ISSN 1678-0701
Número 64, Ano XVII.
Junho-Agosto/2018.
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Relatos de Experiências

14/06/2018EXTENSÃO RURAL: UMA EXPERIÊNCIA DE CAMPO SOBRE INTEGRAÇÃO EM AVICULTURA CAIPIRA E HORTIFRUTICULTURA EM PROPRIEDADES RURAIS EM SÃO GABRIEL DA CACHOEIRA-AM  
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EXTENSÃO RURAL: UMA EXPERIÊNCIA DE CAMPO SOBRE INTEGRAÇÃO EM AVICULTURA CAIPIRA E HORTIFRUTICULTURA EM PROPRIEDADES RURAIS EM SÃO GABRIEL DA CACHOEIRA-AM

Rural extension: an experience field on integration in poultry and vegetables-fruits planting in rural properties in São Gabriel da Cachoeira-AM

Orleans dos Santos Brito¹; Carlos Eduardo de Souza²; Leonam Matos Correia Lima³; Elias Fernandes de Medeiros Junior4

¹ Zootecnista. Especialista em Gestão Escolar-UFAM. Docente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas-IFAM Campus São Gabriel da Cachoeira. Email: orleans.brito@ifam.edu.br

² Licenciado em Matemática-UFRGS. Mestre em Educação-UFRGS. Docente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas-IFAM Campus São Gabriel da Cachoeira.

³ Bacharel em Administração de Empresas-CIESA. Mestre em Gestão de Informação-UNB. Docente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas-IFAM Campus São Gabriel da Cachoeira.

4 Engenheiro de Pesca. Mestre em Aquicultura e Recursos Aquáticos Tropicais. Docente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas-IFAM Campus São Gabriel da Cachoeira. Email: elias.aqrat@gmail.com

RESUMO: O presente trabalho visa relatar as experiências e práticas realizadas no projeto de extensão desenvolvido pelo Instituto Federal do Amazonas, Campus São Gabriel da Cachoeira (IFAM/CSGC), entre os meses de abril a setembro de 2016. Este projeto consistiu no acompanhamento técnico em propriedades rurais, ofertando curso de capacitação técnica em avicultura caipira integrada á produção de olerícolas, sendo abordadas técnicas que envolveram os manejos nutricionais, reprodutivos e sanitários das aves, e custo total de produção. O projeto buscou despertar nos produtores a importância de se plantar e criar pequenos animais de forma sustentável e integrada, garantindo a autonomia produtiva através da integração entre os sistemas de produção animal e vegetal, visando a geração de renda e soberania alimentar.

Palavras chave: Galinha caipira. Produção agroecológica. Extensão Rural.

ABSTRACT: This paper describes the experiences and pratices carried out in the extension project developed by the Institute Federal do Amazonas, Campus São Gabriel da Cachoeira (IFAM-CSGC), between the months of april to september 2016. This Project consisted of the technical follow-up farms, offering technical training course in integrated hick poultry to vegetable crops production, which were addressed techbiques involving nutritional managements, reproductive and health of chickens and total cost of production. The Project sought to awaken in producting the importance of plant and create small animals in a sustainable and integrated manner, ensuring productive autonomy through integration between plant and animal production systems, aimed at income generation and food sovereignty.

Keywords: Poultry chicken. Agroecological production. Rural Extension.

INTRODUÇÃO

A criação de galinhas caipiras é hoje uma atividade produtiva que oferece grandes oportunidades aos pequenos produtores rurais, nesta perspectiva o IFAM/CSGC desenvolveu o presente projeto para estimular os produtores rurais a explorarem o potencial produtivo da criação de galinhas. A realidade atual sobre criação de galinhas realinha um pensamento histórico sobre a origem desta atividade e a chegada dos europeus á região do alto Rio Negro, que desempenharam esta atividade que outrora era inexpressiva.

A maioria dos indígenas desempenhava suas atividades sempre voltadas para caça, pesca e coleta na floresta, atualmente conhecida como extrativismo, além do plantio de algumas culturas como maniva (nome dado á planta da mandioca), a banana, o abacaxi o cará e a pimenta. Com a chegada dos europeus, as atividades de criação de galinhas, de patos e de alguns animais silvestres começaram então a fazer parte da cultura de obtenção de alimentos por parte dos indígenas, o que anteriormente não acontecia, pois os indígenas costumavam desenvolver uma relação de afinidade com os animais que criavam, uma vez que a atividade de criação não era destinada á alimentação.

Esse comportamento de afinidade que atribuía ‘’ grau de parentesco com as aves’’ vem diminuindo com as novas gerações, e estes animais são atualmente destinados á alimentação, venda ou ainda utilizados como moeda de troca com atravessadores de mercadorias e comerciante que viajavam pelos rios da região.

No entanto, a avicultura caipira consorciada á hortifruticultura ainda é pouco difundia ente os agricultores e produtores da região, em parte por ser uma atividade relativamente nova inserida na cultura dos povos indígenas, como também pela insuficiente abrangência da Assistência Técnica e Extensão Rural Indígena (ATER Indígena), cujo objetivo priorizava a gestão e controle dos territórios, comercialização e valorização da produção indígena, uso sustentável dos recursos naturais, além da capacitação de indígenas e de suas organizações para a criação de uma rede de intercâmbio entre as comunidades (BRASIL, 2016). Desta forma, é importante que exista uma política funcional voltada para o desenvolvimento de consórcios de natureza animal e vegetal em harmonia com o meio ambiente na perspectiva da sustentabilidade e da Segurança Alimentar e Nutricional.

Entendemos por Segurança Alimentar e Nutricional as formas de ‘’garantir a todos as condições de acesso a alimentos básicos de qualidade, produzidos sem herbicidas e agrotóxicos, em quantidade suficiente, de modo permanente e sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, com base em práticas alimentares saudáveis, contribuindo, assim, para uma existência digna, em um contexto de desenvolvimento integral da pessoa humana’’ (FAO, 1996 apud CINTRA, 2013).

Apesar das dificuldades encontradas durante a execução deste projeto, das quais se destacam a apropriação por parte dos agricultores das técnicas de manejo adequado a criação de galinhas, assimilação de novos conhecimentos sobre manuseio racional da terra, como compostagem, adubação orgânica, cobertura vegetal e os cálculos de custos de produção, a integração foi bem sucedida, pois foram realizadas práticas necessárias á olericultura e criação de galinhas.

MATERIAL E MÉTODOS

Atividades desenvolvidas com os produtores rurais

O projeto foi executado em três etapas que envolveram várias atividades. A capacitação técnica atingiu um público de 15 famílias, totalizando 35 pessoas das localidades do Assentamento Rural Teotônio Ferreira, Comunidades de Itacoatiara Mirim, Balaio e Areal.

Na primeira etapa realizou-se uma visita técnica ás propriedades rurais e comunidades indígenas para avaliar os seus potenciais produtivos e as condições ideais para criação de galinhas caipira. Foram identificados os produtores que já criavam aves, mas em sua trajetória de vida nunca receberam informações técnicas. Na segunda etapa, que consistiu na transferência de tecnologia em sistema alternativo de criação de aves caipiras integradas á produção de hortifruticultura, foi ofertado um curso de capacitação técnica (Figura 1) em avicultura caipira, oportunidade em que foram abordadas técnicas que envolveram os manejos nutricionais, reprodutivos e sanitários de aves.

Figura 1. Curso de capacitação em avicultura integrada a hortifruticultura. Fonte: Brito, 2016.

No manejo nutricional, trabalhou-se alimentação diversificada, devido á complementação com os excedentes das culturas produzidas nas hortas circulares (Figura 2), constituindo uma alimentação rica em nutrientes, já que as galinhas se alimentaram também dos resíduos das culturas plantadas, insetos e culturas invasoras. As hortas circulares fazem parte de um sistema de produção em MANDALA, que é um projeto de agricultura sustentável, amparado na filosofia de harmonia holística e sistêmica ambiental, sugerindo diversas soluções viáveis pra a diminuição da miséria, da fome e da exclusão social em nosso país (CUNHA, 2008). Este sistema incorpora a utilização de compostagem com os dejetos das aves, restos de produtos vegetais juntamente com a capina das plantas invasoras.

Figura 2. Horta circular implantada no IFAM-São Gabriel da Cachoeira-AM. Fonte: Brito, 2016.

No manejo reprodutivo e sanitário abordou-se técnicas de sexagem e reprodução das aves com cruzamentos com animais rústicos e adaptados as condições climáticas local, profilaxia e vacinação. Nesta fase, foram fornecidos pintinhos de um dia, como forma de incentivo aos produtores rurais (Figura 3).

Figura 3. Entrega de pintinhos aos produtores rurais. Fonte: Brito, 2016.

Na terceira etapa abordou-se as questões de ambiência (construções dos galinheiros), objetivando mostrar aos produtores rurais formas de construção dos galinheiros utilizando recursos oriundo da floresta (Figura 4, 5). Foi trabalhado os custos de produção objetivando transferir informações técnicas sobre a formação de preço da produção e retorno do investimento realizado. Para atingir os objetivos do projeto, procurou-se uma aproximação para transferir o conhecimento acadêmico, buscando a otimização dos processos produtivos, mas ressaltando a importância e a valorização dos conhecimentos tradicionais, vivenciando novas experiências através da troca de conhecimento entre os diferentes agentes participantes neste processo de formação. Este contato direto com produtores rurais e profissionais das áreas agrárias, contribuiu para o enriquecimento do processo de Extensão Rural.

Figura 4. Construção de galinheiros utilizando materiais alternativos encontrados na floresta. Fonte: Brito, 2016.

Figura 5. Produtores rurais, mostrando os galinheiros construídos com materiais alternativos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O maior desafio para a concretização desse projeto foi despertar nos produtores a importância de plantar e criar pequenos animais de forma sustentável e integrada, garantindo a autonomia produtiva através da integração entre os sistemas de produção, reduzindo o déficit de nutrição do solo que ora é atenuada pela utilização de esterco. A vantagem dessa integração foi a complementação alimentar de aves com os excedentes produzidos nas hortas. A experiência prática de extensão é uma vivência recíproca, para desenvolvermos troca de conhecimentos técnicos e tradicionais, valorizando e engrandecendo as atividades integradoras da pesquisa, do ensino e da extensão. Estes conhecimentos propiciaram um bom entrosamento e desenvolvimento dos trabalhos no decorrer do projeto e posteriormente com os resultados alcançados.

Ocorreram alguns entraves no despertar do produtor para os aspectos gerenciais da propriedade onde se utilizou uma massa crítica de alternativas, de curto, médio e longos prazos que foram priorizadas, analisadas e solucionadas. Foi constatado que após a capacitação técnica em avicultura a utilização das novas técnicas e cuidados com a produção vegetal e animal, houve nas propriedades envolvidas no projeto uma associação ás qualidades pessoas dos recursos humanos envolvidos na aquisição de conhecimento técnicos e administrativos.

Houve alguns empecilhos no que tange ao processo decisório na extensão rural e no aprofundamento das questões relativas á gestão de negócios rurais. No processo de utilização de fundamentos de economia de produção, e redistribuição funcional dos trabalhos ente os atores envolvidos no projeto, constatou-se que era de extrema importância uma programação das atividades desenvolvidas nas propriedades através de um planejamento estratégico administrativo.

A interação do extensionista rural neste jogo instrucional permitiu identificar seus limites e prerrogativas de incorporar novos conceitos e rever suas práticas decisórias frente á situações problema da área de extensão rural. Foi possível, também, estabelecer paralelos com algumas das metodologias participativas e a aprendizagem coletiva. Através de estudos de casos relatados pelos participantes pudemos referenciar possíveis soluções para os problemas abordados.

O principal entrave encontrado no setor primário trata-se da melhoria de qualidade de vida dos técnicos e extensionistas envolvidos no setor primária, que devem ter como meta estender e trocar experiências, conhecimento técnico e habilidades sobre práticas agropecuárias reconhecidas como importantes e necessárias, para enfim obter melhorias da sua qualidade de vida. Estes conceitos sempre mudam e nos dias atuais envolvem inclusive o desenvolvimento de uma atividade sustentável voltada para a agroecologia.

Percebe-se que o extensionista também desempenha atividades de Consultor de Negócios Rural a cada momento do dia de trabalho no campo, ao harmozinar a tecnologia que está chegando com os processos tradicionais existentes nas áreas de produção das propriedades envolvidas. A atuação do profissional técnico é importante, no entanto, durante as visitas de campo pode-se constatar que existem produtores que tem descrença na Assistência Técnica, e existem também outros que creem que o técnico possui uma credibilidade muito grande.

A participação dos produtores nas visitas técnicas foi muito produtiva, pois além das visitas a outras propriedades rurais, os produtores puderam ampliar seus conhecimentos assimilando outras tecnologias, manejos existentes, permitindo ter uma visão da realidade em Campo.

Deve ser enaltecida a utilização de exemplos das próprias experiências que estão dando certo, como incentivo aos demais produtores, pois todos possuem potencial para a produção de galinhas caipira e hortifruticultura, no entanto eles necessitam de acompanhamento técnico durante todo o processo de produção. Economicamente, a produção oriunda da agricultura familiar, através deste sistema integrado de produção, possibilita a complementação da renda, aumentando o poder aquisitivo das famílias, assim, promovendo a qualidade de vida.

AGRADECIMENTOS

Agradecemos á Pró-Reitoria de Extensão do Instituto Federal do Amazonas pelo apoio administrativo e incentivador para a realização desta ação. Ao IFAM/CSGC por apoiar e acreditar na realização deste projeto para a melhoria da qualidade de vida dos produtores, justificando o papel da instituição na oferta de projetos que visem associar o ensino, pesquisa e extensão.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Agrário. Agricultura Familiar e o Desenvolvimento Agrário. Disponível em < http://www.mda.gov.br/sitemda/pagina/ater>. Acessado em 30 de setembro de 2016.

CINTRA, Lydia. Você sabe a diferença entre segurança alimentar e soberania alimentar?. Revista Super Interresante. Disponível em < http://super.abril.com.br/blogs/ideias-

verdes/voce-sabe-a-diferenca-entre-

seguranca-alimentar-e-soberania-alimentar/>. Acessado em 30 de setembro de 2016.

CUNHA, Lize de Moraes Vieira da.; KOBAYASHI, Mauro Koji.; SILVA, Ranyse Barbosa Queirino da.; FARIA, Maria Aparecida Vilela de Resende. PROJETO MANDALA-Sustentabilidade da Agricultura Familiar. IN IX Simpósio de Recursos Hídricos do Nordeste, Bahia, 2008.











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