ISSN 1678-0701
Número 62, Ano XVI.
Dezembro-2017/Fevereiro-2018.
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10/12/2017CONTRIBUIÇÕES PARA O ECOTURISMO NA COMUNIDADE FURNAS DO DIONÍSIO  
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CONTRIBUIÇÕES PARA O ECOTURISMO NA COMUNIDADE FURNAS DO DIONÍSIO

 

 

José André Verneck Monteiro

educativo@live.com

 

Mestre em Práticas em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro & Global MDP, Especialista em Educação Ambiental pela Universidade Candido Mendes, Licenciado em Pedagogia pela Fundação Universidade do Tocantins. Publica seus trabalhos em https://jardimvital.wixsite.com/inicio

 

 

Resumo

 

Este relato de experiência foi elaborado a convite de Berenice Gehlen Adams para integrar a Seção Sementes, na 62ª Edição da Revista Educação Ambiental em Ação. Reúne um extrato da participação do Autor nas oficinas de capacitação e elaboração do Plano de Estruturação para o Ecoturismo, realizadas durante os meses de agosto a novembro/2017, na Comunidade Remanescente de Quilombo Furnas do Dionísio, Jaraguari/MS, Brasil.

 

Palavras-chave: sementes, rapadura, trilha interpretativa, educação ambiental.

 

Apresentação

 

A Comunidade Remanescente de Quilombo Furnas do Dionísio é constituída por mais de 90 famílias que vivem na zona rural do município de Jaraguari/MS, distante 40 km da capital Campo Grande. As pessoas de lá descendem da família de Dionísio Antônio Vieira, vinda de Minas Gerais, em 1890. Portanto, logo após a assinatura pela Princesa Isabel, da Lei Áurea que oficialmente aboliu a escravatura no Brasil, em 1888.

O território foi titulado pela Fundação Cultural Palmares no ano 2000, e reconhecido em 2009 pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Diário Oficial da União, Portaria n.º 118, de 24 de abril de 2009).

 A rapadura feita em Furnas do Dionísio é reconhecida desde 2016 como patrimônio histórico e cultural do Mato Grosso do Sul.

O Projeto de Agregação de Valor à Produção Agropecuária e Extrativista da Comunidade Quilombola de Furnas do Dionísio foi realizado com financiamento da ENERGISA em 2017, sendo fruto de parceria celebrada com a Universidade Católica Dom Bosco - Núcleo de Gestão de Projetos e Parcerias - Agência de Inovação de Empreendedorismo S-Inova, com o apoio da Associação dos Pequenos Produtores Rurais de Furnas do Dionísio - Jaraguari/MS (APFURNAS).

Integrado ao item 07 do referido convênio, o Plano de Estruturação para a Prática de Ecoturismo, substrato principal deste relato, foi desenvolvido em oficinas com as pessoas da comunidade, entre os meses de agosto a novembro/2017.

            O acervo turístico de Furnas de Dionísio é múltiplo, rico em atrativos histórico-culturais, religiosos, socioambientais, culinários e panorâmicos.

O destino já recebe visitantes de outras localidades e regiões, de modo incipiente e ainda pouco expressivo na atividade socioeconômica comunitária.

Ademais, a localidade e parte da comunidade não apresentam ainda estrutura para usufruir em plenitude dos benefícios que podem vir a ser originados a partir de sua inserção formal na rede de negócios resultantes do turismo regional.

 A atividade turística em base comunitária, desde que criteriosamente planejada e executada, pode representar um valioso conjunto de oportunidades para exercício de pleno desenvolvimento das pessoas envolvidas (cicerones, visitantes e negociantes), seja por intermédio da pesquisa e inovação contínua, requeridas pela prática da atividade turística, pelas trocas culturais decorrentes da visitação à comunidade, bem como pela diversificação e ampliação das possibilidades de redistribuição solidária de renda entre as famílias atuantes direta ou indiretamente no atendimento a turistas.

A exemplo de outros polos turísticos referenciais em qualidade, como Bonito/MS, o sucesso do despertar vocacional do turismo de base comunitária e o êxito em sua consolidação como roteiro turístico de qualidade são diretamente dependentes e proporcionais ao nível de interesse, envolvimento, capacitação, organização, dedicação e empreendedorismo, por parte dos integrantes da comunidade anfitriã e demais parceiros que integram seu arranjo produtivo local.

O conjunto de atividades realizadas na comunidade foi pensado a contribuir para a criatividade da equipe turística na busca de soluções coletivas para a conservação ambiental do território, o manejo ideal dos atrativos turísticos, a diversificação da oferta de produtos artesanais sustentáveis elaborados na comunidade, a pesquisa de satisfação e melhoria da qualidade da experiência turística, a popularização do destino nas demais localidades e para a captação de apoio pelos entes governamentais e demais instituições de ensino da região.

 

Desenvolvimento

 

Imersão na Comunidade para intercâmbio de dados que representem o conjunto das informações técnicas iniciais e aproximadas, necessárias à compreensão da configuração do contexto socioambiental da comunidade humana anfitriã e usufruente do trabalho; bem como das possíveis soluções, complementares e alternativas, que permitam aperfeiçoar o uso de seus recursos próximos, a expansão de seu potencial criativo e a prática do empreendedorismo para a elevação do nível de qualidade de vida.

 

21/09 – Chegada em Furnas do Dionísio

Pela manhã fui apresentado pelo Sr. Vinicius Lugo Samudio (Agência S-Inova) ao Sr. Adriano Sales da Silva (Líder da APFURNAS), que me relatou seu trabalho frente à Associação e reiterou o interesse da Comunidade em organizar e desenvolver o turismo na localidade.

Detalhamos conjuntamente as ações preparatórias para as oficinas e demais atividades do projeto no período próximo.

Na sede original é intenso o trabalho de produção de rapadura e suas tradicionais variações de preparo (com amendoim, banana ou com massa de medula de mamoeiro), além do melaço e do açúcar mascavo. A farinha de mandioca é outro produto artesanal local de alto prestígio nas feiras e no Mercado Municipal de Campo Grande.

Na ocasião ocorreu a visita de um grupo de estudantes de outra localidade à sede original, organizada pela Escola Estadual Zumbi dos Palmares. Foi notável o interesse dos alunos pelo fabrico da rapadura e pelas explicações.

Em seguida fui apresentado à unidade agroindustrial patrocinada pela ENERGISA, na época, em fase final de acabamento. Depois de concluída permitirá atender às normas sanitárias exigidas para ampliação do mercado atendido hoje.

A agroindústria é conectada à sede original por meio de um amplo galpão no qual são realizadas as reuniões e celebrações promovidas pela Associação.

Esta sede revitalizada, também poderá abrigar Centro de Informações Turísticas e Educação Ambiental, por meio de adequações simples, tais como ajardinamento, horticultura e arborização, instalação de painéis interpretativos, mapas, objetos históricos da localidade.

O local é ideal para realização de ações lúdio-didáticas, tais como exposições, cineclube, cursos e oficinas.

Em seguida, visitamos a Escola Estadual Zumbi dos Palmares e com o Diretor Marcos Antônio da Silva Reichel programamos uma intervenção educativa com alunos, professores e demais serventuários, para o dia seguinte no início do período noturno.

À tarde fui apresentado ao Sr. Osvair Barbosa da Silva, em sua propriedade, na qual já desenvolve há mais de 15 anos a Trilha Alto do Quilombo.

Programamos para o domingo próximo pela manhã uma expedição para percorrer a referida trilha. O Sr. Adriano Sales da Silva designou-o, por sua aptidão e experiência no assunto, para liderar o grupo de desenvolvimento comunitário do turismo, convidando outros integrantes para colaborar, sendo aceito.

 

 22/09 – Oficina de preparo de Pão Verde com verduras colhidas na horta da Escola Estadual Zumbi dos Palmares

 

O pão verde é uma receita que reúne diversos nutrientes essenciais à dieta humana equilibrada e pode ser amplamente difundido como complemento alimentar saudável.

É simples de fazer, não requer ingredientes sofisticados e pode ser elaborado a partir da preferência e disponibilidade acessível à família, dos grãos e verduras.

Também pode ser feito sem ingredientes de origem animal.

Durante a levedação da massa do pão foram apresentadas nas salas propostas de sustentabilidade, alimentação saudável e desenvolvimento do turismo.

Os pães foram servidos no intervalo de lanche e sua receita compartilhada entre os participantes da oficina. As funcionárias responsáveis pelo preparo das refeições demonstraram aptidão para inserir o Pão Verde no cardápio semanal da Escola.

Receita de Pão Verde

 

 

Ingredientes

 

800 g de farinha de trigo refinada; 100 g de farinha de trigo integral; 25 g de grãos de quinoa; 25 g de sementes de chia; 40 g de fermento biológico fresco; 1 ovo; 3 colheres de sopa cheias de açúcar mascavo; 1 colher de sopa cheia de leite em pó; 250 ml de leite à temperatura ambiente; 100 ml de água à temperatura ambiente; 1 colher de sopa cheia de sal; 6 colheres de sopa cheias de azeite de oliva; 1 colher de sobremesa rasa de açafrão em pó; 1 dente de alho amassado; aproximadamente 100g de folhas frescas de salsa, couve, ora-pro-nobis, bertalha, beldroega, espinafre-amazônico, caruru, coentro, etc.

 

Modo de fazer

 

ü  Espalhe o azeite em uma tigela grande, misture o leite com o fermento, o açúcar mascavo, o leite em pó e o ovo.

ü  Quando estiver homogêneo adicione e misture bem 200g de farinha de trigo refinada.

ü  Cubra a tigela com pano úmido e deixe repousar por aproximadamente 30 minutos.

ü  Liquidifique as folhas com o alho, a água e o açafrão. Adicione esta trituração à tigela e misture bem os demais ingredientes.

ü  Sove bem até que a massa fique homogênea e solte das mãos. Cubra novamente a tigela e deixe repousar dentro do forno apagado em torno de 40 minutos.

ü  Unte com azeite e polvilhe farinha na assadeira.

ü  Seque a bancada e polvilhe com farinha. Trabalhe a massa em ciclos: abra, estique, dobre, torça, amasse e sove como lhe seja confortável. Modele, ponha na forma, pincele e talhe o pão.

ü  Deixe levedar por cerca de uma hora em local morno.

ü  Pré-aqueça o forno a 200 °C, por 10 minutos. Asse por aproximadamente 40 minutos e compartilhe.

 

Ø  Quando esfriar guarde o pão em embalagem seca e tampada.

Ø  As fatias também podem ser torradas e servidas quentes ou frias.

Ø  Os farelos de pão podem ser adicionados à farofa, pirão e sopa.

 

·         Experimente também as múltiplas variações dessa preparação usando sua criatividade e a diversidade que tiver acessível de grãos, castanhas, hortaliças, condimentos e óleos. 

 

 

23/09 – Oficina de Sustentabilidade

 

Realizada pela manhã, na Sede da Associação, com foco em Agroecologia, Plantas Alimentícias Não Convencionais, Sementes Crioulas, Economia e Turismo.

            A produção das rapaduras na Comunidade requer historicamente a extração e uso de lenha para alimentar as fornalhas. Com o funcionamento da agroindústria o volume de lenha requerido será maior. Por essa razão foi levantada a necessidade de suprir de modo sustentável essa demanda a partir do plantio de árvores, continuamente e proporcionalmente ao volume de lenha utilizada, com sobras, para prevenir a escassez.

            Como forma de compensar parcialmente o impacto ambiental da atividade, simultaneamente conferir conforto ambiental e melhoria paisagística (fundamentais para o turismo) também foi proposto o plantio intensivo de árvores e jardins nas vias públicas, preferivelmente de espécies vegetais nativas da região. Para tal será necessário implantar um viveiro destinado à propagação de mudas a partir das sementes coletadas na Comunidade.

            O manejo dispensado aos resíduos sólidos deveria incluir a lavagem e triagem de materiais recicláveis e o armazenamento em condições ideias até o momento da coleta pública, ou comercialização, como forma de obtenção de renda extra para a Associação.

Enquanto se planeja a estrutura e as demais providências para a gestão ideal, a providência mais adequada é imediatamente interromper a queima de lixo, por todos os problemas ambientais e de saúde coletiva decorrentes da inalação dos gases tóxicos da incineração, além do aspecto visual incompatível à atividade turística.

            As hortas domésticas também podem receber atenção especial pela Comunidade e órgãos de assistência técnica, aproveitando dessa forma a farta disponibilidade de água das minas e o adubo orgânico de origem animal (esterco de gado e aves), além do bagaço de cana, que pode ser triturado e compostado, utilizado com sucesso como cobertura vegetal morta recobrindo o solo dos cultivos.

            O sucesso da prática da agricultura em regiões de estiagem prolongada depende em grande parte da adição regular de matéria orgânica ao solo, reduzindo assim a evapotranspiração, minimizando o surgimento de ervas invasoras e de formigueiros, e ainda, fornecendo matéria orgânica ao solo e microorganismos.

Com esse intuito foi então sugerida a implantação de uma horta modelo, na Sede da Associação, para servir de banco ao maior número possível de espécies alimentícias, e onde sejam adotadas as práticas agroecológicas, para então posteriormente, compartilhar as mudas e informações com os demais Quilombolas interessados.

            Durante a Oficina foram apresentadas em projetor imagens de 50 Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC), com respectivas sugestões de preparo e modos de servir.

De modo geral as PANC são de fácil cultivo e adaptação a tratos simples, por essa razão o conhecimento sobre estas plantas deve ser amplamente difundido com o intuito de melhorar a qualidade nutricional e o aproveitamento integral de recursos, podendo inclusive vir a ser um incremento na elaboração de refeições que venham a ser comercializadas em decorrência da atividade turística. Para exemplificar foram apresentados produtos naturais elaborados pelo Jardim Vital, a partir do uso de PANC.

Realizamos uma colheita de Ora-pro-nobis (Pereskia grandiflora L.) no quintal da Sra. Maria Luzia Antonia Martins para apresentar aos participantes e utilizar suas folhas na elaboração do Pão Verde, durante a Oficina realizada à tarde, no mesmo dia.

Diversos dos participantes desconheciam suas propriedades nutricionais, então as estacas da planta foram distribuídas aos participantes para plantio em casa.

Há na internet amplo conteúdo sobre PANC e receitas elaboradas com elas. Para facilitar a pesquisa foi proposta a aquisição para o acervo da biblioteca da Escola Estadual Zumbi dos Palmares, um exemplar do livro referência sobre o tema: Plantas Alimentícias Não Convencionais no Brasil, de autoria conjunta do Dr. Valdely Ferreira Kinupp e do MSc. Harri Lorenzi, publicado pelo Instituto Plantarum de Estudos da Flora (www.plantarum.com.br).

            As sementes crioulas são tesouros genéticos que vêm sendo transmitidos entre as gerações de agricultores indígenas, quilombolas e demais populações tradicionais.

Estes “guardiões da agrobiodiversidade”, ao longo dos séculos, mantêm em seu acervo vivo centenas de variedades naturais de milho, feijão, abóbora, amendoim, arroz e outros alimentos com características distintas das que estamos acostumados (cor, sabor, tamanho, rendimento, textura), cujas sementes não são tratadas com agrotóxicos, radiação ou manipulação de genes em laboratório.

Algumas dessas variedades sofreram cruzamento ao longo dos anos e até tiveram melhorias em sua produtividade, através de processos espontâneos e naturais, sendo, a cada safra, selecionadas e conservadas as melhores sementes para o próximo plantio.

Opostamente, a agricultura pautada por extensas monoculturas depende de uniformidade e padronização de resultados visando o maior lucro possível.

Destarte se estabelece uma interdependência entre a compra frequente de sementes transgênicas, maquinário requintado, toneladas de adubos de síntese química e venenos - um pacote tecnológico caro e ambientalmente insustentável no contexto da agricultura familiar.

Foram distribuídos para 23 dos participantes da Oficina um total de 35 kits de sementes crioulas, constituídos por 15 variedades de milho, fava, feijão e hortaliças, originários de diversas procedências do território nacional, com a respectiva orientação de plantio, colheita, armazenamento e compartilhamento das sementes.

A proposta inicial foi a de se reservar a parte maior da colheita para criação de um banco de sementes e promover seu intercâmbio entre as famílias dos demais Associados e com outras Comunidades, quando já tiverem quantidade suficiente.

À tarde foi realizada Oficina de Preparo de Pão Verde, na sede da Associação. 

As folhas do Ora-pro-nobis (Pereskia grandiflora) contém em média 20% de proteínas, além de vários aminoácidos essenciais e alto teor de minerais (nitrogênio, potássio, ferro, fósforo, cálcio, magnésio, enxofre, cobre e zinco). Podem ser consumidas cruas, em sucos, saladas, refogadas, integradas à massa de pães ou desidratadas e moídas. As flores e frutos também são consumidos, crus ou em sucos, saladas e geleias.

Por ser um cacto, a espécie é de fácil propagação e cultivo, ideal para compor cercas-vivas alimentícias e de baixa manutenção.

Após degustação coletiva do pão verde apresentei aos participantes alguns instrumentos musicais artesanais, aproveitando o ensejo para destacar o valor da manutenção das manifestações culturais locais.

O calendário de eventos promovidos pela Comunidade, quando devidamente divulgado, pode representar um atrativo turístico especial, somado aos demais atrativos da localidade.

Na Plataforma Digital do roteiro foi incluído um cardápio destinado à divulgação do referido calendário.

 

24/09 – Trilha Alto do Quilombo

 

A Trilha Alto do Quilombo parte da Chácara Beira Serra, propriedade familiar do Sr. Osvair Barbosa da Silva, que vem elaborando o roteiro desde 2001, inicialmente aproveitando e tratando os caminhos já consolidados pelo seu uso por bovinos e equinos. Os primeiros trechos da trilha foram manejados a pedido de um grupo de motociclistas, para sua prática.

Em setembro/2016 foi atendido o primeiro grupo de caminhantes na trilha. Em abril/2017 foi veiculada matéria jornalística da trilha no Campo Grande News, impulsionando a divulgação do passeio e ampliando a procura, principalmente entre o público da Capital.

A primeira agência a operacionalizar o roteiro foi a Sopa de Pedra Turismo e Aventura, situada em Campo Grande/MS.

Após um ano de caminhadas foram atendidos diversos grupos diferentes de visitantes, entre grupos familiares e de amigos, equipes esportivas, destacamentos militares em exercício, congregações religiosas, estudantes e cientistas.

O Sr. Osvair é quem organiza a visitação, principalmente mediante o uso de seu telefone celular (67 996072105). O ponto de apoio da trilha, contíguo a sua residência dispõe de antena para ampliar o sinal telefônico, de intensidade precária na maior parte baixa da Furna. Atualmente é cobrada taxa de R$ 10,00, por pessoa, para percorrer a trilha ou passar o dia usufruindo da estrutura oferecida na Chácara Beira Serra, com área para camping, gramado esportivo, riacho, ponte pênsil e piscina natural.

Os visitantes podem optar por adquirir a refeição no local (R$ 15,00 por pessoa). O cardápio é combinado previamente. As refeições são elaboradas pela família e servidas em área coberta, dispondo de sanitários, ducha, bar e estacionamento sem sombra. Ainda não dispõe de sanitário acessível para portador de necessidades especiais ou com dificuldades de locomoção.

Não é permitido ao visitante pescar ou caçar na propriedade. A preparação de churrasco por visitantes deve ser precedida de acordo no local. Não há local apropriado para lavar, triar e guardar os resíduos recicláveis. O local não dispõe de coleta pública, sendo desejável que os visitantes levem de volta seus resíduos para a correta destinação.

Atualmente a trilha pode ser percorrida nas modalidades guiada ou autoguiada (sem o guia). O Sr. Osvair é quem guia pessoalmente os visitantes na modalidade guiada e quem passa as orientações para os visitantes da modalidade autoguiada. No momento não há outras pessoas da Comunidade interessadas participando da atividade de condução dos visitantes.

Ainda não foi estabelecido o número limite de pessoas por dia na trilha, nem o número máximo de pessoas por grupo.

Logo no início da trilha há uma construção familiar, que pode vir a ser utilizada como Centro de Visitantes, mediante a implantação de sanitários, bebedouro, sala para acolhimento dos grupos e orientação educativa.

O circuito é múltiplo, repleto de derivações que podem atravessar atrativos diversos e percorrer distâncias variáveis (3, 5, 7, 10 ou 15 km), consequentemente expandindo também o tempo de exercício físico realizado em cada trecho.

Apresenta diferentes níveis de dificuldade em cada um dos trechos, acentuados por desníveis, diferenças de revestimento do solo ou largura da faixa de passagem.

Há trechos com médio e alto risco iminente de acidente, como ribanceiras, tropeços, ausência de estruturas de apoio como corrimãos, guarda-corpos, degraus construídos, cordas e placas de alerta.

Em outros trechos na faixa de passagem o solo se apresenta fragmentado, com valas, seja pelo tráfego de motocicletas ou pelo desgaste decorrente do pisoteio. Tais áreas denotam vulnerabilidade a enxurradas e erosões provocadas pela força das chuvas.

A trilha ainda não dispõe de sinalização apropriada, de orientação e/ou segurança, sendo o percurso autoguiado identificado apenas por fitas sintéticas de diferentes cores, amarradas à vegetação. A interpretação das cores como indicação do rumo a seguir é detalhada oralmente aos caminhantes. 

Os trechos da trilha ainda não estão georreferenciados nem rascunhados em planta aproximada. Não há um guia impresso para visitação, com mapa que permita a localização autônoma dos visitantes em relação a pontos de referência implantados nos trechos, bem como as normas de visitação e telefones de emergência.

Nos cumes e cristas da trilha há melhor sinal telefônico que nos baixios.

Percorrendo-se todos os traçados do Alto do Quilombo pode se chegar a quatro mirantes onde se descortina o panorama da Serra do Maracaju e a bacia do córrego Pombal, que é formado pelo encontro do córrego Boa Vista com o córrego Rochedinho.

Em propriedade vizinha, após aproximadamente 3h de caminhada, se chega à Cachoeira do Salto, com expressiva e panorâmica queda d’água.

De acordo com a preferência do visitante a trilha pode findar na Chácara Beira Serra, ou prosseguir rumo às propriedades vizinhas e Centro Histórico.

O Sr. Osvair é nascido e criado na Comunidade, conhece bem a região, suas histórias e estórias. Apresenta a narrativa da trilha de modo atrativo e rico em detalhes.

É empreendedor, tem interesse e disposição para expandir o uso sustentável de sua terra herdada, bem como procura inserir em seu trabalho outros empreendedores locais, o que amplia a qualidade da experiência do visitante e ao mesmo tempo cria oportunidades de obtenção de renda por outras famílias.

Têm convidado outras pessoas da Comunidade para compartilhar seu conhecimento e a oportunidade de trabalhar conjuntamente na Trilha, com pouco êxito.

O turismo de base comunitária, para que seja bem sucedido, depende de articulação e integração entre as famílias da Comunidade, que se agrupam para desenvolver o atendimento aos turistas e então passam a usufruir da movimentação de recursos decorrente do fluxo de visitantes na localidade, ao longo dos anos. Nesse ínterim o aprendizado é diário, contínuo, plural, com pesquisa e prática.

 

Chácara da Associação

 

A Chácara da Associação dá acesso ao encontro do Córrego Boa Vista com o Córrego Rochedinho, onde se forma o Córrego Pombal, com várias cachoeiras.

Atualmente é frequentada para acesso à cachoeira por pessoas da Comunidade e turistas, os quais utilizam a área para estacionamento mediante pagamento de taxa.  Visando atingir um nível excelente de transparência e credibilidade da Associação em relação à receita arrecadada dessa forma, é sugerida a adoção de algum sistema de controle e prestação de conta, como por exemplo, talão numerado ou livro de registro, nos quais seja possível anotar a data, horário de chegada e placa do veículo. Verificar quais as implicações jurídicas e de responsabilização civil da Associação, que sejam decorrentes de eventuais danos ou prejuízos aos veículos e pessoas.

            O local dispõe de uma varanda coberta, mesa de bilhar, sanitários e bar. Há também uma casa com potencial para servir de ponto de apoio mediante reforma.

            Será necessário implantar lixeiras, placas educativas e realizar ações de conscientização e monitoramento constantes, a fim de se evitar que detritos sejam dispensados em local inapropriado pelos frequentadores, como vem ocorrendo.  A prática de se fazer churrasco também precisa ser orientada para se evitar incêndios.

 

Chácara Lajeadinho

 

A Chácara Lajeadinho é propriedade familiar dos Srs. Lourenço e Marcilene.

Atualmente é permitido o acesso livre ao Córrego Boa Vista para pessoas da comunidade e turistas, sem cobrança de taxa de visitação.

O local é provido de área sombreada por árvores para estacionamento e repouso, bar e restaurante familiar, sanitários, aparelho sonoro, lixeiras de uso coletivo e separação de materiais recicláveis.

Há na propriedade uma edificação com amplas varandas, que pode vir a ser adaptada para servir como meio de hospedagem.

A família comercializa, além de bebidas, refeições e petiscos preparados por encomenda, com uso de hortaliças de cultivo próprio.

Os empreendedores relatam problemas decorrentes de despejo de detritos em locais inapropriados e baixa aferição de renda proveniente da comercialização de produtos de seu estabelecimento.

Em vista disso propus que analisem a viabilidade de cobrar taxa de visitação e que ampliem a oferta de produtos na propriedade, de modo a ampliar a captação de renda com a atividade turística.

Caso resolvam optar por continuar autorizando os visitantes a fazer churrasco, é recomendável que definam locais específicos, preferencialmente que não sejam à beira da cachoeira, a fim de evitar acidentes com cacos de vidro, e que os turistas sejam orientados a não deixar detritos no local.

O telefone celular do casal (67 991279827) é informado na página do Roteiro.

A trilha realizada na ocasião também contemplou uma parte mais antiga da Comunidade, onde está situada a Igreja de Nossa Senhora Aparecida, a Escola Municipal Rural de Ensino Fundamental Dionísio Antonio Vieira, algumas propriedades agrícolas e residências de famílias tradicionais.

O trajeto foi percorrido em aproximadamente quatro horas, em ritmo tranquilo, com algumas pausas para repouso, contemplação e diálogos sobre turismo sustentável.

O roteiro apresenta múltiplos extratos de informação, consubstanciados pela rica flora do cerrado, a rede local de mananciais, a ampla diversidade de aves que habitam o local, a brisa refrescante e diversidade de paisagens que pudemos apreciar.

Cabe destacar que a experiência na trilha interpretativa Alto do Quilombo se tornou ainda mais significativa em virtude das curiosidades de valor histórico e cultural apresentadas de modo peculiar pelo Sr. Osvair.

 

21/10 Oficina sobre Hospitalidade e Qualidade com os integrantes do Grupo de Trabalho para o Desenvolvimento do Turismo na Comunidade.

 

Após a oficina foram debatidos os principais aspectos elencados neste Plano, as providências requeridas para sua aplicação e as ações complementares necessárias à ampla divulgação do roteiro.

            Apesar de a Oficina haver sido divulgada com antecedência pelo Presidente da APFURNAS foi relativamente reduzido o comparecimento, principalmente de pessoas mais jovens da Comunidade.

 

Plataforma Digital Conheça Furnas do Dionísio

 

            No dia 30 de outubro foi publicada a página virtual do Roteiro, de hospedagem gratuita, disponível em https://furnasdodionisio.wixsite.com/inicio

            A página contêm as informações de acesso à Comunidade e link para o aplicativo Google Maps, galeria de imagens, descrição dos principais atrativos turísticos e dos produtos locais, espaço para divulgação de calendário de eventos, formulário para contato, telefones úteis, contador de visitas à página, conexão com o perfil do Facebook, além de hiperlink para as páginas das organizações que atualmente apoiam o desenvolvimento do Turismo na Comunidade (ENERGISA, UCDB e Jardim Vital).

É recomendável que alguém da Comunidade assuma a responsabilidade de administrar e atualizar plataforma, que é simples e prática de operar, bastando conhecimentos básicos de informática.

Ações complementares

 

A seguir são elencadas propostas para fortalecimento e sustentabilidade da atividade turística na Comunidade, as quais podem ser deliberadas e selecionadas em assembleia, bem como seus respectivos responsáveis e prazos de conclusão.

 

Objetivo 1. Publicização

Ação

Responsável

Prazo

Promover ações de divulgação da página do roteiro nas instituições de ensino locais.

 

 

Instalar placas de direcionamento de trajeto para os atrativos turísticos locais.

 

 

Inserir o endereço da página nos rótulos dos produtos locais (rapadura, farinha, açúcar mascavo, melado e hortaliças).

 

 

Fotografar os produtos locais para inserção das imagens na página.

 

 

Confeccionar panfletos para distribuição nas agências de turismo de Campo Grande.

 

 

Enviar o link da página por WhatsApp com orientação para que os integrantes da Comunidade repassem-no aos seus contatos.

 

 

Solicitar à Assessoria de Comunicação da Prefeitura Municipal de Jaraguarí a inserção de conteúdo de Furnas do Dionísio e o link da página do roteiro na página institucional.

 

 

Enviar sugestão de pauta aos veículos de comunicação locais e regionais.

 

 

Criar um calendário de eventos na Comunidade

 

 

Atualizar constantemente o perfil do Facebook de Furnas do Dionísio com fotos e vídeos, dos produtos, de seus atrativos naturais, além do calendário de eventos.

 

 

Outras ações sugeridas pela Comunidade:

 

 

 

 

Objetivo 2. Revitalização ambiental na Comunidade

Ação

Responsável

Prazo

Interromper a queima de lixo na Comunidade.

Todos

Imediato

Capacitar as pessoas para lavar e armazenar seus resíduos sólidos recicláveis.

 

 

Buscar parcerias para comercialização ou doação dos resíduos sólidos recicláveis.

 

 

Selecionar local apropriado para triagem e armazenamento adequado dos resíduos sólidos recicláveis antes da destinação correta.

 

 

Implantar um viveiro coletivo para produção de mudas destinadas à arborização, ajardinamento e horticultura na Comunidade.

 

 

Ajardinar e arborizar a Sede da Associação com ênfase nas espécies vegetais de valor representativo para a cultura local.

 

 

Aquisição para o acervo da biblioteca da Escola Estadual Zumbi dos Palmares, do livro Plantas Alimentícias Não Convencionais no Brasil.

 

 

Incentivar a implantação de hortas domésticas, com ênfase nas Plantas Alimentícias Não Convencionais e também de hortaliças tradicionais.

 

 

Promover o intercâmbio das sementes crioulas fornecidas nas oficinas.

 

 

Estimular a produção de composto orgânico a partir dos restos vegetais originados na Comunidade.

 

 

Buscar a informação necessária para licenciamento, plantio e manejo de árvores destinadas ao fornecimento de lenha para o fabrico da rapadura.

 

 

Reunir acervo histórico-cultural para implantação do Museu na sede da Associação.

 

 

 

Objetivo 3. Capacitação para a Trilha

Ação

Responsável

Prazo

Avaliar se o valor atualmente cobrado para a trilha Alto do Quilombo é justo em relação ao esforço empreendido.

 

 

Formar grupo de pesquisa e prática incluindo outras pessoas da Comunidade na atividade turística.

 

 

Definir o valor que será repassado à equipe auxiliar.

 

 

Tomar ciência da Norma para os condutores de turismo de aventura, disponível em http://bit.ly/2lZDJXy

 

 

Tomar ciência da Norma técnica para gestão da segurança no turismo de aventura, disponível em http://bit.ly/2ybLHy5

 

 

Tomar ciência da Norma sobre informações para clientes do turismo de aventura, disponível em http://bit.ly/2iAUaEN

 

 

Cadastrar-se na página http://abeta.tur.br/pt/downloads-abeta/ para ter acesso aos manuais de boas práticas em turismo de aventura.

 

 

Sempre que possível, buscar percorrer outras Trilhas e roteiros para aprendizado e comparação da qualidade da experiência turística oferecida.

 

 

Solicitar que todos os participantes, antes da trilha escrevam em um caderno a data, seu nome, idade e cidade de origem. Contabilizar mensalmente o registro e a quantia arrecadada com a atividade.

 

 

Receber as críticas e opiniões dos visitantes, avaliando as sugestões que possam tornar o roteiro ainda melhor.

 

 

Buscar parceria para percorrer toda a trilha referenciando com uso de GPS todo o seu traçado, distância, principais pontos de parada e os locais de risco de acidente.

 

 

Buscar parceria para confeccionar um mapa da trilha, para impressão/cópia e distribuição aos visitantes.

 

 

 

Objetivo 4. Aperfeiçoar a Trilha

 

A apreciação das Normas citadas o quadro anterior trará mais clareza sobre a importância das propostas elencadas a seguir, cujo intuito é tornar mais segura, confortável, prazerosa e sustentável a experiência na Trilha Alto do Quilombo.

Os trechos da trilha que apresentam declividade acentuada exigem maior esforço dos tornozelos e joelhos dos caminhantes e também são trechos mais vulneráveis à erosão causada pelas enxurradas de água de chuva.

Nestes locais bem íngremes convém instalar estruturas, como escadas rústicas, que facilitam a caminhada e também dissipem parte da energia da água de chuva, evitando que o fluxo da enxurrada corra por um único canal, reduzindo assim as chances de erosão.

As escadas artesanais devem ser firmemente ancoradas por estacas cravadas no solo, a fim de evitar instabilidade ao pisar e podem ser construídas aproveitando-se os materiais que estiverem disponíveis a baixo custo na localidade, como rochas, tábuas, toras de bambu, troncos de cerca ou até mesmo pneus velhos preenchidos por terra e pedras.

O revestimento natural do piso por serrapilheira (folhas secas) contribui para amenizar o impacto dos pingos de chuva e deve ser mantido. Também é importante que a vegetação seja mantida e até mesmo replantada nas margens das estruturas para que seu enraizamento contribua para estabilidade do solo e redução das enxurradas.

Os trechos íngremes e beira de ribanceiras e precipícios devem sem guarnecidos por corrimãos e guarda-corpo que ofereçam apoio e segurança aos caminhantes, bem como placas de alerta.

As estruturas podem ser feitas de madeira fixada em pilaretes cravados no solo ou cordas grossas e resistentes amarradas às árvores mais robustas.

            É recomendada a instalação de placas de sinalização de riscos e de direcionamento para os principais atrativos da trilha, em complemento às fitas coloridas atualmente utilizadas.

            Há trechos em que o traçado da trilha atravessa cercas com arame farpado. Em tais situações o arame deve der retirado da passagem para se evitar acidentes.

            A vegetação da trilha é exuberante e bem conservada, merecendo esforços de identificação e instalação de placas interpretativas das principais espécies, o que pode ser realizado em parceria com as instituições de ensino de botânica da região.

            Na modalidade de visitação autoguiada (sem o guia), praticada à época da elaboração deste Plano, foram detectadas vulnerabilidades estruturais que podem favorecer para que os visitantes se percam nas múltiplas derivações do traçado; e também aumentam o risco de acidentes, tais como escorregões, tropeços e quedas.

            Por precaução é sugerido então suspender temporariamente a prática da trilha sem guia enquanto são providenciadas as estruturas de apoio e segurança, sinalização e confecção do mapa impresso da trilha.

            Em certa medida, a prática do motociclismo na trilha tende a ocasionar alguns prejuízos tais como o alargamento da trilha, danos às raízes da vegetação e a abertura de valas, que no período chuvoso podem canalizar a enxurrada e favorecer a erosão.

            Além disso, o ruído das motos prejudica a experiência de quem está percorrendo a trilha a pé e busca na atividade o sossego da mata e a oportunidade de escutar a brisa e o canto das aves.

Por esse conjunto de razões convém avaliar se o prejuízo ambiental somado às operações de manutenção e reparos da trilha é recompensado pelo valor financeiro arrecadado, para então se decidir se a prática do motociclismo deve ser mantida.

Solicitar que os grupamentos militares que utilizem a trilha para exercício não efetuem alterações do local, sem que haja consentimento prévio e esclarecido do proprietário da área.

            Visando atender de modo pleno os portadores de necessidades especiais ou com dificuldade de locomoção é recomendada a instalação de um sanitário adequado no ponto de apoio da trilha.

 

Avaliação

 

A avaliação do desenvolvimento turístico em Furnas do Dionísio poderá ser realizada pela própria Comunidade, utilizando-se diferentes instrumentos e parâmetros complementares, que consorciados, orientarão a revisão periódica do Plano.

Para subsidiar tal avaliação é de fundamental importância a adoção de três ações principais:

ü  Instigar a emissão e o registro de opinião entre o público usufruente da atividade turística na Comunidade (turistas e moradores da Comunidade);

ü  Levar o conjunto de tais opiniões à deliberação da Assembleia para análise conjunta das sugestões, críticas, reclamações e elogios emanados, e:

ü  Avaliar e implantar conjuntamente as adequações que se fizerem necessárias para elevar o nível de qualidade da prática turística, sempre de acordo com os anseios, habilidades, possibilidades e prioridades da Comunidade anfitriã.

A coleta de registros pode ser efetuada em diferentes suportes, tais como:

 

Livro de registros de visitantes

 

Caderno mantido sempre à disposição dos visitantes na sede da Associação.

 

Pesquisa ação participativa

 

Realizada mediante a integração com professores e alunos durante as visitas escolares.

 

Avaliação de parceiros

 

Solicitação de opinião aos parceiros de eventos realizados na Comunidade.

 

Mensagens eletrônicas

 

Recebidas pelo email furnasdodionisio@hotmail.com

 

Recebidas pelo Facebook e WhatsApp

 

Número de acessos ao site

 

Mediante registro mensal do contador de visitas localizado no rodapé da página.

 

 

Análise de impacto da visitação

 

Terá como objetivo monitorar e detectar soluções para eventuais impactos decorrentes do turismo na Comunidade e em seu entorno.

A percepção coletiva do funcionamento da atividade turística buscará avaliar, dentre outros aspectos, se a visitação ocasionará:

Ø  Reclamações de moradores;

Ø  Transtorno ao tráfego viário;

Ø  Relacionamento entre turistas e moradores incompatível com o turismo sustentável;

Ø  Sobrecarga de uso em determinado atrativo turístico;

Ø  Implicações à segurança e à saúde pública;

Ø  Danos ao patrimônio coletivo da Comunidade;

Ø  Lançamento de detritos em locais inapropriados.

 

Monitoramento de resíduos

 

Tem como objetivo caracterizar e dimensionar os aspectos relacionados à geração, tratamento e destinação adequada dos resíduos gerados em decorrência da visitação.

Buscará responder quais os principais tipos de resíduos gerados, respectiva quantidade de cada tipo, o custo operacional relacionado e quais são as demandas requeridas para incentivar a prática da coleta seletiva por toda a Comunidade.

Considerações finais

 

            Atualmente não há na Comunidade empreendimento destinado à hospedagem de turistas. Sendo assim a implantação de pensão familiar pode representar uma oportunidade extra de obtenção de renda pela Comunidade.

            Em muitas outras localidades do Brasil contempladas por iniciativas de turismo de base comunitária é comum observar famílias que edificaram ou adaptaram cômodos em suas próprias habitações para acomodação de turistas.

E muitas famílias de turistas utilizam, e até preferem tais ofertas de hospedagem e alimentação em razão do contato humano pessoal e social proporcionado, o que não acontece normalmente em pousadas e hotéis.

As pensões familiares não obrigatoriamente devem ser providas de luxo e sofisticação, mas necessariamente devem oferecer conforto básico, higiene e segurança aos hóspedes, complementadas por respeito e hospitalidade da família que os hospeda.

O conjunto de ideias reunidas neste Plano deve ser apreciado pela Comunidade, não como medidas obrigatórias a serem tomadas em caráter emergencial e sim sugestões, elaboradas dentro da melhor técnica aplicável, que podem ser selecionadas, reformuladas e adaptadas ao interesse coletivo.

O álbum com imagens das atividades aqui descritas está disponível em http://bit.ly/2BntUGy.

Exemplos complementares para renovar o fôlego durante a jornada de estruturação da atividade turística em Furnas do Dionísio podem ser obtidos através da leitura da obra Turismo de Base Comunitária: Diversidade de Olhares e Experiências Brasileiras, disponível para acesso gratuito em http://bit.ly/2zu5hXV

            O Autor expressa sua especial gratidão às pessoas e organizações que direta e indiretamente contribuíram para a realização do presente trabalho.

            À ENERGISA, pelo provimento dos recursos financeiros destinados ao Projeto de Agregação de Valor à Produção Agropecuária e Extrativista da Comunidade Quilombola de Furnas do Dionísio.

A Sra. Neila Farias Lopes, Sr. Vinicius Lugo Samudio e ao Prof. Dr. Eduardo Gomes Gonçalves, por intermédio dos quais estendo o agradecimento a toda a equipe da Agência da S-Inova, do Núcleo de Gestão de Projetos e Parcerias e à Reitoria da Universidade Católica Dom Bosco.

À direção, docentes, serventuários e alunos da Escola Estadual Zumbi dos Palmares pela atenção e gentil colaboração durante a imersão na Comunidade.

Ao Sr. Osvair Barbosa da Silva e sua família pelo acompanhamento na Trilha.

Ao Sr. Adriano Sales da Silva, representando todas as pessoas da Comunidade de Remanescentes de Quilombo Furnas do Dionísio.

Aos articuladores locais que compareceram às oficinas, enriquecendo este trabalho com sua proatividade e visão otimista de empreendedorismo.

Aos integrantes do grupo Semear Conhecimentos, representados pelas Sras. Lindalva Bufaiçal Brandão e Giselda Gonçalves de Abreu, pela doação de parte das sementes crioulas que foram distribuídas durante as oficinas aos agricultores da Comunidade.

Aos demais integrantes do Jardim Vital, minha esposa Patricia e nosso filho Kauã, pela inspiração contínua e valiosa revisão deste Plano.

A todas as pessoas, letrados ou não, que atuam com seus saberes e práticas, na construção, registro e memória da identidade cultural do riquíssimo patrimônio ancestral representado pelos quilombos brasileiros.

Aos jovens, de todas as idades e crenças, que encontrarem neste trabalho motivação para exercer sua plena cidadania e somar atitudes a favor do desenvolvimento sustentável de sua Comunidade.

Aos empresários que, conscientes do potencial turístico da Comunidade, e o que isso pode representar em ganhos para a qualidade de vida de seus habitantes, vêm colaborando para impulsionar seu arranjo produtivo local.

Aos setores governamentais verdadeiramente comprometidos e empenhados em promover condições justas e perfeitas de desenvolvimento humano da Comunidade, não somente pela força da Lei que assegura tais direitos, mas, principalmente pela consciência de seu papel político e pela clareza de sua responsabilidade como agente de melhoria social no âmbito do Estado Democrático.

À Equipe da Revista Educação Ambiental em Ação.

 

Referências

 

Fundação Cultural Palmares. Incra reconhece Furnas do Dionísio como território quilombola. 2009. Disponível em <http://www.palmares.gov.br/archives/3486>. Acesso em : 25nov2017.

G1. Rapadura de Furnas do Dionísio e Festival se tornam patrimônio de MS. Disponível em <http://g1.globo.com/mato-grosso-do-sul/noticia/2016/11/rapadura-de-furnas-do-dionisio-e-festival-se-tornam-patrimonio-de-ms.html>. Acesso em : 25nov2017.



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