ISSN 1678-0701
Número 62, Ano XVI.
Dezembro/2017-Fevereiro/2018.
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28/01/2018ELABORAÇÃO DE MATERIAL PARADIDÁTICO PARA O TREINAMENTO DE FUTUROS GUIAS A TRILHA DOS JEQUITIBÁS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS (CAMPUS ARARAS - SP)  
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Elaboração de material paradidático para o treinamento de futuros guias a Trilha dos Jequitibás da Universidade Federal de São Carlos (campus Araras - SP)


Steve de Oliveira Costa1, Letícia Ribes de Lima2, Renata Sebastiani3, Rodolfo Antônio de Figueiredo3


1Biólogo, Universidade Federal de São CarlosUFSCar, Mestrando em Biologia Vegetal, Departamento de Biologia Vegetal, Instituto de Biologia – IB, Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP, CP 6109, Barão Geraldo, CEP 13081-970, Campinas, SP, Brasil. E-mail: steve.costa.soc@gmail.com

2Professora Adjunta, Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde – ICBS, Setor de Botânica, campus A. C. Simões, Universidade Federal de Alagoas – UFAL, Avenida Lourival Melo Mota, s/n, Cidade Universitária, CEP 57072-900, Maceió, AL, Brasil.

3Professor Adjunto, Departamento de Ciências da Natureza, Matemática e Educação – DCNME e Departamento de Desenvolvimento Rural - DRR, CP 153, Rodovia Anhanguera, Km 174, CEP 13600-970, Centro de Ciências Agrárias – CCA, campus Araras, Universidade Federal de São Carlos - UFSCar, Araras, SP, Brasil.


Resumo – Este trabalho teve como objetivo a elaboração de um material para o treinamento de futuros guias a Trilha dos Jequitibás e a proposição de adaptações para o seu uso também no ambiente escolar, o que permitirá a escolas com maior dificuldade de acesso a trilhas, ter vivências de práticas de Educação Ambiental.


Palavras-chave: trilhas interpretativas, educação ambiental, biodiversidade.


1. Introdução


As áreas verdes municipais exercem papéis fundamentais para a melhoria das condições do ambiente urbano, sendo constituídas por espaços verdes de lazer, de conservação ambiental e de uso para atividades educativas, além de outras áreas, como as próprias ruas arborizadas, praças, parques e os campi universitários. Estas áreas detêm alta relevância para o aumento da biodiversidade urbana e melhoria da qualidade de vida da população (FIGUEIREDO; MATTIAZZI; KLEFASZ, 2007).

Com a dinâmica dos tempos modernos, a realização de atividades ao ar livre e a interação do homem com o ambiente natural é algo cada vez mais restrito e incomum. Nessa perspectiva, as trilhas interpretativas têm sido difundidas como instrumento de Educação Ambiental, especialmente em áreas naturais e de significado histórico, de modo a permitirem aliar práticas educativas ao lazer de seus visitantes (TUAN, 1980).

As trilhas interpretativas consistem no percurso de caminhos repletos de significados geográficos, históricos, culturais e ecológicos. Essas trilhas educativas, quando implantadas de forma planejada, são significadas por meio da interpretação ambiental, que possibilita revelar aos visitantes os significados e as relações existentes no ambiente por meio de seus próprios sentidos (VASCONCELLOS, 2006; SILVA; LORENCINI JÚNIOR, 2010).

As trilhas interpretativas constituem um instrumento pedagógico prático e dinâmico, proporcionando uma aproximação dos visitantes à realidade dos temas abordados e suscitando uma dinâmica de observação, reflexão e de sensibilização, que os coloca em um caminho de autoconhecimento (TILDEN, 2007). Na medida em que, ao assumirem determinadas interpretações, se responsabilizam com o seu papel no meio ambiente e atuação como cidadãos (GUIMARÃES; MENEZES, 2006; LOUREIRO, 2009).

As trilhas interpretativas visam também promover a percepção dos visitantes para o despertar de seu interesse pela preservação de um espaço ao qual eles têm acesso e uma visão crítica acerca do meio em que vivem, por meio do contato com as espécies ali presentes, assim como pelo desenvolvimento de atividades de Educação Ambiental em seu percurso (BARCELOS, 2005; GAMBOA; BARRETTO; XAVIER, 2009).

Nesse contexto, o desenvolvimento de atividades de Educação Ambiental no percurso de trilhas interpretativas permite aos visitantes formular hipóteses, investigar a natureza e promover a sensibilização e reflexão destes sobre valores e comportamentos. Desse modo, a visitação a trilhas interpretativas permite a ampliação da percepção de integração dos visitantes com o meio natural e o aprendizado (TABANEZ et al., 1997; TABANEZ; PÁDUA, 1997; BRINKER, 1997).


2. Objetivos


O presente trabalho teve como objetivo a elaboração de um material paradidático com a proposição de atividades de Educação Ambiental, para o treinamento de futuros guias a “Trilha dos Jequitibás”, construída no Centro de Ciências Agrárias, campus Araras da Universidade Federal de São Carlos, rumo a tornar este campus universitário um espaço educador ambiental. O material confeccionado propõe ainda adaptações das atividades propostas no percurso da trilha interpretativa, para o desenvolvimento de tais atividades no espaço escolar e/ou em áreas verdes e imediações, visando potencializar e ampliar o papel educador ambiental das atividades propostas neste material elaborado.


3. Material e Métodos


O material paradidático confeccionado neste trabalho foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que trabalharam no planejamento da trilha interpretativa guiada construída.

Essa trilha, intitulada “Trilha dos Jequitibás”, foi implantada no Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de São Carlos (CCA-UFSCar, campus Araras, SP), e as atividades de Educação Ambiental, elaboradas e desenvolvidas ao longo da trilha, foram testadas no percurso da trilha e estão propostas neste trabalho elaborado.

A “Trilha dos Jequitibás” foi construída neste campus universitário a partir da metodologia de “Indicadores de Atratividade de Pontos Interpretativos” (IAPI), adaptada de Magro e Freixêdas (1998). A metodologia IAPI foi empregada na área de estudo a partir do levantamento de indicadores de atratividade, tais como presença de fauna, flora, cursos d`água, locais históricos, etc. Os indicadores de atratividade avaliados nos pontos interpretativos da trilha foram apresentados em uma ficha de campo. Nesta ficha, foram inseridos os dados da avaliação para a seleção dos pontos interpretativos mais atrativos do CCA-UFSCar, a partir de indicadores de atratividade próprios de cada ponto interpretativo avaliado, inseridos em uma ficha de campo própria do local de estudo (MAGRO; FREIXÊDAS, 1998).

Os pontos interpretativos que agregaram maior ocorrência e predominância de indicadores de atratividade, e assim obtiveram maior pontuação, foram avaliados como os de maior atratividade. Desse modo, foi definido o percurso da trilha interpretativa guiada construída.

As atividades de Educação Ambiental, desenvolvidas na “Trilha dos Jequitibás” e propostas neste trabalho, foram selecionadas a partir dos indicadores de atratividade mais evidentes em cada ponto interpretativo. Assim, foram propostas tais atividades de Educação Ambiental em cada ponto interpretativo da trilha, a partir de temas que envolvem os indicadores de atratividade predominantes em cada ponto interpretativo, por meio de consulta a bibliografia específica sobre atividades de Educação Ambiental (ver exemplos em CORNELL, 2005; LIMA, 2008; LEGAN, 2009; ROCHA; BRITTO, 2012).

O trabalho contou ainda com a participação de estudantes do nono ano da Escola Municipal Thereza Colette Ometto, oriundos da rede pública de Educação do município de Araras. Estes escolares visitaram a “Trilha dos Jequitibás”, criada no campus universitário, e desenvolveram as atividades de Educação Ambiental propostas ao longo da trilha interpretativa construída. O percurso dessa trilha interpretativa guiada por estudantes teve como finalidade avaliar a eficácia das atividades propostas em cada ponto interpretativo.

As atividades de Educação Ambiental foram criadas, propostas e desenvolvidas no percurso da trilha interpretativa guiada implantada no Centro de Ciências Agrárias, campus Araras da UFSCar, a fim de fornecer subsídios para a ampliação da percepção ambiental e formação de uma consciência ambiental entre os visitantes.

As atividades educativas ambientais elaboradas neste trabalho tem ainda como finalidade fornecer subsídios para o treinamento de novos guias, para a condução de novos visitantes a trilha interpretativa do tipo guiada implantada no CCA-UFSCar, visando ampliar e potencializar o papel educador ambiental atual da “Trilha dos Jequitibás” da Universidade Federal de São Carlos, campus Araras - SP.

Por meio da proposição de adaptações das atividades elaboradas neste trabalho, permite-se a variação do local de desenvolvimento das atividades de Educação Ambiental propostas, de acordo com as exigências de materiais e/ou condições necessárias para o desenvolvimento de cada atividade. Assim, o presente material paradidático elaborado possibilitará o desenvolvimento de tais atividades de Educação Ambiental, propostas na “Trilha dos Jequitibás”, também no espaço escolar e/ou nas áreas verdes próximas a este ambiente escolar.

Nessa perspectiva, o material desenvolvido neste trabalho, com a proposição de atividades de Educação Ambiental para nortear o treinamento de novos guias para conduzir futuras visitações a “Trilha dos Jequitibás”, propõe ainda adaptações para o desenvolvimento de tais atividades também no ambiente escolar e/ou em áreas verdes e imediações, a fim de ampliar e potencializar o papel educador ambiental das atividades criadas.


4. Resultados


As atividades de Educação Ambiental, elaboradas e desenvolvidas no percurso da “Trilha dos Jequitibás”, construída no Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de São Carlos, são apresentadas nos resultados do presente trabalho. A visitação de escolares do 9º ano da Escola Municipal Thereza Colette Ometto, bem como o desenvolvimento empírico das atividades aqui propostas nos pontos interpretativos da trilha construída, forneceram o embasamento essencial para a verificação da eficácia das atividades propostas como instrumento de Educação Ambiental e, assim, possibilitaram a elaboração final deste material confeccionado. A seguir é apresentada uma breve introdução deste material, seguido das atividades de Educação Ambiental elaboradas:


As atividades de Educação Ambiental aqui propostas, foram desenvolvidas durante a realização do projeto de pesquisa “Implantação de trilha interpretativa guiada como subsídio para ações de Educação Ambiental em Araras, SP”, realizado de agosto de 2012 a dezembro de 2013, com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Processo FAPESP nº 2012/06449-7), no Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de São Carlos, campus Araras - SP.

O presente trabalho contou com a participação de estudantes do nono ano da Escola Municipal Thereza Colette Ometto, oriundos da rede pública de Educação do município de Araras. Estes escolares visitaram a “Trilha dos Jequitibás” criada neste campus universitário e desenvolveram as atividades de Educação Ambiental aqui propostas.

As atividades de Educação Ambiental elaboradas neste trabalho têm como finalidade a criação de um material dinâmico e objetivo para o treinamento de novos guias, para a condução de outros visitantes a trilha interpretativa do tipo guiada implantada no CCA-UFSCar. E, tendo em vista que, muitas vezes, a visitação a trilhas interpretativas torna-se uma prática pouco viável por conta de questões financeiras e logísticas, por meio da proposição de adaptações das atividades aqui propostas, permite-se a variação do local das atividades de Educação Ambiental desenvolvidas na trilha de acordo com as exigências de materiais e/ou condições necessárias para o desenvolvimento de tais atividades no espaço escolar e/ou em suas imediações. Assim, este material possibilitará o desenvolvimento de tais atividades de Educação Ambiental desenvolvidas na “Trilha dos Jequitibás” também no espaço escolar e/ou nas áreas verdes próximas a este ambiente escolar.

Esperamos através deste trabalho que as escolas que tem maior dificuldade de acesso a trilhas interpretativas, ou mesmo municípios em que estas trilhas estão ausentes, tenham vivências de práticas no ensino de Educação Ambiental, por meio do desenvolvimento das atividades aqui propostas. Segue abaixo as atividades elaboradas, apresentadas primeiramente com o nome do respectivo ponto interpretativo da trilha em que a mesma é proposta, seguido do título da respectiva atividade e locais em que a mesma pode ser elaborada (local da trilha e local nas áreas verdes e/ou imediações da escola em que a mesma pode ser elaborada), seguido da lista de materiais necessários e/ou condições necessárias, objetivos, procedimentos e adaptações propostas em cada atividade para o seu desenvolvimento no ambiente escolar e imediações:


PONTO INTERPRETATIVO 1:

- REMANESCENTE FLORESTAL.


ATIVIDADE PROPOSTA NO PONTO INTERPRETATIVO 1:

- Trilha de Surpresas.


LOCAIS PARA REALIZAÇÃO:

- áreas florestais, parques, jardins e outras áreas verdes nas proximidades da escola.


LISTA DE MATERIAIS E/OU CONDIÇÕES NECESSÁRIAS:

- 1 trena;

- 20 objetos fabricados pelo homem;

- 20 metros de barbante;

- 1 perneira por participante.


OBJETIVOS:

- introduzir aos participantes conceitos de camuflagem e adaptação, bem como aprimorar suas habilidades de observação e concentração. Assim, com esta atividade objetiva-se que os participantes tornem-se muito mais cuidadosos com o ambiente, por meio do estímulo de sua percepção visual.


PROCEDIMENTOS:

- A atividade de Educação Ambiental proposta, adaptada de Cornell (2005), consiste na seleção de uma área verde no local que permita uma ampla visualização de seu percurso. No caso da trilha, foi delimitado o entorno de um remanescente florestal, por este local apresentar árvores de diversos portes, folhas secas e galhos em decomposição, compondo assim a serapilheira (restos de matéria orgânica depositado na superfície do solo), além da presença de algumas espécies herbáceas.

Tais componentes criam micro-hábitats que possibilitam explorar temas relacionados à adaptação dos organismos ao ambiente e camuflagem, temas que serão trabalhados na atividade proposta. O trecho recomendado da trilha, ou área verde selecionada a ser percorrida, deve ter a distância média de 30 m e sua largura deverá permitir a passagem de até quatro pessoas ao mesmo tempo. O guia deverá distribuir 20 objetos fabricados pelo homem ao longo do percurso do local, a ser previamente estabelecido na área delimitada.

Alguns dos objetos selecionados serão bem visíveis, isto é, de grande dimensão e cores chamativas, e serão dispostos em locais de fácil observação. Em contrapartida, outros objetos irão se misturar aos elementos já presentes no ambiente, sendo também dispostos em diferentes alturas, variando assim de média a difícil a sua visualização. Essa estratégia de distribuição diversificada dos objetos terá como finalidade interromper o hábito dos participantes de olhar somente numa única direção.

O número de objetos escondidos não será revelado durante o percurso da trilha aos participantes. Os visitantes irão caminhar pela trilha, um por vez, com intervalos entre si, e tentarão então localizar o maior número possível de objetos durante este percurso. Ao final do trecho percorrido, os participantes irão revelar ao guia o número de objetos que foram visualizados e este, por sua vez, revelará a cada visitante o número total de objetos que escondeu. Em seguida, o guia irá estimular estes participantes a caminharem pela trilha novamente procurando os objetos que não viram anteriormente, para permitir assim a todos os visitantes a visualização dos locais onde todos os objetos estavam escondidos.

Para tanto, o guia irá percorrer a trilha interpretativa junto aos participantes novamente, solicitando a estes que apontem os objetos que visualizaram no decorrer do percurso do trecho da trilha delimitado. A cada objeto que for encontrado, o guia irá selecionar um participante para coletá-lo, e outro para contar os objetos encontrados.

Após o recolhimento de todos os objetos escondidos, a atividade será finalizada com uma conversa entre o guia e os visitantes acerca dos inúmeros modos como a camuflagem pode auxiliar os animais, desde como pode protegê-los contra a predação por outros animais, assim como poderá ajudá-los na captura de suas presas. Ao final desta etapa, o guia irá estimular os participantes a procurarem pequenos animais camuflados na área florestal, tais como insetos, anelídeos, moluscos, entre outros.


ADAPTAÇÕES PARA O USO NO AMBIENTE ESCOLAR E IMEDIAÇÕES:

- A atividade proposta também pode ser desenvolvida em parques, jardins e/ou em outras áreas verdes nas proximidades da escola. Para tanto, é necessário que o ambiente selecionado esteja localizado próximo a árvores de diversos portes, folhas secas, galhos em decomposição e/ou eventuais animais. Este ambiente é condição essencial para o desenvolvimento da atividade de Educação Ambiental “Trilha de surpresas” proposta. A presente atividade pode ser desenvolvida em locais com menor diversidade de áreas verdes como, por exemplo, jardins, hortas, praças, podendo ser adaptada com o uso de objetos de menor dimensão e em menor quantidade em relação aos utilizados no percurso em uma área florestal, variando tais dimensões de acordo com a possibilidade de camuflagem de tais objetos no ambiente em que tal atividade será desenvolvida.


PONTO INTERPRETATIVO 2:

- ÁREA DE REFLORESTAMENTO.


ATIVIDADE PROPOSTA NO PONTO INTERPRETATIVO 2:

- As nossas pegadas ecológicas.


LOCAIS PARA REALIZAÇÃO:

- áreas florestais, salas de aula, parques, jardins e outras áreas verdes nas proximidades da escola.


LISTA DE MATERIAIS E/OU CONDIÇÕES NECESSÁRIAS:

- 1 folha de sulfite por participante;

- 1 caneta por participante.


OBJETIVOS:

- A atividade de Educação Ambiental proposta trata de temas relacionados às ações dos seres humanos no planeta, com enfoque para a sua geração de impactos nos ecossistemas, por meio da proposição do conceito de “pegadas ecológicas”, definidas como marcas deixadas pelos seres humanos no ambiente. Assim, a presente atividade tem como objetivo a sensibilização dos participantes para a redução de suas pegadas ecológicas, por meio da proposição de discussões, reflexões e de práticas de menor impacto ambiental.


PROCEDIMENTOS:

- A atividade de Educação Ambiental proposta, adaptada de Legan (2009), será realizada em uma área de reflorestamento do CCA-UFSCar, local adjacente ao curso d’água que abastece uma represa local. Nessa atividade, intitulada “As nossas pegadas ecológicas”, esta terá início com o guia tratando de temas como a relevância de pegadas ecológicas, isto é, as marcas deixadas pelo homem no ambiente, enfocando-se aos participantes que todos os seres humanos têm uma pegada ecológica, pois, para sobreviver, a população mundial consome o que a natureza lhes oferece.

A partir dessa breve exposição sobre o conceito de “pegadas ecológicas”, o guia irá levantar alguns questionamentos entre os visitantes, que irão receber uma folha de sulfite e caneta cada, e irão responder as seguintes perguntas:


- Quais tipos de atividades fazem a sua pegada ecológica crescer?

- Você acredita que seja importante diminuir a sua pegada ecológica? Comente o porquê da sua resposta.

- Descreva três ações que você pode fazer diariamente para diminuir o uso dos recursos naturais.


Ao promover a reflexão entre os participantes sobre o impacto de suas pegadas ecológicas, a presente atividade irá possibilitar a estes ter uma dimensão dos bens ecológicos, assim como dos danos socioambientais que os seres humanos estão causando ao planeta.

Desse modo, discussões, práticas e reflexões acerca das pegadas ecológicas de cada indivíduo e de toda a humanidade será enfoque desta atividade, tratando-se com os visitantes a importância destas marcas deixadas pelo homem no meio ambiente, que são, muitas vezes, maiores que a capacidade de resiliência do planeta. Será mencionado pelo guia, para um maior esclarecimento desta questão, um exemplo que diz respeito aos padrões de consumo de países desenvolvidos, tais como Estados Unidos, Inglaterra e França.

O guia irá frisar aos participantes que, se todos os habitantes do mundo tivessem os mesmos padrões de consumo que tais países desenvolvidos, seriam necessários de quatro a seis planetas como a Terra para que as necessidades de todos fossem sanadas, de modo a não comprometer a capacidade de recuperação do planeta (WWF BRASIL, 2013).

Dessa forma, será discutido entre os participantes que estas “pegadas ecológicas” não seriam uma problemática atual se caso os seres humanos usufruíssem dos recursos naturais somente em quantidade inferior à capacidade de resiliência do planeta Terra. Todavia, grande parte das pessoas utiliza em grande quantidade os recursos naturais disponíveis, explorando excessivamente estes recursos e, consequentemente, deixam grandes marcas no ambiente, aumentando assim “as nossas pegadas ecológicas”.


ADAPTAÇÕES PARA O USO NO AMBIENTE ESCOLAR E IMEDIAÇÕES:

- A atividade “As nossas pegadas ecológicas” também pode ser desenvolvida em salas de aula, parques, jardins e outras áreas verdes nas proximidades da escola. Em sala de aula, é possível ainda incrementar tal atividade por meio da proposição do cálculo por cada estudante de sua própria pegada ecológica na aula de informática. A organização não governamental “World Wide Fund for Nature” (WWF), participante de uma rede internacional comprometida com a conservação da natureza. Essa organização, atuante no contexto socioambiental brasileiro, seria uma opção viável para contribuir no desenvolvimento da presente atividade, visto que a WWF disponibiliza o cálculo virtual da pegada ecológica de cada indivíduo em seu site institucional (WWF BRASIL, 2013). Tal cálculo possibilita assim aos escolares ter uma dimensão do número necessário de planetas como a Terra para suprir a capacidade de consumo deste habitante, sem comprometer a capacidade de resiliência dos recursos naturais, se caso todos os habitantes do mundo tivessem padrões de consumo equivalente ao desse estudante.

Assim, com este cálculo de suas próprias pegadas ecológicas pelos estudantes, pretende-se promover o exercício de reflexão entre os participantes desta atividade acerca de seus padrões de consumo e, consequentemente, de seu impacto a nível global.


PONTO INTERPRETATIVO 3:

- LAGO.


ATIVIDADE PROPOSTA NO PONTO 3:

- Belas paisagens.


LOCAIS PARA REALIZAÇÃO:

- áreas florestais, salas de aula, parques, jardins e outras áreas verdes nas proximidades da escola.


LISTA DE MATERIAIS E/OU CONDIÇÕES NECESSÁRIAS:

- 1 folha sulfite por participante;

- 4 caixas de lápis de cor.


OBJETIVOS:

- Esta atividade tem como objetivo promover a sensibilização entre os participantes quanto ao seu papel, assim como o de todos os cidadãos e governo, sobre a sua responsabilidade direta na destruição da diversidade biológica, decorrente, dentre outros fatores, de seu consumo excessivo dos recursos naturais disponíveis no mundo.


PROCEDIMENTOS:

- Na atividade de Educação Ambiental proposta, adaptada de Lima (2008) e intitulada “Belas Paisagens”, o guia pedirá a cada participante para fechar seus olhos e pensar nas mais belas paisagens que já viram, como por exemplo, uma praia paradisíaca, uma cachoeira, entre outras. O guia deverá então entregar folhas de sulfite e lápis de cor aos participantes, e irá solicitar a estes para desenhar essa paisagem recordada na folha de papel em branco.

Ao término de todos os desenhos o guia pedirá a cada participante para recordar cada emoção vivida no momento em que estiveram no local representado no desenho. Em seguida, irá solicitar aos participantes para trocarem os seus desenhos entre si e, após essa troca, pedirá a cada participante para amassar o desenho recebido.

Após todos terem amassado o desenho de seu colega, os desenhos serão então devolvidos aos autores e, posteriormente, desamassados por estes. Após estas etapas, os participantes serão orientados a observar como o desenho ficou após desamassado, e então questionados sobre a dificuldade do papel de seus desenhos amassados retornar a sua forma original. Essa atividade será associada com a dificuldade de recuperação de corpos d’água que foram poluídos ou assoreados, assim como de áreas florestais que foram degradadas, entre outros ambientes passíveis de degradação.

Estes questionamentos, a serem levantados pelo guia, terão como finalidade sensibilizar os participantes quanto ao seu papel, assim como o de todos os cidadãos e governo, sobre a sua responsabilidade direta na destruição da diversidade biológica, decorrente, dentre outros fatores, de seu consumo excessivo dos recursos naturais disponíveis. Deste modo, será também abordado nessa atividade o conceito de sustentabilidade, com enfoque na disseminação de mudanças no estilo de vida das pessoas, pois o consumo reduzido dos recursos naturais disponíveis, entre outras ações socioambientais, quando trabalhadas coletivamente, podem ter um efeito extremamente positivo no ambiente (PRIMACK; RODRIGUES, 2001).

O guia irá também questionar os participantes quanto à possibilidade de, se caso fosse pedido para amassarem o seu próprio desenho ao invés do desenho do colega, se teriam amassado. Com este exercício será verificado se os participantes teriam amassado o próprio desenho ou se teriam hesitado e questionado qual a relevância de se amassar o desenho que tiveram tanto cuidado e trabalho de criar para retratar um local que apresenta uma das mais belas paisagens que já viram, ou mesmo se teriam se recusado. Estes questionamentos terão como finalidade promover a sensibilização entre os participantes sobre a importância das ações e do pensamento coletivo nas mudanças de valores e comportamentos individuais e, consequentemente, coletivos. O guia irá explorar, no decorrer destas discussões propostas, este sentimento de coletividade e de inter-relação entre as pessoas, animais e outros seres vivos.

Na trilha delimitada no local, próximo ao lago, existe também uma senzala da época em que o CCA-UFSCar ainda não havia sido criado e a área deste campus universitário ainda era a Fazenda Santa Escolástica. Neste local o guia irá abordar a temática de libertação dos escravos negros no Brasil, tratando de seu passado cultural e histórico, alegando que esta ação não foi acompanhada de uma política de integração desses negros na sociedade, de modo que, dos quase 800 mil escravos libertos, menos de 1% eram alfabetizados. O guia irá frisar aos participantes que, sem qualificação, os escravos libertos não tinham condições de melhorias de qualidade de vida e, consequentemente, não podiam proporcionar melhores condições de vida aos seus descendentes (CRESSONI, 2007).

O guia irá levantar também neste ponto interpretativo uma discussão acerca da atual situação dos negros no país, questionando os participantes se esta situação ainda se encontra presente, de algum modo, nos dias atuais. Essas reflexões propostas sobre as desigualdades sociais tem como finalidade contribuir para que os participantes visualizem esta situação sobre uma nova perspectiva, a partir do pensamento coletivo, promovendo-se assim a sensibilização destes acerca de seu papel na construção de uma sociedade mais justa.


ADAPTAÇÕES PARA O USO NO AMBIENTE ESCOLAR E IMEDIAÇÕES:

- A atividade “Belas Paisagens” pode também ser desenvolvida em salas de aula, parques, jardins e outras áreas verdes nas proximidades da escola. Para tanto, é necessário que o local em que tal atividade será proposta esteja localizado em uma área de grande beleza cênica, para possibilitar aos participantes relembrar alguma bela paisagem que já viram em um momento anterior na vida. Tal prática irá possibilitar o exercício de reflexão entre os participantes para desenvolverem o desenho de alguma bela paisagem que já viram na vida, primeira etapa desta atividade. Para o desenvolvimento de tal atividade em sala de aula, os professores poderão ainda trazer algumas revistas, jornais, imagens impressas, etc. Os estudantes, por meio da seleção de imagens de belas paisagens dentre estes materiais disponibilizados pelo professor, poderão desenvolver assim a atividade proposta em sala de aula por meio de tais adaptações propostas. Em relação à temática de libertação dos escravos sem acompanhamento de uma política de inserção destes na sociedade, o professor poderá desenvolver durante a aula teórica de história do Brasil a atividade proposta, relacionando assim os conteúdos teórico-expositivos de tal disciplina a discussões e reflexões acerca desta temática, com enfoque em sua função social para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa no país.


PONTO INTERPRETATIVO 4:

- ESPÉCIES MEDICINAIS.


ATIVIDADE PROPOSTA NO PONTO INTERPRETATIVO 4:

- O uso de um jardim sensorial.


LOCAIS PARA REALIZAÇÃO:

- áreas florestais, hortas, parques, jardins e outras áreas verdes nas proximidades da escola onde sejam cultivadas espécies medicinais.


LISTA DE MATERIAIS E/OU CONDIÇÕES NECESSÁRIAS:

- 1 placa de identificação botânica por espécie identificada.


OBJETIVOS:

- No jardim sensorial proposto teve-se como enfoque a criação de um espaço de uso para fins terapêuticos, tendo-se como objetivo a promoção de um re-equilíbrio físico, mental, psicológico e emocional dos visitantes, por meio da interação multisensorial com o ambiente e espécies ocorrentes no local.


PROCEDIMENTOS:

- A atividade proposta, intitulada “O uso de um jardim sensorial”, foi desenvolvida em uma horta com espécies medicinais, cultivadas no local por estudantes e docentes dos cursos de graduação de Licenciatura em Ciências Biológicas, Bacharelado em Agroecologia, Biotecnologia e Engenharia Agronômica.

Nesta atividade, todas as espécies botânicas que serão objeto de interpretação ambiental, deverão possuir placas identificadoras, com o nome científico e popular de cada espécie botânica selecionada. Nessa horta serão cultivadas espécies vegetais utilizadas em larga escala pela população para fins medicinais, como a “babosa” (Aloe vera (L.) Burm. F.), a “arruda” (Ruta graveolens L.), dentre outras espécies.

Nesse ponto, o guia irá tratar da relevância dos nomes científicos para a identificação de espécies botânicas, ressaltando aos participantes que os nomes científicos são de extrema importância para caracterização de espécies botânicas. Evidenciando que, tanto para o profissional como para o amador, os nomes populares são os mais variados, e podem mudar de região para região, de um idioma a outro. O guia irá salientar também aos participantes que, muitas vezes, é empregado o mesmo nome popular para identificar espécies botânicas distintas, o que já não ocorre com os nomes científicos, que são únicos e exclusivos de cada espécie vegetal, funcionando como uma espécie de “impressão digital” (LORENZI; MATOS, 2008).

O guia irá tratar também da importância da identificação e distinção entre espécies botânicas. Exemplificando aos participantes, a partir das próprias espécies medicinais presentes na área que, se uma espécie for empregada de forma errônea para, por exemplo, o tratamento de uma pessoa, tal espécie poderá acarretar consequências severas ao paciente.

A atividade proposta irá possibilitar o uso de um jardim sensorial para fins terapêuticos, promovendo um re-equilíbrio físico, mental, psicológico e emocional dos participantes, por meio da interação multisensorial destes com o ambiente e espécies ocorrentes no local. Este espaço irá possibilitar ainda a inclusão de participantes portadores de algum tipo de necessidade especial, o guia deverá assim salientar aos participantes que o entendimento da perda de um sentido pelos portadores de necessidades especiais não significa uma incapacidade, mas sim o despertar do potencial dos outros sentidos na construção de uma leitura própria e singular do mundo, na qual a compreensão das ideias e a própria abstração irão permanecer atuantes, independente da perda de um sentido físico.

O jardim sensorial proposto irá incorporar além da visão tradicional de seu uso para fins terapêuticos, o desenvolvimento de processos críticos interpretativos e a participação e integração dos visitantes nos âmbitos físico, social e cultural.

Neste jardim sensorial será enfoque o trabalho da interação individual e coletiva dos visitantes com as espécies medicinais deste local. O guia irá salientar a diversidade de cores, formatos, texturas e odores provenientes das diferentes espécies cultivadas na horta. Esta atividade irá promover assim a construção de um espaço multisensorial convidativo a interações diretas, transpondo-se a distância entre os objetos e o público.

Baseado na percepção do ambiente, por meio do estímulo de seus sentidos, bem como do equilíbrio sensório-motor, será valorizada nesta atividade o contato dos participantes com as plantas ao ar livre. Este contato irá possibilitar a discussão e reflexão acerca da relação entre aromas naturais e artificiais, entre o contraste interno e externo, claro e escuro, dentre outros aspectos, trabalhando-se assim entre os participantes a grande diversidade de espécies como metáfora para a grande diversidade de raças, religiões, gêneros, etc.

Este contato direto com a natureza, será capaz de suscitar dúvidas e questões entre os visitantes sobre a pluralidade e diversidade de espécies, assim como irá promover a transformação do “olhar” dos participantes acerca da importância das espécies medicinais.


ADAPTAÇÕES PARA O USO NO AMBIENTE ESCOLAR E IMEDIAÇÕES:

- A atividade “O uso de um Jardim Sensorial” também pode ser desenvolvida em hortas, parques, jardins e outras áreas verdes nas proximidades da escola. Em hortas, é possível ainda incrementar tal atividade por meio da proposição do cultivo pelos próprios escolares de espécies medicinais na própria horta escolar, assim como propiciar o aprendizado de técnicas para a criação de canteiros de hortas e de métodos para a manutenção das espécies botânicas a serem cultivadas baseado, por exemplo, na proposta de Irala e Fernandez (2001), que explicitam em seu trabalho técnicas para o cultivo de espécies botânicas em hortas.

Por sua vez, parques, jardins e outras áreas verdes nas áreas próximas a escola são locais também acessíveis para o encontro de eventuais espécies medicinais, muitas vezes comuns em tais ambientes. Estas áreas verdes apresentam-se também como locais propícios para o desenvolvimento de atividades de cultivo de espécies medicinais, possibilitando-se neste processo o envolvimento dos moradores dos bairros próximos à escola. O envolvimento destes moradores pode ser obtido por meio da distribuição de algumas mudas das espécies medicinais presentes no local, muitas vezes cultivadas para o preparo de chás com propriedades calmantes por tais moradores, bem como o cultivo de tais espécies botânicas pode envolver ainda a distribuição de mudas aos pais dos estudantes envolvidos com a presente atividade proposta.


PONTO INTERPRETATIVO 5:

- JEQUITIBÁ-VERMELHO.


ATIVIDADE PROPOSTA NO PONTO INTERPRETATIVO 5:

- A importância do verde.


LOCAIS PARA REALIZAÇÃO E/OU CONDIÇÕES NECESSÁRIAS:

- áreas florestais, salas de aula, parques, jardins e outras áreas verdes nas proximidades da escola.


LISTA DE MATERIAIS:

- 1 folha sulfite por participante;

- 1 caneta por participante.


OBJETIVOS:

- O objetivo da atividade “A importância do verde” é promover a sensibilização entre os participantes acerca da importância da conservação da biodiversidade, assim como da importância do pensamento coletivo para a proposição de ações que assegurem a manutenção de áreas florestais e, consequentemente, da biodiversidade do planeta.


PROCEDIMENTOS:

- No local da trilha onde está atividade foi proposta ocorre à espécie arbórea “jequitibá-vermelho” (Cariniana legalis (Mart). Kuntze), de grande porte e exuberância, natural da Mata Atlântica e árvore símbolo do Estado de São Paulo (LORENZI, 2008). Neste local são também cultivadas algumas espécies de árvores frutíferas plantadas em um pomar, como a “mangueira” (Mangifera indica L.) e a “goiabeira” (Psidium guajava L.), dentre outras, espécies essas bem conhecidas e consumidas pela população brasileira.

Esta atividade foi criada embasada no Plano de Arborização Urbana elaborado para o município de São Carlos (SP), proposto no decreto nº 216 que, em junho de 2009, instituiu o plano de arborização urbana deste município. A presente atividade, intitulada “A importância do verde”, foi criada a partir de discussões em aula da disciplina “Gestão de áreas verdes rurais e urbanas”, ministrada no Centro de Ciências Agrárias da UFSCar pela professora Msc. Ana Lúcia Seguessi.

Esta atividade consiste em retratar aos participantes um projeto de arborização urbana realizado no município de São Carlos, desenvolvido pela própria docente junto a um grupo de pesquisadores em alguns bairros deste município. Neste projeto, cada participante teve como objetivo convencer os moradores destes bairros a permitirem o plantio de mudas de árvores na calçada em frente a sua casa, informando a estes moradores que a aquisição e o plantio da muda seriam custeados pela prefeitura do próprio município.

O guia irá entregar uma caneta e uma folha de papel em branco a cada participante e irá relatar a estes um episódio deste projeto de arborização urbana. Neste episódio, um senhor idoso convidou a pessoa que estava oferecendo a muda para o plantio na calçada de sua casa para tomar um café e mostrar a sua horta particular e, o participante do projeto, após algum tempo de conversa com o senhor, ouviu deste a seguinte frase: “O verde é um remédio que as pessoas não conhecem”.

A partir desta frase será solicitado a cada participante que comente, por meio da escrita no papel em branco recebido anteriormente, sobre como eles interpretam esta afirmação dita pelo senhor idoso. Após todos terem terminado de escrever suas interpretações pessoais sobre a frase dita pelo senhor idoso, os participantes irão entregar a sua folha de resposta a outro colega.

O guia pedirá então a cada participante a leitura para si da resposta recebida e para complementá-la com suas contribuições pessoais, escrevendo a sua nova interpretação pessoal da frase partindo da resposta dada pelo outro colega participante.

Ao término dessa etapa, o guia irá solicitar aos participantes a leitura em voz alta das respostas de seus colegas complementadas com as suas interpretações e contribuições pessoais.

Tal atividade irá propiciar a reflexão entre os participantes, a partir de seus conhecimentos prévios, bem como os de outros colegas, sobre o tema proposto. Assim, será promovida a reflexão individual e coletiva entre os participantes e, consequentemente, a sensibilização destes acerca da importância da preservação de áreas verdes para a manutenção da qualidade ambiental do planeta.


ADAPTAÇÕES PARA O USO NO AMBIENTE ESCOLAR E IMEDIAÇÕES:

- A atividade “A importância do verde” proposta também pode ser desenvolvida em salas de aula, parques, jardins e outras áreas verdes nas proximidades da escola. Para tanto, é condição necessária que o professor relate aos participantes o episódio de arborização urbana, descrito nos procedimentos mencionados acima para o desenvolvimento da presente atividade. O professor poderá relatar tal episódio em uma área verde nas proximidades da escola e desenvolver a parte escrita e de leitura das respostas dadas em sala de aula, associando tal atividade proposta aos conteúdos teóricos de algumas disciplinas, tais como geografia, ciências, história, dentre outras. Esta prática irá possibilitar o aprendizado dos escolares, por meio da leitura dos relatos de conhecimentos prévios e experiências vivenciadas pelos estudantes acerca da temática proposta. A atividade proposta irá promover também o exercício de reflexão entre os participantes sobre os aspectos ambientais, culturais e históricos referentes à importância de áreas verdes para a manutenção da biodiversidade mundial.


PONTO INTERPRETATIVO 6:

- EPÍFITAS.


ATIVIDADE PROPOSTA NO PONTO INTERPRETATIVO 6:

- O papel da arborização urbana.


LOCAIS PARA REALIZAÇÃO:

- áreas florestais, parques, jardins e outras áreas verdes nas proximidades da escola.


LISTA DE MATERIAIS E/OU CONDIÇÕES NECESSÁRIAS:

- Levantamento bibliográfico sobre o papel da arborização urbana.


OBJETIVOS:

- A atividade proposta tem como objetivo a proposição de questionamentos e reflexões entre os participantes sobre o papel de espécies botânicas na arborização urbana e de sua importância para o homem, bem como para a manutenção da biodiversidade mundial.


PROCEDIMENTOS:

- O guia irá propor neste local a atividade intitulada “O papel da arborização urbana”. Na trilha proposta no Centro de Ciências Agrárias da UFSCar encontra-se um indivíduo adulto de grande porte e exuberância de “figueira-branca” (Ficus glabra Vell.), além de uma grande densidade de espécies epífitas, que comumente crescem sobre árvores ou nas axilas das folhas de palmeiras.

O desenvolvimento de tal atividade terá início por meio de uma discussão a ser proposta pelo guia, que irá retratar aos participantes algumas informações sobre as espécies de “figueiras” ocorrentes no Brasil.

O guia irá ressaltar ainda que algumas espécies de figueiras são também epífitas quando jovens e podem ser frequentemente vistas em jardins botânicos e em alguns parques urbanos. Os participantes também serão informados que, em alguns casos, a árvore hospedeira das espécies de “figueiras” pode morrer devido ao crescimento exagerado de algumas destas espécies, que podem alcançar porte gigantesco, estrangulando assim a árvore hospedeira (CARAUTA; DIAZ, 2002).

Após retratado esse histórico de ocorrência e comportamento de espécies de “figueiras” e epífitas ocorrentes no local, será solicitado aos participantes a escrita de suas opiniões acerca do seguinte questionamento a ser levantado: “Quais os benefícios e/ou malefícios que o plantio de espécies botânicas em praças, jardins e em outras áreas urbanas trazem?”.

A partir das respostas dos participantes, o guia irá conduzir discussões acerca da importância do uso de espécies de “figueiras” no paisagismo, contribuindo com outros dados sobre esta temática, com o intuito de enriquecer as discussões e reflexões a serem desenvolvidas inicialmente a partir das respostas dos próprios visitantes.

Estas discussões terão enfoque no modo de utilização das espécies de “figueiras” em projetos paisagísticos e de arborização urbana. Nessa perspectiva, será enfoque das discussões propostas que a seleção de espécies para fins paisagísticos seja efetuada de forma cautelosa e baseada em planejamento e estudos criteriosos, pois muitas destas espécies podem atingir dimensões gigantescas e, se plantadas em lugares inadequados, destroem calçadas, como ocorreu com a espécie de “figueira-branca” (Ficus glabra Vell.) presente no CCA-UFSCar. O guia irá evidenciar que o uso inadequado de espécies botânicas para fins paisagísticos pode ainda dificultar a visualização de placas de trânsito e comprometer a segurança de pedestres e motoristas, assim como destruir muros, fundações e as canalizações de prédios e residências (SANTOS; RAMALHO, 1997).

Outro tópico a ser evidenciado diz respeito à seleção de critérios para o cultivo de espécies de árvores pelo homem, tais como beleza cênica, formação de copas amplas para sombreamento de áreas para caminhadas, estacionamento de veículos, descanso e também pela arquitetura das espécies selecionadas e suas belas formas. Além destes, o guia irá frisar nas discussões o uso de espécies de árvores frutíferas e também de outras espécies destinadas para outros usos econômicos, tais como a produção de papel e madeira beneficiada (LORENZI et al., 2003).

O guia irá salientar também a presença de um inimigo das “figueiras”, representado pela ocorrência de alguns indivíduos da espécie exótica “costela-de-adão” (Monstera deliciosa Liebm.), representante da família Araceae. Essa espécie é, muitas vezes, plantada na base do tronco de “figueiras” e, invariavelmente, favorece a formação de ninhos de cupins. Desse modo, depois que estes insetos penetram no caule da árvore, eliminam o indivíduo em poucos anos, o que denota novamente a importância na seleção de espécies adequadas para o uso em projetos de paisagísticos e de arborização urbana (CARAUTA; DIAZ, 2002).


ADAPTAÇÕES PARA O USO NO AMBIENTE ESCOLAR E IMEDIAÇÕES:

- A atividade “O papel da arborização urbana” também pode ser desenvolvida em áreas florestais, parques, jardins e outras áreas verdes nas proximidades da escola. Para o desenvolvimento da atividade proposta nas imediações do ambiente escolar o professor deverá organizar um passeio com os estudantes no entorno do ambiente escolar, para o exercício de observação de espécies botânicas ocorrentes em tais áreas verdes, com o intuito de encontro de espécies de “figueiras”, bem como de espécies epífitas ocorrentes na área. É possível ainda incrementar tal atividade por meio da proposição de um processo investigativo entre os estudantes das espécies botânicas presentes no local e as suas relações com outras espécies de seres vivos, promovendo discussões entre os participantes sobre a importância e interdependência das relações destes seres vivos, bem como a importância das ações dos seres humanos para a continuidade da sobrevivência de tais espécies.


PONTO INTERPRETATIVO 7:

- JOÃO-DE-BARRO.


ATIVIDADE PROPOSTA NO PONTO INTERPRETATIVO 7:

- O papel das aves nos ecossistemas.


LOCAIS PARA REALIZAÇÃO:

- áreas florestais, parques, jardins e outras áreas verdes nas proximidades da escola.


LISTA DE MATERIAIS E/OU CONDIÇÕES NECESSÁRIAS:

- presença de indivíduos da espécie João-de-barro e/ou outras espécies de pássaros;

- 1 folha de sulfite por participante;

- 1 caneta por participante.


OBJETIVOS:

- A partir da observação do ninho do “joão-de-barro” e/ou de alguns indivíduos representantes de espécies de pássaros presentes no local, esta atividade tem como objetivo levantar questionamentos e despertar a sensibilização entre os participantes acerca da importância das aves nos ecossistemas. A partir de discussões propostas, retratar a importância destes animais nos ecossistemas, o seu papel na polinização das espécies vegetais, dispersão de sementes e no controle da população de insetos, dentre outros padrões de comportamento e dieta relevantes, alguns destes a serem levantados pelos próprios participantes no decorrer das discussões.


PROCEDIMENTOS:

- A atividade proposta deverá ser desenvolvida em um local onde esteja presente um ninho da ave “joão-de-barro” (Furnarius rufus Gmelin., 1788) e/ou indivíduos desta espécie de pássaro. Neste local, por meio da atividade intitulada “O papel das aves nos ecossistemas”, o guia irá retratar aos participantes alguns padrões de comportamento e dieta desta espécie animal, como por exemplo, o hábito dos casais desta espécie de cantar em dueto próximo ao ninho de barro e dos filhotes permanecerem junto aos pais durante cerca de 9 meses, formando grupos familiares. Em relação ao comportamento alimentar, o guia irá mencionar que os indivíduos desta espécie alimentam-se de minhocas, insetos e outros artrópodes, além de algumas sementes encontradas no solo (KRAUS et al., 2005).

No que diz respeito ao comportamento reprodutivo, o guia irá relatar aos participantes que os casais de “joão-de-barro” trabalham ativamente na construção do ninho, que tem a forma de um forno. Mencionando também que o ninho é construído anualmente e leva um período de 16 a 21 dias para ser finalizado. Na sua construção, além de barro úmido são utilizados também esterco e restos de vegetais misturados, que são transportados com o bico e também com o auxílio das patas. Esse material é então levado ao local escolhido para nidificação. A ave pode, algumas vezes, apenas reformar um ninho antigo ao invés de construir um completamente novo (EFE; FILIPPINI, 2006; KRAUS et al., 2005).

Nesse local, a partir da observação do ninho da ave “joão-de-barro” e de indivíduos representantes de espécies de pássaros presentes no local, o guia irá solicitar aos participantes a escrita de suas opiniões acerca do seguinte questionamento: “Pensando-se nestes padrões de comportamento evidenciados do pássaro “joão-de-barro”. Qual papel você acredita que as aves desempenham nos ecossistemas?”.

A pluralidade de interpretações de tal questionamento a ser levantada entre os participantes irá possibilitar a ampliação do repertório de temas a serem discutidos relacionados ao papel das aves nos ecossistemas.

Nessa atividade, a partir da observação do ninho e da espécie “joão-de-barro”, assim como de indivíduos representantes de outras espécies de pássaros presentes no local, o guia irá questionar os visitantes acerca da importância das aves nos ecossistemas. E, a partir do levantamento de discussões a serem propostas com a participação ativa do grupo, irá retratar a importância destes animais. Entre os papéis desempenhados pelas aves, o guia poderá mencionar o seu papel na polinização das espécies vegetais e dispersão de sementes, assim como salientar a importância das aves no controle da população de insetos, dentre outros padrões de comportamento e dieta relevantes, alguns destes a serem levantados pelos próprios participantes no decorrer das discussões (LEGAN, 2009).


ADAPTAÇÕES PARA O USO NO AMBIENTE ESCOLAR E IMEDIAÇÕES:

- A atividade “O papel das aves nos ecossistemas” proposta também pode ser desenvolvida em áreas florestais, parques, jardins e outras áreas verdes localizadas nas proximidades da escola. Para tanto, é condição necessária que o professor localize previamente ao desenvolvimento de tal atividade uma área em que esteja presente um ninho da espécie “joão-de-barro” e/ou uma área em que seja frequente a visitação de espécies de pássaros. O professor poderá ainda incrementar tal atividade por meio da proposição de outras temáticas relacionadas como, por exemplo, as implicações da alimentação de indivíduos da espécie de “pombo doméstico” (Columba livia) em áreas urbanas, conforme as informações de comportamento desta espécie retratados por.Schuller (2013), retratados a seguir para descrever os padrões de comportamento, alimentação e reprodutivos da espécie de “pombo doméstico”. Assim, o professor irá evidenciar aos participantes que estes pássaros são vetores de mais de 20 doenças como, por exemplo, a toxoplasmose e que o alimento é um fator limitante para a manutenção desta espécie. O guia irá relatar também que o bando tende a nidificar próximo ao local onde há fartura de alimento, a fim de gastar o mínimo de energia. Entretanto, se houver escassez de alimento, o bando irá se deslocar para outras áreas, visto que estes pássaros percorrem em média um raio de ação de até 600 m do seu local de nidificação. Assim, quanto maior a disponibilidade de alimento, maior será a capacidade reprodutiva, que varia de 10 a 14 ovos por ano, num período médio de 4 a 6 anos (tempo de vida médio estimado para esta espécie em áreas urbanas). Outro padrão reprodutivo a ser mencionado diz respeito ao hábito de construção de ninhos, pois muitos casais desta espécie reutilizam até duas vezes em média um ninho já criado, após o abandono do primeiro casal, outro fator que contribui para o aumento populacional do bando. O professor deverá salientar ainda que o fator sanitário deve ser considerado como agravante para o aumento da população de “pombos domésticos”, espécie vetor de doenças, devido ao comportamento adaptativo alimentar dos “pombos domésticos” e sua frequente aproximação do lixo e alimentos dispostos nas ruas. Desse modo, o professor poderá promover a sensibilização dos participantes quanto ao impacto do descarte de restos de alimentos em vias públicas, evidenciando que tal comportamento contribui para uma maior incidência de “pombos domésticos” em áreas urbanas e, consequentemente, para o aumento da incidência de agentes transmissores de doenças que se utilizam de tais pássaros como vetores.


PONTO INTERPRETATIVO 8:

- JARDIM DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA.


ATIVIDADE PROPOSTA NO PONTO INTERPRETATIVO 8:

- A influência de áreas urbanizadas sobre a biodiversidade.


LOCAIS PARA REALIZAÇÃO:

- áreas florestais, salas de aula, parques, jardins e outras áreas verdes nas proximidades da escola.


LISTA DE MATERIAIS E/OU CONDIÇÕES NECESSÁRIAS:

- Ambiente amplo que permita a visualização de áreas urbanizadas;

- 1 folha de sulfite por participante;

- 1 caneta por participante.


OBJETIVOS:

- Esta atividade tem como objetivo estimular a reflexão entre os participantes sobre os atuais meios de produção no qual a sociedade atual se sustenta, bem como sobre a influência de áreas urbanizadas, monoculturas e das indústrias atuais sobre a distribuição e sobrevivência de seres vivos no planeta.


PROCEDIMENTOS:

- Nesta atividade, intitulada “A influência de áreas urbanizadas sobre a biodiversidade”, o guia dará início a esta temática por meio do levantamento de uma discussão entre os participantes sobre o desenvolvimento da agricultura industrial, com enfoque no atual modo de produção que as sociedades atuais se sustentam. Evidenciando que este modo de produção visa otimizar a utilização das terras disponíveis para o aumento de sua produtividade, por meio do uso de tecnologias e combustíveis fósseis. O guia irá propor discussões com os participantes acerca dos objetivos deste modo de produção, que consistem no aumento da produtividade no trabalho e melhoria da produção agrícola e, consequentemente, no aumento do lucro de seus produtores.

O guia irá ressaltar também neste local aos participantes a presença de monoculturas de cana-de-açúcar no entorno desta área. Assim, será tema de discussão neste local a influência das matrizes energéticas, das monoculturas e das máquinas construídas pelo homem, com o intuito da expansão da produção agrícola, e a influência de tais tecnologias e meios de produção sobre a qualidade de vida do homem e a sobrevivência da biodiversidade no planeta (MENDES, 2002).

Após esta discussão inicial proposta, os visitantes serão questionados sobre essa temática, por meio da seguinte indagação: “Qual a influência de áreas urbanizadas, de monoculturas e das industriais atuais sobre a distribuição e sobrevivência de seres vivos no planeta?”.

A partir da questão proposta, serão levantados os conhecimentos prévios dos estudantes, por meio da leitura em voz alta de suas respectivas respostas.

O guia irá incrementar tal discussão tratando ainda de algumas temáticas de caráter sócio-ambiental relacionadas, tais como as modificações das matrizes energéticas, a influência das tecnologias e o uso de combustíveis fósseis pelo ser humano. Salientando aos participantes que, quando estes recursos são empregados de forma cautelosa e embasados em estudos científicos, permitem a agricultura ser uma prática mais sustentável.

Nessa perspectiva, outro tema de discussão a ser tratado diz respeito ao grande desafio atual de se alimentar uma população cada vez maior e cada vez mais concentrada e urbanizada, e isso com produtos a preços acessíveis. Nesse contexto, será um tópico de discussão também a série de problemas ambientais que a expansão agrícola acarreta, como por exemplo, o aumento do aquecimento global, a extinção de grandes áreas florestais e a poluição de cursos d’água (MENDES, 2002).


ADAPTAÇÕES PARA O USO NO AMBIENTE ESCOLAR E IMEDIAÇÕES:

- A atividade intitulada “A influência de áreas urbanizadas sobre a biodiversidade” também pode ser desenvolvida em áreas florestais, parques, jardins ou em áreas verdes nas proximidades da escola. Para o desenvolvimento da atividade proposta, o professor deverá selecionar uma área verde localizada próxima a alguma área urbanizada, especialmente, se tal área estiver situada próxima a monoculturas e/ou indústrias. Para incrementar esta atividade, o professor poderá ainda promover um mutirão entre os estudantes para limpeza da escola e/ou áreas verdes localizadas nas proximidades do ambiente escolar. Tal atividade tem como objetivo estimular ações de Educação Ambiental entre os participantes, bem como possibilitar aos escolares visualizarem a sua importância para a ocorrência de mudanças de comportamentos, valores e atitudes, na perspectiva da construção de um mundo mais sustentável.


5. Discussão


No estudo de trilhas interpretativas inseridas no Parque Estadual Pico do Marumbi e Reserva Natural Salto Morato (PR), Vasconcellos (1998), utilizou-se da criação de folhetos e materiais interpretativos para o percurso de tais trilhas inseridas nestas áreas florestais.

Em contrapartida, Tullio (2005), propôs um roteiro interpretativo para a visitação guiada na “Trilha da Tabuca”, construída no município de São José do Rio Pardo, SP.

Por sua vez, na “Trilha dos Jequitibás”, construída no Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de São Carlos, as presentes atividades aqui elaboradas e propostas neste trabalho para o percurso desta trilha mostraram-se como um material pioneiro, que irá contribuir para a continuidade do desenvolvimento de tais atividades na “Trilha dos Jequitibás” do CCA-UFSCar por futuros guias, bem como irá permitir a ampliação do desenvolvimento destas atividades de Educação Ambiental no cotidiano de discentes, nas escolas em que estas atividades forem empregadas.

Este material irá propiciar a construção de novos conhecimentos socioambientais entre os estudantes, bem como a proposição de novas práticas docentes, que contribuam para o desenvolvimento de conteúdos relacionados à Educação Ambiental entre os estudantes em seu cotidiano escolar.

Assim, este material elaborado ressalta a relevância da criação de novas atividades de Educação Ambiental a serem desenvolvidas em trilhas interpretativas, e que agreguem ainda esta proposta inovadora de proposição de adaptações para o uso de tais atividades no ambiente escolar e/ou em suas áreas verdes e imediações.


6. Conclusão


As atividades de Educação Ambiental elaboradas neste trabalho, por meio das adaptações propostas em tais atividades desenvolvidas no percurso da “Trilha dos Jequitibás”, para o seu desenvolvimento também no ambiente escolar e/ou em suas imediações, permitiram a ampliação do potencial da trilha interpretativa guiada construída como instrumento de Educação Ambiental.

Este material confeccionado, além de permitir a condução de futuros visitantes à trilha delimitada no local por novos guias, irá possibilitar ainda o desenvolvimento das atividades de Educação Ambiental propostas na trilha também no espaço escolar e/ou em suas áreas verdes e imediações. Este trabalho permitiu assim que as atividades desenvolvidas na “Trilha dos Jequitibás” não se caracterizem como eventos pontuais e isolados, mas sim como um processo educativo continuado e persistente, conforme proposição das bases que fundamentam os princípios da Educação Ambiental.


7. Agradecimentos


À Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Processo FAPESP nº 2012/06449-7), pela concessão de bolsa de pesquisa ao primeiro autor. A professora de Ciências e estudantes do nono ano da Escola Municipal Thereza Colette Ometto, pelo desenvolvimento das atividades de Educação Ambiental elaboradas neste trabalho e desenvolvidas no percurso da trilha interpretativa.


8. Referências bibliográficas


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