ISSN 1678-0701
Número 62, Ano XVI.
Dezembro-2017/Fevereiro-2018.
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Relatos de Experiências

11/12/2017AS TARTARUGAS MARINHAS NO LITORAL DE IPOJUCA/PE - CONSTRUINDO SABERES COM CRIANÇAS  
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AS TARTARUGAS MARINHAS NO LITORAL DE IPOJUCA/PE - CONSTRUINDO SABERES COM CRIANÇAS

Ana Luiza de Souza Trindade1, Arley Cândido da Silva 2, Ednilza Maranhão dos Santos 3

 

1  Educandário Divino Mestre... Ipojuca, PE

2 Gestor da Organização Não Governamental Ecoassociados, Ipojuca, PE

3 Professora do Laboratório Interdisciplinar de Anfíbios e Répteis da Universidade Federal Rural de Pernambuco. Recife, PE

 

Resumo

O objetivo do trabalho foi promover atividades educativas voltada para a conservação das espécies de tartarugas ameaçadas de extinção. Foram realizadas cinco atividades com crianças, em espaços dentro e fora da escola. Desenhos foram utilizados para registro das representações e preparo de um paradidático.

Abstract

The objective of this work was to promote educational activities aimed at the conservation of species of endangered turtles. Five activities were carried out with children, indoors and out of school. Drawings were used to record the representations and prepare a paradidático.

Introdução

             Quatro espécies de tartarugas marinhas (Caretta caretta, Chelonia mydas, Eretmochelys imbricata, Lepidochelys olivacea) nidificam no litoral Sul de Pernambuco mais precisamente no município de Ipojuca, sendo a Eretmochelys imbricata a espécie com maior número de registros reprodutivos (Simões et al., 2014). Todas se encontram na lista de espécies ameaçadas de extinção (IUCN, 2017; ICMBio, 2017). Sendo necessárias ações que possam contribuir para mudar esse cenário de declínio desses animais e consequentemente minimizar os impactos em relação a essas espécies.

            Um dos instrumentos que contribui para fortalecer a conservação das tartarugas é o PAN - Plano de Ação Nacional para a Conservação das Tartarugas Marinhas - (PAN, 2011) que abrange ações de conservação das espécies que ocorrem na costa brasileira. Uma das diretrizes do PAN é a Educação Ambiental (E.A.), com destaque para as ações educativas envolvendo as comunidades humanas que vivem no litoral, especificamente nas áreas de nidificação de tartarugas.  A E.A. tem como intuito promover mudanças de hábitos e atitudes, que promovam o restabelecimento do equilíbrio de espécies ameaçadas (Freire, 2000). Entretanto, a E.A. deve ser abordada em todos os aspectos da sociedade, principalmente no ambiente escolar que é o melhor local para obtenção de conhecimentos e onde ocorre a formação cidadã de cada indivíduo.

            Considera-se que no ambiente escolar as aulas fora da sala de aula em espaços para a educação não formal, o processo de sensibilização é mais eficiente, isso devido a vários sentidos que estão sendo estimulados tornando mais significativo à ação (Gohn, 2006). Ao sair da sala de aula e visitar outros espaços a criança tem oportunidade de observar melhor o mundo e se sente parte dele como cidadão. Para auxiliar no processo de valorização de espaços importantes que estão perto da escola. O incentivo do professor em destacar a história de atores que realizam serviços importantes para conservação das espécies pode estimular novos atores e multiplicadores para contribuir na proteção de espécies ameaçadas de extinção. Uma das ferramentas interessantes nesse processo é o livro paradidático que auxilia na formação científica e popularização da ciência, bem como no registro de fatos históricos que há na memória da comunidade em que a escola está inserida. O objetivo desse trabalho foi promover ações educativas e relatar experiências, como foco na educação ambiental de crianças de séries iniciais do ensino fundamental de uma escola do Município de Ipojuca/PE, voltada para sensibilização e valorização sobre a conservação das tartarugas marinhas.

Material e Métodos

  • Área d Estudo

O Educandário Divino Mestre (espaço formal), escola a qual as turmas foram selecionadas, está localizada no Bairro de Nossa Senhora do Ó. A ONG Ecoassociados (espaço não formal) localiza-se no Bairro de Porto de Galinhas. Ambos os bairros pertencentes ao Município de Ipojuca, litoral sul de Pernambuco, a 57 km de Recife, com coordenadas geográficas de 08º24'06"S e 35º03'45"W. Tal Município apresenta 32 km de área litorânea, sendo que em 12 km há monitoramento pela ONG Ecoassociados que vem registrando desovas de tartarugas marinhas nas praias de Muro Alto, Cupe, Merepe, Porto de Galinhas, Maracaípe e Pontal de Maracaípe (Simões et al., 2014).

·        Caracterização do Público Alvo

As turmas trabalhadas foram o 3º, 4º e 5º ano das séries iniciais do Ensino Fundamental (faixa etária de 08, 09 e 10 anos, respectivamente) da escola particular Educandário Divino Mestre atuante na formação das novas gerações há 20 anos. Atualmente conta com sete salas de aula distribuídas entre turmas da Educação Infantil e Ensino Fundamental I. Essas turmas foram selecionadas por serem crianças que não dominam totalmente a leitura e escrita, prevalecendo uma maior facilidade para expor seus conhecimentos por meio de desenhos e por nunca ter tido contato com a ONG Ecoassociados nem com tartaruga marinha. Havendo a participação de 23 alunos (só os que foram autorizados pelos responsáveis).

·        Procedimento Metodológico

            Inicialmente foi realizada uma reunião com a direção da escola e professores para obter o aceite do trabalho e apoio durante as atividades. O trabalho foi dividido em cinco atividades onde os alunos vivenciavam e aprendiam sobre as tartarugas marinhas e o meio onde elas estão inseridas de forma continua e gradativa. Com aulas intercaladas entre o ambiente formal e não formal, realizada entre os meses de fevereiro a abril de 2017 com intervalo médio de 15 dias de uma atividade para outra e ao final de cada uma, os alunos eram estimulados a produzirem desenhos em folhas de ofício (papel A4) representando o que vivenciaram naquele momento, destacando a sua percepção sobre o que foi aprendido com a identificação do conteúdo e das representações expressadas.

 

ü  Roda de Conversa e Conhecimentos Prévios (09/02/17)

            No primeiro momento houve uma roda de conversa, em sala de aula, explicando como todo o projeto funcionaria e entregue o pedido de autorização, encaminhado para os responsáveis, para que cada criança pudesse participar das aulas extraclasses. Também foi feito o levantamento dos conhecimentos prévios gerais das turmas com abordagens sobre habitat, hábito, formato do corpo do animal e tipo de reprodução (Figura 1). Ao final, os primeiros desenhos sobre o que eles já conheciam foram produzidos.

 

ü  Visita ao Museu de Tartarugas Marinhas da ONG Ecoassociados (23/02/17)

Aula extraclasse realizada na sede da Ecoassociados em Porto de Galinhas, com o objetivo de conhecer o museu de tartarugas marinhas obtendo conhecimentos específicos sobre cada espécie e entender a metodologia de trabalho da ONG (Figura 1). Nesta ocasião foi apresentada toda a biologia das tartarugas marinhas enfocando hábitat, hábito, ciclo de vida, período de temporada reprodutiva e os impactos ambientais causados por fatores ecológicos e antrópicos, além da observação das peças morfológicas expostas pelo museu. Ainda foi trabalhada a etapa de reabilitação de três filhotes de Tartaruga de Pente (Eretmochelys imbricata) que se encontravam no local há 01 ano em reabilitação por terem sido capturados de uma ninhada onde todos os filhotes apresentaram problemas de má formação do crânio, sendo a visão o sentido mais afetado.

 

ü  Histórico da ONG Ecoassociados (16/03/2017)

A Ecoassociados foi apresentada aos alunos através de uma roda de conversa com a Coordenadora Gerlaine Silva no próprio espaço da ONG (Figura 1). Os mesmos puderam aprender sobre seu surgimento e atuação no Município de Ipojuca, levantando todos os riscos que as tartarugas marinhas estão vulneráveis, principalmente os hábitos, costumes e cultura dos pescadores nativos de comunidades costeiras do mundo inteiro. Aspectos como os 3R (reduzir, reciclar e reutilizar) também foi abordado assim como os impactos ambientais ocasionados pela má utilização dos recursos naturais.

 

ü  Aula Expositiva sobre o Ecossistema Marinho e Atividade Prática de Campo (30/03/2017)

Foi realizada palestra expositiva, na escola, durante o horário normal de aula, sobre o ecossistema marinho abordando todos os aspectos, componentes (faixa de praia, restinga, recifes de corais, manguezal), fatores bióticos e abióticos, importância, diversidade e principais impactos ambientais. Como atividade prática, os alunos foram levados à praia de Merepe - Porto de Galinhas às 16h onde puderam visualizar alguns dos componentes do ecossistema marinho, como a restinga que ainda existe neste Município, a faixa de praia e a interação de algumas espécies com esse ecossistema. Puderam também, presenciar a soltura de filhotes de duas espécies de tartarugas marinhas: Eretmochelys imbricata (Tartaruga de Pente) e Caretta caretta (Tartaruga Cabeçuda) (Figura 1).

 

ü  Roda de Conversa e Avaliação Geral das Turmas (13/04/2017)

Último encontro realizado na escola. Novamente, uma roda de conversa foi feita para avaliar o conhecimento geral das turmas em comparação com os conhecimentos prévios e todos os aspectos trabalhados durante o desenvolvimento das atividades, sendo revisados os pontos mais importantes. Assim, encerrando as atividades (Figura 1).

 

 

Figura 1. Registros das atividades educativas com alunos do Ensino Fundamental sobre as tartarugas marinhas em Ipojuca/PE, no período de fevereiro a abril de 2017. A = Parte da turma registrando os conhecimentos pérvios (09/02/17). B + C + D = Circuito no Museu de Tartarugas Marinhas da ONG Ecoassociados. B e C - Área interna do museu; D - Área externa, tanque onde se encontram os filhotes (23/02/17). E = Roda de conversa sobre o histórico da Ecoassociados com a coordenadora da ONG, Gerlaine Silva (16/03/2017). F = Soltura de filhotes de tartarugas marinhas em Porto de Galinhas realizado pela ONG Ecoassociados, com a presença dos alunos (30/03/2017). G = Elaboração dos desenhos e encerramento das atividades (13/04/2017).

 

Resultados e Discussão

Os 23 alunos participaram das cinco atividades e cada criança esteve à vontade para construir um ou mais desenhos ao final de cada vivencia. Logo, um total de 120 desenhos foi construído. Os primeiros desenhos, referentes à primeira atividade, foram desenhos simples, construídos a partir dos conhecimentos prévios das turmas. A partir da segunda atividade, com as vivencias práticas, percebe-se a construção de representações gráficas cada vez mais ricas em cores e detalhes.

Os desenhos mais desenvolvidos e completos em relação aos temas estudados serviram para ilustrar um paradidático infantil “Arley e as tartarugas” (Apêndice A), direcionado ao público infantil a partir dos sete anos de idade, objetivando contar a biologia das tartarugas marinhas, o histórico, trabalho e curiosidades da ONG Ecoassociados em prol da conservação das tartarugas marinhas no Município de Ipojuca/PE de forma simples e lúdica.

No primeiro momento, o conhecimento prévio das turmas foi estimulado. A maioria dos desenhos foi de representações relacionadas à biologia das tartarugas marinhas, principalmente sobre a morfologia externa com desenho similar ao real independente da coloração utilizada e tipo de reprodução (58,82%), ovos depositados na areia. Em relação ao hábitat, 58,82% não sabiam ou deixaram indefinido. Esse resultado mostrou que os meninos tinham breve conhecimento sobre os animais, ou por meio de comunicação (Televisão e internet) e ou por alguns terem visto na praia.

Nos desenhos, após o trabalho com as informações e vivencias, as crianças representaram com os novos conhecimentos adquiridos sobre a biologia, hábito, hábitat, morfologia externa, alimentação, reprodução e ciclo de vida. A maioria representou bem a biologia, as diferencias entre as espécies e também registraram nos desenhos as ameaças e impactos que as espécies de tartarugas sofrem ao chegar ao litoral de Ipojuca, evidenciando a morte por encalhes de redes de pesca.  De um modo geral o desenho representa uma expressão do real, do observado. Nesse sentido, compreender a complexidade homem natureza, envolvendo-os a realidade local a partir do contexto onde estão inseridos é fundamental na formação de indivíduos críticos e participativos capazes de atuar sobre os problemas ambientais (Bacci & Pataca, 2008).

Durante a visita a Ecoassociados e ao museu os alunos tiveram a oportunidade de saber mais sobre as espécies e os perigos frequentes que elas vêm sofrendo quando os pescadores e a população local não são conscientes sobre as suas atitudes. Eles escutaram atentos os biólogos e estudantes e tiveram a oportunidade de tocar e ver o acervo. Concomitantemente, a história sobre como surgiu a ONG e o trabalho que realiza foi contada pelo coordenador da ONG. Esse momento foi bem representado através dos desenhos. Foi marcante para a maioria, quando se falou do surgimento da ONG, sua importância e os tipos de riscos que as tartarugas sofrem (Figura 2). Acreditamos que essa atenção dada a esse momento estava relacionada aos personagens dessa história verídica, ser um menino adolescente que resolveu se juntar a amigos e ajudar na conservação das espécies, e em todo momento era como se esse menino pudesse ser cada um dos alunos também. A forma pedagógica como foi contada a história da ONG obteve um papel importante na sensibilização das crianças.

Na Figura 3, os alunos relatam a importância da preservação dos componentes do ecossistema marinho como habitat para diversos tipos de espécies, necessárias para o bom funcionamento da cadeia alimentar (87%). Assim como, para as possíveis relações de interação estabelecidas por outros animais (89%). Na prática puderam observar parte da restinga ainda presente nesse litoral e a soltura de filhotes de duas espécies de tartarugas marinhas, a Tartaruga de Pente (Eretmochelys imbricata) e Tartaruga Cabeçuda (Caretta caretta). No momento da soltura dos filhotes (as 16h) apenas 43% dos alunos puderam estar presentes por se tratar de horário diferente do horário normal de aula (7:30h as 11:30h). Todavia a maioria que estiveram presentes, evidenciaram as principais informações faladas e observadas durante a atividades, como por exemplos a diversidade de seres marinhos que existem e sua importância para manutenção do pescado, bem como todo aparato que o pessoal da ONG utiliza durante a soltura como a fita que é colocada para fazer uma barreira de contenção para evitar que as pessoas se aproximem de mais e terminem pisando nos filhotes (Figura4)

 

Figura 2. Conhecimentos específicos sobre a ONG Ecoassociados relacionados aos desenhos dos alunos da escola Educandário Divino Mestre no dia 16/03/2017. A = Avaliação dos conhecimentos adquiridos sobre o surgimento, importância e atuação da Ecoassociados em prol da conservação das tartarugas. B + C = Desenhos dos alunos retratando o método de caça que os pescadores utilizavam no passado para consumir e vender carne e ovos de tartarugas.

 

            Figura 3. Aula expositiva (em sala) sobre o ecossistema marinho e soltura de filhotes de tartarugas marinhas em Porto de Galinhas/ PE relacionados aos desenhos dos alunos da escola no dia 30/03/2017. A = Avaliação dos conhecimentos adquiridos durante a aula expositiva sobre o ecossistema marinho. B + C = Desenhos dos alunos representando o ecossistema marinho e a soltura dos filhotes.

 

           

 

Na última atividade os mesmos entenderam a importância das ações de E.A. promovidas pela Ecoassociados no litoral de Ipojuca (88%) em relação à poluição e ao tipo de material usado durante a atividade de pesca (87%) visando alcançar a restauração do equilíbrio ecológico do ecossistema marinho e de espécies ameaçadas de extinção, como as tartarugas marinhas.  Ainda nessa atividade, foi feita uma roda de conversa onde os alunos expuseram o que foi mais marcante para cada um englobando todas as vivências anteriores sobre a biologia das tartarugas (85%) e sobre o ecossistema marinho (87%).

Foi evidente a participação da maioria das crianças, como também o entusiasmo e a curiosidade. A preocupação deles com as fêmeas,os ninhos e filhotes foi bem interessante.

"Elas colocam ovo." J H

"Elas vivem no mar." M F

"Elas comem peixe, tia." L V

São indefesas, precisam de proteção pois correm riscos de extinção” L M

“São bonitas e grandes, indefesas e precisam de proteção” E V

 

 

Figura 4. Final das atividades com roda de conversa onde os alunos da escola Educandário Divino Mestre expuseram o que foi mais marcante para cada um durante as vivências anteriores no dia 13/04/2017. A = Avaliação da evolução do conhecimento geral das turmas sobre todos os assuntos estudados. B + C = Desenhos retratando a diversidade do ecossistema marinho e tentativa de restauração do equilíbrio desse meio mediante ações da Ecoassociados.

.

 

É notável que a realização de ações e ou práticas educativas fortalece a E. A. dentro e fora da escola. Boa parte dos alunos mora em comunidades próxima as áreas de nidificação de Tartarugas, mas só tiveram a oportunidade de conhecer mais sobre as espécies a partir dessa oportunidade. É de fundamental importância para a compreensão da complexa realidade em que a sociedade esta inserida a informação, para que possa ter ações de cidadania. A dessa vivencia com os alunos e principalmente tendo como base os desenhos, foi possível ter representações que ajudaram na avaliação dessa prática como experiência exitosa na ação educativa e pode servir de exemplos para outras escolas. Para Mendonça (2007) “é a educação ambiental, de fato, que consegue promover ou sensibilizar para a mudança de hábitos da vida do cotidiano atual. Já que o ser humano vive condicionado a costumes, cultura e hábitos que por vezes chegam a limitar ou impedir o sucesso na preservação de espécie”. Logo, projetos devem ser planejados e aplicados de forma eficiente para a construção de uma cidadania ecologicamente mais correta. Essa eficiência é ainda mais intensificada quando começada os valores ecológicos são adquiridos durante a infância.

O ambiente escolar é mediador de conhecimento e é o melhor local para por a E.A. em prática, na realidade é uma necessidade (Gohn, 2006). Já que é nesse ambiente que a consciência critica, cidadã e ecológica é formada, todavia enxergar espaços educativos fora da escola se torna mais eficiente essa valorização e sensibilização ecológica. A escola é o principal local onde as crianças passam a maior parte do tempo e é onde ocorre a aquisição de valores sociais, éticos e ambientais (Gazzineli, 2002). Tendo a certeza da formação de jovens e adultos comprometidos com o equilíbrio ambiental, sendo talvez, mais bem sucedidos em questões ambientais que a geração atual.

Sobre os desenhos, Ferreira & Silva (2012, p. 51) afirmam:

“As impressões que as crianças têm da realidade experenciada não se amontoam, imóveis, em seu cérebro. Elas constituem processos móveis e transformadores, que possibilitam à criança agrupar os elementos que ela mesma selecionou e modificou e combiná-los pela imaginação. O desenho que a criança desenvolve no contexto da escola é um produto de sua atividade mental e reflete sua cultura e seu desenvolvimento intelectual...”

Vygotsky (1997) considera que “as crianças não desenham apenas aquilo que vêem, mas sim aquilo que elas sabem e aprendem a cada experiência vivida, representando um modo simbólico para objetivar o seu pensamento”. E, ainda segundo esse autor, as crianças vão perdendo a vontade de expressar suas idéias ao chegarem à adolescência que é quando dominam muito bem a fala e escrita.

Os desenhos foram tão instigantes, que com a história contada foi organizado um paradidático infantil “Arley e as tartarugas”. Arley é um dos meninos que resolveu ajudar a conservar as tartarugas. Uma história de um nativo do município de Ipojuca, que há 20 anos tem dedicado a sua vida a conservação dessas espécies. Atualmente, Arley Cândido é o presidente da ONG Ecoassociados, uma entidade de conservação de tartarugas marinhas com sede em Porto de Galinhas, sendo o responsável por protegê-las em todo o litoral de Pernambuco. É um livro didático de linguagem simples e ilustrado com desenhos de crianças do Ensino Fundamental I após terem experiências com espécies de tartarugas marinhas e com o espaço desta entidade de conservação. Com o objetivo de informar e divertir estimulando o leitor a conhecer e respeitar tanto as tartarugas marinhas quanto o ambiente onde estão inseridas.

 

Conclusão

A partir dos desenhos foi evidenciada a representação da vivencia entre espaço não formal e espaço formal na formação de atores ambientais para a conservação de tartarugas marinhas e ao meio onde estão inseridas e o quão significativo foram às aulas extraclasses e o contato com o real, evidenciando as necessidades. Logo, conclui-se que a educação ambiental deve ser abordada em todos os níveis e modalidades do processo educativo formal e não formal, principalmente, nas modalidades de ensino infantil, formando cidadãos críticos, participativos e conscientes de seus deveres e responsabilidades para com o meio ambiente e espécies ameaçadas. Sendo assim, espera-se que possam contribuir com a conservação das tartarugas marinhas sendo disseminadores e multiplicadores de todas as informações adquiridas, direta ou indiretamente.

 

Referências Bibliográficas

Bacci, D. C.; Pataca, E. M. (2008) - Education for Water. Estudos avançados, vol. 22, n. 63, São Paulo. (ISSN 0103-4014 / On-line version ISSN 1806-9592). Disponível on-line em: http://www.scielo.br/pdf/ea/v22n63/en_v22n63a14.pdf.

 

Ferreira, S. C.; Silva, S. M. C. (2012) - “Faz o chão pra ela não ficar voando”: o desenho na sala de aula. In: S. Ferreira (org.). O ensino das Artes: construindo caminho (pp. 139-179). 10ª edição, (ISBN 978-85-308-0642-2). Campinas, SP: Papirus – Coleção Ágere.

 

Freire, P. (2000) - Pedagogia da indignação: cartas pedagógicas e outros escritos / Paulo Freire. – vol. 2, n. 1, pp. 108-116. (ISBN 85-7139-291-2). Universidade Nove de Julho, São Paulo: Editora UNESP.

 

Gazzinelli, M. F. (2002) - Representações do Professor e Implementação de Currículo de Educação Ambiental. Caderno de Pesquisa, n. 115, pp.173-194, Salvador/BA (ISSN 1980-5314).

 

Gohn, M.G. Educação não-formal, participação da sociedade civil e estruturas colegiadas  nas escolas. Ensaio  - Avaliação e Políticas Públicas em Educação

. Rio de Janeiro, v. 14, n. 50, p. 27-38, 2006.

 

ICMBio - Instituto Chico Medes (2017) - Lista de espécies da fauna e flora ameaçada de extinção. Disponível em: <http://www.icmbio.gov.br/documentos/listas-de-especies-da-fauna-e-flora-ameacadas-de-extincao>.

 

IUCN (2017) - IUCN Red List of Threatened Species. IUCN - International Union for Conservation of Nature and Natural Resources. Disponível em: http://www. iucnredlist.org/.

 

Mendonça, R. (2007) – Educação Ambiental Vivencial. In: Encontros e Caminhos: Formação de Educadores Ambientais e Coletivos Educadores. LuizAntonio Ferraro Júnior (org.). Brasília: MMA, Diretoria de Educação Ambiental. V. 2. 352 pp. 116-129, (ISBN 85-7738-044-0).

 

PAN (2011) - Plano de Ação Nacional para a Conservação das Tartarugas Marinhas / Alexsandro Santana dos Santos [et al.]; organizadores: Maria Ângela Azevedo Guagni Dei Marcovaldi, Alexsandro Santana dos Santos. – Brasília: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, ICMBio. 120 pp.: il. color. ; 21 cm, (ISBN: 978-85-61842-36-9). (Série Espécies Ameaçadas, 25).

 

Simões, T. N.; Silva, A. C.; Santos, E. M.; Chagas, C. A. (2014) - Temperatura de incubação e razão sexual em filhotes recém-eclodidos da tartaruga marinha Eretmochelys imbricata (Linnaeus, 1766) no município do Ipojuca, Pernambuco, Brasil.  V. 54, n. 25, pp. 363-374. Papéis Avulsos Zoologia (São Paulo),  São Paulo, Brasil. (ISSN impresso: 0031-1049/ ISSN on-line: 1807-0205).

 

Vygotsky, L.S. (1997) - La imaginación y el arte en la infancia. México: Fontamara. Disponível on-line em: http://moodle2.unid.edu.mx/dts_cursos_mdl/lic/ED/DC/AM/10/La_imaginacion_y_el_arte_en_la_infancia.pdf.

 



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