ISSN 1678-0701
Número 65, Ano XVII.
Setembro-Novembro/2018.
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16/09/2018OS RECURSOS HÍDRICOS DO MUNICÍPIO DE PALMEIRA DAS MISSÕES/RS NA VISÃO DE ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO  
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OS RECURSOS HÍDRICOS DO MUNICÍPIO DE PALMEIRA DAS MISSÕES/RS NA VISÃO DE ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO





Jeferson Rosa Soares1, Junior Cesar Mota2, Marisa Biali Corá3, Luis Roberval Bortoluzzi Castro4, Dione Iara Silveira Kitzmann5



Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Educação Ambiental da Universidade Federal do Rio Grande-FURG, E-mail: josoares77@gmail.com.

2 Doutorando em Educação Ambiental. Mestre em Educação. Bolsista da CAPES. E-mail: juniormota@furg.br

3 Mestre em Desenvolvimento Regional pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná. E-mail: marisa_exp@hotmail.com

4 Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências: Química da Vida e Saúde da Universidade Federal de Santa Maria, E-mail: lbortoluzzi@gmail.com

5 Doutora e Mestra em Educação Ambiental. E-mail: docdione@furg.br





Resumo

O presente artigo traz a percepção ambiental de estudantes do Ensino Médio de duas escolas públicas localizadas no município de Palmeira das Missões/RS, com objetivo de identificar os problemas socioambientais relacionados aos recursos hídricos da região. Para isso 30 estudantes foram entrevistados por meio de um questionário contendo seis perguntas e os dados passaram pela análise de conteúdo. Os resultados revelaram que alguns estudantes não conhecem os principais rios da região onde residem, além de indicar que os recursos hídricos da região não são conteúdos debatidos em sala de aula. Nesse sentido, a Educação Ambiental (EA) consiste em uma importante ferramenta para sensibilização dos estudantes quanto à realidade local é possível gerar mudanças de comportamento em relação às questões dos recursos hídricos.



Palavras-chave: Educação ambiental. Problemas Socioambientais. Recursos Hídricos.



THE WATER RESOURCES OF THE PALMEIRA MISSONS/RS MUNICIPALITY IN THE VISION OF STUDENTS OF MIDDLE SCHOOL



Abstrat

This article presents the environmental perception of students from two public schools located in the municipality of Palmeira das Missões / RS, in order to identify the socio - environmental problems related to the region 's water resources. Thirty students were interviewed through a questionnaire containing six questions and the data passed through content analysis. The results revealed that some students do not know the main rivers of the region where they reside besides indicating that the study of them not debated in the classroom. In this sense, Environmental Education (EA) is an important tool to sensitize students to the local reality, it is possible to generate behavioral changes in relation to water resources issues.



Key words: Environmental education. Socioenvironmental Problems. Water resources.



1 Introdução



É notório que nos últimos anos, houve um aumento nas discussões sobre a importância dos recursos hídricos para a sobrevivência dos seres humanos e para a manutenção dos ecossistemas naturais (RODRIGUES et al., 2010). Nesse contexto, a Educação Ambiental (EA) torna-se uma ferramenta fundamental e estratégica de reflexão crítica para a compreensão dos problemas socioambientais gerados pelo homem, acerca do ambiente de sua realidade específica ou que estão integrados. O estudo da percepção ambiental de uma comunidade configura-se em uma ferramenta essencial para a compreensão acerca de comportamentos vigentes e para o planejamento de ações que promovam a sensibilização e o desenvolvimento de posturas éticas e responsáveis perante o ambiente (MARCZWSKI, 2006).

A Lei nº 9.795, que institui o Plano Nacional de Educação Ambiental (PNEA), corrobora ao dizer que:



Entende-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade (BRASIL, 1999, p. 01).



Ao considerar que a EA precisa fomentar uma visão sistêmica e integrada dos sujeitos, principalmente dos estudantes, visando à construção de um aprendizado que intercale a teoria à prática no contexto em que vivem, o desenvolvimento nesse sentido é importante para o fortalecimento da cidadania e participação concreta da comunidade frente aos problemas locais, determinando comportamentos proativos diante de situações, bem como proporcionar a transformação de paradigmas, de valores e de padrões de desenvolvimento.

Portanto, a EA apresenta-se como uma importante ferramenta para mudança social (Cuba, 2010). Visto que tem como função a formação de cidadãos ambientalmente educados e socialmente responsáveis e ainda tem o papel de desmitificar a ideia de que os interesses individuais devem superar os interesses da coletividade (Júnior et al., 2012).

Neste contexto o objetivo deste estudo consistiu em verificar quais eram as visões de estudantes de duas escolas de ensino médio em relação aos seus conhecimentos sobre os problemas ambientais relacionados com os recursos hídricos do município de Palmeira das Missões/RS.



2 Educação ambiental e as percepções: um olhar crítico sobre os problemas socioambientais

O estudo da percepção ambiental serve de base para a melhor compreensão das inter-relações entre o homem e o ambiente, suas expectativas, satisfações e insatisfações, julgamentos e condutas (ZAMPIERON et al., 2003). Sendo assim, a “percepção ambiental pode ser definida como sendo uma tomada de consciência do ambiente pelo homem, ou seja, o ato de perceber o ambiente que se está inserido, aprendendo a proteger e a cuidar do mesmo” (FERNANDES et. al, p. 1, 2005).

De acordo com Faggionato (2002, p. 2), a percepção ambiental é como:



Cada indivíduo percebe, reage e responde diferentemente frente às ações sobre o meio. As respostas ou manifestações são, portanto, resultado das percepções, dos processos cognitivos, julgamentos e expectativas de cada indivíduo. Embora nem todas as manifestações psicológicas sejam evidentes, são constantes, e afetam nossa conduta, na maioria das vezes, inconscientemente (FAGGIONATO, 2002, p. 2)



Neste contexto, ao realizar estudos sobre as percepções que estudantes possuem acerca de seu meio, são muito importantes para que possamos entender melhor suas expectativas, condutas, comportamentos e as inter-relações entre ser humano e ambiente.

Ainda, para Macedo et al. (2008) o estudo da percepção ambiental mostra-se importante para que se possa compreender melhor as interrelações entre o homem e o ambiente, pois por meio dela, são estabelecidas as relações de afetividade do indivíduo para com o ambiente. Fernandes et al. (2005) acrescenta que cada indivíduo percebe, reage e responde diferentemente às ações sobre o ambiente em que vive.

Corroborando com isto, Oliveira (2006, p. 45) quando afirma que:



[...] cada cidade tem seu próprio estilo, cada bairro tem suas características próprias, cada vila tem sua identidade. Essa diferença deve-se a um conjunto de características ambientais, sociais, culturais, espaciais e locacionais. São essas características do lugar que levam os indivíduos a terem imagens diferentes uns dos outros. A formação mental de cada um deve-se às relações do meio onde estão inseridos e as relações consigo mesmo e a sua capacidade de abstrair do mundo real aquilo que é visível a si mesmo (OLIVEIRA, 2006, p. 45).



É fato que desde o surgimento do ser humano no planeta ele vem provocando grandes impactos no meio ambiente, tais como a destruição da camada de ozônio, o efeito estufa, e consequentemente o aquecimento global, escassez de água e outros problemas (DIAS, 2004). Sendo assim, a EA torna-se uma importante ferramenta de apoio para que possamos entender os problemas que são gerados pelos seres humanos, fazendo com que os alunos compreendam o seu meio e os problemas de sua realidade, pois nas palavras de Dias (2004), a EA é entendida como os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente. Sendo assim, “o contexto dos problemas ambientais implica o estudo das relações homem-ambiente e qualquer análise que se faça sobre soluções possíveis deve considerar os comportamentos do homem perante seu ambiente” (BASSANI, 2001, p.47).



3. Os recursos hídricos e a educação ambiental: articulações possíveis



A água é um recurso fundamental à sobrevivência da vida na Terra, no entanto a mesma não está tendo a devida importância (NASSIN, 2005). Durante muitos séculos, o ser humano vem usando a água de diversas formas onde muitas vezes com ações indiscriminadas, sem se preocupar com os possíveis efeitos acumulativos que poderiam prejudicar todo um ciclo hidrológico no futuro, apesar de ser um bem renovável (TUNDISI, 2003). Entre os principais problemas que a sociedade vem enfrentando na atualidade estão os recursos hídricos. Muitos autores envolvidos com estudos voltados à conservação desses recursos, consideram a importância de mudanças globais nos padrões de utilização da água. Monticelli & Martins (1993) nos lembra que em função da abundância de recursos hídricos, na maior parte do território nacional:



[...] o brasileiro habituou-se a não se preocupar com o uso que faz da água. Utiliza-a de modo muito irracional e perdulário. Reflete em seus hábitos uma total despreocupação com a origem desses recursos, como se estivesse convicto que fossem inesgotáveis (MONTICELLI & MARTINS 1993 p.17).



Sendo assim, Pádua & Tabanez (1997) pontuam que: com as crescentes pressões humanas nos ambientes naturais, a Educação Ambiental tem se tornado cada vez mais importante como um meio de buscar apoio e participação dos diversos segmentos da sociedade para conservação e melhoria da qualidade de vida.

No país, a Política Nacional de Recursos Hídricos (Lei nº 9.433/1997 – Brasil, 1997) estabelece a água como um bem de domínio público, recurso limitado, que possui valor econômico e seu uso deve ser planejado sobre os seus vários, múltiplos e possíveis aproveitamentos. Por meio da participação da sociedade é possível ampliar a relação educação-ambiente, onde estamos inseridos e de que somos parte, buscando alternativas para os problemas socioambientais (LOUREIRO, 2006).

Segundo TREVISOL (2010) diante da complexidade ambiental, o conhecimento é extremamente importante na construção de novos valores, novas autonomias, tanto no sentido de instigar as atitudes, bem como, de acentuar a compreensão das relações entre a humanidade e a qualidade ambiental, e quando falamos em água a mesma precisa ser bem gerida, e com base nessa gestão encontra-se a educação ambiental, a qual é considerada por Reigota (2004) e Guimarães (2000) como uma educação política, no sentido de que ela reivindica e prepara os cidadãos para exigir justiça social, cidadania nacional e planetária, autogestão e ética nas relações sociais e com a natureza.



4. Percurso Metodológico



A busca das identidades e percepções dos sujeitos envolvidos no projeto de educação ambiental deve ocorrer com base em instrumentos de coleta de dados, como conversas, entrevistas ou questionários (SPAZZIANI; SILVA, 2009).

 Nesse sentido, o presente estudo foi realizado no mês de maio de 2016 em duas escolas da rede pública do município de Palmeira das Missões/RS, localizadas em pontos diversos, para o levantamento das percepções de alunos sobre os problemas socioambientais existentes nos rios Guarita com destaque para o uso de suas águas para irrigação e o Macaco que faz o abastecimento do município. Para o presente estudo, escolheu-se duas escolas uma em área rural e outra em área urbana. O universo da investigação compreendeu 30 alunos do ensino médio, assim distribuídos: 5 alunos do 1º ano, 5 alunos do 2º ano e 5 alunos do 3º ano por escola. A escolha dessa amostra foi em razão da busca em demonstrar as diferentes percepções ambientais sobre os problemas socioambientais relacionados aos recursos hídricos e a seleção dos alunos seguiu o critério de ser voluntário. O questionário apresentou perguntas abertas, que permitiram dividir informações mais precisas com informações mais livres obtendo-se assim uma visão mais geral dos alunos, que puderam se expressar com palavras próprias e emitir suas opiniões sobre a temática. Após sendo transformado em gráficos no Programa EXCEL, e tabelas para descrição dos mesmos.

A análise da percepção ambiental sobre a problemática foi construída a partir das respostas dos alunos às seguintes perguntas: 1) Para você qual a importância da água para Palmeira das Missões? 2) Você conhece os rios Guarita e Macaco? 3)  Na sua opinião quais são os principais problemas socioambientais existentes nos rios Guarita e Macaco? 4) Qual a sua contribuição para melhorar as condições ambientais dos rios em Palmeira das Missões? 5) A sua escola já levou você para realizar alguma atividade junto a algum desses rios citados acima? Se sim, quais? 6) Em sala de aula, como são abordadas as temáticas acerca dos rios? Em quais disciplinas?

Para análise, utilizou-se a metodologia da Análise de Conteúdo (BARDIN, 2011), que, segundo a autora, consiste em:



Um conjunto de técnicas de análise das comunicações, que utiliza procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens. A intenção da análise de conteúdo é a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção, inferência esta que recorre a indicadores (quantitativos ou não) (BARDIN, 2011, p. 38).



Salienta-se que análise de conteúdo é segmentada em três fases ou etapas: a pré-análise; a exploração do material; e o tratamento dos resultados, inferência e interpretação. Sendo assim, os dados oriundos dos questionários perpassaram por essas três etapas a fim de os resultados e discussões, apresentados a seguir, pudessem ser estabelecidos.



5. RESULTADOS E DISCUSSÕES



Ao elucidar o perfil de cada escola pesquisada, verifica-se que na Escola Borges do Canto a faixa etária dos alunos varia de 16 a 17 anos, e na Escola Celeste Gobbato encontram-se na faixa etária entre 15 a 17 anos. Em relação ao perfil do sexo, verifica-se que na Escola Borges do Canto todos os alunos pesquisados são do sexo masculino e na Escola Celeste Gobbato, 50% os alunos pesquisados são do sexo masculino e outros 50% do sexo feminino.

Com base nas respostas a partir da aplicação do questionário com os alunos da Escola Borges do Canto e Escola Celeste Gobbato, buscou-se apresentar questões para atender à problemática da pesquisa, em analisar as percepções ambientais dos alunos das referidas escolas em relação aos seus conhecimentos sobre os recursos hídricos do município de Palmeira das Missões/RS.

O primeiro questionamento está relacionado com a importância da água para Palmeira das Missões/RS e as respostas estão apresentadas na tabela 1:

Tabela 1 – Definições sobre a importância da água.

Escola Borges do Canto

Escola Celeste Gobbato

Definições

Número de Citações

Definições

Número de Citações

Vida

6

Vida

5

Importante

5

Importante

5

Afazeres da vida

4

Agricultura

4

Agricultura

3

Abastecimento

2

Economia

2

Qualidade de vida

2

Qualidade de vida

2

Afazeres e atividades do dia a dia

1

Abastecimento

1

Comunidade

1

População

1

Economia Local

1

-

-

Saúde

1

Fonte: Pesquisa de campo. Organizado pelos autores.



Os alunos da Escola Borges do Canto destacaram com maior frequência a questão da importância da água para Palmeira das Missões através de três palavras chaves: Importante, Vida e Afazeres e atividades do dia a dia. De acordo com as citações dos mesmos, a água é importante porque o ser humano não vive sem ela, sem água na cidade não há vida. No que se refere aos afazeres e atividades do dia a dia, os alunos consideram a água Importante e Necessária para Palmeira das Missões para realizar atividades básicas do dia a dia como banho, cozinhar alimentos, ou seja, ela é necessária para atendimento das necessidades básicas do ser humano, como destacado na seguinte citação“A água é importante pois está diretamente ligada a quaisquer atividades que fizemos, desde a agricultura até a prática esportiva” Aluno do 3º Ano.

Outros aspectos como: Economia e Qualidade de Vida são enfatizados nos textos escritos pelos alunos. A preocupação com a questão da Economia é em razão de os mesmos considerarem Palmeira das Missões/RS, um município de pequeno porte e por isso necessita fazer o racionamento desse recurso ambiental. Em relação à Qualidade de Vida, consideram que precisam da água para desfrutarem de bem-estar e vida saudável.

Os alunos da Escola Celeste Gobbato evidenciam com maior frequência em relação ao questionamento da importância da água para Palmeira das Missões, duas palavras-chave: Importante e Vida. Eles atribuem a importância desse recurso ambiental da cidade para a sobrevivência, ou seja, para hidratação do corpo humano, sendo considerada uma fonte vida e que a nação humana não viveria sem ela. Como destacado na seguinte citação:

A importância da água não está só em Palmeira das Missões, mas em todas as regiões, e as preservações de nossas nascentes para que tenhamos sempre água potável para consumir” Aluno do 3º Ano.

A percepção dos alunos sobre a importância da água para Palmeira das Missões – RS está relacionada com observação sobre a dependência desse recurso ambiental para a sobrevivência humana. Como enfatizado por Lessa Filho (2005):



A água é um recurso vital para as espécies que vivem na Terra. A nossa dependência total dela é representada pela facilidade com que se constroem casas, indústrias, cidades inteiras ao lado de rios, lagos, etc. Essa é a tendência humana e, ao mesmo tempo, um instinto biológico de ficar perto daquilo que se depende. No entanto, a forma como os recursos estão sendo usados é preocupante. O consumo é imensamente maior do que a capacidade de recarga dos rios, aquíferos e lagos (LESSA FILHO 2005, p.13).



Os aspectos Abastecimento, Agricultura e Qualidade de Vida aparecem em destaque nas respostas descritas no questionário. A questão do abastecimento descrita pelos alunos consiste em afirmar que a importância da água consiste na garantia de abastecimento das casas diariamente, suprindo a necessidade da comunidade e proporcionando água para beber e preparo de alimentos. Na questão da agricultura, os alunos afirmam o valor da água para seu uso nos campos e lavouras, nas plantações, pois a agricultura é a base da economia local. Para eles, a água contribui para a qualidade de vida, ou seja, para a saúde e bem-estar das pessoas.

Dentre os problemas ambientais, a questão da água é destacada pelos alunos como importante e fundamental, pois de acordo com Tundisi (2003, p. 01) a água “é um recurso extremamente reduzido. O suprimento de água doce de boa qualidade é essencial para o desenvolvimento econômico, para a qualidade de vida das populações humanas e para a sustentabilidade dos ciclos no planeta”.

E como esse recurso ambiental é enfatizado como indispensável à vida, e por essas razões destaca-se como temática fundamental a ser desenvolvidas no contexto escolar e que os docentes tenham conhecimento para trabalhar os problemas ambientais relacionados aos recursos hídricos, principalmente aqueles presentes na realidade local. Como destacado por Bacci e Pataca (2008),



O tema água deve estar presente no contexto educacional, tanto na educação formal como na não-formal, com enfoque na ética e na formação do cidadão consciente do lugar que ocupa no mundo, num mundo real, dinâmico, que parte do local e se relaciona com o global, onde todas as coisas podem tomar parte de um processo maior, de um sistema integrado (BACCI e PATACA 2008, p.217).



Ao serem questionados sobre o conhecimento dos rios Guarita e Macaco, ficou evidente que os rios da cidade são de conhecimento dos mesmos, pois fazem parte da realidade concreta desses alunos (figura 1).

Figura 1 – Resultado das informações para a pergunta, Você conhece os rios Guarita e Macaco?

Fonte: Pesquisa de campo. Organizado pelos autores.



Neste questionamento, 3 alunos da Escola Borges do Canto e 2 alunos da escola Celeste Gobbato não conhecem os referidos rios. Embora esses alunos afirmam não conhecer os referidos rios, 4 deles citam problemas ambientais, tais como:

Alunos da Escola Borges do Canto que afirmam não conhecer os rios Guarita e Macaco, mas destacam os seguintes problemas ambientais:

A poluição diz que são lixos, poluição que prejudica os rios”

Em geral temos a liberação de dejetos humanos, esgotos a céu aberto, o acúmulo de lixo que acabam indo parando nos mesmos”.

Alunos da Escola Celeste Gobbato que afirmam não conhecer os rios Guarita e Macaco, mas destacam os seguintes problemas ambientais:

Sujeiras nas encostas”.

Agrotóxicos, poluído”

Analisa-se nesse sentido, que embora não conhecendo os rios Guarita e Macaco, atribuem problemas ambientais globais a essa realidade local. Como destacado por Dias (2004), destaca-se nesse aspecto, a necessidade de fomentar discussões de EA, pois os alunos ainda estão ‘treinados’ para ignorar os problemas ambientais gerados por seus atos.

Os alunos que afirmam conhecer os rios são 12 da Escola Borges do Canto e 13 da Escola Celeste Gobbato destacados a seguir.

Na Escola Borges do Canto, analisou-se que a maioria dos alunos que conhecem os rios Guarita e Macaco sabem citar problemas relacionados aos mesmos, apenas 4 alunos não sabem descrever sobre os mesmos ou apresentam dúvidas para afirmar os problemas ambientais, (Quadro1).

Quadro 1 – Conhecimento sobre os problemas ambientais dos rios Guarita e Macaco da Escola Borges do Canto.

Escola Borges do Canto

Alunos que afirmam conhecer os rios e sabem citar os problemas ambientais

Autoria

Citação

Alunos do 1º Ano

Lixo jogado, poluição”

Acho que o maior problema é o descaso da sociedade, por jogar lixo, e coisa do gênero”.

Alunos do 2º Ano

Existem vários locais desses rios onde há poluição”

Nível da água em decaimento, um pouco de poluição urbana, além de um grande uso de cloro, o que significa grande poluição”.

Poluição e encostas mal feitas”.

Alunos do 3º Ano

Desmatamento e não muito cuidado, pouco valorizado”.

O lixo contido que é jogado lá”.

A ignorância e falta de respeito que os habitantes do município possuem, descartando lixos e diversos outros materiais não utilizáveis dentro dos rios, logo, os poluindo”.

Alunos que afirmaram conhecer os rios, mas não tem certeza em citar os problemas ambientais

Autoria

Citação

Alunos do 1º Ano

Eu não sei, mas possivelmente é a poluição”

Não sei”

Alunos do 2º Ano

Não sei”

Acho que a poluição”.

Fonte: Pesquisa de campo. Organizado pelos autores.



Os alunos que afirmam conhecer os rios, citam problemas ambientais tais como lixo, poluição, poluição urbana, descaso da sociedade, nível da água em decaimento, uso do cloro, encostas malfeitas, desmatamento, ignorância e falta de respeito dos habitantes do município de Palmeira das missões.

Na Escola Celeste Gobbato, analisou-se que a maioria dos alunos que conhecem os rios Guarita e Macaco sabem citar problemas relacionados aos mesmos, não sendo identificado casos nos quais esses alunos não sabem descrever sobre os mesmos (Quadro 2).

Quadro 2 – Conhecimento sobre os problemas ambientais dos rios Guarita e Macaco da Escola Celeste Gobbato.

Escola Celeste Gobbato

Alunos que afirmam conhecer os rios e sabem citar os problemas ambientais

Autoria

Citações

Alunos do 1º Ano

Agrotóxicos aplicados muito próximo do rio, o rio também é usado como “diversão”, lixo jogado nele, etc”.

O desmatamento em seu interior, a falta de conscientização dos moradores, a poluição com agrotóxico nas lavouras, o lixo espalhado em seu meio”.

Muita poluição, a comunidade não cuida como deveria”.

A poluição da água”.







Alunos do 2º Ano

A poluição, lixo, sujeira, agrotóxicos desde o desmatamento em sua volta e outros fatores que prejudicam cada vez mais o rio e a vida existente nele”.

A poluição por meio dos agrotóxicos vindos pela lixiviação das lavouras, e descuido de lixos pela volta”.

Não é obedecido as normas de proteção, cujo espaçamento rio/lavoura deve ser de 50 metros, protegidos com mata ciliar e no rio Guarita e Macaco, isso não acontece”.

Que as lavouras muito próximas a eles que acontece o escorrimento dos agrotóxicos para dentro do rio”.

Desmatamento, agrotóxicos muito fortes perto da escola, lixo prejudica os rios”.


Poluição e represamento para açudes e pivôs”

Poluição, pesca”

Lixos, esgotos que são largados, produtores rurais que não respeitam os limites das matas ciliares, e assim resumindo, poluição, devastação e desmatamento”.

Alunos que afirmam conhecer os rios, mas não sabem citar os problemas ambientais

Não houve respostas nesse sentindo na presente escola.

Fonte: Pesquisa de campo. Organizado pelos autores.



Na escola Celeste Gobbato, verifica-se que os alunos afirmam conhecer os rios e citam os seguintes problemas ambientais: Agrotóxicos aplicados próximo aos rios, lixo, desmatamento, falta de conscientização dos moradores, poluição, mata ciliar, pesca e esgoto.

Sato (2003) considera fundamental o conhecimento sobre como os alunos percebem o meio ambiente em que estão inseridos, como instrumento para construção de processos de EA. Nessa perspectiva, entender a percepção dos alunos em relação aos problemas ambientais é necessária para melhor trabalhar a EA no contexto escolar, como destacado por Bispo e Oliveira (2007):



O conhecimento do lugar vivido impregnado de sentimentos e ações, a partir das relações cotidianas, possibilita-nos o entendimento das representações de educação ambiental e meio ambiente e, sobretudo, nos indica caminhos de ação na educação ambiental formal, porque ela é também construída a partir dos diversos significados que compõem o lugar vivido e da multiplicidade de ações que se dão no cotidiano (BISPO e OLIVEIRA 2007, p.77).



Ao analisar as percepções dos alunos que conhecem os rios Guarita e Macaco e sabem citar os problemas ambientais, compreende-se que estes sabem que estes recursos ambientais não existem isoladamente, mas são partes de um conjunto maior, o meio ambiente no qual estão inseridos.

Em relação ao questionamento, sobre as contribuições dos alunos para melhoria das condições ambientais do rio Guarita e Macaco, verifica-se que embora os alunos que afirmaram anteriormente não conhecer os referidos rios, 4 deles citam contribuições para melhorar as condições ambientais dos rios em Palmeira das Missões destacados em suas respostas abaixo:

Alunos da Escola Borges do Canto que afirmam não conhecer os rios Guarita e Macaco, mas destacam as seguintes contribuições possíveis:

­­­­­Acho que nenhuma, mas também não fiz nenhuma contribuição para sujá-lo”

Não jogar lixo nos rios, preservando, pois, são necessários para o bem de todos”

O que está ao meu alcance, coisas pequenas como não deixa lixo na rua, que acarretem no entupimento dos bueiros”

Alunos da Escola Celeste Gobbato que afirmam não conhecer os rios Guarita e Macaco, mas destacam as seguintes contribuições possíveis:

Fiscalizações ambientais e bom descarte de produto “embalagem” de agrotóxicos”

Conscientizar as pessoas contra a poluição e preservá-los”

Os alunos da Escola Borges do Canto que afirmam conhecer os rios, citam as seguintes contribuições pra melhoria das condições ambientais dos rios em Palmeira das Missões: não jogar lixo nos rios, nas calçadas e nas ruas, não poluindo e cuidando deles, reciclando os materiais e não desperdiçando água. Destaca-se que 5 alunos que afirmam conhecer os referidos rios, não sabem citar contribuições ou não se sentem preocupados com as questões ambientais, atribuindo essa responsabilidade à sociedade (Quadro3).

Quadro 3 – Contribuições para melhoria das condições ambientais dos rios Guarita e Macaco citados pelos alunos da Escola Borges do Canto.

Escola Borges do Canto

Alunos que afirmam conhecer os rios e citam contribuições.

Autoria

Citações

Alunos do 1º Ano

Não jogar lixo no rio e nem por perto dele”

Que todos colaborem em não poluir os rios de nossa cidade”.

Não poluir, cuidar dos rios”.

Alunos do 2º Ano

Cuidar do rio”.

Jogar mens lixo nas calçadas, ruas, e também reciclar o lixo, não jogar óleo de cozinha fora, etc;.”

Não desperdiçando a água e não poluindo”

Alunos que afirmam conhecer os rios, mas não souberem citar contribuições.

Autoria

Citações

Alunos do 1º Ano.

Não faço muita coisa, mas procuro também não piorar a sua situação”.

Alunos do 2º Ano.

Eu como cidadão não posso fazer nada, mas a cidade em si, pode realizar campanha sobre rios e meio ambiente”.

Alunos do 3º Ano.

Vou ser sincera, não faço contribuição para melhorar as condições ambientais, mas gostaria”

Reciclo o que dá e não jogo o lixo em rios ou em terrenos, coloco ele no lixo onde é o seu lugar”

Além de campanhas de conscientização aumentar a fiscalização encima das questões de descarte de lixo e aplicar multas mais severas”.

Fonte: Pesquisa de campo. Organizado pelos autores.



Os alunos que conhecem os rios Guarita e Macaco e sabem citar contribuições demonstra o nível de preocupação e comprometimento dos mesmos em busca de soluções para os problemas ambientais. Dessa forma, pode-se utilizar a expressão “sujeito ecológico” segundo Carvalho (2004, p.66-67), para esses alunos



[...] O sujeito ecológico, nesse sentido, é um sujeito ideal que sustenta a utopia dos que creêm nos valores ecológicos, tendo, por isso, valor fundamental para animar a luta por um projeto de sociedade bem como a difusão desse projeto. Não se trata, portanto, de imaginá-lo como uma pessoa ou grupo de pessoas completamente ecológicas em todas as esferas de suas vidas ou ainda como um código normativo a ser seguido e praticado em sua totalidade por todos os que nele se inspiram. Em sua condição de modelo ideal, é, pois, importante compreender quais são os valores e crenças centrais que constituem o sujeito ecológico e como ele opera como uma orientação de vida, expressando-se de diferentes maneiras por meio das características pessoais e coletivas de indivíduos e grupos em suas condições sócio-histórica de existência (CARVALHO, 2004, p.66-67).



Na escola Celeste Gobbato, os alunos que afirmam conhecer os rios, citam as seguintes contribuições para melhoria das condições ambientais dos rios: economia, conscientização, destino adequado às embalagens de agrotóxicos, alertar as pessoas sobre não jogar lixo no chão, cuidando e tratando a água; plantar arvores e cuidar do meio ambiente, inserção de matas ciliares, limpeza das nascentes e evitar o desperdício de água.  E, na Escola Borges do Canto, no que se refere aos alunos que afirmam conhecer os rios, mas não souberam citar contribuições, não se identificou nenhum caso nessa perspectiva (Quadro 4)

Quadro 4 – Contribuições para melhoria das condições ambientais dos rios Guarita e Macaco citados pelos alunos da Escola Celeste Gobbato.

Escola Celeste Gobbato

Alunos que afirmam conhecer os rios e citam contribuições

Autoria

Citações

Alunos 1º ano

A economia e a conscientização”

Jogando lixo no lixo, informando moradores e agricultores, para dar um fim melhor a veneno e agrotóxicos”.

Cuidar onde jogo o lixo, quando eu ver pessoas poluindo avisar elas que isso prejudica a nós mesmos”

Não jogando lixo neles, cuidando e tratando a água”.

Alunos do 2º ano

Não jogar lixo no chão, fazer com que os colegas façam o mesmo, plantar árvores e cuidar do meio ambiente”.

Não jogar lixos nas encostas, preservação e inserção das matas ciliares”.

Evitar o desperdício de água e futuramente alertar os agricultores sobre a importância da preservação das matas ciliares”.

Conscientizar pessoas”.

Não poluir, não joga lixo no chão”.

Alunos do 3º ano

Cuidar da natureza, preservar, lixos”.

Economizar água, cuidar da limpeza em nascentes e plantios de árvores”

Minha contribuição vem da forma mais “fácil”, lixo na lixeira e não no chão”

Alunos que afirmar conhecer os rios, mas não souberem citar contribuições

Autoria

Citação

Aluno 3º Ano

Na verdade nenhuma, pois não faço nada para ajudar, mas vejo os problemas”.

Fonte: Pesquisa de campo. Organizado pelos autores.



Em relação ao quinto questionamento, os alunos responderam se a escola já levou os mesmos para realizar alguma atividade junto a algum desses rios citados, analisa-se que a maioria dos alunos responderam negativamente a essa questão (Figura 2), destacando-se assim a necessidade de realizar trabalhos e pesquisas, relacionados aos referidos rios e de seus problemas ambientais.

Figura 2 – Resultados das respostas para a pergunta, a sua escola já levou você para realizar alguma atividade junto a algum desses rios citados acima?

Fonte: Pesquisa de campo. Organizado pelos autores.



O resultado apresentado na figura 2, reforça a necessidade de desenvolver atividades curriculares e extracurriculares de EA com ênfase em temáticas relacionadas aos referidos rios. Como destacado por Dias (1992), em razão da importância da temática ambiental e a visão holística da realidade, no tempo e no espaço, destaca-se o papel da escola, como ambientes fundamentais na implementação de atividades que gerem essa reflexão, pois requer atividades de sala de aula e de campo, com estratégias direcionadas para o desenvolvimento da autoconfiança, comportamentos proativos e comprometimento pessoal na busca de resolução de problemas reais da realidade local, por meio da abordagem interdisciplinar.

Diante dos problemas ambientais e suas consequências para a vida do ser humano e do meio ambiente, torna-se importante a efetivação da EA com vistas a proporcionar a reflexão crítica dos seus alunos. Fato esse enfatizado por Dias (2004, p. 523), o qual considera que a EA pode ser definida como “processo permanente no qual os indivíduos e a comunidade tomam consciência do seu meio ambiente e adquirem conhecimentos, valores, habilidades, experiências e determinação que os tornem aptos a agir e resolver problemas ambientais, presentes e futuros”

Dessa forma, acredita-se que os jovens formem novas concepções sobre a problemática ambiental e a escola não seja apenas um espaço de repasse de informações, mas, sobretudo, um ambiente de construção de conhecimentos na perspectiva ambiental. E nesse direcionamento, a discussão sobre os problemas ambientais consiste em estratégia para a EA devido a envolver os alunos na reflexão crítica de propostas na busca de solução dos problemas percebidos no ambiente dos rios Guarita e Macaco.

E por fim, os alunos foram questionados sobre como são abordadas as temáticas relacionadas com os rios Guarita e Macaco em sala de aula e quais as disciplinas que trabalham nessa perspectiva (Figura 3). Verifica-se que a abordagem desse tema é mais frequentemente trabalhada na disciplina de Geografia.

Figura 3 – Resposta para a pergunta, em sala de aula, como são abordadas as temáticas acerca dos rios? Em quais disciplinas?

Fonte: Pesquisa de campo. Organizado pelos autores.



Os alunos da Escola Borges do Canto afirmam que as temáticas acerca dos rios são trabalhadas na grande maioria das vezes apenas na disciplina de Geografia, e que os professores buscam aprofundar esse tema, abordando alguns aspectos como falta de água constante, poluição extrema, barragens em grandes rios, formações geográficas, política ambiental, preservação, cuidado com a água, mas que alguns desses temas não são referentes a realidade do município de Palmeira das Missões.   Apenas um (01) estudante respondeu geografia e outras disciplinas, considerando que essa temática é trabalhada nas disciplinas de português, geografia, biologia e redação.

E os alunos da Escola Celeste Gobbato destacam que as temáticas acerca dos rios são abordadas através de trabalhos e atividades na disciplina de Geografia buscando apresentar a importância dos rios para a população de Palmeira das Missões – RS. Evidencia-se que os alunos citam também outras disciplinas tais como Silvicultura, História e Ciências.

Nessa perspectiva, Morin (2001), afirma que para resolver a discussão compartimentada acerca dos conteúdos, é necessário realizar investimentos em uma nova educação, que vise a superação da visão fragmentada e a separação entre a cultura humanista e cultura científica, entre as distintas ciências e disciplinas. Nesse sentido, é preciso proporcionar um diálogo interdisciplinar sobre os problemas ambientais, que vise à reflexão sobre as perspectivas futuras do contexto escolar, articulando as distintas disciplinas, de modo a buscar soluções para as questões ambientais.

Dessa forma, destaca-se a importância da EA na perspectiva interdisciplinar: “[...] a Educação Ambiental, como perspectiva educativa, pode estar presente em todas as disciplinas, quando analisa temas que permitem enfocar as relações entre a humanidade e o meio natural, e as relações sociais, sem deixar de lado as suas especificidades”. (REIGOTA, 2001, p. 25).



6. Conclusão



Com base nos dados apresentados é possível inferir que os estudantes possuem uma visão simplista dos recursos hídricos e o estudo das percepções ambientais neste caso foi importante para buscar estratégias de melhoria da compreensão das inter-relações entre o ser humano e o meio ambiente e neste contexto os resultados evidenciam a necessidade da realização ações nos ambientes educacionais pesquisados como intervenções capazes de ampliar a visão da comunidade escolar quanto à preservação dos recursos hídricos e promover uma mudança na qualidade socioambiental dos mesmos, pois assim será possível a realização de um trabalho com bases na EA, partindo da realidade do público pesquisado.

A EA, nesse contexto, deve estimular a consciência crítica dos estudantes sobre a problemática ambiental dos recursos hídricos e contribuir, conjuntamente com a comunidade local, na discussão e busca de soluções dessas questões, tornando-se uma importante ferramenta para a busca de entender os problemas gerados pelo ser humano, buscando incutir nos indivíduos uma compreensão do meio ambiente e os vários problemas relacionados. E sobretudo, é necessária a intervenção de todas as disciplinas para a promoção da reflexão crítica dos problemas ambientais e formação de novas concepções sobre o meio ambiente.



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