ISSN 1678-0701
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No. 34 - 23/12/2010
Teatro de Fantoches e Educação Ambiental: A importância pedagógica dessa relação
[...] O estudo de que trata este artigo foi aplicado em uma escola pública estadual situada no Bairro Floresta de Joinville, SC, e tratou de questões ambientais e culturais. Para tanto, elaborou-se um estudo com a montagem de uma peça teatral (teatro de fantoches) tendo como foco a história ambiental do bairro. [...]

A principal função dos estudos sobre as questões do Meio Ambiente é contribuir para a formação de cidadãos conscientes, aptos a decidir e a atuar na realidade sócio-ambiental de modo comprometido com a vida, com o bem-estar de cada um e da sociedade loca

Teatro de Fantoches e Educação Ambiental:

A importância pedagógica dessa relação

 

 

 

Nelma Baldin[1]; Simony Aline Dalri[2] ; Julia Fernanda Hoffmann²;

Daiane Aparecida Ciotta Desordi²;  Fabiano Pontes Mendonça²;  Mariana Mannes[3]

 

 

 

 

RESUMO:

Uma das atividades dos Projetos EduCA-Univille[4] é atuar  por meio da aplicação de pesquisas junto às escolas públicas do Município de Joinville (SC).  Assim, o estudo de que trata este artigo foi aplicado em uma escola pública estadual situada no Bairro Floresta, e tratou de questões ambientais e culturais. Para tanto, elaborou-se um estudo com a montagem de uma peça teatral (teatro de fantoches)  tendo como foco a história ambiental do bairro. A pesquisa teve como objetivo estimular a percepção e a conscientização das crianças quanto à “lição” proposta pelo tema da peça teatral (e a sua respectiva apresentação - “teatro de fantoches”)  e que trata do desmatamento como um ato legal, contanto que seja realizado de acordo com as leis ambientais e  que esteja conforme a ética de  preservação ambiental, numa perspectiva de desenvolvimento sustentável. A peça teatral foi escrita com base em dados resultantes de pesquisa sobre a fauna e flora da região, sobre a  história do bairro e do diagnóstico ambiental da área.  Estudando-se a história do bairro Floresta percebeu-se que ao longo do tempo  houve um significativo desmatamento, na área, e esse motivo impulsionou-nos a tratar da temática por meio da peça teatral apresentada em forma de teatro de fantoches.   Os pesquisadores  apresentaram o teatro para as crianças dos 3ªs; 4ªs e 5ªs anos do ensino fundamental e o resultado foi satisfatório, visto que as crianças envolveram-se, participaram  e interagiram com entusiasmo. Pensa-se que uma forma efetiva de educação ambiental é o teatro (em particular o teatro de fantoches)  onde as crianças aprendem, de forma lúdica,  a importância do meio ambiente e histórico cultural.

 

Palavras-chave: Desmatamento; Educação Ambiental; Teatro de fantoches.

 

 

 

 

 

1. INTRODUÇÃO

 

Nos últimos anos os principais estudos sobre as questões ambientais têm enfatizado a formação de cidadãos conscientes, utilizando,  para tanto,  a pedagogia da educação ambiental. Segundo Guimarães (2003), a educação ambiental tem o importante papel de introduzir a percepção ambiental para o ser humano e sua integração com o meio ambiente.  Neste sentido, o caminho que se vislumbra, conforme   assevera    Grippi (2001),  é   o   incentivo  às  formas de sensibilização das

crianças e de socialização das informações de maneira que essas ações venham a contribuir para a

formação de cidadãos atentos às questões ambientais e conhecedores dos fatores causais dos problemas ambientais. Assim, estar-se-á estimulando ações cotidianas  que possibilitarão enfrentá-los, resolvê-los e também eliminá-los.

Como expressam Guerra et al (2004), o “teatro de fantoches” ou “teatro de bonecos”  originou-se na remota antigüidade. Teve início, naqueles tempos, um intensa atividade de modelagem de  bonecos no barro, sem movimentos. Pouco a pouco, esses bonecos foram sendo aprimorados até receberem, mais tarde, a articulação da cabeça e dos membros sendo   possível,  a    partir   daí, executar   representações  teatrais   com  os mesmos.  Nas Antigas China e Índia,  assim  como  na Ilha de Java,  o teatro de bonecos era bastante  conhecido. Na Grécia antiga, os bonecos não só tinham uma importância cultural, como também religiosa.  A cultura grega do teatro de bonecos foi assimilada pelo Império Romano e se espalhou por toda a Europa.

Na Idade Média, os bonecos já eram  populares e utilizados em feiras semanais e nas doutrinas religiosas. O mesmo ocorria nos primórdios da  América, para onde  os fantoches foram trazidos pelos colonizadores, embora que as populações nativas já fizessem uso de bonecos articulados que imitavam os movimentos dos homens e dos animais.

No Brasil, as primeiras representações com bonecos datam do século XVI.  No entanto, foi somente em meados do século XX que o teatro de bonecos se consolidou no país.  Mais recentemente,  o teatro de bonecos  vem sendo utilizado não apenas como espetáculo de lazer e entretenimento,  mas como estratégia educacional lúdica (GUERRA ET AL,  2004).

Em várias de suas obras  Piaget (1997) menciona o uso de práticas lúdicas com crianças enfatizando  que esse processo é válido quando bem aplicado,  pois além do lazer o lúdico é um método de desenvolvimento intelectual. No entanto, na prática pedagógica cotidiana  pouco se utiliza desse recurso.  Apesar da ênfase que a LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e os PCNs – Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1998)  realçam  quanto à  utilização de novas  e estimuladoras metodologias educacionais,  a forma de ensinar vigente no cenário educacional brasileiro ainda pouco incentiva a prática do teatro como recurso pedagógico. As  crianças ainda não contam com essa atividade no cotidiano escolar.

O teatro, por sua forma de "fazer coletivo" possibilita o desenvolvimento pessoal não apenas no campo da educação não-formal, mas permite ampliar, entre outras coisas, o senso crítico e o exercício da cidadania (MONTENEGRO, 2005). Em relação a este entendimento, Souza (2004 apud FICHER, 2007) atenta, ainda,  para o fato de que o teatro dialoga com as outras artes aprimorando-se de suas diferentes linguagens para se fazer mais atuante no âmbito específico da educação infantil.  Dessa forma, possibilita à criança  entrar  em contato com a sua cultura, aprender por meio do “jogo” e do “drama”  e, ainda,   a lidar com a alteridade e com as diferenças. Nesse sentido, estará construindo a si própria  um referencial cultural.

È nesse contexto do “jogo” ou do “teatro” que se insere a educação ambiental. Considerando que a educação ambiental  deve ser um recurso  de sensibilização e capacitação do ser humano, entende-se, como expressam  Guerra et al (2004),  que o uso do lúdico por meio de diversas atividades auxilia no desenvolvimento de atitudes ambientalmente responsáveis desde a mais tenra idade. No caso, salienta-se, aqui, a idade dos seis aos dez anos,  idade que comporta o período de formação de uma consciência ambiental crítica que possa  levar à  mudanças de comportamentos e  de atitudes.

Conforme escrevem Amaral (1978), Courtney (1980) e Reverbel (1988), o teatro de bonecos na escola pode proporcionar ao aluno uma rica e significativa experiência, podendo abrir caminhos para as descobertas e a exploração do mundo que o rodeia. O teatro de fantoches é o que mais alegra e sensibiliza a criançada por transmitir, de uma forma simples e direta, a mensagem quanto ao cuidado com o nosso ambiente como um todo  e com o nosso Planeta. De acordo com Galvão (1996, p 18), “As crianças parecem receber bem melhor e armazenar com mais facilidade as imagens quando são apresentadas através de algo que as encante emocionalmente como é o caso do Teatro de Bonecos”.

Segundo estimativas do governo federal, 24 mil alunos foram beneficiados com aprendizado por meio de teatro de fantoches nos últimos dois anos,  situações em que se enfatizava a temática ambiental e, em especial, o desmatamento[5]. Neste sentido, entende-se que a questão do desmatamento é um importante assunto a ser abordado com as crianças, pois é uma realidade do nosso   país.  Nesse   encaminhamento, a   peça  de   teatro  de     fantoches

“Pedrinho e amigos em... A campanha contra o desmatamento ilegal”[6] escrita  pelo grupo de pesquisa dos Projetos EduCA – Univille (e sua respectiva montagem pelo mesmo grupo de pesquisa) teve como objetivo  maior a interação das crianças sobre as formas de considerar a ciência, a relação homem e natureza e o meio ambiente, a racionalidade ambiental e o progresso. Ainda,  buscou-se medidas para se  efetivar ações que motivem as crianças a terem pensamento  crítico  e  a buscarem de estratégias para uma melhor qualidade de vida. É,  pois, uma contribuição para a formação de cidadãos conscientes.

Assim, os estudantes dos  3ªs, 4ªs e  5ªs anos de uma escola pública do Bairro Floresta  em Joinville (SC), num total de 88 estudantes, participaram  de uma experiência  do gênero teatral e de educação ambiental nunca antes vivenciada por eles. Foi uma sessão de teatro de fantoches que teve como foco motivador a história do bairro onde residem[7] e que possibilitou, a essas crianças, a experiência da relação do lúdico com o conhecimento, com a ciência. Nesse sentido, a peça teatral foi escrita com base em dados coletados na localidade, resultantes, esses dados, da  pesquisa aplicada  e que se centrou na fauna e na flora da região,  na história do bairro e em um preliminar diagnóstico ambiental da área.

O principal objetivo do estudo foi estimular a percepção e a conscientização das crianças quanto à “lição” proposta pela peça teatral (e a sua respectiva apresentação com “teatro de fantoches”)  a qual trata do desmatamento como um ato legal, contanto que seja realizado de acordo com as leis ambientais e  que esteja conforme a ética de  preservação ambiental.

 

 

2. METODOLOGIA

 

 O estudo orientou-se  com um caráter exploratório mas, ao longo de sua aplicação,  descortinou-se de forma descritiva caracterizando-se, assim,  como uma pesquisa qualitativa. Conforme Minayo (2000, p.10), “pesquisa qualitativa é entendida como aquela capaz de incorporar a questão do significado e da intencionalidade como inerentes aos atos, às relações, e às estruturas sociais, sendo essas últimas tomadas tanto no seu advento quanto na sua transformação como construções humanas significativas”.

Nesta pesquisa, qualitativa, portanto, buscou-se traduzir e refletir sobre o sentido e as percepções que as crianças têm  do mundo social e atual: as questões da história de seu bairro;  dos marcos históricos e patrimoniais ali existentes; dos  eventos sócio culturais locais e, principalmente, das questões ambientais. Para um melhor entendimento da construção metodológica dos procedimentos adotados na execução do estudo,  descreve-se,   a seguir,   o  desenvolvimento de cada uma das   etapa   do   processo.

Em  um primeiro momento, antes da apresentação da peça de teatro  às  crianças,  foram executadas, com essas mesmas crianças,  ações de  pesquisa interativa  e atividades outras: revisão bibliográfica   realizando    leituras   de  materiais que tratavam sobre a situação da comunidade em

questão;  levantamento bibliográfico e estudos sobre a história do bairro, da escola e das suas relações com as questões ambientais, enfatizando a pedagogia ambiental, a educação ambiental e as noções de desenvolvimento sustentável; execução  de trabalhos de campo dentro da escola tais como dias de ações pedagógicas ambientais que incentivavam a participação das crianças e dos adolescentes a fim de firmar a importância do meio ambiente na vida dos seres vivos; aplicação de roteiros de questões,  palestras e dinâmicas variadas.   A partir da realização dessas atividades todas,  escreveu-se  a peça teatral  ilustrando a história do bairro e o evidente desmatamento ocorrido ao longo dos anos de sua história.  A peça foi elaborada visando sensibilizar as crianças sobre  as conseqüências do desmatamento ilegal. A partir da montagem da peça teatral na escola (o “teatro de fantoches”) e da receptividade  que a mesma recebeu de parte das crianças, partiu-se para a elaboração do livro ambiental infantil. 

Buscando uma melhor visualização da história apresentada no teatro às crianças, além dos fantoches utilizou-se, ainda, de  cenários  que envolviam o contexto da história apresentada e  recursos audio-visuais. Após a apresentação da peça de teatro, fez-se um debate coletivo para discussão do conteúdo da peça, quando então  um roteiro de questões foi aplicado  às  crianças a fim de obter-se, para posterior estudo,  as percepções infantis a cerca da  mensagem  que a peça transmitiu por meio do teatro de fantoches.

 

 

 

 

 

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES

 

A peça de teatro intitulada ‘’Pedrinho e amigos em...  A campanha contra o desmatamento ilegal’’  (Figura 1) conta a “estória”  de um menino  de aproximadamente 12 anos (Pedrinho), estudante do 5ª ano do ensino fundamental. Muito estudioso,  Pedrinho depara-se, certa manhã,  no caminho para a escola, com uma situação nova quando percebe que está ocorrendo um desmatamento e justamente próximo à sua escola e sua casa. Sem saber o que fazer, ele procura ajuda junto a seus familiares, sua professora e seus amigos, a fim de alertar a população sobre o grande problema ambiental que está ocorrendo, já que há a suspeita, de parte da professora, de que o desmatamento seja ilegal.

A estória conta com vocábulos compatíveis com os dias atuais e, por isso, de fácil entendimento pelas crianças, uma vez que elas acabam por se identificar com os personagens do enredo.

                                       

Capa _1Livro Projetos Educa

Figura 1 – Ilustração da capa do livro ambiental infantil  “Pedrinho e amigos em... A campanha contra o  desmatamento ilegal” – elaborado a partir da  apresentação da peça de teatro de fantoches inicialmente escrita e com o mesmo título.

 

 

 A Figura 2 ilustra uma das imagens iniciais do livro ambiental infantil,  e que foi elaborado a partir da apresentação da  peça de teatro de fantoches.

            Figura 2 – Ilustração do livro  ambiental infantil  “Pedrinho e amigos em... A campanha contra o   desmatamento ilegal” – elaborado a partir da  apresentação da peça de teatro de fantoches inicialmente escrita e com o mesmo título.

 

 

A peça de teatro de fantoches  foi apresentada às crianças  que vibravam intensamente com as aventuras dos personagens da “estória”.  A peça teatral foi apresentada  em três sessões diferentes (nos períodos matutino e vespertino)  com  uma duração média de 30 minutos cada sessão. A  Figura 3 mostra uma dessas sessões de apresentação da “estória” -  teatro de fantoches.

Durante as apresentações, as crianças demonstraram total interesse pelo  assunto tratado, o que pode ser confirmado com base no comportamento das mesmas  no que se refere ao silêncio, risadas coletivas, participação e interação com os personagens durante a peça  (faziam torcida, avisavam que o “vilão” da estória estava pronto a derrubar uma árvore, etc, etc) e, ainda,  participaram de discussão coletiva respondendo aos questionamentos apresentados  de forma oral ao final de cada sessão. Concordando com o que define Galvão (1996),  durante  as discussões que

aconteceram posteriormente às apresentações os alunos ficaram livres para colocarem  seus comentários  e observações sobre o conteúdo da peça. O alto índice de participação dessas crianças nessas discussões coletivas possibilitou-nos perceber a demonstração de  interesse pelo assunto.

            Quando questionamentos  sobre o tema da peça eram  dirigidos às crianças, várias  delas levantavam a mão  simultaneamente e ficavam atentas esperando a vez para expressarem as suas opiniões  sobre a temática e sobre a estória da peça.

             Ainda, ao final de cada sessão, foram entregues às crianças  presentes ao evento um roteiro de questões que visaram compreender o grau de interesse das mesmas  em relação ao tema apresentado, suas percepções sobre a peça assistida e, ainda, se as  mesmas  entenderam o  objetivo principal do teatro apresentado, ou seja, que o desmatamento pode ser realizado, contanto que seja

 

 

Figura 3 – Fotografia de uma das sessões de apresentação do Teatro de Fantoches.

Fonte: arquivos dos Projetos EduCa – Univille.

  

 

 

de maneira legal, dentro das conformidades exigidas pela legislação ambiental. As respostas das crianças à questão “Você gostou do teatro apresentado”, foram altamente positivas,  pois a grande maioria (98%) das crianças presentes às sessões respondeu “sim”,  considerando-se que apenas 2% das crianças presentes responderam não.

  Quanto às questões descritivas as crianças puderam transcrever livremente suas opiniões e críticas sobre a peça teatral apresentada.  As transcrições  expressas abaixo  são literais e  especialmente para este artigo foram sorteadas,  aleatoriamente,  cinco respostas de cada participante, de cada sessão, em relação a pergunta formulada: “Do que você mais gostou no teatro apresentado”? “Do Pedrinho e do resto dos bonecos e dos atores’’ (3ª série);  ‘’ Eu gostei mais foi da colaboração com o meio-ambiente do Pedrinho’’ (3ª série);  ‘’Da parte que o Pedrinho trocou idéias com sua avó sobre o meio-ambiente’’ (3ª série); ‘’Da parte que o Pedrinho conta prá turma sobre as árvores cortadas e do final. Foi dessas partes que eu mais gostei’’ (3ª série); Eu gostei quando a polícia chegou’’ (3ª série);  “Foi que o Pedrinho colaborou com o meio ambiente e falou para os homens colaborarem também’’ (4ª série); ‘’De quando eles conseguiram prender o dono da fábrica’’(4ª série); ‘’Eu gostei mais do teatro que as crianças conseguiram deter o desmatamento da floresta’’ (4ª série);  ‘’Eu gostei quando os bonecos ficaram fazendo careta’’ (4ª série);  ‘’O que eu mais gostei foi que o Pedrinho se preocupou com o meio ambiente’’(4ª série);  “Quando ele falou sobre o assunto das árvores sendo destruídas pelos homens com motosserras’’ (5ª série);  ‘’Dos fantoches’’ (5ª série);  ‘’Dele ter preservado a natureza’’ (5ª série); ‘’Dos personagens sobre a campanha contra o desmatamento ilegal’’(5ª série);  ‘’Eu gostei de tudo’’ (5ª série).

Finalizando as apresentações da peça teatral, os  professores de cada turma presente à sessão também responderam  a um questionamento:  ‘’Qual o seu parecer em relação às atividades lúdicas (teatro de fantoches, jogos) como forma de aprendizagem?” As respostas dos professores foram explícitas:  ‘’Tais atividades só vêm somar no processo ensino-aprendizagem pois permitem além de uma maior socialização dos educandos que os mesmos vivenciem aqueles conteúdos que terão que apropriar-se’’ (Professor da 3ª série);  ‘’Meu parecer é que a atividade realizada foi de grande valia. Foram convincentes mediante aos fatos abordados. O meio ambiente existe, a economia existe, o que deve ser feito é  tudo de forma consciente  em relação ao presente para o futuro,  para que não venhamos sofrer e fazer outros sofrerem’’ (Professor da 4ª série);  ‘’Essas atividades são importantes para as crianças, pois a atividade lúdica desperta interesse e motivação. O aprender brincando é algo ainda novo que deve ser incentivado para o melhor aprendizado dos alunos’’ (Professor da 5ª série).

            Com base nos depoimentos acima e tomando-se por referência  o texto de Reverbel (1979),  pode-se perceber que de fato o teatro é uma forma prática de atrair a atenção das crianças em idade escolar para problemas e situações reais, e particularmente o teatro de fantoches. A mescla   fantasia e realidade faz  com que a criança aprenda e se sensibilize de forma espontânea e diversificada. Isto possibilita,  à  criança, o aprender com prazer e, ainda, que consiga armazenar as informações por mais tempo. Além,  ainda, de  transmitir essas informações para outras pessoas.

 

 

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

 

                        A partir da apresentação da peça de teatro de fantoches,  de caráter infantil,  intitulada ‘’Pedrinho e amigos em...  A campanha contra o desmatamento ilegal’’, foi-nos  possível observar a grande participação das crianças das 3ªs, 4ªs e 5ªs séries da  escola pública. Essas crianças participaram de  todas as atividades  aplicadas,  desde os questionamentos propostos de forma oral ao final das apresentações da peça, até a aplicação do  Roteiro de Questões  às mesmas, a título de um retorno avaliativo aos pesquisadores em relação à atividade executada, observando-se, sempre, as percepções ambientais das crianças.  

Em todas as ações  as crianças demonstraram-se curiosas, interessadas e participativas, efetuando constantes  perguntas sobre o tema abordado no teatro de fantoches: o  desmatamento,  expondo, com suas intervenções,  suas opiniões sobre o assunto. Conforme as  respostas obtidas  com o Roteiro de Questões aplicado,  percebeu-se que grande parte das crianças gostou bastante da apresentação da peça e ficou  sensibilizada com a questão ambiental.

Conclui-se que a apresentação do teatro de fantoches  foi de grande aproveitamento pelas crianças, atingido o objetivo principal do estudo, que  era de sensibilizar as crianças sobre os prejuízos causados ao Meio Ambiente pelo desmatamento ilegal de forma que as mesmas tirassem tal conclusão sozinhas.

Isto comprova que o teatro, como manifesta Ficher (2007),  e em particular o teatro de fantoches, é uma ação importante nas atividades de aprendizagem das crianças e que associado à educação ambiental  possibilita  que essas fiquem mais suscetíveis à assimilação dos assuntos e interesse espontâneo pelos assuntos ambientais. Sugere-se, nesse caso, que seja incorporado  mais freqüentemente nas atividades escolares e,  principalmente,  quando se trata de  temas  associados com a educação ambiental.

A Educação Ambiental é, de fato, um passo essencial para incentivar atividades que visem à defesa, conservação e proteção do meio ambiente, como ainda nos confirma que a criança é sensível para desenvolver percepções sobre o assunto meio ambiente.

Nesse sentido, as crianças, boas receptoras do novo saber, são também boas transmissoras e propagadoras desse novo conhecimento para as demais pessoas à sua volta, como se lê em Palhano (2001).  Neste sentido, entende-se que as crianças  possibilitam conscientização ambiental à população, o que é fundamental para mudanças de hábitos. Mudanças,  essas,  que poderão levar à amenização dos problemas ambientais que o mundo vem enfrentando.  

 

 

REFERÊNCIAS

 

 

AMARAL, A. M. Teatro de formas animadas. São Paulo: Edusp/FAPESP, 1978.

 

BALDIN, Nelma (Org). Pedrinho e amigos em... A campanha contra o desmatamento ilegal. Projetos EduCA – Univille. Joinville (SC). Pomerode (SC): Impressora Mayer Ltda, 2009,

 

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília: MECSEF, 1998.

 

BRASIL. Secretaria Nacional Antidrogas. Acessado em 18/02/2009.  Disponível em: : <http://www.obid.senad.gov.br/portais/mundojovem/conteudo/web/noticia/ler_noticia.php?id_noticia=102271>

 

COURTNEY, R. Jogo teatro e pensamento - As bases intelectuais na educação. São Paulo: Ectiva, 1980.

 

FICHER, Eunice. A importância do teatro na formação humana e no desenvolvimento da aprendizagem da criança. Cuiabá: Faculdade de Costa Rica MS, 2007.

 

GALVÃO, M. N. C. Possibilidades Educativas do Teatro de Bonecos nas escolas públicas de João Pessoa. Dissertação  de Mestrado em Educação.  Centro de Educação, Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 1996.

 

GRIPPI, Sidney. Lixo, reciclagem e sua história: guia para as prefeituras brasileiras. Rio de Janeiro: Interciência, 2001.

 

GUERRA, Rafael Angel Torquemada; GUSMÃO, Christiane Rose de Castro e SIBRÃO,  Edgard Ruiz.  Teatro de Fantoches: uma estratégia em Educação Ambiental. João Pessoa: Universidade Federal da Paraíba, 2004.

 

GUIMARÃES, Mauro. A Dimensão Ambiental na Educação.  São Paulo: Papirus, Ed. 2003.

 

MINAYO, Maria Cecília de Souza. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 7ª. ed.,  Rio de Janeiro: Hucitec-Abrasco, 2000.

 

MONTENEGRO, Betânia.  O papel do teatro na divulgação científica: a experiência da seara da ciência. Cienc. Cult. [online]. 2005, v. 57, n. 4, pp. 31-32. ISSN 0009-6725.

 

PALHANO, R. R. Teatro de bonecos: uma alternativa para o ensino fundamental na Amazônia. Fundação Universidade Federal do Amapá, Macapá, 2001.

 

PIAGET, J. Seis estudos de Psicologia. Rio de Janeiro: Rorense, 1997.

 

REVERBEL, O. Teatro na sala de aula. Rio de Janeiro: José Olímpio, 1979.

 



[1] Coordenadora dos Projetos EduCA - Univille. Orientadora. Doutora em Educação. Professora do Curso de 

   Mestrado em  Saúde e Meio Ambiente  da UNIVILLE – Joinville (SC). 

 

[2]  Acadêmicos do Curso de Engenharia Ambiental da UNIVILLE. Bolsistas de Iniciação Científica (Programa

    FAP - UNIVILLE).

 

[3]  Acadêmica do Curso de Psicologia da UNIVILLE. Bolsista de Iniciação Científica (Programa FAP –

   UNIVILLE).

 

[4]  Projetos EduCA – Univille: Projetos de EducaçãoAmbiental, História Ambiental e Patrimonial e de Gestão

    Ambiental Comunitária. Os Projetos Educa – Univille, desenvolvem suas pesquisas em Joinville (SC). 

 

[5] Informação  acessada em 18 de fevereiro de 2009 e disponível em:  

   http://www.obid.senad.gov.br/portais/mundojovem/conteudo/web/noticia/ler_noticia.php?id_noticia=102271

 

[6]  Peça de teatro infantil escrita pelos componentes do Grupo de Pesquisa  dos Projetos EduCA – Univille  e que originou o livro ambiental com o mesmo título. Para tanto, ver: BALDIN, Nelma (Org). Pedrinho   e     amigos em ... A campanha contra o desmatamento ilegal.  Projetos EduCA – Univille. Joinville (SC). Pomerode (SC), Impressora Mayer  Ltda, 2009.

 

[7] Há que se ressaltar que  desde 2003 os Projetos EduCA – Univille desenvolvem  suas atividades de pesquisa essencialmente  em três Bairros  da cidade de Joinville (SC) , a saber: o Bairro   Pirabeiraba; o Bairro Vila Nova e o Bairro Floresta (locus da aplicação deste estudo).


 
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