ISSN 1678-0701
Número 61, Ano XVI.
Setembro-Novembro/2017.
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11/09/2017PREOCUPAÇÕES AMBIENTAIS DE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS DO ESTADO DA PARAÍBA  
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PREOCUPAÇÕES AMBIENTAIS DE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS DO ESTADO DA PARAÍBA

 

ENVIRONMENTAL CONCERNS OF UNIVERSITY STUDENTS IN THE STATE OF PARAÍBA-PB

 

Danilo Nascimento Rolim dos Santos1, Ingrid Louise Lins de Albuquerque Evaristo2, Luiz Carlos SerramoLopez3

 

1Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente, Universidade Federal da Paraíba

2Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente, Universidade Federal da Paraíba

3Professor Doutor do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente, Universidade Federal da Paraíba

 

 

RESUMO. A Escala de Preocupações Ambientais (EPA) busca avaliar os tipos de preocupações das pessoas frente aos problemas ambientais. Este estudo teve como objetivo avaliar a estrutura fatorial e consistência interna da EPA e também identificar diferenças de preocupações ambientais nas áreas de formação profissional e a relação entre a EPA e as variáveis demográficas. Participaram 562 estudantes universitários do Estado da Paraíba com idades variando de 18 a 64 anos (M = 25.2, DP = 7.53), a maioria do sexo feminino (61,6%). Estes responderam os 12 itens da escala adaptada e perguntas demográficas. Os resultados mostraram uma estrutura com três fatores, contando com alfa de Cronbach de 0,91 para o fator biosférico, 0,82 para egoísta e 0,87 para altruísta. Realizou-se uma Análise Exploratória Confirmatória (estimador WLSMV) e seus resultados apresentaram índices de ajuste consoantes com os recomendados na literatura (e.g., χ²/gl = 4,40, RMSEA = 0,07, CFI = 0,95, TLI = 0,94). A escala apresentou diferenças significativas importantes nas pontuações de homens e mulheres referente as preocupações ambientais altruístas. Concluiu-se que esta escala é psicometricamente adequada para avaliar preocupações ambientais das pessoas e que as diferenças de preocupações ambientais entre as áreas de formação acadêmica e sexos devem ser melhor observadas. 

Palavras-Chave: Preocupação Ambiental, Biosférico, Altruísta

 

ABSTRACT. The Environmental Concern Scale (ECS) assesses the types of concerns people have towards environmental issues. This study aimed to evaluate the factorial structure and internal consistency of the ECS and also identify differences of environmental concerns in areas of professional training, as well as the relationship between ECS demographic variables. A total of 562 university students from the State of Paraíba aged 18-64 years (M = 25.2, SD = 7.53), predominantly females (61.6%) participated. The individuals answered demographic questions as well as twelve (12) items from the adapted environmental concern scale. Results showed a three-factor model with Cronbach’s alpha values of 0.91 for the biospheric factor, 0.82 for selfish and 0.87 for altruistic. A Confirmatory Exploratory Analysis (WLSMV) was performed and presented adjustment indexes consistent with those recommended in the literature (e.g., χ²/gl = 4,40, RMSEA = 0,07, CFI = 0,95, TLI = 0,94). The scale revealed significant differences in the scores of men and women regarding altruistic environmental concerns. It was concluded that this scale is psychometrically adequate to assess environmental concerns and that differences in environmental concerns between areas of academic training and genders should be further investigated.   

Keywords: Environmental Concern, Biospheric, Altruistic

 

Introdução

 

A preocupação ambiental é um tema frequentemente abordado nas discussões que envolvem problemas ambientais e está cada vez mais atrelada a formação acadêmica e ao mundo corporativo (Pinheiro, Monteiro, Guerra, &Peñaloza, 2011), passando a ser área de interesse não só de ecólogos, biólogos e gestores ambientais, mas também de outras ciências, como a Psicologia Ambiental.  Com o aumento da preocupação com as questões ambientais em todo mundo (Schultz, 2001), tem aumentado a quantidade de estudos que buscam encontrar diferenças individuais e de posicionamento, em relação ao meio ambiente, seja ele natural ou construído (Pessoa, Gouveia, Soares, Vilar, & Freires, 2016). A partir dos achados de tais buscas, possivelmente irão permitir desenvolvimentos de ações positivas com fins de preservação e uso sustentável dos recursos disponíveis em nosso ecossistema.

A partir dos modelos de ativação da norma (Schwartz, 1977), valores-crenças-normas (Stern e Dietz, 1994) e da teoria de Schwartz (1994) foi estabelecida a base das preocupações ambientais, sendo definidas como preocupações egoístas, altruístas e biosféricas (Schultz, 2000; Schultz, 2001). As preocupações egoístas predispõem as pessoas a proteger os aspectos do ambiente que as afetam pessoalmente, ou a opor-se à proteção do ambiente se os custos pessoais são percebidos como altos (Schultz, 2000; Stern e Dietz, 1994). As preocupações altruístas inclinam as pessoas a terem preocupações ambientais quando o julgamento das questões ambientais é feito com base nos custos ou benefícios para outras pessoas, sejam eles indivíduos, um bairro, uma rede social, um País ou toda a humanidade (Schultz, 2000; Stern e Dietz, 1994). As preocupações biosféricas são proeminentes do pensamento de muitos ecologistas e ambientalistas, sendo uma nova orientação de valor da biosfera que está emergindo, onde as pessoas julgam os fenômenos com base nos custos ou benefícios para o ecossistema (Schultz, 2000; Stern e Dietz, 1994).

Schultz (2000) desenvolveu a Escala de Preocupações Ambientais (EPA) e utiliza 12 itens para avaliar a importância dos objetos de valor. Estes 12 objetos de valor são representados através das preocupações ambientais biosféricas (plantas, vida aquática, aves e animais), egoístas (eu, meu estilo de vida, minha saúde e meu futuro) e altruístas (pessoas no meu país, todas as pessoas, crianças e meus filhos). Os participantes devem responder a escala com base na afirmação: Geralmente as pessoas de todo o mundo se preocupam com os problemas ambientais causados pela exploração da natureza, no entanto, as pessoas diferem com relação às consequências que mais se preocupam. Avalie cada um dos itens seguintes, usando uma escala de 7 pontos, de 1 (menor importância) a 7 (máxima importância)”.

Diante da necessidade de conhecer o tipo de preocupações ambientais das pessoas é que esse estudo buscou identificar as possíveis diferenças de preocupações ambientais nas diferentes áreas de formação profissional e a relação que existe entre diversas variáveis demográficas.

 

Método

 

Participantes

 

Participaram deste estudo 562 estudantes universitários da Paraíba, os quais tinham idades variando de 18 a 64 anos (M = 25,2; DP= 7,53), a maioria do sexo feminino (61,6%). Tratou-se de uma amostra de conveniência (não probabilística), ou seja, nem todos os elementos da população tiveram a probabilidade conhecida de pertencer à amostra, participando aqueles que, contatados, dispuseram-se a colaborar.

 

Instrumentos

 

Os participantes responderam o questionário que estava distribuído em duas partes:

Escala de Preocupações Ambientais (EPA): Elaborada em língua inglesa e espanhola por Schultz (2001), ela possui por objetivo identificar os tipos de preocupações ambientais das pessoas, sendo composta pelos fatores biosférico (item: 1, 2, 3, 4), egoísta (item: 5, 6, 7, 8) e altruísta (item: 9, 10, 11, 12). A EPA utilizada nesse estudo possui os mesmos 12 itens da escala original desenvolvida por Schultz (2001), porém como não é tão comum que estudantes universitários possuam filhos, o item 12 (meus filhos) foi substituído por “meus amigos”. Já que esse item faz parte do fator altruísta e o objetivo desse fator é identificar se as pessoas preocupam-se com os outros devido às consequências dos problemas ambientais causados pela exploração da natureza, considera-se que a substituição do item não afeta o propósito de mensuração desse fator. O construto foi respondido em uma escala Likert de 7 pontos, que varia de 1 (menor importância) a 7 (maior importância) pontos.

Perguntas demográficas: objetivou identificar o perfil do estudante, com perguntas sobre idade, sexo, renda, curso, período que estava cursando e habilitação do curso (licenciatura, bacharel ou tecnologia).

 

Procedimento

 

A Coleta de dados foi realizada através do envio do link com o formulário da pesquisa, que estava hospedado na plataforma surveymonkey, por redes sociais (e. g., Facebook, Instagram) e pelo e-mail dos discentes cadastrados em algumas coordenações de curso. No momento do envio foi explicado que a pesquisa era de caráter voluntário, assegurava o anonimato dos participantes e também possuía um pequeno texto que convidava a todos os alunos de graduação a participar da pesquisa. Os que aceitaram responder concordaram com o Termo de Consentimento Livre Esclarecido e preencheram a pesquisa na integra. O projeto obteve parecer favorável do Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos (Processo nº 65699317.0.0000.5188).

 

Análise dos dados

 

A análise dos dados foi realizada através dos programas IBM SPSS Statistic versão 21.0.0 e Mplus versão 6.12. Para a construção do gráfico de caminhos a partir das Análises Fatoriais Confirmatórias (AFC) com a estrutura fatorial das Escalas de Preocupações Ambientais foi utilizado o Software IBM Amos versão 21.0.0. Foram realizados vários testes estatísticos que buscaram compreender a natureza da escala e suas relações com as variáveis demográficas.

Análise Fatorial Exploratória (AFE) - Pode ser entendida como um conjunto de técnicas multivariadas que busca encontrar a estrutura subjacente em uma matriz de dados e determinar o número e a natureza de fatores (variáveis latentes) que melhor representam um conjunto de variáveis observadas (construto) (Damásio, 2012). O primeiro passo foi avaliar se a matriz de dados das escalas desse estudo era passível de fatoração. Então foram utilizados dois métodos de avaliação: O primeiro, o teste de Kaiser-Meyer-Olkin (KMO) que também é conhecido como índice de adequação de amostra é um teste estatístico que sugere a proporção de variância dos itens que pode estar sendo explicada por uma variável latente (Damásio, 2012; Lorenzo-Seva,Timmerma, &Kiers, 2011) e como regra para interpretação dos índices de KMO: valores menores que 0,5 são considerados inaceitáveis; valores entre 0,5 e 0,7 são considerados medíocres; valores entre 0,7 e 0,8 são considerados bons; valores maiores que 0,8 e 0,9 são considerados ótimos e excelentes (Damásio, 2012; Hutcheson&Sofroniou, 1999). Já o Segundo, o teste de esfericidade de Barllet, avalia em que medida a matriz de (co)variância é similar a uma matriz-identidade, os valores do teste de esfericidade de Bartlett com níveis de significância p < 0,05 indicam que a matriz é passível de fatoração (Tabachnick&Fidell, 2013), rejeitando assim a hipótese nula de que a matriz de dados é similar a uma matriz-identidade (Damásio, 2012).  Para a retenção fatorial foi considerado o critério de auto-valor maior do que 1,0 de Guntman-Kaiser, também chamado de eigenvalue> 1 (Patil, Singh, Mishra, &Donavan, 2008; Laros, 2005). As análises fatoriais desse estudo foram realizadas através do software IBM SPSS Statistic versão 21.

Análise Fatorial Confirmatória (AFC) – É conhecida como uma das técnicas de modelos de equações estruturais (MEE) e ela permite o teste confirmatório da estrutura psicométrica de escalas de medidas e também pode ser utilizada para analisar relações explicativas entre múltiplas variáveis simultaneamente, sejam elas latentes ou observadas (Pilati&Laros, 2007). A AFC das escalas nesse estudo foi realizada através do software Mplus Editor (versão 6.12) com o método de estimação MeanandVarianceAdjustedWeightedLeastSquares – WLSMV (estimador de mínimos quadrados ponderados robustos ajustados pela média e variância). Foram obedecidos os seguintes parâmetros para os Índices de Qualidade de Ajuste “goodness-of-fit”: Comparative Fit Index - CFI (Índice de correlação comparativo, igual ou superior a 0,90); Tucker Lewis Index - TLI (conhecido como NFI, índice não padronizado, igual ou superior a 0,90); Root Mean Square ErrorofAproximation - RMSEA (índice de ajuste parcimonioso, valores menores que 0,06 e aceitável até 0,08); Razão entre o Qui-quadrado e grau de liberdade - χ2/gl (modelo ajustado apresenta valores entre 2 e 3, aceita-se até 5). Esses índices de ajuste foram estipulados de acordo com Schreiber, Nora, Stage, Barlow e King (2006) e nos índices considerados aceitáveis nos artigos de validação para a língua portuguesa da Escala de Autocompaixão (Souza e Hultz, 2016) e da escala de Conexão com a Natureza (Pessoa et al., 2016). 

Alpha de Cronbach – trata-se de uma estimativa de consistência interna a partir das variâncias dos itens e dos totais do teste por sujeito, o índice alfa de Cronbach varia de 0 a 1, quanto mais o coeficiente (α) se aproxima de 1, mais consistente e confiável é considerado o instrumento (Maroco e Garcia-Marques, 2006). De um modo geral o instrumento é considerado como tendo confiabilidade apropriada quando o alfa é pelo menos 0,70 (Pasquali, 2010; Maroco e Garcia-Marques, 2006; Nunnaly, 1978).

Os estudantes universitários foram divididos em cinco grandes áreas de formação profissional: Ambiental (AMBI), Ciências Sociais Aplicadas e Humanas (CSAH), Exatas e Tecnologia (EXAT), Linguagens e Artes (LINA) e Saúde (SAUD).

 

Resultados

Estrutura interna da Escala de Preocupações Ambientais

 

Com o objetivo de checar a adequação dos dados à realização da Análise Fatorial Exploratória (AFE), foram observados o indicador Kaiser-Meyer-Olkin (KMO = 0,876) e Teste de Esfericidade de Bartlett(p < 0,001). Os resultados encontrados estão de acordo com o recomendado na literatura (Tabachnick&Fidell, 2013) e, portanto, mostram a adequação dos dados para que seja realizada a análise fatorial. Para a AFE optou-se pelo método de componentes principais, a partir de uma rotação Varimax, os resultados apontaram três componentes que explicaram 73,36% da variância do construto. Todos os três componentes possuem valores próprios acima de 1 (figura 1), que é um dos critérios de kaiser para determinar que existe um fator isolado composto por um conjunto de itens (Patil et al., 2008). Os achados relacionados à AFE podem ser verificados na Tabela 1. Assim como o proposto pelo construto original desenvolvido por Schultz (2001) os três fatores apresentaram a seguinte distribuição fatorial: Biosférico (plantas, vida aquática, aves e animais), Egoísta (eu, meu estilo de vida, minha saúde e meu futuro) e Altruísta (todas as pessoas, pessoas do meu País, crianças e meus amigos).

Figura 1 - Diagrama de declividade (screeplot) da Escala de Preocupações Ambientais

 

A consistência interna (alpha de Cronbach) para a EPA total com 12 itens é de 0,87, para os três fatores o resultado do alpha de Cronbach obtido está distribuído da seguinte maneira: Egoísta – 0,82; Altruísta – 0,87; Biosférico – 0,91. Esses resultados em conjunto com a Análise Fatorial Exploratória, comprovam a confiabilidade e a validade fatorial desse construto.

 

Tabela 1 – Estrutura fatorial da Escala de Preocupações Ambientais

Item

Componente

Biosférico

Altruísta

Egoísta

Aves

0,89

 

 

Vida Aquática

0,88

 

 

Animais

0,85

 

 

Plantas

0,84

 

 

Todas as pessoas

 

0,83

 

Pessoas do meu País

 

0,80

 

Crianças

 

0,76

 

Meus amigos

 

0,74

 

Meu estilo de vida

 

 

0,86

Eu

 

 

0,83

Mi­nha saúde

 

 

0,76

Meu futuro

 

 

0,74

Valor próprio

5,25

2,11

1,43

% Variância Explicada

43,78

17,62

11,96

Alfa Cronbach

0,91

0,87

0,82

Nota. Itens destacados em negrito possuem carga fatorial superiores a |0,30|

A Análise Fatorial Confirmatória (AFC) com a estrutura original de três fatores apresentou os seguintes indicadores de ajuste: χ2= 224,612, p <0,00001, χ2/df = 4,40, RMSEA = 0,078 (Intervalo de confiança – IC90% =  0,068- 0,088), CFI = 0,956, TLI = 0,943.  Esses resultados apresentam índices de qualidade de ajuste (goodness-of-fit) dentro dos parâmetros aceitáveis discutidos por Schreiber, Nora, Stage, Barlow e King (2006) e, corroboram, para a adequação da EPA em uma estrutura de três fatores. Além disso, todos os itens apresentaram saturações (pesos fatoriais, λ) estatisticamente diferentes de zero (λ ≠ 0; z > 1,96, p < 0,05). Todos esses dados comprovam a pertinência e o ajuste adequado desse modelo. A estrutura fatorial a partir da AFC pode ser observada na figura 2.


Figura 2 - Estrutura fatorial da escala de preocupações ambientais

 

Diferenças entre as variáveis demográficas

 

Os dados para essa análise foram considerados não normais (Shapiro-wilk; p > 0,05) e, portanto, optou-se por testes não paramétricos. A análise comparativa feita pelo teste de Kruskall-Wallis entre as diferentes áreas de formação profissional dos estudantes universitários não apresentou nenhuma diferença significativa entre quaisquer áreas. A tabela 2 apresenta as pontuações obtidas com a referida escala e seus três fatores nas áreas de formação profissional.

 

Tabela 2 – Resumo da análise descritiva dos fatores da escala de preocupações ambientais pela área de estudo dos respondentes. (Áreas de Estudo: AMBI = Ambiental,; CSAH = Ciências Sociais Aplicadas e Humanas; EXAT = Exatas e Tecnologia; LINA = Linguagens e Artes; SAUD = Saúde).

Área

Biosférico

Egoísta

Altruísta

Escala Geral

AMBI

Média

6,03

5,62

5,93

5,86

N

94

94

94

94

Desvio padrão

,95

1,21

1,03

,78

Mediana

6,25

5,75

6,00

6,00

CSAH

Média

5,68

5,69

5,88

5,75

N

163

163

163

163

Desvio padrão

1,35

1,23

1,16

,94

Mediana

6,00

6,00

6,00

5,83

EXAT

Média

5,67

5,81

5,73

5,74

N

127

127

127

127

Desvio padrão

1,27

1,05

1,22

,94

Mediana

6,00

6,00

6,00

5,92

LINA

Média

5,74

5,55

5,91

5,73

N

73

73

73

73

Desvio padrão

1,21

1,41

1,26

1,02

Mediana

5,75

6,00

6,50

5,83

SAUD

Média

5,74

5,73

5,91

5,79

N

105

105

105

105

Desvio padrão

1,30

1,29

1,18

1,00

Mediana

6,00

6,00

6,25

6,00

 

Foram encontradas diferenças significativas entre sexos, em que as pessoas do sexo feminino quando comparadas com o sexo masculino apresentaram maiores pontuações no fator altruísta (Mann-Whitney; U = 35.174; p = 0,003), o que indica que as mulheres possuem mais preocupações ambientais altruístas do que os homens. A representação detalhada das pontuações de todos os itens da escala está disponível na figura 3 e a tabela 3 mostra a análise descritiva dos dados.

Tabela 3 – Resumo da análise descritiva dos fatores da medida de preocupações pelo sexo dos respondentes.

    Sexo

Biosférico

Egoísta

Altruísta

Escala geral

Masculino

Média

5,68

5,58

5,69

5,65

N

216

216

216

216

Desvio padrão

1,27

1,25

1,24

,95

Mediana

5,88

5,88

6,00

5,67

Feminino

Média

5,80

5,77

5,98

5,85

N

346

346

346

346

Desvio padrão

1,24

1,20

1,11

,92

Mediana

6,00

6,00

6,25

6,00

Total

Média

5,75

5,69

5,87

5,77

N

562

562

562

562

Desvio padrão

1,25

1,22

1,17

,94

Mediana

6,00

6,00

6,00

5,92

 

 

 

 


Figura 3 – distribuição das médias da escala de preocupações ambientais em função do sexo.

Nota. (*) representa a diferença significativa (p<0,05) entre as médias de homens e mulheres.

 

O teste de correlação de Spearman (não paramétrico) apontou as seguintes correlações negativas: fator biosférico e renda (Rô = -0,097; p = 0,022); fator altruísta e renda (Rô = -0,117; p = 0,006); fator biosférico e o período que o respondente está cursando (Rô = -0,088; p = 0,03). Esses resultados indicam que existe associação entre o aumento da renda familiar das pessoas e a diminuição das preocupações ambientais biosféricas e altruístas. Também mostra uma relação negativa entre o período de curso e as preocupações ambientais biosféricas.

 

Discussão                       

 

A Escala de Preocupações Ambientais (EPA) apresentou consistência interna (alfa de Cronbach) dentro dos parâmetros aceitáveis (>0,70; Pasquali, 2010), variando entre os seus três fatores de 0,82 a 0,91. Para os resultados encontrados por Schultz (2001) com 1010 estudantes americanos de psicologia a variação do alfa foi de 0,88 a 0,90 e os achados de Hansla (2008) com 1.005 participantes adultos, teve alfa de Cronbach entre 0,87 e 0,91. Realizada a Análise Fatorial Exploratória e Análise Fatorial Confirmatória, a EPA apontou resultados (índices de qualidade de ajuste) satisfatórios, que comprovam a pertinência e o ajuste adequado desse modelo. É importante destacar que nenhum item dessa escala apresentou carga fatorial inferior a 0,70, considerada adequada de acordo com a literatura, já que o mínimo aceitável é 0,30 (Tabachnick&Fidell, 2013).

Apesar dos resultados de comparação das preocupações ambientais entre as áreas de estudo não terem sido significativos, é importante relevar que a área ambiental apresentou pontuação mais alta no fator biosférico (M = 6,03), altruísta (M = 5,93) e no score geral da escala (M = 5,86) quando comparada com todas as outras áreas de formação profissional. Isso pode indicar a necessidade de novas abordagens da temática ambiental em cursos que não a possuem como um dos focos de discussão na formação acadêmica.

A comparação realizada entre sexos apontou diferenças nas pontuações obtidas, em que as mulheres pontuaram significantemente mais alto no fator altruísta quando comparadas aos homens, isso leva a crer que as mulheres frente às consequências dos atuais problemas ambientais possuem maior empatia pelas outras pessoas. Nos resultados de Schultz (2001) as mulheres apresentaram resultados de preocupações ambientais significantemente maiores que a dos homens em todos os fatores da escala, já nessa pesquisa a diferença no fator egoísta não foi significativa.

As correlações entre as variáveis demográficas mostram associações entre o aumento de renda e diminuição de preocupações biosféricas e altruístas, também relação negativa entre período de curso e preocupações ambientais biosféricas. Esses resultados são preocupantes, já que a vivência no contexto universitário e o aumento da renda familiar deveriam contribuir para o aumento das preocupações com as particularidades do ambiente natural.

Em futuros estudos será importante realizar esforços para considerar amostras aleatórias e representativas, considerando pessoas de diferentes classes sociais e níveis de escolaridade variados, além de indivíduos com diferentes tipos de contato com o ambiente natural.

 Esses achados são úteis no conhecimento das preocupações ambientais das pessoas, para assim desenvolver estratégias para a melhora desses índices, consequentemente tendo um aumento na percepção ambiental das pessoas. Por exemplo, trazendo a necessidade do uso sustentável dos recursos e tendo essa temática abordada e posta em prática desde o ensino básico como forma de fortalecimento do tema na construção do ser humano como parte integrante da natureza. Nesse caso, como se trata de uma análise em que o público alvo foi estudantes universitários, possa ser que haja a necessidade de estudos posteriores que conduzam a uma reavaliação dos cursos em que a temática ambiental não está integrada de forma efetiva na grade curricular.

 

Referências

 

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