A revista precisa do seu apoio!
Desde seu nascimento em 2002, a revista tem crescido em importância e conteúdo (59 exemplares trimestrais, + de 9 milhões os acessos, avaliação QUALIS-B1 na área de Ensino), requisitando mais dedicação dos membros da equipe, que a mantém de forma independente (sem apoio financeiro externo). Para continuarmos a desenvolver este trabalho, viemos pedir o apoio da comunidade através de doações.
Às pessoas que contribuírem enviaremos um brinde-surpresa! - Editores da revistaea.org
ISSN 1678-0701
Número 59, Ano XV.
Março-Maio/2017.
Números anteriores 
Início      Cadastre-se!      Procurar      Submeter artigo      Contato     Apresentação     Normas de Publicação     Artigos     Dicas e Curiosidades     Reflexão     Para sensibilizar     Dinâmicas     Entrevistas     Culinária     Arte e ambiente     Divulgação de Eventos     O que fazer para melhorar o meio ambiente     Sugestões bibliográficas     Educação     Plantas medicinais     Práticas de Educação Ambiental     Educação e temas emergentes     Ações e projetos inspiradores     Relatos de Experiências     Notícias
Artigos

10/03/2017
USO DE ESPAÇOS NÃO FORMAIS DE ENSINO INSTITUCIONALIZADOS: UMA PROPOSTA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO PRÁTICA INTERDISCIPLINAR NO PARQUE ESTADUAL PAULO CÉSAR VINHA/ES  
Link permanente: http://www.revistaea.org/artigo.php?idartigo=2649 
" data-layout="standard" data-action="like" data-show-faces="true" data-share="true">

USO DE ESPAÇOS NÃO FORMAIS DE ENSINO INSTITUCIONALIZADOS: UMA PROPOSTA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO PRÁTICA INTERDISCIPLINAR NO PARQUE ESTADUAL PAULO CÉSAR VINHA/ES

 

Jonatha Liprandi Jaques, graduado em Geografia pela Universidade Federal do Espírito Santo-UFES, especialista em PROEJA-IFES. Atualmente, mestrando em Geografia pela UFES. E-mail: jonathacefetes@yahoo.com.br

Msc. Magno Suprani Ramos, PhD student - PPGBAN - Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas Universidade Federal do Espirito Santo.

Departamento de Ciências Biológicas. E-mail: magnosuprani@gmail.com

 

Fabiano Gambine Diir, graduado em Educação Física pela Universidade de Vila Velha, especialista em Educação Física Escolar pela Faculdade Integradas de Jacarepaguá- FIG. E-mail: fgambine@hotmail.com

 

Angela Maria Soares, graduada em Letras Português/Frances, especialista em Gestão Escolar. E-mail: angelamsbaptista@hotmail.com

 

RESUMO

A utilização de espaços não formais na construção de conhecimento vem sendo considerada cada vez mais urgente, atraente e importante para efetivação da Educação Ambiental com a prática de ensino. A Educação Ambiental como processo educativo, contínuo e interdisciplinar coloca o aluno na oportunidade de contextualizar e problematizar o conhecimento teórico em prática investigativa. Além disso, desperta o interesse entre os alunos e oferece condições de criar uma consciência e sensibilização ecológica no cenário de desenvolvimento sustentável. Dessa forma, esse artigo propõe uma discussão interdisciplinar entre as disciplinas de Geografia, Biologia e Educação Física nas turmas de ensino médio da Escola Estadual EEEFM Adolfina Zamprogno, através de uso de espaços não formais de ensino institucionalizados no Parque Estadual Paulo César Vinha-ES.

Palavras Chave: Prática de Ensino; Construção de Conhecimento; Meio Ambiente.

ABSTRACT

The use of non-formal spaces in the construction of knowledge has been considered increasingly urgent, compelling and important for effective environmental education with teaching practice. Environmental education with education, continuous and interdisciplinary process puts the student in the opportunity to contextualize and discuss the theoretical knowledge in research practice. Moreover, arouses interest among students, and provides conditions to create an awareness and ecological awareness in the sustainable development scenario. Moreover, arouses interest among students, and provides conditions to create an awareness and ecological awareness in the sustainable development scenario. Thus, this article proposes an interdisciplinary discussion between the disciplines of Geography, Biology and Physical Education in high school classes of the State School EEEFM Adolfina Zamprogno. Through use of non-formal spaces institutionalized education in the state park Paulo Cesar Vinha-ES.

Keywords: Teaching Practice; Construction of Knowledge; Environment.

1 INTRODUÇÃO

Atualmente, as questões ambientais podem ser consideradas matéria de escola, programa de TV, bandeira política e campo científico profissional. Para compreender o surgimento dos fenômenos ambientais, é fundamental discutir o papel integrador da sustentabilidade no controle e solução dos limites de exploração do meio natural, de modo que o ambiente possa oferecer condições favoráveis e adaptáveis para presentes e gerações futuras que consistem no objetivo de criar condições de uma educação ambiental no cenário de desenvolvimento sustentável.

 Vivemos em uma cultura de risco, com causas e consequências que, muitas vezes, escapam da nossa capacidade de percepção da paisagem que nos rodeia, isto é, aumentam as evidências das relações contraditórias entre homem-natureza, que podem atingir não só a vida de quem os produz, mas também outras pessoas de forma direta e indiretamente. Trata-se de uma crise ambiental em diferentes níveis de escalas local, regional e global nunca vista na história da humanidade, que se deve à pressão dialética da sociedade sobre a natureza, com seus efeitos que tornam inapropriadas as técnicas e posturas herdadas em nossa cultura de massa (GIDDENS & PIERSON, 2000).

Para o enfrentamento desses desafios, na perspectiva de construção social e ética, podemos articular a essa discussão teórica o papel da Educação Ambiental, uma vez que é preciso desenvolver estratégias de ação integrada, descentralizada e participativa para o enfretamento dos atuais cenários, sobretudo, referentes às questões ambientais que evoluíram em diferentes espaços geográficos.

Morin (1997) destaca que nossa educação nos ensinou a separar e a isolar as coisas. Entretanto, a realidade que nos cerca é constituída de laços e interações de forma articulada, que o nosso conhecimento é capaz de aglutinar e perceber a complexidade ou a teia que une o todo. Para tanto, sendo o meio ambiente o espaço geográfico que desenvolve os elementos básicos da Educação Ambiental, que representa a interdisciplinaridade como principal tratamento ao processo de conscientização humana. Dessa forma, o papel fundamental da interdisciplinaridade é a construção de uma complexidade de conhecimento, buscando construir e superar a disciplinaridade que o torna o conhecimento imutável e sólido de uma realidade cientifica complexa (MORIN,1997).

Refletir sobre a complexidade na educação significa pensar na problematização e sistematização de fatores internos e externos na formação do sujeito. A busca pelo conhecimento requer uma aproximação dos conteúdos científicos e deles suas inter-relações do conhecimento como prática social. Dessa forma, a utilização dos espaços não formais se torna essenciais porque estabelece a integração e articulação de conhecimento interdisciplinar.

Contudo, esses espaços são fundamentais na construção de novas aprendizagens, permitindo, inclusive, a organização, o planejamento de forma sistêmica e articulado com os professores das diferentes áreas de conhecimento (POZO; CRESPO, 2009). Isso significa que a visita técnica institucional não deve ser compreendida como passeio turístico, lazer ou recreação, mas uma oportunidade de colocar os conhecimentos como uma prática social, criando uma realidade de trocas de experiências e vivências entre os estudantes e o meio ambiente que os rodeiam.

Para tanto, segundo Lorenzetti & Delizoicov (2001), os espaços não formais educativos podem ser assim definidos a partir de duas categorias: (i) Espaços não Formais Institucionais que se caracterizam por possuírem equipe técnica especializada que executa atividades monitoradas, como museus, parques ecológicos, praças de ciências, jardins botânicos, planetários e zoológicos; (ii) Espaços não Formais  Não-Institucionais que se apresentam em ambientes urbanos, rurais e naturais, uma vez que não dispõem de suportes estruturais e nem equipe técnica especializada, mas são possíveis adotar práticas educacionais, como praças, centro de cidades históricas, ruas, rios e praias.

            Diante do exposto, o uso de espaços não formais de ensino institucionalizado vai ao encontro e anseios da educação formal e ambiental, assim, tornando comum para os professores e pesquisadores em diferentes áreas de conhecimentos das ciências humanas, natureza e código e linguagens, já que favorece a articulação entre a construção de conhecimento e de aproximação entre teoria e prática, voltada na construção de sujeitos integrados e participativos nas escolas (AMADO et al., 2012).

Portanto, esse artigo propõe uma discussão interdisciplinar das disciplinas de Geografia, Biologia e Educação Física nas turmas de ensino médio da Escola Estadual EEEFM Adolfina Zamprogno. Através de uso de espaços não formais de ensino institucionalizados no Parque Estadual Paulo César Vinha-ES.

2 Educação Ambiental: Implicações e Conceitos em Espaços Não Formais de Ensino

A importância dos estudos referentes a temas ambientais está cada vez disseminada no mundo devido às preocupações com o problema ambiental. Nesse aspecto, a sociedade tem registrado um importante processo de organização e reorganização dos espaços geográficos, onde o ser humano é peça fundamental sob a égide da questão ambiental, na tentativa de resgate da sua própria essência frente à dialética sociedade-natureza (BERNARDES & FERREIRA, 2009). 

Sabemos que as crises ambientais modelam e remodelam as transformações e materializações no modo de relacionamos com o meio ambiente. Dessa forma, surgiram correntes de pensamentos tanto no campo científico, empresarial, como também, em organizações não governamentais para construção de uma conscientização ecológica, promovendo movimentos ambientalistas em várias partes do globo (BERNARDES & FERREIRA, 2009). 

Acredita-se que a Educação Ambiental seja o início para a tomada de consciência, buscando uma saída para a crise ambiental. É preciso recomeçar num processo continuo de desconstrução e reconstrução do modo de relacionarmos com o meio ambiente. Essa ruptura propõe remodelar nossas crenças, ideias e valores instituídos sob uma nova ética que percebe as relações de não separação entre homem e meio ambiente, mas a convergência inter-relacionada do sentimento de pertencimento solidário e harmonioso das relações da sociedade e natureza de forma respeitosa e equilibrada fundamental para a nossa sobrevivência (GUIMARÃES, 1995).  

No tocante, a Educação Ambiental toma corpo no cenário de discussão internacional, a partir de 1970, sobretudo, na Conferência de Estocolmo em 1972, que colocou em pauta o reconhecimento da Educação Ambiental como modelo de sustentabilidade entre os países (DIAS, 2004). O Congresso de Belgrado, promovido pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e a Cultura) em 1975, definiu a Educação Ambiental como um processo sustentável que articula princípios e orientações para um projeto mundial, levando em consideração os aspectos de uma Educação Ambiental em caráter contínuo, sistematizado e integrado entre as diversas áreas de conhecimento, principalmente, voltada para as práticas sociais sustentáveis (DIAS, 2004).

Dessa forma, segundo Gadotti (2004), a Educação Ambiental é definida como o processo que busca desenvolver uma sociedade que use os recursos naturais, com postura consciente e preocupada com os problemas que estão ligados direta e indiretamente à sociedade.

Para Reigota (1997), a Educação Ambiental seja ela de caráter formal e informal só é completa quando a pessoa toma consciência que os recursos naturais são finitos, escassos e distribuídos de maneira desigual e fragmentados nos diferentes espaços geográficos. Constituindo nessa premissa básica como referência, propõe-se que a Educação Ambiental seja um processo de formação contínuo, dinâmico, significativo, interativa, permanente e participativo, no qual as pessoas inseridas passam a serem agentes transformadores, na busca de alternativas sustentáveis para a redução de impactos ambientais e para o controle social do uso dos recursos naturais.

Nessas alternativas sustentáveis de grande importância, podemos elencar a utilização de espaços não formais de ensino, pois, segundo Keller (2016), essa proposta transcende os limites físicos da escola explorando a sensibilização e conscientização do contato e envolvimento dos alunos com a natureza que os rodeiam. Nesse sentido, Santos (1997) retrata que as contribuições dos espaços não formais de ensino institucionais promovem o interesse, provocando a curiosidade e permitindo novas formas de aprendizagens, na medida em que as trocas de experiências e vivências conduzidas pelos professores e alunos  possibilitam uma inovação de interação entre o conteúdo de sala de aula com a prática social de construção de conhecimento.

2.1 Educação Ambiental: Uma Proposta de Educação Formal e Não Formal na Educação Básica Brasileira

 As discussões em torno da Educação Ambiental no Brasil ganha notável participação em 1973, com a criação da Secretaria Especial de Meio Ambiente. Em 1981, foi dado um enorme avanço com a Lei Federal nº 6.988/1991 (BRASIL, 1991) que estabeleceu todas as bases normativas referentes à Política Nacional de Meio Ambiente. Paralelamente em seu artigo 2º, inciso X, a referida lei citada acima garante que a “Educação Ambiental deve ser instituída em todos os níveis do ensino básico, sobretudo, a educação da comunidade, a fim de capacitá-la para participação ativa em defesa do meio ambiente”.

Contudo, a Constituição de 1988, em destaque ao inciso VI do artigo 225, complementa o papel do poder público de “promover a Educação Ambiental em todos os níveis de ensino básico e a conscientização de todos para a preservação do meio ambiente”. Dessa forma, a Educação Ambiental supera suas prerrogativas legais a partir de dois arcabouços: primeiro através da implantação da Política Nacional de Educação Ambiental, tratada na Lei 9. 795/1999, que confere as linhas de ensino com atuação formal e não formal, e o segundo refere-se à orientação curricular construída pelo MEC, que tendo sua base estrutural pelos PCN’s (Parâmetros Curriculares Nacionais, 1998), trata o tema Meio Ambiente como uma temática de Educação Ambiental transversal (SANTOS, 2000).        

Segundo Santos (2000), temas transversais na perspectiva da Educação Ambiental devem constituir num debate teórico, mas também nas trocas de experiências e vivências na proposta pedagógica de cada unidade de ensino, oferecendo a maior diversidade de práticas na tentativa construtivista do papel da interdisciplinaridade que compõem as diferentes realidades cotidianas. 

Paralelamente no estado do Espírito Santo, a Política Estadual de Educação Ambiental, tratada na Lei nº 9.265/2009, define os princípios, objetivos, competências e habilidades que dão suporte à Secretária Estadual de Educação (SEDU, 2016). Conforme menciona a Lei em seu artigo 14, estabelece que a Política Estadual de Educação Ambiental, na educação, básica será organizada mediante os currículos e atividades extracurriculares em instituições públicas oficiais e privados, englobando as importantes modalidades de ensino como: i - educação básica (educação infantil, ensino fundamental e médio); ii - educação especial, educação a distância, educação profissional e tecnológica, educação de jovens e adultos, educação do campo e educação indígena.

Portanto, no artigo 16 da Lei estadual nº 9.265/2009 (SEDU, 2016), a Educação Ambiental deve estar articulada “em todos os níveis e modalidades de ensino, constituindo-se uma prática educativa contínua, permanente e integrada aos projetos educacionais e incorporada ao Projeto Político Pedagógico das unidades de ensino”.

3 MATERIAIS E MÉTODOS

Diante da pesquisa empreendida com rigor teórico e metodológico, foi necessário iniciar este estudo a partir de um levantamento teórico conceitual da área de interesse, no que tange a área da Educação Ambiental, utilizando os espaços não formais de ensino e a interdisciplinaridade com base nos artigos de periódicos, dissertações, teses, livros, dados de instituições públicas oficiais, boletins e informações institucionais obtidos em meio eletrônico e uma pesquisa de campo.

A pesquisa foi realizada no dia 08 de agosto de 2016, com alunos do ensino médio, com idade entre 15 a 18 anos, onde um total de 52 alunos foram abordados, o que equivale 11,6% do total de 445 alunos matriculados neste ano letivo no período matutino da Escola de Ensino Fundamental e Médio Adolfina Zamprogno, localizado no Bairro Vila Garrido, no Município de Vila Velha, Estado do Espírito Santo. 

A visita técnica institucional foi realizada a partir do agendamento com dois meses de antecedência no site do Instituo Estadual de Meio Ambiente - IEMA (sítio eletrônico: http://www.meioambiente.es.gov.br/). A escolha do Parque Estadual Paulo César Vinha levou em consideração a proximidade do município, com o intuito de promover a construção convergente de teoria com prática social, a fim de identificar a percepção social e ambiental dos alunos e dos professores das disciplinas de Geografia, Biologia e Educação Física, para estabelecer uma articulação interdisciplinar.

O Parque Estadual Paulo César Vinha foi criado pelo decreto nº 2.993-N de 1990, com a denominação inicial de Parque de Setiba. Entretanto, por meio da Lei nº 4.903 de 1994, passou a ser chamado de Parque Estadual Paulo César Vinha, em homenagem ao biólogo Paulo César Vinha, assassinado em 1993, por defender a área do parque contra a extração ilegal de areia (IEMA, 2016).

O Parque abriga espécies da flora e fauna da Mata Atlântica ameaçadas de extinção como a pimenteira rosa e o ouriço preto, além de espécies endêmicas como algumas perecas e libélulas (IEMA, 2016). A Lagoa de Caraís é sua principal atração. O Parque é circundado pela Área de Proteção Ambiental (APA) de Setiba, que funciona como sua zona de amortecimento e visa conservar a região marinha do arquipélago das Três Ilhas (IEMA, 2016) (Figura 1).

 


Figura 1: Área de Proteção Ambiental. Fonte: www. Avidepa.org.br

A proposta de educação ambiental, como prática interdisciplinar no parque estadual Paulo César Vinha/ES, teve início por causa da necessidade de articular as áreas de conhecimento ciências humanas (Geografia), ciências da natureza (Biologia) e código e linguagens (Educação Física), com base numa perspectiva interdisciplinar. Nesse caso específico, relacionar o tema Educação Ambiental com a construção de conhecimento como prática social (Quadro 1 e 2).

Quadro 1: Relações das ações interdisciplinares a serem executadas tendo como base o Currículo Básico Comum para o Estado do Espírito Santo.

Ação a ser executada

Visita institucional acompanhada pelo monitor e os professores envolvidos no Parque Estadual Paulo César Vinha.

Disciplinas envolvidas

Geografia, Biologia e Educação física.

Tema Interdisciplinar

Educação Ambiental.

Habilidades interdisciplinar

·         Explicar as principais mudanças ocorridas no meio natural do Parque.

·         Avaliar propostas de intervenção no ambiente, considerando a qualidade da vida e medidas de conservação, preservação e recuperação da biodiversidade.

·         Introduzir questões interdisciplinares.

 

Competência interdisciplinar

·         Analisar as questões que envolvem o meio ambiente, compreendendo suas complexidades e processos.

·         Associar intervenções que resultam na conservação ambiental e das coleções associadas a elas.

·         Analisar as questões que envolvem a história natural do Parque.

Referências Bibliográficas

·         BRASIL, Ministério da Educação e do Meio Ambiente. Consumo sustentável: manual da educação. Brasília. 2005.

·         SEDU. Situando a EA na SEDU. Disponível em:

http://www.educacao.es.gov.br/default.asp. Acesso em 30 agosto de 2016.

Fonte: Currículo Básico Comum para o Estado do Espírito Santo (2016).

Elaboração: os autores/2016.

Quadro 2: Recursos necessários e cronograma de execução das ações:

Ação desenvolvida

Visita Institucional

Trimestre/mês

2º trimestre/ Agosto

Recursos necessários

Ônibus, vestimenta adequada ao Parque, Lanche e

Ingresso

Roteiro

·        Saída prevista da cidade de Vila Velha por volta de 07: 30h do dia 08/08/2016;

·        Chegada ao Parque às 8:00. (Recepção do Parque);

·        Praia dos Caraís (Ponto Final), horário de chegada às 9h:00

·        Término da visita às 11h:00;

·        Retorno às 11h:20min;

·        Chegada a Escola às 12h:00.

 

 

Fonte: Currículo Básico Comum para o Estado do Espírito Santo (2016).

Elaboração: os autores/2016.

Após a visita institucional, foi aplicado um questionário contendo perguntas abertas e fechadas. Todos os entrevistados, apenas os que estiveram no Parque, foram abordados durante as aulas de Geografia para o preenchimento das perguntas, as respostas do questionário forma realizadas sem a identificação nominal dos alunos. Tal procedimento teve como fundamento o método convencional em transformar dados quantitativos e informações qualitativas, uma vez que permite ao pesquisador abranger os resultados de forma mais concisa e objetiva de identificar a percepção socioambiental dos alunos no processo de conscientização e sensibilização da proposta da pesquisa, conforme a (Tabela 1).

Tabela 1: Metodologia de Convenção de dados quantitativos em qualitativos

Método de convecção de dados quantitativos em qualitativos

Categoriais

Dados Quantitativos

Dados Qualitativos

Ruim

0-25%

Ruim

Regular

25- 50%

Regular

Bom

50-75%

Satisfatório

Excelente

75-100%

Super-Satisfatório

Fonte: Maria Margarida Andrade (1993). Modificado pelos autores/2016.

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

            Logo abaixo, encontram-se as figuras representadas por gráficos obtidos com base no questionário aplicado aos alunos entrevistados após a visita institucional no Parque Estadual Paulo César Vinha. A visita institucional contou com a participação de 52 alunos, que foram identificados com relação ao gênero, (Figura 2).

Figura 2: relações de gêneros dos participantes da visita institucional.

            Percebe-se que a participação do sexo feminino foi superior correspondendo a 54%, seguida dos 46% do sexo masculino.

Com relação à recepção do parque, o resultado demostrou ser satisfatório, uma vez que respeitou o horário de funcionamento, a presença do monitor no horário previsto e também dos responsáveis do parque, (Figura 3).

Figura 3: Dados referentes a recepção dos funcionários do parque.

Elaboração: os autores/2016.

             A pesquisa revela que os alunos consideraram a recepção do parque como excelente, representando o percentual de 63%; seguida de 32% bom; 1,9% regular e 1,9% ruim. Este percentual demonstra que o parque tem certa preocupação em atender os visitantes de forma objetiva e com certo grau de responsabilidade de funcionamento.

            Com base na orientação do monitor, a pesquisa revelou ser satisfatória, já que toda a orientação das informações necessárias para a visita ao parque foi tratada com extrema experiência e responsabilidade, visto que a instituição conta com monitores especializados e familiarizados com temas ambientais (Figura 4).

Figura 4: Dados referentes a orientação do monitor do parque.

Elaboração: os autores/2016.

            Percebe-se que os alunos (as) concluíram o resultado como excelente, de acordo a orientação do monitor 65%, seguida de 30% bom, 1,9% regular e 1,9% ruim. Isso revela o bom conhecimento tanto teórico e prático do monitor, pois transmite domínio científico seguro sobre o meio ambiente na qual a visita institucional está inserida (Figura 5).


Figura 5: Orientação do monitor na entrada do Parque.

Fonte: Arquivo pessoal dos autores/2016.

            Com relação ao percurso do parque de 2,5 km, os alunos (as) concluíram os resultados como satisfatórios a distância desde a recepção até a lagoa dos caraís (Figura 6 e 7). O gráfico mostra que 28% dos entrevistados consideraram excelente, 65% bom, 3,8% regular e 1,9% ruim. Importante ressaltar que o percurso apresenta superfície plana, circundada por flora e fauna de ambiente de restinga e se localiza próxima ao mar, onde não identificamos problemas significativos no percurso, com ressalva apenas aos aspectos relacionados ao horário, em virtude da radiação solar e do calor acentuado.

Figura 6: Dados referentes ao percurso do parque.

Elaboração: os autores/2016.


Figura 7: Percurso do Parque. Fonte: Arquivo pessoal dos autores/2016.

Com relação a paisagem do parque, os alunos (as) concluíram como super- satisfatório a beleza natural do parque, sendo que a maioria constatou 82% como excelente e 18% bom. Importante mencionar o quanto é significativo a sensibilização e conscientização para construirmos uma Educação Ambiental significativa e continua, assim, o parque revela sua bandeira ecológica a conservação e preservação da natureza, (Figura 8).

Figura 8: Dados referentes a paisagem do parque. Elaboração: os autores/2016.

Com relação à distribuição das lixeiras, os entrevistados concluíram que o resultado é regular (Figura 9):

Figura 9: Dados referentes a distribuição das lixeiras do parque.

Elaboração: os autores/2016.

Os resultados revelaram que 36% dos entrevistados acharam excelentes as distribuições das lixeiras, seguidos de 34% bom, 23% regular e 7% ruim. Dessa forma, a distribuição das lixeiras durante o percurso não apresentou um resultado contundente, pois, as distâncias entre elas podem contribuir para uma maior produção de resíduos sólidos no parque. 

            No que se refere à relação interacional no parque, os entrevistados afirmaram que é um espaço satisfatório para o envolvimento social dos alunos (as) (Figura 10).

 

Figura 10: Dados referentes a interação no parque.

Elaboração: os autores/2016.

Verificou-se, também, que os entrevistados consideraram que 40% acharam excelentes, 52% bom, 3,8% regular e 3,8% ruim. O resultado dessa abordagem é muito interessante, pois, revela que as visitas fora do ambiente escolar, principalmente, o uso de espaços não formais de ensino institucional no parque estadual Paulo César Vinha, foram importantes para estimular a percepção e a motivação socioambiental.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

            A questão ambiental está cada vez presente no cotidiano escolar, principalmente, na sociedade atual, sendo que as mudanças comportamentais, atitudinais são importantes para construirmos uma Educação Ambiental ativa, significativa, contínua e interdisciplinar. A educação escolar e familiar, enquanto forma de conhecimento, é adquirida ao longo de nossas experiências e vivências com o mundo que nos rodeiam.  Dessa forma, o uso de espaços não formais de ensino institucionais estimula a curiosidade, oferecendo a oportunidade atrativa e criativa, pois, a ausência de laboratórios, quadras e áreas verdes nas escolas públicas desestimulam o interesse e o prazer pelas aulas tradicionais, ditas expositivas. 

            As atividades práticas, tendo como tema a Educação Ambiental no Parque Paulo César Vinha, foram consideradas satisfatórias. Os resultados obtidos se mostraram motivadores e importantes para construção da conscientização e sensibilização dos educandos. Todos os entrevistados demonstraram que têm interesse e motivação em atividades fora do ambiente escolar. Contudo, os resultados revelaram que as utilizações de espaços não formais de ensino institucionais fortaleceram a interação e participação ativa entre os educandos e o meio natural vivenciados no parque, pois, 100% dos alunos visitaram o parque pela primeira vez e gostariam de retornar.

Portanto, a implantação da Educação Ambiental é necessária, sendo esta pautada para os usos dos recursos naturas de maneira racional, criando um controle e proteção do meio natural. Dessa forma, a escola e o Parque Paulo César Vinha tiveram o papel articulado para formação e alfabetização ecológica e, juntos, têm a função de exercer o ensino e aprendizagem de maneira descentralizada, integrada e participativa, construindo uma Educação Ambiental, por meio de uma postura interdisciplinar de conscientização, sensibilização de todos os atores envolvidos para ruptura ou mesmo uma mudança de comportamento para criarmos o uso responsável dos recursos naturais, buscando sempre a preservação e conservação da natureza.

6  REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS                                                  

ANDRADE, M. M. Introdução à Metodologia de Trabalho Científico. 6ª edição, Editora Atlas, 1993.

AMADO, Manuela Villar; CAZAROTO, Rafaela Barreto; ALENCAR, Isabel de Conte Carvalho. Educação ambiental: legislação e considerações sobre sua pratica em espaço não formal de ensino. In: LEITE, Sidnei Quezada Meireles. Práticas experimentais investigativas em ensino de ciências. Vitória: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo, 2012.

ASSOCIAÇÃO VILA-VELHENSE DE PROTEÇÃO AMBIENTAL. www.avidepa.org.br/barrasup.php.

BERNARDES, J. A; FERREIRA, F. P de M. Sociedade e Natureza. In: Cunha, S. B. da; Guerra, A. J. T. (orgs). A questão Ambiental: diferentes abordagens. 5ª ed. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2009.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília: Senado Federal, Subsecretaria de Edições Técnicas, 1991.

_______. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Temas Transversais. Brasília: MEC/SEF, 1998. 436 p.

_______. Ministério da Educação e do Meio Ambiente. Consumo sustentável: manual da educação. Brasília. 2005.

DIAS, Genebaldo Freire. Educação Ambiental: princípios e práticas. 9a ed. São Paulo.  Gaia, 2004.

GADOTTI, M. Agenda 21 e Carta da Terra. In: HAMMES, V. S (Org.). Construção da Proposta Pedagógica. São Paulo: Editora Globo. EMBRAPA, 2004, p. 22-32.

 

GIDDENS, A. & PIERSON, C. (2000). Conversas com Anthony Giddens. Ed. FGV, Rio de Janeiro.

GUIMARÃES, M. (1995). A Dimensão Ambiental na Educação. Papirus, Campinas.

 

INSTITUTO ESTADUAL DE MEIO AMBIENTE/IEMA. Unidades de Conservação. Disponível em: http://www.meioambiente.es.gov.br/default.asp. Acesso em: 22 jul. 2016.

 

KELLER, M. A Importância da Aula de Campo no Ensino de Ciências. Disponível em http://www.webartigos.com. Acesso em 15 de agosto. 2016.

LORENZETTI, Leonir; DELIZOICOV, Demétrio. Alfabetização Cientifica no Contexto das Séries Iniciais. Ensaio. Pesquisando em Educação em Ciências, Belo Horizonte, v. 03, n.03, p. 37-50, 2001.

MORIN, E, (1997). Complexidade e ética da solidariedade. In: CASTRO, G. de; CARVALHO, E. de A.; ALMEIDA, M. C. de (Coord.). Ensaios de Complexidade. Sulina, Porto Alegre, 15-24.

REIGOTA, M. Desafios à educação ambiental escolar. In: CASCINO, F.; JACOBI, P.; OLIVEIRA, J. F. (orgs.) Educação, meio ambiente e cidadania: reflexões e experiências. São Paulo: SMA/CEAM, 1997.

 

SANTOS, F. M.T. Afeto, emoção e motivação: uma nova agenda para a pesquisa em ensino de Ciências. In: I ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM ENSINO DE CIÊNCIAS, 1997, Águas de Lindóia. Anais. Porto Alegre: IF/UFRGS, 1997, p. 249-255.

 

SANTOS, S. A. M. Reflexões sobre o panorama da dimensão ambiental no
ensino formal. In: Oficina de trabalho Panorama da Educação Ambiental no Ensino Fundamental, 2000, Brasília: MEC, SEF, p. 33-37. 149 p.

 

SEDU. Situando a EA na SEDU. Disponível em: http://www.educacao.es.gov.br/default.asp. Acesso em 30 setembro. de 2016.

 

_________. Currículo Básico para o Estado do Espírito Santo. Disponível em: http: www.educacao.es.gov.br/default.asp. Acesso em 30 de setembro d 2016.

POZO, Juan Ignácio; CRESPO, Miguel Ángel Gómez. A aprendizagem e o ensino de ciências: do conhecimento cotidiano ao conhecimento científico. 5ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2009.

 



" data-layout="standard" data-action="like" data-show-faces="true" data-share="true">
 
Início      Cadastre-se!      Procurar      Submeter artigo      Contato     Apresentação     Normas de Publicação     Artigos     Dicas e Curiosidades     Reflexão     Para sensibilizar     Dinâmicas     Entrevistas     Culinária     Arte e ambiente     Divulgação de Eventos     O que fazer para melhorar o meio ambiente     Sugestões bibliográficas     Educação     Plantas medicinais     Práticas de Educação Ambiental     Educação e temas emergentes     Ações e projetos inspiradores     Relatos de Experiências     Notícias