ISSN 1678-0701
Número 64, Ano XVII.
Junho-Agosto/2018.
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Relatos de Experiências

14/06/2018DISCIPLINA MEIO AMBIENTE E FORMAÇÃO DOCENTE: RELATO DE EXPERIÊNCIA DISCENTE SOBRE INCISÕES DE DEBATES  
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DISCIPLINA MEIO AMBIENTE E FORMAÇÃO DOCENTE: RELATO DE EXPERIÊNCIA DISCENTE SOBRE INCISÕES DE DEBATES



Endell Menezes de Oliveira¹, Ana Cristina Pimentel Carneiro De Almeida²

¹Mestrando em Educação em Ciências e Matemáticas. Instituto de Educação Matemática e Científica/Universidade Federal do Pará- endell_menezes@ahoo.com.br

² Doutora em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido/ Docente do Instituto de Educação Matemática e Científica/Universidade Federal do Pará



Resumo: O presente trabalho visa relatar uma experiência vivida durante a disciplina de Meio Ambiente e Formação Docente, no curso de pós-graduação acadêmico em Educação em Ciências e Matemáticas (mestrado e doutorado). Evidenciando o tema educação e meio ambiente como multifacetado frente às formas de abordagens. Estimulou-se o debate em sala de aula para textos discutidos universalmente e pensando na realidade local, visando o debate com experiências, expectativas e anseios. Observou-se a interação em sala de aula, e a importância da metodologia de debates, pois possibilitou a inserção de categorias e sentidos que foram além das referências indicadas, onde o aluno torna-se protagonista no processo na construção do conhecimento e o professor intermedia o sistema.

Palavras Chave: Educação, Meio Ambiente, Formação Docente.

1 INTRODUÇÃO

O impacto das atividades humanas sobre o meio ambiente tem gerado danos, por vezes, irreversíveis para os ecossistemas. Uma crise civilizatória que tem como viés cunhos: epistemológicos, ecológicos, políticos, culturais, filosóficos, econômicos, sociais; em determinado tempo e espaço. A educação ambiental emerge, como senso comum, na resolução de tais demandas socioambientais, como peça fundamental na prevenção e superação da crise. Logo a educação está incumbida de provocar mudanças de atitudes e comportamentos cada vez mais sustentáveis, ações que perpassam a escola e todos os ambientes formativos, além de refletir sobre a relação homem-sociedade-natureza como sistêmica, complexa e multifacetada. O Objetivo deste trabalho é relatar uma experiência vivida durante a pós-graduação em uma disciplina de meio ambiente e formação docente.

2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

O trabalho ocorreu na Universidade Federal do Pará, no Instituto de Educação Matemática e Científica, durante o Programa de Educação em Ciências e Matemáticas. Optou-se pelo relato de experiência retirado do relatório parcial da disciplina Meio Ambiente formação docente. Forma de trabalho que permite o discente ampliar seus conhecimentos oportunizando a pesquisa e reflexão. O relatório parcial estaria representado por “trabalhos didáticos” de Severino (2007), quando frisa que a explanação do patrimônio cultura e a contextualização da realidade é um processo didático-pedagógico do ensino superior. As aulas ocorriam as terças-feiras de cada semana, no período vespertino, semestre 2017.1, com alunos de mestrado, doutorado e ouvintes. O presente trabalho focou em relatos pessoais na participação da disciplina, explanando pontos de debates durante as apresentações.

No primeiro dia da disciplina a professora apresentou a ementa e as atividades que seriam desenvolvidas como: frequência, pontualidade, apresentações, discussões, debates, vídeos, artigos e capítulos de livro. A professora disponibilizou diversos livros em cima de uma mesa, os alunos tiveram um tempo para escolher um capítulo que mais lhe chama-se a atenção, assim o capítulo escolhido serviria de apresentação durante as aulas. Os alunos ficaram responsáveis de apresentar seus respectivos capítulos durante as aulas da disciplina, sendo 1(uma) apresentação em grupo e 1(uma) apresentação individual, sendo orientados que a apresentação poderia ocorrer de forma livre.

Eixos temáticos escolhidos: Meio Ambiente, ciências e escola; Por um desenvolvimento sustentável; pensar a complexidade ambiental; Meio ambiente e formação de professores: considerações metodológicas; Educação ambiental crítica em CTS; Recursos didáticos para formação docente; A Universidade e o diálogo de saberes; Descaminhos do conceito de natureza no ocidente e Abordagem sociocultural.

Os textos foram organizados em uma “apostila” para que todos fizessem a leitura previa. A apresentação ocorreu de forma que os outros discentes pudessem intervir durante a explicação do conteúdo, logo quem apresentava transformava-se em mediador do conhecimento, sob supervisão da professora. Corroborando em grande parte com Oliveira e Maia (2016), onde há o questionamento que instiga os alunos, que entram em processo de assimilação e o debate ocorre de forma democrática participativa.

3 INCISÕES E PONTOS DE DEBATES.

Durante as apresentações foram levantados pontos e reflexões que foram incisivas durante o processo de construção do conhecimento em sala, ou seja, contribuições que enriqueceram os textos debatidos em sala, como experiências pessoais, textos lidos, dentre outros. Nesta seção serão explicitados alguns destes pontos e incisões de debate.

Em uma das apresentações foi destacado alguns aspectos como: uma perspectiva da ciência e uma perspectiva cultural. Citaram a cisão epistemológica da ciência, atendendo-se a uma abordagem naturalista da questão; e cultural, limitando-se a uma abordagem individualista. Levantaram algumas questões que levam ao âmago o problema e que precisam ser enfrentadas: a) Quem são os mais significativos agentes poluidores, pela extensão e abrangência dos estragos causados? b) Quais comportamentos e/ou ações precisam ser desenvolvidas? c) Por quem, por que agentes sociais, para reverter essa situação? Falamos da importância da ECO-92, pois há uma nítida demonstração mundial pelas questões ambientais, a face sociopolítica das questões ambientais, diversificada e ampla participação internacional, acordos firmados e participação mais questionada no evento dos E.U.A. Concluíram baseados na autora que, desenvolve-se a análise da questão em uma perspectiva sociopolítica; estudam-se conceitos com clareza que consiste em fundamental compreensão de nossa relação com o meio ambiente, apresentaram uma metodologia de trabalho do tema, em uma situação escolar.

As discussões entram na educação ambiental crítica por aproximar às práxis das teorias sociais e pedagógicas. A crítica, no caso, é vista no arcabouço que estrutura a relação educação e conhecimento, portanto, questiona os próprios conteúdos e competências. Revela as mudanças de paradigmas no iluminismo. A apresentação termina com grandes questionamentos que permeiam o pensar e o fazer da educação ambiental crítica em CTS: em outras palavras, como relacionar conteúdos científicos à educação ambiental sem uma reflexão profunda acerca da relação Ciência, tecnologia e sociedade? Ao mesmo tempo, como educar para a ciência se não refletirmos sobre os parâmetros que opõem o conhecimento científico e não degradação ou mercantilização do ambiente? Constituir uma educação ambiental crítica que considere as problematizações de CTS é enfrentar características estruturantes da vida social, como o modo de produção hegemônico em seus vínculos coma racionalidade e a CT moderna.

Gostaria de chamar atenção para esta apresentação de trabalho, pois gerou grandes debates enriquecedores em sala. As alunas começaram mostrando um esquema (fluxograma) de autoria própria baseada na leitura do capítulo, o fluxograma colocava em setas duplas relações entre: formação sócio-política, ensino e formação dos alunos, como trabalhar a EA e trabalho docente. Neste fluxograma as relações convergiam na escola, como centro-mediador das questões apontadas. A autora do capítulo utiliza o termo conscientização ambiental, ou seja, assume um caráter discutido em aulas anteriores sobre conscientização, percepção e sensibilização ambiental. A formação sócio-política é um caminho para a cidadania, a relação do que é visto, é o real (vivência e prática), o pensar global e o agir local. Quanto ao trabalho docente surge a pergunta: como se trabalha a EA em sala de aula? A vivência dos problemas na escola foi tema de discussão. Sobre o problema de trabalhar a realidade circundante os problemas locais, adaptar conteúdos e métodos para realidade regional. O diálogo entre Universidade e escola, deve buscar um a sintonia de sabres e fazeres. Alguns questionamentos: O que é cidadania? Como posso formar um cidadão na minha sala de aula? O que fazer? Como fazer? Por onde começar? Durante as discussões viu-se que educar para cidadania é preparar o indivíduo para participar de uma sociedade democrática por meio de garantia de seus direitos e do compromisso de seus deveres. Neste processo, a escola não tem uma grande contribuição a dar, porém é preciso não ter a ilusão de que esse processo é desenvolvido e concluído apenas nessa instituição. ESCOLA INFORMATIVA E ESCOLA FORMATIVA, ou seja, a escola deve deter-se a uma função formativa cidadã, e não apenas a informar (repassar) conteúdos.

Em outra apresentação a aluna relata a necessidade de abrir a Universidade para novos saberes. Compreender a produção e disseminação do conhecimento e a sua relação com o modelo econômico vigente. Consolidação da investigação e a produção disciplina nos centros acadêmicos. Relata ainda, um breve histórico sobre origem e os objetivos da Universidade. Destacam-se os quatro períodos da trajetória da Universidade. A aluna frisa que no século XX começa a surgir a exigência da ampliação do sistema universitário- necessidade de projeto de desenvolvimento tecnológico e da produção industrial perspectiva do sistema capitalista. Com isto, há o atrofiamento da dimensão cultural e privilégio da dimensão produtivista e utilitarista. Contradição entre os conhecimentos exemplares e os conhecimentos funcionais. Possui também, um distanciamento entre Universidade e a Sociedade, causando uma crise de legitimidade. Declínio de alguns cursos de humanidades por não serem rentáveis. Crise institucional – contradição entre a autonomia institucional e o produto social a ser fornecido pela Universidade. Falou-se sobre o direito à educação evidencia de eu a educação superior era destinada somente as classes privilegiadas: e forte aspiração de ampla parcela dos jovens das mais diferentes camadas da população, que visavam a ascensão social. Cita-se Enrique Leff, quando diz que as universidades ainda apresentam uma rigidez na qual o conhecimento continua compactado e descontinuado. A apresentação finda com a Universidade com desafios: estruturar as relações entre academia e sociedade, de criar mecanismos de preservação das múltiplas culturas.

4 À GUISA DE UMA CONCLUSÃO

A temática ambiental deve perpassar a escola, cada vez mais se espera que esta instituição trabalhe de forma transversal a educação ambiental. Porém diversos são os embates, que variam desde a formação dos professores até as dificuldades diárias da escola (estruturais e ideológicas). O modo como a disciplina Meio Ambiente e Formação Docente foi trabalhada permite a participação ativa dos discentes no processo de construção do conhecimento, assim com experiências vividas em sala, pessoais, nos espaços formais e não formai de educação, enriquecendo os debates que ocorrem em sala de aula. O título da disciplina dá indícios das multiplicidades de abordagens do meio ambiente, assume-se que existem várias formas de estudar/pesquisar/ministrar, considerando para além da educação ambiental, considerando também: a ecopedagogia, a educação ambiental crítica, a educação para o desenvolvimento sustentável, a educação para sustentabilidade, entre outros. Os pontos de cisão e questionamento revelaram que os debates com relação ao meio ambiente ainda não foram findáveis, deixando mais interrogações do que resposta, que atuação de cada professor em subjetividade fazem o “fazer ambiental” em sala de aula. Destacamos a importância de se valorizar estes momentos de questionamentos dos alunos, incentivar a participação com situações-problemas que reflitam os abstratos problemas na relação homem-sociedade-natureza, são de suma relevância no entendimento dos problemas socioambiental, onde a educação e meio ambiente aparecem como chave fundamental na compreensão de tais demandas.

REFERÊNCIAS

OLIVEIRA, E. M.; MAIA, A.C.P. Gestão Ambiental e Responsabilidade Social: Perpasse entre sustentabilidade e educação ambiental em uma disciplina do curso de ciências biológicas. Educação Ambiental em Ação. v. 58, p. 1, 2016.

SEVERINO, J. A. Metodologia do trabalho científico. 23. ed. São Paulo: Cortez, 2007.















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