ISSN 1678-0701
Número 62, Ano XVI.
Dezembro/2017-Fevereiro/2018.
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31/01/2018A MOBILIZAÇÃO DA JUVENTUDE AO REDOR DAS QUESTÕES SOCIOAMBIENTAIS: CONSTRUINDO UMA COMUNIDADE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM SOBRE MEIO AMBIENTE  
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A MOBILIZAÇÃO DA JUVENTUDE AO REDOR DAS QUESTÕES SOCIOAMBIENTAIS: CONSTRUINDO UMA COMUNIDADE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM SOBRE MEIO AMBIENTE

Carlos Jorge da Silva Correia1, Anamelea de Campos Pinto2

1 Licenciado em Ciências Biológicas, mestre em Ensino de Ciências e Matemática. Biólogo do Museu de História Natural da Universidade Federal de Alagoas e professor de Ciências e Biologia da rede estadual de ensino de Alagoas, carloscorreia1986@gmail.com.

2 Doutora em Educação. Professora dos Programas de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática (PPGECIM) e em Educação (PPGE), ambos da Universidade Federal de Alagoas, anamelea@gmail.com.

Resumo: Este artigo discute a mobilização da juventude ao redor das questões socioambientais com base no processo de construção de uma comunidade virtual de aprendizagem sobre meio ambiente realizado no contexto de uma pesquisa-ação que articulou os campos do Ensino de Ciências e da Educação Ambiental a partir de Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC). Trata-se de um estudo descritivo quanto aos seus objetivos, pois busca descrever as características do fenômeno estudado por meio de técnicas padronizadas de coleta de dados, tais como o questionário e a observação sistemática. Dentre os resultados alcançados, destaca-se a constituição de uma comunidade virtual de aprendizagem sobre meio ambiente na rede social Facebook que reuniu 26 jovens. A caracterização dos sujeitos da pesquisa se deu a partir de interações realizadas já no contexto da referida comunidade e aponta para jovens urbanos, estudantes do ensino médio, com predominância de mulheres no grupo. Quanto às expectativas que foram responsáveis pela adesão desses jovens à proposta de integrar a comunidade virtual de aprendizagem, verifica-se que obter mais conhecimentos sobre meio ambiente foi o que mais os interessou, seguido da oportunidade de compartilhar informações sobre meio ambiente em um grupo e da possibilidade de ajudar a melhorar a cidade, esta última razão tendo sido apontada com menor frequência. Por fim, argumenta-se que o virtual nada mais é que um transbordamento do real e que, por isso mesmo, os usos das TIC na educação não podem perder de vista a importância do encontro, dos momentos de convívio e compartilhamento de conceitos e afetos.

Palavras-chave: Educação Ambiental. Ensino de Ciências. Jovens estudantes. Redes sociais. TIC.

Abstract: This article discusses the mobilization of youth around environmental issues based on a process of building a virtual community of learning about the environment carried out in the context of an action research that articulated the fields of Science Teaching and Environmental Education by Information and Communication Technologies (ICT). This is a descriptive study, as it seeks to describe the characteristics of the phenomenon studied through standardized data collection techniques, such as the questionnaire and systematic observation. Among the results achieved, we highlight the creation of a virtual community of learning about the environment in the social network Facebook that brought together 26 young people. The characterization of the subjects of the research was based on interactions already carried out in the context of community like urban youngsters, high school students, with predominance of women in the group. Regarding the expectations that were responsible for the adhesion of these young people to the proposal to integrate the virtual learning community, it is verified that getting more knowledge about the environment was what the most interested them, followed by the opportunity to share information about the environment in a group and the possibility of helping to improve the city, the latter reason having been pointed out less frequently. Finally, it is argued that the virtual is nothing more than an overflow of the real and that, for this reason, the uses of ICT in education cannot lose sight of the importance of meeting, moments of socializing and sharing of concepts and affections.

Keywords: Environmental Education. Science Teaching. Young students. Social networks. ICT.

1 Introdução

Este artigo apresenta resultados de um processo de pesquisa-ação que buscou refletir sobre como a crescente oferta de ferramentas de comunicação que a internet disponibiliza às pessoas pode ampliar as práticas de Educação Ambiental no contexto do Ensino de Ciências para as redes sociais. Parte-se do pressuposto de que tecnologia e a educação são dimensões importantes na sociedade em que vivemos, principalmente quando estão articuladas, pois como sabemos, no presente, as tecnologias digitais que constituem o ciberespaço têm ampliado as nossas experiências vivenciais a partir do convívio com outras pessoas não mais restritas às dimensões geográficas de antes.

Exemplo desse fenômeno são as redes sociais como o Facebook, que se constituem atualmente em espaços de diálogo de saberes ligados a assuntos variados. Nessas redes sociais, novos tipos de sociabilidade estão surgindo e, muitas vezes, promovem grupos e comunidades que reúnem indivíduos interessados em discutir temas dos mais variados tipos, que vão de assuntos específicos até questões mais abrangentes. Nesse sentido, acreditamos ser oportuno reconhecer que o ciberespaço tem sido palco de movimentos autorais importantes, o que se dá atualmente diante da emergência de processos de participação inovadores que têm nas redes sociais a sua principal plataforma.

Por isso, elegemos, nos cenários da pesquisa de mestrado de um dos autores deste artigo, a necessidade de refletir sobre como esses aspectos podem nutrir os horizontes da Educação Ambiental e do Ensino de Ciências, ao tempo em que nos colocamos como problema de investigação a seguinte questão: como mobilizar o interesse que os jovens têm pelas redes sociais a favor do envolvimento deles em discussões online sobre as questões socioambientais de nosso tempo?

Obviamente, quando falamos em mobilização precisamos ter em vista quem queremos mobilizar e o quê usaremos/faremos para atingir este objetivo. No caso deste trabalho, buscaremos descrever alguns percursos que trilhamos dentro da referida pesquisa de mestrado a partir da proposta de engajar jovens estudantes em torno de discussões sobre questões socioambientais tendo por base a constituição de uma comunidade virtual de aprendizagem na rede social Facebook, onde debates sobre a situação ambiental foram promovidos através de tecnologias digitais.

2 A mobilização da juventude ao redor das questões socioambientais

Para além do senso comum, que compreende os termos “jovem” e “juventude” de forma muito semelhante, buscaremos discorrer neste tópico sobre como uma melhor diferenciação entre estas noções se aplica ao entendimento das expectativas que a sociedade geralmente deposita na juventude no sentido da superação dos desafios levantados pela temática socioambiental. Isto porque entendemos que há todo um constructo ao redor dessas categorias, como bem nos alerta Bourdieu (2002), ao afirmar que a juventude não é algo dado, mas construído socialmente.

De início, queremos situar que a noção de juventude como moratória (MARGULIS e URRESTI, 1996) nos ajuda a entender este período enquanto uma fase da vida que corresponde ao tempo dado aos sujeitos jovens para se preparem para a vida adulta. Aqui, podemos ressaltar que socialmente são construídas expectativas em relação aos jovens, que têm o “privilégio” de viver essa etapa como um período de gestação da vida adulta. Contudo, não podemos deixar de pensar que nem todos os jovens vivem a juventude da mesma forma. Portanto, é fundamental evitarmos a superposição indevida entre fase de vida (juventude) e sujeitos concretos (jovens).

Para Sposito e Carrano (2003, p. 17) outra distinção igualmente importante é “entre a condição (modo como uma sociedade constitui e significa esse momento do ciclo de vida) e a situação juvenil que traduz os diferentes percursos que esta condição experimenta (a partir dos mais diversos recortes: classe, gênero e etnia)”. A noção de juventude como moratória, por exemplo, faz sentido apenas no contexto dos filhos da classe média que possuem a infraestrutura social e familiar que lhes permitem corresponder às expectativas de preparação para a vida adulta que são criadas ao seu redor. Para a grande maioria, contudo, em um país como o Brasil, ser jovem não é e nunca foi uma trégua. É, muitas vezes, a batalha principal.

Por outro lado, se os desafios são diferentes, a intensidade como se vive este momento é muito semelhante. Se alguns jovens se veem diante da necessidade de conseguirem aprovação no vestibular para dar sequência às expectativas que as suas famílias depositam em suas trajetórias, outros jovens vivem frequentemente o inverso da ausência de expectativas, a negação precoce de perspectivas de futuro. Portanto, falar de juventude como sendo um grupo social definido e único, organizado com base apenas em faixas de idade é, definitivamente, uma manipulação da realidade (PAIS, 2003). Imersos nestas reflexões sobre todos esses aspectos e muitos outros que constituem a condição de ser e estar jovem no mundo de hoje, perguntamos: Como considerar as culturas juvenis na escola? Como ensinar para esses jovens e aprender com eles ao mesmo tempo?

De fato, estamos interessados em pensar sobre isto, já que nos colocamos, neste trabalho, na fronteira entre a escola e as redes sociais para refletir sobre o potencial de mobilização das questões socioambientais no universo da juventude conectada do presente. De alguma forma, cremos que esta abertura e interesse de pesquisa foi um gesto pensado, ainda que não anteriormente consciente, de aprender,com os jovens, formas insuspeitas de entender e agir em relação a temas importantes para a coletividade. Contudo, esta não é a disposição que predomina na maioria dos projetos que se dedicam a efetivar políticas públicas para a juventude. De acordo com Abramo (2007), o que existe normalmente são projetos que entendem os sujeitos jovens como problemas para os quais é necessário criar estratégias de contenção do risco real ou potencial que representariam para a sociedade. O contrário, uma abordagem da juventude como protagonista, existe, mas são exceções à regra, como bem assinala a autora (ABRAMO, 2007, p. 76):

é necessário assinalar que há exceções, por exemplo, aqueles projetos que se baseiam na ideia de protagonismo juvenil (ou seja, que buscam desenvolver atividades centradas na noção de que os jovens são colaboradores e partícipes nos processos educativos que com eles se desenvolvem), mas a grande maioria dos projetos se limita ao enquadramento anterior.

Reiteramos, portanto, que esta é a forma como concebemos os jovens ao longo desta dissertação, pois consideramos que eles têm sim o que dizer a respeito de questões importantes do nosso tempo. Segundo Pais (2003, p. 41):

na sociedade contemporânea, os jovens revelam e reclamam uma capacidade de intervenção, decisão e influência em numerosos domínios nos quais ditam modos de comportamento. Grupo historicamente avaliado pelo que dos seus elementos se esperava quanto aos papéis a desempenhar no mundo adulto, os jovens conseguiram inverter relativamente essa situação em benefício próprio, difundindo, por sua vez, gostos, ideias e modos de conduta a outros grupos de idade (difusão facilitada pelo passado juvenil dos jovens adultos).

Parece-nos crucial para entendermos os jovens na sociedade contemporânea estarmos dispostos a aprender com as culturas juvenis. De acordo com Feixa (1999, p. 84), a noção de culturas juvenis “se refere à maneira pela qual as experiências sociais dos jovens são expressadas coletivamente mediante a construção de estilos de vida distintos, localizados fundamentalmente no tempo livre, ou em espaços intersticiais da vida institucional”. Nesta direção, Goedert (2005) analisa como as culturas juvenis acabam por “ensinar” a escola no sentido de o currículo da disciplina de Educação Física ser influenciado pelos interesses esportivos dos próprios jovens. Isto nos pareceu um exemplo bem peculiar de como a escola pode “aprender” com as culturas juvenis sem, contudo, deixar de problematizar até que ponto essa mão dupla do conhecimento realmente é dupla ou unilateral, unilateralidade que deve ser evitada em qualquer caso, seja quando apenas o professor ensina, seja quando apenas as culturas juvenis se impõem. O equilíbrio dinâmico das trocas de saberes entre os diferentes sujeitos que compõem a comunidade escolar sem dúvida alguma é o melhor caminho a seguir.

Acreditamos que podemos levar a sério essas reflexões sobre a juventude ao considerarmos os diferentes contextos nos quais se engendram as condições juvenis na contemporaneidade. No caso desta pesquisa, por exemplo, a tradução que fizemos de todas essas problematizações acerca dos jovens no presente desembocam irremediavelmente em nosso interesse de saber se a estes sujeitos lhes importam se ocupar das consequências da crise socioambiental e se elas afetam as perspectivas de futuro que eles estão construindo ou não. Que nós, os adultos, acreditamos que o meio ambiente é um tema que deva interessar aos jovens isso é inegável. Inclusive, desde muito cedo nos percursos do movimento ambientalista esta correlação foi estabelecida. Contudo, nunca é demais se perguntar de que forma a questão socioambiental é ressignificada pelos jovens no contexto da juventude que levam.

No capítulo 25, da Resolução nº 44/228 da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), de 22 de dezembro de 1989, já está demarcado que “a participação da juventude atual na tomada de decisões sobre meio ambiente e desenvolvimento e na implementação de programas é decisiva para o sucesso em longo prazo da Agenda 21” (ONU, 1995, p. 369). A aposta sempre foi muito alta nos jovens ao ponto mesmo de condicionarem a eles o sucesso da Agenda 21, um dos principais avanços da Conferência das Nações sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento realizada no Rio de Janeiro, em 1992.

De lá para cá, outras políticas públicas foram sendo implementadas sempre em nome desta associação entre juventude e ambientalismo. No Brasil, tivemos desde 2003 até hoje a realização de quatro conferências nacionais voltadas para a mobilização da juventude ao redor de questões ambientais e os dados oficiais destes encontros nos dão conta de que estes temas encontram, de fato, alguma repercussão entre crianças e jovens. De acordo com o Ministério da Educação do Brasil:

a primeira edição, em 2003, envolveu 15.452 escolas e mobilizou 5.658.877 pessoas em 3.461 municípios em todo o país; a II Conferência, em 2005/2006 atingiu 11.475 escolas e comunidades e 3.801.055 pessoas em 2.865 municípios. A III CNIJMA, em 2008/2009, aconteceu em 11.631 escolas, envolvendo mais de 3,7 milhões de participantes em 2.828 municípios, debatendo o tema das Mudanças Ambientais Globais e assumindo responsabilidades (BRASIL, 2012, online).

No âmbito legislativo, em 2013, com a aprovação do Estatuto da Juventude (BRASIL, 2013) ficam assegurados aos jovens a sustentabilidade e o meio ambiente, que aparecem na lei em tela na qualidade de direito das juventudes. Não obstante, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) lança no ano de 2015 o Plano Nacional de Juventude e Meio ambiente (PNJMA), orientado pelos princípios do Estatuto da Juventude e considerando também as recomendações das conferências nacionais das quais já falamos (BRASIL, 2015). Ainda segundo o MMA, o PNJMA já vem sendo colocado em prática e umas das políticas públicas derivadas dele é a publicação da revista “Juventude e Meio ambiente”, que possui até o presente duas edições lançadas. Nesse sentido, uma análise rápida dos materiais publicados pela revista nos revela textos acadêmicos, artigos livres, fotografias e poesias de jovens de diferentes estados do país que relatam experiências da participação deles em processos de protagonismo juvenil na luta por um meio ambiente mais equilibrado.

Espera-se, portanto, muito dos jovens no que diz respeito ao enfrentamento das questões socioambientais. E, de acordo com Deboni, Mello e Trajber (2009) alguns jovens têm correspondido a essas expectativas. Nesse sentido, os autores nos reportam detalhes de novas configurações de lutas em favor do meio ambiente que estariam sendo alcançadas por “Coletivos Jovens” em um movimento caracterizado como “autônomo, horizontal, autogestionado e que atua em rede” (op. cit., p. 26). De fato, confiamos muito na capacidade de mobilização e engajamento dos jovens, é claro. Mas, antes de qualquer coisa, acreditamos que esta relação entre juventude e meio ambiente é algo que precisa ser problematizada.

De um lado, os jovens que se interessam por estas questões precisam ser ouvidos, pois suas ideias podem ajudar a construir consensos nos diferentes espaços públicos de gestão ambiental. De outro lado, acreditamos também que seria igualmente necessário compreender as razões do desinteresse de certa parcela da juventude que não se engaja nessas discussões. Assim, essa dupla intencionalidade nos orientou ao nos colocarmos diante do desafio de mobilizar jovens estudantes para compor uma comunidade de aprendizagem sobre meio ambiente na rede social Facebook.

3 Aspectos metodológicos

Ao experimentar as possibilidades de articulação entre os campos do Ensino de Ciências e da Educação Ambiental a partir de TIC, a exemplo das redes sociais e dos infográficos, tendo como amálgama o desafio de envolver os jovens em discussões sobre questões socioambientais, foi definido que este seria um estudo descritivo quanto aos seus objetivos. De acordo com Gil (2008), tais investigações buscam descrever as características de determinadas populações e/ou fenômenos por meio de técnicas padronizadas de coleta de dados, tais como o questionário e a observação sistemática.

Quanto à obtenção dos dados nos definimos pela abordagem da pesquisa-ação que pode ser entendida como “uma forma de investigação-ação que utiliza técnicas de pesquisa consagradas para informar a ação que se decide tomar para melhorar a prática” (TRIPP, 2005, p. 445), isto é, um tipo de pesquisa realizada em estreita associação com a própria ação educacional que se planeja, de maneira que a produção de conhecimentos daí decorrente se dá no contexto de um ciclo de planejamento, implementação, descrição e avaliação das ações em questão. Nesta direção, Toledo e Jacobi (2013, p. 158) reforçam que na pesquisa-ação as intervenções e a produção do conhecimento estão intimamente relacionadas, ao tempo em que recomendam a adoção equivalente ao longo da pesquisa de objetivos práticos, “que conduzirão às soluções”, e de objetivos de conhecimento, “como a identificação de representações, habilidades, entre outros aspectos, que contribuirão, por sua vez, para esclarecer a problemática em evidência e melhor conduzir as ações transformadoras”.

Assim, podemos facilmente classificar esta investigação nos termos de uma pesquisa-ação ao considerarmos que na comunidade virtual de aprendizagem em que nos reunimos, participantes e pesquisadores, todos estiveram envolvidos de modo cooperativo ao longo do processo, o que nos ajudou a produzir saberes sobre o problema levantando por esta pesquisa. Para Tozoni-Reis (2008, p. 163), este embricamento entre pesquisadores, participantes e problema de pesquisa é exatamente o que melhor caracteriza a pesquisa-ação e de onde advém o seu maior potencial:

(…) esse potencial se expressa pela principal característica da metodologia, que permite – mais do que permitir, ela exige – a articulação profunda e radical entre a produção de conhecimentos e a ação educativa. Isso significa dizer que a metodologia da pesquisa-ação refere-se a um tipo especial de produção de conhecimentos, comprometida com a ação-intervenção no espaço social em que realiza a investigação. No caso da pesquisa-ação em educação, a compreensão, pela investigação, do fenômeno educativo articula-se à ação de educar, isto é, o fenômeno educativo é investigado no próprio processo de educar. Trata-se, portanto, de radicalizarmos na superação da neutralidade da pesquisa científica: o ato investigativo está comprometido, profundamente, com o ato educativo crítico, transformador e emancipatório.

Nesta direção, Thiollent e Oliveira (2016, p. 365) consideram que hoje em dia “há um campo aberto para questionar e aprofundar o conhecimento sobre o papel desempenhado pelas tecnologias digitais e respectivos serviços de comunicação interativa na perspectiva da pesquisa-ação”. E apontam, no cenário da sociedade em rede, para a relevância atual de estudos sobre processos de mobilização através das redes sociais como uma forma de compreender as dinâmicas de fluxo e contrafluxo entre os dispositivos e atores que estão envolvidos por estas novas estruturas de comunicação social.

3.1 Instrumento de coleta de dados

Ao término das atividades na comunidade virtual de aprendizagem constituída ao longo da pesquisa foi enviado para todos os participantes, por meio de mensagem no próprio Facebook, um questionário contendo 5 perguntas, quais sejam:1) Você considera que as redes sociais podem ser um espaço para práticas educacionais em geral?; 2) A sua escola usa as redes sociais para algum tipo de ação educacional?; 3) Você já havia participado de alguma discussão sobre questões relacionadas ao meio ambiente em redes sociais ou blogs na internet?; 4) Você considera o Facebook um espaço adequado para se debater questões socioambientais? e 5) Você participaria de alguma ação de mobilização em prol do meio ambiente que tivesse início a partir de discussões realizadas em redes sociais? Com este instrumento de coleta de dados objetivamos conhecer as impressões dos participantes acerca do processo educacional que tinham acabado de integrar, abordando-o em um sentido mais amplo para compreendermos como eles entendiam as redes sociais enquanto espaço para práticas educacionais em geral e para ações de Educação Ambiental, em particular.

4 Resultados e discussão

Nesta parte, esperamos esclarecer como ocorreu o recrutamento dos voluntários do processo educacional que realizamos. Ou seja, daremos uma atenção especial às metodologias utilizadas para o engajamento dos participantes, pois acreditamos que as trajetórias que trilhamos podem servir de inspiração para outros processos educacionais semelhantes ao que empreendemos. De fato, umas das primeiras questões que se colocaram no início do processo foi exatamente sobre qual seria o perfil dos participantes do estudo e quais estratégias iríamos utilizar para mobilizar tais pessoas a integrarem a comunidade sobre meio ambiente no Facebook que tínhamos o objetivo de criar. Uma escolha que pareceria óbvia seria delimitar o público da pesquisa a alunos de uma determinada escola e/ou turma, mas esta opção não nos parecia instigante o suficiente, posto que desejávamos experimentar um processo de mobilização mais amplo.

A princípio, portanto, conseguimos estabelecer apenas que o público do estudo seria constituído por jovens em processos de escolarização que fossem maiores de 18 anos, já que responderiam por eventuais desvios em suas publicações na comunidade online que criamos. Esta pesquisa contou, portanto, com a participação de indivíduos maiores de 18 anos que tinham, preferencialmente, vínculo com o Ensino Médio, independentemente de se tratar do ensino regular ou da Educação de Jovens e Adultos (EJA). A participação neste estudo foi voluntária, de maneira que cada participante recebeu esclarecimentos acerca das etapas da pesquisa a partir do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) que lhe foi disponibilizado e explicado.

Para compor o universo amostral da pesquisa, foram realizados esforços de divulgação da comunidade de aprendizagem criada no Facebook. Inicialmente, a mobilização de voluntários ocorreu em uma oficina realizada na 3ª Conferência Nacional de Juventude (ConfJuv) que se deu em Brasília, de 16 a 19 de dezembro de 2015. Foi somente diante de uma chamada pública da Secretaria Nacional de Juventude (SNJ) para seleção de atividades culturais, artísticas e científicas para uma mostra cultural da 3ª ConfJuv que nos ocorreu o formato de oficina de mobilização como uma possível estratégia a ser desenvolvida para apresentar a proposta de estudo ao público jovem com o qual gostaríamos de trabalhar, ao mesmo tempo em que poderíamos, ao final, realizar o convite para que os jovens participassem da comunidade no Facebook que estenderia as discussões iniciadas ali na oficina. Foi exatamente isto o que fizemos, elaboramos a proposta de atividade seguindo os critérios da chamada pública e submetemos nosso projeto à avaliação da SNJ que, por sua vez, selecionou a oficina que propomos.

Portanto, o primeiro esforço de pesquisa em torno da mobilização de voluntários para participação no estudo consistiu na oficina sobre “Redes sociais, juventudes e meio ambiente” oferecida no contexto da mostra cultural “Manifesta” da 3ª ConfJuv. A referida oficina aconteceu na tarde do dia 18 de dezembro de 2015, no espaço destinado às atividades de reflexão da mostra cultural “Manifesta” realizada no Estádio Nacional Manoel Garrincha, tendo sido dedicada à reflexão coletiva sobre o uso potencial das redes sociais enquanto espaço privilegiado para favorecermos a discussão das questões socioambientais com as juventudes de nosso tempo.

Foi nessa etapa da pesquisa que foram criados infográficos sobre questões socioambientais do presente que serviram de elemento mediador para as discussões realizadas na oficina de mobilização e na comunidade virtual de aprendizagem. Na figura 1, podemos observar no destaque “A” como dispusemos os infográficos impressos no ambiente em que a oficina transcorreu. Basicamente, a proposta da oficina era que cada participante selecionasse um infográfico dentre os dez disponíveis e, em seguida, comentasse porque elegeu aquele tema como prioridade. Ao término das discussões, fizemos o convite para que as pessoas interessadas em ampliar as discussões ali iniciadas integrassem o esforço de criação da comunidade sobre meio ambiente que estávamos buscando viabilizar naquele momento.

Figura 1. Registros da primeira oficina de mobilização realizada na 3ª Conferência Nacional de Juventude. Fonte: Nina Carla da Silva Correia, 2015.

Basicamente, a proposta da oficina era que cada participante selecionasse um infográfico dentre os 10 disponíveis e, em seguida, comentasse porque elegeu aquele tema como prioridade. Ao término das discussões, fizemos o convite para que as pessoas interessadas em ampliar as discussões ali iniciadas integrassem o esforço de criação da comunidade virtual de aprendizagem sobre meio ambiente que estávamos buscando viabilizar naquele momento.

Como o acesso a esta atividade era livre, de tal forma que todos os jovens participantes da referida conferência poderiam entrar e sair livremente do recinto sem controle de participação, acabou que não conseguimos estabelecer o número exato de pessoas que chegaram a fazer parte da oficina mesmo que por algum momento. Contudo, ao fim da atividade, de todos as pessoas presentes o convite feito para integrar a comunidade virtual de aprendizagem no Facebook foi respondido positivamente por 6 participantes. A estas pessoas interessadas em continuar fazendo parte das próximas etapas do processo foram dados todos os esclarecimentos sobre o estudo a partir da leitura e assinatura de um TCLE.

A esta altura acreditamos ser conveniente justificar porque nos lançamos por esses caminhos que nos levaram até a 3ª ConfJuv e porque adotamos este esforço como metodologia desta pesquisa. Em primeiro lugar, fizemos estas escolhas entendendo que a experiência que teríamos na conferência seria um excelente indicador de eventuais mudanças nas estratégias de mobilização dos voluntários da pesquisa, como, de fato, ocorreu. Nesta direção, vocês poderão notar que a metodologia de mobilização que adotamos na continuidade da pesquisa passou por mudanças no sentido de endereçar melhor o convite a quem teria algum interesse pelos temas do meio ambiente já no momento de recrutamento, pois observamos na oficina que muitos participantes não permaneceram no recinto até o fim da atividade, especialmente quando se deram conta dos temas que estávamos tratando. Ou seja, era necessário deixar mais clara a intenção da atividade com o objetivo de atingir um público realmente interessado na proposta. Além disso, a possibilidade de promover discussões sobre os temas ambientais retratados nos infográficos que criamos com jovens de todo o Brasil que se reuniram no evento em questão foi algo que nos motivou desde o primeiro momento em que nos decidimos por participar da chamada pública da SNJ para a mostra cultural da qual viemos a integrar. Mas, como já adiantamos, os esforços de mobilização não ficaram por aí, pois até então, tínhamos o interesse de participar da comunidade expresso por apenas seis jovens.

De volta a Maceió, retomamos o processo de mobilização de participantes da pesquisa com visitas a escolas estaduais do Centro Educacional de Pesquisas Aplicadas (CEPA). Inicialmente, solicitamos por meio de ofício e obtivemos autorização da coordenadora da 13ª Gerência Regional de Educação (GERE) que administra o CEPA para que fosse possível realizar o trabalho de campo nas escolas estaduais ali instaladas com o objetivo de divulgar a criação da comunidade de aprendizagem online sobre meio ambiente entre os alunos do Ensino Médio do referido complexo educacional. Portanto, não visitamos todas as escolas estaduais do CEPA, apenas as 5 unidades que ofertam Ensino Médio.

Nesta etapa, a estratégia de mobilização que utilizamos nas escolas foi visitar as salas de aula do Ensino Médio das escolas mencionadas com o objetivo de compor o conjunto de até 50 participantes voluntários para o estudo. O único critério de seleção adotado foi a livre manifestação dos participantes interessados em integrar a comunidade de aprendizagem em questão, de maneira que o convite para participação no estudo se deu com a distribuição nas salas visitadas de versões impressas dos infográficos criados para os jovens que respondessem sim a três perguntas, quais sejam: 1) Você tem perfil no Facebook?; 2) Você tem 18 anos ou mais? e 3) Você acha que conversar sobre o meio ambiente é importante hoje em dia?

Com este roteiro, introduzimos o convite de integrar a comunidade virtual de aprendizagem sobre meio ambiente no Facebook para que aqueles jovens que responderam sim às perguntas, comentando que a participação deles na referida comunidade que criaríamos para reunir jovens interessados em discutir as questões socioambientais seria muito relevante, inclusive, no sentido de apontar reflexões sobre os próprios usos que os jovens fazem atualmente das redes sociais. Os resultados desta estratégia estão exibidos no Quadro 1, que registra o quantitativo de 37 jovens mobilizados como voluntários da pesquisa, sendo que todos eles foram devidamente esclarecidos sobre as diferentes etapas da pesquisa a partir da leitura e assinatura de um TCLE.

Ao final de todo o processo de divulgação da pesquisa e mobilização de voluntários tivemos o cenário em que, juntando os outros 6 jovens, que declararam interesse em fazer parte da pesquisa ainda na 3ª Conferência Nacional de Juventude, com os 37 que declararam interesse nas escolas visitadas, esta etapa da pesquisa foi concluída com um total de 43 voluntários. Contudo, a comunidade de aprendizagem criada depois desse processo de mobilização, intitulada de “Meio Ambiente em Rede”, foi estabelecida no dia 4 de julho de 2016 com 26 dos 43 voluntários mobilizados na fase inicial de divulgação da pesquisa. Esta diferença entre o total de pessoas mobilizadas e o quantitativo real de integrantes da comunidade se deu em decorrência de algumas desistências comunicadas ao pesquisador e, principalmente, pela não localização de determinados perfis na rede social Facebook devido erros na prestação das informações pelos participantes ao preencherem seus dados no formulário de consentimento da pesquisa. Para garantir a privacidade dos participantes a comunidade foi criada na modalidade de “grupo secreto”, pois esta modalidade torna o grupo visível apenas para os seus membros.

4.1 Perfil e expectativas dos jovens integrantes da comunidade virtual de aprendizagem

Todos os participantes desta pesquisa foram jovens como 18 anos de idade ou mais, até mesmo porque este foi exatamente um dos critérios de seleção. Além disso, todos eles moram na zona urbana de suas cidades e o grupo foi constituído de maneira praticamente paritária em termos de sexo (Figura 2). Assim, ainda que óbvio, podemos caracterizar o grupo formado pelos 26 participantes da pesquisa como sendo um conjunto de jovens urbanos, na fase inicial da vida adulta, com ligeira predominância de mulheres e interesse em temas relacionados ao meio ambiente.

Figura 2. Gráfico com proporção dos participantes da comunidade a partir do recorte “sexo”. Fonte: Pesquisa de campo, 2016.

Praticamente foi este mesmo perfil de jovem que veio a ser identificado pelo MEC em 2005, quando realizou um amplo levantamento sobre quem eram os jovens integrantes de Coletivos Jovens pelo Meio Ambiente, uma política pública de Educação Ambiental promovida pelo referido ministério na década de 2000, os quais seriam “preferencialmente, mulher urbana e da capital, tem idade de até vinte e cinco anos, sendo de cor parda, classe média e média-baixa, com renda familiar de até cinco salários-mínimos mensais. Apresenta-se com bom nível de escolaridade e estudou em escola pública” (DEBONI; MELLO, 2006, p. 29).Contudo, o que isso realmente significa dizer sobre os sujeitos que voluntariamente decidiram integrar um grupo formado por pessoas até então desconhecidas? Acreditamos que diz muito menos do que o próprio gesto destes mesmos jovens se disporem a tanto. Sim, muito do perfil desses participantes está descrito na disposição que tiveram em se colocar em contato com outras pessoas, a maioria ou até mesmo todas elas desconhecidas, mobilizados tão somente pelo interesse em refletir sobre questões socioambientais.

Para Castro (2011) esse interesse dos jovens pela discussão de temas de caráter público pode ser entendido como uma busca por mais visibilidade na vida social, pois, geralmente, os jovens têm sido subjetivados pelas estruturas sociais como “tutelados, invisíveis e ‘não falantes’” (p. 300). No entanto, a autora chama atenção para o fato de algumas mudanças têm ocorrido neste cenário tradicional da relação da sociedade com os jovens no sentido de abertura de uma demanda para que a juventude se expresse, defendendo seus interesses no contexto do debate público de alguns temas. Como temos argumentado ao longo do trabalho, acreditamos que o meio ambiente seja exatamente uma dessas bandeiras que os jovens têm levantado, a exemplo dos participantes desta pesquisa. Segundo Deboni, Mello e Trajber (2009), de fato, as questões relacionadas ao meio ambiente têm representado uma possibilidade de exercício político para uma parcela significativa de jovens, que buscam fazer parte de iniciativas voltadas ao enfrentamento de alguns dos problemas socioambientais que afligem, em particular, as suas comunidades.

Assim, é compreensível o nosso desejo de conhecer um pouco mais esses jovens que se propuseram a entrar na comunidade e, para tanto, demos início à mediação do grupo com uma postagem que fazia exatamente as seguintes perguntas: Quem sou eu? Por que me interessei em fazer parte deste grupo? Vejamos, a seguir, como introduzimos exatamente estas perguntas na comunidade.

(4/7/2016) Pesquisador: Boa noite, pessoas! Estou adicionando aos poucos tod@s que demonstraram interesse em participar deste grupo. Ainda tem algumas pessoas que não localizei aqui no Facebook. Mas não desisti de encontrá-las! Enquanto isso, que tal a gente ir se apresentando? "Quem sou eu? Por que me interessei em fazer parte deste grupo?" Fiquem à vontade para se apresentar da forma que desejarem (fotos, vídeos, textos…). É muito bom estar com vocês aqui! ;) Abraços!

Neste primeiro contato tivemos o cuidado de esclarecer que o grupo ainda não estava completo, pois ainda estava sendo realizado um esforço para localizar o perfil do maior número possível de jovens que tinham declarado interesse em entrar na comunidade. Por outro lado, entendemos que nesse ínterim seria muito adequado conversarmos sobre quem éramos e quais as nossas expectativas ao nos dispor a entrar em uma comunidade como aquela. Foi a partir dessas perguntas básicas que propomos que os membros da comunidade se apresentassem uns aos outros e este chamamento produziu, de início, as seguintes colocações no grupo:

(4/7/2016) J22: Sou J22, 18 anos, estou cursando o 3° ano do ensino médio... Me interessei porque quero fazer biologia, e esse grupo já vai me ajudar em alguma coisa ;)

(8/7/2016) Pesquisador: Que legal, J22! O que você espera da participação no grupo?

(8/7/2016) J22: Vamos ver, né!!

(8/7/2016) J11: Olá! Sou estudante do Ens. Médio da Escola Estadual ### - cursando o terceiro ano. Me interesso por todos assuntos relacionados ao meio ambiente. Pois para mim é de grande importância no sentido de conscientização, e claro, por mais conhecimento.

(8/7/2016) J18: Oi, boa noite, J18, cursando 3° Ensino Médio. Meu interesse neste grupo é melhorar nossa cidade, tudo começa com uma atitude, e se todos se ajudarem podemos fazer um enorme efeito. Obrigada a todos. Deus vos abençoe.

(8/7/2016) Pesquisador: J11 e J18, muito bom conhecê-los um pouco mais a partir do entusiasmo de vocês com relação aos temas ambientais.

(8/7/2016) J18: De nada, juntos podemos.

Dois dos três participantes que deram início às apresentações, J11 e J22, têm em comum além do fato de estarem cursando o terceiro ano do Ensino Médio a expectativa de ao participarem da comunidade atingirem algum objetivo pessoal. J11 quer mais conhecimentos sobre meio ambiente. Já J22, espera que o grupo represente alguma forma de ajuda em relação ao seu plano de cursar Biologia… É J18 que escapa desse viés exclusivamente pessoal e declara que se interessou em participar do grupo para “melhorar nossa cidade”, pois “tudo começa com uma atitude”, declarou.

Nesse ponto, queremos nos deter um pouco mais diante do fato de alguns jovens terem justificado o interesse em participar da pesquisa não necessariamente porque pretendiam promover o bem comum, mas, sim, atingir alguns objetivos pessoais. Com isso, propomos refletirmos sobre alguns valores implícitos nessas colocações que representam, a nosso ver, desafios importantes para os educadores no presente. É Castro (2010) quem nos auxilia na compreensão deste fenômeno de se buscar, antes de qualquer coisa, atingir os objetivos e a realização das próprias vontades que estamos ressaltando nas falas acima e que, segundo a autora, é realmente muito comum entre os jovens atualmente. Para ela, isto se insere no contexto pós-moderno em que vivemos no qual a regra que tem moldado as relações humanas passou a ser o exercício da liberdade individual expressa pela satisfação de desejos e por conquistas pessoais. Mas o que isto tem a ver com a Educação? Pergunta-se a autora, que afirma acreditar que tais valores individualistas promovidos pela sociedade, tais como os expressos pelos jovens no diálogo estabelecido acima, representam, sobretudo, um desafio de integrar os interesses pessoais dos indivíduos com os projetos coletivos de aprendizagem desenvolvidos pelos educadores. Para esta pesquisa, em particular, acreditamos que o desafio posto foi exatamente este.

Naquelas curtas declarações também podemos antever pelo menos outras duas dimensões importantes na relação daqueles jovens com o mundo. Primeiro, o desejo de aprender. Pensamos que é disto que nos fala o interesse de J22 em participar da comunidade que trataria de temas sobre meio ambiente, assuntos que certamente em seu imaginário farão parte de seus estudos na área de Biologia, que deseja cursar. Se olharmos por esse lado a comunidade criada realmente poderia ajudar a amadurecer seus pontos de vista sobre questões socioambientais atuais. Depois, a vontade de mudar. É nítida a disposição de J18 em fazer alguma coisa em prol do meio ambiente, algo que melhore a cidade em que vive. A sua fala também pode ser entendida como uma denúncia de quem muito já ouviu falar dos problemas relacionados com o meio ambiente sem ver mudanças efetivas no tratamento dessas questões.

No dia seguinte ao diálogo anterior, outros dois participantes, J24 e J10, também se apresentaram e explicaram as razões por que aderiram à proposta de fazer parte da comunidade.

(9/7/2016) J24: Oi, gente! :) Sou J24 moro em ###, curso ### pela ###. E tenho meu compromisso com o meio ambiente e, por isso, me interessa muito assuntos, projetos etc. que têm por objetivo a preservação e diálogos sobre o meio ambiente. Pois se é para todos os recursos naturais que temos no planeta, penso que todos, qualquer pessoa pode contribuir de alguma forma, claro positivamente falando. Então, espero puder nesse grupo debater questões acerca do meio ambiente e participar nas ações que acontecer por aqui :) ! Vamos que vamos! Agradeço à Carlos pelo convite e pela bela iniciativa, parabéns! E estamos aí! Abraço à todos.

(11/7/2016) Pesquisador: E outros membros? É muito importante esse momento de apresentações porque podemos conhecer um pouco mais uns aos outros.

(11/7/2016) J10: Olá, meu nome é J10, curso o terceiro ano. Entrei no grupo porque gosto do assunto meio ambiente, é acho uma grande iniciativa compartilhar informações e proposta relacionadas.

Nos comentários acima podemos destacar que além do fato de se identificarem com o tema do meio ambiente os participantes J10 e J24 também parecem terem sido atraídos pela proposta de compartilhar informações sobre meio ambiente em uma comunidade como a que criamos. J24, por exemplo, parabeniza a iniciativa de forma explícita, enquanto J10 atribui o adjetivo de “grande iniciativa” para a proposta da comunidade. Aqui, não podemos deixar de pensar que boa parte da juventude necessita de muito pouco para atuar como protagonista nos processos de discussão sobre temas importantes da sociedade, faltando mesmo é a existência de mecanismos que estimulem o envolvimento dos jovens nesse sentido, amplificando suas opiniões.

Além do mais, pensamos que seja esta disponibilidade em ouvi-los que estes jovens estão a parabenizar com tais comentários, pois, infelizmente, os processos educacionais muito frequentemente não estão voltados a repercutir o que os sujeitos que não sejam os professores e/ou os gestores têm a dizer. Como nos alerta Sacristán (2005), os estudantes, jovens como os que participaram desta pesquisa, são aqueles que têm mais presença nas escolas como um todo, mas frequentemente são os mais ignorados nas discussões sobre como superar os problemas do próprio sistema educacional. Isto é, como geralmente têm suas opiniões ignoradas ou subvalorizadas, parece que J10 e J24 estão a dizer um muito obrigado pela iniciativa de ouvi-los abertamente. E, sim, foi justamente este o principal objetivo da comunidade que criamos.

4.2 Quais as impressões dos jovens sobre a experiência de integrarem a comunidade virtual de aprendizagem?

Os dados analisados neste estudo foram produzidos e coletados no contexto de uma comunidade sobre meio ambiente criada no Facebook para reunir jovens interessados em discutir questões ambientais. Nesse sentido, o objetivo geral desta pesquisa foi refletir sobre o potencial de infográficos para favorecer esse tipo de engajamento dos jovens acerca de discussões sobre meio ambiente. Assim, para além das reflexões que já tecemos sobre os resultados alcançados pelas estratégias adotadas na comunidade para fomentar o debate dos temas nela tratados acreditamos também ser oportuno discutir nesta parte do trabalho algumas impressões dos jovens participantes da pesquisa sobre a experiência de integrarem a referida comunidade.

Buscaremos interpretar como os jovens participantes da pesquisa deram significado às experiências que tiveram ao integrarem a comunidade criada. A base para esta reflexão serão respostas que alguns deles deram a perguntas contidas no questionário enviado aos mesmos por meio de mensagem no próprio Facebook logo após que as discussões na comunidade foram encerradas. Dos 26 participantes da pesquisa, obtivemos, depois de muitos esforços, a devolução do questionário respondido de 7 participantes (J6, J7, J9, J11, J13, J14 e J24). São as respostas deste universo amostral que nos serviram de base para algumas reflexões que se encontram desenvolvidas na continuidade do texto.

Todos os participantes que enviaram respostas às questões afirmaram que consideram que as redes sociais podem ser espaço para práticas educacionais. J11, por exemplo, destacou o fato de elas serem hoje em dia uma forma eficaz para se ter acesso a informações sem contar que os jovens dedicam muito tempo a elas. Já na opinião de J14 as escolas poderiam criar aplicativos, por exemplo, que levassem informações confiáveis sobre temas do dia a diaaos jovens. Contudo, todo esse potencial ainda não tem sido usado a contento, como nos fala J24:

J24: Cito a exemplo o YouTube, onde podemos encontrar vários canais educacionais, seja ensino acadêmico, como estudos de comportamentos humanos e demais assuntos da sociedade em geral. São ferramentas muito poderosas. Infelizmente, ainda há sempre pessoas que não faz um bom uso dessas, e acaba por, como posso dizer, aumentando problemas que enfrentamos. Mas eu acredito muito no poder de transformação que as redes sociais podem proporcionar.

Concordamos com J24 quando constata que o potencial dessas ferramentas ainda não tem sido aproveitado de forma satisfatória. Na realidade, como as próprias entrevistas realizadas com os participantes da pesquisa demonstram a maior das escolas usam sim as redes sociais para atividades educacionais de alguma forma. Pelo menos foi o que 86% dos entrevistados afirmaram em relação as suas escolas que usavam as redes sociais, mas normalmente apenas para avisos em geral (J9 e J11) e divulgação de eventos (J24).

Para atividades de Educação Ambiental, por exemplo, que discutam questões relacionadas ao meio ambiente raramente as escolas dos participantes utilizam as redes sociais com essa finalidade. Apenas J24 declarou ter tido uma experiência nesse sentido antes de ter participado da comunidade que criamos no Facebook ao longo desta pesquisa. Os demais entrevistados afirmaram que nunca souberam desse tipo de atividade sendo desenvolvida pelas suas escolas, tanto que a novidade desta proposta foi exatamente o que motivou J14 a participar da pesquisa, pois o convite despertou sua curiosidade. É isso o que concluímos da sua resposta à pergunta “Você já havia participado de alguma discussão sobre questões relacionadas ao meio ambiente em redes sociais ou blogs na internet?”, quando J14 afirma: “Ainda não, fiquei curiosa, por isso quis participar dessa fonte de vida que é o meio ambiente”.

Contudo, não podemos confundir esse interesse declarado dos participantes pelas redes sociais e a impressão que eles têm de que elas são um espaço adequado para práticas educacionais como um salvo conduto para propostas como as que desenvolvemos ao longo dessa pesquisa. Na realidade, quando perguntado se eles consideram o Facebook um espaço adequado para se debater questões socioambientais as respostas variaram deste um não absoluto até um sim igualmente absoluto, perpassando por algumas outras respostas que representam certos aspectos dignos de nota. Tanto é assim que nos permitimos transcrever o conjunto de respostas obtidas nas entrevistas sobre esta pergunta em particular, qual seja:

J6: Não

J7: Acho legal.

J9: Sim, não só como "socioambientais" mas como outros [temas] importantes também, ter uma visão diferente, ter consciência é sempre bom um conhecimento a mais principalmente quando se trata de algo importante para nos.

J11: Sim, mas seria melhor seminários com a participação de pessoas de interesses iguais.

J13: Sim.

J14: Sim, acho que seja uma fonte poderosa como eu falei lá em cima, as pessoas passam hoje o maior tempo se atualizando.

J24: Fundamental, se observarmos muitas pessoas, desde crianças a idosos tem seus perfis no Face, então acho sim que é um meio para sensibilizar e conscientizar as pessoas a respeito do meio ambiente. É uma tarefa árdua, porém necessária. Uma vez que muitas pessoas dão mais atenção às questões (postagens) fúteis, sem muita importância. Mas vejo isso como uns dos desafios a serem superados.

Percebemos nas respostas, quem, como J9, defenda que o Facebook é um espaço adequado para todo tipo de discussão, não somente sobre temas relacionados ao meio ambiente. Outros, moderados, a exemplo de J11, não descartam o papel do Facebook para o fomento do debate ambiental, mas argumentam que encontros presenciais com a participação de pessoas interessadas em temas em comum ainda é uma melhor estratégia para tanto que as redes sociais. Mas, no geral, constatamos uma visão positiva em relação ao Facebook como espaço de construção de entendimentos sobre questões ambientais, principalmente porque as pessoas dedicam muito tempo de suas vidas em redes sociais, o que para J14 e J24 poderia ser direcionado para fins mais importantes.

Finalmente, quando quisemos saber se os jovens da comunidade estariam dispostos a participar de alguma ação em prol do meio ambiente a partir de discussões realizadas em redes sociais as respostas obtidas dão conta de um cenário em que a maioria (71,4%) disse que sim, alguns até com um certo entusiasmo, como podemos notar nas seguintes colocações:

J9: Com certeza, dependendo se tenho tempo disponível com todo prazer, pois não estamos tratando de besteira nesse caso, estamos tratando de uma coisa importante: é para o nosso futuro.

J11: Com certeza.

J24: Com certeza, estou dentro kkkkk. Porque daí estaremos levando nossos conhecimentos, nossas ideias e discussões para parte mais importante desse objetivo - a ação - essa sim, concretiza tudo com chave de ouro!

A possibilidade de colocar se em ação parece-nos que é a principal motivação que faria J24 se engajar em projetos de Educação Ambiental voltados para a melhoria do meio ambiente que fossem além das redes sociais. Por outro lado, assim como J9 que disse que participaria de ações em prol do meio ambiente sempre que tivesse tempo disponível, quem declarou que não participaria de modo algum desse tipo de ação alegou falta de tempo, pois já estaria envolvido com outros projetos pessoais e não teria como se dedicar a ações ambientalistas para além das redes sociais.

5 Considerações finais

Neste artigo, descrevemos como foi possível constituir uma comunidade virtual de aprendizagem sobre meio ambiente na rede social Facebook formada por jovens estudantes a partir de um processo de mobilização que se desdobrou inicialmente na 3ª ConfJuv, em Brasília, e, depois, em visitas de divulgação da proposta em escolas estaduais do CEPA, localizado na cidade de Maceió, Alagoas. Por esses caminhos, alcançamos mobilizar um total de 43 indivíduos, contudo, ao criarmos a referida comunidade conseguimos reunir, de fato, apenas 26 participantes que foram localizados no Facebook a partir das informações que tinham nos informado anteriormente. Estes, portanto, representaram o universo amostral do estudo.

A caracterização dos sujeitos da pesquisa se deu a partir de interações realizadas já no contexto da comunidade virtual de aprendizagem e nos aponta para jovens urbanos, estudantes do ensino médio, com predominância de mulheres no grupo. Quanto às expectativas que foram responsáveis pela adesão dos jovens à proposta de se integrar à comunidade virtual de aprendizagem, verificamos que para a maioria deles obter mais conhecimentos sobre meio ambiente foi o que mais pesou, seguido da oportunidade de compartilhar informações sobre meio ambiente em um grupo e da possibilidade de ajudar a melhorar a cidade, esta última razão tendo sido apontada com menor frequência.

Por fim, ao considerarmos toda essa experiência de mobilização, reforçamos a intuição de que o virtual nada mais é que um transbordamento do real e que, por isso mesmo, os usos das TIC na educação não podem perder de vista a importância do encontro, dos momentos de convívio e compartilhamento de conceitos e afetos. Parece-nos certo, a esta altura, que o estudo das redes sociais como espaço para práticas educacionais continuará por muito tempo sendo uma fronteira a ser explorada, pois não há como ignorar o potencial de agregação que essas plataformas alcançaram hoje em dia. O desafio que se apresenta, contudo, não é outro senão o de constituir espaços de convívio que favoreçam o compartilhamento democrático de ideias, pois somente assim poderemos dar o passo seguinte ao gesto de se reunir, que é o intervir no mundo em prol dos interesses coletivos.

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