ISSN 1678-0701
Número 62, Ano XVI.
Dezembro/2017-Fevereiro/2018.
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02/02/2018O USO DE SIG PARA A GESTÃO DO CONTROLE DO MOSQUITO AEDES AEGYPTI NO MUNICÍPIO DE ITUIUTABA – MG  
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O USO DE SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA (SIG) PARA A GESTÃO DO CONTROLE DO MOSQUITO AEDES AEGYPTI NO MUNICÍPIO DE ITUIUTABA – MG

MOURA1, Francisco Benício Dantas de Goes

1_ Pós-graduando em Ciências Ambientais – IFTM Campus Ituiutaba (fbdgm@hotmail.com)

Orientador: Prof. MSc. Jascon Hudson Inácio Ferreira

RESUMO

A vigilância ambiental em saúde de Ituiutaba-MG age sobre os focos de dengue através do monitoramento, Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti, onde, os dados coletados podem dar origem a um SIG utilizando softwares e aplicativos livres.

Palavras-chave: dengue, softwares, SIG.

ABSTRACT

The health environmental monitoring of Ituiutaba-MG acts on dengue outbreaks through monitoring, Rapid Survey of Aedes aegypti Infestation Index, and the data collected may give rise to a GIS using free software and applications.

Keywords: dengue, softwares, GIS.

INTRODUÇÃO

Ao longo dos anos o homem vem explorando os recursos naturais para suprir suas necessidades básicas e, em contrapartida, poucas iniciativas são tomadas pelo poder público ou pela iniciativa privada para minimizar os danos causados ao ambiente.

Há pouco tempo presenciamos a deflagração de certas doenças endêmicas que se espalharam mundo afora, como o ebola e o zika vírus, ambas transmitidas por insetos que entram em contato com vários objetos, órgãos e tecidos de origem animal ou humana. Ainda nos falta educação e informação para controlar doenças que alastram com certa facilidade, como é o caso da dengue no Brasil.

Uma das alternativas para monitorar os casos de dengue, zika e chikungunya é a utilização de Sistema de Informação Geográfica (SIG). Diversas informações podem ser armazenadas e posteriormente correlacionadas em ambiente SIG. Nessa perspectiva Câmara (1993 apud Carvalho; Pinto; Facincani, 2014) ressalta que os SIGs são sistemas cujas principais características são: integrar, em uma única base de dados, informações espaciais provenientes de dados cartográficos, dados de censo e de cadastro urbano e rural, imagens de satélite, dados e modelos numéricos de terreno; combinar as várias informações, através de algoritmos de manipulação, para gerar mapeamentos derivados.

A integração de Sistemas de Informação Geográficos, Sensoriamento Remoto, Aerofotogrametria e outras formas de mapeamento pode ser uma solução para a gestão dessa grande massa de dados, porém os softwares comerciais disponíveis no mercado demandam um alto valor de investimento, o que inviabiliza sua implantação em pequenos e médios municípios (OLIANI; PAIVA; ANTUNES, 2012).

Conforme informação do diretor do Departamento da Fazenda de Ituiutaba-MG, Sr. Maurício Borges Ferreira, a atual gestão municipal está implantando um sistema de georreferenciamento com informações referentes ao cadastramento imobiliário urbano, onde, em um futuro próximo o projeto se estenderá à Secretaria de Saúde de Ituiutaba visando o zoneamento da cobertura das áreas e micro áreas do programa Saúde da Família, o zoneamento de instalações e áreas de interesse da Saúde: PSF, postos de saúde, hospitais e UPAS, como também, o controle e identificação de endemias, como dispõe o contrato licitatório 111/2015, da implantação do Projeto.

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1 AEDES AEGYPTI E AS DOENÇAS TRANSMITIDAS PELO INSETO

A dengue é uma arbovirose transmitida por vetores do gênero Aedes. Seu agente etiológico é um vírus RNA do gênero Flavivirus que pertence à família Flaviviridae. São conhecidos quatro sorotipos distintos (DENV1, DENV2, DENV3 e DENV4) que podem causar desde infecções assintomáticas até formas mais graves, levando eventualmente ao óbito. O número estimado de pessoas que vive em países endêmicos é de 3,6 bilhões. Anualmente, o número de casos de dengue aproxima-se dos 100 milhões (MINISTÉRIO DA SAÚDE, p. 2, 2016).

O vírus Zika é um vírus recente, transmitido pelo mosquito que foi inicialmente identificado na Uganda, em 1947, em macacos Rhesus, através de uma rede de monitorização da febre amarela selvagem. Posteriormente, foi identificado em seres humanos, em 1952, no Uganda e na República Unida da Tanzânia (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2016).

A doença, que entrou no Brasil possivelmente em 2014, disseminou-se na Região Nordeste e está migrando para as Américas. Acredita-se que deva continuar rapidamente a se propagar, já que o principal vetor, o mosquito A. aegypti, está em período de franca disseminação em função das temperaturas elevadas do verão no hemisfério sul (NUNES et al. 2016).

A Chikungunya se caracteriza por quadros de febre associados à dor articular intensa e debilitante, cefaleia e mialgia. Embora possua sintomas semelhantes ao da dengue, chama a atenção a poliartrite/artralgia simétrica (principalmente punhos, tornozelos e cotovelos), que, em geral, melhora após 10 dias, mas que podem durar meses após o quadro febril (DONALISIO; FREITAS, 2015).

Em 2015, foram registrados 1.587.080 casos prováveis de dengue no país – casos notificados, incluindo todas as classificações, exceto descartados – até a semana epidemiológica 48 (04/01/15 a 05/12/15). Nesse período, a região Sudeste registrou o maior número de casos prováveis (997.268 casos; 62,8%) em relação ao total do país, seguida das regiões Nordeste (293.567 casos; 18,5%), Centro-Oeste (211.450 casos; 13,3%), Sul (53.106 casos; 3,3%) e Norte (31.689 casos; 2,0%) como é apresentado no gráfico 1. Foram descartados 574.682 casos suspeitos de dengue no período (SECRETARIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE, 2015).

Gráfico 1 – Casos prováveis de dengue registrados no Brasil até a semana epidemiológica 48.

Fonte: Adaptado de Secretraria de Vigilância em Saúde, 2015.

De acordo com as anotações do Registro Diário do Serviço Antivetorial da Vigilância Ambiental em Saúde de Ituiutaba, no período de outubro a dezembro de 2015 foram registrados no Setor Norte da cidade 125 focos de A. aegypti, distribuídos ao longo de 34 das 43 quadras do bairro.

SISTEMA DE MONITORAMENTO DOS FOCOS DE DENGUE

O LIRAa (Levantamento Rápido do Índice de Infestação por A. aegypti) é um método amostral desenvolvido e adotado pelo Programa Nacional de Controle de Dengue (PNCD) do Ministério da Saúde, a partir de 2003, que monitora a densidade larvária por meio de indicadores (FERREIRA; MACHADO; GROSS MACHADO, 2014).

O índice LIRAa leva em consideração a percentagem de casas visitadas com larvas do mosquito A. aegypti. O município é dividido em grupos de 9 mil a 12 mil imóveis com características semelhantes. Em cada grupo, também chamado estrato, são pesquisados 450 imóveis (Dengue.org.br, p. 2, 2015). Como mostra a figura 1 os estratos com índices de infestação predial inferiores a 1% estão em condições satisfatórias, os que apresentam infestação de 1% a 3,9% estão em situação de alerta e aqueles com infestação superior a 4% constituem risco de surto de dengue.

Figura 1 – Resultado do LIRAa Nacional 2015 – Região Sudeste.

Fonte: Secretaria de Vigilância em Saúde, 2015.

Ituiutaba, localizada no pontal do Triângulo Mineiro, aparece entre aqueles que apresentam estado de alerta quanto à presença de larvas do mosquito nos imóveis amostrados no levantamento conforme ilustrado na figura acima. A Vigilância Ambiental em Saúde de Ituiutaba realiza o LIRAa para o direcionamento de suas ações quanto ao controle dos focos do mosquito, que pode ser facilitado através de um SIG.

GEOPROCESSAMENTO

Segundo Rizzatto; Melo (2015), o geoprocessamento tem grande importância na análise da geotopologia de um ambiente, investigando sistematicamente as propriedades e relações posicionais dos eventos e de entidades georreferenciadas em uma base de dados. Permite distinguir a identificação e classificação de entidades e eventos a distância, identificados por sensoriamento remoto e a cartografia digital, permitindo ter uma representação correta da realidade ambiental, garantindo a melhor interpretação das medições de uma extensão e direções espaciais.

Esta ferramenta analítica propõe de forma assistida, um auxílio no crescente contexto da análise de recursos naturais, transportes, comunicação, energia e planejamento urbano e rural (RIZZATTO; MELO, 2015). Neste contexto os dados vinculados à saúde podem ser utilizados em SIG, facilitando a tomada de decisão para o controle de vetores de doenças.

Permite distinguir a identificação e classificação de entidades e eventos a distância, identificados por sensoriamento remoto e a cartografia digital, permitindo ter uma representação correta da realidade ambiental, garantindo a melhor interpretação das medições de uma extensão e direções espaciais. Podendo ser aplicado para qualquer cidade ou estado, desde que sejam tratados os dados e correlacionados, sabendo que cada cidade terá o seu perfil. Afinal, permitem que se considerem ao mesmo tempo aspectos sociais, econômicos e ambientais, fornecendo subsídios para agilidade e confiabilidade na execução, controle e avaliação de políticas administrativas, em especial políticas de saúde pública (LIMA, 2014).

Georreferenciamento urbano

Atualmente, com o auxílio de dados específicos de caracterização municipal, tais como informações relativas a setores censitários, imagens de satélite, fotos aéreas e base de dados geográficos previamente produzidos por empresas especializadas, podem-se identificar praticamente os problemas mais graves que um município apresenta, como falta de infraestrutura básica, crescimento urbano desordenado, zonas de risco para construção de edificações, entre outros (ANDRADE et al. 2007).

O georreferenciamento de um endereço, definido como o processo de associação deste a um mapa terrestre, pode ser efetuado de três formas básicas: associação a um ponto, a uma linha ou a uma área. O elemento geométrico resultante, associado a uma base de dados, é a unidade utilizada nos SIG (SKABA et al. 2004).

Segundo Skaba et al. (2004), o georreferenciamento dos eventos de saúde é importante na análise e avaliação de riscos à saúde coletiva, particularmente as relacionadas com o meio ambiente e com o perfil socioeconômico da população. Os Sistemas de Informações Geográficas (SIG), conjunto de ferramentas utilizadas para a manipulação de informações espacialmente apresentadas, permitem o mapeamento das doenças e contribuem na estruturação e análise de riscos socioambientais. Para estas análises é necessária a localização geográfica dos eventos, associando informações gráficas (mapas) a bases de dados de saúde, alfanuméricas (sistema capaz de codificar letras e números).

O georreferenciamento dos eventos de saúde é importante na análise e avaliação de riscos à saúde coletiva, particularmente as relacionadas com o meio ambiente e com o perfil socioeconômico da população (CAIXETA; SOUSA, 2007). Essa ferramenta auxilia os profissionais e setores responsáveis na tomada de decisão, buscando o melhor momento para realizar o combate ao mosquito transmissor da doença.

2.3.2 Softwares e ferramentas aplicadas no geoprocessamento

Existem alguns softwares livres ao público disponíveis para download na rede mundial de computadores. São utilizados na aquisição e tratamento dos dados em Sistema de Informação Geográfica, destacando o Quantumgis, o Google Earth Pro e o MapItcoletor de dados móveis.

De acordo com Fochi et al. (2015), o Quantumgis é um programa de Sistema de Informação Geográfica com código aberto e licenciado sob a Licença Pública Geral GNU. O QGIS, como também é chamado, é um projeto oficial da Open Source Geospatial Foundation (OSGeo). Pode ser utilizado em Linux, Unix, Mac OSX, Windows e Android, segundo o site QGIS.org.

Por tratar-se de um aplicativo baseado em uma biblioteca de código aberto, os usuários podem participar do processo de desenvolvimento do programa, escrevendo novas rotinas para as mais diversas aplicações relacionadas (OLIANI; PAIVA; ANTUNES, 2012).

De acordo com Gizmodo (2016), o Google Earth Pro traz alguns recursos diferenciais, tais como: medir a área de um polígono ou a altura de um edifício; criar vídeos; importar imagens com resolução mais alta que o próprio mapa; fazer geolocalização automática de imagens que você inserir no mapa; imprimir imagens em alta resolução (até 4800 x 3200 pixels); exibir dados demográficos, de loteamentos e trânsito nos EUA. Essas ferramentas podem ser utilizadas em qualquer localidade do globo terrestre.

MapIt é uma ferramenta desenvolvida para a coleta de dados para Sistemas de Informação Geográfica (SIG) com base em gps ou mapas. É uma ferramenta SIG móvel utilizado para coleta de dados no campo por profissionais da área ambiental ou que utilizam outros tipos de dados geográficos (GOOGLE, 2016).

MATERIAIS E MÉTODOS

A cidade de Ituiutaba está localizada na região do Pontal do Triângulo Mineiro no Estado de Minas Gerais, nas coordenadas 18º58’8” S e 49º27’54” W em uma altitude de 605 metros em relação ao nível do mar. O município apresenta uma área de 2.598.046 km2, aproximadamente 80 bairros e uma população de 103.945 habitantes (IBGE, 2016).

Ituiutaba tem um clima tropical. O verão tem muito mais pluviosidade que o inverno. Segundo a Köppen e Geiger o clima é classificado como Aw. 23.9 °C é a temperatura média em Ituiutaba. A média anual de pluviosidade é de 1352 mm (CLIMATE-DATA.ORG, 2016).

Para a realização deste trabalho contatou-se a Vigilância Ambiental em Saúde de Ituiutaba no mês de janeiro de 2016, para conhecer qual método utilizado para levantar o número de focos do mosquito A. aegypti, a fim de implantar um sistema de monitoramento através de SIG. Buscando uma melhor eficiência e rapidez na identificação dos focos do mosquito, facilitando a tomada de decisão quanto ao método de controle, este trabalho propõe que a Vigilância Ambiental em Saúde comece a utilizar os dados do georreferenciamento do município em um SIG, com ferramentas gratuitas e de fácil manuseio, para o controle dos focos do A. aegypti, observa-se que já é realizado o levantamento dos focos pelos agentes de controle de endemias, bastando que para isto seja feita uma adequação das anotações provenientes dos relatórios do Programa Nacional de Controle da Dengue (PNCD) alimentando o novo sistema que será gerado.

Dessa maneira utilizaram-se os dados coletados pelos agentes de controle de endemias através do Registro Diário do Serviço do PNCD, referente ao último trimestre de 2015 no Setor Norte. Visualizam-se na figura 2 os dados advindos do relatório realizado no dia 18/12/2015 disponibilizado pela Vigilância Ambiental em Saúde de Ituiutaba.