ISSN 1678-0701
Número 34, Ano IX.
Dezembro/2010-Fevereiro/2011.
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05/12/2010DA COMUNIDADE À PRAIA: A AÇÃO DO SER HUMANO E A EDUCAÇÃO AMBIENTAL  
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Educação Ambiental em Ação 34

Da Comunidade à Praia: a ação do ser humano e a educação ambiental

 

 

 

Eduardo Beltrão de Lucena Córdula

 

Especialista em Supervisão Escolar – IESP (2009), Licenciado em Biologia – UFPB (2002), Professor da Educação Básica da Prefeitura Municipal de Cabedelo-PB, Educador Sócio-Ambiental.

Contato: Caixa Postal 147 – Intermares. Cep: 58.310-971. Cabedelo-PB.

e-mail: ecordula@hotmail.com

 

 

 

RESUMO

 

A educação por si só não consegue abranger toda uma série de problemas inerentes ao modo de vida do ser humano em sociedade. Um desses graves problemas e que causam impacto nas cidades e no meio ambiente, são os resíduos sólidos domiciliares que são, concomitantemente, depositados inadequadamente e se acumulam nas ruas e áreas verdes dos centros urbanos. Para reverter este quadro, utilizado-se da sensibilização como metodologia adaptada da pedagogia educacional, trabalhamos com alunos do 7° ano do ensino fundamental II, de uma escola pública municipal de Cabedelo, Paraíba, e, conseguirmos gerar a consciência e multiplicar em seus lares a necessidade emergente de lidarmos adequadamente com este resíduo, de forma salutar e ambientalmente correta.

 

 

 

Palavras-Chave: Escola Pública, Sensibilização, Educação Ambiental, Ambientes Costeiros.

 

 

 

1. INTRODUÇÃO

 

            O ser humano há muito possui um comportamento hostil perante o meio ambiente, na medida em que o modifica para transformá-lo em áreas habitáveis. Neste contesto, perde-se a intrínseca relação ecológica entre a nossa espécie e os demais seres do sistema biótico (ODUM, 1988), criando um novo ecossistema: o urbano (CARLOS, 2008), com suas cidades e o modo de vida anti-ambiental (VERNIER, 1994).

            Um dos grandes problemas causados são a conturbação e o adensamento das construções, o que ocasiona ilhas de calor nestes centros e a perda de áreas verdes (VERNIER, 1994). Por outro lado, temos o acúmulo e a deposição inadequada do lixo (CORDULA, 2002), devido a um grande consumo de bens não-duráveis e descartáveis, estimulados pelo modelo econômico globalizado (SODRE, 1998), o que ocasiona a poluição e problemas fito-sanitários. Além destes, outros passam a surgir em virtude do modo de vida e das necessidades das cidades (centros urbanos) com seu fluxo constante de energia que flui em diferentes direções, sinalizando para o crescimento populacional (DIAS, 1998).

            Como a escola está inserida neste contesto e necessita ter uma abordagem contextualizada para transmitir o conhecimento e formar cidadãos ativos (LIBÂNEO, 1994), dentro da realidade em que vivem, é dever da escola interagir com esta comunidade e repensar as práticas de vivência com o ambiente urbano, a fim de, possibilitar um aumento da qualidade de vida com reflexos positivos ambientais. Portanto, é através da Educação Ambiental Formal que, atuando com os alunos (BRASÍLIA, 1997), de formar a despertar suas consciências através da sensibilização, que conseguiremos mudar o futuro de nossa sociedade (SÃO PAULO, 1998).

            Portanto, a escola utilizando a comunidade para ministrar conhecimentos in lócus, possibilita o crescimento cognitivo do alunado frente aos graves problemas ambientais pelos quais estamos passando tanto a nível local como global (DIAS, 1991).

           

 

 

2. DESENVOLVIMENTO

 

 

2.1. Localidade

 

            O município de Cabedelo, na Paraíba, possui 33Km² de área, sendo 12Km de comprimento 3Km de largura, latitude 6°58'21"S e longitude 34°50'18"W. O nome do município deriva do Tupi e significa pequeno cabo, sendo uma península com limítrofes ao Norte pelo Oceano Atlântico, ao Sul com o Rio Jaguaribe, a Leste pelo Oceano Atlântico e a Oeste com o Rio Paraíba (RODRIGUEZ, 1991). Possui uma população de aproximadamente 53.017 habitantes (IBGE, 2007).

O município possui como recursos naturais: Flona (Floresta Nacional – Área de Proteção) Mata do Amém e Mata do Estado, que são resquícios de Mata Atlântica, com vegetação predominante de arboríferas; Restinga com vegetação herbácea e arbustiva, com destaque para os cajueiros; Mangue, formado por vegetação arbórea denominada de mangues branco, vermelho e seriuba; Estuário do Paraíba, formando pelo encontro das águas do Oceano Atlântico com o afluente do Rio Paraíba, propiciando um ambiente favorável à reprodução das diversos espécimes da fauna marinha; Rio Paraíba; Rio Jaguaribe (Intermares); Oceano Atlântico, formando as praias de Intermares, Ponta de Campina, Poço, Camboinha I, II e III, Areia Dourada, Formosa e Areial; Lagos Costeiros, que são depressões na restinga que acumulam água proveniente das chuvas e propiciam temporariamente, a insurgência de fauna e flora típicos destes ambientes; Recifes de Corais, que formam uma faixa contínua no litoral cabedelense, abrigando inúmeras espécimes marinhas; Dunas, sendo poucas mas que ainda resistem no município, com vegetação típica, praticamente herbácea; Areia Vermelha, que é um "atol" temporário, que surge no período de marés baixas (MIRANDA et al., 2005; CORDULA, 2009a).

 

 

2.2. Público Alvo

 

            Participaram das atividades alunos do 7° ano do ensino fundamental, com idades entre 11 e 13 anos de idade, do turno da tarde, da Escola Municipal Major Adolfo Pereira Maia, localizada no centro da cidade do município de Cabedelo, Paraíba.

            Os alunos são oriundos dos bairros circunvizinhos à escola e de outros mais afastados que, pelo acesso ao programa de transporte escolar municipal, passam a freqüentar esta escola.

A maioria pertence a famílias de baixa renda, poucos em situação de risco e alguns pertencem a famílias de classe média (CÓRDULA, 2009a). Os alunos possuem dificuldades de conexão de fatos apreendidos em sala de aula com os vivenciados por eles na comunidade, devido a uma carência de uma práxis que favoreça o seu desenvolvimento cognitivo (PIAGET, 1977).

 

 

2.3. A Problemática

 

Como todo município brasileiro, Cabedelo não é diferente frente a problemas das mais diversas ordens. Mas os governantes municipais sinalizam a cada ano, para uma mudança gradativa na prevenção e extinção deste quadro de agravos ambientais como: desmatamento das áreas verdes, principalmente da restinga (ameaça a extinção da flora e consequentemente da fauna local); especulação imobiliária; lixo acumulado em áreas verdes; uso não-sustentável dos recursos pesqueiros, da catação de moluscos e crustáceos, e da pesca predatória com redes de malha fina e na época do defeso; área de desova das tartarugas marinhas ameaçada pelo tráfego constante de pedestres; turismo sem orientação ambiental; queimadas criminosas na restinga principalmente no verão (CÓRDULA, 2009a; CÓRDULA, 2009b).

Como a escola localiza-se no centro da cidade do município, é nítido problemas com acúmulo e deposição inadequados de resíduos sólidos domiciliares nas ruas, o que ocasionam poluição e servem como criadouro para inúmeros animais portadores de patógenos.

Houve também, a introdução de vegetação exótica como o fícus e sombreiros, além da retirada da vegetação nativa das áreas verdes remanescentes de Mata Atlântica e, por último, mas não menos importante, a invasão da faixa litorânea das dunas pela construção civil irregular, descaracterizando esta área natural e trazendo a ela inúmeros problemas ligados ao seu uso sem consciência conservacionista.

 

 

2.4. Metodologia

 

            Utilizamos a observação dos alunos em sala de aula e nas avaliações realizadas pelos professores da escola (MARCONI & LAKATOS, 2002), para verificar o desvio de conexão de assuntos, fatos e fenômenos do conteúdo curricular dos livros de ciências e sua dificuldade na contextualização e utilização do conhecimento em suas vidas (PEREIRA, 1998). Ao conversarmos informalmente com os mesmos em sala de aula, era evidente a não percepção da realidade fora dos muros da escola, a qual tinha que ser apresentada a eles, unindo os conhecimentos e direcionando a uma aprendizagem voltada a contribuir para sua formação cidadã (JACOBI, 1998).

            A partir daí, utilizamos técnicas de aula de campo com visualização da problemática tratada em sala de aula (LIBÂNEO, 1994), com foco nas problemáticas: construções que invadem os recursos naturais, desmatamento, poluição, lixo e falta de consciência, na comunidade e no ambiente costeiro próximo à escola. Além disto, passamos aos alunos como deveriam observar o ambiente (DIAS, 2004), realizando anotações para serem utilizadas em sala de aula em oficinas lúdicas de construção de conhecimento (FRANCO, 1995). 

 

 

2.5. Resultados

 

É nesta ótica que trabalhamos com alunos do Ensino Fundamental II, do 7° ano, pois além da sala de aula, os levamos à vivência na comunidade e nos ambientes do entorno da escola (FLEURI, 1997), com aulas periódicas de campo (in lócus), já que contextualizamos os conteúdos curriculares para a nossa realidade local. E, sob orientação, na disciplina de Ciências foram trabalhados conceitos junto com técnicas de educação ambiental, que aliadas a uma ecopedagogia (GADOTTI, 2009), possibilitaram a realização de uma práxis a partir dos conteúdos formais da matriz curricular, das necessidades locais e também da realidade constatada in lócus (RIBEIRO et al., 2001).  O município, portanto, possibilita um “laboratório vivo” para trabalharmos ativamente com o alunado (MIRANDA, 2005), propiciando o contraste direto entre o ambiente humano e o ambiente natural, com suas modificações e problemas, focando com o meio ambiente de forma holística, para então, criarmos um momento de prospecção na vida dos alunos, mostrando que pode haver um ponto de harmonia e de estabilidade neste ambiente (JACOBI, 2009; DIAS, 1998).

Constatado o problema, assimilado, estudado e criado possibilidades de mudanças e melhorias, partimos então para a produção intelectual orientada (LIBÂNEO, 1994), com a realização dos apontamentos, discutem a problemática observada e relatam através de produções intelectuais individuais e coletivas apoiadas em uma pré e pós-pesquisa literária sobre estas questões (PEREIRA, 1998). Retornando a sala de aula, ambiente pouco acolhedor à práxis, conseguem, através desta prática, unir saberes e realizar a produção de seus relatos e conhecimentos adquiridos através de inúmeros recursos audiovisuais que apresentam à escola, na forma de painéis, cartazes, murais, cartilhas, panfletos e maquetes (POLITO, 1996).

            Os resultados são evidentes e incontestáveis da eficiência de tal metodologia de trabalho docente, na qual enriquece a formação do alunado e garante-lhes uma plena estruturação de caráter, de estímulo cognitivo e fuga do tradicional ambiente educacional (ANDRÉ & MEDIANO, 1998), que é a sala de aula, o que reforça e amplia o processo de ensino-aprendizagem, revitalizando a disciplina curricular de ciência e elevando o nível de maturidade e de consciência do alunado perante a comunidade em que vivem (FLEURI, 1997).

 

 

 

3. CONCLUSÃO

 

A Educação Ambiental através de seu processo formal na escola, sensibilizando e trabalhando conceitos frente a uma realidade local, numa ótica holística do meio ambiente, traz aos alunos novas perspectivas de vida, de como percebem o ambiente em que vivem e de como interagirem com ele de forma salutar e com ganho de qualidade de vida (BRASÌLIA, 1997), trazendo também, reflexos nas suas comunidades de origem deles e na própria escola.

 

REFERÊNCIAS

 

BRASÍLIA. Educação Ambiental/UNESCO. Brasília: MEC, 1997.

 

 

CARLOS, A. F. A. A Cidade. 8ª ed. 2ª reimpressão. São Paulo: Contexto, 2008. 98p.

 

 

CÓRDULA, E. B. L. A Interação da Comunidade Acadêmica dos Cursos de Ciências Biológicas, Química e Geografia do CCE da UFPB, com o Ambiente de Seu Entorno. In: Resumos do VI Encontro de Extensão da UFPB, 2002. CD-ROM. João Pessoa, PB: Ed. Universitária da UFPB, 2002.

 

 

CÓRDULA, E. B. L. Desenvolvendo Atitudes Pró-Ambientais em Alunos do 6° Ano Ensino Fundamental. In: SEABRA, G. F. & MENDONÇA, I. T. L. [Orgs.]. Educação para a Sociedade Sustentável e Saúde Global. vol. III. João Pessoa, PB: Ed. Universitária da UFPB, 2009a. p.650-656.

 

 

CÓRDULA, E. B. L. Educação Sócio-Ambiental em Quatro Temas para Alunos do Ensino Fundamental: sexualidade, drogas, cidadania e meio ambiente. In: SEABRA, G. F. & MENDONÇA, I. T. L. [Orgs.]. Educação para a Sociedade Sustentável e Saúde Global. vol. III. João Pessoa, PB: Ed. Universitária da UFPB, 2009b. p.725-733.

 

 

DIAS, G. F. Os quinze anos da educação ambiental no Brasil – um depoimento. In: BRASÌLIA. Educação Ambiental. Em Aberto, Ano X, n° 49. Brasília: MEC, 1991. p. 2-15

 

 

______. Educação Ambiental: Princípios e Práticas. 5ª ed. São Paulo: Gaia, 1998.

 

 

______. Ecopercepção: um resumo didático dos desafios socioambientais. São Paulo: Gaia, 2004.

 

 

IBGE. Conhecendo o Brasil. CD-ROM Educativo. 2a ed., 2007.

 

 

MIRANDA, G. E. C.; ABÍLIO, F. J. P. & GUERRA, R. A. T. Cabedelo e seus Ecossistemas. In: ABÍLIO, F.J.P. & GUERRA, R.A.T. [Org.] A Questão Ambiental no Ensino de Ciências e a Formação Continuada de Professores de Ensino Fundamental. João Pessoa: Ed. Universitária da UFPB, 2005. p. 11-34.

 

 

ODUM, E. P. Ecologia. Rio de Janeiro: Guanabara, 1988. 434p.

 

 

RODRIGUEZ, Janet Lins (Coord.) Cartilha Paraibana: aspectos geo-históricos e folclóricos. João Pessoa: GRAFSET, 1991. 112p.

 

 

SÃO PAULO (Estado). Educação, Meio Ambiente e Cidadania: reflexões e experiências. São Paulo: SMA/CEAM, 1998. 122p.

 

 

SODRÊ, M. G. Consumo e globalização. In: SÃO PAULO (Estado). Educação ambiental, meio ambiente e cidadania: reflexões e experiências. São Paulo: SMA/CEAM, 1998. pg. 103-106.

 

 

VERNIER, J. O Meio Ambiente. 2a ed. (Tradução de Maria Appenzeller) Campinas, SP: Papirus, 1994

 

 

PIAGET, J. O desenvolvimento do pensamento. Equilíbrio das estruturas cognitivas. Lisboa: Dom Quixote, 1977.

 

 

PEREIRA, M. L. Métodos e Técnicas para o Ensino de Ciências. João Pessoa: Ed. Universitária da UFPB,1998.

 

 

MARCONI, M.A.; LAKATOS, E.M. Técnicas de Pesquisa. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2002.

 

 

JACOBI, P. Educação ambiental e cidadania. In: São Paulo (Estado). Educação ambiental, meio ambiente e cidadania: reflexões e experiências. São Paulo: SMA/CEAM, 1998. pg.11-14.

 

FRANCO, S. R. K. O Construtivismo e a Educação. 4ª ed. Porto Alegre: Mediação, 1995.

 

 

CAMÊLO, I. A.; SILVA, J. V. & MANHÃES, E. V. S. Educar para a cidadania. In: I Seminário Regional de Educação Ambiental para o Semi-Árido Nordestino e Encontro Paraibano de Educação Ambiental, João Pessoa-PB, 2007. Anais. João Pessoa: UFPB/REAPB, 2007. CD-ROM.

 

Agradecimentos

 

A Todos que fazem a Escola Municipal Major Adolfo Pereira Maia, pela colaboração e autorização para o desenvolvimento deste projeto.



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