ISSN 1678-0701
Número 60, Ano XVI.
Junho/Agosto/2017.
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Artigos

24/06/2017
CYPERUS LUZULAE (L.) ROTTB. EX RETZ E TRIPOGANDRA GLANDULOSA (SEUB.) ROHW.: PRIMEIROS REGISTROS DE USO MEDICINAL EM ARTIGOS CIENTÍFICOS REALIZADOS NO BRASIL.  
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CYPERUS LUZULAE (L.) ROTTB. EX RETZ E TRIPOGANDRA GLANDULOSA (SEUB.) ROHW.: PRIMEIROS REGISTROS DE USO MEDICINAL EM ARTIGOS CIENTÍFICOS REALIZADOS NO BRASIL.

 

 

FERREIRA, D.¹; MENDONÇA, M.S.¹; SIMÃO, M.O.R.A.²

¹Universidade Federal do Amazonas, Faculdade de Ciências Agrárias, Programa de Pós-Graduação em Agronomia Tropical. Av. Rodrigo Octávio, 6200 – Campus UFAM, Setor Sul, CEP 69077-000, Manaus, AM, Brasil.

²Universidade Federal do Amazonas, Centro de Ciências do Ambiente. Av. Rodrigo Octavio, 3000-Campus UFAM Setor Sul, CEP 69077-000, Manaus, AM, Brasil.

*Autor para correspondência: dlferreira2010@hotmail.com

 

RESUMO: Cyperus luzulae (L.) Rottb. ex Retz  (Cyperaceae) e Tripogandra glandulosa (Seub.) Rohw (Commelinaceae) são espécies de uso novo, relatadas pela primeira vez em estudos etnobotânicos para o tratamento de diarreia. Tradicionalmente, são conhecidas como tampão e tapacu, respectivamente. Em estudo etnobotânico realizado em comunidades rurais na região do Arari, Itacoatiara (AM), as referidas plantas obtiveram menor número de citações. Nessas comunidades entrevistadas, tampão foi citada por uma única informante (Comunidade São João do Araçá), assim como a espécie tapacu (Comunidade Nossa Senhora de Fátima). O objetivo deste artigo foi realizar um levantamento de informações sobre espécies das famílias Cyperaceae e Commelinaceae, a fim de confirmar o novo registro de uso dessas plantas. Assim, foi utilizada para a recuperação de artigos científicos sobre as espécies e as famílias em estudo a busca avançada no Portal de Periódicos da Capes e na base de dados Scielo. Após a coleta, foram selecionados 100 artigos, que, posteriormente, foram analisados individualmente. Do total, apenas 12 apresentaram espécies de Cyperaceae e seis mostraram espécies de Commelinaceae para uso medicinal. Plantas denominadas “tapacu” podem ser encontradas em alguns trabalhos com o mesmo nome vulgar e uso, mas pertencente a outra família botânica. Desse modo, considerando a ausência de registro na literatura para o uso medicinal dessas plantas e o pequeno número de citações nas comunidades estudadas, torna-se relevante publicar informações sobre essas espécies devido ao pouco/raro conhecimento básico das mesmas e, principalmente, pelo seu uso no tratamento de diarreias, que pode gerar futuras pesquisas de estudos químicos, fitoterápicos e em fitotecnia dessas espécies.

 

PALAVRAS-CHAVE: Commelinaceae; Cyperaceae; Plantas Medicinais; Etnobotânica na Amazônia; Base de Dados.

 

ABSTRACT: Cyperus luzulae (L.) Rottb. ex Retz and Tripogandra glandulosa (Seub.) Rohw.: first records of medicinal use in scientific articles developed in Brazil. Cyperus luzulae (L.) Rottb. ex Retz (Cyperaceae) and Tripogandra glandulosa (Seub.) Rohw (Commelinaceae) are reported for the first time in ethnobotanical studies. They are employed medical use in treating diarrhea. They are traditionally known in the communities studied as tampao and tapucu. Ethnobotanical study was conducted in nine rural communities in the Arari River region, Itacoatiara Municipality, Amazonas State. Tampao was cited in the community of São João do Araçá (one one informant), and tapacu by an informant in Nossa Senhora de Fátima community. The aim of the study was to confirm medicianal-use records of Cyperaceae and Commelinaceae species, and that such records were new. Databases available at the CAPES Journal Portal were used to access relevant scientific literature. After collation, we selected 100 articles for focussed analysis. Of these, only 12 referred to species of Cyperaceae having medicinal use, and 6 referred to Commelinaceae species in this manner. Plants called "tapacu" are referred to in other studies, confirming similar use elsewhere. Thus, considering the paucity of literature records for the medicinal use of these plants, and the small number of citations in the communities studied, it is important to publish information on these species due to lack of general knowledge of their uses. This is considred especially important as the plants are used in the treatment of diarrhea. The new knowledge lead to future research on the chemical, herbal and plant science these species.

 

KEYWORDS: commelinaceae ; cyperaceae ; medicinal plants; ethnobotany in the Amazon; database.

 

 

INTRODUÇÃO

Em levantamentos etnobotânicos é muito comum ser elencada uma grande diversidade de plantas que são usadas de diferentes formas e aplicações terapêuticas. O reconhecimento da sabedoria popular voltada para as plantas medicinais é necessário, tendo em vista que serve de subsídio para o conhecimento do potencial da flora dos biomas brasileiros (Melo-Batista & Oliveira, 2014).

O grande uso de medicamentos à base de plantas medicinais e o próprio conhecimento popular trazem consigo a necessidade de pesquisas para o esclarecimento e confirmação de informações sobre as ações das plantas visando à minimização de efeitos colaterais e toxicológicos, haja visto esse uso ainda não ser confiável e seguro. É factível a ampliação e incentivo de estudos etnobotânicos e etnofarmacológicos (Firmo et al., 2011). 

Uma forma de contribuir com a divulgação desse conhecimento é tornar pública a existência de espécies que podem despertar o interesse de estudos avançados e voltados às características químicas, terapêuticas, farmacológicas, anatômicas e histoquímicas sobre espécies que tenham potencial medicinal. Uma metodologia simples, mas de efeito, é usar o conhecimento baseado nos recursos tecnológicos. As tecnologias de informação e comunicação favorecem acesso ao extenso volume de informação disponível, o que resulta em pesquisas e descobertas científicas e tecnológicas que geram novas informações, possibilitando às pessoas novas formas de transmissão da informação e comunicação (Garcia & Chacon, 2008).

No estudo etnobotânico realizado pela autora (dados não publicados) em nove comunidades ribeirinhas da região do Arari, município de Itacoatiara, no Estado do Amazonas, foram levantadas informações sobre 104 espécies de plantas medicinais de diferentes famílias botânicas. Entre essas espécies destacaram-se duas que tiveram menor número de citações entre os entrevistados: Cyperus luzulae (L.) Rottb.ex Retz (tampão), da família Cyperaceae, e Tripogandra glandulosa (Seub.) Rohw. (tapacu), da família Commelinaceae, ambas citadas por um morador de duas comunidades separadamente durante as abordagens, usadas no tratamento de desarranjos intestinais, diarreias ou disenterias. Ainda nesse estudo, foi registrado o uso da tapacu por moradores da comunidade Nossa Senhora de Fátima na forma de chá para o tratamento de diarreias. Gusso & Lopes (2012) e Martins (1998) registraram uma planta com nome vulgar de tapacu usada no tratamento de diarreias respectivamente em comunidades do sul do Brasil e em quintais da cidade de Manaus, porém, identificadas como Colocasia sp. (Araceae).

A família Cyperaceae no Brasil apresenta cerca de 45 gêneros e possui de 500 a 600 espécies (Luceño & Alves, 1997). Porém, não é comum o registro de um grande número de espécies botânicas de uso medicinal pertencentes a esta família.

Plowman et al. (1990) apresentam as regiões oeste e noroeste da Amazônia como possuidoras de uma das mais ricas farmacopeias nativas quando comparadas a qualquer área nos trópicos. Nessas regiões, muitas plantas medicinais são utilizadas por diferentes grupos indígenas, muitas vezes não relacionadas ou investigadas farmacologicamente.  Esses autores registram duas espécies de Cyperus utilizadas como medicamento, conhecidas genericamente como piripiri e identificadas como C. articulatus L. e C. prolixus H.B.K.

Em estudos realizados em Goiás com a população de Mossâmedes, 44 espécies foram citadas como de uso medicinal, sendo apenas uma Cyperaceae, Bulbostylis capillaris L. C. B. Clark, utilizada para o tratamento de febre alta e resfriado (Vila Verde et al., 2003).

Vásquez et al. (2015), em levantamento etnobotânico realizado no município de Manacapuru-AM, também encontraram apenas uma espécie de Cyperaceae, Cyperus cf. esculentus L., vulgarmente chamada de manufa, que era utilizada por moradores de comunidades rurais no tratamento de diarreia, hemorroida, gripe e dor de cabeça.

A família Commelinaceae inclui 38 gêneros e 620 espécies distribuídas pelos trópicos e subtrópicos, principalmente das Américas, sendo o gênero mais representativo Commelina, com aproximadamente 230 espécies (Faden & Hunt, 1991). No Brasil, são citados 61 táxons enquadrados em 13 gêneros, onde a maior diversidade de espécies ocorre na Floresta Atlântica e na Região Amazônica (Barreto, 1997).

A importância econômica das espécies de Commelinaceae está no fato de algumas espécies serem ornamentais, em razão da exuberância de suas flores e folhagem (Lorenzi, 2001), algumas possuem potencial medicinal por serem diuréticas e antirreumáticas (Pereira, 1987), além de serem consideradas daninhas ou invasoras de culturas (Lorenzi, 2000).

Diante de uma aparente escassez de informações e pesquisas sobre o uso dessas espécies para fins medicinais e na contramão dos estudos de etnobotânica tradicional, que, em sua maioria, aborda de forma mais aprofundada as espécies mais citadas, este estudo apresenta a busca bibliográfica sobre os registros de uso medicinal de duas espécies (Cyperus luzulae (L.) Rottb.ex Retz e Tripogandra glandulosa (Seub.) Rohw.) que apresentaram o menor número de citações no levantamento etnobotânico realizado na região do Arari.

Desta forma, o objetivo desta pesquisa foi verificar se o baixo índice de ocorrência de citações de uso medicinal das espécies aqui destacadas é uma característica local ou se repete em outras regiões do Brasil.

 

MATERIAL E MÉTODOS

A pesquisa foi realizada no período de maio a outubro de 2015 com um extenso levantamento na Base de Dados no Portal de Periódicos da Capes e na base Scielo. Na busca, foram utilizadas as seguintes palavras-chaves: plantas medicinais, estudo etnobotânico, quintais, comunidades rurais e o nome das espécies Cyperus luzulae (L.) Rottb. ex Retz e tapacu, em razão da identificação botânica só ter sido confirmada em novembro de 2015.

Foi realizada análise de trabalhos desenvolvidos no país e publicados em revistas nacionais e internacionais indexadas, publicadas no período de 2000 a 2015. Desta busca, foram resgatados 320 artigos relacionadas às palavras-chave. Após análise destes documentos, foram selecionados 100 artigos que continham listas de espécies facilitando a identificação da ocorrência das espécies de interesse (Cyperus luzulae (L.) Rottb. ex Retz e tapacu) (Tabela 1). Os demais artigos não foram incluídos, pois mesmo sendo resgatados se tratavam de estudos não relacionados aos critérios adotados neste trabalho.

TABELA 1. Número de artigos publicados em cada uma das revistas analisadas (n=100) que continham listas de espécies botânicas de uso medicinal.

Título das Revistas Científicas/Eventos Científicos

Número de Artigos Identificados

Agropecuária Científica no Semi-Árido – ACSA

1

Acta Agronômica

1

Acta Amazônica

2

Acta Botânica Brasílica

12

Biodiversidade

5

Biotemas

2

Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi

2

Cadernos de Agroecologia

2

Ciência Agrotécnica Lavras

1

Ciência e Natura

2

Embrapa – Comunicado Técnico NQ23

1

Enciclopédia Biosfera, Centro Científico Conhecer

1

Escola Anna Nery (impressa)

1

Flovet

1

Holos

1

Iheringia

2

Interações

1

Interciência

1

Multiciência

1

Ouricuri

1

Química Nova

1

Revista Brasileira de Farmacognosia

7

Revista Brasileira de Plantas Medicinais

21

Revista Pesquisa e Inovação Farmacêutica

1

Revista Brasileira de Biociências

3

Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas

4

Revista Brasileira de Enfermagem - REBEn

1

Revista Caatinga

1

Revista Científica da Escola de Saúde - Catussaba

1

Revista Científica Eletrônica de Engenharia Florestal

1

Revista Ciência, Tecnologia e Ambiente

1

Revista de Biologia e Ciência da Terra

2

Revista de Biologia e Farmácia – Biofar

1

Revista do Setor de Ciências Agrárias e Ambientais – Ambiência

1

Revista Eletrônica Novo Enfoque

1

Revista Espaço para a Saúde

1

Revista Pesquisa & Criação

1

Revista Sapiência: Sociedade, Saberes e Práticas Educacionais

1

Revista Vitas

1

Rodriguésia

1

Saúde e Ambiente em Revista

1

Scientia Plena

1

Semina: Ciências Agrárias

1

Texto Contexto Enfermagem

1

Uniciências

1

Unoesc & Ciência

1

Unopar Científica: Ciência. Biologia. Saúde

1

TOTAL

100

 

 

Os artigos que apresentavam espécies das famílias Cyperaceae e/ou Commelinaceae foram selecionados e identificados o nome científico e o respectivo uso das plantas medicinais.  Essas informações foram inseridas em planilhas do Microsoft Office Excel 2007 para análises descritivas e elaboração de gráficos e tabelas identificando as informações mais importantes para responder ao objetivo dessa pesquisa. Após todo o procedimento concluído, com a posterior identificação da planta tapacu como Tripogandra glandulosa fez-se busca também pelo nome científico.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

No levantamento botânico realizado em nove comunidades no município de Itacoatiara (AM) (dados não publicados) foram registradas 104 espécies diferentes e somente duas espécies pertenciam às famílias Cyperaceae e Commelinaceae respectivamente: tampão (Cyperus luzulae (L.) Rottb. ex Retz) e tapacu (Tripogandra glandulosa (Seub.) Rohw).

Essas duas espécies chamaram a atenção por serem citadas por informantes de apenas duas comunidades (São João do Araçá e Nossa Senhora de Fátima). Essas informantes deram grande destaque à eficiência dessas espécies no tratamento de diarreias e mencionaram ter herdado de seus ancestrais o conhecimento sobre o uso.

Na comunidade São João do Araçá, foram levantadas 50 espécies botânicas e a espécie tampão (Cyperus luzulae) foi citada apenas por uma das entrevistadas (Dona O.C.C., 69 anos) entre as plantas cultivadas em seu quintal. Na comunidade Nossa Senhora de Fátima, foram mencionadas 30 espécies botânicas e a tapacu (Tripogandra glandulosa) também foi citada por apenas uma das entrevistadas (Dona D.P.C., 39 anos).

De acordo com os critérios de inclusão estabelecidos, foram identificados 100 artigos científicos e nenhum trouxe em suas listas de plantas medicinais as espécies Cyperus luzulae e Tripogandra glandulosa.

Da análise realizada para identificar o registro de outras espécies de plantas de uso medicinal pertencentes às famílias Cyperaceae e/ou Commelinaceae, observou-se uma tendência de aumento no número de publicações a partir do ano de 2005, apresentando apenas uma queda em 2008 (Figura 1). Essa tendência pode significar maior interesse da comunidade científica por estudos etnobotânicos. Oliveira et al. (2013) analisando estudos etnobotânicos realizados no Brasil no período de 1990 – 2007 também registraram um aumento no número de trabalhos publicados em revistas indexadas a partir de 2005.

 

FIGURA 1. Número de artigos (n=100) consultados distribuídos pelo ano de publicação (2000 a 2015).

Fonte: FERREIRA, 2015

 

Nos artigos analisados foram identificados 12 artigos com registro de espécies de uso medicinal da família Cyperaceae e seis artigos com espécies da família Commelinaceae (Figura 2).

 

 

FIGURA  2. Número de artigos científicos (n=100) identificados com o registro de espécies das famílias Cyperaceae e Commelinaceae.

Fonte: FERREIRA, 2015

 

Utilizar a base de dados para identificar resultados e/ou soluções em pesquisas nos mais diversos temas não é uma prática inovadora, mas uma forma de auxiliarmos avanços das pesquisas e/ou instigar pesquisadores a continuarem pesquisas já realizadas, a fim de complementar o conhecimento como, por exemplo, com a divulgação de novas espécies. Oliveira et al. (2009) aplicaram a análise de bases de dados para analisar o desenvolvimento da etnobotânica brasileira em artigos científicos, no período de 1990 a 2007. Esses autores não identificaram nenhuma publicação para o ano de 1991, mas, para o período de 1990 a 2007 foram identificados 185 trabalhos.

Em outro trabalho usando a base de dados, Pereira et al.. (2015) ao buscarem as potencialidades e a evolução científica e tecnológica sobre o gênero Jatropha de forma a identificar gargalos técnico-científicos, bem como áreas com maiores avanços neste tema, constataram um crescimento no número de publicações científicas desde o início dos anos 2000 sobre espécies do gênero Jatropha, tendo o ano de 2012 o máximo de publicações, sugerindo que esse resultado esteja relacionado à utilização de espécies desse gênero para a produção de biodiesel e com outras potencialidades alimentícias e farmacêuticas, mas que necessitam de mais estudos farmacológicos, por conta de sua toxicidade.

Nessa análise, foram identificados em outros estudos científicos a forma de como a espécie (Cyperus luzulae) Cyperaceae é registrada nas publicações: 1. Souza & Conceição (2009) registram Cyperus luzulae em levantamento botânico da família Cyperaceae no município de Caxias-Maranhão; 2. Ferreira & Eggers (2008) realizaram estudos morfológicos do fruto; 3. Carneiro & Irgang (2005) sobre origem e distribuição geográfica de 9 espécies ruderais da família Cyperaceae no Rio Grande do Sul, destacando Cyperus luzulae entre elas; 4.  Hefler & Longhi-Wagner (2010) e Santos et al. (2014) sobre anatomia foliar das Cyperaceae.

Os resultados aqui apresentados demostram que o registro do uso medicinal de tampão (Cyperus luzulae) é inédito. Deste modo, a intensificação das pesquisas com a espécie além de contribuir para a identificação de plantas medicinais na farmacopeia brasileira, estimula a busca de informações acerca da farmacognosia, histoquímica e prospecção de novos compostos utilizados no tratamento de doenças.

Os aspectos abordados nos 12 artigos analisados para identificação de espécies de Cyperaceae de uso medicinal mostram outras espécies e seus usos e confirmam a inexistência da citação ou uso de Cyperus luzulae: 1. Vendruscolo & Mentz (2006) em trabalho realizado no bairro Ponta Grossa, Porto Alegre (RS) registraram três espécies de uso medicinal mencionadas pelos moradores: Carex sororia Kunth, Cyperus eragrostis Lam e Kyllinga odorata Vahl, usadas para tratar diarreia, hemorroidas e disenterias, respectivamente;  2. Carex sororia Kunth foi registrada com uso semelhante ao da Cyperus luzulae identificada neste estudo na região do Arari para tratar diarreias, mas não se trata da mesma espécie; 3. No trabalho de Messias et al. (2015) foi citado o uso de Cyperus esculentus L., vulgarmente conhecida por tiririca e usada para tratar amigdalite; 4. Pinto et al. (2006), em levantamento etnobotânico sobre o conhecimento e uso de plantas medicinais em duas comunidades rurais (Marambaia e Camboinha), localizadas em uma Área de Proteção Ambiental, na Mata Atlântica do Sul da Bahia identificou Rhynchospora nervosa Boeck, conhecida vulgarmente por capim-estrela, mencionada para 5 usos distintos medicinalmente, mas não descritos pelos autores; 5. Oliveira et al. (2010) em Oeiras (PI) em uma pesquisa com o objetivo de identificar as etnoespécies utilizadas como fitoterápicos no tratamento de enfermidades nas comunidades, registra o uso medicinal de Cyperus uncinulatus Schard. Ex. Ness para controlar a menstruação irregular; 6. No assentamento Monjolinho, município de Anastácio (MT) um estudo etnobotânico destacou entre as espécies medicinais usadas pelos moradores da localidade Cyperus corymbosus Rottb (junco) usada para fins medicinais, porém, o uso terapêutico específico não foi mencionado (Cunhas & Bertolotto, 2011); 7. Silva e Andrade (2005) levantaram espécies úteis em duas comunidades do Litoral – Mata de Pernambuco e identificaram o uso medicinal de Rinchospora ciliata (Vahl) Kuk (capim-estrela); 8. Fenner et al.. (2006) em um levantamento da literatura etnobotânica relacionado a infecções fúngicas registraram o uso de Cyperus rotundus L, (tiririca, junçá-aromática e alho) no tratamento de sinais e sintomas indicativos dessas infecções; 8. Bulbostylis capillaris (L.) Charke (capim-barba-de-bode) foi citada para uso medicinal por moradores do bairro Santa Cruz da cidade de Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso, como terapia alternativa em relação à manutenção e recuperação da saúde bucal (Borba & Macedo, 2006); 9. Vila Verde et al. (2003) identifica Bulbostylis capillaris para fins medicinais no tratamento de resfriado e febre alta no município de Mossâmedes (GO); 10. Carneiro et al. (2014), em levantamento utilizando base de dados Scielo para analisar informações sobre a tendência de estudos com plantas medicinais no Brasil, apresentaram a Cyperus rotundus L. (tiririca) na lista de espécies citadas em artigos do período de 1995 a 2011 para uso no tratamento de infecção urinária, inflamações, dismenorreia, gastralgia e outros; 11. Lameira et al. (2000), em um comunicado técnico da EMBRAPA sobre espécies medicinais existentes na Amazônia, destacaramo uso de Cyperus odoratus Osback (piprioca), mas não especificaram qual seu uso na flora medicinal; 12. Ainda na Amazônia, mais especificamente no município de Manacapuru (AM), foi registrado o uso de Cyperus esculentus L. (manufa) para o tratamento da gripe, dor de cabeça, hemorroida e diarreia (Vasquez, 2015).

A partir deste levantamento foi verificado que a espécie Cyperus luzulae registrada para uso medicinal em uma comunidade rural na região do Arari (AM) nunca havia sido registrada em trabalhos com plantas medicinais e que o registro de uso como medicinal no tratamento de diarreias é novo.

Da mesma forma, destaca-se que para Commelinaceae assim como para Cyperaceae existem poucos estudos na literatura, a saber: 1. Rocha et al. (2007) identificaram espécies que são pragas da lavoura por causarem prejuízos econômicos nas culturas agrícolas, como soja e milho; 2. Gusso & Lopes (2012) citaram uma planta denominada vulgarmente de tapacu no Sul do Brasil, identificada como Colocasia sp., mas que, provavelmente, trata-se de uma espécie diferente da registrada neste estudo considerando que Colocasia sp. é uma espécie da família Araceae; 3. Martins et al. (1998) registrou, em Manaus, uma planta denominada vulgarmente de tapacu, também identificada como Colocasia sp; 4. Silva & Andrade (2005) identificaram uma planta denominada vulgarmente de tapacu utilizada na alimentação na zona do Litoral-Mata de Pernambuco, porém não apresentaram identificação botânica.

Entre os registros da busca nas bases de dados, os 6 artigos que mencionam espécies de Commelinaceae são aqui apresentados: 1. Entre os relatos de espécies medicinais de Commelinaceae Vendrusolo & Mentz (2006) elencam, dentro da lista de espécies, as plantas Tradescantia pallida (Rose) D.R.Hunt (onda-do-mar) usada para inflamação na bexiga e Tradescantia zebrina Heynh com diversos usos medicinais, como para o tratamento de bexiga, cálculo renal, cistite, conjuntivite, derrame na vista, diabetes e rins; 2. Em Ouro Preto, Messias et al. (2015), em um estudo com objetivo de identificar as plantas medicinais de uso popular, identificaram três espécies de Commelinaceae de uso medicinal: Commelina benghalensis L. (marianinha) usada no tratamento anticefaleico e utilizada como diurético, Tradescantia zebrina Heynh ex Bosse (trapoeraba) usada como diurético e Tripogandra serrulata (Vahl) Hadlos também utilizada como diurético; 3. Hoeffel et al. (2011) relacionaram Tradescantia elongata (trapoeraba) na lista de espécies utilizadas como plantas de uso medicinal pela população da região das APA’S Cantareira/SP e Fernão Dias/MG; 4. Em São Miguel, zona rural de Várzea Grande (MT) foi realizado estudo para resgatar o conhecimento sobre as plantas utilizadas como remédio e, na lista de espécies citadas, tem-se: Commelina nudiflora L., Ipomoea batatas (L.) Lam. e Operculina macrocarpa (L.) Urb. (Mamed & Pasa, 2014); 5. Fenner et al. (2006) também destacaram a utilização de três espécies para o tratamento de sinais e sintomas indicativos de infecções fúngicas a partir de buscas na base de dados MEDline – PUBMED: Commelina deficiens Hook (marianinha) usada para o tratamento de dartros e leucorreia, Dichorisandra affinis Mart. Usada para dartros e Tripogandra diurética (Mart.) usada no tratamento de dartros e leucorreia; e 6. Oliveira et al. (2010) que registrou o uso medicinal de Commelina nudiflora para tratar alergia entre as espécies de um estudo etnofarmacológico realizado em Limeira (MG).

Diante dessas informações é importante esclarecer que, em trabalhos semelhantes a esse, o objetivo maior dos estudos que vêm sendo realizados é verificar as tendências com plantas medicinais no Brasil e sobre a evolução da etnobotânica, como o de Carneiro et al. (2014) que, inclusive, buscou na base de dados Scielo no período de 1995-2011 artigos de revistas brasileiras que usaram a palavra “planta medicinal” e, nessa busca, as relacionou, retirando desses artigos as espécies mais citadas pelos diversos autores desses trabalhos que foram: alecrim (Rosmarinus officinalis), funcho (Foeniculum vulgare), hortelã (Mentha piperita L.); manjericão (Ocimum basilicum), capim-limão (Cymbopogon citratus), gengibre (Zingiber officinale), losna (Artemisia absinthum), alho (Allium sativum), cebola (Allium cepa L.), coentro (Coriandrum sativum L.), eucalipto (Eucalyptus globulus), estragão (Artemisia dracunculus L.), cravo-da-índia (Artemisia dracunculus L.), citronela (Cymbopogon nardus L.), romã (Punica granatum), camomila (Matricaria recutita), cânfora (Cinamomum camphora) e mil-folhas (Achillea millefolium).

Pode-se dizer, com clareza, que, de fato, essas espécies (Cyperus luzulae e Tripogandra glandulosa) são novidades entre as espécies citadas nos levantamentos etnobotânicos voltados para uso medicinal e que informar a comunidade científica sobre a existência das mesmas irá instigar a busca por maiores informações.

Divulgar informações sobre plantas medicinais é sempre oportuno, pois conhecer as espécies e seus respectivos usos pode colaborar para elucidar indicações terapêuticas semelhantes, despertar a realização de pesquisas para aprofundar o conhecimento sobre as mesmas, e valorizar a medicina alternativa. Além disso, pesquisa desta natureza é a base para a prospecção de outros possíveis usos e poderão fornecer informações que irão contribuir para o desenvolvimento de novos fitoterápicos mais acessíveis à população.

A partir desses resultados ressalta-se a importância da realização de estudos anatômicos, histoquímicos, fitoquímicos e químicos, para a identificação de estruturas, compostos e princípios ativos que justifiquem os efeitos do uso citados para essas espécies no tratamento de diarreias como apontado pelas moradoras das comunidades neste estudo.

 

REFERÊNCIAS

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