ISSN 1678-0701
Número 62, Ano XVI.
Dezembro/2017-Fevereiro/2018.
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Relatos de Experiências

02/02/2018A IMPORTÂNCIA DOS ZOOLÓGICOS NO DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL: UMA AVALIAÇÃO COMPORTAMENTAL DO TAMANDUÁ MIRIM (TAMANDUA TETRADACTYLA)  
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A importância dos Zoológicos no desenvolvimento da Educação Ambiental: Uma avaliação comportamental do Tamanduá Mirim (Tamandua tetradactyla)

Autores: Cíntia Cleub Neves Batista

Graduada em Zootecnia – CCA/UFPB

Tel: 83 99655-0260

E-mail: cintiacleub@hotmail.com

Gabrielle Diniz dos Santos

Bacharel em Ecologia – CCAE/UFPB

Tel: 83 98725-6987

E-mail: gabrielledsantos90@gmail.com

Ingrid Almeida da Silva

Bacharel em Ecologia - CCAE/UFPB

Tel.:83 99849-8969

E-mail: ingridizinha.almeida@gmail.com

Raquel Cruz de França Eiras

Bacharel em Ecologia – CCAE/UFPB

Tel.: 83 98864-4579

E-mail: raquel.eirass@gmail.com

Gil Dutra Furtado

Doutor em Psicobiologia/UFRN

Eng. Agrônomo - CREA - 6867 - D

Tel: 83 988862694

gdfurtado@hotmail.com

RESUMO

Os Zoológicos são ambientes favoráveis para a realização de atividades de educação ambiental, podendo suprir as necessidades existentes nos ambientes formais de educação. Para o estudo do comportamento animal não é diferente, esses ambientes são de extrema relevância e contribui significativamente para formação e educação. Sendo assim, o presente estudo teve como objetivo relatar a atividade de observação do comportamento do Tamanduá Mirim (Tamandua tetradactyla) no Parque Zoobotânico Arruda Câmara (Bica), levando em consideração o ambiente de confinamento ao qual os indivíduos estão submetidos.

Palavras-Chave: Educação Ambiental; Zoológico; Comportamento Animal

ABSTRACT

Zoos are favorable environments for carrying out environmental education activities, and can be considered as existing needs in the formal states of education. For the study of animal behavior is no different, these environments has extreme relevance and contribution to professional formation and education. Therefore, the objective of the present study was to report an activity of observation of the behavior of Tamanduá Mirim (Tamandua tetradactyla) in Zoobotanical Park Arruda Câmara (Bica), taking into account the environment of confinement to the middle of the patrimony.

Keywords: Environmental Education; Zoo;  Animal Behavior

  1. Introdução

De acordo com Jacobi (2003), devemos considerar a Educação Ambiental como um processo de constante aprendizagem que não deve desvalorizar as diferentes formas de conhecimento.

Apesar das discussões em torno da existência dos zoológicos, os mesmos tornam-se ambientes favoráveis para a realização de ações de Educação Ambiental, por proporcionar uma experiência mais motivadora aos visitantes, através da  observação de espécies que não fazem parte do seu cotidiano (BARRETO, 2009).

No sentido da conservação da espécie, bem como da promoção da educação ambiental, os zoológicos se inserem como um importante meio de desenvolver e tornar público essas ações. Geralmente os indivíduos que chegam a esses locais foram vítimas de alguma ameaça e por não terem mais condições físicas de retornarem ao habitat de origem, são levados a zoológicos, onde são tratados para posteriormente tornarem-se um atrativo para visitantantes (CATAPANI, 2014).

Os zoológicos  tornam-se espaços que suprem as carências existentes nos ambientes de educação formal, através da educação não-formal; o que acaba facilitando a compreensão de diversas abordagens teóricas, de temas como preservação ambiental e conservação da fauna silvestre, através da vivência e observação (VIEIRA, 2005).Sendo assim, os mesmos podem ser grandes aliados do que diz respeito à vivência  do estudo do comportamento animal, por disponibilizar o ambiente favorável para observação das espécies.  

De acordo com Snowdow (1999), o comportamento representa a parte de um organismo através da qual ele se relaciona com o ambiente, ou seja, suas relações ecológicas e fisiológicas com o meio em que estão inseridos.

O estudo do comportamento animal, por sua vez, é de grande valia em diversas áreas do conhecimento, por contribuir para estudos de comportamento humano; por fornecer informações para o manejo do meio ambiente e dos recursos naturais, dando até mesmo indícios de degradação ambiental; especialmente por auxiliar na formação e educação de futuros cientistas; dentre outras colaborações (SNOWDON, 1999).

Sendo assim, o presente estudo é um relato das atividades  desenvolvidas em campo, que teve como objetivo observar e compreender as diferentes formas de comportamento apresentadas pelos animais do Parque Zoobotânico Arruda Câmara (Bica), especificamente a espécie Tamanduá Mirim (Tamandua tetradactyla), discutindo a partir daí, sobre como o meio afeta as interações entre eles e suas características fisiológicas.

2. METODOLOGIA

2.1 Área de estudo

O Parque Zoobotânico Arruda Câmara ou Bica (Figura 1) como é popularmente conhecido, está localizado no bairro do Roger na cidade de João Pessoa. Este possui 26,4 hectares de área, e foi inaugurado no ano de 1922, desde então o parque vem passando por diversas reformas com o intuito de garantir uma melhor estrutura, que atenda  tanto ao conforto dos visitantes, como condições mais adequadas de sobrevivência para os animais e plantas que ali estão.

O Zoológico da Bica possui 93 espécies e 512 animais divididos em 52 espécies e 130 indivíduos de aves, 19 espécies e 60 indivíduos de mamíferos e 22 espécies e 322 indivíduos de répteis. No total, 92,5% das espécies são da fauna brasileira, enquanto que, apenas 7,5% são da fauna exótica (dados da instituição). O parque conta também com trabalhos que objetivam a conservação, reprodução e bem estar dos animais, sendo assim conta com equipe de profissionais especializados, biólogos, veterinários, zootecnistas e tratadores que realizam o manejo e manutenção dos recintos dos mesmos.

Figura  1. Entrada do Parque Zoobotânico Arruda Câmara, Roger-PB.

Fonte: Google Earth.

2.2 Metodologia de observação comportamental

Na avaliação comportamental foi utilizado o método de observação animal focal, onde durante uma hora foram anotados todos os movimentos da espécie Tamanduá Mirim (Tamandua tetradactyla) e sua interação com os demais animais presentes no mesmo recinto. Foi observado também o comportamento dos animais diante da visita do público. Foram feitos registros fotográficos de 10 em 10 minutos, para posterior estudo e compreensão dos comportamentos apresentados.

3.  RESULTADOS

No parque há dois exemplares da espécie, os mesmos vivem em interação com mais duas espécies, o Macaco da noite (Aotus trivirgatus), que possui hábito noturno e solitário; e o Mico-leão-de-cara-dourado (Leotopithecus chrysomelas), que possui hábitos diurnos e vivem naturalmente em bandos, mas no parque só há um indivíduo, que por sua vez, busca sempre ficar longe da visibilidade de todos (Figura 2).

Figura 2 .  Placa de identificação das espécies

Fonte: Acervo dos autores

A observação comportamental do Tamanduá Mirim, foi realizada por um período de 60 minutos consecutivos, tendo início às 12:08h e término às 13:08 precisamente, ao iniciar a observação percebeu-se que chegando ao recinto, os visitantes do parque visualizam primeiramente os Tamanduás, pois na maioria das vezes eles estão escalando a grade de proteção, possivelmente por ser uma espécie de hábito arborícola, costumando também forragear pelo solo (RODRIGUES et al, 2003).

No início da observação apenas um dos indivíduos estava visível, o qual foi identificado como indivíduo 1, em função da espécie não possuir dimorfismo sexual evidente, embora as fêmeas comumente apresentem corpos menos robustos (MIRANDA, 2004). Durante as observações foi possível identificar que o primeiro indivíduo possuía um porte maior que o segundo, bem como a cor da pelagem diferenciada com tons um pouco mais claros, contudo, não foi possível determinar o sexo de ambos.

O indivíduo 1 encontrava-se na grade, e permaneceu neste local durante a maior parte do período observado, descansando em determinados momentos sobre o muro do recinto, enquanto o indivíduo 2 permaneceu grande parte do tempo fora da visão dos visitantes. Existem poucos estudos relacionados ao padrão de atividades dessa espécie, variando de acordo com o local onde foram realizados, na região da Serra da Mesa - Brasil, foi considerado predominantemente noturno (RODRIGUES & MARINHO – FILHO, 2001) já no Pantanal das Llenas na Venezuela, classificado como diurno, noturno ou crepuscular (MONTGOMERY, 1985), o que de acordo com Lubin (1983), pode estar relacionado com a disponibilidade e qualidade do alimento. O deslocamento pelas telas do recinto, se dá devido a suas adaptações corporais, especialmente as garras presentes nas patas dianteiras e a sua cauda preênsil, o qual também está relacionado ao seu hábito arborícola.

Outro comportamento observado no tamanduá (indivíduo 1), foi o ato de mexer as folhas presentes no teto com o auxílio da língua, buscando capturar os insetos presentes no local, percorrendo a tela superior do recinto com o auxílio das garras e cauda e algumas vezes repousando sobre o muro.

O mesmo indivíduo, em um dado momento seguiu em direção ao solo não mais pela grade, mas escorregando pelo tronco existente no local, utilizando o punho das patas dianteiras, e com a parte ventral rente ao tronco (Figura 3), seguindo até a vasilha onde contém alimento. Após se alimentar, o tamanduá (indivíduo 1) deixou local e seguiu para forragear a tela superior novamente, repousando em seguida sobre o muro do recinto.

Figura 3. Indivíduo 1

Fonte: Acervo dos autores.

Após cerca de meia hora de observação, o indivíduo 2, deixou o interior de um dos troncos e passou a forragear no entorno deste local, e em seguida foi possível observar o Macaco da noite (Aotus trivirgatus), ambos estavam dividindo o mesmo espaço, um hábito um tanto incomum, visto que ambas as espécies possuem hábitos solitários.

Após finalizar o forrageio o tamanduá (indivíduo 2) seguiu para a vasilha de comida, não se detendo tanto seguiu ao mesmo local que o outro tamanduá (indivíduo 1) encontrava-se. Apesar de possuir hábito solitário, atos agonísticos ocorrem ocasionalmente, porém pouco se sabe a motivação desse tipo de comportamento (MADRI E MOURÃO, 2010), o qual, aparentemente, não ocorre no recinto observado pois, juntos no mesmo local, os tamanduás passam um pelo outro tranquilamente (Figura 4).