ISSN 1678-0701
Número 62, Ano XVI.
Dezembro-2017/Fevereiro-2018.
Números anteriores 
Início      Cadastre-se!      Procurar      Submeter artigo      Fazer doação      Contato     Apresentação     Normas de Publicação     Artigos     Dicas e Curiosidades     Reflexão     Para sensibilizar     Dinâmicas e recursos pedagógicos     Entrevistas     Culinária     Arte e ambiente     Sugestões bibliográficas     Educação     Você sabia que...     Contribuições de Convidados/as     Práticas de Educação Ambiental     Sementes     Educação e temas emergentes     Ações e projetos inspiradores     Gestão Ambiental     Cidadania Ambiental     Relatos de Experiências     Notícias
Artigos

11/12/2017CONTRIBUIÇÃO DA EXTENSÃO UNIVERSITARIA PARA A MOBILIDADE SUSTENTÁVEL - O PROGRAMA CICLOVIDA DA UFPR  
Link permanente: http://www.revistaea.org/artigo.php?idartigo=2988 
" data-layout="standard" data-action="like" data-show-faces="true" data-share="true">

Título título título título título

CONTRIBUIÇÃO DA EXTENSÃO UNIVERSITARIA PARA A MOBILIDADE SUSTENTÁVEL - O PROGRAMA CICLOVIDA DA UFPR

 

José Carlos Assunção Belotto

Mestrando em Desenvolvimento Territorial Sustentavel - UFPR

Tecnico da Divisão de Gestão Ambiental - Universidade Federal do Paraná

Email: jcbelotto@gmail.com

Rodrigo Rossi Horochovski

Doutor em Sociologia Política - UFSC

Professor do Setor Litoral - Universidade Federal do Paraná

Email: rodrigoh33@gmail.com,

 

Resumo

Engarrafamento, desastres e poluição (sonora, ambiental e visual), são problemas resultantes da atual cultura de mobilidade que prioriza o transporte automotivo individual. Boas práticas para mitigar esse impacto têm sido desenvolvidas na Universidade Federal do Paraná pelo Programa de Extensão Universitária Ciclovida, que incentiva uma nova cultura de mobilidade urbana sustentável, especialmente através do uso de bicicletas como meio de transporte. Este artigo apresenta o estudo de caso do Ciclovida analisando as suas estratégias e ações através da revisão de literatura, documentos e ação participante. Os resultados apresentam como a extensão universitária através do Ciclovida contribui para a difusão de uma cultura de mobilidade mais saudável e sustentável, por meio da inclusão deste tema em disciplinas de cursos de graduação da UFPR, apoiando e incentivando a pesquisa acadêmica, elaborando publicações e implantando infraestrutura nos campi; promovendo a articulação com a sociedade civil e o poder publico visando a implantação de politicas publicas, dando ao programa um papel importante como um núcleo irradiador para a propagação da cultura da mobilidade sustentável.

 

Palavras chave: Mobilidade Urbana Sustentável. Bicicleta. Extensão Universitária

 

Abstract

Traffic jam, disasters and pollution (noisy, environmental, and visual) are problems originated from the current mobility culture that prioritizes the individual automotive transportation. Good practices to mitigate this impact have been developed in the Federal University of Paraná (UFPR) by the University Extension Program called Ciclovida, which incetivates a new sustainable urban mobility culture, especially through the usage of bycicles as a mean of transport. This article presents a case study of Ciclovida, analyzing its strategies and actions through the literature review, documents and participant action. The results show as the university extension with Ciclovida contributes to the propagation of a mobility culture healthier and more sustainable, by the inclusion of this theme in the subjects of the UFPR graduation courses, supporting and incetivating the academic research, developing scientific publications and implementing the infrastructure in the campi. Finally, it promotes the articulation with the civil society and the public power, aiming the public packages implementation. All of this gives to the Program an important role as influencer and propagater of the urban mobility culture.

 

Keywords: Sustainable Urban Mobility, Bycicle, University Extension

 

1. INTRODUÇÃO

A cultura de mobilidade rodoviarista se esplalhou pelo planeta, principalmente no período pós Segunda Guerra Mundial e influenciou o planejamento urbano fornecendo ao automóvel quase toda a prioridade e moldando as cidades para o seu uso. Porém, este modelo focado no transporte individual motorizado, em detrimento ao transporte coletivo e os modos não motorizados, tem apresentado sinais de saturamento, causando diversos prejuízos para a qualidade de vida urbana, tanto no que diz respeito à poluição ambiental, nas mortes e feridos em acidentes de trânsito e também no stress devido ao tempo perdido nos engarrafamentos. (SOARES et al., 2013)

Segundo dados do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR) no estado do Paraná a frota de veículos apresentou um crescimento de 68% nos últimos oito anos, passando de 3,9 milhões para 6,6 milhões. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no mesmo período, o aumento da população no Estado, foi de somente 8,5%, passando de 10,2 milhões para 11,1 milhões de habitantes. Em uma projeção hipotética, sem levar em conta o fator econômico, os dados significam que se a tendência for mantida, em 20 anos o Paraná terá mais veículos que pessoas. Na capital Curitiba como em outros centros urbanos do estado, esse crescimento contínuo da frota tem complicado o trânsito e a vida das pessoas, fazendo com que a mobilidade urbana seja foco de muitos debates. Para Medeiros e Duarte (2013), diversos estudos acadêmicos sobre o tema e o crescimento do cicloativismo, colocaram o assunto na mídia e passaram a pautar os candidatos em época de eleição.

Na busca por uma mobilidade mais sustentável citamos o exemplo vindo do exterior onde algumas cidades perceberam que teriam que requalificar seus espaços públicos e inverter a prioridade dada ao transporte individual motorizado e passaram a investir mais nos meios coletivos e não motorizados, citamos como alguns expoentes: Copenhagem, Amsterdã, Paris, Bogotá entre outras, (Gehl, 2013).

A bicicleta é o símbolo da sustentabilidade no transporte e destacamos como algumas de suas vantagens para a mobilidade das cidades o fato de não poluir, ser silenciosa, ocupar um espaço bem inferior aos demais modais, promover a saúde e o bem-estar. Também pode agregar renda ao seu usuário, por ser de baixo custo, não precisar de combustivel e uma manutenção muito barata.

Para Belotto (2009), apesar de a bicicleta não constituir a única alternativa para todos os problemas de mobilidade, meio ambiente e saúde nos grandes centros urbanos, ela representa o simbolo do resgate da cidade para as pessoas, uma escala mais humana no planejamento da urbe e uma solução que se inscreve perfeitamente numa política geral de revalorização do ambiente urbano e de melhoria da cidade.

Neste sentido a questão de pesquisa deste artigo é: Como a extensão universitária por meio do Programa Ciclovida pode colaborar para o avanço de uma cultura de mobilidade urbana sustentável?

Com este estudo pretende-se demonstrar as contribuições da extensão universitaria para mobilidade sustentável focando nas ações desenvolvidas pelo Programa da UFPR - o Ciclovida, realizando um resgate histórico da sua atuação, bem como descrevendo suas ações, resultados e métodos, a fim de demosntrar que o incentivo ao desenvolvimento de estudos e ações de divulgação sobre as vantagens da utilização da bicicleta no meio universitário, pode contribuir para o avanço de uma mobilidade urbana mais ativa e sustentável. Espera-se ainda que ao divulgar o método de atuação do Ciclovida, potencialize-se seu alcance para possível aplicação em outras instituições, uma vez que o programa tem como finalidade incentivar a disseminação de uma cultura de mobilidade urbana mais saudável e sustentável, visto que se na sociedade comtemporanea a cultura hegemônica de mobilidade continar sendo a do automóvel, este pensamento estará também nos técnicos que gerenciam o funcionamento das cidades e nos políticos que têm o poder de decisão para implantar as políticas públicas e nada mudará.

 

2. MOBILIDADE URBANA SUSTENTÁVEL

O Ministério das Cidades (2006) define que a mobilidade, vai além dos deslocamentos urbanos e a utilização de meios de transporte, ela reflete as relações dos individuos com o seu local de vida, com a infraestrutura para se deslocar e com seus semelhantes, sendo o resultado de um modo de vida e da história que traduz a cultura de uma sociedade.

Segundo o Ministério das cidades (2004) deve se levar em consideração que a mobilidade pode ser influenciada por diversos fatores, podendo se tornar excludente, impactar no espaço e no meio ambiente,  assim, se faz necessário pensar nela de forma sustentável, lembrando-se que o “sustentável” deve considerar aspectos econômicos, sociais e ambientais, buscando-se o uso dos recursos naturais sem prejuízo para as futuras gerações.

Para Gehl (2013), é obvia a conexão entre o desenvolvimeto da cidade e o modelo da mobilidade nela utilizada, se tivermos uma política de mobilidade que inclua os beneficios universais e que beneficie a maioria da população, vai-se obter uma maior fluidez urbana, com facilidade de circulação dos individuos, bens e mercadorias, destacando a vocação do urbano que é de ser um espaço de congregação e convivio da diversidade.

Apregoa o Ministério das Cidades (2006), que se a política de mobilidade urbana tiver como foco o ser humano e não o automóvel, tem-se o surgimento de cidades mais justas e inclusivas para todos onde as diferenças são respeitadas e a liberdade de ir e vir será atendida, assim as necesidades individuais e coletivas serão alcançadas, bem como permitirá a acessibilidade aos destinos, prazeres cotidianos em conciliação com a preservação ambiental.

Para que isso aconteça Lordello (2012) alerta sobre a necessidade de ter-se praticas desestimuladoras aos meios de transportes não sustentéveis, apesar da aplicação de medidas restritivas ao uso do automóvel terem um alto custo político e soluções que geram resultados que não são de curto prazo.

No entanto para Medeiros e Duarte (2014) se observa que o tema mobilidade sustentável começa a orbitar a agenda do governo, mas a implantação de políticas públicas consistentes e duradouras ainda depende da quebra de paradigmas e mudança cultural.

 

3. TRANSPORTE CICLOVIÁRIO

 De acordo com Bantel (2005) a bicicleta surge como alternativa para a mobilidade urbana sustentável de forma econômica e para a ONU como “símbolo mundial do transporte sustentável”. Mesmo tento recebido tal honraría a maioria dos governos ainda não destina a atenção necessária ao modal e a seus usuarios. A bicicleta, apesar do desconhecimento de muitos, é reconhecida pelo Código de Trânsito Brasileiro como um veículo de transporte de passageiros de propulsão humana.

Em sua dissertação de mestrado Franco (2011), cita que a preocupação com a sustentabilidade do planeta está promovendo o crescimento do cicloativismo, que é definido como um movimento global de luta pela sustentabilidade, pela redução de poluentes, por cidades menos ruidosas e mais humanas, com maior equidade no uso do espaço da via pública.

Já existem muitas cidades que adotam políticas públicas de estímulo à utilização da bicicleta como meio de transporte. ANTP (2007) destaca-se que em Amsterdã e Copenhagen mais de um terço das viagens urbanas são feitas sob duas rodas. Além disso, muitas cidades europeias têm implantado medidas que facilitam e promovem o seu uso no dia-a-dia: ciclovias, ciclo faixas, rotas cicláveis, paraciclos e bicicletários, locação de bicicletas e integração com transporte público.

Para Belotto (2009), a utilização da bicicleta pode trazer diversos benefícios não só para saúde e finanças do seu usuário, mas para o meio ambiente e para o trânsito das cidades. Visto que para Barczak e Duarte (2012) o atual modelo de transporte e urbanismo centrado no automóvel vem causando problemas para a sustentabilidade do planeta, devendo-se considerar a ciclomobilidade como uma alternativa para a melhoria da mobilidade nos centros urbanos.

O usuário de bicicleta como meio de transporte, pela sua conduta, deve ser reconhecido como um ator social que merece respeito e que necessita de políticas públicas específicas. Por meio da sua atitude de substituição do automóvel ou transporte coletivo pelo uso diário da bicicleta, além de estar melhorando a saúde e gerarando ganho econômico/financeiro mensal para si, ele gera ganhos para a sociedade e para os cofres públicos, tais como:

·         Redução da emissão de poluentes, contribuindo com a sustentabilidade do planeta;

·         Diminuição dos congestionamentos, pelo pouco espaço viário que utiliza;

·         Preservação do pavimento das ruas e das construções antigas por ser um veiculo leve e de baixo impacto;

·         Benefícios da atividade fisica, combatendo diversas doenças advindas do sedentarismo, desonerando os cofres públicos de gastos com a saúde pública.

·         Democratização do espaço público, incluindo também as pessoas de menor renda e que não possuem um automóvel;

·         Desafogo do transporte público e da demanda por espaço para estacionemento de automóveis;

 

4. EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA

 

A extensão universitária tem sido discutida e regulamentada no Brasil pelo Forum de Pró Reitores de Extensão (FORPROEX), o qual define que a extensão universitária, sob o princípio constitucional da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, é um processo interdisciplinar, educativo, cultural, científico e político que promove a interação transformadora entre a Universidade e outros setores da sociedade.

Para Ribeiro (2011) a extensão universitária assume na universidade contemporânea sua função de prática social, tendo como objetivo inicial o ato educativo, porque, além de promover o aprimoramento do ensino na formação de profissionais, também presta serviços à comunidade, tendo um papel fundamental na construção da cidadania e de um novo modelo de sociedade.

A Extensão Universitária segundo o FORPROEX (2012) apresenta potencialidades não apenas de sensibilizar estudantes, professores e pessoal técnico-administrativo para os problemas sociais. Enquanto atividade produtora de conhecimento, ela também melhora a capacidade técnica e teórica desses atores, tornando-os, assim, mais capazes para oferecer subsídios aos governos na elaboração e avaliação das políticas públicas; e mais bem preparados caso venham a ocupar algum cargo público.

A educação superior deve atuar na preservação e no fomento de valores fundamentais, primando, sobretudo pela contribuição ao desenvolvimento sustentável e ao melhoramento da sociedade. Tal visão está relacionada à responsabilidade da universidade para com o tecido social em que está enserida. Nesse sentido, Calderón (2004), defende a ideia de que a responsabilidade social universitária é um dever que a universidade tem com a sociedade que a financia, principalmente atuando na procura por soluções para os principais problemas sociais, como: melhorar a distribuição de renda e a criação de mecanismos de promoção social de setores marginalizados. Assim, a extensão universitária é considerada como um sinal de responsabilidade social.

Por meio da extensão, a universidade socializa a sua produção, conforme afirma Ribeiro (2011), ela não se constitui para isolar da vida a cultura, mas trazê-la para a vida e torná-la a mestra da experiência. Portanto, a relevância social da extensão é a clareza do compromisso social e uma das principais funções da universidade frente aos problemas sociais contemporaneos. Portanto a universidade não deve perder de vista seus projetos e programas que visem promover a transformação social e, consequentemente, melhorar a qualidade de vida das comunidades interna e externa.

A partir de 1998 a UNESCO fez uma série de recomendações de como a universidade deve se comportar para atender às demandas sociais e, assim, cumprir sua função de instituição construtora do saber científico e formadora de profissionais capazes de influenciar positivamente os rumos da história. Afirmando que a universidade tem legitimidade para participar na elaboração de políticas públicas voltadas para o desenvolvimento sustentável e a melhoria da qualidade de vida da maioria da população, devendo participar também da execução e avaliação de tais políticas.

Em seu regimento interno a UFPR prevê que a extensão universitária pode ter as modalidades de Programa, Projeto, Curso, Evento ou Prestação de Serviço Extensionista. O objeto deste artigo é o Programa de Extensão Ciclovida que foi formalizado como um programa de extensão universitária em 2008 sob o nº 0072/2008.

Para o FORPROEX, na articulação da Extensão Universitária com as políticas públicas, entre as áreas de atuação prioritárias, encontra-se a “preservação e sustentabilidade do meio ambiente”, área esta em que atua o Programa de Extensão Universitária Ciclovida da UFPR.

 

5. MÉTODO DE PESQUISA

Esta seção expõe o método utilizado de pesquisa, para tanto, a mesma encontra-se dividida em dois subitens, sejam eles: i. Caracterização da pesquisa e ii. Delineamento da pesquisa.

 

5.1. Caracterização da Pesquisa

Esta pesquisa apresenta-se como um estudo de caso, que é descrito como o estudo profundo e exaustivo de um ou de poucos objetos, de maneira a permitir o seu conhecimento amplo e detalhado, Gil (2008). O estudo de caso é uma investigação empírica que investiga um fenômeno contemporâneo em profundidade e em seu contexto de vida real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não são evidentes, Yin (2010).

Também é usada a pesquisa bibliográfica, a qual segundo Gil (2008) tem por finalidade conhecer as diferentes formas de contribuição científica que se realizaram sobre determinado assunto ou fenômeno. Documental a qual se vale de materiais que não receberam um tratamento analítico e podem ser classificados de “fontes primárias”, Marconi e Lakatos (2010). A pesquisa é participante, pois para Gil (2008) este modelo de pesquisa caracteriza-se pelo envolvimento dos pesquisadores ou dos pesquisados no objeto da pesquisa.

Como método trata-se de uma pesquisa qualitativa, ou seja, não emprega um instrumental estatístico como base para o processo de análise de um objeto ou problema.

 

5.2. Delineamento da Pesquisa

Elucida-se que o estudo de caso do Programa Ciclovida, pertencente a UFPR, se deu por conta do autor ser seu mentor e coordenador e assim possuir conhecimento de seu histórico, método, ações desenvolvidas e dos resultados alcançados. Tendo por consequencia como uma das técnicas de coleta de dados, a observação participante natural, a qual preconiza a participação real da situação determinada como estudo, sendo o pesquisador pertencente ao objeto pesquisado (Gil, 2008). Relata-se ainda o fato do pesquisador acompanhar as atividades do Ciclovida desde a sua criação, sendo seu coordenador geral.

A pesquisa se deu baseada na observação participante do autor e da revisão dos documentos a cerca do Programa Ciclovida. Os processos de registro do Programa, os relatórios anuais e as solicitações de continuidade. Levantamento este via sistema interno da UFPR. Após listagem dos processos referentes ao Programa Ciclovida, providenciou-se cópia junto ao sistema de arquivo da PROEC. Os relatórios a partir do ano de 2012 passaram a ser somente eletrônicos e de acesso restrito, no entanto pelo autor fazer parte do referido Programa, acessou-se as informações dos relatórios dos anos de 2012, 2013, 2014, 2015 e 2016 via Sistema integrado de gestão da extensão universitária (SIGEU).

De posse do material documental do Programa Ciclovida procedeu-se a revisão detalhada do conteúdo. Realizando-se analise por blocos de assuntos. Complementando-se a analise pela vivência e memória do pesquisador, autor de muitos dos documentos relacionados.

 

6. O PROGRAMA CICLOVIDA

Nesta seção será descrito o Programa Ciclovida, sendo assim dividida em dois sub-itens: 6.1. Descrição do Programa e 6.2. Resultados observados com o programa.

 

6.1. Descrição do Programa

Para drescrever o programa Ciclovida optou-se em dividir o item em três partes: 6.1.1. Histórico; 6.1.2. Estrutura e 6.1.3. Metodologia do programa.

 

6.1.1. Histórico

A motivação para a criação do Programa Ciclovida deve-se ao resultado de uma pesquisa realizada em 2003 pelo Programa Institucional de Qualidade de Vida – PIQV, sobre hábitos de vida dos servidores da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a qual identificou uma grande quantidade de pessoas sedentárias na instituição, (65%). A maior parcela da população consultada justificou a não prática de atividade física regular pela falta de tempo, mas, em contrapartida a maioria destas pessoas relata que passa em média mais de 2 horas por dia presa no trânsito. Assim surgiu o questionamento: Por que não usar o tempo desperdiçado dentro do carro ou do ônibus, atendendo a necessidade de deslocamento e já realizando a atividade física? Concluiu-se que a bicicleta seria a ferramenta capaz de atender as duas necessidades.

Procurando reverter tal situação de sedentarismo e falta de tempo para a prática regular de atividade física, foram iniciadas ações na UFPR que pudessem estimular a comunidade universitária a fazer seu deslocamento para o trabalho ou estudo diário praticando uma atividade física, por meio do uso da bicicleta. Esta atitude, além de melhorar a saúde e a economia do praticante, traz ganhos para a sociedade em relação à fluidez do trânsito e diminuição da poluição.

A UFPR é um dos maiores polos geradores de trânsito da cidade de Curitiba com a sua Comunidade Universitária atingindo aproximadamente 50.000 pessoas, comunidade essa com grande potencial de formação de opinião. Ressalta-se que sua população é formada em sua maioria por individuos jovens, mais propensos a assimilar mudanças de hábitos e comportamento, e como atua na formação profissional, formando pessoas que em poucos anos estarão atuando no mercado, podendo assim tornar um núcleo irradiador de uma cultura de mobilidade urbana mais saudável e sustentável.

Entre 2003 a 2007, o Ciclovida, atuou e desenvolveu ações informalmente. A partir de 2008 foi formalmente registrado junto a PROEC (Pró-reitoria de extensão e cultura), como um Programa de Extensão Universitária, sob número 0072/08. Nesta fase inicial contou com 11 ações, desenvolvidas nos departamentos de Arquitetura e Urbanismo, Psicologia e Educação Física.

O Ciclovida devido a sua capilariedade envolvendo diversas áreas da universidade em um trabalho multidisciplinar com resultados significantes e com a importancia que o tema Mobilidade passou a representar na atualidade passou a ser considerado um Programa de carater institucional na UFPR.

 

6.1.2. Estrutura

O Programa Ciclovida iniciou suas atividades vinculado ao Núcleo de Pisicologia do Trânsito (NPT), atualmente está ligado a Divisão de Gestão Ambiental da Superintendência de infraestrutura da UFPR e conta com 27 ações/projetos, os quais são desenvolvidos nos departamentos de Psicologia, Arquitetura e Urbanismo, Educação Física, Engenharia Ambiental, Engenharia da Produção, Engenharia Civil, Engenharia Elétrica, Design, Direito, Comunicação Social, Terapia Ocupacional, de Genética, Setor de Educação Profissional e Tecnológica, Setor Litoral, Setor Palotina, Gestão da Informação e Divisão de Gestão Ambiental da Superintendência de Infraestrutura. Conta em seu quadro colaborativo com 18 docentes, 03 técnicos administrativos e 12 alunos de bolsa extensão, de diversos cursos de graduação; além de parceiros e voluntários.

As ações e projetos vinculados ao Programa Ciclovida são:

1 - CIDADES UNIVERSITÁRIAS PARA BICICLETAS: UM MODELO PARA O FUTURO: Esta ação é responsável pelo gerenciamento geral do programa, ou seja, é responsável pela articulação com a sociedade civil e o poder público e também entre os diversos subprojetos, pela captação de recursos, pela viabilização da implantação de infraestrutura, pelo marketing, relações públicas e divulgação interna e externa à UFPR. É através da sinergia conseguida pela soma das diversas ações que fazem parte do CICLOVIDA, bem como a realização de eventos em parceria com outras entidades que divulgam o uso da bicicleta é que o programa avança para atingir seus objetivos.

2 - LEITURA E ANÁLISE DOS CAMPI DA UFPR: Esta ação compreende análise físico-territorial dos Campi da UFPR considerando o plano diretor da UFPR, sistema viário interno e sua relação com o sistema viário externo.

3 - DIAGNÓSTICO: COMUNIDADE UNIVERSITÁRIA E O USO DA BICICLETA: Esta ação faz uma análise comportamental da Comunidade Universitária em relação à mobilidade urbana.

4 - CONCURSO DE PROJETOS DE CICLO MOBILIDADE PARA A CIDADE UNIVERSITÁRIA: Esta ação visa realizar concursos com alunos da UFPR sobre propostas para implantação de infraestrutura cicloviária.

5 - O USO DA BICICLETA E A QUESTÃO AMBIENTAL: Esta ação realiza estudos para quantificar os diversos impactos do uso exagerado do automóvel e as vantagens na sua substituição pela bicicleta.

6 – PUBLICAÇÕES DO CICLOVIDA: Esta ação chamava-se “Manual do Ciclista da UFPR” lançou em abril de 2013 o guia Pedalando na Cidade, com informações sobre mecânica e regulagem da bicicleta, opções de trajetos, uso de equipamentos de segurança, etc., o qual teve sua segunda edição lançada em 2016. Devido ao surgimento de outras publicações como os relatórios do Desafio Intermodal, o CTB comentado, os livros Cidade em Equilibrio, em 2014 e Diretrizes para política pública de ciclomobilidade: Experiencias do Programa de extensão Ciclovida da UFPR. Com o lançamento de outras publicações foi rebatizada como Publicações do Ciclovida.

7 - COMO MELHORAR A SUA VIDA (E DOS OUTROS) PEDALANDO: Todos os anos são realizadas pelo Programa diversas palestras sobre mobilidade sustentável em órgãos públicos, escolas de ensino fundamental, médio e superior e empresas.

8 – DIRIJA SUA VIDA: Este projeto consiste na aplicação de uma dinâmica através do jogo Metaphor, para se discutir o trânsito. É aplicado basicamente em alunos de primeiro ano dos cursos de graduação da UFPR.

9 - CICLISMO NA PROMOÇÃO DA SAÚDE: Esta ação em parceria com o Departamento de Educação Física estimula trabalhos acadêmicos para diagnosticar e acompanhar os efeitos promovidos pela prática regular de ciclismo sob as variáveis da aptidão física relacionada à saúde.

10 – SIMULAÇÃO DE BENEFÍCIOS DECORRENTES DO USO DA BICICLETA: Esta ação compreendeu a elaboração de um simulador que aponta vantagens do uso da bicicleta: para a saúde, econômica e ambiental. Desde sua criação em 2008 já sofreu algumas atualizações. O simulador está disponível no site www.ciclovida.ufpr.br

11 - BICICLETAS PARA A COMUNIDADE UNIVERSITÁRIA: Facilitar a aquisição de bicicletas e/ou o uso por meio de empréstimo, aluguel ou outra opção.

12 – SENSIBILIZAÇÃO PARA O USO DA BICICLETA COMO MODAL DE TRANSPORTE PELA COMUNIDADE UFPR (COLABICI): Recupera as bicicletas abandonadas nos campi, disponibilizando-as novamente ao uso, principalmente para novos usuários.

 13 – CARONA SOLIDÁRIA: Esta ação consiste na elaboração de um software para cruzar endereços, destinos e horários onde as pessoas da Comunidade Universitária poderão se inscrever para compartilhar o seu automóvel. Em sua primeira fase foram implantados pontos de carona nos campi.

14 – DESIGN E A BICICLETA: Esta ação usa ferramentas de Design gráfico e de produto para viabilizar as iniciativas do Programa. Algumas das ações desenvolvidas foram: O design dos paraciclos instalados na UFPR, as artes para os cartazes, banners e publicações do Programa como os relatórios do Desafio Intermodal e o guia pedalando na Cidade.

15 – BICICLETA LEGAL: Esta ação está ligada a disciplina de Direito Ambiental, visando um estudo da legislação que se relaciona com o uso da bicicleta, o planejamento urbano e Código de trânsito Brasileiro.

16 – ESTATÍSTICA E O CICLOVIDA: Esta ação assessora o Programa na realização de pesquisas quantitativas e qualitativas.

17 – BICICLETA NO PLANO DIRETOR DA UFPR: Esta ação interage com o Plano Diretor da UFPR, para que a infraestrutura pró-bicicleta esteja contemplada nos projetos de reforma e expansão da UFPR.

18 – TEMPO 10: Esta ação defende limitar a velocidade permitida em todos os campi da UFPR em 10 km por hora, tornando os campi em espaços para pedestres.

19 – DESAFIO INTERMODAL: Este projeto é desenvolvido anualmente em Curitiba desde 2007, consiste em uma pesquisa que avalia a eficiência dos diversos modais, no horário de rush, em um trajeto com aproximadamente 8 km, onde são avaliados o tempo, o gasto financeiro e a poluição de cada de cada modal, resultando em um relatório. Desde 2011 fez parte de disciplinas Cidade e Meio Ambiente da Arquitetura e Engenharia de Trafego da Engenharia Civil, além do repasse da teoria do Desafio é realizada uma simulação com a participação dos Alunos. A partir de 2015 o DI também esta sendo aplicado no segundo período do ensino fundamental nas escolas municipais de Curitiba como uma ferramenta para o ensino de ciências.

20 - BICICLEARTE: Esta ação associou-se ao Ciclovida em 2012, é desenvolvida no Setor Litoral em Matinhos, onde através de manifestações artísticas o tema da mobilidade urbana é discutida e representada.

21-CICLOTURISMO: Desde 2009 é desenvolvido um calendário anual com passeios cicloturisticos.

22- COPA CICLOVIDA/UFPR DE CICLISMO: Em parceria com a Federação Paranaense de ciclismo, realização de provas de ciclismo nos campi da UFPR, em 2013 aconteceram seis etapas no Centro Politécnico. A partir de 2017 as provas de ciclismo são realizadas em parceria com os Centros acadêmicos, Associação dos Servidores da UFPR e a Federação Paranaense de Ciclismo com a copa AC7 de ciclismo.

23- APOIO DE SISTEMAS DE INFORMÁTICA AO CICLOVIDA: Esta ação presta assessoria de tecnologia de informação (TI) para o Programa, desde o desenvolvimento de softwares que possam contribuir para aprimorar o Ciclovida e a centralização de informações para compor um banco de dados do Programa através do site www.ciclovida.ufpr.br.

24 - MOBILIDADE URBANA SUSTENTÁVEL: O ÚNICO CAMINHO PARA O FUTURO: Está ação tem por objetivo minimizar através de estudos as dificuldades encontradas em dois eixos do planejamento urbano: a acessibilidade e a mobilidade. Nesse sentido, dois estudos já estão em andamento dentro desta Ação. O estudo da ligação dos campi da UFPR através de projeto cicloviário e a investigação de acessibilidades dentro de órgãos públicos, em particular, em hospitais.

25 – PALOCICLO: É a representação do Programa Ciclovida no Setor Palotina.

26 – INCUBADORA DE PROJETOS DE MOBILIDADE SUSTENTÁVEL: Fomenta e auxilia na implantação de projetos similares em outras instituições de ensino superior (IES).

27 – MOBILIDADE NA TO: Abordar a temática Mobilidade Urbana Sustentável no âmbito do curso de Terapia Ocupacional.

Eventualmente conta-se com outras atividades não descritas como ações, mas também de grande importância para a viabilização do Programa. Pode-se citar como exemplo a colaboração do curso de Comunicação Social na assessoria de imprensa do Ciclovida. Surgindo demandas especificas para orientação de alunos procura-se por professores da UFPR que aceitem de forma voluntária contribuir com a atividade extensionista.

 

 

 

6.1.3. Metodologia do Programa

Para viabilizar o Programa e este influenciar o fortalecimento da bicicleta como alternativa de transporte, seu método de trabalho concentra as suas 27 ações/projetos basicamente em três âmbitos de atuação:

1.     Reuniões de articulação: com representantes de órgãos oficiais dos três poderes, nos níveis municipal, estadual e federal; com a Sociedade Civil, através de ONG’s, OSCIP’s, Associações comunitárias, Empresas Privadas e demais entidades representativas de setores da sociedade civil.

2.     Pesquisas e ações de divulgação que evidenciem os beneficios do uso da bicicleta, elaboração de projetos que viabilizem a implantação de infra-estrutura cicloviária nos campi da UFPR, inclusão curricular do tema mobilidade sustentável nos cursos de graduação e pós-graduação, a fim de constituir um núcleo irradiador da cultura do uso da bicicleta, para a comunidade universitária, para  o entorno de seus campi, para o Município de Curitiba, para a Região Metropolitana e para além.

3.     Financiamento: submissão do Programa Ciclovida a Editais Públicos de financiamento de projetos sociais, e a outras formas de financiamento à pesquisa e à extensão, eventualmente disponíveis, além da articulação com demais entidades públicas ou privadas para financiamento de projetos específicos.

 

6.2. Resultados Observados pela atuação do Programa

Observando-se os oito anos de atuação formal do Programa Ciclovida, pode-se afirmar que devido à multiplicidade de ações, cada uma delas pode ser analisada separadamente. No entanto, a guisa de sistematização, a analise irá se concentrar nos três principais eixos de atuação propostos na metodologia do programa, relatando assim os resultados obtidos de forma sintética.

Sobre o primeiro âmbito, é possível diagnosticar que tem se mostrado eficaz no que diz respeito a influenciar uma mudança de cultura à busca de parcerias, a partir da realização de reuniões de articulação com o poder público entre os diversos níveis, federal, estadual e municipal e a sociedade civil organizada.

O Programa empreendeu diversas reuniões e conseguiu sensibilizar os dirigentes e legisladores, responsáveis pelo planejamento e gerenciamento da mobilidade urbana, os quais têm inserido a bicicleta na sua agenda, ainda que de forma tímida.

Em nível nacional, participou de diversas reuniões na Secretaria Nacional de Transporte e Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades nas quais foi concebido o Programa Bicicleta Brasil. Destes trabalhos desenvolvidos pela SMOB, resultaram na promulgação da Lei de Mobilidade Urbana 12.587/2012 que coloca como prioridade os meios coletivos e os não motorizados. Diversos colaboradores do Ciclovida participam da União dos Ciclistas do Brasil (UCB), ONG que tem atuação nacional operando como uma confederação das Ongs cicloativistas brasileiras.

No nível estadual a estratégia de reuniões de sensibilização resultou na criação da Frente Parlamentar de Mobilidade Sustentável na Assembleia Legislativa do Paraná por meio do ato 16/12 e a Lei 17.385/12 decorrente do Projeto de Lei 316/12 que cria no estado, em setembro, o mês da Bicicleta, valorizando o festival “Arte, Bici & Mobi”, organizado pelo movimento cicloativista através da CICLOIGUAÇU (Associação dos Cilcistas do Alto-Iguaçu), que durante o mês desenvolve amplo calendário o qual inclui: a realização da pesquisa do Desafio Intermodal, palestras, passeios ciclísticos, exposições e manifestações artísticas diversas, relacionadas ao uso da bicicleta e que tem seu ápice no dia 22 (Dia Mundial sem Carros), que acontece desde 2008 em Curitiba e conta com a participação ativa do Ciclovida responsável por muitas das atividades que compõe o calendário.

Participação na elaboração do Decreto n° 1.517/2015 que criou o CICLOPARANÁ (Programa Estadual de Fomento a Ciclomobilidade no Estado do Paraná). O Ciclovida possue uma cadeira no CONCICLO, conselho com representantes públicos e da sociedade civil responsavel por implementar as ações do CICLOPARANÁ.

Ainda em nível estadual, o Programa está representado na Agenda 21 do Estado, atuando no Grupo de trabalho sobre mobilidade sustentável e colaborando também no Fórum Paranaense de Mudanças Climáticas.

Em nível municipal o Programa tem sido convidado frequentemente para participar de grupos de trabalhos em várias secretárias como Secretaria Municipal de Trânsito (SETRAN), Urbanização de Curitiba (URBS), Secretaria Municipal de Esporte, Lazer e Juventude (SMELJ) e Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC). Como exemplo cita-se a participação na câmara técnica sobre mobilidade urbana do IPPUC/CONCITIBA (Conselho da Cidade de Curitiba), e nas reuniões que reformularam o circuito ciclístico de lazer. Também cita-se a participação em reuniões de articulação para a criação da Frente Parlamentar municipal de mobilidade sustentável na câmara dos vereadores e a implantação do Desafio Intermodal como uma ferramenta para o ensino de ciências na rede publica municipal de ensino.

Em relação ao segundo âmbito da metodologia do Programa, pode-se destacar a realização da pesquisa intitulada “Desafio Intermodal” que a cada ano tem se aperfeiçoado, ganhado mais espaço na mídia e cientificidade e que desde 2011 faz parte do conteúdo das disciplinas de Cidade e Meio Ambiente do curso de Arquitetura e Urbanismo e de Engenharia de tráfego da Engenharia Civil na UFPR e a partir de 2015 também está nas escolas municipais.

No meio acadêmico as ações de divulgação tem fomentado o desenvolvimento de muitas monografias de graduação e pós-graduação, dissertações de mestrado e atualmente uma tese de doutorado, inspiradas no Ciclovida, em diversos cursos ofertados pela UFPR, como se observa no quadro abaixo:

 

TRABALHOS INSPIRADOS PELO PROGRAMA CICLOVIDA

·         Monografia de Cláudio. M. A. Franco - Mobilidade sustentável: o uso da bicicleta entre estudantes da Universidade Federal do Paraná, em 2008.

·         Monografia de Mônica D. Nancassa - O uso da bicicleta entre os estudantes da Universidade de Amilka Cabral e Colinas de Boé. Guiné Bissau, África, em 2008.

·         Monografia de Bruna E. Maeoka - Análise dos fatores que motivam motoristas a estacionar em local proibido no campus Centro Politecnico – UFPR, em 2009.

·         Monografia de Nelson E. Silva - Proposta de plano básico e projetos cicloviários para a cidade de Curitiba, em 2009.

·         TCC de Juliana Stinghen e Marcel Pace - Bicicleta: desafio intermodal – visualização de dados com base no design experimental, em 2010.

·         Monografia de Isabelle C. Luís - Integração entre o modal cicloviário e o transporte público em Curitiba, em 2011.

·         Dissertação de Cláudio. M. A. Franco - Incentivos e empecilhos para a inclusão da bicicleta entre universitários, em 2011.

·         Monografia de Lucas Patino Lordello - A contribuição das políticas de estímulo ao uso da bicicleta para o desenvolvimento da mobilidade sustentável nas cidades, em 2012.

·         Iniciação cientifica de Gabriela L Monich e Tiago A. Pianezzer - Tópico de cidade, energia e mobilidade: uma leitura urbana da bicicleta como meio de transporte entre campi da UFPR, em 2013.

·         Monografia de Simone Joukoski - A bicicleta na cidade: um olhar em busca de uma mobilidade sustentável, em 2013.

·         Monografia de Rodrigo A. P. Ciclolazer em Curitiba, em 2013.

·         TCC de Anny L. Biernaski; Gabriela M. Martinez e Sheila A. Moura - Ciclomobilidade na UFPR/SEPT: divulgação do Programa Ciclovida no SEPT, em 2013.

·         TCC Rodolfo R. L. de Miranda - Mobilidade urbana sustentável: estudo do sistema cicloviário de Paranaguá, Paraná, em 2014

·         TCC Thaisa de Fatima Gondek, Engenharia Civil - “A mobilidade urbana sustentável: uma proposta de conexão cicloviária entre os campi da UFPR”.

·         TCC Isadora Palhano – TCC Eng Ambiental/UFPR; Levantamento de Parâmetros e Simulação de Emissões de Frotas Urbanas. Em 2017

·         Dissertação de mestrado em Planejamento e Governança Publica de Silvana Nakamori - Programa Ciclovida como política de mobilidade urbana sustentável: estudo empírico na Universidade Federal do Paraná, em 2015.

·         Dissertação de mestrado em Desenvolvimento Territorial Sustentável de José Carlos Assunção Belotto - Ciclomobilidade: Um estudo de caso sobre a participação da UFPR na implantação do Cicloparaná - Programa Paranaense de Mobilidade não motorizada por bicicleta.

·         Tese de doutorado em Design de Gheysa Caroline Prado MOBILIDADE URBANA: O design de serviços para mudança de comportamento. (Em andamento)

FONTE: O AUTOR

Em relação à infraestrutura pró-bicicletas em 2012 foram implantadas 600 novas vagas de estacionamento para bicicletas nos diversos campi da UFPR. Os modelos de paraciclos foram desenvolvidos na disciplina de projeto de produto do curso de Design. O projeto de implantação também contou com a participação de alunos de Arquitetura e Urbanismo, que realizaram o mapeamento e projeto dos locais de instalação.

No terceiro âmbito de atuação referente à captação de recursos, o Ciclovida tem participado de editais de fomento à extensão e à pesquisa para o financiamento de seus projetos. Já conquistou editais internos e externos, o que possibilitou o pagamento de bolsas para alunos, a implantação de paraciclos, diversas publicações como: o guia “Ciclovida: Pedalando na Cidade”, relatórios do “Desafio Intermodal” e o livro “A Cidade em Equilíbrio: contribuições teóricas ao terceiro fórum mundial da Bicicleta – Curitiba 2014”; aquisição de material de consumo e permanente, utilizado nos laboratórios da UFPR que participam do Programa Ciclovida.

 

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Em relação à questão da pesquisa: Como a extensão universitária por meio do Programa Ciclovida pode colaborar, para o avanço de uma cultura de mobilidade urbana sustentável? Salienta-se que por meio da implantação de infraestrutura pró-bicicleta, do fomento a realização de pesquisas, trabalhos acadêmicos, inserção curricular, articulação com o poder público e a sociedade civil, o desenvolvimento de eventos para a divulgação dos benefícios da adoção da bicicleta como meio de transporte e ferramenta capaz de gerar melhorias para a qualidade de vida, entre outras ações, o Programa Ciclovida colabora trazendo a luz a importância da bicicleta como opção de transporte e.sua consideração no planejamento urbano.

Um dos indicativos de que as ações empreendidas pela atividade extensionista do CICLOVIDA tem apresentado resultados no sentido de ampliar o uso da bicicleta é a pesquisa realizada em conjunto pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Universidade Positivo (UP), Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e a Universidade de Twente (UT) da Holanda para traçar o perfil de mobilidade urbana entre as comunidades das quatro maiores universidades de Curitiba, realizada em junho de 2016. Na figura abaixo está representado o percentual de uso dos modais de transporte em cada instituição e o resultado consolidado das universidades.

 

 

PESQUISA DO PERFIL DE MOBILIDADE URBANA DA COMUNIDADE

UNIVERSITÁRIA DE CURITIBA

FONTE: CICLOVIDA (2016).

 

Observando-se o resultado da pesquisa, se verifica que o uso da bicicleta pela comunidade da UFPR é o mais expressivo entre todas as universidades curitibanas, atingindo 6,85%, sendo quase o dobro do valor consolidado 3,70%, considera-se ainda que o uso da bicicleta na UFPR puxa a média geral para cima, assim, retirando-se os numeros da UFPR a média das outras universidades ficaria em 2,61%, o que significa um uso 150% maior que a média das demais universidades de Curitiba.

O percentual de uso maior da bicicleta em relação às outras universidades curitibanas pode ter como uma das explicações entre outras razões a serem investigadas, é que a UFPR é a única das instituições que tem um Programa de Extensão dedicado ao fomento da mobilidade sustentável, o CICLOVIDA, que desenvolve há mais de dez anos ações de incentivo ao uso da bicicleta, fomentando o desenvolvimento de uma cultura de mobilidade sustentável na instituição.

Destaca-se que as Universidades são instituições com grande inserção social, transmissão ideologica e força política. Movimentam diariamente muitas pessoas e veículos, tornando-se grandes polos geradores de trânsito. Suas comunidades são formadas em sua maioria por indivíduos jovens, os quais mais facilmente aceitam mudanças de hábitos, aderindo ao uso ou reconhecendo a importância da bicicleta como alternativa de transporte. Por formar profissionais para o mercado, a cultura adquirida no meio acadêmico será transportada para as empresas ou órgãos públicos em que os egressos da universidade estiverem atuando.

O fomento e a realização de pesquisas sobre uma temática que até pouco tempo era ignorada pela Academia e a inclusão curricular do tema mobilidade por bicicleta, em conjunto com a articulação com o poder público e a sociedade civil organizada, parece ser um caminho promissor para a sensibilização da sociedade para a importância da busca por uma mobilidade urbana mais saudável e sustentável. A articulação da academia com o movimento cicloativista gera uma pressão que começa a atingir e sensibilizar os técnicos e dirigentes responsáveis pelo planejamento e gerenciamento da mobilidade urbana nas cidades, levando-os a reconhecer, apoiar, incentivar e viabilizar o transporte não motorizado como alternativa para a melhoria da qualidade de vida urbana e o consequente desenvolvimento de politicas públicas relacionadas a temática.

O Ciclovida encontra-se em fase avançada na UFPR, no entanto se restringe a uma instituição. Dessa forma recomenda-se que sua metodologia, seja replicada em outras instituições de ensino superior (IES). O aproveitamento da expertise já conquistada pelo Programa Ciclovida em outras instituições, pode potencializar em muito o avanço rumo à transformação cultural almejada, visando ao desenvolvimento de uma cultura de mobilidade urbana sustentável, visto o grande número de municípios e pessoas a serem atingidas e levando-se em consideração o papel da extensão universitária e o potencial transformador e formador de opinião da comunidade acadêmica.

 

 

REFERENCIAS

 

Associação Nacional De Transportes Públicos - ANTP. (2007). Transporte cicloviário. Série Cadernos Técnicos, vol. 7.

BANTEL, G. (2005) Bicicleta, Veículo não motorizado (VNM), Revista de Transportes Públicos – ANTP. Ano 27, 2º Trimestre, São Paulo. p. 59-68.

BARCZAK, Rafael; DUARTE, Fábio. Impactos ambientais da mobilidade urbana: cinco categorias de medidas mitigadoras. URBE – Revista Brasileira de Gestão Urbana, v. 4, n. 1, p. 13-32, jan. /jun. 2012.

Borda, O. F. (1985). Aspectos Teóricos da Pesquisa Participante: considerações sobre o significado e o papel da ciência na participação popular. In BRANDÃO, C. R. (org). Pesquisa Participante. 5º Ed. São Paulo: Editora Brasiliense S.A. p.42-62.

Belotto, J. C. A. Bicicleta: opção para uma mobilidade urbana mais saudável e sustentável. Monografia apresentada ao curso de especialização em Serviço Social do Setor Litoral, Universidade Federal do Paraná. Matinhos, 2009.

_____. Proposta do programa de extensão Ciclovida. Processo 23075.010171/2007-53. Curitiba, 2007.

_____. Relatório anual do programa Ciclovida 2008. Processo 23075.067173/2009-86. Curitiba, 2009.

_____. Relatório anual do programa Ciclovida 2009. Processo 23075.005610/2010-10. Curitiba, 2010.

_____. Relatório anual do programa Ciclovida 2010. Processo 23075.057040/2010-35. Curitiba, 2010.

_____. Relatório anual do programa Ciclovida 2011. Processo 23075.005969/2012-41. Curitiba, 2012.

_____. Relatório anual do programa Ciclovida 2012. Disponível em: <https://www.intranet.ufpr.br/sigeu/private/programaExtensao!proposta.action?programaExtensao.id=1711>. Curitiba, 2013.

_____. Relatório anual do programa Ciclovida 2013. Disponível em: <https://www.intranet.ufpr.br/sigeu/private/programaExtensao!proposta.action?programaExtensao.id=1844>. Curitiba, 2014.

_____. Relatório anual do programa Ciclovida 2014. Disponível em: <https://www.intranet.ufpr.br/sigeu/private/programaExtensao!proposta.action?programaExtensao.id=4758>. Curitiba, 2015.

_____. Relatório anual do programa Ciclovida 2015. Disponível em: https://intranet.ufpr.br/sigeu/private/relatorioProgramaExtensao!proposta.action?relatorioProgramaExtensao.id=5655> Curitiba, 2016.

_____. Relatório anual do programa Ciclovida 2016. Disponível em: <https://intranet.ufpr.br/sigeu/private/relatorioProgramaExtensao!proposta.action?relatorioProgramaExtensao.id=9811 >. Curitiba, 2017.

BITENCOURT, Edgar Faiani; CATAPAN, Anderson. Entendendo a sustentabilidade e suas barreiras. PUCPR Pensa, Economia & Negócios. Curitiba, ano 1, vol. 1, dez. 2012.

Brasil. Ministério das Cidades. Secretaria Nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana. Mobilidade e desenvolvimento urbano.(2006). Gestão Integrada da Mobilidade Urbana: curso de capacitação. Brasília.

_____. Ministério das Cidades. Secretaria Nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana. PlanMob Construindo a Cidade Sustentável. (2004). Caderno de Referência para Elaboração de Plano de Mobilidade Urbana. Brasília.

Catani, A. M. (2014). O papel da universidade pública hoje: concepção e função.  Jornal de Políticas Educacionais vol. 2, n° 4, 2008, p. 4-14.

Calderón, Adolfo Ignacio. (2004). REPENSANDO O PAPEL DA UNIVERSIDADE. RAE - Revista de Administração de Empresas, Abril-Junio, p. 104-108.

COUTO, David P. L. Da galera da bike ao cicloativismo: bicicleta e política na cidade de Cutitiba/Pr. Dissertação de Mestrado em Sociologia Política – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2015. 256 p.

FRANCO, Cláudio. M. A. Incentivos e empecilhos para a inclusão da bicicleta entre universitários. Dissertação de Mestrado em Psicologia. Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2011. 107 p.

GIL, Antonio C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6.ed. São Paulo: Atlas, 2008.

IBGE. Disponível em http://cidades.ibge.gov.br/v3/cidades/home-cidades. Acesso em 27-02-2017.

Lordello, L. P. A. (2012). contribuição das políticas de estimulo ao uso da bicicleta para o desenvolvimento da mobilidade sustentável nas cidades. Monografia curso de Ciências Econômicas – UFPR. Curitiba.

MARCONI, Marina de A.; LAKATOS, Eva M. Fundamentos de metodologia científica. 7.ed. São Paulo: Atlas, 2010.

MEDEIROS, Rafael; DUARTE, Fábio. A bicicleta no Brasil: transporte ou brinquedo? O imaginário da mobilidade urbana. In: MIRANDA, Antonio C. M. et al. Brasil não motorizado: coletânea de artigos sobre mobilidade urbana. Curitiba: LaBmol, 2013.

MEDEIROS, Rafael M.; DUARTE, Fábio. Policy to promote bicycle use or bicycle to promote politicians? Bicycles in the imagery of urban mobility in Brazil. Urban, Planning and Transport Research: An Open Access Journal. 05 fevereiro 2014. Disponível em: <http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/21650020.2013.866875>. [12 de agosto, 2015].

Miranda de Siqueira, Moema. (2005). O ensino superior e a universidade. RAE-eletrônica, vol. 4, n°. 1, Art. 15, jan./jun. 2005.

Nossa Betim. Incentivo ao uso da bicicleta é tendência mundial. 14 jul. Disponivel em: <http://nossabetim.org.br/wordpress/?p=4048>. [10 de agosto, 2015].

PARANÁ. Detran Pr Disponivel em http://www.detran.pr.gov.br/arquivos/File/FROTA_2016_dezembro.pdf. Acesso em 28-02-2017

PONTES, Bruno Augusto et al. Políticas públicas de Conforto Ambiental: a questão da mobilidade e o sistema cicloviário na cidade do recife. Revista Movimentos Sociais e Dinâmicas Espaciais, Recife, vol. 3, n°. 01, 2014.

RIBEIRO, Raimunda Maria da Cunha. Revista Dialogos: pesquisa em extensão universitária, v. 15, Brasilia 2011.

SOARES, Diogo Picchioni; MIOLLA, Jessica Carla de Souza; MAZUROSKI JUNIOR, Aristeu; THIELEN, Iara Picchioni. Trânsito coletivo e comportamento individual: metáfora de Antígona. Psicologia, Ciência e Profissão, 2013, 33 (4), 808-823.

UNESCO. Declaração Mundial sobre Educação Superior no Século XXI: visão e ação. Paris, 05- 09 out. 1998.

______. Conferência Mundial sobre o Ensino Superior 2009: as novas dinâmicas do ensino superior e pesquisas para a mudança e o desenvolvimento social. Paris, 05-08 jul. 2009.

YIN, Roberto K. Estudo de caso: planejamento e métodos. 4.ed. Porto Alegre: Bookman, 2010.



" data-layout="standard" data-action="like" data-show-faces="true" data-share="true">
 
Início      Cadastre-se!      Procurar      Submeter artigo      Fazer doação      Contato     Apresentação     Normas de Publicação     Artigos     Dicas e Curiosidades     Reflexão     Para sensibilizar     Dinâmicas e recursos pedagógicos     Entrevistas     Culinária     Arte e ambiente     Sugestões bibliográficas     Educação     Você sabia que...     Contribuições de Convidados/as     Práticas de Educação Ambiental     Sementes     Educação e temas emergentes     Ações e projetos inspiradores     Gestão Ambiental     Cidadania Ambiental     Relatos de Experiências     Notícias