ISSN 1678-0701
Número 40, Ano XI.
Junho-Agosto/2012.
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No. 40 - 04/06/2012
Projeto Sábado Esperto: Educação Ambiental no Bosque Rodrigues Alves – Jardim Botânico da Amazônia, Belém - PA  
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Projeto Sábado Esperto: Educação Ambiental no Bosque Rodrigues Alves – Jardim Botânico da Amazônia, Belém - PA

 

 

 

 

LIDIA COSTA DA SILVA

Bióloga, funcionária do BRAJBA. Av. Almirante Barroso nº 2453 - Bairro do Marco. CEP: 66.093-020.

 

LETICIA CARNEIRO DA CONCEIÇÃO

Mestranda em Educação pelo PPGED/ICED/UFPA, professora da SEDUC/PA, participante da Sala Verde Pororoca: espaço socioambiental Paulo Freire

 

ANDRÉ RIBEIRO DE SANTANA

Doutorando em Educação em Ciências e Matemáticas pelo PPGECM/IEMCI/UFPA, professor da SEDUC/PA, participante da Sala Verde Pororoca.

 

LUIZA NAKAYAMA

Professora do mestrado e do doutorado em Educação em Ciências e Matemáticas do IEMCI/UFPA e em Educação do ICED/UFPA, coordenadora da Sala Verde Pororoca.

Autor para correspondência: Luiza Nakayama, lunaka@ufpa.br, fones: (91) 3201-8415. Universidade Federal do Pará, Campus Universitário do Guamá. Instituto de Ciências Biológicas - Campus Básico. Rua Augusto Corrêa, nº 1, Belém-PA/ 66075-110.

 

RESUMO

 

Com o objetivo de ampliar ações de Educação Ambiental (EA) no Bosque Rodrigues Alves – Jardim Botânico da Amazônia (BRAJBA), através do Projeto Sábado Esperto (PSE), realizamos quatro encontros para alunos de uma escola pública de ensino fundamental de Belém. Consideramos que a parceria entre a escola e o BRAJBA foi importante para ambos, pelas qualidades educacionais, culturais e sociais, das atividades desenvolvidas.

 

Educação Ambiental não-formal em logradouros públicos de Belém

 

O Bosque Rodrigues Alves, criado em 25 de agosto de 1883, foi idealizado com o objetivo de preservar o ambiente natural na área urbana da cidade de Belém. Em 2003, foi transformado em Jardim Botânico, com o nome atual de Bosque Rodrigues Alves-Jardim Botânico da Amazônia (BRAJBA) e está sob a administração da Secretaria Municipal de Meio Ambiente-SEMMA (MACIEL; SOUZA; PIETROBOM, 2007). O BRAJBA realiza eventos esporádicos que tratam de temas ambientais e/ou culturais amazônicos, os quais atraem muitos visitantes (BARTMANN, 2005).

Além do BRAJBA, o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) através do seu serviço de educação, oferece atendimento orientado para as escolas e centros comunitários, campanhas educativas, visitas ecológicas, entre outros. No Relatório do MPEG (2005) foram citados vários projetos de EA, desenvolvidos com recursos externos e com parcerias interinstitucionais.

No Parque Ambiental de Belém (PAB), localizado na área dos mananciais que abastecem Belém, são desenvolvidas ações em EA. Por exemplo, Carvalho Jr. et al. (2008), no “Projeto peixes da Amazônia”, verificaram que as atividades em campo utilizando os peixes ornamentais do PAB foram importantes, pois: permitiram a compreensão direta, empírica e intuitiva de problemas observados no local; oportunizaram o conhecimento de aspectos ecológicos dos peixes coletados e dos transtornos causados por ações antrópicas, favorecendo o comprometimento pessoal com os ideais ecológicos. Baía et al. (2009) concluíram que teatro de fantoches foi a mais eficiente abordagem lúdica para aprendizagem em EA, principalmente para alunos de séries iniciais.

Em vista do exposto, o objetivo do presente trabalho foi ampliar as ações de EA no BRAJBA, através do Projeto Sábado Esperto (PSE), enfocando temas polêmicos relacionados à saúde e à cidadania.

 

 

2. CAMINHOS METODOLÓGICOS

 

Para a realização do PSE, selecionamos uma escola pública estadual de Belém/PA, cujo Projeto Político Pedagógico incluísse temáticas ambientais, relacionadas aos anseios da comunidade escolar. Após o primeiro contato com a equipe gestora, consultamos o corpo docente acerca desse Projeto.

A escolha da 6ª série do ensino fundamental ocorreu pela conjunção de temáticas pertinentes ao PSE, percebidas após análise dos Planos de Ensino da disciplina de Ciências para todo o ciclo, elaborados de acordo com os princípios norteadores da Escola. Além disso, procuramos sugerir temas que permitissem os alunos “participar de forma ativa perguntando, buscando os diferentes pontos de vista, formulando respostas, hipóteses, ou seja, significa agir como um observador que sabe ‘ler’ as relações naturais e sociais que constituem os fatos ambientais” (CARVALHO, 1998, p.25) e, portanto, atendessem aos PCN (BRASIL, 1998), no sentido de que os alunos pudessem estabelecer ligações entre o que já conhecem, o que aprendem e a sua realidade cotidiana para que, assim, as informações pudessem sensibilizar e provocar o início de um processo de mudança de comportamento.

A seguir, convidamos os alunos das 6ª séries para participarem das ações propostas. A Escola incluiria a programação em suas atividades curriculares e a contrapartida da SEMMA seriam os contatos prévios e a cessão da entrada para o BRAJBA, o transporte e o lanche para os participantes das atividades.

Programamos os eventos para quatro sábados, durante o ano letivo de 2006, e da seguinte forma: 1. Exposição do tema; perguntas e debate; 2. Entrega e preenchimento dos questionários; distribuição de folders, salientando os dados mais importantes da palestra; 4. Distribuição de lanches e 5. Passeio monitorado pelo BRAJBA, totalizando 2h de atividades teórico-práticas.

Utilizamos para coleta de dados, observações in loco e anotações do caderno de campo. As entrevistas com perguntas semiestruturadas permitiram que o entrevistado discorresse sobre o tema proposto, sem se prender a condições prefixadas. Os questionários sobre o padrão socioeconômico dos alunos participantes e sobre a opinião deles acerca do PSE e do BRAJBA foram preenchidos, com o acompanhamento da palestrante (primeira autora desse artigo).

Caracterizamos esta pesquisa como qualitativa, que de acordo com Minayo (2000, p.10) é entendida “como aquela capaz de incorporar a questão do significado e da intencionalidade como inerentes aos atos, às relações, e às estruturas sociais, sendo essas últimas tomadas tanto no seu advento quanto na sua transformação como construções humanas significativas”. Portanto, nesta pesquisa buscamos traduzir e refletir sobre o sentido e as percepções que os jovens têm do seu cotidiano socioambiental e cultural. Na mesma obra (p.101), Minayo define que a investigação qualitativa “requer como atitudes fundamentais a abertura, a flexibilidade (...). Seus instrumentos costumam ser facilmente corrigidos e readaptados durante o processo de trabalho de campo, visando às finalidades da investigação”.

Para conhecermos as percepções ambientais dos alunos sobre o BRAJBA, nos remetemos a Chizzotti (2005) e a Moscovici (2005).

 

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

 

Os alunos da 6ª série tinham idade majoritária de 12-13 anos e, portanto, tendo baixa defasagem idade-série. A presença de um aluno com 14 anos foi devida à repetência por dificuldade de aprendizagem e a de uma aluna com 16 anos à gravidez. De acordo com alguns autores (DESSER, 1993; NEGRÃO; ASSIS; GOUVEA, 1998) a gravidez na adolescência é acompanhada por evasão escolar, sendo que Berquó; Cavenaghi (2006) constataram uma redução na década de 1990 das taxas de fecundidade entre mulheres de 20 a 49 anos e um aumento de 25,4% na faixa de 15 a 19 anos, ficando mais evidente esse aumento entre as mulheres de baixa renda. Estes dados reforçaram a preocupação do PSE em abordar a temática da sexualidade, pela qual o grupo já havia manifestado interesse adequado à faixa etária.

A baixa escolaridade dos pais (85% dos genitores eram analfabeto ou possuíam o primeiro grau incompleto) possivelmente se refletiu na baixa renda familiar (no máximo 3 salários mínimos), estando dentro do perfil nacional.

As duas turmas de 6ª série tinham aproximadamente 23 alunos cada. Como os encontros do PSE eram aos sábados e a frequência não obrigatória, consideramos satisfatória a adesão de 32 participantes, desses 57,15% eram do sexo feminino.

 

 

3.1. BRAJBA: educação e diversão

 

Nos sábados programados, seguindo o roteiro estabelecido, as atividades começavam pelas palestras no Chalé de Ferro do BRAJBA.

A primeira temática, Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), foi escolhida juntamente com uma professora de Ciências, que comentou: “As meninas têm mais curiosidade sobre o assunto do que os meninos, elas vão gostar”.

Imaginávamos que a abordagem da sexualidade humana provocaria reações de constrangimento devido, provavelmente, aos fatores socioculturais e religiosos. No entanto, verificamos que já na primeira palestra, os alunos se sentiram à vontade para emitir suas opiniões, tirar dúvidas e dar depoimentos.

Consideramos que essa abertura dos alunos foi um grande ganho, uma vez que Negrão; Assis; Gouvea (1998) verificaram em sua pesquisa em uma escola pública paraense que a educação sexual ocorria majoritariamente fora do ambiente escolar, na rua, com os amigos. O papel atribuído ao professor de Ciências, segundo esses alunos, seria irrelevante nesta aprendizagem. O fato é bastante preocupante, se consideramos que esse assunto está contemplado nos PCN (BRASIL, 1998) e a abordagem inadequada, certamente, contribui para os índices de gravidez na adolescência associados à evasão escolar.

Nesse dia, tratamos da AIDS e suas consequências. Uma aluna deu o seguinte depoimento: “Minha tia e seu marido têm AIDS (...) quase não saem de casa, porque já estão muito fracos e qualquer doença que pegarem dos outros podem matá-los” demonstrando que algumas DST já fazem parte da realidade dos alunos.

Ao comentarmos sobre a hepatite tipo C, transmitida, principalmente, a partir de contato sexual e/ou sanguíneo, um aluno se manifestou imediatamente: “eu peguei hepatite e fiquei com os olhos amarelos (...) o médico disse que eu vou ter sempre que fazer exames de sangue, para saber como o meu fígado está”. Devido ao aluno não ter feito transfusão de sangue, consideramos se tratar de hepatite tipo A, transmitida por água e alimentos contaminados com o vírus. Aproveitamos para comentar sobre a existência de outros tipos de hepatite e sobre as medidas profiláticas simples para combatê-la.

Ao mostrarmos camisinhas, uma aluna ficou espantada com o tamanho do modelo feminino, considerando-a: “muito feia e grande...” Aproveitando a oportunidade, explicamos o funcionamento e modo de usar dos preservativos.

Nesse momento abordamos também sua função contraceptiva. Uma aluna se manifestou com satisfação: “Minha irmã já tem filhos (...) sempre tem bebê novo na nossa casa, (...) meu sobrinho chama minha mãe de mãe”. A partir desses comentários, percebemos a necessidade de uma palestra sobre Métodos Contraceptivos enfatizando sua função no planejamento familiar, dado que os alunos, muitas vezes, encaram com naturalidade uma família numerosa e não percebem as responsabilidades que os filhos podem acarretar.

Na segunda palestra, sobre Métodos Contraceptivos, além das camisinhas, mostrada na palestra de DST, levamos outros contraceptivos: oral (mensal e o de uso emergencial), diafragmas e dispositivos uterinos.

O PCN (BRASIL, 1998) já enfatiza que, na contracepção, deve-se discutir como, quando e por que ter ou não filhos e quantos, o que posteriormente leva às responsabilidades correspondentes à maternidade e à paternidade. E mais: sem a discussão dos motivos subjacentes à ideia da contracepção e seus obstáculos, pouco se pode avançar na adoção de práticas preventivas pelos jovens, ao se relacionarem sexualmente com alguém.

Os depoimentos da aluna-mãe foram essenciais: “no começo minha família pensou em me expulsar de casa... perdi várias amigas... ninguém queria saber de me ajudar...”. Tais observações encontram respaldo em Negrão; Assis; Gouvea (1998), que constataram que o adolescente, na maioria dos casos, não assume o relacionamento e nem a paternidade, assim, a responsabilidade da criação dos filhos, em caso de gravidez precoce, fica totalmente a cargo da mãe, ou melhor, da família da jovem.

Quanto aos assuntos trabalhados no PSE, a mesma aluna disse: “se eu tivesse sabido dessas coisas antes... eu só tive medo de eu ou o bebê morrer na hora do parto... agora sei de vários outros problemas que poderiam ter acontecido, como: infecção urinária, aborto, anemia, pressão alta... porque meu corpo ainda não estava preparado para ter filho”.

A professora de Ciências aprovou os dois temas abordados: “Os alunos vão ter a Feira de Ciências no mês que vem e vão ter que falar sobre DST e Métodos Contraceptivos. Aí, ficará mais fácil para eles”. Através desse comentário, percebemos que a própria professora reconhece que é necessário enfatizar os conteúdos referentes à valorização e adoção de hábitos saudáveis, um dos aspectos básicos da qualidade educacional sugeridos pelo MEC, através dos PCN (BRASIL, 1998).

Concluímos que apesar do conhecimento sobre esses dois assuntos sejam fundamentais para provocar mudanças atitudinais e/ou comportamentais, sabemos que muitas pessoas resistem em se proteger, em seu cotidiano, por exemplo, “subestimando a SUA probabilidade em infectar-se e acreditando que a AIDS está distante de si e que não vai acontecer consigo” (GIR et al., 1999, p.10).

Uma aluna fez o seguinte comentário: “Perto de casa, têm dois motéis (...) jogam água com sabão na calçada (...) camisinha vem junto com a água também”, indicando que, no local onde a aluna reside e estuda, não há o cuidado com saneamento básico e há práticas de poluição ambiental. Aproveitando a ocasião, perguntamos aos alunos sobre a coleta de lixo no bairro. Imediatamente, um aluno respondeu: “Lá na vila é segunda, quarta e sexta. Quando a gente perde o caminhão do lixo, os cachorros furam os sacos e espalham o lixo na rua”.

Os comentários sobre o lixo serviram de “gancho” para a terceira palestra: Tipos de Poluição Ambiental, pois “a perspectiva ambiental deve remeter os alunos à reflexão sobre os problemas que afetam a sua vida, a de sua comunidade, a de seu país e a do planeta” (BRASIL, 1998).

Para a preparação dessa palestra pesquisamos, na literatura pertinente, vários assuntos relacionados ao tema: repensar, reduzir, reaproveitar e reciclar, considerada a “pedagogia dos 4 Rs” (termo empregado também por SOARES et al., 2010), consumismo, o trabalho dos catadores, tipos de tratamento dado ao lixo e impactos ambientais causados pelo acúmulo e descarte inadequado do mesmo.

Na roda de conversa, um aluno comentou: “A vizinha lá de casa de vez em quando queima folhas no quintal dela. Aí a gente fecha nossa casa (...) aquele monte de cisco suja a casa toda”. Aproveitamos a oportunidade para explicar que a queima de lixo não só suja, mas também afeta a qualidade do ar, degrada o ambiente e pode ocasionar doenças pulmonares.

Os problemas do bairro relacionados à falta de saneamento público e recolhimento do lixo incomodam os alunos, como descreveu a participante: “Quando chove, o canto da rua lá de casa fica cheio de água e para a gente sair tem que enrolar as calças para não molhar ou esperar secar um pouco para poder passar”.

Comentamos que a responsabilidade da destinação do lixo, bem como a limpeza do local em que se vive é de todos. Sugerimos que os alunos deveriam informar seus amigos e vizinhos sobre a importância de colocar o lixo apenas nos dias de coleta, porque, assim, evitariam as enchentes provocadas pelo lixo levado pela chuva para os esgotos e as doenças veiculadas ao lixo.

Ao tratar sobre a importância da separação do lixo, um aluno demonstrou desmotivação: “De que adianta a gente separar o papel em sacos diferentes se quando o carro do lixo passa, ele mistura tudo?”.

Numa tentativa de superar este quadro, o PSE buscou estimular a mobilização social, estando de acordo com os PCN (BRASIL, 1998): “É essencial resgatar os vínculos individuais e coletivos com o espaço em que os alunos vivem para que se construam essas iniciativas, essa mobilização e envolvimento para solucionar problemas.”

A quarta palestra sugerida foi Biopirataria e Patentes, porque nas caminhadas monitoradas pelo BRAJBA ouvimos comentários sobre animais selvagens sendo criados como domésticos. De fato, a organização não-governamental Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (RENCTAS) apresenta a cidade de Belém como integrante da principal rota terrestre utilizada para o tráfico e venda de animais silvestres na região Norte brasileira (RENCTAS, 2011).

Iniciamos a palestra, cujo conteúdo foi baseado em Shiva (2001), perguntando aos alunos se conheciam pessoas que possuíam animais silvestres em casa e obtivemos os seguintes depoimentos: “Minha tia tinha dois macacos, mas ela teve que dar porque eles não queriam brincar, só queriam morder”; “O papai ganhou cinco tartarugas de presente do nosso vizinho que trabalha no interior; elas moram no quintal de casa”; “Sempre tem bicho na casa da vovó, ela já teve papagaio, arara, pavão, macaco, jabuti....”; “Uma vez minha tia trouxe do interior um filhote de preguiça, mas meu tio entregou no BRAJBA que em casa a preguiça ia acabar morrendo”; “Minha tia tem um papagaio que dança: ela põe música e ele fica dançando”.

Pelos depoimentos, verificamos que os alunos desconheciam o que está por trás da criação de animais silvestres e que este hábito de utilizá-los como presente ou mercadoria de troca colabora com o tráfico desses animais. No Brasil, o hábito de presentear animais silvestres pode ter sido originado pelos colonizadores, como mostra o trecho da carta de Pero Vaz de Caminha ao Rei de Portugal: “Levavam papagaios vermelhos, muito grandes e formosos, e dois verdes pequeninos, e carapuças de penas verdes, e um pano de penas de muitas cores, espécie de tecido assaz belo, segundo Vossa Alteza todas estas coisas verá, porque o Capitão vô-las há de mandar” (UFSC, 2011).

Ressaltamos que o tráfico também acarreta o sofrimento dos animais silvestres, já que muitos deles morrem durante a captura e o transporte. Além disso, as pessoas, por desconhecerem os hábitos alimentares dos animais comprados ou doados, acabam dando alimentos inadequados, os quais podem levá-los, inclusive, à morte.

O assunto “biopirataria e patente em biotecnologia” gerou polêmica. Ao compreenderem que um patrimônio brasileiro – biológico e/ou cultural – poder ter sua biotecnologia patenteada no exterior gerando, assim, a necessidade de pagamento pela sua utilização (royalties), os alunos se manifestaram: “Por que o Brasil não pode fazer nada se foram os índios que descobriram primeiro?” “Isso é culpa do brasileiro que é acomodado!”, “Os nossos políticos só querem saber dos seus interesses”. Nesses discursos percebemos que os alunos não se colocam como responsáveis pelo que acontecem com o nosso país, delegando aos outros brasileiros essa tarefa.

Após cada palestra, ainda no Chalé de Ferro, orientamos os alunos sobre as normas de conduta durante a visita monitorado. Ao longo da caminhada, chamamos a atenção para os diferentes ecossistemas e sua biodiversidade. Instigamos também os alunos sobre as questões dos marcos históricos e patrimoniais do BRAJBA e seus problemas ambientais.

Após a palestra de Biopirataria, ao passar pelo aquário do BRAJBA, esclarecemos que os peixes ornamentais da Amazônia também são objetos de tráfico. Um aluno retrucou: “mas não são apenas as coisas caras que são roubadas?” A partir desta pergunta pudemos complementar com outras informações pertinentes, como por exemplo, as apreensões constantes no Aeroporto Internacional de Belém de peixes ornamentais, como o acari zebra, endêmico do rio Xingu e de alto valor comercial nos países estrangeiros (Carvalho Jr. et al., 2008; 2009).

Um professor de Biologia da escola, durante todo o trajeto da nossa visita, fazia perguntas aos seus alunos sobre temas relacionados à matéria ministrada por ele. Por exemplo: “Os jacarés são crocodilianos ou quelônios?”; “O peixe-boi é peixe ou mamífero?”; “Os tambaquis são peixes ósseos ou cartilaginosos?”. Pelas perguntas, delineamos uma valorização de conhecimentos descontextualizados e de cunho decorativo, potencializados pelo fato desse professor não participar de projetos pedagógicos, como alegou. Sugerimos, como alternativa para minimizar este quadro, que a equipe técnica da Escola estimule e favoreça a participação dos seus docentes em eventos científicos, que tenham conteúdos, entendimentos e concepções oriundas de áreas diversificadas, dentre elas a EA (GUIMARÃES, 1998; REIGOTA, 2004). Portanto, o PSE seria uma alternativa viável, porque não apenas forneceu conhecimentos específicos através das atividades, mas colaborou com alguns conhecimentos gerais que poderiam auxiliar o professor em sua disciplina.

Em um dos passeios, os alunos retiraram uma lata de refrigerante que havia sido jogada dentro do Lago da Iara; esse comportamento demonstrou que alguns alunos já possuem cuidado com o ambiente. No entanto, percebemos outros alunos jogando alimentos e/ou objetos, por isso, os advertimos para não tomarem tais atitudes, pois poderiam, inclusive, matar os organismos lá existentes.

Consideramos que as rodas de conversa, assim como as conversas informais, durante as caminhadas, foram formas de ensino-aprendizagem de maneira lúdica, como constataram Nakayama et al. (2007).

 

 

3.2. Percepções dos alunos sobre o BRAJBA e o PSE

 

Através de questionário verificamos a opinião/conhecimentos dos alunos sobre o BRAJBA e o PSE.

Ao tentar identificar a concepção de ambiente do BRAJBA, constatamos que a maioria dos entrevistados tem uma visão naturalista (positivista, cartesiana) desse ambiente, ligada à fauna (preguiça, macaco, passarinho, cotia...) e/ou à flora (vitória-regia, samaúma...), demonstrando que os alunos separam a natureza dos aspectos históricos, sociais, políticos e culturais envolvidos no ambiente, como observados por outros autores em diferentes segmentos sociais (SAUVÉ, 1997, 2000; REIGOTA, 2004; DANTAS; NAKAYAMA; SANTANA, 2009; SANTOS; SANTANA; NAKAYAMA, 2010; SILVA et al., 2010).

A respeito dos atrativos do BRAJBA, a maioria dos alunos se mostrou interessada pelos animais soltos, que é um diferencial entre outras instituições públicas de Belém. Por exemplo, durante os passeios de visitação ao BRAJBA, notamos que os alunos se divertiram muito mostrando uns aos outros os pequenos animais (como cotia, macaco-de-cheiro e preguiça) que eventualmente puderam ser visualizados. Pela ampla distribuição de interesses (animais soltos, brinquedos, árvores, informações sobre Ecologia, tranquilidade, segurança, liberdade de ficar a vontade, natureza) consideramos que há uma combinação de atrativos, que faz do BRAJBA um espaço de lazer muito visitado, principalmente em datas comemorativas (Dia do BRAJBA, Dia das Crianças, Dia do Índio, Dia da Árvore, etc).

A maioria dos participantes considerou o BRAJBA como excelente e bom (31 alunos), apenas um aluno considerou o local como regular. Se analisarmos esses dados conjuntamente com as carências do BRAJBA (Figura 1), verificamos um número expressivo de alunos que desejam mais animais e brinquedos no local.

 

Figura 1. Carências do BRAJBA apontadas pelos alunos de 6ª série, participantes do PSE, Belém-PA.

 

Cabe destacar que os alunos também demonstraram interesse pela educação, refletidos em palestras e em livros. Assim, o PSE tem como objetivo não só atender a expectativa dos grupos de alunos que participarão dos futuros encontros quanto às palestras, mas também esclarecê-los sobre as problemáticas causadas pela introdução de mais animais soltos e brinquedos no local.

Quanto ao número de visitações anuais, verificamos que 27 alunos participantes já foram BRAJBA antes do PSE (de 1 a 3 vezes), mas 5 restantes estavam conhecendo a instituição pela primeira vez, o que mostra a função social do PSE.

Quanto à obtenção de informação sobre a existência do PSE pelos alunos participantes, a escola, na figura do professor, foi a maior fonte de divulgação entre os participantes (59%), seguido por amigos e parentes (38%) sendo o cartaz pouco significantivo (3%).

Verificamos que o número de participantes foi aumentando gradativamente à medida que os eventos foram ocorrendo (30 no primeiro encontro e 32 no quarto), portanto, a divulgação boca-a-boca foi essencial para o sucesso do PSE. Acreditamos que o número de participantes poderia ser ampliado se o PSE melhorasse a estrutura proporcional ao aumento no número de alunos, tais como: aumento no número de materiais, de lanches e de professores acompanhantes. Além disso, consideramos que da mesma maneira em que a existência do PSE foi divulgada entre os alunos, também será divulgado o conteúdo trabalhado durante os eventos.

Dentre os temas sugeridos pelos alunos, os temas ambientais (54%) e os de sexualidade (31%) foram os mais indicados para futuras abordagens, seguido dos temas sociais (9%) e histórico do BRAJBA (3%). Os temas sociais sugeridos abrangiam racismo, preconceitos, bullying e violência urbana, que fazem parte do cotidiano dos alunos.

Apesar do índice de satisfação dos participantes quanto à qualidade do Chalé de Ferro como local das palestras ter sido alto, 7 alunos o consideraram regular porque apesar de ser um ambiente aberto “é quente, pequeno e tem muitos insetos”. Escolhemos o local para as palestras por motivos culturais e históricos a fim de que os alunos conhecessem o espaço através do PSE. Porém, as próximas palestras poderão ocorrer no Auditório do BRAJBA, o qual é climatizado e com mais infraestrutura, ficando o Chalé para ser apresentado aos alunos durante a caminhada de visitação, que encerra cada evento.

Embora 84% consideraram o material excelente e bom, pretendemos melhorar o material didático utilizado, para que se tornem mais atraente aos alunos, uma vez que foi considerado regular por 13% e ruim por 3%. O motivo de insatisfação quanto às cartilhas ocorreu porque as ilustrações não puderam ser coloridas, por restrições orçamentárias.

Acreditamos que com o financiamento da Prefeitura Municipal de Belém (PMB), através da SEMMA, para suprir os gastos com melhor qualidade de impressão das cartilhas e para comprar outros materiais específicos para o evento, os participantes ficarão mais satisfeitos com o PSE.

Dentre as sugestões apontadas pelos alunos para a melhoria estrutural do PSE (Figura 2), além do material didático e do local de realização das palestras, houve sugestões para: 1) a ampliação do número de participantes: consideramos, no entanto, que só será possível com o aumento da quantidade de material disponível; 2) a introdução de aulas práticas e de palestrantes convidados: contataremos vários pesquisadores de instituições de ensino superior paraenses, para auxiliar nessas atividades e 3) a introdução do histórico do BRAJBA: propomos a introdução do tema “A cidade de Belém e a criação do BRAJBA”, que poderia abordar o contexto socioeconômico da Belle Époque que impulsionou a criação do BRAJBA e do tema “As lendas da Amazônia e os protetores da natureza”, que trataria da relação entre os principais personagens da nossa cultura e seus papéis frente ao homem e seu ambiente.

 

Figura 2. Sugestões de melhorias para o PSE apontadas pelos alunos de 6ª série, Belém-PA.

 

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Os participantes se sentiram à vontade para se expressarem e tiveram a possibilidade de revelar suas representações de ambiente por meio do diálogo estabelecido durante as rodas de conversa e/ou os passeios monitorados. Quando esses conhecimentos foram expressos, algumas vezes permeados de saberes populares e, em outras, influenciados pela mídia ou religião, tivemos aumentada a crença de que uma educação preocupada com as questões ambientais precisa buscar, cada vez mais, estabelecer diálogos entre as diferentes formas de saber.

Pela diferentes reações de indignação e curiosidade, diante das temáticas ambientais e de sexualidade humana, percebemos que os alunos ficaram mais conscientes e também aprimoraram o potencial para agirem como multiplicadores, sendo capazes de colaborar no seu cotidiano para a melhoria da qualidade de vida.

A parceria entre a escola e o BRAJBA reforçou os laços interinstitucionais e foi proveitoso para ambos. Para a escola/alunos porque: 1) não teve ônus; 2) abordou os assuntos sugeridos pelos PCN, com o emprego de materiais alternativos em palestras dinâmicas, tornando o assunto mais interessante da tradicional; 3) serviu como uma forma de educação continuada para os professores participantes e 4) oportunizou a visita ao BRAJBA, alguns pela primeira vez. Já para o BRAJBA, houve uma ótima relação custo benefício para sua implementação, pois: 1) não utilizou materiais caros; 2) colaborou com um projeto de EA, auxiliando a manutenção da certificação do BRAJBA e 3) colaborou na divulgação da importância de um jardim botânico, fortalecendo também a rede de jardins botânicos brasileiros.

Nesse contexto, por verificarmos que os alunos têm uma percepção naturalista do ambiente do BRAJBA, sugerimos nos próximos encontros um enfoque holístico, valorizando também os aspectos históricos, sociais, políticos e culturais envolvidos no local.

Assim, pelas qualidades educacionais, culturais e sociais do PSE, entendemos que sua implementação no BRAJBA de forma permanente e contínua se faz relevante e urgente, indo ao encontro a Resolução 266/2000 do CONAMA (BRASIL, 2000): “é necessário que um Jardim Botânico venha desenvolver programas na área de educação ambiental”.

 

 

5. REFERÊNCIAS

 

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