ISSN 1678-0701
Número 65, Ano XVII.
Setembro-Novembro/2018.
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16/09/2018PROJETO EDUCACIONAL COM ÊNFASE NA PRESERVAÇÃO DOS RECURSOS NATURAIS NO CONTEXTO DO ENSINO FUNDAMENTAL I  
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PROJETO EDUCACIONAL COM ÊNFASE NA PRESERVAÇÃO DOS RECURSOS NATURAIS NO CONTEXTO DO ENSINO FUNDAMENTAL I



Jéssica Oliveira Chaves1

Laiane Cunha Ferreira2

Luciana Rocha Paula3

Milane Oliveira4

Daniel Silas Veras5



1,2,3 Especialista em Gestão Ambiental (IESF) e Educação e Ensino de Ciências, Licenciada em Ciências Biológicas do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão, Caxias, MA, Brasil. E-mail: jessica.chaves461@gmail.com, laianeferreira@outlook.com, lucianapaula_99@hotmail.com

4 Especialista em Gestão Ambiental (IESF) e Educação e Ensino de Ciências, Licenciada em Ciências Biológicas do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão, Caxias, MA, Brasil. E-mail: milane-tk@hotmail.com

5 Mestre em biodiversidade, meio ambiente e saúde do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão, Caxias, MA, Brasil. E-mail: daniel.veras@ifma.edu.br



RESUMO. Trabalhar a Educação Ambiental nas séries iniciais garante a formação de cidadãos críticos, em relação a problemas associados ao meio ambiente e motivados a resolvê-los. O presente trabalho teve como objetivo geral investigar a percepção dos alunos do Ensino Fundamental I em relação aos conhecimentos de Educação Ambiental com enfoque na Economia de água. O trabalho foi realizado na Escola Municipal Antenor Gomes Viana Junior, na cidade de Caxias-MA, na turma de 1º ano do Ensino Fundamental I. O período da pesquisa estendeu-se do mês de abril a maio de 2017. A pesquisa teve duração de seis encontros, com exposição de slides e vídeos, atividades práticas e produção de desenhos. Conclui-se que os objetivos da pesquisa foram alcançados e superados, e se releva a importância de se inserir desde as séries iniciais, através da ludicidade, a educação ambiental e suas temáticas.

Palavras-chave: Educação Ambiental. Séries Iniciais. Recursos Hídricos.

Educational project with emphasis on the preservation of natural resources in the context of Elementary School I

ABSTRACT. Working Environmental Education in the initial series guarantees the formation of critical citizens in relation to problems associated with the environment and motivated to solve them. The present work had as general objective to investigate the students' perception of Elementary School I in relation to the knowledge of Environmental Education with focus in the Water Economy. The work was carried out at the Antenor Gomes Viana Junior Municipal School, in the city of Caxias-MA, in the 1st grade class of Elementary School I. The research period lasted from April to May 2017. The research lasted Six meetings, with slide show and videos, practical activities and production of drawings. It is concluded that the objectives of the research were achieved and overcome, and it is important to include environmental education and its themes from the initial series through playfulness.

Key-words: Environmental education. Initial series. Water resources.

  1. Introdução

Trabalhar com a temática meio ambiente em sala de aula tem se tornado um paradigma, por se tratar de um tema onde é uma preocupação mundial, onde visivelmente estão apresentados os impactos causados e as consequências geradas por esses. A Educação Ambiental (EA) é vista como forma preventiva para minimizar os danos ambientais, pois trabalha diretamente com a formação do homem, resultando em cidadão crítico capaz de se relacionar com o meio de forma amigável (SANTOS, 2007).

Dentro desta perspectiva, um dos eixos temáticos da EA é a preservação dos recursos hídricos. A água tem grande importância na história da humanidade, os primeiros povos se fixaram às margens de grandes corpos hídricos (rios e lagos) e muitas são as atividades praticadas pelo homem até o tempo atual em que a presença da água é indispensável, apesar de todo esse cuidado com trabalhos de preservação da água nem todos tem essa noção de que esse recurso poderá ficar cada vez mais escasso na natureza, e pensam erroneamente que a água nunca irá acabar (FERREIRA & AOKI, 2017; LIMA, 2011).

Uma das formas de trabalhar essa temática dentro da sala de aula é de maneira lúdica, onde o professor pode produzir recursos ou fazer com que os próprios alunos possam produzi-los, depender do objetivo da aula. O professor além dessa perspectiva pode ainda pode utilizar, nas aulas jogos, vídeos, imagens, músicas e dentre outros recursos não deixando de utilizar o lúdico, essa prática traz aos alunos formas de aprendizagem prazerosa onde aprender torna-se algo prazeroso, facilitando assim a aprendizagem.

Sobre práticas lúdicas, Murcia (2008, p. 10) afirma que: o ensino deve favorecer uma participação mais ativa por parte da criança no processo educativo. Devem-se estimular as atividades lúdicas como meio pedagógico que, junto com outras atividades, como artísticas e musicais, ajudam a enriquecer a personalidade criadora, necessária para enfrentar os desafios da vida. Par qualquer aprendizagem, tão importante como adquirir, é sentir os conhecimentos.

A partir dessa perspectiva, tem-se observado ainda que, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) citam a importância de um projeto educacional para a preservação dos recursos naturais. Segundo suas diretrizes tornam-se essencial falar sobre a economia de água, abordando hábitos na escola e em casa. Porém, mesmo com a orientação, na maioria das escolas não se desenvolvem programas de uso racional desse recurso e os professores têm dificuldade de perceber as relações da teoria com o uso da água no cotidiano e principalmente repassar a ideia central de Educação Ambiental.

É nesse sentido que se observa a importância de se trabalhar a temática “Economia de Água” com os alunos, desde o Ensino Fundamental I, a fim de familiarizar os alunos sobre o assunto, sensibilizando-os quanto à importância da água, contribuindo na conscientização da necessidade da preservação desse recurso, e dentro disso, na mudança dos hábitos do seu consumo. Levantando uma hipótese de que o uso de atividades lúdicas estimula a aprendizagem dos alunos e aumentam a capacidade de entendimento e percepção de conhecimento em educação ambiental.

A partir desta problemática, este trabalho teve como objetivo geral investigar a percepção dos alunos do Ensino Fundamental I em relação aos conhecimentos de Educação Ambiental com enfoque na Economia de água, especificando-se em realizar uma sondagem do que os alunos já têm de apreendido sobre a temática “Água”; identificar através de aulas teóricas a origem da água, porcentagem no planeta e importância de sua economia para a sobrevivência dos ecossistemas; utilizar atividades lúdicas para abordagem dos conhecimentos de Educação Ambiental; conhecer o ciclo da água e por fim listar algumas ações de economia de água para serem praticadas na escola e em casa.

    1. Importância da Educação Ambiental

As atividades de Educação Ambiental realizadas por professores são consideradas no âmbito do aprimoramento de sua cidadania, e não como algo inédito de que eles ainda não estejam participando. Sem algumas medidas de capacitação para estes profissionais a qualidade desejada fica apenas no campo das intenções. Da mesma forma, a estrutura da escola, a ação dos outros integrantes do espaço escolar deve contribuir na construção das condições necessárias à desejada formação mais atuante e participativa do cidadão.

No Rio-92, a Educação Ambiental foi definida como uma educação crítica da realidade, cujos objetivos são: fortalecimento da cidadania para a população como um todo, e não para um grupo restrito, concretizando-se pela possibilidade de cada pessoa ser portadora de direitos e deveres e de se converter, portanto, em ator corresponsável na defesa da qualidade de vida; estabelecer uma educação que seja crítica e inovadora, em dois níveis: formal (na escola) e não formal (fora da escola) (DIAS, 2004).

Trabalhar a EA de maneira correta garante da proteção do meio ambiente à formação de seres humanos, cidadão críticos em relação à proteção do meio ambiente. A preocupação com o meio ambiente vem sendo debatido desde o século passado em relação a processos educacionais. A maneira como o professor pode trabalhar Educação Ambiental é diversificada.

Um dos princípios da EA, citado pelos PCNs, versa que a EA deve estabelecer, para os alunos de todas as idades, uma relação entre a sensibilização ao meio ambiente, a aquisição de conhecimentos, a atitude para resolver os problemas e a clarificação de valores, procurando, principalmente, sensibilizar os mais jovens para os problemas ambientais existentes na sua própria comunidade (BRASIL, 1997).

A questão ambiental tem sido debatida desde as décadas de 1960 e 1970 especificamente em conferencias internacionais, de ordem global e nacional originaram assim manifestações dentro da EA. Sendo assim ela ganha espaço e destaque, com avanços tecnológicos, e desenfreando uma teia de preocupações acerca de questões ambientais (CULPI, 2016).

  1. Metodologia

O trabalho foi realizado na Escola Municipal Antenor Gomes Viana Junior, situada na cidade de Caxias-MA, tendo como público alvo a turma de 1º ano do Ensino Fundamental I, a qual foi selecionada com o intuito de buscar familiarizar os alunos com a temática de economia de água, desde as séries inicias, assim possibilitando menores dificuldades de aprendizagem de temas de Educação Ambiental nas séries seguintes.

O período da pesquisa estendeu-se do mês de abril a maio de 2017. O objeto de estudo foi uma turma de 1º ano do ensino fundamental I, do turno matutino, contemplando 20 alunos. Para a coleta de dados, foi realizado um momento de sondagem por meio de imagens e questionamentos orais referentes a temática da água. Para a coleta de dados, utilizamos o método de pesquisa de campo, por meio de pesquisa-ação e ludicidade na realização de cada atividade proposta.

A pesquisa-ação surgiu da necessidade de superar lacunas entre teoria e prática, e uma das características desse tipo de investigação é intervir através dela intervenções na prática de modo a inovar o ensino e aprendizagem dos discentes e desenvolver o conhecimento e a compressão da mesma promovendo uma melhor relação professor/aluno-aluno/professor.

A pesquisa-ação é um tipo de pesquisa participante engajada, em oposição à pesquisa tradicional, que é considerada como “independente”, “não-reativa” e “objetiva”, (ENGEL, 2000). Esse tipo de pesquisa surgiu da necessidade de superar a lacuna entre teoria e prática, e a ludicidade apresenta um importante papel de incentivo à aprendizagem dos alunos. Garcia (2002, p. 56) comenta que “ao brincar, o sujeito ensaia, treina, aprende, se distrai, sim; mas se constrói: afirma, assimila, reorganiza, descobre e inventa suas formas enfrenta os enigmas, os desafios, as oportunidades e as imposições que a vida lhe apresenta”.

A pesquisa teve duração de 6 encontros, divididos da seguinte forma: primeiramente foi realizada uma apresentação da temática e sondagem dos alunos sobre o que já haviam apreendido sobre água (foram utilizadas 4 imagens que retratava situações diversificadas da água atualmente) e em seguida foi explanado sobre a origem da água, porcentagem no planeta e importância de sua economia e como método de avaliação, os alunos representaram a aula ministrada por meio da produção de alguns desenhos (Figura 1).

Figura 1- Introdução à temática ambiental e sondagem dos alunos.

No dia seguinte, foi realizado a apresentação do texto: “Nascente- o verdadeiro tesouro da propriedade rural” e logo depois, os alunos produziram um desenho em papel chamex que representava a nascente de um rio e o que deveria ter em seu redor para que a nascente pudesse existir (Figura 2).

Figura 2- Produção da nascente de um rio saudável.

No terceiro encontro, trabalhou-se a importância da água filtrada, simulando o processo de filtragem da água por meio da confecção de um “filtro caseiro”, onde utilizamos os seguintes materiais: garrafa pet, carvão, areia, seixos ou pedrinhas, algodão e água suja. Com esses materiais em mãos, as crianças foram divididas em quatro grupos de cinco para produzirem seus respectivos filtros para possíveis observações nos próximos encontros (Figura 3).

Figura 3- Experimento do filtro caseiro.

No quarto encontro foi trabalhado a importância da água filtrada para a saúde humana, provocando a reflexão que assim pode-se evitar doenças causadas por água contaminada ou não tratada, e ainda abordando as doenças causadas por água, relatando sobre os riscos de enchentes e entre outros.

No quinto encontro, foi exibido alguns vídeos que mostravam aos alunos sobre a importância da água na terra e os riscos da dengue para a população: Desenho animado sobre a dengue: momento da criança, A turma da Mônica: um plano para salvar o planeta e Dicas legais de como economizar água. Posteriormente, os alunos foram divididos em duplas e juntos com as professoras foram traçando ações que poderiam ser realizadas em casa e na escola para economizar água e se obter uma água para consumo de qualidade, além da prevenção de doenças.

No sexto encontro, foi relatado sobre o ciclo da água, acompanhado da exibição do vídeo: “A turma da Clarinha”, o qual demonstra sobre o assunto de forma dinâmica e recreativa. A partir do que foi visto no vídeo, os alunos produziram um novo desenho destacando as fases do ciclo da água e as etapas que água sofre para estar pronta para consumo (Figura 4).

Figura 4- Produção do desenho dos estados físicos da água conforme seu ciclo.

Para finalizar, os alunos observaram o resultado do experimento do filtro e relataram o que houve com o que foi produzido, além de citarem a importância dos encontros e do que foi abordado em sala de aula para suas vidas diárias. Por fim, os resultados foram analisados de forma discursiva.

  1. Resultados e Discussão

Durante as observações realizadas na turma de 1º ano do ensino fundamental I, da Escola Municipal Antenor Gomes Viana Junior, os seguintes pontos:

  1. Poucos alunos sabiam ler e escrever corretamente, o que dificultou na execução de algumas atividades;

  2. De acordo com cada questionamento levantado, cada aluno colocava seu ponto de vista, pois já haviam escutado de alguma forma sobre aquele assunto, o que facilitou a compreensão do conteúdo abordado;

  3. Foi possível perceber a interação dos alunos uns com os outros e com a própria professora, que nos auxiliou em cada atividade executada;

  4. E por fim, verificamos o quanto os alunos eram dinâmicos e curiosos diante de cada situação colocada para ser discutida.

Durante a primeira aula, por meio da sondagem, os alunos através das imagens da água representadas na aula, começaram a relatar o que sabiam sobre ela, junto com suas dúvidas e curiosidades. Conforme seus relatos, percebemos a importância da análise do senso comum de nossos alunos e Moura (2006, p.199), pontua que para Freire “o processo de aprendizagem de conhecimentos deve partir do conhecimento espontâneo para elevar-se ao conhecimento científico”. O professor necessita de valorizar o conhecimento prévio dos alunos, para assim poderem juntos construir o conhecimento cientifico.

Por meio dessa aula, foi possível traças os conhecimentos prévios dos alunos sobre a água:

Aluno A: “Tia sei que usamos água para lavar os alimentos, por causa que eles têm bactérias”;

Aluno B: “Sabemos que água que sai da torneira é líquida”;

Aluno C: “A água suja, dá doenças nas pessoas porque tem bactérias e dar dor de barriga”.

Aluno D: “Tia eu sei que o azul do planeta é tudo água e que água parada dar mosquito da dengue”.

É nesse sentido que Medeiros et al. (2011) afirma que pode-se entender que a educação ambiental é um processo pelo qual o aluno começa a obter conhecimentos acerca das questões ambientais, é onde passa a ter uma visão sobre o meio ambiente, podendo se manifestar como agente transformador em relação à conservação ambiental.

Quando explanado sobre a origem da água, porcentagem no planeta e importância de sua economia, os alunos demonstraram segurança em seus argumentos e relataram:

Aluno A: “Tia se a água acabar, vamos ficar sem beber e não poderemos viver mais”;

Aluno B: “Temos água em todos os lugares, no nosso corpo, na comida e até nos animais”;

Aluno C: “Sem água não temos como viver”.

De acordo com esses relatos, é possível destacar a familiaridade da turma com o assunto, demonstrando que a educação ambiental nas escolas contribui para a formação de cidadãos conscientes, capazes de decidirem e atuarem na realidade socioambiental de modo comprometido com a vida e bem-estar de toda a sociedade. Durante a produção dos desenhos referentes a primeira aula, destacou-se o planeta Terra e formas de se economizar a água em situações diárias, além de manifestarem a serventia de seu uso, como: desenhos mostrando a água servindo para o banho, escovar os dentes, lavar louças e roupas, molhar as plantas e entre outros.

No segundo encontro, trabalhamos com um texto sobre nascente, no qual as pesquisadoras e professora da turma fizeram uma breve leitura destacando a importância das nascentes para propriedades rurais e em seguida foram exibidas duas imagens: uma com a nascente preservada e a outra com a nascente cheia de resíduos sólidos em suas margens. Por meio do texto e as imagens expostas, os alunos produziram um novo desenho descrevendo a nascente de um rio e o que deveria ter em seu redor para que a nascente pudesse existir, e citaram:

Aluno A: “Já vi uma nascente dessas no interior tia”;

Aluno B: “As nascentes do interior estão cada vez mais terríveis...eca, cada vez pior, toda poluída”;

Em seus desenhos, tentaram descrever a nascente de um rio saudável por meio de aves, água limpa e vegetação preservada em suas margens. Trabalhar educação ambiental em sala de aula desde as séries iniciais faz com que os alunos aos poucos criem uma visão crítica dos fatos apresentados diariamente em suas vidas. Segundo a UNESCO (2005, p. 44), “Educação ambiental é uma disciplina bem estabelecida que busca enfatizar a relação dos homens com o ambiente natural, as formas de conservá-lo, preservá-lo e de conduzir seus recursos adequadamente”.

Posteriormente foi enfatizada em sala a importância do tratamento da água para nossa saúde, assim como a demonstração do processo de filtragem da água. Para isso, foi utilizado método experimental, onde assim é possível trazer para o aluno de forma real como acontece a filtragem da água na forma prática. Os alunos aos poucos foram interligando as informações absorvidas em sala de aula e começaram a visualizar no experimento, observando cada camada que a água precisa atravessar para chegar em seu estado de limpidez e logo associando a importância das estações de tratamento.

Podemos concordar com Hoering E Pereira (2004) quando afirmam que, ao se observar o objeto de estudo, o discente entende melhor o assunto, o que está sendo observado pode ser manipulado, sentido, permitindo uma observação concreta, podendo construir o conceito e não apenas imaginá-lo. Ao se experimentar o concreto, estimulamos nossos alunos ao desenvolvimento do raciocínio e compreensão de conceitos.

Pelo método de experimentação, os alunos relataram que aprenderam de forma dinâmica e sem obrigatoriedade, trabalharam em grupo para que o experimento pudesse vir a funcionar e perceberam que os grupos que não trabalharam juntos, os filtros caseiro não funcionaram, apenas um grupo conseguiu o resultado esperado mais próximo.

Com o resultado do experimento, os alunos foram tecendo comentários sobre o que a água suja poderia provocar no organismo deles e percebemos que nem todos possuem filtro em suas residências e alguns até destacaram que as vezes a água sai verde da torneira. Esse discurso nos mostra o quanto é importante o papel da escola no ato de sensibilização e educação ambiental na sociedade em geral, instruindo e demonstrando a importância da abordagem ambiental atualmente.

Muitos alunos falaram da seguinte forma:

Aluno A: “Tia sei que a água da chuva é boa, mas se ela fica suja, pode trazer doenças”;

Aluno B: “Tia na minha casa tem filtro, mas a gente bebe mesmo é da torneira, enche os litros mais rápido”;

Aluno C: “Tia uma água saudável tem gosto? Porque quando bebo água de coco, eu sinto um sabor...”;

Aluno D: “Tia fiquei sabendo que para água ficar limpar, ela precisa de tratamento e que quando chega nas casas, ainda tem que ferver pra sair as bactérias”.

Com os relatos em destaque, vamos de encontro com as palavras de Medeiros et al. (2011), onde diz que a questão ambiental tem sido considerada como um fato que precisa ser trabalhada principalmente nas escolas, pois as crianças bem informadas sobre os problemas ambientais poderão ser cidadãos mais preocupadas com o meio ambiente, além de serem consideradas multiplicadoras de conhecimento.

Foram trabalhadas algumas doenças em sala de aula, como: a esquistossomose, leptospirose e dengue, todas elas transmitidas pela água contaminada ou sendo foco para proliferação. Quando falado da esquistossomose, logo associaram a doença que deixa a pessoa “buxuda”, ou melhor dizendo, barriga d’água e ainda acrescentaram que era provocada pelo caramujo. Não conheciam a leptospirose, mas disseram que não tem coisa melhor do que um banho de biqueira, mas que agora sabem que ali pode ter xixi de rato e contrair a doença.

A dengue por exemplo, representa um dos grandes problemas de saúde pública na atualidade, com a ocorrência decrescentes epidemias em vários municípios brasileiros e acometemos quase todos da população. 100% das crianças conhecem a dengue e foram bem claras quando relataram da seguinte forma: “Tia as pessoas confundem, água parada provoca doenças, mas a dengue só aparece se o mosquito nascer...se tiver água parada ele vive e a gente fica dodói”.

Esse foi um relato que mais nos chamou atenção, pois são apenas crianças de 5 a 7 anos de idade e o nível de entendimento de educação ambiental está bem aguçado. É nesse sentido que Pontalti (2005), Educadora Ambiental, destaca que “a escola é o espaço social e o local onde o aluno dará sequência ao seu processo de socialização”, iniciado em casa com seus familiares.

Para finalizar as atividades, foram exibidos 3 vídeos educativos sobre a importância da água na terra e os riscos da dengue para a população e um vídeo que mostrava como acontecia o ciclo da água. Aos poucos, as crianças foram dando sua opinião sobre o que estavam vendo e as pesquisadoras junto a professora, anotavam cada abordagem, pois nem todos sabiam ler e escrever, mas apresentavam uma ótima dicção e argumentação do que viam.

Por meio dos vídeos, afirmaram:

Aluno A: “No vídeo do ciclo da água a gente ver como água surge...”;

Aluno B: “É incrível, mas como demora a água chegar na nossa casa em tia...a água chega toda suja para ser tratada nesse lugar tão grande...”;

Aluno C: “Aqui na nossa cidade tem essa estação de tratamento do vídeo?

Aluno D: “Tia essa água de leite que mostra no vídeo, são os produtos que limpa a água?

Aproveitando esses questionamentos, foi ensinado os 3 estados físicos da água, onde logo associaram com o que achavam que viria ser cada estado: o líquido, disseram que era a água que bebemos e tomamos banho, o sólido era o gelo que deixava o suco geladinho e o gasoso os fazia lembrar uma nuvem cinza e carregada de chuva.

Portanto, os PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) vêm fortalecer para os professores a importância de se trabalhar a EA como forma de transformação da conscientização dos indivíduos, visando uma forma de integrar as diversas áreas do conhecimento, desde o senso comum dos alunos, à construção conjunta com o professor do senso científico.

Em sequência, os alunos foram divididos em duplas, desenharam sobre as fases do ciclo da água e as etapas que água sofre para estar pronta para consumo e traçaram junto com as professoras algumas medidas que pudessem praticadas em casa e na escola para se preservar a água e se proteger das doenças, como: virar sempre os litros de cabeça pra baixo, colocar areia nos pratos de vasos, limpar as biqueiras da casa, jamais lavar o carro com a mangueira e sim com balde e isso serve para calçadas também, usar garrafinhas na escola em vez de copos coletivos, aproveitar a água da chuva para lavar áreas e banheiros, fechar a torneira ao escovar os dentes e ao tomar banho.

Em todos os encontros pela forma que foi abordada a temática, percebemos o desempenho dos alunos e interesse em aprender cada vez sobre educação ambiental. O uso do lúdico, acompanhado das atividades de desenho, uso de imagens, exibição de vídeos e o experimento, fez com que as crianças manifestassem seu senso crítico desde as séries iniciais sobre o meio em que vivem.

Diante do exposto, qual a importância de se trabalhar as questões ambientais em sala de aula e a sua contribuição na formação pessoal e social desses alunos nas séries iniciais? O conceito de ambiente, por exemplo, assim como o de natureza e de tudo que nos cerca, são constituições históricas que permitem conhecer e agir, dando ênfase na necessidade de discussão conceitual e nova construção do saber (LEFF, 2001).

Os objetivos e princípios da educação ambiental, contidos nos documentos oficiais e elaborados a partir de diversas definições, são base para o desenvolvimento de projetos de educação ambiental. É cada vez mais necessário a valorização do espaço escolar como meio de disseminação de conhecimento e formação de opinião. Mesmo nas séries iniciais, foi possível perceber o real papel e responsabilidade escola na vida dos alunos se tratando da temática de educação ambiental.

A cada relato e a cada desenho produzido, consideramos os objetivos da pesquisa alcançados e superados, percebemos o quanto é importante a organização curricular quando insere a educação ambiental desde as séries iniciais. Na escola onde foi executada o estudo, possuem espaços de preservação ambiental, como o plantio de ervas medicinais, hortas e projetos da escola que incentivam a ações voltadas à educação ambiental, como economia de água e reaproveitamento de resíduos sólidos, em parceria aos programas da escola e com outras instituições.

Destacamos também que o lúdico pode ser usado como um instrumento de aprendizagem nas atividades escolares, contribuindo positivamente para a aproximação dos alunos ao conhecimento teórico a educação ambiental surge como método eficaz para o desenvolvimento de uma conscientização sustentável.



  1. Conclusões

Durante os encontros, os alunos relatavam o conhecimento prévio que tinham a respeito de cada temática, acompanhada de suas dúvidas e curiosidades. A partir desse ponto, as pesquisadoras construíram juntamente com os discentes o conhecimento científico sobre os temas.

Através da exposição dialogada dos alunos e da produção dos desenhos, percebeu-se o quão importante é abordar a educação ambiental nas escolas com as crianças, despertando uma visão crítica dos fatos apresentados diariamente em suas vidas, contribuindo assim para a formação de cidadãos conscientes, capazes de decidirem e atuarem na realidade socioambiental de modo comprometido com a vida e bem-estar de toda a sociedade.

No processo de filtragem da água, onde os alunos além de observarem puderam realizar na prática, constatou-se o modo como eles associavam as informações que foram repassadas com o que acontecia no experimento, ressaltando a importância do tratamento da água para que não transmita doenças. Nesse experimento ressalta-se ao desenvolvimento do raciocínio, a compreensão de conceitos, assimilação de assuntos de forma dinâmica e ainda perceber a importância do trabalho em grupo.

Nos encontros notou-se o nível de empenho dos alunos e interesse em aprender cada vez mais sobre educação ambiental. Com uso de imagens, exibição de vídeo, o enfoque no lúdico, a realização de experimentos e a confecção de desenhos, averiguou-se que essas atividades estimulam a aprendizagem dos alunos e aumentam a capacidade de entendimento e percepção de conhecimento em educação ambiental. Observou- se a importância de se trabalhar a temática “Economia de Água” com os alunos, desde o Ensino Fundamental I, sensibilizando-os quanto à importância da água, da necessidade da preservação desse recurso, e preconizando a relevância na mudança dos seus hábitos com água.

Portanto, conclui-se que os objetivos da pesquisa foram alcançados e superados, percebemos a relevância da presença da educação ambiental desde as séries iniciais e assim salientando a utilização do lúdico como uma ferramenta de aprendizagem na educação ambiental.



  1. Referências

BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais - Meio Ambiente. Brasília: MEC/SEF, 1997.

CULPI, V. L. F. L. Contribuições da pegada hídrica no ensino de ciências: percepções e perspectivas de mudança a partir da sala de aula. 2016. 124f. Monografia (Pós-Graduação Ensino de Ciências) Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Curitiba, Paraná.

DIAS, G. F. Educação ambiental: princípios e práticas. 9.ed. São Paulo: Gaia, 2004.

ENGEL, G. I. Pesquisa-ação. Educar. Curitiba, Editora da UFPR. n. 16, p. 181-191. 2000.

FERREIRA, A. M.; AOKI, Y. S. Educação Ambiental e a problemática do uso da água: conhecer para cuidar. [s.p.], 2007. Disponível em: <http://www.gestaoescolar.diaadia.

pr.gov.br/arquivos/File/producoes_pde/artigo_ana_maria_ferreira.pdf>. Acesso em: 10 mai. 2017.

GARCIA, R. L. (org). Crianças, essas conhecidas tão desconhecidas. Rio de Janeiro: DP&A, 2002.

HOERNIG, A.M.; PEREIRA A.B. As aulas de Ciências Iniciando pela Prática: O que Pensam os Alunos. Revista da Associação Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências. v.4, n.3., set/dez 2004, p.19-28.

LEFF, H. Saber ambiental, Sustentabilidade, racionalidade, complexidade, poder. Petrópolis: vozes, 2001.

LIMA, J. E. F. W. Recursos Hídricos no Brasil e no Mundo. Embrapa Cerrados. Planaltina, DF, n. 33, dez. 2001. ISSN 1517-5111.

MEDEIROS, A. B.; MENDONÇA, M. J. S. L.; SOUSA, G. L.; OLIVEIRA, I. P. A Importância da educação ambiental na escola nas séries iniciais. Revista Faculdade Montes Belos, v. 4, n. 1, set. 2011.

MOURA, T.M. A Prática Pedagógica dos Alfabetizadores de Jovens e Adultos: contribuições de Freire, Ferreiro e Vygotsky. 4. ed. Maceió: Edufal, 2006.

MURCIA, J.A.M. Aprendizagem através do jogo. Porto Alegre: Editora Artmed. 2005.

SANTOS, E. T. A. dos. Educação ambiental na escola: conscientização da necessidade de proteção da camada de ozônio. 2007. 53f. Monografia (Pós-Graduação em Educação Ambiental) Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, Rio Grande do Sul.

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