ISSN 1678-0701
Número 51, Ano XIII.
Março/2015.
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Artigos

No. 51 - 12/03/2015
EDUCAÇÃO AMBIENTAL PODE SER UMA BRINCADEIRA DE CRIANÇA  
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EDUCAÇÃO AMBIENTAL PODE SER UMA BRINCADEIRA DE CRIANÇA

 

 

KARLA FERNANDA BARBOSA BARRETO1

ELIENE SILVA LIMA2

ISIS TAHIANE SILVA ASSIS3

 

 

1-    Graduada em Ciências Biológicas Licenciatura, Especialista em Empreendedorismo para Docentes, Mestre em Meio Ambiente e Desenvolvimento e Coordenadora do Programa Recuperação Ambiental da empresa Enseada Indústria Naval. Email: karla.barreto@enseada.com

2-    Agente Ambiental da empresa Enseada Indústria Naval. Email: eliene.lima@enseada.com

3-    Bacharel em Relações Internacionais, Tecnóloga em Gestão Ambiental, Especialista em Desenvolvimento Sustentável e Analista Ambiental da empresa Enseada Indústria Naval. Email: Isis.assis@enseada.com

 

 

RESUMO

 

Ações de Educação Ambiental são necessárias para sensibilizar as pessoas a respeito dos impactos causados pelas atividades antrópicas. É nesse contexto que órgãos ambientais têm solicitado aos empreendimentos que as ações supracitadas sejam incluídas como condicionantes para a liberação das licenças ambientais. Este artigo cita o desafio de trabalhar Educação Ambiental com crianças e adolescentes de uma forma mais lúdica e menos enfadonha. Para isso foram criados, jogos, brincadeiras e apresentações de fantoches voltados para as questões ambientais.

 

Palavras-chave: educação ambiental, atividade lúdica.

 

INTRODUÇÃO

 

As questões ambientais vêm adquirindo uma grande importância na nossa sociedade. Estudos acerca dos problemas ambientais surgem a partir de novos paradigmas que visam uma direção mais sistêmica e complexa da sociedade (MEDEIROS et al., 2014).

 

É nesse contexto que os órgãos ambientais têm solicitado às empresas, estudos mais detalhados a respeito dos impactos causados ao meio ambiente e, consequentemente, criado condicionantes para a construção e operação dos empreendimentos.

 

A Enseada Indústria Naval é uma empresa que está construindo um estaleiro no interior da Bahia com o objetivo de produzir grandes navios. Uma das condicionantes desta empresa é trabalhar ações de Educação Ambiental em suas áreas de atuação e entornos a fim de sensibilizar as comunidades em relação às questões ambientais

A meta da educação ambiental é desenvolver uma população mundial que esteja consciente e preocupada com o meio ambiente e com os problemas que lhe são associados, e que tenha conhecimento, habilidade, atitude, motivação e compromisso para trabalhar individual e coletivamente na busca de soluções para os problemas existentes e para a prevenção de novos problemas (DIAS, 2003).

 

O grande desafio é a forma de trabalhar Educação Ambiental com um público tão diferenciado: crianças, jovens e adultos. Após observações feitas em apresentações realizadas anteriormente, percebeu-se que a utilização do datashow e cartilhas em palestras sobre meio ambiente não estavam atraindo a atenção das crianças e adolescentes. Para isso foi necessário rediscutir o modelo utilizado e pensar em algo mais dinâmico e adequado ao cenário a ser trabalhado: escolas municipais da Zona Rural de Maragojipe na Bahia.

 

MÉTODOS E DISCUSSÕES

 

A primeira modificação a ser feita foi programar as atividades de acordo com a faixa etária dos alunos. Concluiu-se que os menores, entre 05 a 08 anos, não conseguiam prestar muita atenção a uma apresentação de Power Point e que o aprendizado é muito pequeno, pois a maioria deles não sabe ou tem dificuldade de ler, o máximo que se conseguia era alguns olhares para as figuras e desenhos, mas nada que “prendesse” a atenção. Por isso, optou-se por atividades mais lúdicas e com menos conteúdos.

 

Principiar esse processo educativo e transformador ainda na infância faz com que a criança internalize a importância do cuidado pelo meio ambiente. As atividades relacionadas à Educação Ambiental permitem um melhor engajamento ambiente-criança, promovendo criatividade, participação e iniciativa, além de uma boa interação social (ELALI, 2003).

 

A opção para o grupo dos “pequenos” foi realizar uma apresentação de teatro de fantoches (figura 01) e jogo da memória com poucas figuras para não dificultar a brincadeira. Ambas as atividades estavam voltadas para o tema trabalhado (Ética e Desenvolvimento Humano: viajando na história do ser humano e da natureza). Em relação ao teatro de fantoches, muitas crianças nem sabiam o que era um teatro, o encantamento ficou nítido em seus olhares e reações, elas respondiam às perguntas como se tudo fosse apenas uma grande brincadeira. Depois era conversado sobre o tema do teatro e a atividade era finalizada com o jogo da memória (figura 02).

 

A educação ambiental deve apresentar uma perspectiva holística, enfocando a relação entre o ser humano, a natureza e o universo de forma interdisciplinar. Para isto, muitas técnicas lúdicas são utilizadas como métodos para desenvolver a Educação Ambiental, tais como jogos, oficinas, aulas de campo e peças teatrais (GUARIM, 2002).

 

 

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Figura 01 – Encantamento das crianças ao verem pela primeira vez um teatro de fantoches. Escola Municipal Meneleu Batista Soares. Maragojiepe/BA, maio de 2014.

 

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Figura 02 – Aplicação de jogo da memória na Escola Municipal Meneleu Batista Soares. Maragojiepe/BA, maio de 2014.

 

 

Quanto aos alunos com mais de 08 anos, neste caso a faixa etária é de 09 a 15 anos, percebeu-se que já é possível utilizar o Power Point, desde que a apresentação seja bastante ilustrada, com o mínimo de texto possível e que não ultrapasse os 20 minutos. Com o objetivo de haver um maior aprendizado, as atividades foram divididas em dois momentos: palestra e gincana. A gincana foi realizada uma semana após a palestra, para que as crianças pudessem ler e entender a cartilha que receberam sobre o tema.

Durante a apresentação de Power Point havia um intervalo onde era realizado um pequeno jogo de balões (figura 03): as crianças eram divididas em dois grupos, onde um teria que estourar o balão do outro. Dentro dos balões existiam frases falando sobre o tema, aquele que conseguisse a frase, deveria ler para toda a turma e como recompensa, ganharia um brinde. No final da apresentação realizava-se o jogo do certo/errado (figura 03), onde os alunos levantavam plaquinhas com indicações positivas ou negativas a respeito da frase lida pelo monitor, ganhava a brincadeira quem levantasse todas as placas corretas.

 

 

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Figura 03 – Aplicação de dinâmicas do balão e jogo do certo/errado na Escola Municipal Meneleu Batista Soares. Maragojiepe/BA, maio de 2014.

 

O segundo momento, a gincana, consistiu nas seguintes atividades:

- apresentação de parodias: as duas equipes deveriam escolher uma música e modificar a letra com o tema Ética e Desenvolvimento Humano;

- jogo de caça palavras (figura 04): deveriam achar palavras em um tabuleiro sobre o tema trabalhado;

- jogo da memória (figura 04);

 

 

 


 

Figura 04 – Aplicação do caça palavras e jogo da memória. Maragojipe/BA, junho de 2014.

 

- brincadeira de perguntas e respostas com balões (figura 05): cada participante das equipes segurava um balão, dentro dos balões tinha uma pergunta relacionada ao tema. A equipe que primeiro estourasse todos os balões sem o auxilio das mãos era vencedora e quem acertasse a pergunta ganharia mais pontos para equipe;

- acerte o desenho (figura 05): são retiradas do tema quatro palavras para cada equipe, o aluno teria que fazer um desenho correspondente ao que leu e os outros membros teriam que adivinhar.

 

 


Figura 05 – Aplicação do jogo dos balões e jogo da acerte o desenho. Maragojipe/BA, junho de 2014.

 

- brincadeira do velcro (figura 06): cada equipe posicionada em circulo sobre o feltro, em 03 minutos, teria que grudar no velcro as perguntas com suas respectivas respostas. Para cada pergunta acertada um ponto, no final ganhava a equipe que mais acumulou pontos.

 

 

 

- jogo da sorte (figura 06): as equipes teriam que escolher dois membros, um para jogar o dado e outro para jogar no tabuleiro numerado. Entre alguns números tinham perguntas relacionadas ao tema que, quando respondidas de forma correta, faziam avançar algumas casas. Ganhava o jogo quem chegasse ao final do tabuleiro primeiro.

 

 

 


Figura 06– Aplicação do jogo do velcro e jogo da sorte. Maragojipe/BA, junho de 2014.

 

 

A intenção de organizar a gincana foi criar um estímulo para que as crianças e os adolescentes lessem a cartilha. Durante as atividades foi possível perceber que a maioria deles leu e prestou atenção ao conteúdo. O primeiro encontro, a apresentação, serviu como o contato inicial com a cartilha e explicações sobre como funcionaria a gincana.

 

Técnicas que se utilizam de atividades lúdicas, onde segundo Luckesi o ser humano vivencia uma experiência plena, que não admite divisões, contribuem no processo de assimilação de temas ligados ao meio ambiente e possivelmente, fortalecendo a via de construção para uma nova relação sociedade-ambiente (GONZALEZ et al., 2007).

 

Acredita-se que o objetivo desta ação foi atingido à medida que os conceitos voltados para Educação Ambiental foram transmitidos e assimilados de uma forma mais “leve”, pode-se dizer que foi uma forma de aprender brincando.

 

 

 

 

CONCLUSÃO

 

Nestes encontros ficou nítido que houve aprendizado e que, desta forma, é possível agregar novos aliados para as questões ambientais. No entanto, é necessário ressaltar que não há fórmulas para se trabalhar com pessoas. Esse trabalho foi elaborado após insucessos com experiências anteriores em escolas na zona rural, ao verificar que tais estudantes possuem dificuldade em ler. Talvez, em outras escolas da zona rural ou de áreas urbanas, os estudantes não se interessem por jogos de tabuleiros e prefiram um material mais informatizado.

Ou seja, o planejamento para a realização das ações de Educação Ambiental deve ser pensado e baseado na realidade da comunidade, levando em consideração o contexto sócio-cultural em que a mesma está inserida e os interesses de cada região.

 

DIAS, G.F. Educação Ambiental: Princípios e Práticas. São Paulo: Gaia, 2003.

 

ELALI, G. A. O ambiente da escola- o ambiente na escola: uma discussão sobre a relação escola-natureza em educação infantil. Estudos de Psicologia, v.8, n.2, p. 309-319, 2003.

 

GONZALEZ, L. T. V.; TONOZI-REIS, M. F. C.; DINIZ, R. E. S. Educação Ambiental na comunidade: uma proposta de pesquisa-ação. Revista Eletrônica do Mestrado em Educação ambiental, v. 18, p. 379-398, 2007.

 

 

GUARIM. V. L. M. S. Barranco Alto: Uma experiência em educação ambiental. Mato Grosso. Editora da Universidade Federal de Mato Grosso. 2002

 

MEDEIROS, M.C.S.; RIBEIRO, M.C.M.; FERREIRA, C.M.A. Meio ambiente e educação ambiental nas escolas públicas. Âmbito Jurídico, Rio Grande, XIV, n.92, set 2011. Disponível em <http://www.ambitojuridico.com.br/site/?n_link=%20revista_artigos_leitura&artigo_id=10267&revista_caderno=5> Acesso em junho de 2014.

 

 



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