ISSN 1678-0701
Número 62, Ano XVI.
Dezembro/2017-Fevereiro/2018.
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02/02/2018EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO ENSINO FORMAL: ESTUDO DE CASO NA REDE MUNICIPAL DE SOBRAL, CE  
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EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO ENSINO FORMAL: ESTUDO DE CASO NA REDE MUNICIPAL DE SOBRAL, CE

¹Maria Isabelle Oliveira da Costa. Especialista em Gestão Ambiental pelo Instituto Federal do Ceará (IFCE); Celular: (88)999986182; E-mail: mariaisabellejm@gmail.com.

²Ana Lúcia Feitosa Freire Pereira. Mestre em Recursos Naturais pela UECE; Professora do IFCE (campus Sobral); Telefone: (88)999217782. E-mail: feitoza_ana@hotmail.com.

³Nayana de Almeida Santiago Nepomuceno. Mestre em Tecnologia e Gestão Ambiental; Professora do IFCE (campus Sobral); Celular: (85) 999286755; e-mail: santiago.nayana@gmail.com; Endereço para correspondência: rua Lindoya, 211, Cais do Porto, Fortaleza, Ceará.

Resumo

A educação ambiental está na pauta de discussão de diversos seguimentos da sociedade, inclusive do ensino fundamental. É importante despertar no indivíduo desde cedo à consciência de seus atos a respeito das questões ambientais. Essa temática vem sendo trabalhada sejam em ações, projetos ou programas e são abordadas nas disciplinas através dos conteúdos programáticos. Este trabalho teve como objetivo identificar as práticas utilizadas em educação ambiental pelos professores das escolas da rede municipal de Sobral-CE, bem como os recursos tecnológicos adotados e a participação dos alunos, além de perceber as maiores dificuldades dos professores em realizar educação ambiental na escola. A metodologia aplicada foi pesquisa bibliográfica em livros, artigos de periódicos e Pesquisa de campo. Os dados foram coletados in loco, em cada uma das sete escolas. Os dados primários foram levantados através da aplicação de 45 questionários aos professores das sete escolas, entrevistas com os gestores e realização de registros fotográficos. Evidenciou-se que as escolas desenvolvem atividades de educação ambiental e os professores possuem boa percepção ambiental. Entretanto identificaram-se dificuldades dos professores em desenvolver tarefas práticas relacionadas com o meio ambiente. Constatou-se que a inclusão de recursos tecnológicos durante o processo de aprendizagem auxiliaria na formação dos alunos, tornando-os sujeitos ativos.

Palavras-chave: Escola. Educação ambiental. Novas tecnologias.

Environmental education in formal education: case study in the municipal network of Sobral, CE

Abstract

Environmental  education is in agenda of several sectors of society, including the elementary school.It is important to awaken in the individual early to consciousness of his actions regarding environmental issues. This theme has been crafted to be in actions, projects or programs and are addressed in the subjects through the syllabus. This study aimed to identify the practices used in environmental education for teachers of municipal schools of Sobral-CE, as well as technological resources adopted and the participation of students, besides realize the greatest difficulties of teachers to carry out environmental education in school . The methodology used was literature in books, journal articles and Field Research. Data were collected in loco in each one of the seven schools. Primary data were collected through the application of 45 questionnaires to teachers from seven schools and interviews with managers. It was evident that schools develop environmental education activities and teachers have good environmental awareness. However it was identified difficulties of teachers to develop practical tasks related to the environment. It was found that the inclusion of technology resources during the learning process help in the training of students, making them active subjects.

Keywords: School. Environmental education. New technologies.

  1. INTRODUÇÃO

A escola configura-se como um espaço social e local onde o educando dará sequência ao seu processo de socialização. O que nela se ensina e se valoriza representa um reflexo daquilo que a sociedade deseja e aprova. Comportamentos ambientalmente corretos devem ser aprendidos na prática, no cotidiano da vida escolar, contribuindo assim para a formação de cidadãos responsáveis (FELISOLA, 2007).

Para o desenvolvimento da educação ambiental, faz-se necessário agir nos processos de educação trazendo a importância da vinculação escola, família, meios de comunicação, a fim de que haja sensibilização e, de forma mais abrangente, o despertar para a percepção afetiva do ambiente.

As discussões sobre o tema “meio ambiente” devem contribuir para a formação de cidadãos conscientes, aptos para decidirem e atuarem na realidade socioambiental de um modo comprometido com a vida, com o bem-estar de cada um e da sociedade local e global.

O trabalho com a realidade local possui a qualidade de oferecer um universo acessível e conhecido, por isso, passível de ser campo de aplicação do conhecimento. Grande parte dos assuntos mais significativos para os alunos estão circunscritos à realidade mais próxima, ou seja, na sua comunidade ou região. E isso faz com que, para a Educação Ambiental, o trabalho com a realidade local seja de importância vital.

De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (2001), a Educação Ambiental deve ser desenvolvida a fim de ajudar os alunos a construírem uma consciência global das questões relativas ao meio para que possam assumir posições afinadas com os valores referentes á sua proteção e melhoria da qualidade de vida.

Portanto este trabalho tem como objetivo identificar as práticas utilizadas em educação ambiental pelos professores das escolas da rede municipal de Sobral-CE, bem como os recursos tecnológicos adotados e a participação dos alunos, além de perceber as maiores dificuldades dos professores em realizar educação ambiental na escola.

  1. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

    1. Educação Ambiental: Conceitos

Para Moreira (2008), o conceito de educação ambiental vem se aprimorando ao longo do tempo, assim como outros conceitos que tratam da relação do homem e meio ambiente, tal como o desenvolvimento sustentável, e se adaptando à realidade social que o homem se encontra. Desta forma, diversos autores conceituam a educação ambiental a partir da função que se atribuem á esta nomenclatura, destacando-se alguns autores.

(...) A educação ambiental consiste nos processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividades constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial a sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade (...).”

(Lei n° 9.795 de 1999, Política Nacional de Educação Ambiental).

Segundo PCNs (2001), a partir da década de 70, com o crescimento dos movimentos ambientalistas, passou-se a adotar explicitamente a expressão Educação Ambiental para qualificar iniciativas de universidades, escolas instituições governamentais e não governamentais pelas quais se busca conscientizar setores da sociedade para as questões ambientais.

A tarefa da educação ambiental é reconstruir uma nova ética capaz de recuperar o movimento das mãos e das mentes de cada sujeito ecológico. O movimento terá início quando realmente compreende-se que a educação ambiental exige um esforço multissetorial para poder cumprir pelo menos em parte, os desafios da humanidade (SATO, 2004).

    1. Educação Ambiental e Escola

De acordo com a lei de nº 9.795/99, que dispõe sobre a Política Nacional de Educação Ambiental, no artigo 9º entende-se por educação ambiental na educação escolar a desenvolvida no âmbito dos currículos das instituições de ensino públicas e privada, englobando:

I - educação básica: educação infantil, ensino fundamental e ensino médio;

II - educação superior;

III - educação especial;

IV - educação profissional;

V - educação de jovens e adultos.

E será desenvolvida como uma prática educativa integrada continua e permanente em todos os níveis e modalidades do ensino formal.

No entanto é necessário, que além das informações e conceitos, a escola se proponha com atitudes, formação de valores, preocupação com o ensino e a aprendizagem de habilidades e procedimentos. E esse é um grande desafio para a educação. Comportamentos “ambientalmente corretos” serão aprendidos na prática do dia-a-dia na escola: gestos de solidariedade, hábitos de higiene pessoal e dos diversos ambientes, participação em pequenas negociações podem ser exemplos (PCNs, 2001).

Segundo Sato (2004), a educação ambiental tem sido identificada como transdisciplinar, isto é, deve permear as disciplinas do currículo escolar. O pensamento cartesiano que conduziu as ciências pelos aspectos específicos, e a diversidade de acontecimentos ambientais não permitem a criação de uma única disciplina de educação ambiental, pois dificilmente se encontra um profissional de formação polivalente que detenha todos os conhecimentos inerentes à multidimensionalidade associada à questão ambiental.

A educação ambiental deve gerar, com urgência mudanças na qualidade de vida e maior consciência de conduta pessoal, assim como harmonia entre os seres humanos e destes com outras formas de vida (SATO, 2004).

  1. METODOLOGIA

    1. Área de Estudo

O estudo foi realizado no município de Sobral, localizado na região norte do estado do Ceará. De acordo com o IBGE (2010), o quantitativo populacional é de 188.233 habitantes, e conta hoje com uma eficácia na educação básica municipal tendo um dos melhores Índices de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) do país.

O referido município conta hoje com um cenário de quatorze centros de educação infantil, trinta e nove escolas de ensino fundamental I e II, e dois colégios sobralenses de tempo integral especialistas de fundamental II, contabilizando um total de 54 estabelecimentos de ensino municipal.

A área de estudo limitou-se em sete escolas especialistas que atendem alunos de 11 a 14 anos, do 6º ao 9º ano do ensino fundamental II, que contam atualmente com 5.460 alunos e 200 professores.

    1. Procedimentos de Coleta de Dados

Os procedimentos metodológicos utilizados para a pesquisa foram: revisão bibliográfica em livros, artigos, legislação pertinente ao tema e coleta de dados in loco.

O levantamento de dados foi realizado mediante visitas as escolas por meio de entrevistas, aplicando-se questionários para os professores das disciplinas de Ciências, Geografia e Professor articulador de projetos, somando um total de 45 questionários aplicados entre os docentes.

Os gestores dos referidos estabelecimentos de ensino municipal também foram entrevistados por meio de um questionário semi-estruturado.

  1. RESULTADOS E DISCUSSÕES

Aqui serão apresentados os resultados das entrevistas realizadas durante as visitas in loco com professores e gestores das escolas, a fim de identificar as práticas utilizadas em educação ambiental, os recursos tecnológicos adotados e os programas e ações desenvolvidos; a participação dos alunos e as dificuldades dos professores em desenvolver as atividades ligadas à educação ambiental na escola.

4.1 Perfil dos professores (Sexo, faixa etária, grau de instrução e tempo de atuação na educação).

Dentre os docentes entrevistados, 38% são do sexo masculino e 62% são do sexo feminino, evidenciando que as mulheres vem avançando cada vez mais nas políticas públicas de ensino e estando mais atuantes em relação as temáticas ambientais.

Referente a faixa etária (Figura 1), 51% dos entrevistados estão na faixa de 21 a 30 anos, 27% estão na faixa de 31 a 40 anos e 22% estão na faixa acima de 40 anos. É relevante notar que a maioria dos professores são bastante jovens e isso demonstra grande potencial das escolas em adotar metodologias inovadoras e recursos tecnológicos nas práticas de educação ambiental.

Figura 1 - Faixa Etária.

Fonte: Próprio autor.

O grau de instrução dos professores entrevistados (Figura 2), mostra que 13% dos entrevistados possuem nível superior incompleto, 54% dos professores nivel superior completo, 31% possuem pós-graduação Latu-Sensu e apenas 2% dos professores entrevistados tem mestrado. Estes dados mostram que 87% dos docentes possuem nível superior, e isso demonstra que os eles estão cada vez mais procurando se aperfeiçoar e melhorar seus conhecimentos e prática docente.

Figura 2 - Grau de Instrução.

Fonte: Próprio autor.

Na Figura 3, foi evidenciado o tempo de atuação dos professores na área da educação. Observa-se que apenas 4% dos professores entrevistados atuam na educação há menos de um ano, 29% dos professores entrevistados atuam entre 1 a 5 anos, 36% atuam de 6 a 10 anos, e 31% atuam há mais de 10 anos. Portanto são professores já com experiência razoável em docência, embora sejam jovens.

Figura 3 - Tempo de Atuação na Educação.

Fonte: Próprio autor.

4.2 Diagnóstico sobre a Educação Ambiental nas escolas estudadas (Professores)

4.2.1 O conceito de Educação Ambiental

Perguntou-se aos professores entrevistados se os mesmos sabiam o conceito de Educação Ambiental. Todos os professores responderam que sim (100%). Dos quais responderam que a Educação Ambiental faz parte da formação do cidadão como indivíduo, do meio em que vivem, se relacionando e preservando o meio ambiente.

Abaixo seguem alguns trechos de respostas dos professores:

É onde se desperta a consciência de que o ser humano é parte do meio e por isso tem que preservá-lo.” (Professor 1).

Os valores, atitudes que o individuo constroem em prol da conservação do meio ambiente.” (Professor 5).

É toda ação educativa que contribui para a formação de cidadãos conscientes de preservação do meio ambiente.” (Professor 16).

Compreender as alterações provocadas ao meio ambiente ao mesmo tempo, em que se busca a compreensão conscientização e preservação de nosso meio.” (Professor 23).

4.2.2 O conceito de Desenvolvimento Sustentável

Perguntou-se aos professores se os mesmos sabiam o conceito de Desenvolvimento Sustentável, e 100% deles responderam que sim. De forma geral os professores responderam que o desenvolvimento sustentável é algo que deverá atender as necessidades atuais sem prejudicar as necessidades das futuras gerações, cuidando e preservando o meio ambiente.

Abaixo seguem alguns trechos de respostas dos professores:

Onde se obtém crescimento econômico necessário, garantindo a preservação do meio ambiente e o desenvolvimento social para o presente e as futuras gerações.” (Professor 1).

Trabalhar bem com o que é produzido, fazendo uso, reuso e aproveitando ao máximo as condições naturais.” (Professor 2).

Desenvolvimento do meio, utilizando produtos renováveis da natureza sem prejudicar o homem.” (Professor 5).

Reaproveitamento de materiais, mas quais ocorrem lucros financeiros e um ambiente mais limpo.” (Professor 7).

É o desenvolvimento no qual pode-se utilizar os recursos naturais, sem comprometer a capacidade das futuras gerações.” (Professor 16).

4.2.3 Temas abordados nos projetos de Educação Ambiental

Quando questionados sobre quais os temas são abordados nos projetos na área ambiental (Figura 4), os professores tinham a opção de marcar mais de uma resposta. A opção com maior percentual foi o tema resíduos sólidos com 20%, seguido por recursos hídricos com 19%, a poluição com 18%, o aquecimento global com 16%, a arborização 14% e o tema com menor percentual foi saúde pública com 13%, que engloba assuntos como doenças de veiculação hídrica, dentre outros.

Estes dados mostram que as escolas precisam trabalhar mais os temas relacionados à saúde publica, especialmente pelo fato de que o país está vivenciando um período crítico em relação a doenças como a dengue, febre chikungunya e zyca. Embora os demais temas sejam extremamente relevantes e que devem continuar sendo abordados.

Figura 4 - Quais temas são abordados nos projetos na área ambiental.

Fonte: Próprio autor.

4.2.4 Frequência em que os temas ambientais são trabalhados na escola

A Figura 5 mostra a frequência com que as escolas em estudo trabalham os temas ambientais. Os professores responderam que a maior frequência trabalhada é semanalmente com 40%, seguindo por mensalmente com 27%, quinzenalmente 15%, seguido por uma parcela mínima diariamente e bimestralmente 9%. Isso demonstra que a educação ambiental ainda não é trabalhada de forma transdisciplinar. Os temas são abordados de forma isolada em dias específicos, embora sejam trabalhados de maneira constante nas escolas estudadas.

Figura 5 - Com qual frequência trabalha temas ambientais.

Fonte: Próprio autor.

4.2.5 Metodologias utilizadas nas práticas de educação ambiental

Sobre as metodologias utilizadas para trabalhar a educação ambiental, os professores responderam que a aula expositiva seria a maior adotada com 43%, seguida por atividades lúdicas com 22%, visitas de campo com 14%, palestra com 11% e oficinas 10% sendo a menor metodologia aplicada, conforme Figura 6.

Foi detectada que a aula expositiva é a prática mais aplicada pelos professores, pois os livros didáticos abordam temas ambientais em seu conteúdo. Entretanto, pode-se enfatizar que as demais metodologias, visitas a campo e oficinas, são fundamentais para o ensino e aprendizagem dos alunos, uma vez que possuem caráter prático e são integradas com a realidade.

Figura 6 - Você utiliza qual metodologia para trabalhar a Educação Ambiental.

Fonte: Próprio autor.

Rodrigues e Colesanti (2008) afirmam que nas sociedades contemporâneas a tecnologia vai ocupando cada vez mais um lugar de destaque na organização das práticas sociais. Portanto, as instituições de ensino precisam se adaptar a essa nova dinâmica através da inclusão de recursos tecnológicos que permitam a aprendizagem ativa dos discentes.

Para que as escolas não se tornem obsoletas como instituições de socialização, Belloni (2001) adverte sobre a necessidade urgente da integração das novas tecnologias de informação e comunicação.

Evidencia-se nessa pesquisa, no entanto, que embora os professores entrevistados sejam bastante jovens e tenham acesso constante a novas tecnologias, ainda não utilizam esses recursos nas suas práticas de educação ambiental.

4.2.6 Participação dos alunos nas atividades de educação ambiental na visão dos professores

Sobre a participação dos alunos nas atividades de educação ambiental propostas pela escola (Figura 7), 7% consideram excelente, 56% dos professores consideram boa, 24% considera ótima e 13% razoável.

Os dados mostram que os alunos se envolvem com a temática, porém esta participação pode ser ainda melhor, se os professores começarem a inovar suas atividades utilizando tecnologias digitais como produção de vídeos, fóruns, blogs e comunidades nas redes sociais, já que a web faz parte do cotidiano dos alunos.

Figura 7 - Como você avalia a participação dos alunos á respeito das atividades de Educação Ambiental.

Fonte: Próprio autor.

Rodrigues e Colesanti (2008) sugerem o uso de hipermídia para a identificação dos problemas ambientais durante o processo de sensibilização dos alunos. O uso das novas tecnologias de comunicação como ferramenta para a Educação Ambiental representa um avanço no ensino emancipatório dos sujeitos. Entretanto, a inclusão dos recursos tecnológicos deve ser integrada a um processo de reflexão.

4.2.7 Temas ambientais abordados nos livros didáticos

Foi questionado aos docentes se nos livros didáticos das referidas disciplinas de Ciências e Geografia eram abordados temas ambientais, e 100% dos professores participantes da pesquisa responderam que sim, isso mostra que os materiais didáticos trabalham os conteúdos de educação ambiental de forma multidisciplinar, devendo ser uma realidade no cotidiano dos alunos no espaço escolar.

4.2.8 Maiores dificuldades para executar atividades de educação ambiental na escola

Sobre as maiores dificuldades encontradas para executar ações de educação ambiental na escola (Figura 8), 42% dos professores responderam que o maior ponto desfavorável seria a falta de material didático, pois ressaltam a falta de livros paradidáticos, filmes e revistas com a temática e material de apoio para oficinas.

A falta de interesse dos alunos foi citada por 27% dos professores como a maior dificuldade. Porém quando relacionamos ao item 4.2.6, onde os professores avaliam a participação discente percebe-se que os professores se contradizem, já que das respostas citadas apenas 13% dizem que a participação dos alunos é razoável e o restante, 87 % estão entre boa, ótima e excelente.

As condições ambientais desfavoráveis foram citadas por 27% dos professores, dos quais os professores ressaltaram que seria a falta de transporte para aulas prática e visitas técnicas, e a falta de apoio da escola em geral foi citada por 4% dos professores entrevistados.

Figura 8 - Quais são as maiores dificuldades para executar atividades de Educação Ambiental na Escola.

Fonte: Próprio autor.

Durante as visitas em algumas das escolas pesquisadas observou-se a falta de espaços físicos como áreas arborizadas e praças internas, que poderiam contribuir para uma maior interação dos alunos com as temáticas ambientais, onde o professor pudesse desenvolver atividades fora da sala de aula.

4.3 Diagnóstico sobre a Educação Ambiental nas escolas estudadas (Gestores)

Nas entrevistas com o núcleo gestor sobre o diagnóstico da educação ambiental na escola foram feitos os seguintes questionamentos:

  1. A temática ambiental é tratada no Projeto Político Pedagógico – PPP?

Os gestores de algumas escolas responderam que PPP está em processo de reformulação e que irão ter o cuidado de inserir a temática ambiental como um dos pontos a serem trabalhos pela escola. Outras escolas responderam que no PPP estão previstos projetos sobre resíduos sólidos, uso consciente da água e energia, arborização, horta na escola, herbário, jardim ecológico, minhocário e semana do meio ambiente.

  1. Você tem interesse na aplicação de ações com o tema educação ambiental? quais?

Os gestores responderam que tem sim interesse que algumas ações que fossem trabalhas com mais intensidade, pois ajudariam os alunos a mudarem os hábitos. Os temas seriam: arborização, plantas medicinais, o desperdício de alimentos, o cultivo de hortas e mandalas.

iii) Quais os projetos, programas e ações são desenvolvidos sobre educação ambiental na escola?

Os gestores responderam que existem algumas ações pontuais e projetos como o combate a dengue, horta na escola, consumo consciente da água, e energia.

iv) Os alunos da escola participam de eventos ligados a temática ambiental?

Os gestores responderam que sim, dos quais citaram visitas de campo ao banco de mudas, a Embrapa caprinos, ao aterro sanitário, a comunidade da qual a escola está inserida para sensibilização dos moradores no combate a dengue e estações de tratamento de água.

Participam de atividades como palestras e oficinas realizadas por instituições parceiras como Universidade Vale do Acaraú – UVA, Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologia – IFCE, Autarquia Municipal de Meio Ambiente – AMMA, Banco de Mudas, Secretaria de Saúde, Secretária de Agricultura e Secretaria de Obras.

  1. CONCLUSÕES

Trabalhar com a Educação Ambiental no contexto escolar é um desafio que exige ousadia e criatividade, tendo em vista a interdisciplinalidade desse tema. Alunos sensibilizados tornam-se sujeitos ativos capazes de identificar e solucionar problemas ambientais, dentro do seu contexto social.

A partir dos dados obtidos dessa pesquisa, constatou-se que professores tem boa percepção e interpretação no que diz respeito à temática ambiental. Os resultados mostram que as escolas deverão trabalhar mais os temas relacionados à saúde pública que está diretamente ligada as questões ambientais, mas sem deixar de executar os demais temas.

Foi identificada a falta material como, livros paradidáticos, filmes e revistas com a temática, material de apoio para oficinas, os professores também levam em consideração a falta de transporte para aulas de campo. Este fato pode ser justificado pelo o momento econômico no país, em que todos os setores das instituições públicas sofreram contingenciamento e tendo que reduzir gastos.

Quanto a principal forma de desenvolver atividades com a temática ambiental estão as aulas expositivas levando em consideração os assuntos contidos no livro didático. Foi detectado que os professores precisam trabalhar de forma mais prática as temáticas ambientais e utilizar novos recursos como as tecnologias digitais, que já fazem parte da rotina dos alunos, e isto fará com que os mesmos se sintam motivados e desafiados a ler, pesquisar e divulgar práticas sustentáveis dentro e fora da escola.

Diante do desenvolvimento das novas tecnologias da informação e comunicação, as escolas precisam adotar novas estratégicas educacionais. Portanto, o uso de recursos tecnológicos durante o processo de aprendizagem, principalmente relacionados a temática ambiental, consiste em uma ferramenta potencial no processo de sensibilização dos discentes.

  1. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BELLONI, Maria Luiza. Educação à Distância. 2. ed. Campinas: Autores Associados, 2001.

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado, 1988.

BRASIL. MINISTERIO DA EDUCAÇÃO. SECRETARIA DE EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL. Parâmetros curriculares nacionais: meio ambiente: saúde / Ministério da Educação. Secretaria da Educação Fundamental. – 3.ed, - Brasília: A secretaria, 2001. 128.: il.; 16x23cm.

BRASIL. Lei 9.795, de 27.04.1999. Dispõe sobre Educação Ambiental e institui a Política Nacional de Educação Ambiental, e dá outras providências. DOU 28.04.1999.

FELIZOLA, M.P.M Projetos de Educação Ambiental nas Escolas Municipais de Aracaju/ SE . 2007. 87 f. Dissertação (Dissertação de Mestrado) Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, 1995. Disponível em http://200.17.141.110/pos/prodema/files/dis07/MATHEUSFELIZOLA.pdf Acesso em 05/04/2016.

IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo 2010.

JACOBI, P. Movimentos Sociais e Política Pública, São Paulo, Cortez, 1989.

LEFF, E. Saber Ambiental: Sustentabilidade, racionalidade, complexidade, poder.

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MOREIRA, P.A.A.M Educação Ambiental na Escola: A realidade do setor público e privado – Estudo de caso.Universidade Católica de Goiás, Goiânia, 2008. Disponível em: <http://www.ucg.br/ucg/prope/cpgss/ArquivosUpload/36/file/EDUCA%C3%87%C3%83O%20AMBIENTAL%20NA%20ESCOLA%20-%20A%20REALIDADE%20DO%20SETOR%20P%C3%9ABLICO%20E%20PRIVADO%20-%20ESTUDO%20DE%20CASO.pdf>. Acesso em 22/05/2016

RODRIGUES, Gelze Serrat de Souza Campos Rodrigues; COLESANTI, Marlene T. de Muno. Educação ambiental e as novas tecnologias de informação e comunicação. Sociedade & Natureza, Uberlândia, 20 (1): 51-66, jun. 2008. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/sn/v20n1/a03v20n1>. Acesso em 22/05/2016.

SATO, Michéle. Educação Ambiental. São Paulo: RiMa, 2004.



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