essas mudanças fortalecem a identidade das pessoas através do exercício da cidadania, da percepção da totalidade das relações sociais no mundo e da superação das formas de dominação.

Nesta pesquisa tomamos como direção a posição de que EA vem se mostrando importante na instituição de ensino, pois pressupõe um conjunto de fatores pedagógicos, dentre os quais, a ética desempenha um papel fundamental. Ocorre, no entanto, que o empenho para a assimilação de valores éticos tem constituído um enorme e difícil desafio para os educadores da sensibilização ecológica social. Assim, buscando contribuir com recursos teóricos para uma reflexão sobre as demandas que a EA vem proporcionando não somente na vida escolar e sim na cotidiana e social.

A EA não é somente o estudo do meio natural, o objetivo dela é formar cidadãos críticos, que consigam lutar por seus direitos e entender seus deveres, que compreendam a importância das relações interpessoais e preservação do meio cultural e ambiental.

Entender o que realmente significa EA será somente um passo para a sensibilização. É preciso que os professores compreendam que também são a ponte desse conhecimento, pois, todos os professores, independente das disciplinas que ministram, podem e devem trabalhar com EA, não cabendo somente ao professor de Ciências, como muitas escolas fazem. Desagregar o ensino colocando-o em “caixinhas” separadas (as disciplinas) é um equívoco. Determinar EA num contexto isoladamente sem fazer menção da sua importância para o desenvolvimento do ser vivo em sua totalidade não é de fato trabalhar com a sensibilização de ser humano e contribuir para sua formação na plenitude do ser, já que esse tema deve ser tratado de forma integrada fazendo relação com cada integrante de uma sociedade.

A escola é ainda o principal espaço para a realização dessa sensibilização, mas a EA não pode se limitar as escolas, ela deve estar presente em todos os espaços de educação, formal e não formal com o intuito de promover a cidadania.

É direito de todos viver em um lugar seguro, limpo e conservado, por isso a importância de não se colocar somente em uma determinada disciplina, mas em uma âmbito educacional, a importância de um meio saudável e a criticidade social.

 

2. EA: APONTAMENTOS TEÓRICOS

2.1A dimensão ambiental na Educação

Dimensão ambiental trata-se de uma melhor incorporação dos conteúdos curriculares, enfoques e perspectivas metodológicas ambientais no currículo. É vista como uma área de conhecimento de como empregar uma nova relação interdisciplinar, que são consideradas fundamentais para uma aproximação mais evidente do se trata de construção de conhecimento e aprendizagem ambiental (CARVALHO; SATO, 2005).

A dimensão ambiental é uma preposição que emprega o currículo em seu conjunto, para tentar agrupar o conteúdo convencional das disciplinas com uma “ambientalização” que, muito frequentemente, consiste na adição de conteúdos e atividades didáticas sobre algum problema ou fenômeno ambiental (CARVALHO; SATO, 2005).

Loureiro e Torres (2014) falam que a EA escolar deve ser voltada e direcionada para formação de sujeitos capazes de transformar o ambiente e que possam absorver valores ambientais mais eficazes, de modo que não fique somente no papel seu aprendizado, assim desenvolvendo um sujeito consciente. Dão ênfase ao desenvolvimento de uma EA escolar voltada à formação de sujeitos críticos e transformadores, de modo que ela seja problematizadora, contextualizada e interdisciplinar, tendo em vista a construção de conhecimentos, atitudes, comportamentos e valores pelos sujeitos escolares.

Torres, Ferrari e Maestrelli (2014) colocam que um dos desafios lançados pela EA é o de buscar por abordagens teórico-metodológicas que garantam o desenvolvimento de atributos referente a tal temática. Os autores apontam ainda que:

 

Uma contribuição efetiva da educação escolar voltada à formação de sujeitos críticos e transformadores, tendo como horizonte a construção de conhecimentos e práticas que lhes propiciem uma intervenção crítica na realidade, requer a consideração da não neutralidade dos sujeitos escolares no processo de ensino e aprendizagem no qual se encontram inseridos (TORRES, FERRARI, MAESTRELLI, 2014, p.15).

 

Para Delizoicov, Angotti e Pernambuco (2009) a escola deve trazer para a sala de aula um desenvolvimento mais dinâmico quanto à abordagem das temáticas que é essencialmente para uma maior compreensão dos alunos. É realizada tanto pelo professor como pelo aluno, e se contrapõe à educação que Paulo Freire chama de “educação bancária”, realizada pelo professor sobre o aluno. Para a prática daquela educação é necessário considerar o educando como sujeito da ação educativa, e não como objeto passivo desta, o que implica que a sua participação no processo deve se dar em todos os níveis, inclusive na definição conjunta com o conteúdo programático.

Preti e Sato (1996) trazem como contribuição para a interdisciplinaridade, cinco dimensões que os alunos devem compreender, tais como: sensibilização, compreensão, responsabilidade, competência e cidadania. Os autores ainda apontam:

 

Estes princípios implicam a busca da interdisciplinaridade para a prática da EA, que não comporta mais as interpretações ou difusões educacionais com visão unilateral, isto é, a visão biológica, naturalista, sem levar em consideração que o homem vive em um sistema complexo onde interagem diferentes disciplinas (PRETI; SATO,1996, p. 61).

 

Loureiro (2006) aponta que a interdisciplinaridade é um diálogo com a participação, sempre buscando transformar a realidade e dando ênfase a EA.A EA não é a busca da linguagem universal e única, mas o desafio constante de entender a relação entre particular e universal, de transposição de limites e fronteiras definidos por uma linguagem hermética feita para reforçar a distinção e poder de certas ciências sobre outras e sobre os saberes populares e não científicos.

Tendo em vista uma característica, em particular, a interdisciplinaridade, o campo ambiental traz um modo próprio de múltiplos conhecimentos sobre o meio ambiente, assim se diferenciando das outras disciplinas como ecologia e biologia. Nessa organização fica claro a importância de cada disciplina interligada uma com a outra (CARVALHO, 2002).

Reigota (2014) ainda aponta que o ensino da EA é considerado como uma grande contribuição filosófica e metodológica não como uma disciplina, mais consiste em uma educação geral.

Penteado (1994) contribui com essa temática afirmando que escola é um local, onde professores e alunos exercem a sua cidadania, ou seja, comportam-se em relação a seus direitos e deveres de alguma maneira deixando claro sua participação e colaboração com o meio ambiente, no qual o aluno, se bem instruído, pode ser determinante em sua comunidade de ensino. A autora ainda destaca que:

 

[...] o desenvolvimento da cidadania e a formação da consciência ambiental tem na escola um local adequado para sua realização através de um ensino ativo e participativo, capaz de superar os impasses e insatisfações vividas de modo geral pela escola na atualidade, calcado em modos tradicionais (PENTEADO, 1994, p.54).

 

Ela ainda coloca que o método ativo pressupõe que o processo pedagógico seja aberto, democrático e dialógico entre os alunos, professores e a administração da escola, com a comunidade em que vivem e com a sociedade em geral, só assim pode ser capaz de atribuir em real o tema EA, para que dessa forma essa temática não seja banalizada.

Reigota (2014) destaca que com o método ativo, o aluno participa das atividades e desenvolve progressivamente o seu conhecimento e comportamento em relação ao tema, de acordo com sua idade e capacidade, esse mesmo autor nos mostra que a conexão entre professor e aluno é um grande avanço nessa temática, embora se tenha que melhorar.

Lisboa e Kindel (2012) destacam que o sistema educacional deve buscar estratégia para a diminuição de consumo dos recursos naturais, pois, uma busca desenfreada de tais recursos, pode causar irreversíveis problemas na manutenção da vida do nosso planeta. Que as futuras implantações devem sensibilizar as instituições a se atentarem para esse assunto ao longo de um ano letivo, buscando assim mudança de postura em uma sociedade consumista.

Nesta visão, a tarefa da escola, e principalmente da EA, é propor uma filosofia de trabalho em que a cultura, que permeia os currículos e as diferentes disciplinas, tenha por sentido auxiliar na construção dos saberes do indivíduo em seu coletivo e o coletivo em sua história.

A EA está inserida na busca da consolidação da democracia, a solução dos problemas ambientais e uma melhor qualidade de vida para todos, com uma maior sensibilização através do ensino que as instituições proporcionam (REIGOTA, 2014).

Alencar (2000) faz menção que a dimensão educativa do princípio da cidadania é essencial à compreensão da EA como processo. Esse também compreendido como construção permanente, pois a construção tanto na educação como da cidadania ultrapassam os muro da própria vida. Chama-se dessa forma de “sujeitos presentes e agentes do futuro” (ALENCAR, 2000, p.443), possibilitando a renovação dos processos, constituídos, sentidos e significados da educação.

Gimeno (2000) destaca a necessidade de se compreender EA como processo educativo amplo e permanente, necessário à formação do cidadão, tornando-se um fator essencial tanto para a qualidade da educação, como para o direcionamento da formação docente, pois a abordagem disciplinar não abrange a complexidade do processo educativo. A educação não pode ser vista como uma atividade redentora e nem tampouco uma forma de um crescimento social. “A educação é um projeto reflexivamente dirigido, como um instrumento para construir, pilares da humanização” (GIMENO, 2000, p. 18).

A Educação é uma forma de intervenção no mundo, uma intervenção participativa, contextualizada, política e ética. Parece ser um rumo a seguir na implantação e desenvolvimento de um processo de EA direcionado a compreensão e a articulação dos aspectos políticos, econômicos, social,e os aspectos ambientais (FREIRE, 2003).

Reigota (2014) acredita que a EA na escola proporciona uma visão diferenciada na concepção da própria educação, vai mais além quando aponta que é uma revolução pedagógica. Destaca ainda que a EA como uma perspectiva educativa presente em todas as disciplinas, contribui quando abrange temas que podem ser trabalhados como, humanidades, o meio natural e as relações sociais;e não deixa de lado suas especificidades e origens (REIGOTA, 2014).

Reigota(2014) ainda aponta de forma esclarecedora que:

 

Na EA, escolar deve-se enfatizar o estudo do meio ambiente onde vive o aluno e a aluna, procurando levantar os principais problemas cotidianos, as contribuições da ciência, da arte, dos saberes populares, enfim, os conhecimentos necessários e as possibilidades concretas para a solução deles (REIGOTA, 2014, p.46).

 

Carvalho (2004) aponta que, uma vez que o sujeito esteja inserido em um meio social de forma indireta ou direta é responsável pelo ambiente, tornando–se assim um agente orientador da sustentabilidade da comunidade onde vive (CARVALHO, 2004).

 

2.2 A EA nos Parâmetros Curriculares Nacionais.

A EA surge com o intuito de promover uma mudança nas atitudes ambientais da população. Sendo ela social, cultural, ambiental e política, ela passa ter um caráter formador e surge a necessidade de estar inserida na educação formal. Os diversos debates e encontros buscam políticas públicas para a EA (CARVALHO, 2004).

Falar sobre cidadania como principal foco da educação, requer mudar certas posturas sociais e culturais que não estão de acordo com o que é proposto, isso significa que a escola é um ambiente em que se formam valores para que então, consiga promover uma melhor interação com a vida social, cultural e ambiental (BRASIL, 1998).

Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) foi um documento produzido com a função de equiparar a educação do Brasil, para que o professor o tivesse como base norteadora. O documento foi pensado de acordo com as necessidades dos alunos e das Leis de Diretrizes e Bases (LDB), e foi publicado oficialmente em 1997 e nele apresentavam os conteúdos necessários para a educação da criança e formação da cidadania. Além dos conteúdos formais, existem os transversais, que são: saúde, ética, pluralidade cultural, orientação sexual e meio ambiente; que devem ser trabalhados interdisciplinarmente e transversalmente, ou seja, juntamente com outras disciplinas (BRASIL, 1998; LOUREIRO, 2006).

Sabendo da importância e necessidade de inserir o tema de EA nas escolas, os PCNs mostram o porquê é importante trabalhar o tema como eixo transversal, "O compromisso com a construção da cidadania pede necessariamente uma prática educacional voltada para a compreensão da realidade social e dos direitos e responsabilidades em relação à vida pessoal, coletiva e ambiental” (BRASIL, 1998, p. 15).

Entender a urgência de serem trabalhados tais conteúdos que abordam o papel do cidadão é de extrema importância para a formação do aluno para que se defronte com valores e novas atitudes, e consiga pensar e refletir sobre novas posturas a serem adotadas. De maneira nenhuma se deve pensar que os eixos transversais não têm a mesma importância no currículo escolar do que as disciplinas tradicionais, mas que os mesmos devem transpassar por todos os conteúdos de maneira que os completem e se integrem (BRASIL, 1998).

Loureiro (2006) contribui dizendo que:

 

Apesar das críticas que recebeu pelo modo como pensou a transversalidade em educação (mantendo como eixos principais as disciplinas de conteúdos formais – português, matemática, ciências e história e geografia) pela baixa operacionalização da proposta, os PCNs tiveram o mérito de inserir a temática ambiental não como disciplina e de abordá-la articuladas às diversas áreas de conhecimento (LOUREIRO, 2006, p. 83).

 

Carvalho (2002) aponta que, entre os profissionais da educação, a EA não deveria ser trabalhada de maneira tradicional, e sim perpassar por todas as áreas do conhecimento, dando um caráter de soma aos demais conteúdos. Ao sair da zona do conteúdo tradicional para entrar na interdisciplinaridade, a EA assume um caráter inovador, porém dificultoso; desse modo a EA aparece nas escolas em formato de projetos e atividades extracurriculares, onde cabe ao professor e direção a motivação do tema.

Lisboa e Kindel (2012) acrescentamque é muito frequente relacionar o ensino da natureza, principalmente ao ensino de Ciências, às características atribuindo aos seres vivos, aos benefícios e males que possam causar nos seres humanos. Os autores reforçam que essa perspectiva se dá, a partir de uma visão antropocêntrica/utilitarista que tem sido herdada dos antepassados que acreditavam que a Terra era o centro do universo e o ser humano o mais “evoluído”, colocando todos os outros seres em segundo plano, trazendo assim, uma interpretação deturpada de que o meio está à disposição do ser humano, e este pode utilizá-lo como for; tais pensamentos são frutos de culturas, e do entorno sociais e políticos.

De acordo com os PCNs,a EA deve ser trabalhada de maneira transversal, todos os professores de diferentes áreas conseguem inserir em suas disciplinas a EA, já que se trata de um compromisso social, buscando formar cidadãos críticos e conscientes, para que consigam suportar os desafios enfrentados em suas comunidades, buscando sempre a resolução de problemas(BRASIL,1998).

Lisboa e Kindel (2012) apresentam que:

 

Educar ambientalmente significa, além da apropriação de conceitos e processos que digam respeito ao ambiente, a aquisição de visões de mundo que possibilitem o respeito a todas as formas de vida e o entendimento de que a vida só se dá pelas complexas teias tecidas pelos elementos naturais e socioculturais que se entrelaçam (LISBOA; KINDEL, 2012, p.25).

 

A EA deve ser promovida com o intuito de ajudar os alunos a construírem uma consciência para a melhoria do meio global, buscando sempre posições que vão de acordo com os valores para a melhoria do coletivo; entendendo qual o seu papel e a sua importância para o meio, os alunos compreendem que são responsáveis pelo mundo em que vivem, e dessa forma, entendem que o meio ambiente deve ser conservado e cuidado (BRASIL, 1998).

Reigota (2014) explicita que a EA deve estar presente em todas as disciplinas, sendo trabalhada de forma integrada, dando assim, um significado às relações entre a humanidade e o meio natural, e relações de caráter social, sem que mude as especificidades de cada sociedade.O autor ainda aponta que ao separar as disciplinas humanas, exatas e naturais perde-se o sentido, pois o que se busca é uma educação integrada onde cada disciplina faz sua complementação e contribuição para que o conhecimento se torne consistente. Somente com o conhecimento integrado que conseguirá a solução dos problemas socioambientais.

Para o PCN:

 

Grande parte dos assuntos significativos para os alunos é relativa à realidade mais próxima, ou seja, sua comunidade, sua região. Por ser um universo acessível e familiar, a localidade pode ser um campo de práticas, nas quais o conhecimento adquire significado, o que é essencial para o exercício da participação (BRASIL, 1998, p.190).

 

A escola não é o único, mas é um espaço para ser trabalhada a EA e esse trabalho deve atingir proporções maiores, começando pela comunidade local, na busca de formar cidadãos críticos e atuantes tanto localmente como globalmente (LISBOA; KINDEL, 2012).

De acordo com o PCN:

 

Independentemente da abrangência com que se abordarão as questões, local ou global, é preciso reforçar a existência de alternativas ambientalmente equilibradas, saudáveis, diversificadas e desejáveis, diante do degradado ou poluído, para que a constatação de algum mal não seja seguida de desânimo ou desmobilização, mas da potencialização das pequenas e importantes contribuições que a escola (entendida como docentes, alunos e comunidade) pode dar para tornar o ambiente cada vez melhor e os alunos cada vez mais comprometidos com a vida, a natureza, a melhoria dos ambientes com os quais convivem (BRASIL, 1998, p.191).

 

Para Reigota (2014) independente dos prós e contras colocados pelos profissionais da educação em relação à EA e de como é colocada nos PCNs o que deve ser levado em consideração é a importância de a EA estar inserida em um documento em nível nacional, que serve de base para todos ou maioria dos educadores, a fim de promover e difundir o tema de EA nas escolas, que é o principal meio de formação do cidadão.

 

3. A EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO ENSINO FUNDAMENTAL: QUEM É RESPONSÁVEL POR ESSE PROCESSO? COMO OCORRE? QUAIS AS DIFICULDADES E DESAFIOS

Para investigar como os professores dos primeiros anos do ensino fundamental trabalham a EA na sua prática, realizou-se uma pesquisa do tipo aplicada, de caráter qualitativo, classificada quanto aos seus objetivos como explicativa. Os dados foram obtidos por meio de questionários e analisados de acordo com o método de análise de conteúdo proposto por Bardin (2007) e Franco (2008). A pesquisa foi realizada em duas escolas públicas de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. Os sujeitos de pesquisa foram os professores regentes que atuam no ensino fundamental nos anos iniciais (1º ao 5º ano). Os nomes dos professores não serão divulgados a fim de manter o sigilo da identidade. Os questionários, contendo 11 questões foram distribuídos durante o mês de agosto de 2015, nas instituições de ensino, com autorização prévia da coordenação, direção e dos professores voluntários.

 

3.1Apresentação e Análise dos Resultados

A análise do grau de instrução dos professores pesquisados mostrou que mais da metade dos professores possuem uma formação continuada, sendo que de sete professores pesquisados, três possuem pós-graduação Lato sensu, umpós-graduação Stricto sensu. Os outros três que não tinham uma formação continuada, são professores iniciantes na docência (1 a 5 anos).

Quanto ao tempo de atuação na docência, percebeu-se que os professores pesquisados, em sua maioria,não são professores iniciantes, estão a mais de 10 anos dentro das salas de aula (Gráfico 1). Todos os professores pesquisados relatam exercer a profissão apenas em escolas públicas.

 

Gráfico 1: Tempo de atuação dos professores em sala de aula.

Os professores também foram questionados quando a oportunidade de participarem de algum curso ou palestra com o tema EA, tema desse estudo. Dos sete professores pesquisados, quatro não participaram de nenhum evento relacionado à EA.

Procurando entender o que os professores do ensino fundamental compreendem sobre EA, fez-se uma análise e interpretação dos dados dos questionários a luz de Bardin (2007).Durante a análise, foram criadas 14 categorias (C). As categorias foram dispostas no quadro 1 e os professores identificados pela letra P seguido de numeração arábica crescente, conforme apresentado no quadro 1.

 

Quadro 1 - Quadro com a disposição da frequência das Categorias de Análise identificadas nos questionários dos professores das escolas pesquisadas.

 

P1

P2

P3

P4

P5

P6

P7

Freq.

C1

 

 

 

 

 

X

X

2

C2

X

X

X

X

X

 

 

5

C3

X

 

 

 

 

X

X

3

C4

 

X

X

X

X

 

 

4

C5

X

X

X

X

X

X

X

7

C7

 

 

 

X

 

X

X

3

C8

X

X

X

 

X

 

 

4

C9

X

 

 

X

 

X

 

3

C10

 

X

X

 

X

 

X

4

C11

X

X

X

X

X

X

 

6

C12

 

 

 

 

 

 

X

1

C13

X

 

 

 

 

 

 

1

C14

 

X

X

X

X

X

X

6

 

 

A formulação de categorias é um processo longo, complexo, porém crucial para a análise da pesquisa, dando um sentido e significado mais relevante às respostasdos questionários (FRANCO 2008). Partindo deste pressuposto, foram encontradas nas respostas dos professoresas categorias dispostas no quadro 2.

 

Quadro 2 - Quadro das Categorias de Análise identificadas nos questionários dos professores das escolas pesquisadas.

A.   Com relação ao entendimento sobre a EA:

N° de resp.

C1

O entendimento sobre EA para os professores é pautado em uma educação do ambiente natural, social, cultural e econômico.

2

C2

O entendimento sobre EA para os professores é pautado em uma educação do ambiente apenas em seu formato natural.

5

B.   Pautado em como se desenvolve a EA nas aulas ministradas:

N° de resp.

C3

O trabalho desenvolvido em sala pelos professores em relação a EA tem como objetivo formar o cidadão para a resolução de problemas cotidianos e futuros.

3

C4

O trabalho desenvolvido em sala pelos professores em ralação a EA tem como objetivo transmitir informações.

4

C.   Com relação à interdisciplinaridade da EA:

N° de resp.

C5

A EA é trabalhada em formato interdisciplinar.

7

D.   Sobre a experiência que os professores vivenciaram relacionada àEA:

N° de resp.

C6

As experiências vivenciadas pelos professores em relação à EA são experiências que englobam o ambiental natural, social, cultural e econômico.

3

C7

As experiências vivenciadas pelos professores em relação à EA são experiências que englobam apenas o ambiente natural.

4

E.    Com relação à EA e seu entendimento como disciplina:

N° de resp.

C8

A EA deve ser uma disciplina.

3

C9

A EA não deve ser uma disciplina.

4

F.    Sobre a EA e sua relação com as disciplinas do currículo, onde foi questionado se haveria uma disciplina específica que se encaixaria A EA:

N° de resp.

C10

A EA se encaixaria em uma disciplina específica: Ciências

6

C11

A EA deve ser trabalhada em várias disciplinas.

1

G.   Com relação à importância da EA na vida das pessoas:

N° de resp.

C12

A importância da EA na vida das pessoas está relacionado a um conjunto de valores que englobam o ambiente natural, social, cultural e econômico.

1

C13

A importância da EA na vida das pessoas está relacionado a valores que englobam o ambiente natural.

6

 

Partindo das categorias encontradas na análise, faremos a discussão dos dados:

 

A.   Com relação ao entendimento sobre a EA.

Com relação ao entendimento sobre a EA, os professores responderam:

P2: Conscientização das pessoas (alunos) sobre tudo que causa impacto no meio ambiente.

P3: É quando estudamos o valor do ambiente e seus cuidados.

 

Mediante a análise podemos perceber que os professores tiveram argumentos distintos do que alguns autores afirmam. De acordo com Penteado (1994) a EA deve se tratar de uma consciência ambiental, para que a partir disso o aluno se sensibilize e exerça seu papel como cidadão, tornando-o consciente sobre problemas sociais, políticos, culturais e econômicos, para assim modificar a realidade em que está presente e em âmbito mundial.

Reigota (2014) aponta que a EA é uma das principais exigências atualmente na educação não só no Brasil, mas como em todo o mundo, pois o tema perpassa e reafirma a importância de sensibilizar os alunos para a transformação da realidade em que vivem.

Compreendendo que a EA é mais do que um processo educativo que não está presente apenas ao espaço da escola, Alencar (2000) defende que os alunos são agentes do futuro, e que deve acontecer uma construção permanente do sujeito, onde a educação e cidadania superam o espaço educativo, levando para o cotidiano de suas famílias.

 

B.   Pautado em como se desenvolve a EA nas aulas ministradas.

Outro aspecto abordado foi o desenvolvimento da EA nas aulas, sendo assim os professores responderam:

P1:Trabalhos, valorizo e tento fazer a minha parte. Enquanto educadora procuro promover o desenvolvimento intelectual, moral de cada aluno (a) para que consigam transformar e fazer a diferença no dia a dia.

P2:Em minhas aulas busco mostrar aos alunos a importância do cuidado diário com o seu espaço, do combate ao desperdício e as consequências que certas atitudes podem causar em nosso planeta.

 

Conforme descrito nos trechos acima, percebemos que tais professores contribuem dizendo o que Reigota (2014) também defende, isto é, que os alunos devem promover uma compreensão primeiramente, ao que contempla o que está em sua realidade, para que assim, os alunos levantem os problemas que a comunidade esteja passando para levar soluções para suas vidas, dando um sentido real para a EA.

Carvalho (2004) ainda aponta que a EA deve ajudar na incorporação de posturas e práticas sociais, para que as diferenças sejam minimizadas, bem como os conflitos entre homem e natureza.Em meio a tantos desafios que o mundo vem enfrentando - desigualdades sociais, inversão de valores e injustiças –convém reforçar a necessidade de que esses problemas sejam reduzidos, exatamente como busca contemplar a EA quanto inclui a promoção de valores socioambientais (QUEIROZ, 2012).

 

C.   Com relação à interdisciplinaridade da EA.

Com relação à integração da EA com as outras disciplinas, os professores apontaram:

P1: Sempre estou fazendo interdisciplinaridade, trazendo informações, dando exemplos e colaborando com uma postura melhor com o nosso Universo. Sempre discutimos esse assunto.

P6: Costumo trabalhar a Educação Ambiental no dia a dia independente da matéria abordada.

 

Os professores questionados corroboram com o pensamento de Carvalho e Sato (2005), quando colocam que a importância dos conteúdos trabalhos em EA devem ser abordados em todas as disciplinas promovendo a interdisciplinaridade em uma construção social. As autoras ainda acrescentam que a EA proporciona múltiplos conhecimentos sobre o meio ambiente como um todo, diferenciando-se da ecologia e biologia – normalmente confundida com EA – tornando-a ainda mais necessária enquanto uma construção socioambiental.Além de tais afirmações,Reigota (2014) indica que a EA proporciona uma visão totalmente diferenciada no âmbito escolar, pois tal tema perpassa a todos os eixos da educação, sendo eles trabalhados como meio natural, relações sociais e humanidades.

 

D.   Sobre a experiência que os professores vivenciaram relacionada à EA.

Outro aspecto questionado fazia referênciaàs experiências que os professores vivenciaram na EA, e quanto a isso os professores destacaram:

P4: A água como recurso vital, trabalhamos com saneamento básico causas e consequências, doenças causadas pela falta de saneamento básico.

P6: Fico na Unidade Escolar das 7h às 15h e durante esse período oriento os alunos a não deixarem a torneira aberta, explicando sempre a importância de se economizar água entre outras atitudes em que incentivo os alunos a cuidarem do meio onde vivem.

P7: Quando visitamos o Muarq-Museu de Arqueologia de MS, em 28 de agosto tivemos oportunidade de estabelecer relações sobre mudanças na paisagem de Campo Grande: como é hoje e como viviam os povos pré- históricos.

 

Neste sentido, foi possível perceber que os professores conseguem relatar experiências vividas por eles enquanto educadores e que possuem relação com a EA. No entanto não basta reconhecer a experiência, é preciso refletir sobre ela. De acordo com Neuenfeldt e Mazzarino (2016) o sujeito da modernidade e o seu distanciamento em relação à natureza é um dos princípios que agravam tanto a crise ambiental quanto a crise humana.

 

E.   Com relação à EA e seu entendimento como disciplina.

Com relação a EA e seu entendimento como disciplina, os professores registraram:

P2: Talvez não uma disciplina em si, e sim melhor explorada dentro das disciplinas.

P3: Ela pode continuar inserida em todas as disciplinas.

P5: Não deve ser uma disciplina e sim um tema que incluí as atividadesescolares, buscando desenvolver-se de maneira interdisciplinar.

P7: Não, uma vez que perpassa praticamente todas as áreas de conhecimento, basta que o professor fique atento à sua importância.

 

Os professores responderam o que muitos autores defendem, como Lisboa e Kindel (2012) que tratam de um dospapeis da escola, que é propor uma filosofia de trabalho que permita que a EA perpasse por todas as disciplinas, para que o aluno entenda a importância do tema buscando compreender tais aprendizados como indivíduo e também na dimensão docoletivo. A escola ainda deve promover uma ação direta dando um papel de destaque a EA que tende a aparecer apenas em projetos isolados e específicos. Cabe ao professor estimular a EA em vários conteúdos, o que proporciona ao aluno participar das atividades de um modo ativo e assim desenvolver seu conhecimento, para que então amadureça sua postura em relação à EA (REIGOTA, 2014).

Freire (2003) ainda aponta que a educação é quem muda o mundo, mas esta deve ser uma intervenção participativa, contextualizada, política e ética. Ao se tratar da EA, deve-se ainda procurar integrar o tema a aspectos políticos, econômicos, social e ambiental.

Torna-se relevante destacar que embora quatro dos professores não considerem a EA disciplina e isso corrobora com o pensamento de outros autores, três deles acreditam que ela deva ser mais uma disciplina do currículo escolar. Isso é antagônico ao que todos responderam anteriormente quando consideram a EA interdisciplinar na categoria C. Neste caso, questiona-se: Estes professores tem dificuldade de entendimento sobre o que é a interdisciplinaridade? Acreditam que assim eximem-se do seu papel em sala de aula quanto à necessidade de trabalhar a EA em todas as áreas? Ou ainda não conseguiram compreender a abrangência da EA?  Outros questionamentos poderiam ser postos aqui, mas fica para o leitor realizar seus apontamentos e reflexões.

 

F.   Sobre a EA e sua relação com as disciplinas do currículo, onde foi questionado se haveria uma disciplina específica que se encaixaria A EA.

Outro aspecto abordado foi a EA abordada em alguma(s) disciplina(s) do currículo e a partir disso seguem alguns transcritos.

P1: Pode ser na área das Ciências, que também trata desse assunto, mesmo que seja um capítulo. Vai de cada educador reforçar e transmitir os conhecimentos para os educadores.

P2: Sim. Ciências como está no currículo.

P4: Ciências, porque trabalha e incentiva a investigação, aguça a curiosidade e desenvolve uma consciência no aluno.

P6: Acredito que a disciplina poderia ser trabalhada em ciência uma vez que já falamos sobre o assunto superficialmente, porém acredito que esse é um assunto a ser estudado a fundo por todos.

 

Os relatos acima situam a EA de modo contraditório ao que defende Ferreira (2010), já que desse modo, a EA apresenta-se estereotipada e fazendo parte da disciplina de Ciências, talvez porque essa disciplina trata, entre outros assuntos, de ecologia, causando confusão nos professores pesquisados.

Viezzere Ovalle(1994) afirmam que o professor deve sempre buscar incorporar a EA a outros conteúdos, a fim de maximizar o desempenho e compreensão dos alunos perante o assunto, trazendo sempre para uma visão da realidade que cerca o aluno, ou seja, uma visão do todo.

 

G.   Com relação à importância da EA na vida das pessoas.

Com relação à importância da EA na vida das pessoas, os professores indicaram:

P3: Totalmente necessária. É através dela que vamos garantir o futuro das novas gerações.

P6: É o nosso futuro. Precisamos aprender a cuidar melhor do nosso meio para não sofrer com as consequências de tanto descaso.

 

Reigota (2014) mostra seis objetivos que compreende ser crucial para o bom desenvolvimento do cidadão peranteaEA, são eles: conscientização, conhecimento, comportamento, competência, capacidade de avaliação e participação. Esses são para o autor os objetivos necessários para que os alunos tenham uma atuação responsável e equilibrada mediante a sociedade em que estão inseridos.O autor ainda aponta que a EA busca um elo entre o meio natural e a humanidade para que os impactos sejam minimizados, mantendo sempre um equilíbrio.

O processo de compreender a EA para Gimeno (2000) é permanente e amplo, pois através de tal processo é que será possível a formação do cidadão.O professor precisa entender a importância da EA na vida das pessoas, para que assim consiga, a partir desses conhecimentos, trabalhar com perspectivas de mudança de realidade. A EAdeve ser trabalhada com um olhar transformador da realidade (REIGOTA, 2014).

 

3.2 Discussão: A EA e a formação docente

Falar de EA como interdisciplinar e eixo transversal da educação sem citar o profissional que está lidando com o tema em sua prática diária seria um erro, por isso deve-se pensar em como esse educador ambiental foi formado e como o mesmo vê a EA e lida com ela em suas aulas, se ele compreende a importância de ser trabalhada a EA no contexto escolar (FERREIRA, 2010).

De acordo com Ferreira (2010) a ausência da EA nas salas de aula é visível e esse questionamento sobre essa ausência tem sido discutido incisivamente. O que não é de fato questionado é como esse profissional foi apresentado ao tema de EA, se o mesmo possuía em sua formação inicial esse tema e/ou se participou de uma formação continuada que abordasse a EA, dando suporte e apoio a esse profissional para trabalha-la.

De acordo com Penteado (1994), para compreender várias questões sobre a EA, como as dimensões biológicas, químicas e físicas, deve-se ter uma “consciência ambiental”, essa consciência deve existir para que se consiga exercer a cidadania, e se preparar para tornar-se um cidadão consciente perante os problemas sociais, políticos, culturais e econômicos, buscando então maneiras de modificar a sua realidade e a realidade dos outros também. A autora ainda afirma que

 

Uma coisa é ler sobre o meio ambiente e ficar informando sobre ele, outra é observar diretamente o meu meio ambiente, entrar em contato direto com os diferentes grupos sociais que o compõem, observar como as relações sociais permeiam o meio ambiente e o exploram, coletar junto às pessoas informações sobre as relações que mantêm com o meio ambiente em que vivem, enfim, apreender como a sociedade lida com ele (PENTEADO, 1994, p.53).

 

A autora ainda ressalta que o conhecimento que o professor dispõe é muito importante, a informação vinda a partir de materiais didáticos que o professor tem acesso, é crucial para esse processo, pois esse conhecimento e materiais, muitas vezes fazem com que o professor compreenda como lidar com diversos assuntos e problemas da sociedade (a qual está inserido), do mundo em que vive, e dessa forma, com a vida. O professor deve ser o organizador e administrador das situações de ensino, interferindo e conduzindo em momentos apropriados quando for necessário, proporcionando então um ambiente e uma aprendizagem, onde se preza por autonomia, crítica e consciência (PENTEADO, 1994).

É visível que nos últimos anos, a formação dos docentes vem sofrendo e sendo alvo de muitas discussões e descontentamentos. Pesquisas apontam a necessidade de formar docentes reflexivos, capazes de colocar em ação um fazer pedagógico coerente com uma visão progressista em relação à educação (CAMPOS, 2006).

O profissional que busca uma formação continuada tem visão de oportunidade de melhorias para sua prática pedagógica. Essa formação é o ponto de partida e chegada para um raciocínio mais crítico e reflexivo, capaz de levar para fora da sala de aula, que envolva alunos, professores e a totalidade da escola (GOUVEIA, 1999).

Nóvoa (1995) acredita que o aprender contínuo é essencial e se destaca em dois pilares: a própria pessoa como agente de transformação, e a escola como um local de crescimento profissional permanente. Nesse caso, o professor constrói sua formação e enriquece seu aprendizado. Para o autor, a troca de informação entre aluno e professor consolida de uma forma mútua de aprendizado, assim, o docente se encaixa num papel de formador e formando.

O educar e formar nessa nova visão de formação agrega três eixos básicos de estratégia, como: a pessoa do professor e suas experiências, a profissão e seus saberes e a escolas e seus projetos. Na visão do autor o professor tem que trazer para sua sala de aula não somente a teoria, mais também a prática com suas experiências (SCHON, 1997).

Contudo é necessária, nesse sentido uma prática, constituída pela teoria e ação, colocando em seu currículo uma proposta pedagógica que não visa às pessoas como meramente receptiva do conhecimento, mas como sujeito da própria atividade política (MARIN, 1995).

Uma constante formação oportuniza o professor a lidar com as diversas situações que acontecem dia a dia em sala e aula, um professor bem preparado sabe abordar as necessidades dos seus alunos para que uma formação crítica aconteça. Ele precisa também conhecer a questão da educação, caminhar de acordo com a realidade de sua comunidade de ensino, num âmbito que abrange as políticas públicas educacionais inseridas na sua rotina como profissional da área da educação (CAMPOS, 2006).

O professor e/o educador ambiental devem buscar estratégias que alcancem o aluno, trabalhar temas que instiguem o aluno a querer fazer diferença, tanto em sua vida pessoal quando em um meio social. O professor deve buscar esse ensino integrando a outras disciplinas, para dar um sentido mais amplo ao conhecimento, tal como a EA, o aluno deve compreender que o conteúdo que está aprendendo será útil em sua vida e na vida dos que o cercam. A EA como se percebe hoje, vem da emergência de uma percepção renovada de um mundo de enxergar sua forma íntegra e saber interpretar sua realidade e de saber atuar sobre ela (VIEZZER; OVALLES, 1994).

Por se tratar de um tema relativamente novo na educação, muitos educadores equivocadamente deixam a EA sob a responsabilidade dos profissionais da educação cuja formação é Ciências e/ou Biologia, se isentando desse processo de ensino/aprendizado. Muitos profissionais ainda possuem uma visão estereotipada e ingênua em relação à EA (FERREIRA, 2010).

Ferreira (2010) ainda aponta que a formação inicial e continuada desse profissional da educação fará total diferença no seu processo de ensino/aprendizagem. Se o profissional aprende que a educação não deve ser trabalhada de maneira mecânica e que o aluno é um sujeito que pensa e reflete e que o mesmo também é agente do seu conhecimento, esse profissional terá uma postura diferente do que aprendeu antes, aquela em que a educação deveria ser transmitida apoiada em conteúdos.

A educação deve ser acompanhada por investimentos pesados, dos quais a formação de professores capacitados e esclarecidos sobre o tema e verbas para pesquisas devem ser priorizados, pois só com conhecimento real do que é EA e possibilidades de aprimoramento do trabalho dos professores é que se pode mudar o ponto de partida para a reestruturação da sociedade atual perante o assunto. Deve-se ainda, buscar o comprometimento na formação e educação das pessoas, tanto nos órgãos públicos como nos privados, sendo estes responsáveis diretos e indiretos (LISBOA; KINDEL, 2012).

Penteado (1994) ressalta a importância de se mudar a realidade das escolas que atualmente são informativas, que pregam apenas por transferir informações, muitas vezes sem atrativo e sentido para o aluno, e deste modo, buscar formação de cidadãos que lutam pelo direito de exercer sua cidadania será uma utopia. A autora ainda esclarece que é papel do professor mudar essa realidade, ele precisa provocar situações de ensino onde o aluno se sinta à vontade para questiona e participar desse processo de ensino e aprendizagem.

 

[...] as questões ecológicas reclamam: de um lado, a necessidade de serem analisadas pelas Ciências Humanas que são as ciências capazes de nos aproximar da compreensão específica deste aspecto tão importante quanto desconsiderado na atualidade; de outro, a formação de uma consciência ambiental, trabalho a ser desenvolvido pela educação, através de professores portadores, em alguma medida, dos conhecimentos decorrentes de uma abordagem sócio-política da questão (PENTEADO, 1994, p.16).

 

Não basta relacionar apenas a EA com discursos e documentos bem elaborados, pensando que isso será o suficiente para uma mudança de postura em relação ao tema, o que tem que ser de fato pensado é como o profissional da educação entende a EA e como o mesmo trabalha o tema em suas aulas (FERREIRA, 2010).

 

3.2.1 A prática docente em uma perspectiva socioambiental

Carvalho (2004) acredita que todas as relações educacionais perpassam pelo campo das relações sociais, dando ênfase à importância do professor compreender os problemas sociais que seus alunos enfrentam.

Tem-se vivido em meio de muitas turbulências, onde a desigualdade social é gritante, ocorrendo inversão de valores e injustiças; diante dessas realidades, acontece incessantemente uma busca para que esses problemas sejam minimizados. Surge então a preocupação de uma educação que é alicerçada à construção de novas relações entre o ser humano, sociedade e natureza (QUEIROZ, 2012).

O PCN mostra que

 

A principal função do trabalho com o tema Meio Ambiente é contribuir para a formação de cidadãos conscientes, aptos a decidir e atuar na realidade socioambiental de um modo comprometido com a vida, com o bem-estar de cada um e da sociedade, local e global (BRASIL, 1998,p.187).

 

O PCN ainda aponta que é necessária mais atitude, o professor junto à escola deve preparar o aluno para exercer o papel de cidadão, formando valores, para que o aluno sinta como parte fundamental da sociedade que está inserido(BRASIL, 1998).

De acordo com Torres, Ferrari e Maestrelli (2014), estudos apontaram que pode estar havendo possíveis mudanças no perfil de atuação dos professores que se dedicam atualmente à EA na escola, já que antes dos parâmetros curriculares nacionais, as práticas desses professores eram diferenciadas, pois se tratava de professores que se caracterizavam com o âmbito ecológico. Nesse sentido, é válido ressaltar que é fundamental a realização de pesquisas como foco na EA escolar. Elas podem contribuir para melhor caracterizar o que vem sendo constituídos pela prática educativas em EA, assim podendo identificar problemas que precisam ser enfrentados nessa área.

Para Dussel (2000) a prática pedagógica tem que partir da materialidade humana, resgatando assim a importância da educação da vida dos cidadãos, caracterizando com a vida sociocultural e econômica da comunidade. Compromete-se com a sua humanização, devolve aos educadores a possibilidades de serem os artesões de seus fazeres e investigadores constantes da realidade, e aos educandos, a oportunidade de se tornarem sujeitos curiosos e crítico.

Ainda destacando a prática pedagógica, Dussel retrata:

 

A dificuldade prática de uma proposta pedagógica é, na verdade, procurar contribuir, criticamente, para viabiliza-la, pois a discussão sobre suas intenções e seus limites práticos surge e se efetivam movimentos educacionais inovadores (DUSSEL, 2000, p.130).

 

Tardiff (2012, p.38) afirma “a prática docente, é também uma atividade que mobiliza diversos saberes que podem ser chamados de pedagógicos”. Sendo assim, é importante conceituarmos a interação entre eles, pois existem diversos tipos de saberes. Dentre eles destacam-se os saberes disciplinares, agregando assim a EA nos saberes curriculares, e os saberes experienciais.

De acordo com Reigota (2014) a EA deve orientar-se para a comunidade. Deve procurar incentivar o indivíduo a participar ativamente da resolução dos problemas no seu contexto de realidades específicas, assim proporcionando ao componente de uma comunidade a coparticipação na conservação do meio em que vive, buscando assim uma maior qualidade de vida num ambiente saudável.

Carvalho (2004) mostra que a educação acontece como parte da ação humana que vê uma necessidade de transformar sua cultura, atribuindo-lhe sentidos, trazendo para o campo da compreensão e da experiência humana de estar no mundo e participando da vida, assim trazendo mais sentido para a mesma. Ela afirma ainda que, o educador é por ‘natureza’ um intérprete, não apenas porque todos os humanos o são, mas também por ofício, uma vez que educar é ser mediador, tradutor de mundos. O educador deve ainda sensibilizar seus educandos de maneira que os próprios sejam capazes de ver a necessidade de se viver em um mundo melhor. A autora ainda confirma que:

 

Do ponto de vista de sua dimensão político-pedagógica, a EA poderia ser definida, lato sensu, como uma educação crítica voltada para a cidadania. Uma cidadania expandida, que inclui como objeto de diretos a integridade dos bens naturais dos quais depende a existência humana. Nesse sentido uma EA crítica deveria fornecer os elementos para a formação de um sujeito capaz tanto de identificar a dimensão conflituosa das relações sociais que se expressam em torno da questão ambiental quanto posicionar-se diante desta (CARVALHO, 2004, p.163).

 

Segundo Severino (1998), a educação enquanto elemento de mediação deve serformativa da compreensão das relações situadas num contexto sócio histórico, pois passa a ser essencial para compreensão da realidade política e social, que deve ter postura dialogada com as diversas disciplinas, numa integração dos conteúdos, e inerente com uma prática articulada com a realidade do cotidiano escolar e comunidade.

De acordo com o PCN:

 

A perspectiva ambiental deve remeter os alunos à reflexão sobre os problemas que afetam a sua vida, a de sua comunidade, a de seu país e a do planeta. Para que essas informações os sensibilizem e provoquem o início de um processo de mudança de comportamento, é preciso que o aprendizado seja significativo, isto é, os alunos possam estabelecer relação entre o que aprenderam e a sua realidade cotidiana, e o que já conhecem (BRASIL, 1998, p.189-190).

 

Carvalho (2004) acrescenta que a EA deve auxiliar em uma compreensão do ambiente como conjunto de práticas sociais, que geralmente são trazidas por contradições, problemas e conflitos nas relações de modos de vidas entre seres humanos e natureza.

Penteado (1994) aponta que o direito à educação, enquanto garantia social, é algumas vezes existente apenas no papel. Na realidade mantém-se a ignorância crítica construtiva, para a qual a escola pode e deve colaborar com uma mobilização maior exigindo dos seus componentes maior desempenho nesse quesito.

 

4.CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este trabalho foi desenvolvido a fim de investigar como o professor do ensino fundamental entende, trabalha e aplica seus conhecimentos de EA no dia a dia da sala de aula.Sendo a EA uma das principais exigências não só no Brasil, mas no mundo, fica claro a importância de formar um cidadão que se preocupe com o meio social, cultural e natural.

Os dados mostraram que embora o tema EA seja de extrema importância no que se diz respeito ao desenvolvimento do ser humano, em relação à ética e a cidadania, ele ainda continua sendo explorado de maneira incompleta, e muitas vezes não é compreendido o que de fato o tema procura trabalhar.

É nítido que muitas escolas tentam abordar a EA, e acreditam que estão trabalhando de maneira correta, mas por falta de entendimento sobre o tema, fica confusa na compreensão do que deve e como trabalhar a EA no âmbito escolar, dificultando assim a formação do aluno.Muitos temas abordados pelos professores em sala de aula tem relação direta com a EA, mas muitos ainda os trabalham sem entendersuas relações com a EA, ou apenas pontualmente, diminuindo assim o potencial do tema.

Fica claro ainda, que muitos professores acreditam que a EA deve ser trabalhada na disciplina de Ciências, ou em projetos específicos, segmentando assim, o tema que poderia ser trabalhado em todas as dimensões, e dando um sentido real para a EA na vida das pessoas.A EA deve acontecer de maneira que o aluno seja o principal beneficiado, o professor precisa conhecer o seu aluno e a realidade que a escola possui, para assim entender quais são os temas que serão relevantes na vida de seus alunos, compreendendo suas dificuldades e desafios para que assim aconteça uma mudança relacionada às posturas e práticas, na construção de cidadãos conscientes e responsáveis pelos seus atos.

É claro que entender o que é EA é o primeiro passo para mudar o quadro que temos hoje nas escolas, mas o professor deve entender que ele é a principal ponte para que a EA atinja o seu verdadeiro objetivo, pois educar um cidadão que se preocupa com o meio em que vive, pode transformar o meio.A EA deve ser trabalhada dentro e fora da escola, de maneira que possa contribuir para que todos vivam de maneira segura e digna, pois todas as formas de vida tem o direito de viver em um ambiente ecologicamente equilibrado.

Dessa forma conclui-se que a EA deve ser e se fazer presente no dia a dia da escola, para que todos respeitem uns aos outros, independentemente de suas crenças culturais, sociais, políticas e econômicas, pois todos tem seu papel no meio, que é socioambiental.

 

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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