ISSN 1678-0701
Número 62, Ano XVI.
Dezembro/2017-Fevereiro/2018.
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29/01/2018O ENSINO DE SUSTENTABILIDADE NO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO NO MUNICÍPIO DE JI- PARANÁ: ESTUDO DE CASO.  
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Revista Educação ambiental em Ação 33

O ENSINO DE SUSTENTABILIDADE NO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO NO MUNICÍPIO DE JI- PARANÁ: ESTUDO DE CASO

Hariane Helena Ferreira da Rocha Teles¹, Maria Eloísa Farias², Suelen Bomfim Nobre³

1 Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática da ULBRA-Canoas- PPGECIM – harianehelena@gmail.com.

2 Orientadora :Dra. Maria Eloísa Farias- Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática da ULBRA- Canoas- PPGECIM – mariefs10@yahoo.com.br

3 Suelen Bomfim Nobre – Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática da ULBRA-Canoas- PPGECIM :nobre.suelen@gmail.com

Resumo: A Região Norte do Brasil foi explorada e descoberta mais tarde que outras regiões brasileiras. Sua descoberta imediatamente gerou interesses internacionais na exploração de recursos locais, as políticas adotadas foram incentivo ao desmatamento e um desrespeito aos nativos. É uma região que inicialmente foi colonizada por pessoas oriundas de vários países. Levando em consideração que Rondônia é um estado onde a pecuária é cada vez mais responsável pela degradação ambiental, bem como a exploração dos recursos naturais sem planejamento, e compreendendo a importância dos futuros Arquitetos e Urbanistas com relação à sustentabilidade, esta pesquisa tem como objetivo realizar uma análise do Ensino de Sustentabilidade no Curso de Arquitetura e Urbanismo do município de Ji-Paraná- RO, considerado “Coração de Rondônia”, realizando um estudo exploratório com estudantes do 5º período do Curso, utilizando um questionário. A pesquisa constatou a carência de atividade práticas relacionadas ao ensino da Sustentabilidade bem como a preocupação dos acadêmicos em relação às condições ambientais do município em questão.

Palavras-chave: Arquitetura e Urbanismo. Sustentabilidade. Rondônia.

Abstract: The northern region of Brazil was explored and discovered later than the other Brazilian regions. Its discovery immediately drew interest in the exploration of the local resources, its policies were incentive to deforestation and disrespect to the natives. It’s a region that was initially colonized by people from several countries. By taking into consideration that Rondônia is a state where the livestock is becoming more and more responsible for the environmental degradation, as well as the unplanned exploration of natural resources, and understanding the importance of the architects and urbanists to be in relation to the sustainability, this paper aims to analyze the Sustainability education in the degree of architecture and Urbanism in the city of Ji-Paraná, considered “the heart of Rondônia”, by performing an exploratory study with the 5th period of the program, using a survey method. The research stated the lack of practical activities related to the subject “sustainability”, and the student’s preoccupation towards de environmental conditions of the given city.

Keywords: Architecture and urbanism. Sustainability. Rondônia.

1. INTRODUÇÃO

A questão ambiental tomou proporções internacionais na Conferência das Nações Unidas sobre o ambiente Humano em Estocolmo, em 1972, onde foi discutido pela primeira vez a questão da relação entre o meio ambiente e o desenvolvimento, o que traria a outra discussão de grande representação em 1992 no Encontro da Terra, no Rio de Janeiro (SACHS, 2002).

Mediante estas descobertas e preocupações contemporâneas, é extremamente necessário agregarmos a todos os campos possíveis os saberes entorno do desenvolvimento sustentável. No ensino de Arquitetura não deve ser diferente, visto que de acordo com o Guia sustentabilidade na Arquitetura (2012), no nosso país por exemplo, mais de 80% da população é urbana e isso demanda recursos materiais cada vez maiores para suprir esse estilo de vida. Os materiais de construção e a própria edificação geram grandes impactos para o meio ambiente, sendo necessário ao arquiteto ter conhecimento dos fatores que implicam a sustentabilidade inseridos na sua área de atuação.

Considera-se que os arquitetos e urbanistas têm um papel fundamental no fomento de ações em prol da sustentabilidade, não apenas na procura de medidas paliativas em construções existentes, mas também desde a escolha do terreno, com a demanda da infraestrutura urbana, com a escolha da posição de cômodos em relação ao terreno, a seleção dos materiais, a execução da obra e a destinação final de seus resíduos, visto que, a maior parte da população mundial é predominantemente urbana e as cidades precisam de olhares cada vez mais críticos e profissionais na área ambiental.

Diante do exposto, esta investigação busca analisar de que maneira o ensino de sustentabilidade está sendo desenvolvido, visando contribuir para que os alunos do Curso de Arquitetura e Urbanismo do município de Ji-Paraná sejam profissionais diferenciados em relação a aprendizagem da sustentabilidade, tornando-se mais críticos e, portanto, capazes de contribuir para uma nova realidade em relação ao gerenciamento dos recursos naturais, não apenas no município, mas onde quer que eles possam atuar profissionalmente.

2. CARACTERIZAÇÃO DO MUNICÍPIO: contextualização inicial

Para que possamos nos situar no município em questão, é necessária a compreensão da questão histórica da Ocupação de Rondônia. De acordo com Gomes (2012) a ocupação do interior brasileiro foi bem morosa, relacionada a atividades econômicas como as “drogas do sertão”: urucum, canela, cacau, atividades que não proporcionavam ocupações consolidadas, sendo então sua ocupação efetiva nos períodos do ciclo da borracha, que seria fim do século XIX e início do século seguinte.

O 1º ciclo da borracha ocorreu entre 1970 a 1912 e trouxe uma visibilidade Internacional para a Amazônia. O período foi tão marcante que foi chamado de 2ª. Revolução Industrial. O estado do Acre possuía os melhores seringais e a Bolívia também era bastante rica em seringueiras, porém muito isolada. Para atender a interesses trazidos pela nova matéria prima fez surgir uma ideia de construir uma hidrovia no Acre, ideia que foi logo abandonada (GOMES ,2012).

A empresa inglesa Public Works foi então contratada para construir a ferrovia Madeira-Mamoré, porém não conseguiram êxito, por conta das condições climáticas e doenças como a malária. Após várias tentativas frustradas foi aberta uma licitação para a construção da Ferrovia e passada sua concessão ao americano Percival Farquar (GOMES ,2012).

A ação imperialista deste americano, resultou no surgimento de várias localidades e desenvolvimento industrial na Região de Porto Velho, Jaci –Paraná, Guajará Mirim entre outros. Vários trabalhadores recrutados morriam com as epidemias e os negros foram trazidos de diversas regiões como Jamaica, Barbados e outros, porém também foram dizimados pelas epidemias. A ferrovia recebeu a visita de Oswaldo Cruz em 1910, já havia sido construída uma unidade Hospitalar próximo a ferrovia, mas era preciso um plano de combate as epidemias que matavam os trabalhadores (GOMES ,2012).

O município de Ji-Paraná está localizado no Estado de Rondônia (Figura 1), há 374 Km da capital Porto Velho (Figura 2). É conhecido como “ o coração do Estado”, de acordo com o último senso, sua população estimada em 2010 para 2016 foi de 131.560 habitantes. Possui densidade Demográfica: 16,91 hab/ Km². E seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) em 2010 era 0,714, o que é considerado Médio, apenas 20,2 % da população tem esgotamento sanitário adequado (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRÁFIA E ESTATÍSTICA, 2017).

Figura 1. Localização geográfica de Rondônia


Fonte: Brasil, 2017a

Figura 2. Localização geográfica do Município de Ji-Paraná


Fonte: Google Maps, 2017

Ji-Paraná começou a explorar mais terras na década de 70, para tentar acompanhar a modernização agrícola do país durante esse período como a Pecuária familiar, predominantemente leiteira, possuindo plantações temporárias com o feijão e milho e outras culturas como cacau e café (BRASIL,2017b).

O gerenciamento de resíduos sólidos do município foi desenvolvido em conformidade com a Lei Federal nº 11.445/2007, que estabelece a Política Nacional de Saneamento, e também com a Lei Federal nº 12.305/2010, que estabelece a Política Nacional de Resíduos Sólidos (JI-PARANÁ,2012).

No plano municipal a coleta privatizada foi prevista até 2012. Os resíduos são destinados a um aterro controlado localizado na Gleba Pyrineos, no sentido Porto Velho. Alguns serviços como varrição e limpeza de calçadas eram realizados por servidores do município, até então os resíduos da construção civil não eram abordados no plano, sendo tratados por empresas privadas (BRASIL,2012).

Aumento da área desmatada em Rondônia nos últimos 30 anos alterou regime de chuvas, mostram cientistas americanos; mecanismo pode ter implicações para produtividade da agricultura” e o estado de Rondônia já perdeu 50% da sua floresta (BRASIL,2017b).

O município de Ji-Paraná possui a UNIR (Universidade Federal de Rondônia) e diversas outras faculdades particulares, neste último grupo referido, há apenas uma instituição que dispõe atualmente de egressos no município, o Curso de Arquitetura e Urbanismo do CEULJI/ULBRA, sendo, portanto, este curso o objeto de estudo desta pesquisa.

3. A EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA A SUSTENTABILIDADE E SEUS PRINCÍPIOS

A reflexão sobre o meio ambiente é necessária para que o homem se sinta parte da natureza e não superior a ela. Elas salientam a questão da importância desta reflexão não apenas de maneira individual, mas de uma maneira pública. O lixo e a poluição ainda não são vistos e tratados com a gravidade que representam para a degradação do planeta:

Sociedade individualista que, muitas vezes, não se preocupa nem com outros seres humanos, quem dirá com o meio ambiente. Por isso, o processo de aprendizagem e respeito ao meio ambiente deve ser contínuo (LEMES; KAMIMURA, 2009, p.251).

A Conferência de Estocolmo de 1972, que ocorreu na Suécia, é considerada uma Referência no campo político internacional quando o assunto é meio ambiente. O Direito Ambiental surgiu a partir das considerações criadas neste encontro, isso aumentou o compromisso de Estados em relação ao Meio Ambiente em nível internacional (PASSOS, 2009).

Em seguida a Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental aos Países Membros (Tbilisi, CEI, de 14 a 26 de outubro de 1977), define o que é educação ambiental, dando diretrizes para orientar as questões relativas ao assunto desde o âmbito regional até o internacional:

A educação ambiental é o resultado de uma reorientação e articulação de diversas disciplinas e experiências educativas que facilitam a percepção integrada do meio ambiente, tornando possível uma ação mais racional e capaz de responder às necessidades sociais[...] (PARANÁ, 1997, p.1).

No Brasil o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global realizado na Conferência Rio-92 ou Eco-92, “[...]coloca princípios e um plano de ação para educadores ambientais, estabelecendo uma relação entre as políticas públicas de educação ambiental e a sustentabilidade”, a partir desse encontro foi percebido com mais clareza a relação da sustentabilidade com áreas diversas (JACOBI, 2003, p.194).

De acordo com Bonfim et al. (2017), a questão ambiental também é agravada pela falta da praticidade nas normas e nas questões políticas. Para ele, os problemas relativos ao meio ambiente, em que a população não participa da elaboração da sua resolução, não serão de fatos resolvidos. É destacado como a questão ambiental é pouco abordada ou tratada de maneira ineficiente nas Universidades e nas Escolas do País. Vivencia-se no cotidiano, como a mídia influencia no consumo exacerbado e desnecessário no que envolve o modo de vida da população.

De acordo com o autor supracitado, muitas vezes as políticas ambientais e os desejos da sociedade são antagônicos, o que leva ao desperdício de recursos, além do efeito para o meio ambiente também não ser o esperado. Ele conclui que a educação ambiental é necessária para agregar conhecimentos a práticas sociais que devem ser tomadas, para que assim o sujeito tenha dimensão da sua importância como um todo dentro dessa cadeia social, porém não é descartado que medidas legislativas como algumas proibições sejam aplicadas como maneiras paralelas à educação, visto que apenas como forma de punição não se mostram eficazes (BONFIM et al., 2017).

4. A FUNÇÃO SOCIAL DO ENSINO E A FORMAÇÃO DO ARQUITETO E URBANISTA

Zabala (1998) discute sobre o papel da educação na sociedade, pois segundo ele, deve-se questionar se o papel da educação é estritamente relacionado ao aprendizado de matérias tradicionais e a seleção para o mundo universitário ou títulos de notoriedade, ou se a mesma teria um papel mais profundo relativo a outras capacidades como relações interpessoais e capacidades maiores de enfrentar problemas pessoais, sociais e emocionais por exemplo. Ele define educação como “ [...] formar cidadãos e cidadãs, que não estão parcelados em compartimentos estanques, em capacidades isoladas ” (ZABALA,1998, p. 28).

Zabala (1998) destaca o reflexo que o docente tem sobre a formação de seus alunos, através de toda sua prática educativa. O termo conteúdo é utilizado de maneira pejorativa para descrever ou quantificar conhecimento. Quando se relata por exemplo que um determinado livro tem mais conteúdo que outro, estamos restringindo a palavra em um significado que não condiz com sua verdadeira essência. “Portanto, também serão conteúdos de aprendizagem todos aqueles que possibilitem o desenvolvimento das capacidades motoras, afetivas, de relação interpessoal e de inserção social[...]” (ZABALA,1998, p.30).

Em relação as atribuições profissionais a Lei n.°12378, de 31 de dezembro de 2010, que regulamenta as atribuições profissionais da Arquitetura e Urbanismo, é clara com relação as questões relacionadas à sustentabilidade, em seu parágrafo único que trata sobre a atuação:

XI - do Meio Ambiente, Estudo e Avaliação dos Impactos Ambientais, Licenciamento Ambiental, Utilização Racional dos Recursos Disponíveis e Desenvolvimento Sustentável. 

Sobre a formação do arquiteto e urbanista pode-se entender a questão da inserção da sustentabilidade na sua formação citando a questão da tentativa de unificar ao ensino das universidades em 1961, tomando como referência a UNB (Universidade do Brasil), a partir daí as primeiras LBDEN (Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) entrariam em vigor, o que daria origem posteriormente a primeira reforma em 1969 (VILELLA, 2007).

Neste mesmo ano, o Conselho Federal de Educação, separava as matérias básicas na grade curricular das matérias profissionais. Apenas em 1994 o ministro Murilo Hingel estabeleceu mediante a portaria 1.770, as novas diretrizes curriculares com os conteúdos mínimos para o Curso de Arquitetura e Urbanismo, dentro dessas mudanças estavam inseridas a disciplina de conforto ambiental, informática e os trabalhos finais de graduação como obrigatórias (VILELLA, 2007).

Neste contexto, ressalta-se que o grande problema é que disciplinas como Estudos Sociais e Ambientais e Conforto Ambiental não estavam contextualizadas com outras disciplinas, tornando-se na maioria das vezes pouco efetivas no aprendizado sobre o tema. Após as diretrizes de 1999 surgiram as de 2006 que enfatizariam a questão da Arquitetura e Urbanismo diretamente relacionada com a qualidade de vida, questões ecológicas e sustentáveis.

Outro fator muito interessante na nova resolução é a exigência que “a instituição forme profissionais que compreendam e traduzam as necessidades dos indivíduos e comunidades, mas abrangendo a proteção do equilíbrio do ambiente natural e utilização racional dos recursos disponíveis” (VILELLA,2007, p.86).

O conhecimento amplamente difundido de que as cidades, com suas atividades, serviços e transportes, consomem por volta de 40% dos recursos naturais extraídos e 50% da produção de energia, contribuem com aproximadamente 50% dos resíduos sólidos e são responsáveis por até 75% das emissões de gás carbono, impõe a necessidade de uma revisão urgente de atitudes e procedimentos dos setores responsáveis, tanto privados quanto públicos (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS ESCRITÓRIOS DE ARQUITETURA, 2012).

Compreender essas questões ambientais são de extrema importância para a formação do Arquiteto e Urbanista, pois desta maneira ele poderá por exemplo reduzir impactos socioambientais desde a formulação as ideias iniciais relativas ao mesmo, desde o canteiro de obras, a construção e o direcionamento final dos resíduos gerados pela construção (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS ESCRITÓRIOS DE ARQUITETURA, 2012).

5. METODOLOGIA

A pesquisa possui abordagem qualitativa, utilizando a forma de Estudo Exploratório, cujos participantes são os alunos da turma do 5º período do Curso de Arquitetura e Urbanismo. Envolvendo este tema, Esteban (2010) cita a dificuldade de se definir o que é uma pesquisa qualitativa, mostrando que é mais fácil identificá-la mediante seus parâmetros. Ela descreve a pesquisa qualitativa como:

[...] é uma atividade sistemática orientada a compreensão em profundidade de fenômenos educativos e sociais, a transformação de práticas e cenários socioeducativos, a tomada de decisões e também ao descobrimento e desenvolvimento de um corpo organizado de conhecimentos (ESTEBAN, 2010, p.127).

Neste caso é a abordagem que mais se adapta ao estudo proposto.

6. PROCEDIMENTOS

6.1 Levantamento Bibliográfico

Será realizado um levantamento bibliográfico sobre as temáticas sustentabilidade e ensino de arquitetura. “Esse levantamento bibliográfico preliminar pode ser visto como um estudo exploratório, posto que tem a finalidade de proporcionar familiaridade do aluno com a área de estudo que está interessado, bem como sua delimitação” (GIL, 2010, p.46). Este levantamento será feito mediante pesquisa em livros e artigos, bem como consultas Online.

6.2 Estudo Exploratório

De acordo com Gil (2002), as pesquisas exploratórias são muito versáteis e podem envolver entrevistas e levantamentos bibliográficos entre outros, e sua finalidade pode ser uma investigação em particular:

[...]estas pesquisas têm como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito ou a constituir hipóteses. Pode-se dizer que estas pesquisas têm como objetivo principal o aprimoramento de ideias ou a descoberta de intuições. Seu planejamento é, portanto, bastante flexível, de modo que possibilite a consideração dos mais variados aspectos relativos ao fato estudado. (GIL,2012,p.41)

Como a base da pesquisa foi mediante pesquisa bibliográfica e entrevistas, para um maior entendimento do problema de pesquisa, pode se confirmar o caráter exploratório da mesma.

6.3 Os instrumentos de Coleta de Dados foram:

6.3.1 Aplicação de Questionário aos Acadêmicos

Foi aplicado um questionário na turma do 5º período do primeiro semestre de 2017, para que se pudesse avaliar se o conteúdo abordado interferiu de alguma maneira no aprendizado sobre a temática sustentabilidade dentro da arquitetura. O questionário também abordou sugestões de temas do interesse dos alunos dentro da temática sustentabilidade, pretendendo assim, enriquecer a disciplina de Tópicos de Arquitetura 2. Sendo esta disciplina, a única no Curso, onde a temática sustentabilidade é abordada durante todo semestre e não apenas em um conteúdo específico.

6.3.2 Observação e Coleta de Dados

A pesquisa foi iniciada no primeiro semestre; a turma é bastante heterogênea, visto que o Curso de Arquitetura e Urbanismo possui grade aberta, assim participaram 12 homens e 16 mulheres, com idade que variava entre os 18 e 49 anos de idade. Para preservar o anonimato dos estudantes, eles foram identificados como A1, A2, A3, A4.

A disciplina analisada foi “Tópicos de Arquitetura II”, que tem na ementa a abordagem na área da sustentabilidade, tratando apenas de temas sobre o assunto, englobando a Arquitetura e Urbanismo.

O instrumento de pesquisa compunha-se de 5 questões sobre dados pessoais como Idade, onde cursou o Ensino Básico e Nível de Escolaridade dos pais. A parte de dados profissionais possuía questões sobre se o aluno trabalha na área de Arquitetura e Urbanismo ou em outra área e há quanto tempo, perguntas sobre atividades práticas relacionadas à aplicação da Sustentabilidade, bem como o entendimento do aluno sobre o tema Sustentabilidade.

7. ANÁLISE E DISCUSSÕES

A avaliação dos resultados foi embasada no método de Análise de Conteúdo, fazendo a relação entre a teoria e a prática. Bardin (2011) confere a análise de conteúdo “como um conjunto de técnicas de análise das comunicações que utiliza procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens” Bardin (2011,p.44), partindo-se assim não só do que está dito, como também o que está implícito nas informações.

O quadro 1 apresenta a opinião dos alunos sobre as práticas relacionadas à aplicação de conhecimentos sobre Sustentabilidade, quando foi questionado se eles tiveram a oportunidade de vivenciá-las na sua graduação.

Quadro 1. Práticas relacionadas à aplicação dos conhecimentos sobre sustentabilidade

Categoria

Subcategoria

Frequência

Uso sustentável dos recursos naturais com parcimônia.

Trabalho tudo dentro de uma sustentabilidade, mas não sou radical pois entendo todas as necessidades do mundo para crescer.

A3, A9

Ações antrópicas e gerenciamento de materiais da construção civil.

Atividades sobre degradação de áreas naturais, sustentabilidade dentro da arquitetura.

A4, A6, A8

Palestra sobre legislação ambiental.

A8

Reutilização de materiais como pallets, para fabricação de móveis e para a estrutura de hortas verticais.

A10, A15

Educação Ambiental e a aplicação da arquitetura sustentável.

Leitura de pesquisas sobre arquitetura sustentável, nas disciplinas de tópicos 2 e planejamento urbano e regional.

A9

Práticas envolvendo a Ecologia e Botânica.

Oficinas sobre canteiros ecológicos e reutilização de materiais reciclados como madeira.

A5, A6, A10, A24


Arborização e montagem de hortas verticais com garrafas pet (para uso decorativo).

A10, A15, A23

Sem condições de opinar.

Não tive a oportunidade de realizar atividades práticas relacionadas à sustentabilidade.

A1, A2, A7, A11, A12, A13, A14, A16, A17, A18, A19, A20, A21, A22, A25, A26, A27, A28.



O resultado mostra que, de um total de 28 alunos, 18 ainda não vivenciaram ou não se acham em condições de opinar sobre o assunto. Um aluno descreveu palestra como atividade prática. O maior percentual dentre os participantes destas atividades práticas está entre alunos que participaram de atividades de arborização e trabalharam com algum tipo de reaproveitamento de materiais, como a produção de hortas e mobiliários com pallets. Análise de Conteúdo foi realizada seguindo os pressupostos de Bardin (2011).

O quadro 2 é uma análise das opiniões dos alunos sobre sugestões para que a Sustentabilidade fosse implementada no Município. Foram requisitadas no mínimo três sugestões por acadêmico.

Quadro 2. Sugestões para implementação da sustentabilidade no município em que reside

Categoria

Subcategoria

Frequência

Arborização urbana.

Projetos que incentivem a arborização urbana.

A1, A2, A6, A19, A20, A21, A23,A27

Economia e gerenciamento de recursos naturais.

Programas de conscientização de economia dos recursos (água, energia, etc ...).

A1

Geração de energia limpa, solar.

A3, A20

Saneamento básico.

A9, A10,A12, A18, A19, A25,A28

Recuperação de áreas degradadas.

A10, A15, A17

Aproveitamento de água

A12, A15

Meios de Transportes.

Redução da poluição através do uso de meios de transportes alternativos.

A1, A6,A23

Educação para o desenvolvimento sustentável.

Conscientização da comunidade em relação às práticas sustentáveis.

A2, A3, A4, A6, A9, A10, A11,A13, A16, A22,A26,A27

Ações que beneficiem a qualidade de vida.

A8

Coleta seletiva e destinação adequada de resíduos sólidos.

Coleta seletiva de resíduos sólidos com remuneração para os fornecedores ou participantes.

A3, A4, A10, A14, A15, A17, A18, A22,A23, A27, A28

Criação de cooperativas de reciclagem; programas de incentivo ao fim do uso de copos descartáveis ou usá-los o mínimo possível. Instalação de aterro sanitário.

A5, A21, A24,A28

Legislação Ambiental.

Incluir um item sobre sustentabilidade nos projetos arquitetônicos do município (plano diretor).

A7

Medidas Sócio-Educativas

Implementação de multas de infração e fiscais suficientes durante e todo o processo de reeducação social.

A9, A18

Projetos Práticos de extensão

Desenvolver projetos práticos com a comunidade.

A11



O Quadro 2 demonstra a preocupação da maioria dos acadêmicos em relação a questões como arborização, que é precária no Município, porém a grande maioria, 12 (doze) dos entrevistados, demonstraram preocupação em relação a Educação Ambiental, em relação à “Conscientização da comunidade em relação às práticas sustentáveis”. A coleta seletiva também é uma preocupação dos acadêmicos, já que ela não existe no Município.

Como observado na Contextualização sobre o Município, o saneamento básico é bastante deficiente com prazos estendidos em relação ao Planejamento Inicial. Entre o total entrevistado, 7 (sete) alunos frisam a questão do saneamento como item de grande importância para a Sustentabilidade. A questão da geração de Energia Limpa foi abordada por apenas dois acadêmicos, a legislação Ambiental como ferramenta para um Município mais sustentável foi citada por apenas um acadêmico, bem como a elaboração de projetos de extensão envolvendo acadêmicos e a comunidade sobre a temática Sustentabilidade.

Do total de 28 acadêmicos, apenas 3 (três) citaram a Recuperação de Áreas Degradadas como fator relevante para a Sustentabilidade no Município.

8. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os dados apresentados indicaram que os acadêmicos participantes do estudo não tiveram a oportunidade de realizar atividades práticas, relacionadas à sustentabilidade. Diante deste fato, sugere-se a implementação de estratégias didáticas integradoras de todos os componentes curriculares, visando o estimulo da perspectiva sustentável no âmbito acadêmico.

Este Estudo Exploratório possibilita sugerir um Plano de Ensino, que aborde de maneira mais eficiente a temática proposta, com vistas a formar, não apenas profissionais mais sensíveis a questão ambiental, mas cidadãos que tenham uma visão mais crítica em relação à Sustentabilidade, para que possam contribuir futuramente na construção de um Município mais sustentável, almejando assim um Planeta socialmente mais justo e com melhoria na qualidade de vida dos seus habitantes.

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ZABALA, Antoni. A Prática educativa: como ensinar.Tradução de Ernani F. da Rosa. Porto Alegre: AtrMed,1998.



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