ISSN 1678-0701
Número 62, Ano XVI.
Dezembro/2017-Fevereiro/2018.
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30/01/2018A EDUCAÇÃO INFORMAL NO ENTENDIMENTO AMBIENTALISTA DE MORADORES DA ILHA DO BISPO, EM JOÃO PESSOA - PB  
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Decorrente principalmente do advento da Revolução Industrial, que marca o início do processo de degradação ambiental, a expansão da capacidade produtiva provocou uma utilização crescente dos recursos naturais e a geração de enormes quantidades de resíduo

A EDUCAÇÃO INFORMAL NO ENTENDIMENTO AMBIENTALISTA DE MORADORES DA ILHA DO BISPO, EM JOÃO PESSOA - PB

Théo Brasilino1, Deinne Airles da Silva2

1Bacharel em Ciências Biológicas (UEPB), theo.brasilino@hotmail.com

2Mestra em Desenvolvimento e Meio Ambiente (UFPB), Bacharela em Ciências Biológicas (UEPB), Especialista em Agroecologia (UEPB) e Técnica Agrícola com habilitação em Agroindústria (UFPB), deinne_airles@hotmail.com

Resumo

O trabalho trata da importância da educação ambiental no espaço informal, partindo da comparação de ações realizadas nas escolas e pelas entidades comunitárias do bairro da Ilha do Bispo, João Pessoa PB. Foi avaliada a participação dos moradores nas ações comunitárias e a percepção que tinham sobre o bairro. Palavras-chaves: Educação. Meio Ambiente. Comunidade. Ensino Informal.

Abstract

The paper deals with the importance of environmental education in the informal space, based on the comparison of actions carried out in schools and community entities in the neighborhood of Ilha do Bispo, João Pessoa - PB. It was evaluated the participation of the residents in the community actions and the perception they had about the neighborhood.Keys-words: Education. Environment. Community. Education Informal.

INTRODUÇÃO

Decorrente principalmente do advento da Revolução Industrial, que marca o início da intensificação do processo de degradação ambiental, a expansão da capacidade produtiva provocou uma utilização crescente dos recursos naturais e a geração de enormes quantidades de resíduos industriais, o que fez maximizar significativamente os problemas entre o homem e o ambiente.

De acordo com Belo (2009), as primeiras teorias que propunham questionar a visão sobre os padrões de acesso e uso dos recursos naturais estão intimamente relacionadas ao pensamento economicista, o qual afirma ser a modernização progressiva, auxiliada pelo uso de novas tecnologias e diminuição do Estado na regulação ambiental, aquilo que promoveria melhorias na qualidade de vida ambiental e social, favorecendo a colocação de uma ideologia que faz do mercado uma instância capaz de solucionar problemas ambientais, quando aliado às “instituições da modernidade”.

Observou-se, entretanto, com o passar do tempo, a necessidade de se aplicar, em projetos de Educação Ambiental no Ensino Informal e no Formal, de um modelo que venha contrapor a visão moderna e economicista da natureza referente aos problemas ambientais, de uma maneira de ensino voltada para a formação crítica e histórica dos fatos, relacionando educação, sociedade, trabalho e natureza (CAVALHEIRO, 2008).

Segundo Jacobi (2003), o grande salto de qualidade de ensino, em relação à educação ambiental, tem sido feito por ONGs e organizações comunitárias, tidas como espaços não-formais de ensino, já que as mesmas favorecem o desenvolvimento de práticas inovadoras de ensino, preocupadas em incrementar a co-responsabilidade das pessoas em todas as faixas etárias e grupos sociais, desenvolvendo cidadãos comprometidos com a defesa da vida.

Desta maneira, vendo a importância da educação ambiental no espaço informal de ensino, este artigo pretende analisar a importância das entidades comunitárias na construção da percepção ambiental dos moradores da Ilha do Bispo, levando em consideração a participação dos entrevistados tanto nas ações comunitárias como da construção e desenvolvimento das mesmas.

ÁREA DE ESTUDO

A Ilha do Bispo apresenta um conjunto de três ruas principais: a Avenida Redenção, a Rua Lopo Garro e a Rua Carneiro de Campos. A Avenida Redenção e a Rua Carneiro de Campos são perpendiculares às ruas Alfredo Portela, Cícero Moura e a rua Senhor do Bonfim. As Travessas Lopo Garro e Redenção, por sua vez, corta a Rua Lopo Garro. Compõe o bairro, ainda, a Via Oeste, que separa a área residencial da industrial, a Fábrica de Cimento (CIMPOR), a Praça Índio Piragibe, a Mata da Graça e o Cemitério da Boa Sentença.

Considerado como um dos bairros mais antigos da capital (TINEM, 2005), possui 4.139 habitantes (IBGE, 2000), sendo que muitos deles participam das atividades elaboradas pela associação de moradores, pela ONG ARCA (Associação Recreativa, Cultural e Artística) e outras atividades relacionadas a projetos desenvolvidos pelos Amiguinhos do Meio Ambiente (projeto comunitário desenvolvido com o apoio da CIMPOR – Cimentos de Portugal, cujo objetivo é o de expor conceitos ecológicos a partir de práticas educativas) e pelos universitários do Com Ciência1, os quais, juntos, implantam projetos socio-ambientais para realçar a aprendizagem e auxiliar na formulação de questionamentos que se relacionem com a prática ambiental e cidadania.

A Ilha do Bispo é caracterizada por ser uma área insular, a qual teve sua área modificada por constantes aterros ao mangue, utilizados para a construção de casas ou simplesmente para se livrar da lama (KOURY, 2005). Como conseqüência destes aterros, e da subseqüente substituição destes por casas e superfícies impermeáveis, que impedem a infiltração da água nos solos, houve, na Ilha do Bispo, a formação de um contínuo de terra ligando a ilha ao continente, fato que fez com que se alterasse a característica insular do bairro e favorecesse o escoamento superficial das águas, a concentração de enxurradas e a ocorrência de ondas de cheias, aumentando, devido à constante utilização da área pelos moradores, a freqüência e magnitude das enchentes.

Vários problemas ambientais afetam, portanto, a região, a qual é fortemente caracterizada pelo descaso de muitos de seus habitantes frente à problemática ambiental. Um dos mais significativos problemas da região remete ao fato de não haver, por parte da população, um cuidado efetivo com questões como o ato de não jogar lixo no chão ou de tapar bueiros e canos de esgoto, fazendo com que, na ocorrência de enchentes, os resíduos acumulados se transformem em prejuízos à comunidade.

Observou-se que a fábrica CIMPOR2, apesar de em menor escala que em tempos passados, ainda continua, de acordo com o depoimento de alguns moradores, a poluir o ar com resíduos industriais, devido principalmente a falhas nos filtros em reter poeira, o que ocasionalmente ocorre. Isto fez com que alguns relatassem que, no teto de suas moradias, se acumula poeira por causa das atividades da fábrica.

Outro problema que assola a região, de acordo com Madruga (2002), refere-se constantes aterros que foram feitos na região, o lençol freático aumentou e não tornou possível a existência de fossas sépticas, fazendo com que todo esgotamento sanitário fosse jogado ao mangue de forma muito precária.

MATERIAL E MÉTODOS

Os instrumentos para coleta de dados foram questionários e entrevistas. Foi realizado um levantamento dos dados existentes sobre a Ilha do Bispo, e, dentre esses, foram selecionados aqueles que, além de caracterizar a área, funcionassem como indicadores de impacto ambiental, como, por exemplo, a presença ou ausência quantitativa de moradias com acesso a saneamento básico, a proximidade de recursos hídricos e o atendimento pelo sistema de coleta de lixo.

Durante a pesquisa, foram aplicados no bairro da Ilha do Bispo, nos meses de março e abril de 2010, entre 13:00 e 18:00, 61 questionários, o equivalente a 1,0% de significância, mediante a utilização de perguntas semi-quantitativas, exploratórias, descritivas e analíticas, dentro da análise da fenomenologia. Os questionários foram direcionados para moradores que transitavam nas ruas, os quais eram escolhidos de maneira aleatória.

De acordo com Merleau-Ponty (1994, apud SILVA, 2006), a fenomenologia, enquanto estudo das essências, ou seja, enquanto estudo do ser e da natureza das coisas, caracteriza-se por ser uma posição filosófica em que recoloca a essência na existência, não pensando, desta maneira, o homem e o mundo a partir de sua “facticidade”, ou seja, de sua existência como fato puro, concreto e definitivo.

Tem-se, segundo este método, a análise da realidade a partir do que se percebe dela, não sendo fato puro por ser uma forma de excogitar o espaço. Desta maneira, a análise do mundo a partir da concepção fenomenológica, como bem ressalta Cardim (2007), é resultado sempre das relações pessoais de cada um com o mundo objetivo, concretizando o que podemos chamar de “modos do espaço objetivo”.

Este trabalho tem seu enfoque voltado para o estudo da percepção ambiental da comunidade, uma vez que pretende gerar subsídios, tanto quantitativos como qualitativos, para fundamentar as tomadas de decisões em torno de projetos que visem melhorar a qualidade ambiental na região, favorecendo a definição de prioridades, objetivos, estratégias pedagógicas e de ação para ações ambientalistas na região.

De acordo com Sato (2001, apud FELIZOLA, 2007), é através da percepção ambiental que se tem sobre o meio ambiente que são determinadas ações individuais no campo das relações entre homem e natureza, já que, mediada pelos complexos sistemas sociais, a percepção auxilia na determinação do que é verdadeiro e adequado às circunstâncias locais.

Desta maneira, a percepção ambiental, ao ser posta como um fator originário do social e individual, deve ser analisada de forma a fazer entender os processos culturais que favoreçam a formação de signos, crenças e hábitos. Seu estudo, portanto, é de grande auxílio para o direcionamento dos fenômenos de formação do pensamento ambientalista, já que, de acordo com Peixoto (2004, apud BONIFACIO, 2008), o principal objetivo do estudo da percepção é a compreensão dos mecanismos e processos que levam as pessoas a possuírem percepções e comportamentos ambientais diferentes.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A maior parte dos entrevistados foi de adultos, com idade variando entre 18 e 60 anos incompletos; seguido de adolescentes, com idade entre 12 18 anos incompletos; idosos, com idade igual ou superior a 60 anos; e crianças, com idade de até 12 anos incompletos, conforme gráfico 1.

Gráfico 1 – Faixa etária dos entrevistados

Fonte: Dados da pesquisa.

Além disto, foi observado que 61% apresentaram de quatro a seis pessoas vivendo dentro de casa, enquanto que 26% apresentavam de uma a três pessoas e 13% acima de seis, chegando até mesmo ser registrada 17 pessoas vivendo em uma casa, sendo constatado, também, que 77% sobrevivem com 1 ou menos de um salário mínimo, apresentando minoria dos entrevistados com salários entre 2 e 4 e acima de quatro (Gráfico 2).

Gráfico 2 – Renda familiar dos entrevistados

Fonte: Dados da pesquisa.

De acordo com dados do IBGE (2000), os moradores da Ilha do Bispo apresentariam, em média, renda mensal equivalente a R$ 255,00, ou seja, menos de um salário mínimo, fato que faz com que a região possa ser considerada como um dos mais pobres bairros de João Pessoa.

Observa-se que a grande maioria dos entrevistados (72%) apresenta ensino fundamental incompleto ou médio incompleto, enquanto que 28% são analfabetos ou apresentam escolaridade média completa, básica completa, ensino superior incompleto e ensino superior completo, não sendo evidenciada a presença de pessoas com pós-graduação (Gráfico 3), sendo constatada, ainda, a presença de 40% dos familiares dos entrevistados em redes de ensino formal.

Gráfico 3 – Escolaridade dos entrevistados

Fonte: Dados da pesquisa.

De acordo com dados do IBGE (2000), a Ilha do Bispo apresenta 91% de suas casas sem esgotamento sanitário, apresentando, portanto, uma das piores condições sociourbanas do município de João Pessoa.

Esta parte do trabalho faz refletir sobre a pobreza que afeta a população, o que, aliado a baixa escolaridade, serve para evidenciar os processos de exclusão social e marginalização da população da Ilha do Bispo, já que se tem que as condições sociourbanas, entre outros fatores como violência, afetam os valores do Ideb (Índice de desenvolvimento da Educação Básica) de uma região (UNICEF, 2009).

Para a Ilha do Bispo, esta pesquisa constatou haver apenas 4% da população satisfeita com o bairro, tendo a maioria das considerações voltadas para problemas ambientais, principalmente no que se refere à infraestrutura do local, ou relativos à violência, com 78% das considerações, observando-se, ainda, que quase a metade da população considera os problemas ambientais como sendo os causadores de maior aflição, com 44% das respostas sobre o tema.

A alta consideração acerca de temas como poeira, lixo, poluição, degradação da maré e desmatamento, que são temas ligados à área de meio ambiente, faz refletir sobre a importância de ações ambientais na Ilha, a qual deverá tentar auxiliar tanto na minimização dos danos causados por agentes poluidores como erradicar práticas que contribuam para o aparecimento de problemas do gênero.

Jacobi (2003), assim como Rigotto (2002 apud BELO, 2009), ressaltam este fato, informando ser a postura reflexiva, acerca desta temática, aquilo que favorece a criação de sentidos sobre a educação ambiental, a qual deve sempre priorizar temas tanto ligados à realidade local como a global, e transformar os cidadão-atores em “recipientes” ativos das forças da modernidade, capazes de denunciar os riscos e fracassos das instituições modernas em controlar os efeitos dos danos ao meio ambiente.

Para que isto ocorra faz necessária que se tenham ações sólidas voltadas para educação, fazendo com que tanto a educação formal como a informal foquem numa educação que priorize a qualidade do ensino.

Observou-se, entretanto, que, apesar de serem observados fatores que favoreçam o entendimento de que não é oferecida educação de qualidade na Ilha, conforme visto anteriormente, 48% dos entrevistados afirmou investir ou receber investimentos de alguma quantia em dinheiro de seus familiares para educação escolar, apesar do fato de ter 77% dos entrevistados sobrevivendo com um ou menos que um salário mínimo e 66% terem familiares matriculados só em escolas públicas, conforme pode ser observado no Gráfico 4.

Gráfico 4 – Escolas freqüentadas pelos familiares mais próximos

Fonte: Dados da pesquisa.

Considerou-se, ainda, o entendimento do que representa, para a população, as atividades educativas realizadas tanto pela associação como pela escola, sendo observada a alta afinidade dos entrevistados pelos processos educativos quando estes valorizam questões éticas, como o respeito para com os outros e valorização da educação familiar no processo de formação do aluno, ou quando estes proporcionam uma maior inserção no mercado de trabalho, favorecendo o ganho de dinheiro e vida estável, sendo estas questões consideradas por 47% dos entrevistados. Foi observado, ainda, que 19% considera a atuação educativa importante por si só ou importante para os jovens e crianças, muitas vezes sendo relacionado o fato de que a educação auxilia para que as mesmas não possam adentrar no crime; 16% observa a importância da educação pelo fato de melhorar a cultura e disciplinar as pessoas, proporcionar aprendizado e informação, e dar instruções sobre educação para com o meio ambiente; 12% com outras considerações; e apenas 6% não souberam opinar sobre o assunto.

Apesar das considerações a respeito do entendimento sobre o que significa educação, a grande maioria dos entrevistados, cerca de 41%, não conseguiram observar diferenças entre a educação proporcionada pela associação comunitária e pelas escolas públicas e particulares, fato que fez com que não houvesse significativas considerações acerca da diferença entre ambos.

Esta parte do trabalho faz refletir sobre como é coordenada a atual atuação comunitária na Ilha, fato que fez com que, apesar de serem observados 33% dos entrevistados participando de atividades comunitárias e 26% dos familiares da casa participando das mesmas, apenas uma pequena parcela dos entrevistados teria noção da importância da associação comunitária frente a outras instituições de ensino e transformação social, como seria o caso da educação proporcionada pela escola.

Pode ser observado que, para a população da Ilha do Bispo, as ações comunitárias são tidas como de muita importância, tendo quase todos os entrevistados (92%) afirmando isto. De acordo com os moradores, esta posição está principalmente relacionada com o fato de tais ações estarem comprometidas com a participação de jovens e idosos em projetos, sendo as atividades consideradas boas por promover o desenvolvimento das pessoas e melhorar o lado educacional da comunidade, ou por trazer benefícios financeiros para a comunidade, promover cursos diversos e de profissionalização, sendo estes pontos relevantes em 43% das considerações.

Outros pontos comentados foram o fato das ações proporcionarem diminuição nos índices de violência, criminalidade e prostituição da Ilha ou disseminação de valores como honestidade e respeito entre as pessoas, recebendo 29% das afirmativas a respeito do tema; por promover acesso ao mundo político, com 4%; entre outros, valendo ainda a ressalva de que tiveram apenas 5% das respostas que considerassem não haver importância os trabalhos realizados pelas entidades comunitárias.

A partir dos dados acima, pode-se analisar pontos fortes e fracos das ações da entidade comunitária na Ilha do Bispo. Desta maneira, os entrevistados mostram ter interesses por ações educativas que promovam mudança social, a exemplo das que promovem melhoria das condições financeiras das pessoas, e por ações que visem diminuir os índices de criminalidade seriam encaradas, atualmente, como pontos positivos que mais favorecem a valorização das ações proporcionadas pela entidade comunitária.

Burgos (2002) ressalta a importância destes trabalhos, informando que o enfrentamento realizados pelas lideranças comunitárias a processos que favoreçam a estagnação econômica e promovam a violência urbana nas áreas de favela, além de servir para diminuir a sensação de insegurança por parte dos moradores e proteger o pobre do “abismo da miséria completa”, conferem, à associação comunitária, prestígio e legitimidade ao exercício da autoridade, fazendo com que as lideranças de bairro exerçam papel chave na formação de uma identidade coletiva capaz de dar legitimidade à negociação com o espaço público por maior acessibilidade a direitos sociais como saúde educação e urbanização.

Entretanto, ao mesmo tempo em que se observa mobilização comunitária para a resolução de problemas como o combate à violência e miséria dentro da favela, pouco se vê evidenciada acerca da importância da ação comunitária para a formação política e cidadã do indivíduo, bem como para a articulação política conjunta entre as pessoas residentes na Ilha e as entidades comunitárias.

Este fato se vê evidenciado tanto pela falta de respostas que ressaltem a importância das entidades comunitárias para a formação cidadã dos indivíduos como pela falta de participação ativa dos moradores na gestão comunitária da Ilha, já que, dentre os que responderam participar de atividades na associação dos moradores, apenas 29% disseram auxiliar nas ações proporcionadas e de participar de reuniões da entidade.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Um dos principais problemas da Ilha do Bispo faz jus à problemática em torno de questões ambientais, principalmente as relacionadas à forma de ocupação, à marginalização sofrida pelo bairro decorrente do processo de urbanização de João Pessoa e à falta de participação conjunta dos agentes comunitários com a população atendida para a formação e execução de projetos na região.

Entretanto, é grande a aceitação, por parte da população, de projetos de caráter educativo, o que faz com que a mesma esteja aberta a possibilidades que visem enriquecer seus conhecimentos e melhorar a forma como se relacionam com o meio ambiente. Isto faz refletir sobre o papel da associação comunitária e ONG nesse processo de intervenção, caracterizada como principal articuladora no processo de melhoria do acesso a informação e desenvolvimento de medidas que minimizem os riscos ambientais na região.

Vê-se, também, que as ações comunitárias tem-se voltado para reforçar uma relação confiança com a comunidade, já que as mesmas focam na disseminação de valores e promove maior acessibilidade a direitos sociais, apesar de não ter sido constatado, na pesquisa, a presença de uma intervenção participativa realmente efetiva, necessária para criar um sentimento de co-responsabilidade para com a problemática ambiental e favorecer o desenvolvimento político e crítico do cidadão.

Foi observado, também, que há muita necessidade em se trabalhar com a educação ambiental na Ilha do Bispo, visto que a comunidade se manifestou sentir afetado por vários tipos de problemas ambientais, como a poeira, lixo, poluição da maré e desmatamento. Entende-se, desta maneira, que uma ação que reflita a disseminação de um entendimento político entre os moradores se mostra como urgente, na medida em que dá, à população, capacidade de agir e de se mobilizar para resolver problemas no bairro.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BELO, D. C. Degradação ambiental e escassez de recursos: análise comparada das mudanças socio-ambientais ocorridas entre os pescadores dos municípios de São Fidelis e São João da barra após o acidente da Cataguases Papel. Trabalho de conclusão de curso (graduação em ciências sociais) – Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), Campos dos Goyatacazes, RJ, 2009.

BURGOS, Marcelo Baumann (Org.). A utopia da comunidade: Rio das Pedras, uma favela carioca. Rio de Janeiro: PUC- Rio: Loyola, 2002. 250 p.

CARDIM, L. N. A ambigüidade na fenomenologia da percepção de Maurice Merleau-Ponty. Tese (Doutorado em Filosofia), Universidade de São Paulo, São Paulo, 2007.

CAVALHEIRO, J. S. Consciência ambiental entre professores e alunos da Escola Estadual Básica Dr. Paulo Devanier Lauda. Monografia de especialização (Especialização em Educação ambiental), UFSM/RS, Santa Maria, 2008.

FELIZOLA, M. P. M. Projetos de Educação Ambiental nas escolas municipais de Aracaju/SE. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento e Meio Ambiente) – Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, 2007.

JACOBI, Pedro. Educação ambiental, cidadania e sustentabilidade. In.:Cad. Pesqui., São Paulo, n. 118,mar. 2003.

KOURY, Mauro G. P. Tenso convívio, sociabilidade, medo, hierarquização e segregação em um bairro popular. Revista de Antropologia Experimental [on-line], Espanha, v. 5, n. 6, 2005.

MADRUGA, Ana. Entre os limites naturais do espaço urbano e da marginalização, as condições de vida das comunidades ribeirinhas. Revista Cadernos do Logepa – Série Texto didático, Ano 1, Número 1, 2002.

SILVA, C. M. S. A percepção ambiental de moradores de comunidades carentes – a ZEIS Brasilit. Relatório (prestação de contas à Gerência de Pesquisa e Pós-Graduação e ao Programa Institucional para Concessão de Bolsas de Incentivo a Iniciação Científica), PIBIC/CEFET, Pernambuco, 2006.

TINEM, Nelci; CARVALHO, J. L. C. M.; MARTINS, C. G. M. S. Para além da dicotomia Cidade Alta/ Cidade Baixa: um estudo historiográfico da forma urbana em João Pessoa (PB). In: XI ENCONTRO NACIONAL DE POS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM PLANEJAMENTO URBANO E REGIONAL – ANPUR, Bahia, 2005.

UNICEF (2009). O Direito de Aprender – Potencializar avanços e reduzir desigualdades. Situação da Infância e da Adolescência Brasileira. Brasília, UNICEF, 2009.

1Projeto desenvolvido por alunos da UEPB, tendo como didática a exposição de aulas e dinâmicas que visem a análise de conteúdos dentro do contexto da educação ambiental.

2Cimentos de Portugal.



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