ISSN 1678-0701
Número 60, Ano XVI.
Junho/Agosto/2017.
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03/06/2017A EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO FERRAMENTA PARA A MELHORIA DA QUALIDADE DE VIDA: UM ESTUDO DE CASO.  
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ELIS REGINA NASCIMENTO

A EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO FERRAMENTA PARA A MELHORIA DA QUALIDADE DE VIDA: UM ESTUDO DE CASO

 

Autor: Wellington Nora Soares

 

Licenciado em Biologia e Química e Mestrando em Gestão Social, Educação e Desenvolvimento Local - Centro Universitário UNA de Belo Horizonte.

E-mail: wnsoares@gmail.com – Telefones: (31) 983217785 / 33967099.  

 

Resumo       

O objetivo geral deste artigo é propor uma atividade de educação ambiental como ferramenta para a melhoria da qualidade de vida. Através do envolvimento de uma comunidade escolar em Contagem/MG, foi exposta a problemática da degradação ambiental no mundo e proposta a implementação da educação ambiental para os adolescentes do ensino médio, por meio de um programa socioambiental de visitas à Estação de Tratamento de Água Rio Manso da Companhia de Saneamento de Minas Gerais em Brumadinho/MG. A contribuição do programa para melhoria da qualidade de vida e a verificação da percepção ambiental após a visita, foram realizadas através da análise dos dados qualiquantitativos, obtidos em questionários preenchidos pelos alunos. Objetiva-se com o projeto formar jovens com um novo estilo de vida, que alie a preservação das áreas verdes nos centros urbanos, evite o consumismo e o desperdício de recursos naturais.  Acredita-se que novo comportamento provocado pelo programa influencie diretamente na melhoria da qualidade de vida desta comunidade, pois os alunos participantes serão agentes políticos capazes de atuar em seus locais de vivência.

 

Palavras chaves: Educação ambiental, programa socioambiental, qualidade de vida.

 

Abstract

 

The general objective of this article is to propose an environmental education activity as a tool to improve the quality of life. Through the involvement of a school community in Contagem / MG, it was exposed the problem of environmental degradation in the world and proposed the implementation of environmental education for high school adolescents, through a socio-environmental program of visits to the Water Treatment Station Rio Manso of the Company of Sanitation of Minas Gerais in Brumadinho / MG. The contribution of the program to improve the quality of life and the verification of the environmental perception after the visit were made through the analysis of the qualitative and quantitative data obtained in questionnaires filled out by the students. The objective is to train young people with a new lifestyle, which combines the preservation of green areas in urban centers, avoiding consumerism and the waste of natural resources. It is believed that new behavior provoked by the program directly influences the improvement of the quality of life of this community, since the participating students will be political agents capable of acting in their places of living.
 
Keywords: Environmental education, social and environmental program, quality of life.

 


1. INTRODUÇÃO

            Nos últimos anos a discussão sobre QV vem ganhando destaque cada vez maior em todas as áreas do conhecimento. A Qualidade de Vida (QV) apresenta definições polissêmicas e multidisciplinares, entretanto torna-se necessário, com auxílio de uma base conceitual, defini-la, para que tenhamos uma mínima noção sobre o que estamos falando.  

            Segundo (HERCULANO, 2000), a qualidade de vida pode ser entendida como a soma de condições culturais, científicas, econômicas, ambientais e politicamente construídas e colocadas a serviço da sociedade para que estes possam realizar as suas potencialidades: Incluem acesso ao consumo, aos meios para produzir cultura, mecanismos de comunicação, de informação, de participação e de influência nos destinos coletivos. Por meio da gestão territorial, assegure água e ar limpos, alimentos saudáveis, disponibilidade de espaços naturais, amenos urbanos e preservação de ecossistemas naturais.

            Neste sentido, é de extrema importância que o indivíduo seja sensibilizado sobre o papel importante que tem em relação às questões ambientais, e a partir daí se atinja uma esfera coletiva.

            A QV só se dará mediante a participação do coletivo, e para obter êxito na implantação de projetos socioambientais é preciso conhecer e respeitar as características da comunidade, como os hábitos e a cultura.

            A Educação Ambiental (EA) se relaciona diretamente com a QV. Neste sentido formar cidadãos politizados em relação às questões ambientais, através da participação em projetos socioambientais, pode contribuir para a disseminação de hábitos sustentáveis, e promover a QV em suas comunidades.

            Este trabalho propõe uma atividade de EA como ferramenta para a melhoria da qualidade de vida. Através do envolvimento de uma comunidade escolar em Contagem/MG, foi exposta a problemática da degradação ambiental no mundo e proposta a implementação da educação ambiental para os adolescentes do primeiro ano do ensino médio, por meio de um programa socioambiental de visitas à Estação de Tratamento de Água (ETA) Rio Manso da COPASA (Companhia de Saneamento de Minas Gerais) em Brumadinho/MG.

         A metodologia compreendeu abordagem qualitativa, com pesquisa bibliográfica, a partir da qual se discutiu as seguintes categorias teóricas: Educação ambiental, educação ambiental nas escolas e a relação da educação ambiental com a qualidade de vida.

         A contribuição do programa para melhoria da qualidade de vida e a verificação da percepção ambiental foram verificadas através da análise de dados qualiquantitativos obtidos em questionários preenchidos pelos alunos.

         Objetiva-se com o projeto formar jovens com um novo estilo de vida, que aliem a preservação das áreas verdes nos centros urbanos, evitem o consumismo e o desperdício de recursos naturais.  Acredita-se que novo comportamento provocado pelo programa influencie diretamente na melhoria da qualidade de vida desta comunidade, pois os alunos participantes serão agentes políticos serão capazes de atuar em seus locais de vivência.

2. A EDUCAÇÃO AMBIENTAL: CONCEITOS IMPORTANTES

            A cada dia cresce a preocupação com o futuro do planeta e as questões ambientais estão diretamente relacionadas a esse futuro. Temas como a poluição das cidades, escassez de recursos naturais, aquecimento global e destruição de florestas são preocupações constantes. Tais preocupações levaram ao surgimento da EA.

            (SORRENTINO 2005) afirma que a EA é um processo educativo que leva a um saber ambiental. A EA deve ser direcionada para a cidadania ativa, pois através do sentido de pertencimento de cada cidadão, teremos ações coletivas na busca, compreensão e superação dos problemas ambientais.

            A Lei nº 9795/1999, Art. 1º da política nacional de educação ambiental (PNEA) afirma que a EA deve visar processos pelos quais os indivíduos construam valores sociais, habilidades, conhecimentos, habilidades e competências voltadas para a conservação do ambiente, de uso comum do povo, essenciais a QV e sustentabilidade.

            A EA deve proporcionar condições para que grupos em diferentes contextos sociais e ambientais interfiram de modo qualificado na gestão de recursos ambientais. A intervenção qualificada se torna um excelente instrumento da participação pública na gestão ambiental e na elaboração de políticas voltadas para este fim, como afirma (QUINTAS 2008).

            Segundo (TREIN, 2008), a EA deve incentivar a participação social na forma de ações políticas e contenha uma teoria crítica sobre as contradições do modo capitalista de produção. Deve ser aberta ao embate, visando explicitar as contradições teórico-práticas dos projetos societários.

                        (MOUSINHO, 2003) afirma que a EA que busca despertar a preocupação individual e coletiva sobre a questão ambiental. A EA deve contribuir para o desenvolvimento de uma consciência crítica em relação às questões ambientais, e deve trabalhar, além da mudança cultural, a transformação social e assumir a crise ambiental como uma questão política e ética.

3. A EDUCAÇÃO AMBIENTAL NAS ESCOLAS.

            Os temas ambientais vêm sendo introduzidos lentamente no processo ensino-aprendizagem. A aprovação da Lei nº 9.795 e do seu regulamento, o Decreto nº 4.281, que estabelece a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA), despertou a esperança os professores e ambientalistas.

            A educação brasileira trata as questões ambientais em unidades de ensino das disciplinas de Ciências, Biologia ou Química. A falta de transversalidade pode ser considerada um dos grandes desafios da educação ambiental (GUIMARÃES, 1995), pois leva a sociedade a crer que o meio ambiente faz parte da área de ciências da natureza, universo a qual poucos fazem parte, mantendo-se afastados e despreocupados da temática ambiental.

            A escola deve promover a formação de cidadãos que sejam críticos e atuem de maneira coletiva, contribuindo para a busca de soluções para os problemas ambientais. A escola, nesses novos tempos, não pode se limitar ao repasse de conteúdos, mas sim assumir o seu papel na formação de atores capazes de ter atitudes permanentes diante das causas ambientais, com questionamentos e investigação.

            Para (BRASIL, 1997), a escola deve promover, em todos os níveis, principalmente aos alunos da educação básica, a percepção de que são, simultaneamente, integrante, dependente e agente transformador do ambiente em que vive.

            (LIMA, 2004) afirma que a educação formal auxilia no desenvolvimento de valores e atitudes que sejam comprometidas com a sustentabilidade social e ecológica. A escola pode desenvolver alternativas que estimulem os alunos a posturas cidadãs, de responsabilidade, como integrantes do meio ambiente.

            A educação ambiental deve se tornar uma filosofia da educação, que esteja presente em todos os conteúdos, para deixar de ser somente uma prática educativa. Quando atingirmos tal patamar, possibilitaremos uma concepção mais ampla do papel da escola no contexto ecológico e mundial contemporâneo; como afirma (REIGOTA, 1999).

4. EDUCAÇÃO AMBIENTAL E QUALIDADE DE VIDA.   

            Fatores ambientais podem influenciar diretamente na saúde de uma população, pois estamos condicionados a elementos como variações climáticas, saneamento básico, poluição ambiental entre outros. Neste sentido torna-se importante promover a EA nas escolas, pois se cada um fizer a sua parte, poderemos tornar o coletivo mais saudável e sustentável e melhorar a QV das comunidades.

            O sistema de Bem- Estar da Escandinávia (Allardt, in Nussbaum & Sem, 1995:88) define como indicadores da QV, três verbos básicos a vida humana: Ter, amar e ser. 

Ter, refere-se às condições materiais necessárias a uma sobrevivência sem miséria.

Amar, diz sobre as necessidades de se relacionar com outras pessoas e formar identidades sociais.

Ser, refere-se à necessidade de integração com a sociedade e harmonização com a natureza. Neste sentido torna-se necessário o estimulo a E. A.

            A maioria dos problemas ambientais tem origem no indicador “TER”, pois a sua falta leva à miséria, que por sua vez é gerada por problemas políticos e econômicos. A concentração de riqueza gera desemprego e degradação do meio ambiente, segundo DIAS (1992).

                         HERCULANO (2000) lista, dentre diversos pontos indicativos da qualidade de vida no seu conjunto, aspectos ambientais.

Qualidade ambiental urbana: área verde e/ou áreas amenas urbanas per capita; distância média das moradias a essas áreas; níveis de emissão de CFC (clorofluorcarbono), de dióxido de carbono e de outros dejetos químicos; volume e qualidade da água potável disponível; destino dado ao lixo; valor de equipamentos industriais antipoluição existentes/valor da produção.

Qualidade ambiental não urbana: níveis de acidificação e de contaminação tóxica dos solos; evolução da área de desertificação em relação à área total agrícola e de florestas; taxa de desflorestamento x taxas de reflorestamento; distância da área destinada a rejeitos radioativos em relação à área de vida das populações.

 

            A Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), afirma que um ambiente saudável “é aquele que coloca em prática de modo contínuo a melhoria de seu meio ambiente físico e social utilizando todos os recursos de sua comunidade”. Neste sentido, é necessário cobrar dos dirigentes municipais propostas de leis que vão ao encontro das questões ambientais, pois só assim este objetivo será alcançado.

5. MATÉRIAIS E MÉTODOS

5.1. Caracterização da área de estudo

 

             A qualidade de vida de uma comunidade depende do ambiente em que vivem, e por isso é importante realizar a caracterização da área de estudo.

            A ETA Rio Manso em Brumadinho apresenta uma área de Proteção da Bacia: 67.000 há, área sob responsabilidade da Copasa: 9.000 há, área inundada: 1.080 há, área abastecida: Região Metropolitana de Belo Horizonte e localização: municípios de Brumadinho, Rio Manso, Itatiaiuçu, Bonfim e Crucilândia.

            Os principais contribuintes da barragem são os rios Manso e Veloso.

Figura1 - Vista Panorâmica da Área da Estação de Tratamento de Água – Rio Manso – Brumadinho - MG

Disponível em: <http://www.copasa.com.br >Acesso em 31 de out. 2016.

            O bioma encontrado na área é o cerrado. Espécies vegetais como a aroeira, braúna, peroba-rosa e jacarandá são as mais comuns.

            A fauna é adaptada ao bioma. Espécies como capivara, lobo guará e tamanduá bandeira são facilmente encontrados na área. 

            A COPASA realiza diversos trabalhos de cunho ambiental. Programas de combate e prevenção a incêndios, recuperação de rios, biossegurança institucional, recuperação de matas ciliares e programa de educação ambiental, onde a empresa recebe estudantes de todos os níveis de ensino para palestras e visitas de campo.

5.2. Metodologia

            O trabalho foi realizado através de uma proposta de projeto socioambiental feita à escola Alvimar Carneiro de Rezende (ACR) da rede SESI (Serviço Social da Indústria), Localizada no Bairro Riacho, em Contagem/MG. Os alunos do primeiro ano do ensino médio tiveram aulas sobre os principais problemas ambientais que afetam aquela comunidade, nas disciplinas de Biologia, Química e Geografia, para que o aspecto interdisciplinar fosse contemplado. Após o contato com a temática Ambiental, foram sugeridas 03 (três) opções de visitas técnicas a empresas que possuíam relação com aspectos abordados nas aulas teóricas.   A visita técnica foi escolhida através de uma eleição realizada entre os alunos. Dentre as opções dadas, a visita a COPASA foi a escolhida por 38, dentre os 40 estudantes participantes.  Os alunos visitaram a ETA da COPASA em Brumadinho, onde ocorreram trilhas ecológicas para informar e sensibilizar sobre a importância das mesmas nas áreas urbanas. Passaram por áreas de degradação ambiental próximas à estação e pelos tanques da ETA onde ocorrem as etapas de tratamento da água: coagulação, agitação mecânica, decantação e filtração. Além de estimular a observação e a interação com o meio ambiente, a visita abordou os aspectos geográficos, sociais, culturais e ambientais da ETA.  

            Ao final da visita, os estudantes se reuniram no auditório da ETA para assistir a uma palestra, esclarecer suas dúvidas e responder a um questionário qualiquantitavo sobre problemas ambientais que influenciam na qualidade de vida nas proximidades da ETA.

 

 

 

5.3 Técnicas de coleta e analise dos dados

 

                O questionário com 9 (nove) questões, sendo 5 (cinco) de múltipla escolha, e 4 (quatro) dicotômicas aplicado aos 40 estudantes participantes, forneceu dados sobre a percepção ambiental dos estudantes e também sobre a utilização da educação ambiental para a melhoria da qualidade de vida da comunidade em questão.  

            Segundo (GIL, 1999), o questionário é uma técnica de investigação composta por um número variado de questões, apresentadas por escrito as pessoas para conhecer suas opiniões, interesses, sentimentos, crenças, expectativas e etc.

            As questões de múltipla escolha apresentam vantagens, como a facilidade de aplicação, análise e tabulação de dados, porém podem influenciar as pessoas através das alternativas apresentadas. As questões dicotômicas, também apresentam vantagens, como a facilidade e rapidez na aplicação, mas podem levar a polarização das respostas, como afirma (PENNA, 2013).

Figura 2 – Chegada a Estação de Tratamento de Água Rio Manso.

Fonte: Própria, Outubro 2016.

Figura 3 – Palestra realizada pelo funcionário da COPASA

Fonte: Própria, Outubro 2016

6. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Figura 4 – Resultado dos que praticam alguma das formas de desperdício de água citadas na palestra assistida na ETA.

Fonte: Própria, Outubro 2016.

 

Tabela 1 – Indicação da principal forma de desperdício de água praticada pelos alunos.

Respostas

Quantidade

Lavar carro com a mangueira aberta.

01

Escovar os dentes com torneira aberta.

13

Levar mais de cinco minutos pra tomar com o chuveiro aberto.

20

Lavar calçadas com a mangueira aberta.

01

Lavar louças com a torneira aberta

03

Fonte: Pesquisa, 2016.

 

            Através desta questão, procurou-se avaliar a eficácia da palestra assistida na ETA em relação ao enquadramento por parte dos alunos em alguma forma de desperdício citada.

            O questionário pedia para responder sim ou não e indicar a principal forma de desperdício praticada. Como indicado pelo gráfico, 95% dos alunos se encaixaram em alguma forma de desperdício. As principais formas de desperdício citadas foram escovar os dentes com torneira aberta, citada por 13 alunos, e levar mais de cinco minutos para tomar banho com o chuveiro aberto, citada por 20 alunos. Nas questões 1 e 2 objetivou-se levar os alunos a sentir os problemas ambientais do planeta como seus, e a partir daí tornarem-se cidadãos conscientes.

 

Figura 5 – Resultado dos que consideram a visita à ETA importante para a sua mudança em relação ao uso da água.

Fonte: Própria, Outubro 2016.

 

            Nesta questão, procurou-se avaliar a eficácia da palestra assistida em relação em relação ao uso de água.

            97,5% dos alunos relataram que a partir da visita iriam observar as suas atitudes em relação ao uso sustentável da água.

            Levando em consideração as respostas, foi despertada nos alunos a consciência para o problema de escassez da água potável, considerada uma grande ameaça para vida no planeta, pois se as pessoas acreditam que a água potável não se esgota, não sentirão necessidade de alterar o seu padrão de consumo (Polli et al. 2009, citado por Tralhão, 2011).

Figura 6 – Resultado dos que verificaram alguma forma de degradação ambiental próximo a ETA.

 

Fonte: Própria, Outubro 2016.

 

 

 

 

 

 

Tabela 2 – Indicação da principal forma de degradação ambiental verificada pelos alunos próximo à ETA.

Respostas

Quantidade

Destruição de florestas.

02

Poluição da água (Esgoto a céu aberto próximo à ETA).

35

Poluição do solo.

01

Poluição atmosférica.

01

Poluição visual.

01

Fonte: Pesquisa, 2016.

 

            Nesta questão procurou-se avaliar a noção dos estudantes em relação aos danos causados pelo homem ao meio ambiente. 100% dos alunos conseguiram identificar alguma forma de degradação ambiental próximo à ETA.

            Além de responderem sim ou não, deveriam indicar qual era a principal forma de degradação ambiental verificada próximo a ETA.

            O principal motivo para a poluição da água citado na palestra, foi a falta de saneamento básico, e como próximo à ETA existia um aglomerado com esgoto a céu aberto, foi a resposta mais citada. Neste sentido, foi importante que os alunos identificassem as principais formas de degradação naquela comunidade, pois é preciso agir localmente para que global seja alcançado e assim garanta um futuro melhor para nossos descendentes.

Figura 7 – Resultado que indica os principais responsáveis pela degradação ambiental próximo à ETA.

 

Fonte: Própria, Outubro 2016.

 

                Neste item, 77,5% dos alunos indicaram que a população é grande responsável pela degradação ambiental nas proximidades da ETA, porém no percurso até a ETA foram visualizadas diversas indústrias próximas as margens dos rios, e 20% alunos fizeram esta relação.

Figura 8 – Resultado dos que consideram a educação ambiental importante na preservação dos recursos naturais.

Fonte: Própria, Outubro 2016.

 

            Através desta questão, procurou-se avaliar se a eficácia da implantação do projeto de EA na preservação ambiental.

            100% dos alunos relataram que a partir da participação no projeto iriam mudar a sua postura em relação à preservação dos recursos naturais.

            Segundo a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA) - Lei nº 9795/1999, Art 1º:

 Entendem-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade”.

 

 

 

 

 

 

 

Figura 9 – Resultado dos que acreditam que a educação ambiental é trabalhada de maneira interdisciplinar pela escola.

Fonte: Própria, Outubro 2016.

            Através desta questão, procurou-se avaliar se a educação ambiental é trabalhada de maneira interdisciplinar pela escola.

            O resultado mostrou que 92,5% dos alunos acreditam que a EA é trabalhada de maneira fragmentada. (MELLER, 1997), afirma que EA, não deve ser fragmentada, mas deve refletir a interdisciplinaridade de conteúdos e permear o currículo como um tema transversal.

Figura10 – Resultado que indica quem deveria ser o principal responsável pela educação ambiental em Contagem-MG.

Fonte: Própria, Outubro 2016.

 

            Nesta questão os entrevistados deveriam indicar quem seria o principal responsável pela educação ambiental em Contagem. 90% dos alunos indicaram que deveria ser a escola.  É importante ressaltar que a escola é de fato um excelente local para se tratar a EA, porém todos os setores da sociedade devem promover tais práticas, pois a QV é antes de tudo uma construção coletiva. ‘

             

7. CONCLUSÃO

            O objetivo deste trabalho foi verificar a percepção dos alunos em relação ao temas ambientais e a contribuição de projetos socioambientais na melhoria da qualidade de vida.

            Conclui-se que o projeto levou os alunos a refletirem sobre os hábitos de consumo da água e seu uso sustentável. A partir da realização do projeto os estudantes passaram a se preocupar com uso da água no seu cotidiano, e isso contagiou os seus familiares que passaram também a adotar comportamentos sustentáveis.

            Tomando-se como base o objetivo e a analise de resultados, fica clara a contribuição de tais projetos no processo de transformação da sociedade atual.            Projetos socioambientais despertam os estudantes para a construção de uma sociedade sustentável, que considera a natureza como um bem comum, evita o consumismo e promove condições dignas de vida para as futuras gerações. 

            A educação ambiental, através da emancipação dos atores, busca despertar o protagonismo da sociedade para induzir as transformações ambientais aguardadas. É importante ressaltar que para que os projetos socioambientais obtenham êxito precisam levar em consideração as características de cada comunidade.

            Desta forma faz-se necessária a construção de um trabalho integrado entre os diversos setores da sociedade na promoção da EA, pois só a partir daí conseguiremos efetivar as práticas interdisciplinares tão importantes na QV.

            A situação do ambiente do país resulta direta e indiretamente das políticas públicas, econômicas e sociais e não pode ser considerada independentemente dessas políticas. As políticas públicas devem basear seus planejamentos no diagnóstico da realidade local, nas necessidades da população, nos recursos disponíveis, na legislação em vigência e associadas à educação ambiental.

 

8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.

ALLARDT, in Nussbaum & Sem, (1995). The Quality of Life. New York: Oxford University, Clariton Paperbacks, 88-94.

 

BRASIL. Constituição  (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado, 1988. 168p.

 

CARVALHO, I. C. M. A invenção ecológica: narrativas e trajetórias da Educação Ambiental no Brasil. Porto Alegre: Ed. Universidade/UFRGS, 2001. 229 p.

 

CNUMAD - CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO. Subsídios técnicos para a elaboração do relatório nacional do Brasil para a [...]. Brasília: CIMA, 1991.

 

DIAS, G.F. Educação ambiental: princípios e práticas. São Paulo, Gaia, 1992

 

GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1999.

 

GRUN, M. Ética e Educação Ambiental: a conexão necessária. 2 a ed. Campinas: Papirus, 1996. 2000. 120 p.

 

GUIMARÃES, M. A dimensão ambiental na educação. 6ªed. Campinas, SP: Papirus, 1995.

 

HERCULANO, Selene C. Qualidade de Vida e Riscos Ambientais. Niterói: Eduff, 2000.

 

LEEF, E. Epistemologia ambiental. São Paulo: Cortez, 2001. 240 p.

 

MINAYO, Maria Cecília de Souza: Qualidade de vida e saúde: um debate necessário. Ciência e saúde coletiva; v. 5, n.1, PP. 7-18, 2000.

 

MELLER, Cléria B. Educação Ambiental como possibilidade para superação da fragmentação do trabalho escolar. Espaços da Escola, Ijuí, v. 4, n. 26, p. 39-49, 1997.

 

PENNA, L.F.R. Pesquisa-ação ambiental: Proposta de conscientização para uso racional dos recursos naturais e gestão de resíduos sólidos no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais, campus Governador Valadares, Minas Gerais, Brasil. Programa de Pós-Graduação. Doutorado em Gestão Ambiental. Universidad San Carlos, Assunção, Paraguai, 2013. 203p.

 

Portal da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (COPASA). Disponível em http://www.copasa.com.br >Acesso em 31 de out. 2016.

 

REIGOTA, M. A floresta e a escola: por uma educação pós-moderna. São Paulo: Cortez, 1999. 168 p.

 

SEGURA, P. S. B. Educação ambiental na escola pública: da curiosidade ingênua à consciência crítica. São Paulo: Annablume, 2001. 214 p.

 

Tralhão, Sandra Isabel Correia Serafim. (2011). Consumos e encargos: percepção vs realidade - O caso dos utilizadores domésticos de água. [Dissertação de Mestrado, apresentada na Universidade de Coimbra].

TREIN, E. S. . A perspectiva crítica e emancipatória da educação ambiental. Salto para o Futuro, São Paulo, Gaia, 2008, p. 138-145.

 

SADER, E. A ecologia será política ou não será. In: GOLDENBERG, M. org. Ecologia,ciência e política: participação social, interesses em jogo e luta de idéias no movimento ecológico. Rio de Janeiro, Revan, 1992, p. 135-42.

 

 

 

APÊNDICE

 

 

QUESTIONÁRIO DE VERIFICAÇÃO DA PERCEPÇÃO AMBIENTAL E MELHORIA 

 

DA  QUALIDADE DE VIDA APLICADO AOS ALUNOS DO SESI – ACR.

 

1 – Você pratica alguma das formas de desperdício de água citadas na palestra assistida na ETA?

      SIM.

      NÃO.

Se SIM, qual a principal forma de desperdício praticada?

      Levar mais de cinco minutos para tomar banho com o chuveiro aberto.

      Lavar louças com a torneira aberta todo tempo.

      Lavar calçadas com a mangueira aberta.

      Escovar os dentes com a torneira aberta.

      Lavar carro com a mangueira aberta.

2 – Você considera o programa de visitas à ETA importante para a sua mudança em relação ao uso da água?

      SIM.

      NÃO.

3 – Você verificou alguma forma de degradação ambiental próximo à ETA?

      SIM.

      NÃO.

4 - Se SIM, qual a principal forma de degradação ambiental verificada próximo a ETA?

      Poluição da água (Esgoto a céu aberto próximo à ETA).

      Destruição de florestas.

      Poluição atmosférica.

      Poluição do solo.

      Poluição visual.

5 – Quem é o principal responsável pela degradação ambiental próximo à ETA?

      Poder púbico.

      População.

      Indústrias.

6 – Você considera a educação ambiental importante na preservação ambiental?

      SIM

      NÃO

7 – Você considera que a educação ambiental é trabalhada de maneira interdisciplinar pela escola?

      SIM

      NÃO

8 - Quem deveria ser o principal responsável pela educação ambiental em Contagem-MG?

      Associação do bairro.

      Governo municipal.

      Escolas.  

 



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