ISSN 1678-0701
Número 64, Ano XVII.
Junho-Agosto/2018.
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Relatos de Experiências

14/06/2018AÇÃO DE CONSCIENTIZAÇÃO DOS VISITANTES DO PARQUE ZOOBOTÂNICO DE JOINVILLE-SC ACERCA DA ALIMENTAÇÃO DOS SAGUIS-DE-TUFO-PRETO (CALLITHRIX PENICILLATA)  
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Revista Educação ambiental em Ação 33

AÇÃO de CONSCIENTIZAÇÃO dos visitantes do parque zoobotânico de joinville-sc ACERCA DA ALIMENTAÇÃO Dos SAGUIS-de-tufo-preto (Callithrix penicillata)

Adriana de Almiron1, Júlio César Volkmann1, Lara Richter1, Roberto Dombroski de Souza2, Erica Perez Marson Bako3, André Luis Fachini de Souza4



1Estudante de Medicina Veterinária - Instituto Federal Catarinense (IFC) - Campus Araquari

2Mestre em Ciências Sociais (Unioeste)/Docente IFC - Campus Araquari

3Doutora em Qualidade e Produtividade Animal (USP)/Docente IFC - Campus Araquari

4Doutor em Bioquímica e Biologia Molecular (UFPR)/Docente IFC - Campus Araquari - andre.fachini@ifc.edu.br

RESUMO: O sagui-de-tufo-preto (Callithrix penicillata) é uma espécie exótica invasora na região sul do Brasil e por se adaptar bem em diferentes tipos de habitats sua população tem aumentado e provocado desiquilíbrio na fauna nativa local. Assim, com o objetivo de orientar a população quanto à alimentação dos saguis e diagnosticar a percepção das pessoas com relação à essa temática, foi efetuada uma ação de conscientização no Parque Zoobotânico de Joinville-SC. A ação englobou uma estratégia lúdica de pintura de rosto das crianças para aproximação e diálogo com os adultos responsáveis, além do contato com comerciantes da praça de alimentação do parque. A partir desta ação foi possível observar que o envolvimento de crianças na atividade de conscientização aumentou a receptividade das pessoas e favoreceu a exposição dos problemas e doenças causadas pelos saguis a partir da sua alimentação e contato com humanos. Também, foi possível observar que a aproximação dos comerciantes da praça de alimentação do parque é essencial para uma ação efetiva de conscientização, uma vez que representam uma das principais fontes de alimentação oferecida aos saguis pelos visitantes do parque.

Palavras-chave: Alimentos. Conscientização. Saguis.

ABSTRACT: Marmoset (Callithrix penicillata) is an invasive exotic species in the southern region of Brazil, as it adapts well to different types of habitats, its population has increased and caused an imbalance in the local native fauna. Thus, in order to guide the population about marmosets feeding and diagnose people's perception regarding this issue, an awareness-raising action was carried out in the Joinville-SC Zoobotanical Park. That action involved a strategy of playfully painting children’s faces to facilitate approaching and dialoging with adults, as well as contact with the vendors in the park food court. We observed the involvement of children in the awareness action increases peoples’ receptiveness, as the initiative exposes them to problems and diseases caused to marmosets from feeding and contact with human beings. Additionally, it is possible to observe that awareness of vendors from the park food court is essential to make this initiative effective, since it represents one of the main sources of food given to the marmosets by park visitors.

Keywords: Consciousness. Food. Marmosets.

INTRODUÇÃO

Os saguis são primatas de pequeno porte, da família Callitrichidae e nativos da América do Sul, predominantemente da Amazônia e florestas da costa do Atlântico. São considerados os menores macacos antropoides, com peso variando entre 100 e 350 g. Existem 22 espécies, divididas em quatro gêneros: Callithrix, Callibella, Cebuella e Mico (WAHAB, DRUMMER e BEGR, 2015).

Apresentam como característica um comportamento arborícola, sendo que aproximadamente 50% de suas atividades diárias envolvem a retirada de seiva de árvores, com o auxílio de seus dentes anteriores. Além da seiva vegetal, sua dieta envolve insetos e outros pequenos animais. Socialmente são monogâmicos e criadores cooperativos, vivendo em famílias de 3 a 15 indivíduos e um sólido agrupamento social. O grupo de saguis geralmente é formado por um casal, sua prole e seus parentes adultos próximos. O casal geralmente é dominante sobre os outros membros e a hierarquia social é baseada na idade. O domínio é mantido por meio de vocalizações, posturas e comportamentos, além da atuação de feromônios (WAHAB, DRUMMER e BEGR, 2015).

Os saguis-de-tufos-pretos (Callithrix penicillata) ou mico-estrela são típicos da mata Atlântica, com ampla distribuição geográfica, ocorrendo nos estados da Bahia, Minas Gerais, Goiás, Piauí, Maranhão e norte de São Paulo. São animais facilmente adaptáveis a vários habitats, sendo encontrados em várias regiões fora de sua localização nativa devido a introduções efetuadas pelo homem (MIRANDA e FARIA, 2001).

Acredita-se que os saguis foram levados ao estado de Santa Catarina de forma clandestina por camioneiros nas décadas de 1950, 1960 e 1970. Geralmente filhotes eram levados para serem animais de estimação, porém, conforme se desenvolviam, se tornavam agressivos e acabavam sendo soltos na mata (LOURENÇO, 2009).

A proximidade desses animais com o homem pode acarretar uma série de problemas. Mordidas, arranhões e o contato de resíduos desses animais com a pele podem resultar na transmissão de doenças. Dentre as principais zoonoses tem-se tuberculose (Mycobacterium spp.), sarampo, transmissão de patógenos entéricos, disenteria bacteriana (shigelose), salmonelose, cripstoporidíase, giardíase, além da transmissão de alguns vírus (WAGNER, 2017).

Os saguis apresentam características biológicas que viabilizam o seu desenvolvimento como espécie invasora. Possuem hábitos alimentares generalistas, comportamento flexível, podendo ser comensal com humanos, alta taxa de reprodução e sazonalidade não definida. Os hábitos de criação cooperativa e a falta de predadores aumentam sua taxa de sobrevivência (MORAIS JÚNIOR et al., 2008). A alimentação viabilizada pelo contato com humanos provoca uma explosão ecológica em ambientes urbanos, colocando em risco espécies nativas, bem como a saúde humana, uma vez que, como supracitado, podem ser portadores de uma série de agentes transmissores de zoonoses.

No município de Florianópolis-SC, em áreas urbanizadas da região central e nos bairros há relato de superpopulações de saguis. Os técnicos da Fatma (Fundação Estadual do Meio Ambiente) discutem, inclusive a opção do extermínio desta espécie exótica invasora por meio da eutanásia como forma de controle, ressaltando a necessidade de aprofundar os estudos para se buscar métodos eficientes de controle, uma vez que há reações negativas na sociedade a respeito desta conduta (ROSA, 2016).

Já no município de Joinville-SC, a urbanização, o aumento populacional, leis que permitem a expansão do perímetro urbano e a flexibilização de medidas protetivas podem causar o aumento do contato da população com a fauna local (BATISTA, 2014).

Existem relatos da entrada de um sagui em uma agência bancária do município, permanecendo durante uma manhã inteira por entre os terminais eletrônicos onde foi alimentado com bananas e pão de queijo, além de ter sido acariciado por funcionários e clientes até a chegada da Polícia Ambiental que o retirou do local. Também há o relato da entrada de um sagui em uma sala de aula de uma escola municipal, o qual também foi alimentado com banana pelas crianças e resgatado novamente pela Polícia Ambiental (A NOTÍCIA, 2010; 2013).

Nesse sentido, com o intuito de elaborar uma proposta assertiva de conscientização dos visitantes do Parque Zoobotânico de Joinville-SC a respeito dos problemas relacionados à alimentação dos saguis-de-tufos-pretos, o objetivo deste trabalho foi relatar uma ação prática de conscientização dos visitantes do parque para conhecer o grau de conhecimento da população que transita pelo local para servir como base para estratégias mais efetivas de formulação de uma proposta de conscientização no local.

A ideia principal da ação foi, além de detectar quais seriam as melhores formas de abordar e sensibilizar as pessoas para a transmissão do conhecimento, foi entender e enfraquecer a impulsividade das pessoas abordadas em realizar o contato com animais silvestres, expondo o quanto isso pode ser prejudicial às pessoas e aos animais. Além disso, buscou-se perceber qual o grau de conhecimento da população a respeito do tema e conscientizar os comerciantes do parque.

O Parque Zoobotânico está localizado na região central de Joinville-SC junto ao Morro da Boa Vista e abriga várias espécies de animais, desde répteis até aves e mamíferos. Com uma área aproximada de 100.000 m2 possui áreas para caminhada, quiosques para descanso, totem para recarga de aparelhos celulares, espaço para piqueniques, praça de alimentação, playground, trilhas e um mini-zoológico. O acesso é facilitado com transporte público e individual. Toda a infraestrutura disponível favorece o acesso e permanência dos visitantes por períodos de tempo relativamente longos, com bastante predominância de crianças. O parque é bastante frequentado pela população do entorno, recebendo visitantes externos, com ampla movimentação, principalmente em finais de semana e feriados. Na região do parque é observada a movimentação de uma população de saguis-de-tufos-pretos, a qual é constantemente alimentada pela população visitante.

METODOLOGIA

Esta ação representa um sub-projeto do Projeto Veterinário do Bem, desenvolvido com o propósito de inserir acadêmicos do curso de Bacharelado em Medicina Veterinária do Instituto Federal Catarinense Campus Araquari-SC na comunidade do entorno, além de compor a curricularização da extensão neste curso.

O local utilizado para o desenvolvimento da ação foi o Parque Zoobotânico de Joinville-SC, situado na região central do município, na subida do Morro da Boa Vista onde está localizado o mirante da cidade, sendo bastante frequentado pela população local e da região, principalmente em feriados e finais de semana.

A ação de conscientização foi realizada em um dia de feriado no mês de novembro de 2017, no período das 9h às 15h.

Uma equipe de acadêmicos do curso de Medicina Veterinária, composta por cinco integrantes, identificada por meio de crachás, se posicionou em uma localização na entrada do parque onde como forma de atração visual, projetou algumas informações ilustradas a respeito dos saguis e dos problemas associados à sua alimentação pelos humanos.

A ação consistiu em uma abordagem oral, bastante coloquial e de forma a criar uma conexão e empatia com os visitantes abordados. As pessoas que aceitavam ouvir a equipe eram questionadas com relação ao seu grau de conhecimento a respeito da temática e se haviam avistado ou tido algum tipo de contato com saguis no local ou fora deste. Na sequência eram apresentadas algumas características peculiares dos saguis como procedência, hábitos e tipos de alimentação, sendo seguida pelo relato das consequências relacionadas à alimentação e contato com esses animais, como o desiquilíbrio ambiental das espécies nativas da região, a possibilidade da transmissão de zoonoses, além de danos referentes à saúde e organização social dos próprios saguis.

Como forma de aproximação com os visitantes do parque utilizou-se o lúdico como estratégia de conscientização. Assim, foram oferecidas pinturas de rosto relacionadas à temática para as crianças, aproveitando-se o momento para estabelecer um diálogo, com parte da equipe abordando os responsáveis pela criança e a outra parte abordando o assunto com a própria criança, aliando diversão e uma conversa interativa e descontraída. Como as crianças, de maneira geral, tendem a se sentir atraídas pelos saguis e a buscarem um contato mais próximo com eles, geralmente oferecendo alimentos, a equipe entendeu que este também é um público-alvo da ação, pois uma vez conscientizado pode servir como agente de propagação da mensagem apreendida.

As crianças também foram presenteadas com máscaras de saguis, confeccionadas pela equipe do projeto, ao final da experiência da pintura de rosto e da abordagem de conscientização.

Como parte complementar à ação, alguns comerciantes da praça de alimentação do parque foram abordados pela equipe para sondagem com relação à percepção dos mesmos quanto aos hábitos dos visitantes que ali transitam em alimentar a população de saguis. Esse público também foi informado quanto aos problemas associados ao contato e a alimentação fornecida por humanos aos saguis.

Ao longo do desenvolvimento da ação a equipe constantemente discutia suas percepções, registrando-as por meio de anotações e fotos, incrementando suas abordagens, reunindo, no final, todas as informações coletadas e realizando um balanço ao término da ação.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Estudos mostram que, muitas vezes, nem mesmo o esclarecimento por meio de dados científicos é capaz de promover uma mudança comportamental na relação do homem com o meio ambiente, devido à visão distorcida da distância das consequências associadas, não se sentindo diretamente atingido pelo problema (LAYRARGUES, 2007).

De acordo com Vera Mandel apud Layrargues (2007), o conhecimento de um problema ambiental é condição necessária, mas não suficiente, para a mudança de valores que leve ao surgimento de atitudes positivas, desencadeando a criação de uma consciência ecológica. Ou seja, o domínio cognitivo não resulta linearmente em mudanças comportamentais. Existe algo a mais que deve ser considerado, além da simples transmissão de conteúdos esclarecedores ao público-alvo.

Lima (1998, p. 116) ressalta que

[...] a consciência e o discurso ecológicos se expandiram mais rapidamente que os comportamentos e ações práticas. Portanto, o primeiro desafio consiste, justamente, em materializar ideias e teorias em práticas cotidianas ecologicamente orientadas. Nesse sentido insere-se como ingrediente indispensável o exercício da participação social.

Ainda Lima (1998, p. 105) aponta que

Essa consciência ecológica, que se manifesta, principalmente como compreensão intelectual de uma realidade, desencadeia e materializa ações e sentimentos que atingem, em última instância, as relações sociais e as relações dos homens com a natureza abrangente. Isso quer dizer que a consciência ecológica não se esgota enquanto ideia ou teoria, dada sua capacidade de elaborar comportamentos, e inspirar valores e sentimentos relacionados com o tema. Significa, também, uma nova forma de ver e compreender as relações entre os homens e destes com seu ambiente, de constatar a indivisibilidade entre sociedade e natureza e de perceber a indispensabilidade desta para a vida humana.

A mídia também desempenha um papel importante levando informações científicas à população e contribuindo na conservação de espécies e da saúde pública. Entretanto, a disseminação rápida de notícias e a tendência ao sensacionalismo acaba espalhando informações incorretas e tendenciosas, comprometendo a proteção da biodiversidade e da saúde pública (BICCA-MARQUES e FREITAS, 2010). Isso resulta em uma relação distorcida entre humanos e biodiversidade. O surto de febre amarela que atingiu algumas regiões do Brasil entre 2017 e 2018 resultou na violência contra espécies de macacos em contato mais próximo com humanos, devido ao receio de que o macaco transmitisse a doença, sendo que a sua transmissão se dá pelos mosquitos do gênero Haemagogus e Sabethes, que pica o macaco e também o homem. Entretanto, o macaco representa um aliado do homem, servindo como sinalizador da presença do vírus na região (GIANNINI, 2018).

Assim, levando em consideração todos estes fatores, a ação desenvolvida neste trabalho empregou uma estratégia lúdica como forma de viabilizar a educação ambiental relacionada especificamente à alimentação dos saguis-de-tufo-preto do parque Zoobotânico de Joinville-SC. A pintura de rosto se mostrou uma estratégia exitosa de abordagem e aproximação dos visitantes, uma vez que atraiu as crianças e seus responsáveis (Figura 1), permitindo se trabalhar com a temática de forma confortável e não invasiva. De acordo com Freire (1996, p. 26) “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção”. As crianças representam um público-alvo importante, uma vez que a educação ambiental nessa faixa etária contribui para uma formação cidadã e consciência ambiental, além da formação de um agente multiplicador da mensagem apropriada.

Adicionalmente, o tempo necessário para a realização da pintura foi suficiente para a equipe abordar todas as informações relacionadas à temática e manter uma conexão e interatividade com o público.

Figura 1 – Abordagem dos visitantes do Parque Zoobotânico de Joinville-SC.



Fonte: Autores (2017)

A partir do diálogo com os visitantes foi possível perceber que a maioria já avistou saguis no parque ou na região e desconhece a informação de que os saguis representam uma espécie exótica, nativa de outras regiões do país. Também, há um desconhecimento generalizado da superpopulação de saguis no município e dos desiquilíbrios causados à fauna local.

A maioria dos visitantes abordados frequentam regularmente o parque e uma grande parcela vive nas regiões do entorno, relatando terem avistado os saguis próximos às suas residências, o que ratifica a proposta desta ação. Com relação à alimentação, muitos visitantes entendem que frutas são as melhores formas de alimentar esses animais e que alimentos industrializados não são adequados. Alguns visitantes relataram que já haviam alimentado os saguis.

Pelo fato dos saguis serem animais aparentemente amistosos, espertos e engraçados, eles acabam conquistando adultos e crianças. As crianças abordadas demonstravam grande simpatia por esses animais e relataram a vontade de acariciá-los e alimentá-los, favorecendo a intercessão da equipe a respeito dessa interação prejudicial.

As pessoas demonstraram grande admiração ao serem informadas que estes animais podem ser agressivos e que doenças infectocontagiosas que acometem os saguis podem ser transmitidas ao homem como herpes, tuberculose, raiva, entre outras, revelando certo desconhecimento nestas questões.

Por fim os visitantes foram informados que muitos dos problemas de saúde dos saguis estão relacionados com a sua nutrição e que o ser humano pode estar agravando a sua saúde ao oferecer qualquer tipo de alimentação, principalmente alimentos industrializados, ricos em açúcares e gorduras.

A abordagem aos comerciantes da praça de alimentação do parque revelou que, de maneira geral, é necessária uma estratégia mais elaborada para melhorar a receptividade desse público ao diálogo. Entretanto, foi relatada a presença de grupos maiores de saguis nesta área durante os finais de semana, período de maior movimentação e de que as pessoas ao adquirirem alimentos para consumo próprio, devido à proximidade com estes animais acabaram alimentando-os com os restos. Houve relatos de animais mais agressivos e que chegaram a roubar alimentos dos visitantes e dos comerciantes. Foi observado também que não há nenhuma ação de instrução dos comerciantes e dos frequentadores da praça de alimentação com relação à orientação de não alimentar os saguis, inclusive os próprios comerciantes não entendem a importância desta informação para a instrução das pessoas que circulam no parque.

A ação mostrou que a população frequentadora do parque Zoobotânico de Joinville-SC foi receptiva às informações relacionadas aos saguis da região e demonstra pouco conhecimento da origem desses animais e dos problemas associados ao contato e alimentação viabilizada pelo ser humano.

Segundo Vera Mandel apud Layrargues (2007), os elementos que determinam o comportamento das pessoas diante das questões ambientais envolvem as características do problema, como seus impactos e consequências, o perfil individual do sujeito, como características de idade, sexo, escolaridade, classe social e outros, e o contexto cultural. Assim, a interação desses fatores poderá determinar o quanto o indivíduo se sentirá afetado pelo problema ambiental em questão.

Tendo em vista estes fatores, a partir das atividades desenvolvidas, foi possível definir alguns critérios que um programa de conscientização dos visitantes do parque deve seguir para ser efetivo:

  1. Qualquer ação deve ser centrada nas crianças como objetivo fim para a abordagem dos adultos, fomentando a educação ambiental para que as crianças se tornem multiplicadores da mensagem;

  2. As informações que mais chamam a atenção das pessoas e que devem ser trabalhadas de forma incisiva, no sentido de conscientizá-las efetivamente e sensibilizá-las quanto aos riscos ou consequências é a procedência dos saguis como espécie exótica invasora, os desiquilíbrios ambientais provocados à fauna local nativa e os riscos e as doenças transmitidas ao ser humano;

  3. Uma abordagem diferenciada para melhorar a aproximação e a integração com os comerciantes de alimentos do parque, como componente da estratégia de conscientização da população;

  4. Placas de aviso informativas e interativas que promovam orientação da população.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esta ação de conscientização buscou abordar os visitantes do Parque Zoobotânico de Joinville-SC com o objetivo de informar a respeito dos problemas associados à alimentação dos saguis-de-tufo-preto da região. Nesse sentido, por meio de uma estratégia lúdica de pintura de rosto das crianças foi possível abordar os adultos responsáveis que se mostraram bastante receptivos. A análise das percepções da ação revelou que um programa assertivo de conscientização deve envolver as crianças e abordar informações relacionadas aos desequilíbrios ambientais causados pelos saguis e as possíveis doenças transmitidas por esses animais. Também, devem ser incluídos no processo de conscientização os comerciantes do parque, que fornecem a principal fonte de alimentos industrializados utilizados pelos visitantes para alimentar os saguis.

AGRADECIMENTOS

Agradecemos a Coordenadora do Parque Zoobotânico de Joinville-SC Médica Veterinária Camila Uller de Britto e toda a equipe do parque pelas contribuições na realização desta ação.

BIBLIOGRAFIA

A NOTÍCIA. Pequeno sagui aparece em agência bancária de Joinville. A Notícia. Joinville. 11 set. 2013. Disponível em: <http://anoticia.clicrbs.com.br/sc/noticia/2013/09/pequeno-sagui-aparece-em-agencia-bancaria-de-joinville-4265221.html>. Acesso em: 18 nov. 2017.

A NOTÍCIA. Presença de sagui em sala de aula agita escola de Joinville e vira tema de trabalho. A Notícia. Joinville. 20 ago. 2010. Disponível em: <http://anoticia.clicrbs.com.br/sc/noticia/2010/08/presenca-de-sagui-em-sala-de-aula-agita-escola-de-joinville-e-vira-tema-de-trabalho-3012156.html>. Acesso em: 19 nov. 2017.

BATISTA, João. Animais silvestres estão cada vez mais presentes em áreas urbanas em Joinville. Notícias do Dia. Joinville. 11 ago. 2014. Disponível em: < https://ndonline.com.br/joinville/noticias/animais-silvestres-estao-cada-vez-mais-presentes-em-areas-urbanas-em-joinville>. Acesso em: 11 fev. 2018.

BICCA-MARQUES, J. C.; FREITAS, D. S. The role of monkeys, mosquitoes, and humans in the occurrence of a yellow fever outbreak in a fragmented landscape in south Brazil: protecting howler monkeys is a matter of public health. Tropical Conservation Science, v. 3, n. 1, p. 78-89, 2010.

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LIMA, G. F. C. Consciência ecológica: emergência, obstáculos e desafios. Ciência & Trópico. Recife, v. 26, n. 1, p. 103 – 122, 1998.

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