ISSN 1678-0701
Volume VIII, Número 30
Dezembro/2009-Fevereiro/2010.
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Reflexão

No. 30 - 12/12/2009
Crise ambiental, educação ambiental e sustentabilidade  
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Educação Ambiental em Ação 301

Crise ambiental, educação ambiental e sustentabilidade

Ensaio: Berenice Gehlen Adams

   

Nunca, em outros tempos, ouviu-se falar tanto da crise ambiental como nos dias de hoje. A crise ambiental é assunto que envolve todos os setores sociais, e não há como negar que esta crise representa um somatório das ações, sendo, portanto, um produto das formas de cultura que o ser humano criou ao longo do processo civilizatório pela desenfreada busca do desenvolvimento.

  São tantos os problemas ambientais que fica difícil eleger qual é o mais grave, sendo que um interfere no outro de forma direta (e indireta). E é no seio dessa crise ambiental planetária que repousa outra crise: a crise existencial e social, também sem precedentes.

De praticamente todos os contextos sociais emergem as seqüelas de um desgaste da humanidade: a violência, a falta de escrúpulos, as diferenças sociais que revelam verdadeiros abismos entre classes, a educação precária - e a saúde mais ainda, o desperdício de um lado e a fome do outro, os altos índices de stress e doenças associadas com a depressão como a síndrome do pânico, por exemplo. Essa listagem poderia se entender por várias linhas mais, porém, estes poucos exemplos servem bem para ilustrar o quadro pintado de cinza que retrata nossa sociedade desgastada pelos problemas que enfrenta.  

Buscando elaborar uma reflexão mais aprofundada sobre a crise ambiental e existencial que nos permeia, encontrei, nas palavras de Einstein, um eixo para suporte de reflexão acerca das crises que vivenciamos:

"Não pretendemos que as coisas mudem se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor benção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar "superado". Quem atribui à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais aos problemas do que as soluções. A verdadeira crise é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas e soluções fáceis. Sem crise não há desafios, sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um. Falar de crise é promovê-la, e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro. "Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la".  Albert Einstein

O posicionamento de Enstein, além de provocador é também motivador, indicando que se estamos vivenciando um processo de crise é preciso mudar de direção, ousar, criar, tendo, assim mais possibilidades de superação dessa crise. Além disso, deixa claro que se estamos em crise é porque fomos, em algum momento, incompetentes e devemos buscar nossas habilidades e desenvolver novas competências para buscarmos soluções para antigos e novos problemas.  

Como dito anteriormente em relação aos problemas ambientais, fica difícil definir qual deles é o mais agravante.

Para alguns especialistas, a hiperurbanização é um dos principais problemas ambientais da atualidade, justamente por que gera outros inúmeros problemas que prejudicam a qualidade de vida, tanto social quanto ambiental. Seguidos a este, citam a poluição industrial e agrícola, a degradação do solo, o desmatamento e a perda de biodiversidade como problemas que merecem especial atenção para a busca de soluções.

Cada cidade enfrenta problemas semelhantes, embora distintos, por estes dependerem da sua cadeia produtiva e do contexto onde está inserida. Recente estudo do IBGE, realizado em parceria com o MMA, em todos os municípios brasileiros, mostra alguns dados impressionantes apontados a seguir:

- 47% das cidades sofreram prejuízo na sua agricultura, pecuária e pesca, por problemas ambientais;

  - 41% dos municípios foram atingidos por desastres ambientais, como deslizamentos de terra, seca, erosão do solo e outros;

- 38% dos municípios têm seus rios e enseadas contaminados;

- 33% dos municípios têm problemas de poluição no solo, provocados
principalmente pelos  lixões (inclusive hospitalar); e,

- 22% das cidades têm problema de contaminação do ar.

As principais fontes poluidoras foram: queimadas (64%), vias não-pavimentadas (41%), atividade industrial (38%), agropecuária (31%) e veículos (26%).

Esta pesquisa do IBGE deve servir como alerta de que o ambientalismo não se trata de um modismo, mas sim, de um movimento no qual toda sociedade deve aderir para que possamos reverter estes percentuais dramáticos apontados.

Deveria, também e por certo, haver uma fiscalização mais efetiva de todas as ações humanas sobre o meio ambiente. Nossas leis ambientais são consideradas as melhores do mundo, no entanto, os índices do desgaste ambiental continuam crescendo de forma acelerada.  

Uma das ferramentas imprescindíveis para reversão do quadro de crise ambiental é a Educação Ambiental, que ajuda a preservar o meio ambiente através da promoção de novas posturas de utilização dos recursos naturais, pois são a base da sustentabilidade da vida, tanto de posturas pessoais até das gestões ambientais em empresas, organizações em geral, principalmente de empresas privadas e públicas. Deveria haver um maior investimento em programas de capacitação de Educação Ambiental para gestores educacionais (diretores, gerentes, orientadores, supervisores, coordenadores), que por sua vez orientariam as suas equipes e seus corpos docentes dos sistemas de ensino, de diferentes instituições (incluindo empresas), para que as pessoas responsáveis por toda e qualquer ação educacional promovessem subsídios de como trabalhar a Educação Ambiental, promovendo a sensibilização destas pessoas. Informação e conhecimento, somente, não são suficientes, é preciso sensibilizar. Penso que seria importante capacitar também nossos representantes no governo, pois muitas vezes, por falta de sensibilização com as questões ambientais, formulam e aplicam leis que desfavorecem o meio ambiente e toda sociedade.  

No ensino formal, especificamente (escolas, universidades), a Educação Ambiental não se trata de uma atividade isolada, nem de uma disciplina - apesar de algumas escolas erroneamente a instalarem como tal - porque ela se configura como uma nova prática educacional que traz o enfoque ambiental a ser desenvolvido em todas as séries, desde a Educação Infantil até o Ensino Superior, em todas as disciplinas, ou seja, é uma prática interdisciplinar. Costumo "brincar" dizendo que a Educação Ambiental funciona como lentes que chegam para curar a miopia dos processos de ensino, que antes não enxergavam o ambiente com nitidez em suas práticas.  

Os objetivos e princípios da Educação Ambiental estão claramente explicitados em documentos referência, como A Carta da Terra, o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global, e também a LEI Nº 9795 que institui e legitima a Educação Ambiental no Brasil.

  A Educação Ambiental se trata de uma nova forma de educar, voltada para a conscientização do ser humano em relação à vida em seu amplo contexto. Por isto, ela é interdisciplinar e deve estar presente em todos os níveis do ensino, desde a Educação Infantil ao Ensino Superior. É um processo educacional extremamente importante, principalmente na infância, pois é o período em que a criança “descobre” o mundo, e também quando ocorre um maior acompanhamento da família em relação aos processos de aprendizado, possibilitando que a conscientização ambiental ultrapasse os muros da escola. Através da Educação Ambiental, aplicada com vivências (passeios por áreas urbanas e naturais, pessoas de diferentes áreas contando sua experiência para as crianças, dramatização de situações cotidianas), dinâmicas (brincadeiras pedagógicas que usem como tema central questões ambientais), experiências (cultivo de mini-hortas para chás e temperos, minhocário, terrário, etc), pesquisas investigativas (como funciona isto ou aquilo, vamos descobrir?), a criança conhece a importância de se relacionar bem com todos os seres vivos, reconhece as necessidades que os seres vivos têm e compreende a importância dos recursos naturais do planeta. Seu senso crítico em relação às questões ambientais é desenvolvido desde cedo.

Sendo assim, quanto mais cedo iniciarmos um trabalho de sensibilização ambiental com as crianças, tanto melhor, e este trabalho deverá ser de cunho permanente e interdisciplinar, tal qual o é a própria Educação Ambiental por seus princípios explicitados em documentos referência, elaborados por diferentes coletivos – já mencionados anteriormente.

Destaco, porém, que falar em Educação Ambiental é falar em desafios, em mudança de valores, de hábitos, e isto mexe com a  filosofia de vida de cada um, sendo necessário lidar com o contraditório, porque nos deparamos com muitas atividades cotidianas, em todas as esferas, que vão contra aquilo que trabalhamos, portanto, é fundamental estar preparado para lidar, com naturalidade, diante de situações contraditórias que as crianças e adolescentes trarão no desenvolvimento das atividades de Educação Ambiental.

A Educação Ambiental deve estar presente, também, nos processos de  alfabetização, aliando método de alfabetização (forma cognitiva de aprender a ler e escrever) à temas ambientais, ou seja, a criança, desde a Educação Infantil, começa a aprender a ler (além de palavras e frases) o seu ambiente, tanto o natural quanto o construído. E isso muda toda abordagem da educação tradicional, e inclui atividades de sensibilização, para que a criança também aprenda a sentir e perceber o mundo de uma forma mais integrada, menos fragmentada.

Sabe-se que para a Educação Infantil e séries iniciais da Educação Básica as atividades educativas em forma de vivências, dinâmicas e experiências são fundamentais para a promoção de aprendizagens significativas. Estas atividades devem trazer à tona os elementos ambientais. Os métodos e as estratégias utilizadas são definidas pelos próprios professores, porém, é imprescindível que tenham como base os princípios norteadores da Educação Ambiental encontrados nos documentos referência. Muitos educadores e educadoras não têm conhecimento destes documentos, e estes são fundamentais para a compreensão desta prática educativa. Eles são importantes ferramentas pedagógicas que direcionam a educação para questões ambientais. Cabe lembrar que as ações de Educação Ambiental devem estar integradas em todos os momentos da rotina escolar.

A criança, quanto menor, mais ela insere e incorpora em sua vida o que vivencia na escola. Gosta muito da repetição, nesta idade, e é desta forma que ela vai assimilando o que lhe é “ensinado”. Saliento que é preciso tomar muito cuidado na forma de abordagens feitas em relação aos problemas ambientais, não mostrando somente o lado “catastrófico” da situação ambiental, mas também acrescentar que é possível fazer algo para mudar, e que elas (as crianças) podem colaborar.  

A presença dos pais no acompanhamento educacional das crianças é fundamental neste processo. Em se tratando da conscientização ambiental, nem sempre a criança encontra “eco” do que é trabalhado na escola, em seu lar. Portanto a participação dos pais ou adultos que acompanham a criança vai depender da postura de vida que aquela família tem em relação ao ambiente. Educação Ambiental é uma postura de vida, além de prática pedagógica e educacional. Neste caso, cabe ao professor estar atento, perguntar as crianças, e caso identifique alguma situação contraditória vivenciada, que ele cative esta família de forma criativa e prazerosa, porque por imposição ninguém muda de postura. Nesta situação uma atividade de sensibilização com os pais é bem recomendada.

Através da Educação Ambiental a criança aprende a ver o mundo que a cerca com olhos críticos, e percebe que faz parte do ambiente, de um mundo que está todo tempo conectado. Aprende a respeitar todas as formas de vida sabendo que todos são importantes e que uns dependem dos outros.  

Em se tratando de jovens, a Educação Ambiental é fundamental para influenciá-los às mudanças de posturas em relação ao meio ambiente, e este trabalho se potencializa se for realizado de forma atrativa e lúdica ao mesmo tempo, levando em conta todas ansiedades normais presentes nesse período da vida. Atividades de  dinâmicas de grupo, que promovem reflexão e ao mesmo tempo descontração, são atividades educativas e pedagógicas recomendadas para esta faixa etária. Elaborar com os jovens, projetos por equipes, onde cada equipe tenha um tema relacionado com a sustentabilidade ambiental - e que seja da realidade destes - para ser desenvolvido durante um determinado período, também oferece bons resultados. É fundamental, ao propor a construção destes projetos, que os jovens se envolvam e colaborem na sua construção, pois serão parte do processo e, sendo assim, haverá uma integração mais
espontânea com a proposta.

Um documentário chamado Dossiê Universo Jovem, realizado pela MTV, mostra a opinião dos jovens sobre "sustentabilidade" e sinaliza que estes já têm uma noção básica de que é preciso cuidar do meio ambiente, mas que ainda não há uma clara compreensão do que é "sustentabilidade". Indica, também, que é preciso tratar o tema de maneira simples, exemplificando com modos cotidianos de agir, através de atividades que os sensibilizem. Este documento está disponível no link: http://www.aartedamarca.com.br/Dossie4_Mtv.pdf.

  Os jovens podem se envolver com algum grupo que esteja engajado com a preservação ambiental, quer seja através de associações de bairro, de escolas, de universidades, ou de ONG's, principalmente as pequenas e locais - que precisam de participação para o desenvolvimento de seus projetos. Pela internet é possível ter acesso a muitos destes grupos. Em grupos os jovens se animam, se sentem estimulados, tornam-se mais criativos e a mudança ocorre de forma espontânea. Certa vez uma amiga falou-me sobre uma reflexão proposta pelo seu pai: "Filha, se você tem um graveto na mão, poderá quebrá-lo com facilidade, mas se você pegar vários gravetos unidos, não terá a mesma facilidade para quebrá-los, não é?". É uma reflexão muito simples, mas que ilustra o quanto podemos nos fortalecer somando sonhos e objetivos.

Apenas tenho sérias dúvidas sobre o que passa na cabeça de jovens e crianças quando se deparam com as contradições do dia-a-dia, pois aprendem o que não deve ser feito para o meio ambiente, ao mesmo tempo em que assistem, diariamente, a queimadas, desmatamentos, derramamentos de óleo em rios e mares, mortandade de peixes.  

Ainda não dispomos de mecanismos capazes de avaliar o grau de sensibilização ou de conscientização das crianças e adolescentes, de forma clara e sistemática, que apontem o quanto elas estão sendo tocadas pela Educação Ambiental, porém, percebe-se que há um prazer muito grande por parte destas ao realizarem as atividades educativas sensibilizadoras que trazem à tona as questões ambientais, que eles vivenciam em seus contextos.

Eu não tenho a menor dúvida de que as crianças de hoje, com as quais são desenvolvidas atividades de Educação Ambiental, estejam crescendo com uma visão diferenciada da nossa, pois nós (adultos), não fomos educados com os enfoques ambientais implícitos em nossas experiências educativas. Sou bem otimista em relação a isto. Nossas crianças estão aprendendo a ler o mundo de forma mais complexa e integrada quando a escola insere a Educação Ambiental de forma interdisciplinar.

Porém, para a Educação Ambiental (formal, não formal e informal) promover, com maior eficácia e amplitude, a mudança de posturas necessárias para a minimização da crise ambiental, é preciso ampliar o universo de sua inserção, que atualmente está bastante restrito, e muitas vezes o que é indicado como Educação Ambiental se revela como um apanhado de práticas pontuais (relacionadas a datas comemorativas como semana do meio ambiente, dia da Terra, dia da árvore, etc).

É preciso que cada um se sensibilize, principalmente as pessoas que são responsáveis por qualquer função que se relacione a algum sistema de educação, em qualquer contexto. Precisamos nos perceber como cidadãos planetários, porque a maior e melhor forma de educar é pelo exemplo e pelo que se vivencia. É preciso responder individualmente a esta questão: Como estou vivendo e percebendo a minha responsabilidade frente ao meio ambiente?

Nós todos que hoje somos adultos (incluindo também os adolescentes mais velhos – visto que esse estágio tem se prolongado) fomos criados e formados com a visão de que o meio ambiente é um grande "armazém de mercadorias", como diz o jornalista ambiental Vilmar Berna. Porém, o dia-a-dia começa a nos mostrar que se continuarmos com essa visão e forma de vida, a Terra certamente entrará em colapso. Pois bem, precisamos mudar, sim, mas por onde começar? Sabemos que toda mudança requer um processo lento, gradual e precisamos abrir mão de hábitos, significando "sacrificar" alguns confortos. Então, o primeiro passo para achar o caminho para uma vida sustentável é abrir-se para a mudança, iniciando por uma reflexão sobre nossos hábitos cotidianos, desde o que comemos, o que vestimos, até a forma como nos deslocamos para o trabalho e como nos relacionamos com o ambiente natural, com os animais, com as outras pessoas. Esse é o primeiro passo. Depois disto, com base na reavaliação de nossos hábitos, começamos por substitui-los por novos, por exemplo: trocar momentos de lazer passados em frente ao computador ou vídeo game por uma caminhada, trocar o "xis-burguer" por um sanduíche natural ou algumas frutas, trocar o tempo que se passa em frente a televisão por um bom livro, enfim, essas mudanças variam muito de acordo com cada um, com cada contexto vivenciado. O simples fato de começar a separar nossos resíduos já nos incentiva a promover diversas mudanças em nossa postura como consumidores, e uma mudança vai puxando outra mudança, mas somente mudaremos se estivermos realmente dispostos e abertos para isso.

Para finalizar este ensaio que traz uma reflexão acerca da importância da Educação Ambiental para minimizar o quadro de crise ambiental, apresento um pequeno texto, de minha autoria, que foi publicado em fevereiro deste ano, no Blog EducomVida, intitulado: Sustentabilidade, utopia?, que segue:

É certo que há urgência em buscar soluções para revertermos a situação ambiental em que se encontra o nosso planeta, porém, é difícil exigir uma mudança "da noite para o dia", pois sabemos que isto é impossível, uma vez que nossos hábitos são resultado de atividades socioculturais milenares, que modificam-se com o desenvolvimento tecnológico. Todo esse processo da evolução social acabou criando situações de dependência ditadas pelos meios de produção e consumo.

São tantas coisas para mudar que fica difícil de saber por onde começar. Nosso sistema cultural foi construído no paradigma do "progresso" e "desenvolvimento", e a sociedade estruturou-se para a produção e consumo. Se o sistema de produção diminui, os preços sobem e o consumo cai. Se o consumo diminui, muitos empregos ficam comprometidos, então, há que se lidar de forma criativa com esta situação. Como produzir menos sem comprometer o sistema econômico? Concluo que é preciso reaprender o significado da vida em seu amplo contexto e, principalmente, no contexto social e urbano. É preciso ressignificar o conceito de sociedade para que esta possa se tornar sustentável e responsável.

Ser ambientalmente responsável é assumir o compromisso permanente de cuidar do meio ambiente e respeita-lo, vivendo de forma sensível, racional e consciente do enorme valor que tem cada forma de vida do Planeta. É utopia, sim, e é preciso acreditar. Mas, o que é utopia além de um conceito que significa “um ideal impossível de ser alcançado?”. Gosto da frase de Eduardo Galeano: "A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos, e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar."

Buscar a utopia de uma sociedade sustentável é justamente andar na sua direção, e na medida em que andarmos vamos adquirindo habilidade, sensibilidade, amabilidade, e aprendendo a importância da simplicidade e da solidariedade. Somente andando nessa direção será possível avistar no horizonte a sociedade que desejamos.

 



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