ISSN 1678-0701
Número 61, Ano XVI.
Setembro-Novembro/2017.
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11/09/2017IDENTIFICAÇÃO DE AVIFAUNA URBANA E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA ATIVIDADES DIDÁTICAS EM CIÊNCIAS E BIOLOGIA  
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UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ

IDENTIFICAÇÃO DE AVIFAUNA URBANA E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA ATIVIDADES DIDÁTICAS EM CIÊNCIAS E BIOLOGIA

 

1Fernando Periotto

2João Batista Francisco

 

1Professor adjunto doCentro de Ciências da Natureza,Universidade Federal de São Carlos(CCN/UFSCar)–Rod.Lauri Simões de Barros, km 12 – SP189, BairroAracaçu – Buri, SP, ferperiotto@yahoo.com.br.

2Universidade Tecnológica Federal do Paraná, campus Medianeira, Avenida Brasil, 4.232, Medianeira, PR, jbfranc_aves@yahoo.com.br.

 

Resumo

A observação de aves instiga o jovem a perceber o seu ambiente circundante e compreender a relação entre fauna e flora local. Assim, esse trabalho abordou a identificação de aves em bairro residencial do município de Foz do Iguaçu, utilizando-as na aplicação de conteúdos relacionados a Ciências e Biologia.

 

Palavras-chave: aves urbanas, aulas práticas, educação, meio ambiente.

 

Introdução

O desenvolvimento de aulas práticas é relevante para processo de ensino de Ciências e Biologia, pois através do contato direto com os fenômenos e os elementos estudados nessas disciplinas o aluno é despertado ao interesse por algo que está percebendo e sentindo, podendo concretizar aquilo que lhe é ensinado nas aulas descritivas. No entanto, é fato a dificuldadede boa parte dos professores brasileiros quanto à utilização de recursos que possam efetivamente justificar os processos pedagógicos essenciais à efetivação doensino e aprendizagem, uma vez que, parte desses professores se sente desestimulada por fatores administrativos, excessos em suas cargas horárias, ou ainda, por escassez de recursos ou conhecimento necessários para a aplicação dessas práticas.

Através da identificação de populações existentes em uma área próxima à escola é possível criar oportunidades para o aprofundamento em diversos conteúdos desenvolvidos no âmbito escolar. No caso da abordagem de uma comunidade da avifauna, devido as suas variações relativas às cores, comportamentos, frequências, biologia e ecologia, podem ser explorados fatores no ensinamento prático, uma vez que comprovadamente são vertebrados que permitem a avaliação da qualidade dos ambientes naturais, de observação facilitada e despertam grande interesse por parte dos seres humanos.

Cabe ao professor tomar conhecimento das espécies das aves existentes em um local, seja um parque, um jardim, uma praça, o pátio escolar ou até o quintal de uma residência e, mediante a composição previamente conhecida da comunidade, suscitar aos alunos boa parte dos conteúdos apresentados.

Mediante a compreensão dos processos antrópicos que interferem nos ambientes naturais, surge, no aprendizado com atividades práticas, o fator determinante à formação de opinião e à capacidade de tomar atitudes em benefício da conservação desses ambientes, uma vez que esses locais têm sofrido com a degradação e com o desprezo com que uma parcela da sociedade os trata.

A compreensão das implicações dessas transformações, pelo conhecimento íntimo da interação entre fauna e flora e, mediante a capacidade de proferir opiniões, questionar, sugerir e atuar em benefício dessas mudanças, pode ser obtido pela introdução às práticas diante dos exemplos simples encontrados nos comportamentos com que as aves no entorno escolar podem apresentar.

A exemplificação utilizada pelas aves, neste estudo, esclareceu diversos fenômenos naturais e ecológicos aos discentes envolvidos, além de infundi-los aos processos de iniciação à pesquisa científica, premissa para a formação de cidadãos capazes de compreender e trabalharem em defesa ao meio-ambiente, através da sensibilização de quanto o homem deve estar em harmonia com a natureza que o circunda.

Desse modo, a temática aqui abordada, ou seja, a identificação da comunidade de aves de ocorrência em um bairro do município de Foz do Iguaçu, Paraná, serve como base na aplicação do conhecimento por parte dos professores das disciplinas ciências e biologia e ainda como base para Educação Ambiental em seus conteúdos desenvolvidos, tendo como embasamento a ecologia e biologia das espécies registradas.

 

 

Aulas práticas de Ciências e Biologia

 

 

Para os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), o aprendizado de Biologia na escola básica leva o aluno a ampliar sua compreensão dos processos que caracterizam a vida e a relação singular do homem com os demais seres vivos em função de sua incomparável capacidade de intervenção no meio (BRASIL, 2000, apud Keller et al., 2011: p. 1). Autores como Andrade & Massabni (2011: p. 837) mencionam que as atividades práticas são uma forma de favorecer a consecução dos objetivos propostos pelos PCNs para o ensino de Ciências.

Os PCNs de Ciências Naturais direcionam os professores ao desenvolvimento da investigação, da comunicação e do debate de fatos e ideias, possibilitando a observação, a experimentação, a comparação e o estabelecimento de relações entre fatos ou fenômenos fundamentais no ensino dessa área através das práticas. No entanto, diversos fatores têm interferido no rendimento do aproveitamento do ensino de Ciências e da Biologia no Ensino Fundamental e Médio, principalmente quando se trata da aplicação prática dos conteúdos.

Há defasagens nos propósitos da realização das atividades práticas, principalmente nos primeiros contatos com a Ciência, no Ensino Fundamental (ANDRADE& MASSABNI, 2011: p. 836), provocando prejuízos na aprendizagem biológica dos alunos (SILVAet al., 2011: p. 137). Krasilchik, apud Silva et al. (2011: p. 137) sintetiza que, mesmo com a importância amplamente conhecida sobre a efetivação de aulas práticas, essas são escassas nas instituições de ensino fundamental e básico brasileiras.

O contato direto com a natureza faz o aluno perceber e experimentar fatores biológicos e fenômenos naturais bióticos e abióticos, como temperatura, umidade, odores, movimentos, transformações, interações ecológicas, dentre outros elementos que são apresentados em aulas teóricas no Ensino Fundamental e Médio e que podem, na natureza, ser percebidos em toda sua plenitude. Além disso, é fato que muitas escolas não possuem laboratórios adequados para experimentações práticas, onde a utilização desse contato direto com o natural permita a assimilação e o despertar da curiosidade acerca dos conteúdos propostos.

O trabalho em ambiente natural é uma estratégia metodológica para despertar o interesse do aluno pelo lugar de vivência e com isso aguçar a percepção quanto às modificações e às consequências que ocorrem com a ação humana. Assim sendo, ensinar Biologia com as práticas de campo envolve o aluno em situações reais, o que contribui para a percepção e compreensão das múltiplas formas de interação entre os organismos e destes com o meio ao longo do tempo, bem como o papel dos seres vivos e do homem nesses processos de interação.

Para alguns professores, segundo estudo de Fracalanza, Amaral & Gouveia (1986, p. 7) o ensino de ciências nas séries iniciais ainda é teórico, memorístico e pouco eficaz. Para tanto é necessário entender o real significado do que se trata “atividade prática”. Andrade & Massabni (2011: p. 840) definem como “tarefas educativas que condicionam o estudante à experimentação direta com o material presente fisicamente, com o fenômeno e/ou com dados brutos obtidos do mundo natural ou social”. Para esses autores, as atividades práticas permitem aprendizagens que a aula teórica, apenas, não permite, cabendo ao professor e também à escola, o compromisso de dar tal oportunidade para a formação do aluno. Compreende-se que a atividade prática extraia “lições” sobre objetos estudados, não se tornando apenas uma atividade mecânica de medição, observação, descrição, entre outras (ANDRADE & MASSABNI, 2011: p. 841). É necessário partir para alternativas que dispense a obtenção de materiais e equipamentos ou que haja a necessidade de investimentos. Devem-se buscar formas simples para aulas em formatos diferentes e atrativos, pois mesmo para os alunos essas decisões agradam e motivam, ainda que as condições sejam precárias (SILVA, 2009; apud Silva, Morais & Cunha, 2011: p. 143).

Há necessidade em tornar o ensino de Ciências e de Biologia atraente para despertar cada vez mais o interesse do discente, uma vez que suas metodologias são desenvolvidas atualmente com fortes características descritivas, tornando-as cansativas quando apresentadas.

Para Andrade & Massabni (2011: p. 841) as atividades práticas abrangem o desenvolvimento dos conteúdos em salas de aula, laboratórios, jardins escolares e em qualquer ambiente externo à escola, como parques, jardins públicos, reservas ambientais, museus e até mesmo na casa do aluno. O professor, munido do conhecimento prévio acerca das aplicações das populações bióticas, por exemplo, das aves, procurará desenvolver o processo de aprendizagem dos alunos tendo como foco o equilíbrio ecológico do meio ambiente a partir da interação desses animais com a totalidade de seres e o meio abiótico que os circundam.

 

Aves como referência no ensino de práticas escolares

As aves são os vertebrados de mais ampla distribuição geográfica em todos os ambientes terrestres. Devido a isso possuem grande potencial na definição da qualidade de ambientes, sendo que diversos estudos comprovam que, mesmo em áreas urbanas elas podem servir de referência na caracterização da qualidade de vida, tanto nos ecossistemas conservados, como naqueles existentes nas proximidades de zonas urbanas. As aves também possuem a capacidade de promover grande interesse aos homens por suas características, uma vez que são animais que não despertam repulsa, comportamento que pode surgir com determinados insetos, répteis, alguns mamíferos, dentre outros. Sua grande diversidade de cores, dimensões e comportamentos servem como um atrativo ao convívio humano, sendo que desde o início da história são domesticadas ou ainda utilizadas na simbologia de inúmeras habilidades e aspirações.

Oliveira (1996) menciona que os vertebrados, inclusive as aves, são frequentemente apresentados às crianças e jovens como corpos abertos ou como coleções de órgãos, aparelhos e sistemas cujas funções devem ser decoradas para a prova. Por isso estão entre os animais vertebrados mais adequados para estudo dos biólogos, pela ampla distribuição no planeta (mais de 9000 espécies). Essa distribuição geográfica cosmopolita permitiu que esses animais apresentassem ampla derivação ao longo de sua história evolutiva, originando uma expressiva quantidade de Ordens. Apresentam conspicuidade e muitas possuem hábito diurno, em face disso, tornam-se adequadas ao ensino de Ciências.

Devido suas adaptações nos hábitos alimentares bem diversificados (frugivoria, granivoria, insetivoria, carnivoria, piscivoria, detritivoria ou necrófagas, nectivoria e onivoria), constituem grande importância na manutenção do equilíbrio ecológico de uma área ou fragmento, atuando como dispersores de sementes ou controlando espécies de pragas que interferem principalmente nas populações humanas. Atuam também como polinizadores e como reguladores de populações, a exemplo das insetívoras e dos rapinantes.

Por esses fatores, a utilização de aves de vida livre no ensino escolar pode ser de grande proveito aos conteúdos aplicados, uma vez que sua presença é de fácil percepção em praticamente todo o ano e em ambientes de fácil acesso por parte de professores e alunos, não havendo necessidade de busca por áreas extensas ou exclusivas para as aves, como zoológicos e parques ambientais.

A própria escola poderá servir de ambiente para as práticas em aulas de Ciências e Biologia. Cabe então ao professor procurar tomar conhecimento da população das aves ali existentes e promover um estudo com as características ecológicas e biológicas dessas espécies e, durante as aulas de campo proporcionar amplo conhecimento aos seus alunos, sem a necessidade de muito esforço para a obtenção de laboratórios ou equipamentos para as exposições, fatores que podem dificultar a realização das aulas práticas em diversos segmentos escolares.

 

Material e métodos

Identificação da área das pesquisas para formação da lista de avifauna

 

Para a execução deste trabalho foi escolhida a “Vila A” (25°29’55,40”S e 54°33’ 56,10”O), bairro localizado em uma área urbana formada por residências construídas a partir de 1975, para abrigar trabalhadores da construção da usina hidrelétrica de Itaipu, no Município de Foz do Iguaçu, Paraná (COSTA& KAMINSKI, 1990, p. 253).

Durante a construção desse bairro foram introduzidas, através de arborização urbana, diversas espécies de árvores nativas, como o ipê-amarelo (Tabebuia chrisotricha), ipê-roxo (T. avellanadae), canafístula (Peltophorum dubium), sibipiruna (Caesalpinnea peltophoroides), angico (Parapiptadenia rigida), entre outras e também árvores exóticas como a grevílea (Grevillea robusta), cinamomo (Melia azedarach); inúmeras frutíferas nativas como a pitanga (Eugenia uniflora), goiaba (Psidium guajava) e introduzidas como a manga (Mangifera indica), abacate (Persea americana), uva-japonesa (Hovenia dulcis) (COSTA& KAMINSKI, 1990, p. 261).

Com o passar dos anos, este se tornou um bairro amplamente arborizado, além disso, bosques remanescentes foram aproveitados, sendo utilizados como áreas de fontes de recursos para inúmeras espécies de aves. Outra característica relevante é a proximidade com áreas naturais de grande porte, como o Refúgio Bela Vista, às margens da usina hidrelétrica de Itaipu, que também possui ligação com o Parque Nacional do Iguaçu, via corredor da biodiversidade Fazenda Santa Maria. Dessa forma, a presença de aves de ocorrência em ecossistemas conservados na Vila “A” é constante, permitindo ampla contribuição na informação sobre os grupos desses vertebrados para efeitos populacionais, bem como para fontes de trabalhos escolares relevantes.

 

Pesquisa de campo

Para a visualização dos indivíduos da comunidade da avifauna foi utilizado um binóculo 20x50, máquina fotográfica com zoom de 30 vezes e diversos livros guias, dentre eles “Aves Brasileiras e Plantas que as Atraem” (FRISCH& FRISCH, 2005) e “Aves do Brasil: Pantanal & Cerrado” (GWYNNEet al., 2010). Para identificação das espécies, utilizou-se o sítio Wikiaves (Wikiaves, 2013). As pesquisas foram realizadas nos períodos de maior atividade e ocorrência das aves, ou seja, no início da manhã e ao entardecer, no entanto, em menor frequência, puderam ser avistadas durante todo o dia. As observações ocorreram aos sábados, domingos e feriados e durante a semana em dias esporádicos.

Baseado nas espécies identificadas nesta localidade foi proposto a utilização das mesmas por parte dos professores na aplicação de conceitos teóricos acerca dos conteúdos em cada série, considerando que o professor já houvessetomado os devidos conhecimentos das populações e suas características morfológicas e ecológicas. Além disso, ao professor foi dada a sugestão de ter em mãos um guia de aves com ilustrações para fácil identificação das características morfológicas para sanar quaisquer possíveis dúvidas quanto a identificação da espécie avistada e para apresentação correta aos discentes dessas aves. Assim sendo, para referenciar as espécies levantadas utilizou-se as nomenclaturas adotadas pelo Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos, CBRO (2011).

 

Resultados e Discussão

Na pesquisa de campo, realizada entre os meses de agosto e outubro de 2013, totalizando 25 horas de observação, foram identificadas 58 espécies de aves (Apêndice 1). A representatividade dessa população quanto ao fator trófico, denota a diversidade quanto à oferta de recursos alimentares, caracterizando-o como um ambiente com características semelhantes aos ambientes naturais.

Apêndice 1: População das aves identificadas no bairro Vila “A”, Foz do Iguaçu, Paraná:

Classificação Taxonômica

 

 

Nome popular

 

 

Sistema trófico*

Ordem

              Família

                       Espécie

Cathartiformes

 

Cathartidae

 

Cathartes aura

urubu-de-cabeça-vermelha

D

Coragypsatratus

urubu-de-cabeça-preta

D

Accipitriformes

 

Accipitridae

 

Elanoidesforficatus

gavião-tesoura

C

Ictinia plúmbea

Sovi

C

Rupornismagnirostris

gavião-carijó

C

Falconiformes

 

Falconidae

 

Caracaraplancus

Caracará

C

Charadriiformes

 

Charadriidae

 

Vanelluschilensis

quero-quero

I

Columbiformes

 

Columbidae

 

Columbina talpacoti

rolinha-roxa

G

Zenaidaauriculata

pomba-de-bando

G

Psittaciformes

 

Psittacidae

 

Brotogerischiriri

periquito-de-encontro-amarelo

F

Amazona aestiva

papagaio-verdadeiro

F

Cuculiformes

 

Cuculidae

 

Piayacayana

alma-de-gato

I

Crotophagaani

anu-preto

I

Guiraguira

anu-branco

I

Strigiformes

 

Strigidae

 

Athenecunicularia

coruja-buraqueira

I/C

Caprimulgiformes

 

Nyctibiidae

 

Nyctibiusgriseus

mãe-da-lua

I

Apodiformes

 

Apodidae

 

Chaeturameridionalis

andorinhão-do-temporal

I

Trochilidae

 

Florisuga fusca

beija-flor-preto

N

Anthracothoraxnigricollis

beija-flor-de-veste-preta

N

Chlorostilbonlucidus

besourinho-de-bico-vermelho

N

Hylocharischrysura

beija-flor-dourado

N

Piciformes

 

Ramphastidae

 

Pteroglossuscastanotis

araçari-castanho

F

Picidae

 

Picumnustemminckii

pica-pau-anão-de-coleira

I

Melanerpescandidus

pica-pau-branco

I

Melanerpesflavifrons

benedito-de-testa-amarela

I

Colaptescampestris

pica-pau-do-campo

I

Passeriformes

 

Rhynchocyclidae

 

Todirostrumcinereum

ferreirinho-relógio

I

Tyrannidae

 

Elaeniaflavogaster

guaracava-de-barriga-amarela

I

Elaeniaspectabilis

guaracava-grande

I

Serpophagasubcristata

Alegrinho

I

Pitangussulphuratus

bem-te-vi

I

Machetornis rixosa

suiriri-cavaleiro

I

Myiodynastesmaculatus

bem-te-vi-rajado

I

Megarynchuspitangua

Neinei

I

Myiozetetessimilis

Bentevizinho

I

Empidonomusvarius

Peitica

I

Corvidae

 

Cyanocoraxchrysops

gralha-picaça

I/F

Hirundinidae

 

Pygochelidoncyanoleuca

andorinha-pequena-de-casa

I

Prognechalybea

andorinha-doméstica-grande

I

Troglodytidae

 

Troglodytesmusculus

Corruíra

I

Turdidae

 

Turdusleucomelas

sabiá-barranco

I

Turdusamaurochalinus

sabiá-poca

I

Mimidae

 

Mimussaturninus

sabiá-do-campo

I

Coerebidae

 

Coerebaflaveola

Cambacica

N/F/I

Thraupidae

 

Nemosiapileata

saíra-de-chapéu-preto

I

Tangara sayaca

sanhaçu-cinzento

F/I

Pipraeideamelanonota

saíra-viúva

I/F

Dacniscayana

saí-azul

N/I/F

Hemithraupisguira

saíra-de-papo-preto

F/N

Conirostrumspeciosum

figuinha-de-rabo-castanho

I

Emberizidae

 

Sicalisflaveola

canário-da-terra-verdadeiro

G

Sporophilacaerulescens

Coleirinho

G

Icteridae

 

Cacicushaemorrhous

Guaxe

O

Icteruspyrrhopterus

Encontro

I/F/N

Molothrusbonariensis

Chopim

I/G

Fringillidae

 

Sporagramagellanica

Pintassilgo

G

Euphoniachlorotica

fim-fim

F

Passeridae

 

Passerdomesticus

Pardal

O

* D = detritívoro; C = carnívoro (rapinantes); I = insetívoros (invertebrados = insetos e artrópodes); G = granívoros (sementes e frutos secos); F = frugívoros; N = nectívoros; O = onívoros.

 

Através do conhecimento das exigências ecológicas dos grupos de aves registrados (famílias, gêneros e espécies) foi possível identificar a sensibilidade das condições ambientais às quais estão sujeitas (TELINO-JUNIORet al., 2005: p. 963), reforçando as possibilidades de se agregar formas de abordar ecologia no âmbito das disciplinas de Ciências e Biologia.

As aves no Ensino Fundamental

Nas séries iniciais, se faz importante a utilização de atividades práticas educativas que busquem atender as necessidades e os anseios dos alunos dessa fase escolar, uma vez que tendem a viver cada momento intensamente, descobrindo o mundo que os cerca de forma ativa e participativa (FRIZZO e MARIN, 1997: p. 13).

Através dessas atividades, a criança passa a sentir o contato direto com a natureza e seus conteúdos biológicos, como as plantas e os animais, além dos fenômenos físicos, mediante a apresentação, pelo professor, das características fundamentais para a manutenção da vida, como a chuva, o sol, o calor e demais processos que a criança pode perceber e observar ao estar nesse meio. Através das atividades práticas, o aluno é desafiado a desenvolver habilidades para a construção do conhecimento pela formulação dos conceitos numa ação mental, das conclusões da observação, comparação e sistematização (FRIZZO e MARIN, 1997: p. 14).

A apresentação das aves livres às séries iniciais em seu meio natural, mesmo que com diversos fatores antrópicos, possibilita as primeiras assimilações das combinações entre fauna-flora e nas demais relações entre si. A curiosidade e o interesse inatos fazem com que a observação de aves seja intuitiva (OLIVEIRA, 1996), facilitando a execução de conteúdos uma vez que as crianças possuem interesse e curiosidade natural (FRIZZO &MARIN, 1997, p.14), onde todo e qualquer assunto relacionado aos animais tendem a ser proveitoso e interessante.

Nas séries iniciais, as atividades podem ser direcionadas ao estudo do meio ambiente e à relação de sua conservação com o equilíbrio ecológico. Como exemplo, nesse princípio, pode-se citar a grande diversidade trófica das aves com a presença de inúmeros vegetais existentes na localidade, como as frutíferas onde, por exemplo, o sanhaçu-cinza (Tangara sayaca), a saí-azul (Dacnis cayana), a cambacica (Coereba flaveola) dentre outros buscam com frequência o alimento, ou então as não frutíferas,as quais servem como locais de existência e abrigo para inúmeros insetos e outros invertebrados, sendo base para a alimentação de espécies insetívoras, como a figuinha-de-rabo-castanho (Conirostrum speciosum), o alegrinho (Serpophaga subcristata), o bem-te-vi (Pitangus sulphuratus) e os anus preto e branco (Crotophaga ani e Guira guira).

Diversas aves também buscam alimento nas flores, as nectívoras, como o beija-flor-de-veste-preta (Anthracothorax nigricollis) e o beija-flor-dourado (Hylocharis chrysura), atuando na polinização de inúmeras plantas. Nesse mesmo contexto, observou-se a importância das árvores de grande porte que servem de “poleiros” e locais seguros de descanso para aves que preferem o alto das copas, como o gavião-carijó (Rupornis magnirostris), o sovi (Ictinea plumbea), o urubu (Coragyps atratus), o papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva), o periquito-de-encontro-amarelo (Brotogeris chiriri), além de aves de menor porte, como o pintassilgo (Sporagra magellanica).

Nas atividades de campo em séries iniciais, pode-se solicitar para o estudo em sala de aula a coleta de elementos como penas desprendidas, fragmentos de casca de ovos e, ainda, incentivar a representação através de desenhos das aves observadas em seus ambientes. Martins & Carneiro (2013) propõem para o ensino dos 2º e 3º anos do ensino fundamental, em conteúdos de ecologia e zoologia, atividades que possam complementar a compreensão nessas áreas. Em tal proposta devem ser anotadas, ainda em sala, todas as espécies conhecidas. Já em atividades de campo, deve-se solicitar aos alunos o exercício da anotação das características tanto morfológicas quanto comportamentais das aves que forem observadas.

Feitas as anotações, pode-se perceber a grande diversidade de cores, formas e comportamentos existentes na Classe Aves, como por exemplo, em espécies como o urutau ou mãe-da-lua (Nyctibius griseus), Figura 1, que possui hábito noturno, ficando imóvel “camuflado” sobre um tronco durante o dia, tendo cores que o confundem com o ambiente, passando despercebido mesmo em áreas urbanas. Inúmeras formas, tamanhos e cores são notadas, além de cantos e hábitos, os quais, por vezes dão “nomes” às aves, como o onomatopéico bem-te-vi, (Pitangus sulphuratus), ou suiriri (Tyrannus melancholichus), a tesourinha (Tyrannus savana), nome alusivo à sua cauda longa e que se assemelha a uma tesoura, que facilita as manobras em voo na captura de insetos e também o joão-de-barro (Furnarius rufus), que constrói sua casa em forma de forno.

Assim sendo, aves que se adaptaram tão bem à presença humana podem ser trabalhadas junto aos alunos com criatividade e riqueza de informações. Essa adaptação deve ser relacionada à ecologia, uma vez que no meio urbano, muitos de seus predadores não mais existem, tornando sua presença mais “segura” próxima aos humanos.

Na terceira série do ensino fundamental, ao se estudar anatomia e morfologia das aves com suas características internas e externas, pode-se identificar algumas formas que permitem aproximação, como o anu preto (Crotophaga ani) Figura 2, que apresenta bico negro grande “comprimido” lateralmente, formando uma “corcunda” ao longo do cúlmem (GWYNNEet al., 2010, p. 126), a pomba-de-bando (Zenaida auriculata), espécie abundante em áreas abertas, tornando-se pragas em determinados lugares (GWYNNEet al., 2010, p. 112), ou o guaxe (Cacicus haemorrhous), ave de cor negra e tamanho de aproximadamente 26 centímetros, que apresenta uma “mecha” vermelha viva em sua região uropigial e bico amarelo-esverdeado claro, essa espécie produz ninhos característicosem formato de bolsas, em colônias. A ave constrói diversos ninhos, mas bota seus ovos em apenas um, para enganar os predadores (SICK, 2001, p. 795).

 

 

 

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Nessa etapa do processo de aprendizagem sobre a Classe Aves é importante apresentar fatos que definem a diferença entre quem de fato são os pássaros e os que não o são. A afirmação pode ser explicada ainda em sala de aula de modo criativo, com a expressão “todo pássaro é uma ave, mas nem toda ave é pássaro”, permitindo a introdução e explicações sobre as divisões que formam os grupos de aves, justificando o significado das ciências na formação dos princípios básicos para o cidadão capaz de interpretar as nomenclaturas e pareceres acerca das ciências na vida do cotidiano de cada um. Assim, o professor transmite as diferenças e, através da percepção dos alunos, informa essas diferenças entre os dois (AMESTOY, 2013).

 

Aves são vertebrados, capazes de controlar a temperatura corporal (endotérmicos), põem ovos, possuem penas, asas, bico e ossos com cavidades permeadas por ar (pneumáticos), já os pássaros formam a maior ordem dessa Classe, os Passeriformes. Dentre as características principais desse grupo está a ausência de membrana na base de seus bicos, pés sem penas, três dedos na direção frontal e um para trás. A comprovação da maioria desse grupo na prática é facilmente observada, uma vez que os Passeriformes (pássaros) são os mais facilmente encontrados em nosso meio, porém é possível identificar outros grupos ao nosso redor.

A pomba-de-bando (Zenaida auriculata), Figura 3, uma Columbiformes de ampla distribuição e frequente em zonas urbanas; os papagaios e periquitos, Psittaciformes, o anu-preto (Crotophaga ani) e o anu-branco (Guira guira) são Cuculiformes; gavião-carijó (Rupornis magnirostris), Figura 4 e Sovi (Ictinia plumbea) são representantes dos Accipitriformes (águias) e o Caracará (Caracara plancus) dos Falconiformes. Dessa maneira, o professor consegue apresentar essa diversidade que compõe grupos e por essas características morfológicas, pode fazer com que os alunos compreendam o porquê as aves e todos os demais seres vivos são separados em diversos grupos (Ordens, Famílias, Gêneros, Espécies e ainda em subespécies).

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Para Frizzo & Marin (1997: p. 35) é importante após as atividades teóricas, com a saída de campo, observar as aves e anotar suas características como, forma de alimentação, tipos de ninhos, modo de vida, além de promover debates durante continuidade dos conteúdos, trazendo à memória as aves encontradas na natureza, de modo que os exemplos citados pelos alunos serão úteis para que as suas próprias colocações permitam melhor fixação através das experiências e conhecimentos adquiridos. Assim, se tornarão mais confiantes nos estudos e observações realizados durante o resto de suas vidas, uma vez que as atividades despertam o hábito por atividades práticas escolares e o exercício de arquitetar observações, anotações e relatórios, além de estabelecer relações entre os conteúdos escolares e suas aplicações na vida cotidiana, levando-os a adquirir atitudes científicas, como levantar hipóteses, estabelecer relações e chegar a conclusões.

 

Aves no Ensino Médio: ensino de Taxonomia e Sistemática

Nessa etapa da escolarização, a apresentação da Classe Aves mais uma vez abre uma oportunidade da conceituação de seus fundamentos científicos. A necessidade da introduçãode terminologias científicas tende a ocasionar impactos nos alunos e, muitas vezes, o próprio professor os evita, pois ele próprio sofre com os significados dos nomes “complicados”. Muitos professores consideram, inclusive,desnecessários a aplicação desses termos científicos, trazendo implicações negativas na aprendizagem de inúmeros conceitos.

É fato a importância da introdução nesses conceitos, pois o professor, munido de argumentos justificáveis poderá apresentá-los de forma correta os seus significados, de maneira que o estudante perceba que os nomes “assustadores” são na verdade apenas uma tradução para um idioma que até então não possui familiaridade. Poderão perceber ainda que esses nomes são fundamentados de forma precisa, compactando informações, que não estão sujeitos a modificações e que não sofrem influências regionais, a exemplo dos nomes populares regionais, de moda ou de época.

No caso das aves, não há diferença entre as dificuldades encontradas para uma adaptação dos discentes quanto suas nomenclaturas ou à etimologia científica.Percebe-se que no aprofundamento do conhecimento sobre as espécies já conhecidas, especificamente no local onde o professor irá apresentar sua aula prática, aos poucos, ocorre a aquisição de conhecimento para apresentá-los aos alunos e estes, ao compreenderem e relacionarem os significados da nomenclatura científica, entenderão que de uma forma geral, as terminologias para todos os organismos vivos possuem fundamento.

No tema diversidade da vida, com a classificação dos seres vivos, o estudante passa a perceber a importância de tal organização através da Taxonomia e, onde está representada cada espécie através da Sistemática. Algumas regras foram criadas para que a classificação fosse uniforme (LINHARES& GEWANDZNAJDER, 2008, p. 139) como,

•        Todos os nomes devem ser em latim; se derivarem de outra língua, devem ser latinizados;

•        A nomenclatura específica deve ser binomial, iniciada em maiúsculo e as demais em minúsculo e escrita em formato itálico ou sublinhado(Pitangus sulphuratus, Dacniscayana);

•        Para a subespécie (populações da mesma espécie geograficamente isoladas, que podem formar uma nova espécie) a nomenclatura é trinomial, seguindo as mesmas regras anteriores;

•        Para as Ordens a terminação é ORMES (Piciformes, Passeriformes, etc.); Família IDAE (Picidae, Cuculidae, etc.); o primeiro nome da espécie representa seu Gênero: Sporophila caerulescens = espécie; Gênero Sporophila – do grego sporos = semente + philos = que tem gosto ou predileção por (JOBLING, 1991, apudFRISCH&FRISCH, 2005, p. 338).

 

Para o professor de Biologia, o discente ou alguma pessoa que estudará as aves de forma efetiva, os motivos pelos quais qualquer ser vivo recebe sua nomenclatura devem ser determinantes na compreensão e no conhecimento de cada espécie. A definição para a nomenclatura científica faz uso da atribuição do organismo que receberá tal identificação, podendo ser consideradas as circunstâncias que os cercam como, características físicas, hábitos, comportamentos, ambientes em que vivem e localizações geográficas precisas. Também podem ocorrer homenagens a pessoas e, nesses casos, o nome sofre uma “latinização” para se adequar às normas internacionais de nomenclatura científica.

Com o objetivo de introduzir o aluno às etimologias científicas e iniciá-lo aos princípios científicos da sistemática, algumas aves deste estudo podem ser utilizadas, como exemplos:

•        João-de-barro, Furnarius rufus: Furnarius – do latim furnaria = forneiro (pela forma como constroem seus ninhos, similar a um forno); rufus – latim, vermelho-amarronzado;

•        Anu-preto, Crotophaga ani: Crotophaga – grego = kroton – a tempo, volta ao tempo regular, tique + phagos = glutão, comilão; ani – indígena tupi (Brasil), anim ou anum dado à ave.

Como podem ser observados nesses exemplos, os “porquês” das nomenclaturas científicas são de simples compreensão e, baseado em tais critérios, o professor poderá trabalhar nas aulas práticas de Biologia o incentivo e a motivação ao aprimoramento e ao gosto às Ciências, especificamente nos conteúdos de fauna e flora, uma vez que, ao passar a compreender os significados o estudante poderá perder o trauma em relação às nomenclaturas científicas ecriar novas expectativas para o conhecimento no âmbito da Biologia.

 

Evolução

A evolução pode encontrar parâmetros no campo da ornitologia, citando os exemplos dos “tentilhões de Darwin”, quando este em sua viagem científica sobre a vida dos animais lançou a Teoria da Evolução em 1859 ao visitar as Ilhas Galápagos, observando variações morfológicas no grupo dos fringilídeos (Fam. Fringillidae, Passeriformes), principalmente nos pés e nos bicos. Essas adaptações, segundo Darwin em suas teorias, ocorreram devido às condições ambientais favoráveis.

Em aulas sobre evolução, através de exemplos encontrados em nossa realidade, o professor poderá identificar na natureza próxima à escola adaptações pela evolução em indivíduos ali existentes. As adaptações ou modificações ou ainda transformações dos organismos são eventos que ocorrem por diversos fatores. Essas modificações, ao longo dos tempos, permitiram o surgimento da diversidade na natureza (NETO& EL-HANI, 2005, apud NETO, 2009, p. 1134). Tamanhos diferenciados, escolhas por alimentos de fácil localização, comportamentos, dentre outros, são adaptações que permitem que cada espécie possa se perpetuar com um consumo mínimo de energia.

Com a conceituação assim construída, a evolução é um dos conteúdos que pode ser aproveitado diante das características existentes. Esse conteúdo permite situar tais comparações em sala de aula e, no ambiente natural, serve para que os alunos compreendam não somente a relação evolutiva de animais pré-históricos, mas também dos demais seres vivos existentes nos dias atuais.

Em campo, o discente irá encontrar espécies de fácil visualização, como o bem-te-vi (Pitangus sulphuratus), Figura 5a. Essa espécie, com 23 centímetros da cauda ao bico, pertence à Família Tyrannidae (Passeriformes), uma das Famílias mais amplas e heterogêneas que ocorre em toda a região neotropical e em todos os ambientes, tanto aberto quanto florestais (GWYNNE et al., 2010: p. 208). Alimenta-se principalmente de insetos, outros invertebrados e também de frutos.

Para exemplificar adaptações evolutivas ocorridas nas espécies é possível mencionar outras duas espécies plenas, o neinei (Megarynchus pitangua), Figura 5b, e o bentevizinho (Myiozetetes similis), Figura 5c. Essas três espécies (apenas para mencionar exemplos, uma vez que a variedade dessa família, como dito, é enorme) possuem características em comum, como o comportamento – presença em bordas de mata e áreas abertas e arbustivas (GWYNNEet al., 2010: p. 236), contendo coroa (cinza-escura no bentevizinho) e máscaras negras separadas por sobrancelha branca, dorso marrom (no bem-te-vi) ou oliváceo nas demais. O tamanho do neinei é o mesmo do bem-te-vi (23 cm), mas apresenta bico extremamente largo e chato e mais robusto, comparado ao do bem-te-vi (WIKIAVES, 2013). O bentevizinho é um pouco menor, 17 centímetros, mas as três também apresentam como características semelhantes, uma mecha amarela à avermelhada oculta na coroa. As vocalizações das três também são distintas, de onde surgiram os nomes populares (onomatopéicos – bem-te-vi e neinei, e relacionados ao tamanho em comparação ao outro, o bentevizinho).

Baseados nesses exemplos adaptativos, o professor pode relacionar e mencionar que durante a evolução, fatores até então desconhecidos, promoveram modificações em grupos isolados (lembrando que as modificações não ocorrem em um indivíduo apenas, mas em um grupo, através da especiação).

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Para esses exemplos ficaria a identificação como sendo essas espécies de um ancestral comum, de onde originaram suas características morfológicas e comportamentais. Vale lembrar que para definição de espécies, além dos caracteres morfológicos, utilizam-se também biogeográficos e genéticos. Por outro lado, ao se utilizar outra espécie, também Passeriforme, pertencente à família Coerebidae, formada por uma única espécie, a cambacica (Coereba flaveola), Figura 6, com tamanho de 10,5 centímetros (GWYNNEet al., 2010: p. 274) e praticamente a mesma coloração, que lembra os tiranídeos anteriores, com uma máscara negra separada da coroa (parte superior da cabeça) por uma listra longa branca, possuindo ainda dorso escuro e região ventral amarela (flaveola – diminutivo do latim flavus = amarelo-ouro, conforme Jobling (1991), apud Frisch & Frisch (2005: p. 332), nota-se que, mesmo em algum momento da evolução das espécies, os tiranídeos e o coerebídeo em questão tiveram um ancestral comum, o que leva a crer que diversas outras aves também podem ter sido originadas de um ancestral comum.

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No estudo de evolução pode-se dizer que nem todas as características de um ser vivo devem-se à seleção natural e nem todas as características são adaptativas, mas muitas também são originadas da herança de antepassados (LINHARES e GEWANDZNAJDER, 2008: p. 430). Inúmeras espécies de aves de grupos (Famílias, Ordens e Gêneros) podem apresentar total ou parcialmente essas características, uma vez que a ancestralidade das aves as leva à parentescos de antigos répteis, principalmente aos Crocodylia. Se compararmos a biologia desses animais, como comportamento social, cuidado parental, oviparidade e vocalização, encontraremos parâmetros que podem ser relacionados à um parentesco comum, uma vez que comparações entre Aves e Crocodylia torna evidente que os dinossauros também apresentavam comportamento social elaborado e vocalização (POUGH; JANIS e HEISER, 2008: p. 432).

Da relação com semelhanças iguais às aves encontradas atualmente em nosso entorno, o professor pode trabalhar os conteúdos, principalmente evolutivos e adaptativos das espécies. É válido lembrar que há possibilidade de que as nomenclaturas científicas sofram constantes atualizações, de modo que uma espécie que hoje pertença a um determinado grupo se desloque para outro, principalmente com o emprego de tecnologias no estudo da genética, frequentes nos dias atuais.

 

Ecologia

Entre os conteúdos apresentados no ensino médio, a Ecologia é um dos que tem força para conduzir o aluno aos conceitos sobre a importância da conservação e preservação da natureza e dos organismos que a compõem. É a ciência que busca entender a relação dos organismos com o meio ambiente (LOPES, 2006, p. 296) e as consequências de tais relações. Apresenta uma riqueza imensa para temas de trabalhos de investigação para se utilizar no ensino de Biologia (MOTOKANE& TRIVELATO, 1999: p. 1).

Alguns aspectos são importantes para compreender as populações de aves que ocorrem em um determinado ambiente. Para considerar o ambiente como um laboratório de pesquisa é necessário saber em que Bioma está inserido e qual o impacto da antropização aos limites desse local. A formação e a densidade florestal ou arbóreapodem oferecer recursos essenciais para cada grupo de aves e, a existência de ecossistemas conservados também determina a ocorrência de aves que se deslocam a grandes distâncias ou que fazem migração.

Conceitos como população, comunidade (ou biota) e ecossistema são simplificados para serem representados, direcionando para um campo em que as aves estão inseridas como tema principal.

Após a introdução em sala sobre o histórico desse tema, abordando a importância contemporânea em se familiarizar e possuir uma opinião formada a partir dos problemas ambientais, com assuntos correlatos discutidos, principalmente na mídia e ainda, apesar de estarem relacionados aos problemas do meio ambiente ao qual o planeta passa, muitos ignoram as atitudes possíveis para a reversão de diferentes impactos provocados pelas ações humanas ou ainda não compreendem tais discussões. Com a consolidação de uma opinião formada e, principalmente com o conhecimento dos elementos que completam cada conjunto terrestre, os indivíduos em formação tenderão a tornarem-se cidadãos atentos e com atitude de buscar melhoras para si e para os demais de sua localidade e do mundo em que vivem, sem interferir nos ecossistemas presentes em sua localidade.

Nas aulas práticas de campo o professor tem a possibilidade de construir a lista das aves e elucidar a comunidade existente em seu entorno, podendo compará-la com estudos posteriores. Munido dessa interessante listagem, pode se familiarizar com a biologia e a ecologia de cada espécie. Pode ainda fazer ricas relações, pois as aves dão respostas sobre a qualidade ambiental, o que permite correlações que demonstrem o quanto as transformações na natureza promovidas pelo homem podem interferir na fauna e flora locais e, assim, perceber as transformações ao qual o ambiente está passando e quais as causas dessas transformações.

Um exemplo prático sobre os danos causados na natureza, facilmente observado em uma espécie de ave, está na pomba-de-bando (Zenaida auriculata), Figura 3,espécie que nos últimos trinta anos ocupou as regiões urbanas em grande escala. As modificações pela derrubada de matas para introdução e expansão da agricultura de grãos favoreceram sua ocupação em muitas cidades (CÂNDIDO-JR et al., 2008: p. 68). Espécie granívora que se alimenta principalmente de brotos e grãos de soja e milho, nas últimas décadas suas populações cresceram de forma desordenada, trazendo problemas em algumas cidades. Forrageiam normalmente em bandos no campo e buscam pouso nas cidades, sendo que muitas aves nem voltam para se alimentar, pois já encontraram nas cidades muitos dos recursos de que necessitam como o próprio alimento, locais para ninhos e proteção pela própria presença humana. Dessa forma houve explosões populacionais nessa espécie, fato que tem gerado desagrados à população humana, uma vez que nidifica o ano todo. Gwynneet al. (2010: p. 112) cita que a pomba-avoante já é tida como praga em certos lugares.Esse exemplo pode expressar o quanto o desequilíbrio provocado pela antropização pode trazer consequências desagradáveis ao homem.

A ocupação da Z. auriculata nas cidades, assim como outros exemplos, deve-se também à ausência de predadores de topo de cadeia nesses ambientes. Excetuando-se alguns gaviões, como o carijó (R. magnirostris), Figura 4 e o carcará (Caracara plancus), que conseguem atuar no controle de algumas populações, a exemplo do Bairro Vila “A” que mantém grande quantidade de árvores, é possível que tais predadores possam se estabelecer, mesmo que apenas para observar suas presas ou descanso. Assim é possível perceber que diversas espécies fazem parte de uma cadeia alimentar existente no local.

Em sala, o professor pode iniciar as exposições sobre esses sistemas posicionando as aves em diversos níveis tróficos, já em campo é possível perceber inúmeras aves como o bem-te-vi (Pitangus sulphuratus) se alimentando de insetos, que também buscam seus alimentos em níveis inferiores, como dos produtores. Tais aves podem ainda ser incluídas como consumidores secundários ao serem predadas por consumidores terciários, como gaviões-carijós (R. magnirostris), observados facilmente no ambiente estudado.

A migração é outro evento que pode ser explorado em estudos de ecologia, pois é um fenômeno natural em que as aves contribuem para a aprendizagem nesse conteúdo (ALERSTAM& HEDENSTRÖM, 1998 apud ALVES, 2007:p. 231). Migrações são deslocamentos que populações de animais realizam anualmente de sua área de reprodução para áreas de alimentação e descanso em uma determinada época do ano e retornando à sua área de reprodução original.

Diversas aves executam tais deslocamentos, anualmente, sempre em busca de locais de reprodução e são facilmente observadas nas épocas mais quentes em nosso hemisfério, tendo inicio em agosto com término em abril do ano seguinte. Como exemplos citam-se a tesourinha (Tyrannus savana), o suiriri (Tyrannus melancholichus) e inúmeras outras espécies, como andorinhas, sabiás e parulídeos (ALVES, 2007: p. 232). Para a realização de migração é necessário que a ave tenha grande capacidade de voo. O professor pode explorar junto aos alunos, indicando que,àquelas aves que não desenvolveram a capacidade de realizar voos longos estão sujeitas a riscos de extinções, principalmente as que possuem voos limitados, incluindo aquelas que estão sujeitas às ações antrópicas (AMESTOY, 2013).Ainda que somente pelas adaptações evolutivas, como o cerebelo desenvolvido é que tais aves podem se locomover a milhares de quilômetros todos os anos.

A capacidade de orientação magnética, orientação noturna e a capacidade de memória de muitas espécies, são fatores que permitem que as mesmas realizem seus longos voos anuais, possibilitando a perpetuação da espécie. Nesses propósitos encontram-se também a formação de cidadãos com clareza da importância da conservação das matas como ambientes essenciais à manutenção de inúmeras espécies da fauna e da flora.

Para Frizzo e Marin (1997: p. 35), é importante após as atividades teóricas, a saída de campo para observar as aves no intuito de anotar as suas características, como aforma de alimentação, tipos de ninhos, modo de vida, etc., promover debates durante o desenvolvimento dos conteúdos, trazendo à memória asavesencontradas na natureza,onde os exemplos citados pelos estudantese suas colocações permitam melhor fixação atravésdas experiências e conhecimentos adquiridos. Assim, se tornarão mais confiantes nos estudos e observações realizados durante o resto de suas vidas, uma vez que tais atividades despertam o hábito por atividades práticas e observações,gerando anotações e relatórios. Ainda, o estabelecimento de relações entre os conteúdos escolares e suas aplicações no cotidiano, conduz o estudante a adquirir atitudes científicas, como o observar, a formulação de hipóteses, o estabelecimento de relações e a elaboração de conclusões.

 

Conclusão

 

As 58 espécies identificadas no período formam a maior parte do sistema trófico da Classe Aves (detritívoras, carnívoras, insetívoras, granívoras, nectívoras, frugívoras e onívoras), além de diversidade taxonômica e morfológica.

Foi possível apresentar, pela comunidade de aves deste ambiente, boa parte da representatividade dos conteúdos das disciplinas de Ciências e Biologia, tanto para ensino Fundamental quanto para o ensino Médio. Através dos exemplos encontrados no entorno escolar e mesmo das áreas habitadas com boa arborização, a Educação Ambiental com a utilização das aves ali existentes, poderá também ser explorada com eficaz aproveitamento, não só aos jovens em idade escolar, mas também aos adultos, uma vez que essa faixa etária também possui facilidade em ser atraída pela singeleza desses animais.

A quantidade de espécies para esses casos é fator de menor importância, pois após a introdução no campo da ornitologia, o participante será atraído pela contextualização e estará sempre buscando novas espécies e os assuntos à elas relacionados, conhecendo novos ambientes e sua importância perante os espaços que formam o conjunto dos hábitats essenciais para a vida na Terra. Nos conceitos de ecologia, essa população também representa grande potencial para a formação de cidadãos aptos a perceber e compreender o significado de preservação, fundamentados pela expressiva representatividade da avifauna local e todo o conjunto de sua ecologia, mediante o encaminhamento de um professor conhecedor dessa comunidade em sua localidade, mesmo que o espaço escolhido para busca dos exemplos no campo da ornitologia seja um ambiente pequeno próximo, mas que tenha um mínimo de composição florística ideais para a existência das aves, animais admiráveis que fascinam a espécie humana desde tempos remotos.

A dificuldade encontrada por muitos professores no ensino das disciplinas de Ciências e de Biologia nas escolas quando se trata de levar para atividades práticas pode ter uma lacuna preenchida quando esses optarem em buscar medidas de fácil resolução. Sair da sala de aula é algo que os alunos mais desejam para variar as forma da aprendizagem. O contato com a natureza é algo que desperta a curiosidade desses alunos e, o professor, munido de conhecimentos prévios acerca da avifaunalocal e suas fundamentações ecológicas e biológicas, tem em mãos a opção de uma elevada gama de aplicações práticas paradiversos conteúdos.

A aplicabilidade por atividade prática é a forma mais convincente desses conteúdos, pois a diversidade de aves existente nos ambientes em que a escola está inserida, mesmo em áreas urbanas, possibilita o despertar de interpretações de fundamentos científicos, fato que tem trazido grande dificuldade em promover o interesse pelas ciências nas escolas, principalmente naquelas com poucos recursos, físicos, financeiros e profissionais.

Por fim, a utilização de população de aves existente nas proximidades das escolas pode favorecer o desenvolvimento de diversas práticas. Cabe somente ao professor tomar conhecimento desses benefícios e aplicá-los aos seus ensinamentos, quando na verdade para ele também será uma ampla base de conhecimento que adquirirá para sua concepção de que esses vertebrados, tão diversificados na natureza, passam despercebidos pela maioria dos seres humanos, quando não, são vítimas da própria ignorância por parte de pessoas que não tiveram a oportunidade de perceber o quanto esses animais, em sua plenitude morfológica e ecológica, representam para todo o planeta e para a própria existência humana.

 

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