ISSN 1678-0701
Número 65, Ano XVII.
Setembro-Novembro/2018.
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16/09/2018ANCORAGEM E OBJETIVAÇÃO COMO PROCESSOS REVELADORES DAS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS A RESPEITO DO MEIO AMBIENTE  
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ANCORAGEM E OBJETIVAÇÃO COMO PROCESSOS REVELADORES DAS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS A RESPEITO DO MEIO AMBIENTE

Daniele Gomes Bispo¹, Aline Martins Vicentin¹, Walmir Evangelista Junion¹, Rafaella Menezes Ayllón¹, Luiz Omir de Cerqueira Leite¹, Luciana Aparecida Farias¹



1Departamento de Ciências Ambientais. Universidade Federal de São Paulo. E-mail: danielegmsbispo@gmail.com.br

¹Departamento de Ciências Ambientais. Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”. E-mail: line_vicentin@hotmail.com.

1Departamento de Ciências Ambientais. Universidade Federal de São Paulo. E-mail: walmirjun12@gmail.com

¹Departamento de Análise Ambiental Integrada,. Instituição: Universidade Federal de São Paulo. E-mail: may_fane@hotmail.com.

¹Departamento de Ciências Sociais. PUC/SP. Email: luizomir@pucsp.br.

1Departamento de Ciências Ambientais. Universidade Federal de São Paulo. E-mail: lufarias2@yahoo.com.br



Resumo

Este trabalho apresenta resultados do pré questionário de percepção ambiental da ação The Walking Dead do grupo Quimicando com a Ciência. Investigou-se a relação entre tendência de escolha de imagens e representação social sobre meio ambiente. O estudo revelou o predomínio de escolha de imagens naturalistas.

Palavras-chave: Representação social; meio ambiente; ancoragem; objetivação;



Abstract

This work aims to present the results of the previous environmental perception questionnaire of the “The Walking Dead” action from the “Quimicando com a Ciência” extension project, which goal was to investigate relationship between image choice trends and social representations about environment. This study that showed the predominance of naturalistic images.

Key words: Social representation; environment; anchoring; objectification;



  1. Introdução

Há uma preocupação crescente relacionada às questões socioambientais, havendo diversas formas de análise, pesquisa e ações no que diz respeito a essa temática. Nesse sentido, é relevante compreender o modo como nós, seres humanos, nos relacionamos com o meio ambiente, sendo esta relação resultado de uma dinâmica complexa que envolve sociedade-indivíduo-espécie. Este circuito triádico foi estudado por Morin (2011) que classifica os indivíduos como produtos do processo reprodutor da espécie humana, realizada por dois indivíduos e que estas interações produzem a sociedade, a qual é testemunha do surgimento da cultura em uma relação dialógica entre indivíduo e cultura. Dessa maneira, o modo como nos relacionamos com o meio ambiente é decorrente desta dinâmica, sendo as representações sociais que temos hoje sobre as questões socioambientais, resultado também desta interação. Assim, não é possível estabelecer causas apenas como processos individuais.

Dentro desta perspectiva, cabe destacar o conceito de Representação Social (RS) a partir do pensamento de Serge Moscovici, o qual foi utilizado como base teórica para este trabalho. Para o autor, as RS podem ser observadas nas relações cotidianas individuais ou coletivas que são produto da interação social e cultural que envolvem elementos ancorados e que são repassados ao longo de gerações. Contudo, estes elementos são filtrados por valores, ideologias, códigos, simbologias, estando estes fatores associados às posições e vínculos sociais. Além das interações sociais, o autor considera também as emoções e os processos cognitivos como elementos da RS que podem ser compreendidas como diferentes racionalidades que coexistem. A estas Moscovici denomina de polifasia cognitiva (AUTOR, 2017; SÊGA, 2000). Cabe ressaltar ainda que segundo Moscovici (2003) em Peixoto, Fonseca e Oliveira (2013) os processos de ancoragem e a objetivação são fundamentais na formação das representações, haja vista que a partir desses fundamentos pode-se criar e dar significado à realidade. Neste contexto, a ancoragem está ligada às categorias socialmente construídas, no sentido que damos aos símbolos, neste caso normalmente expresso por palavras, enquanto a objetivação atua na concretização da realidade por meio do aspecto figurativo da representação. Este último pode ser exemplificado pela figura de Deus (abstrato) transcrita na forma de Pai (concreto).

Com relação ao conceito de ancoragem, Peixoto et al (2013), citam dois autores com classificações diferentes para este processo. Para Abric, a ancoragem seria dividida em cinco funções no funcionamento e dinâmica das RS: i) a concretização do núcleo central em termos ancorados na realidade; ii) a regulação, iii) a prescrição de comportamentos em que os elementos do sistema periférico funcionam como esquemas organizados pelo núcleo central; iv) a proteção do núcleo central; v) as modulações individualizadas. Neste caso, o Núcleo central e o sistema periférico atuam nas RS por meio da estabilidade e da proteção, variabilidade e diversidade. Já para Doise, a ancoragem das RS seria classificada em três modalidades: psicológicas, relacionada aos símbolos, crenças e valores; psicossociológicos, que diz respeito ao posicionamento que o indivíduo se coloca socialmente; e a do tipo sociológica que representa a forma como as simbologias entre grupos interferem na apropriação do objeto.

Por sua vez, o conceito de objetivação segundo Santos (1994) se constitui a partir de duas etapas: a Naturalização do objeto, na qual ocorre a construção de um modelo figurativo, um núcleo imaginante - a transformação do conceito em categorias de linguagem e entendimento; e a Categorização, na qual a RS torna-se um instrumento de ordenamento e de classificação do real. No presente trabalho será dado destaque ao núcleo figurativo da RS.

Estas reflexões, por sua vez, também dialogam com o conceito de Noosfera abordado por Teilhard de Chardin, mas discutido também por Edgar Morin. De acordo com Morin (2011), a noosfera pode ser comparada metaforicamente a uma nuvem, uma vez que se refere ao imaginário dos indivíduos e da coletividade. Este conceito corresponde ao significado das coisas, dos símbolos, das memórias, mitos, ideias e representações podendo interagir com os grupos independentemente do espaço e tempo, permanecendo no imaginário e influenciando as ações e criações em sociedade. Isto porque a noosfera é nascida do pensamento. Dessa forma, o estudo da RS é relevante, pois é uma forma de perceber elementos presentes na noosfera que caracteriza uma ponte cultural entre imaginário e o mundo da vida real (IZZO, 2009). Pois, influenciamos e somos influenciados e dentro dessa atmosfera de pensamento comum, pode-se relacionar essa reflexão também ao Ciberespaço, discutido por Pierre Lévy, no qual o autor diz que a consciência é um processo individual, mas o pensamento se relaciona de forma coletiva (LÉVY, 1999). À vista disto, as sociedades se transformam e ressignificam, pois a dinâmica do circuito da tríade indivíduo-sociedade-espécie ocorre de forma ininterrupta. Ou seja, da mesma forma que somos agentes da sociedade enquanto indivíduos somos também afetados por ela, pela noosfera, e nos identificamos enquanto espécie, portanto partilhamos de necessidades básicas comuns.

No entanto, com o avanço da tecnologia e dos meios de comunicação de massa, surge um novo conceito denominado por Jaff Jarves de Midiosfera. Este inclui aspectos como a influência da mídia, as diferentes formas de linguagem e significações das novas estruturas tecnológicas que proporcionam aos meios de comunicação um sistema cada vez mais interativo. Contudo, esta interação se estabelece de forma unidirecional, pois não há como controlar o fluxo de informações e imagens que se reproduzem na midiosfera. Assim, podemos contrapor a ideia de noosfera, que é intrínseca ao ser humano, à midiosfera que foge do nosso controle, pois acaba por criar seus próprios seres imaginários, mitos e fatos instantâneos. Ou seja, com a midiosfera o imaginário do ser humano passa a ser manipulado pelos meios de comunicação, influindo, portanto na criatividade, na informação e no modo como nos comunicamos. Isto é, as dimensões do espírito humano são afetadas por esta nova estrutura (IZZO, 2009).

A partir disso, podemos entender como o processo de representação é complexo, uma vez que são inúmeras as influências que o indivíduo recebe. Sendo assim, a proposta básica do estudo da RS é a busca pela compreensão do processo de construção social da realidade, segundo Berger e Luckmann (2004). Destacando que esta se estabelece a partir de influências diversas, conforme discutido anteriormente.

Dentro dessa perspectiva, podemos entender também que representamos e significamos o meio ambiente de forma individual e também coletiva, em uma RS construída em processos de comunicação do nosso cotidiano. Neste sentido, alguns autores refletem que podemos classificar essas representações ambientais conforme construções coletivas. Sobre isto, Reigota estabeleceu algumas categorias, como: a) a visão Naturalista, em que o meio ambiente é caracterizado apenas por seus aspectos naturais, sendo assim, trata-se de uma natureza intocada; b) a visão Antropocêntrica, em que o meio ambiente é caracterizado como uma fonte de recursos; e por fim, c) a visão Globalizante, em que o meio ambiente é caracterizado pela integração entre natureza e sociedade (REIGOTA, 1991).

Tendo em vistas tais questões, o objetivo do presente trabalho é apresentar os resultados obtidos no desenvolvimento da ação “The Walking Dead” do projeto de extensão e pesquisa do grupo Quimicando com a Ciência, da Universidade Federal de São Paulo, cujo objetivo foi investigar o aspecto figurativo das RS com relação ao meio ambiente. Haja vista que a maioria dos trabalhos nessa temática adota predominantemente a investigação por meio do universo léxico dos indivíduos e análise de discurso.



2. Percurso Metodológico

Este estudo teve caráter misto que segundo Creswell (2010) é uma abordagem de investigação que combina ou associa as formas qualitativa e quantitativa, que no presente estudo apresentou o aspecto de uma intervenção artística, no qual também foi utilizado um enfoque teórico como uma perspectiva ampla em um projeto que contém tanto dados quantitativos quanto qualitativos, considerando-se que a pesquisa buscou o entendimento sobre a objetivação no processo de representação com relação ao tema meio ambiente.

Para a análise dos resultados obtidos, além de estatísticas de caráter descritivo, foi também utilizada a análise de correspondência que, de acordo com Hair, Anderson, Tatham e Black (2005), refere-se a uma técnica de interdependência utilizada para redução dimensional e o mapeamento perceptual. Os autores destacam que tal técnica configura-se como “composicional porque o mapa perceptual é baseado na associação entre objetos e um conjunto de características descritivas ou atributos especificados pelo pesquisador”. A Análise de Correspondência exibe em um espaço vetorial pontos reduzidos de uma matriz de dados, de modo que relações entre linhas e colunas possam ser graficamente interpretadas sem considerar testes de estatísticos para inferência, uma vez que não se exige a presença de normalidade para os dados estudados.

2.1 Do processo investigativo

A investigação ocorreu por meio de um questionário online na plataforma google docs que foi divulgado no facebook dos participantes do grupo Quimicando com a Ciência. Assim, a pesquisa contou com a participação de 187 pessoas. Esta teve como objetivo avaliar se o significado atribuído às imagens pelo grupo de extensão para representar as visões de Reigota (1991) com relação à RS sobre meio ambiente - naturalista (visão ingênua), antropocêntrica (visão utilitarista) e globalizante (visão integral) - teriam o mesmo sentido para a maior parte dos participantes da pesquisa, a fim de validarmos tais imagens para serem utilizadas em uma futura ação do grupo, uma instalação artística, baseada na série “The Walking Dead, que teria como um dos objetivos avaliar a RS dos visitantes quanto à questão ambiental. Assim, avaliar a correspondência entre a seleção de imagens feitas pelo grupo e o sentido delas para os participantes foi a primeira questão de investigação.

Dessa forma, o grupo escolheu cinco imagens para representar cada uma das três classificações de Reigota (1991), constituindo um conjunto de 15 imagens que poderiam ser escolhidas aleatoriamente pelo participante (Figura 1).



Figura 1 -- Exemplos das imagens disponibilizadas para os participantes do estudo, sendo (A) exemplo de imagem naturalista; (B) exemplo de imagem antropocêntrica; (C) exemplo de imagem globalizante.



Além destas, o grupo escolheu também outras três imagens que seriam colocadas em/como portas no final da instalação, também relacionadas às representações a respeito de meio ambiente segundo classificação de Reigota (1991). No entanto, estas últimas eram na realidade a mesma imagem que conforme a posição na qual é colocada pode adquirir um significado simbólico diferente. Assim, na Figura 2 é possível observar a representação respectivamente das visões naturalista, globalizante e antropocêntrica.



Figura 2 -- Imagens simbólicas que representam as visões de Reigota com relação com ao relacionamento entre ser humano e o meio ambiente, sendo respectivamente por naturalista, globalizante e antropocêntrica.



Nesse ponto, destaca-se a segunda questão de investigação proposta no trabalho: haveria uma correlação na escolha entre as imagens iniciais e finais com relação à representação de meio ambiente? Ou seja, os indivíduos que no início da instalação tendessem a escolher imagens relacionadas a uma determinada representação de meio ambiente, também tenderiam a escolher a imagem respectiva à mesma representação de meio ambiente no final da instalação?

Dessa forma, buscou-se analisar se as pessoas participantes do estudo, que foi realizado por meio de questionário online, dariam o mesmo sentido para uma mesma imagem, além de verificar quais eram as representações objetivadas por essas pessoas, no que se refere ao meio ambiente. Também se buscou avaliar se haveriam variações na escolha segundo idade, sexo e profissão dos indivíduos.

O questionário de Percepção Ambiental conteve previamente um Termo de Consentimento seguido de dados de identificação como: iniciais do nome, idade, sexo e profissão. Propriamente no que diz respeito à representação ambiental, pediu-se ao participante para escolher uma imagem que se identificasse, dentre as três opções de imagens que na instalação seriam usadas como símbolos para as portas de saída, Figura 2. Na sequência, foi pedido ao indivíduo para escolher cinco imagens de sua preferência dentre o conjunto das 15 imagens disponíveis. Estas, por sua vez, estavam posicionadas aleatoriamente, de modo que diferentes tipologias estivessem posicionadas lado a lado, procurando-se colocar pelo menos uma representação de cada tipologia em exposição, uma vez que as figuras estavam organizadas em três blocos. Isto ocorreu, pois o google docs não aceitou que todas as imagens estivessem em um único agrupamento. Dessa forma, foram disponibilizados dois blocos com seis imagens e um bloco com três imagens. Apesar de ter duas colunas de imagens, estas estiveram numeradas sequencialmente na vertical.



2.2 Da caracterização do grupo participante

Participaram do estudo 187 indivíduos, sendo 54% estudantes; 43% profissionais (trabalhadores das mais diversas áreas, com ensino superior ou não, dentre os quais 32% eram professores, atuando tanto no ensino básico, quanto no ensino superior); e, por fim, aqueles que não especificaram o que estavam fazendo foram classificados como “indefinido” e teve uma representatividade de 3%.

Do total de participantes 35% foram homens (destes 56% eram estudantes, 44% profissionais), 65% foram mulheres (sendo 57% estudantes, 42% profissionais), como demonstrado na Figura 3.



Figura 3 -- Participantes por situação e sexo

No que tange a faixa etária do grupo, observou-se que a idade média foi de 26 anos, mas com relação aos estudantes esta foi de 21 anos e entre os profissionais a idade média foi de 31 anos. Além disso, como se pode ver na Figura 4, praticamente dois terços dos participantes foram jovens entre 18 e 24 anos. Já a Figura 5, como era de se esperar, a frequência entre faixas etárias se inverte entre as categorias estudante e profissional.

Ainda com relação aos estudantes foi possível fazer um levantamento quanto ao grau de escolaridade (Figura 6) e à área de estudo (Figura 7) com base na tabela de “Áreas do Conhecimento” fornecidas pelo CNPQ. No entanto, não foi possível fazer esse estudo em relação às atividades dos profissionais, pois a maioria não especificou claramente a área de atuação.



3. Resultado e Discussão

Conforme descrito na metodologia, os participantes tiveram que escolher em dois momentos imagens cujo sentido figurativo remetia a uma das classificações de Reigota (1991) com relação ao meio ambiente. A partir da solicitação ao participante que escolhesse cinco imagens do montante de 15 foi elaborada a Tabela 1 que mostra as frequências absolutas e percentuais das escolhas feitas. É importante ressaltar que alguns indivíduos escolheram uma quantidade maior de imagens do que o solicitada enquanto que outros um número menor. Por isso, optou-se por considerar as escolhas de todos os participantes até a quantidade requisitada, ou seja, considerou-se todas as imagens daqueles que escolheram a menor e apenas as cinco primeiras para os demais. Dessa forma, para os 187 respondentes contabilizou-se 913 votos, sendo 51% imagens naturalistas, 27% globalizantes e 22% antropocêntricas.

Tabela 1 -- Tipo de imagem escolhida, sendo “G” para globalizante, “N” para naturalista e “A” para antropocêntrica; percentual de cada imagem com relação ao total de imagens votadas; e percentual de pessoas que escolheram uma mesma imagem (respondentes).



Imagem

Votos

Percentual de votos1

Percentual de respondentes2

Identificação

Tipologia

01G

Globalizante

61

6,7%

32,6%

02N

Naturalista

73

8,0%

39,0%

03A

Antropocêntrica

33

3,6%

17,6%

04A

Antropocêntrica

74

8,1%

39,6%

05G

Globalizante

21

2,3%

11,2%

06N

Naturalista

45

4,9%

24,1%

07N

Naturalista

119

13,0%

63,6%

08N

Naturalista

134

14,7%

71,7%

09G

Globalizante

71

7,8%

38,0%

10N

Naturalista

93

10,2%

49,7%

11A

Antropocêntrica

46

5,0%

24,6%

12G

Globalizante

50

5,5%

26,7%

13G

Globalizante

41

4,5%

21,9%

14A

Antropocêntrica

4

0,4%

2,1%

15A

Antropocêntrica

48

5,3%

25,7%

Total


913

100,0%

-

Notas: 1. Base: 913 imagens escolhidas; 2. Base: 187 respondentes.



A Figura 8 mostra a distribuição percentual das escolhas de imagens por profissionais e estudantes. Nele pode-se observar a predominância das imagens naturalistas.



Figura 8 -- Percentual de escolha das imagens entre profissionais e estudantes

A combinação da Tabela 1 da Figura 8 explicita a predominância das imagens naturalistas. No total contamos 205 menções às imagens antropocêntricas, 244 às globalizantes e 464 às naturalistas, mostrando que esta última ocorre aproximadamente o dobro de vezes das demais. Entre as categorias estudantes e profissionais estes têm um índice de menções por respondente numericamente maior para imagens naturalistas que os primeiros (2,7 contra 2,4), empatam nas imagens globalizantes (1,3 para ambos) e são superados na tipologia antropocêntrica (1,2 contra 1,0). Caso estivéssemos operando com uma amostra probabilística, estas diferenças, no entanto, nos três casos não seriam estatisticamente significantes. Assim, poderíamos inferir que intra tipologias, estudantes e profissionais, comportam-se da mesma forma.

Como já mencionado anteriormente, a relação entre seres humanos e o meio ambiente é parte de um sistema complexo que envolve sociedade-indivíduo-espécie, conforme apontado por Morin. Tendo esse aspecto em mente, pode-se refletir sobre a concepção de natureza como um produto cultural, portanto historicamente construída, como mencionado por Cavalari, Campo e Carvalho. (2001), e assim resultado desse sistema dinâmico. Nesse sentido, cabe analisar quais são as imagens e noções de meio ambiente veiculadas no campo da midiosfera e que envolve materiais didáticos, por exemplo, e se relaciona com a nossa noosfera de forma dialógica.

Dentro dessa perspectiva, diversos estudos foram feitos analisando, desde programas televisão como Silva (2007) e Guido (2006); revistas como Silva (2008); a materiais impressos diversos cadastrados no Banco de Publicações de Educação Ambiental, organizado pelo Instituto ECOAR para a Cidadania como Cavalari et al. (2001). Todos estes trabalhos demonstraram o quanto a visão naturalista, segundo a concepção de Reigota, é difundida por esses canais, que por hora, mesmo preocupados com a questão ambiental, acabam por difundir e debater a questão de forma não crítica, apresenta-a de forma dicotômica, separando ser humano da natureza, que por vezes a apresenta de forma exaltada como intocável e perfeita e ora é apresentada de forma catastrófica, que vem sendo destruída pela sociedade. E isso também é reproduzido nos materiais escolares e ensinado nas escolas (FARIAS et al., 2017). Este modo de retratar a questão ambiental é também fruto do processo histórico de um movimento ambientalista, pautado em ideias naturalista conservacionista e que foi amplamente difundida a partir da segunda metade do século XX como retratado por Medina (2008) e Brasil (2004).

Por outro lado, para Cavalari et al. (2001) essa bipartição gera uma polarização que acarreta em competição e conflito, desembocando em uma relação antropocêntrica e utilitarista. Além disso, Silva (2008) que examinou a capa de algumas revistas de grande circulação revelou que a maioria delas apresentam valores como universais e atemporais, compondo um grupo preponderante que apresentam uma concepção pragmática da questão ambiental. Visão esta que é caracterizada pela autora pelo caráter antropocêntrico, baseada nos comportamentos individuais sendo todos os indivíduos igualmente responsáveis, dentro uma perspectiva fatalista em que para sobreviver o ser humano deve proteger o ambiente, sendo a natureza vingativa, pautada na “lei de ação e reação”.

Talvez, estes sejam aspectos a serem considerados ao se examinar os resultados obtidos no presente estudo, haja vista que as imagens naturalistas tiveram maior incidência de votos em comparação às demais. Por outro lado, pode ser que as imagens antropocêntricas que estiveram mais acentuadas entre o público mais jovem, os estudantes, sejam fruto deste processo de visão utilitarista do meio e que são também reflexões do momento contemporâneo denominado por Bauman como “modernidade líquida”. Esta que é marcada pelo imediatismo e pela rápida transformação das coisas, podendo estar presente, ainda que de forma inconsciente, em nosso imaginário e se reflete nas relações e comportamentos. Para o autor (Bauman, 2004), o cenário do mundo líquido é governado pelo desejo em detrimento do amor, sendo o desejo a vontade de consumir, enquanto que o amor é a vontade de cultivar e preservar e que implica em assumir responsabilidade. Sobre isso, pode-se refletir em como assumir responsabilidade sobre algo que nos aparece de forma distante. Rosana Silva (2007) em seu estudo sobre os filmes apresentados pela TV escola revela que em quase todos os vídeos há depoimento de especialistas sobre as problemáticas tratadas, contudo as populações locais pouco aparecem ou não são apresentados os seus depoimentos, além de que a maior atenção é dada ao ambiente amazônico.

Partindo para a análise da tipologia das imagens escolhidas - Naturalista, Antropocêntrica ou Globalizante - dentre o conjunto das 15 figuras, das quais os participantes deveriam escolher cinco, e considerando-se apenas os 171 participantes que efetivamente escolheram cinco imagens descartando, portanto, as demais, verificou-se graficamente por meio de análise de correspondência, a existência de associação entre estas e a escolha da porta final da ação. Assim, para cada indivíduo, examinou-se a tipologia tanto da porta como as tipologias predominantes em seu conjunto de cinco imagens escolhidas. Este método de análise é uma forma de verificar o grau de associação entre variáveis que se avalia graficamente pela posição e distâncias entre os pontos. Assim, quanto mais próximos estiverem os pontos das categorias estabelecidas para a análise, maior o grau de associação entre eles, como pode ser observado na Figura 9. Nela se destacam três conjuntos de pontos. Um se forma no entorno da porta de saída Globalizante, que atrai participantes que escolheram predominantemente três ou mais imagens Globalizantes (G), mais os que na escolha predominaram duas Globalizantes e duas Naturalistas (GN) e os que optaram por duas Antropocêntricas e duas Naturalistas. Outro se adere à porta Naturalista que atrai os participantes que escolheram três ou mais imagens Naturalistas (N). Por fim, o conjunto situado ao redor da porta Antropocêntrica, que congrega os participantes que optaram por três ou mais imagens Antropocêntricas e exerce atração mais tênue sobre os participantes que escolheram duas imagens Antropocêntricas e duas Globalizantes.

Figura 9 -- Relação da tipologia das imagens predominantes com a porta escolhida para saída.

Portanto, para os três grupos graficamente determinados parece haver uma tendência de que a opção pela porta de saída da ação “The Walking Dead” está associada à predominância das imagens escolhidas, corroborando, portanto, nossa segunda questão de investigação.

Isto significa que é possível inferir a porta pela qual o sujeito sairá da ação “The Walking Dead” a partir do conjunto de imagens escolhidas por ele no início da instalação, corroborando, portanto nossas questões de investigação de que haveria uma correspondência entre as imagens iniciais e a final escolhidas pelo participante e de que o significado atribuído às imagens pelo grupo Quimicando com a Ciência seria o mesmo para o público participante, haja vista que obtivemos resultados semelhantes quando comparado com outros estudos que se basearam no universo léxico dos indivíduos e análise de discurso, enquanto que o presente trabalho que buscou analisar o aspecto figurativo das RS.

Esta análise foi um meio de perceber o quanto a visão naturalista está presente na nossa noosfera, pois se manifesta por meio das RS. Sendo que resultado semelhante foi encontrado em outros trabalhos, como por exemplo, o de Ferreira, Santos, Lopes e Bozelli (2007) e Luiz, Amaral e Pagno (2009) que também realizaram um estudo de identificação de RS sobre meio ambiente. Este último realizou a pesquisa com alunos de licenciatura em ciências biológicas de uma universidade pública do Paraná e contou com 20 participantes que responderam sobre o que entendiam por meio ambiente. 80% das pessoas demonstraram uma visão naturalista e 10% foi o resultado atingido tanto para a visão globalizante como para a antropocêntrica.

Outros trabalhos como o de Santos et al. (2008) e Ferreira et al. (2007) revelaram como a concepção de meio ambiente se trata de uma RS e não de uma conceitualização científica propriamente, visto que em ambos os trabalhos observou-se que a ideia que se tem de meio ambiente é singular, apesar de haver elementos gerais, socialmente construídos e compartilhados. Estes trabalhos se mostram interessantes, pois evidenciam questões que trazem à tona pontos que permitem identificar parte da confusão existente ao se falar de meio ambiente que por tantas vezes é associado a natureza intocável, mas também é compreendido como produto da ação humana. No estudo realizado por Santos et al. (2008), por exemplo, percebe-se uma contradição por parte dos alunos, participantes da pesquisa, ao serem indagados sobre a questão do “lixo” relacionaram meio ambiente dentro de uma visão naturalista, mas também antropocêntrica, buscando preservar a ideia de “natureza primária”. Isto é, levantaram a questão que “lixo” vira meio ambiente à medida que sofre um processo de decomposição, mas ele mesmo não é. Este parecer, segundo os autores, pode existir devido uma visão antropocêntrica da natureza, em que aquilo não apresenta utilidade para o ser humano não faz parte da natureza.

Tendo este panorama da problemática que gira em torno da questão socioambiental, não se pode descartar a influência da midiosfera nessa realidade, pois os meios de comunicação de massa são canais de produção e propagação de informações e imagens que segundo Silva (2008) atraem seus leitores por ser um atributo geralmente consumido de forma rápida e sem reflexão. Dessa forma, a autora parte do pressuposto de que essas imagens, ainda que de modo inconsciente, acabam influenciando a percepção e consequentemente as representações, pontos estes que estão sendo analisados neste trabalho. Ainda sobre isto, a autora ressalta: tendo em vista a complexidade da questão ambiental, as imagens associadas ao discurso ecológico moderno não podem ser desconsideradas na atribuição de significados (SILVA, 2008).

Portanto estes trabalhos podem ajudar na compreensão dos resultados obtidos no presente estudo, nos quais predominaram a visão naturalista e antropocêntrica, sendo que a objetivação encontrada foi, muito provavelmente, reforçada com a contribuição da mídia, associada à não criticidade da maior parte da sociedade com relação à imagens e informações recebidas. Sendo estes aspectos associados também a uma deficiência da educação formal.



4. Considerações Finais

Este trabalho analisou o aspecto figurativo da RS social de meio ambiente de indivíduos com diferentes níveis de escolaridade, idade e sexo o qual revelou o quanto a visão naturalista faz parte da noosfera que nos envolve e é reforçada pela midiosfera. Como observado em diversos trabalhos, essas informações e imagens veiculadas sobre a temática ambiental são muitas vezes consumidas e absorvidas por seus leitores de forma inconsciente e não crítica. Quanto ao olhar acrítico, pode-se dizer que esteja associado, ainda que não exclusivamente, a uma deficiência da educação formal.

O presente estudo também respondeu a duas questões de investigação levantadas pelo grupo de extensão e pesquisa Quimicando com a Ciência que elaborava uma instalação artística baseada na série “The Walking Dead”. Gostaríamos de saber se as imagens escolhidas pelo grupo para representar simbolicamente as visões de Reigota (1991) das RS no que diz respeito ao meio ambiente - visões naturalista, antropocêntrica e globalizante - traduziam, de maneira geral, o mesmo significado para a média dos participantes e se haveria uma correspondência entre o conjunto de imagens que seriam escolhidas pelo indivíduo no início da instalação e a escolha da imagem da porta no final da mesma.

Por meio de análise de correspondência foi possível observar que sabendo o conjunto de imagens escolhidas pelo sujeito no início é possível inferir, com 95% de confiança, qual será a porta escolhida no final. Além disso, esta pesquisa apontou que dentre o conjunto de cinco imagens selecionadas pelos participantes dentre o pool de 15, 51% correspondeu a imagens naturalistas, 27% globalizantes e 22% antropocêntricas. Tais resultados foram comparados com outros estudos de RS de meio ambiente em que utilizaram como critério de análise o aspecto léxico e análise de discurso e obtivemos resultados semelhantes, demonstrando que o sentido simbólico escolhido pelo grupo para as imagens, foram os mesmos.

Este estudo possibilitou também uma compreensão da objetivação no processo de RS além de evidenciar que representamos e significamos o meio ambiente de forma coletiva e também individual em uma RS construída em processos de comunicação, sendo nós, seres humanos, tanto influenciados como influenciadores sob uma atmosfera de pensamento comum. Portanto para pensar e debater as questões socioambientais se faz necessário compreender que não é possível estabelecer causas apenas como processos individuais, mas resultado, dentre muitos fatores, da interação dos aspectos associados à dinâmica complexa que envolve sociedade-indivíduo-espécie e que se relaciona com o meio ambiente e se modificam mutuamente.



5. Agradecimentos

Os autores agradecem aos colegas Fernanda Romero, Natália Spila Astorga e Jaime Astorga Muñoz pelas contribuições na revisão das transcrições.



6. Referência Bibliográfica

BAUMAN, Z. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2004.

BERGER, P.; LUCKMANN. T. A Construção Social da Realidade. Rio de Janeiro: Vozes, 2004.

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