ISSN 1678-0701
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No. 31 - 12/03/2010
Reportagem: Ilustres visitas no acampamento da juventude
Quem visitou o acampamento da juventude do Fórum Social Mundial 2010, localizado no bairro rural Lomba Grande, em Novo Hamburgo/RS, teve a oportunidade de conhecer integrantes de uma tribo indígena baiana - Alice Gehlen Adams / Jornalista Responsável pela Educação Ambiental em Ação (Mtb 12.690)

Educação ambiental em Ação 31

Reportagem: Ilustres visitas no acampamento da juventude

Texto e fotografia: Alice Gehlen Adams - Jornalista Responsável pela Educação Ambiental em Ação (Mtb 12.690)

Fórum Social Mundial 2010 teve a participação de dois integrantes da tribo dos Pataxós

Quem visitou o acampamento da juventude do Fórum Social Mundial 2010, localizado no bairro rural Lomba Grande, em Novo Hamburgo/RS, teve a oportunidade de conhecer integrantes de uma tribo indígena baiana. Os Pataxós Patxiá e Kamayurá foram trazidos ao evento pelo Projeto Apoema Educação Ambiental para um intercâmbio cultural. O que era para ser a participação em venda de artesanatos resultou em muito mais. No acampamento, os indígenas eram vistos como “celebridades” e foram convidados a participar de fóruns e debates.

Patxiá (na foto) e Kamayurá ficaram encantados com a cultura do povo gaúcho e com a receptividade da comunidade. O índio cita como momento mais marcante da participação deles no FSM o encontro com o Ministro da Justiça Tarso Genro. “Toda a nossa participação aqui no fórum foi muito valiosa, mas falar com o ministro foi o mais importante. Falei para ele que não há como falar em justiça e educação sem falar nos índios, que são os donos desta terra”. Ele lembra ainda que o ministro respondeu que realmente ainda é muito pouco o que se faz pelo índio no Brasil e elogiou a atitude de Kamayura.

O casal levou ao acampamento colares, brincos, pulseiras, e muitos outros artesanatos criados por sua tribo. Muitas pessoas que visitavam a exposição se interessavam pelos artigos que os próprios índios usavam. “Meu brinco já está reservado para uma moça e o Kamayura já vendeu o cocar que estava usando. Acho que chama mais atenção quando a gente usa o material”, avalia Patxia.

A índia comenta que a participação deles no FSM foi muito importante e cita que muitas pessoas ficavam surpresas ao vê-los no acampamento. “O mais legal de tudo aqui foi este intercâmbio de culturas. Conhecemos a música e a dança dos gaúchos e achamos tudo muito lindo”.



 

Pinturas

Kamayura demonstrou sua técnica de pintura tribal, semelhante a uma tatuagem, e deixou sua marca na pele de muitos visitantes e participantes do Acampamento da Juventude. As pinturas, segundo Kamayura, ficam gravadas em torno de 10 dias. A tintura é feita com genipapo e carvão. A jovem porto-alegrense Mariana de Cássia, 12 anos, estava encantada com o contato com os indígenas.

Mariana foi ao acampamento acompanhar sua mãe que estava trabalhando na feira de alimentação e resolveu parar na tenda dos índios e fazer uma tatuagem. Kamayura explica que fez na perna da menina uma pintura indígena que representa os jovens. “Tudo isto é muito bonito, as pinturas, o artesanato deles. Eu adorei esta experiência”, conta a estudante da 7ª série do colégio Mãe de Deus.

A diretora da Apoema Cultura Ambiental, Berenice Gehlen Adams, também quis fazer um desenho. Kamayura, que já pinta desde os 7 anos, caprichou. “Fiz nela uma pintura que representa o fortalecimento espiritual e a ligação com a natureza”, explica.

 

Os Pataxós

No início da colonização os Pataxós localizavam-se mais ao Sul da Bahia, interior de Minas Gerais e ao norte do Espírito Santo. Foi por pressão dos Tupi, por volta do ano 420, que recuaram mais para o interior da Bahia e se concentraram em uma única aldeia na região da Barra Velha, junto com os Maxakalí, Botocudos, Kamakã e Tupiniquim.

Atualmente os Índios Pataxós se concentram mais ao sul da Bahia, em cidades como Porto Seguro, Santa Cruz Cabrália e Caraíva. Totalizam aproximadamente 25 mil indígenas desta etnia, divididos em 24 aldeias. Foram os Pataxós os índios que receberam os portugueses quando estes aqui chegaram em 22 de abril de 1500. Apesar da enorme pressão da cultura colonizadora a tribo conseguiu resgatar e preservar o idioma Patxôhã.

Com uma proposta de gestão compartilhada da Unidade de Conservação e o IBAMA, desde abril de 2002 a comunidade Pataxó co-administra o Parque Nacional de Monte Pascoal protegendo as matas, o meio ambiente e sua cultura.



Uma luta pela educação

O Pataxó Kamayurá tem 28 anos e uma longa caminhada em busca de uma vida mais justa para sua tribo. Ele é um dos idealizadores do projeto Índios na Escola – Valorização da História e Cultura Indígena no Brasil. O projeto foi criado em razão da Lei Federal N° 20.645, de 10 de março de 2008, que estabelece as diretrizes e bases da educação em todo território nacional, no ensino fundamental e médio, da rede pública ou privada. A lei também tornou obrigatório o estudo da história e cultura indígena no currículo oficial das redes de ensino.

O trabalho realizado a partir desta nova proposta vem reforçar o direito dos indígenas e contribuir para a aplicação desta lei. “Temos que aproveitar e fazer uso desta lei. Lutar pelos nossos direitos já que uma abertura nos foi dada”, comenta Kamayurá. Com palestras, oficinas e apresentação de lutas, jogos, danças, etc, os Pataxós levam a diferentes comunidades um pouco do dia a dia dos indígenas.

Entre os objetivos específicos do programa estão a facilitação do acesso à arte nativa e a promoção de uma consciência ecológica; o trabalho da educação e formação através de um universo lúdico e criativo das crianças e jovens; a compreensão da diversidade étnica e cultural; e a promoção da interdependência como base da natureza e de uma sociedade que proporciona um conjunto interdisciplinar de saberes.

E não é só fora da aldeia que os Pataxós deixam sua marca na educação. Kamayurá conta que hoje já conseguiram assumir sua verdadeira identidade e vencer muitas barreiras. “Temos sete salas de aula e oito professores indígenas. Nosso principal objetivo é poder formas cidadãos capazes de cuidar do seu próprio povo”.

 

Acesse o blog do projeto e se mantenha atualizado sobre as ações realizadas: http://www.indiosnaescolaespiritopataxo.blogspot.com 

E-mail: espiritopataxo@yahoo.com.br

Comunidade no Orkut: 

http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=90410773

Fotos do Fórum Social Mundial 2010:

 http://picasaweb.google.com/bereadams/FotosDoAcampamentoDaJuventudeDoForumSocialMundial#

Alice Gehlen Adams - alice@apoema.com.br




 
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