ISSN 1678-0701
Número 43, Ano XI.
Março-Maio/2013.
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Práticas de Educação Ambiental

13/03/2013A PEGADA HÍDRICA: CONCEITO E USO EM ATIVIDADES DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL   
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Educação Ambiental e Mudança de Comportamento

A pegada hídrica: conceito e uso em atividades de educação ambiental

Valdir Lamim-Guedes

Biólogo e Mestre em Ecologia pela Universidade Federal de Ouro Preto.

E-mail: dirguedes@yahoo.com.br

 

Resumo:

Uma reflexão interessante sobre consumo é pensar qual é a quantidade de recursos naturais e energia gasta para produzir os produtos que consumimos. A pegada ecológica é uma forma de se fazer isto, mas existem outras que também são muito interessantes, que são as pegadas hídrica e de carbono. Neste texto será focada a pegada hídrica (PH) que trata do consumo de água. A PH é baseada no mesmo raciocínio da pegada ecológica, mas ao invés de usar área (em hectares), utiliza a quantidade de água (geralmente em metros cúbicos), sendo um indicador que expressa o consumo de água envolvido na produção dos bens e serviços consumidos por exemplo: indivíduos, empresas e nações. A abordagem da PH em sala de aula é uma forma de se discutir consumo, problemas ambientais e pensar em formas de resolver tais problemas.

 

Palavras-chave: consumo; água; recursos hídricos; recursos naturais;

 

Introdução

A educação ambiental (EA), tendo por base a alfabetização ecológica, conforme colocada por Fritjof Capra (1996) como a assimilação de princípios ecológicos para o entendimento dos problemas ambientais e soluções destes, é uma das principais ferramentas para a sustentabilidade planetária. Junto com o desenvolvimento e adoção de novas tecnologias menos impactantes, com a redução das emissões de poluentes, redução da extração de recursos naturais e uma nova conduta da política, com justiça socioambiental. Diversas estratégias educativas são utilizadas visando às mudanças de comportamento. Por exemplo, o princípio dos 3 R’s (Reduzir, Reutilizar e Reciclar) utilizado como forma de refletir a importância de reduzir o consumo. Outras ferramentas são as pegadas, que trazem implicitamente a ideia de impacto das nossas escolhas.

 

As pegadas dos nossos comportamentos

As pegadas dão pistas de onde viemos e para onde vamos. Levando isto em conta, no início da década de 1990, foi criado o termo pegada ecológica pelos pesquisadores americanos William Rees e Mathis Wackernagel. Neste cálculo a unidade é o hectare global, que, como o hectare normal, tem 10 mil metros quadrados, mas mede a capacidade de produção de recursos naturais de toda a superfície terrestre – o que inclui áreas de cultivo, florestas, rios e mares, mas não desertos e geleiras (WWFBRASIL, 2011). O total disponível de área produtiva no mundo, a chamada biocapacidade, é de apenas 1,8 hectare global por pessoa. Além disso, a biocapacidade vem diminuindo – seja pelo aumento da população ou pela degradação de solos e mares (FAVA e VIALLI, 2009). A utilização da pegada ecológica em atividades educativas foi abordada por Lamim-Guedes (2011).

A partir do conceito de pegada ecológica foram criados os conceitos de pegada hídrica e de carbono. A primeira trata do consumo de água e a segunda trata das emissões de gases causadores de efeito estufa. Muito embora as pegadas tenham métodos de medição diferentes, eles têm em comum o fato de traduzirem o uso de recursos naturais pela humanidade. Com isto, estas pegadas têm importantes desdobramentos para a educação ambiental, mudanças de comportamento e para nortear políticas públicas. No restante deste texto será tratado com mais detalhes da pegada hídrica.

 

Pegada Hídrica

A água doce tem sido sujeita a um crescimento da pressão na forma do consumo de água e poluição. Inclusive, ao tratar do consumo de água deve-se levar em conta a água virtual, que é a quantidade de água gasta para produzir um bem, produto ou serviço. Ela está embutida no produto, não apenas no sentido visível, físico, mas também no sentido "virtual", considerando a água necessária aos processos produtivos.

Neste sentido, muitos países são exportadores de água, no caso do Brasil, parte da nossa água é “exportada” na forma de soja e carne, por exemplo. É importante adicionar ao consumo local de água, os recursos hídricos utilizados na produção das mercadorias compradas de outras regiões ou países. Outro aspecto importante é pensar que a questão envolvendo os recursos hídricos está além da área geográfica da bacia hidrográfica.

A pegada hídrica (PH) é um indicador que expressa o consumo de água doce (em metros cúbicos por ano) envolvido na produção dos bens e serviços que consumimos. Este conceito foi lançado em 2002 por Hoekstra e Huang (2002). “A PH de um indivíduo, comunidade ou empresa é definida como o volume total de água doce que é utilizado para produzir os bens e serviços consumidos pelo indivíduo, comunidade ou produzidos pelas empresas” (WATER FOOTPRINT, 2013). A PH é baseada no mesmo raciocínio da pegada ecológica, mas ao invés de usa área (em hectares), utiliza o volume de água, geralmente em medido em metros cúbicos.

O conceito de pegada hídrica tem sido usado como indicador do consumo de água de pessoas e produtos em diversas partes do mundo, entretanto, no Brasil esse tema é totalmente incipiente (SILVA et al., 2013). E sua interpretação depende das características locais, principalmente a disponibilidade de água. Por exemplo, em uma área semiárida, mesmo uma PH pequena será um impacto ambiental alto. Além disto, A PH da população aumenta em função da renda familiar e diminui de acordo com os hábitos alimentares com tendências ao vegetarianismo (MARACAJÁ, SILVA e DANTAS NETO, 2013).

O método da PH permite que as iniciativas públicas e privadas, assim como a população em geral, entendam o quanto de água é necessário para a fabricação de produtos ao longo de toda a cadeia produtiva. Desta forma, os segmentos da sociedade podem quantificar a sua contribuição para os conflitos de uso da água e degradação ambiental nas bacias hidrográficas em todo o mundo (WWFBRASIL, 2011).

Ao identificar o volume, o local e o momento em que ocorre o consumo de água, a pegada hidrológica abre a possibilidade para uma gestão mais adequada dos recursos hídricos, evitando a exploração nos locais onde ela é mais escassa e direcionando o consumo para as regiões do planeta onde ela é mais abundante (GIACOMIN e OHNUMA JR., 2012).

Sobre à relação entre consumo e uso da água, "o interesse na PH está enraizado no reconhecimento de que os impactos humanos nos sistemas de água doce podem estar ligados ao consumo humano, e que questões como a escassez de água e a poluição podem ser melhores compreendidas e tratadas, considerando a produção e cadeias de suprimento como um todo" diz o professor Arjen Y. Hoekstra (WATER FOOTPRINT, 2013).

A pegada hídrica de um indivíduo ou comunidade pode ser estimada multiplicando-se todos os bens e serviços consumidos por seus respectivos conteúdos de água virtual. A PH de uma nação consiste de partes interna e externa, sendo a interna referente ao consumo dos recursos hídricos dentro do país, enquanto a externa se refere à apropriação dos recursos hídricos de outros países. O entendimento da PH de uma nação é altamente relevante para o desenvolvimento de políticas nacionais mais adequadas (HOEKSTRA e MEKONNEN, 2012). Na figura abaixo, é apresentado as PHs em alta resolução espacial.

Figura 1: A pegada hídrica da humanidade no período de 1996-2005. Os dados são apresentados em milímetros por ano. Fonte: Hoekstra e Mekonnen (2012).

 

Os quatro principais fatores de determinação da PH de um país são: o volume de consumo (em relação ao Produto Interno bruto - PIB), o padrão de consumo (por exemplo, alto e baixo consumo de carne), as condições climáticas (condições de crescimento das culturas agrícolas) e práticas agrícolas (uso eficiente da água). Na média anual, os norte-americanos têm uma PH de 2.482 m3. Já a média global é de 1.243 m3 e a do Brasil é de 1.381 m3 (CINTRA, 2011). Cerca de 38% da PH global refere-se à três países: China, Índia e Estados Unidos. O próximo país no ranking é o Brasil, com uma PH total de 482 Gm3/Ano (HOEKSTRA e MEKONNEN, 2012).

A maioria dos usos de água ocorre na produção agrícola destacando também um número significativo de volume de água consumida e poluída nos setores industriais e domésticos (SILVA et al., 2013). É muito interessante destrinchar o perfil de cada região quanto ao consumo de água, por este motivo, a PH é formada por três componentes: verde, azul e cinza:

·           PH verde – refere-se ao consumo de água das chuvas, sendo a maior parte consumida na produção agrícola;

·           PH azul - água da superfície e da do solo, por exemplo, obtida de poços, processos industriais que produzem vapor ou na incorporada nos produtos;

·           PH cinza – definida como o volume de água doce que é necessária para assimilar a carga de poluentes existentes com base em padrões de qualidade de água no ambiente;

O estudo publicado por Hoekstra e Mekonnen (2012) também apresenta a PH distribuída entre estes três componentes, como apresentado na figura abaixo.

Figura 2: As pegadas hídricas verde, azul e cinza para as nações no período de 1996-2005. Os dados são apresentados em milímetros por ano. Fonte: Hoekstra e Mekonnen (2012).

 

No caso do Brasil, fica claro que os componentes da PH respondem diretamente a densidade populacional, neste sentido, há grande PH na região sul e sudeste do país. No caso da PH verde, pode-se destacar a região centro-oeste, que apesar de menos populosa, apresenta grande extensões de área agrícolas. A PH azul é maior no sul e sudeste, áreas com maior concentração de indústrias, e na região nordeste, sobretudo em áreas com poços para obtenção de água do subsolo. No caso da PH cinza, as maiores são nas regiões mais densas do sudeste, contudo este componente da PH é o mais disseminado no território nacional, sendo portanto, um indicativo da necessidade de maiores cuidados com os recursos hídricos, por exemplo, com o aumento no tratamento de esgoto.

Parte importante da PH do brasileiro não foi destacada no estudo de Hoekstra e Mekonnen (2012), que é a nossa dependência das hidroeletricidade, produzida a partir das represas em várias bacias hidrográficas do País. E, sobre sito, vale mais uma observação, a nossa PH alta por causa disto tem um aspecto positivo que é uma baixa pegada de carbono, dada a nossa menor dependência de combustíveis fosseis.

 

Água e alimentação

A FAO (sigla em inglês para Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) mantém uma campanha sobre o uso intensivo da irrigação, utilizada no cultivo de 40% dos alimentos. Para o cálculo, levou-se em consideração que a produção de uma caloria dos alimentos exige, em média, um litro de água. Na campanha (figura abaixo), é alertado que para produzir um hambúrguer são necessários 2400 litros de água, enquanto quantidade de água significativamente menor é necessária para produzir outros produtos, por exemplo, um tomate (13 litros), uma laranja (50 litros) e um copo de leite (200 litros) (FAO, 2009).

Figura 3: pegada hídrica de vários alimentos. Fonte: FAO (2009).

 

A tabela 1 apresenta os valores médios globais de PH para diferentes produtos.

 

Tabela 1: Tabela demonstra a quantidade de água utilizada no processo produtivo de determinados itens. Ilustração Alina Macedo, Site: WWFBrasil (2011).

 

A relevância deste tipo de discussão vai além da PH de uma batata ou de um hambúrguer. A produção agrícola tem a maior participação na PH global, representando 92% do total. O consumo industrial representa cerca de 4,4% e o abastecimento doméstico 3,6% (HOEKSTRA e MEKONNEN, 2012). Portanto, em termos de políticas públicas e comportamentos, a produção agrícola e consumo de alimentos são uma área importantíssima.

Muitas ações educativas reforçam que para economizar água é preciso “fechar a torneira” ou “não varrer a calçada com mangueira”. Estes são comportamentos importantes, mas a maior parte da pegada hídrica utilizada por um consumidor está associada aos produtos e serviços que consome e não à quantidade de água para consumo doméstico. Neste sentido, a reflexão sobre o consumo e escolhas alimentares torna-se tão relevante.

Uma comparação interessante é feita por Maia e colaboradores (2012) entre a PH de um vegetariano e de um consumidor consumista. Estes autores encontraram que a PH do vegetariano é 1.123 metros cúbicos de água por ano menor do que a do consumidor consumista.

Em outro estudo, Maracajá, Silva e Dantas Neto (2013) obtiveram resultados que indicaram que, em média, a PH do consumidor vegetariano representa 58% do consumidor não vegetariano. Segundo estes autores, a PH da população pode ser minimizada através da mudança dos hábitos alimentares, bem como através da redução de consumo de produtos que envolvem a importação de água virtual; e, ainda, que grande parte da população desconhece os impactos dos hábitos alimentares sobre os recursos hídricos e ao meio ambiente.

A necessidade de se reestruturar o cardápio, de maneira que ele seja mais sustentável, privilegiando os produtos que exigem menos água para sua produção. Dessa maneira, um prato com batata e frango, por exemplo, exige muito menos água para sua obtenção do que um prato com arroz e bife bovino. A culinária é uma das características que mais individualizam as sociedades. Em cada cultura é possível perceber diferentes pratos típicos, relacionados a rituais e manifestações culturais específicas (GIACOMIN e OHNUMA JR., 2012).

 

Consumo e distribuição da água

O aumento do consumo de água cresceu muito nos últimos anos, apesar disto, o acesso à água ainda é uma situação que cria muitos problemas socioambientais, como ocorre na região semiárida no nordeste brasileiro e no oriente médio. Mais detalhes sobre esta questão, inclusive com mapas, está disponível no artigo Global Monthly Water Scarcity: Blue Water Footprints versus Blue Water Availability de autoria de Hoekstra e colaboradores (2012). Muitos estrategistas afirmam, e com muita propriedade, que a próxima grande guerra mundial será pelo acesso a água.

O resultado da escassez hídrica em algumas partes do planeta é um comércio mundial de água, na forma de bens e produtos. Os países e regiões que dispõem de água produzem bens para atender aqueles onde ela é escassa. Esse sistema passa a representar um problema quando as regiões produtoras, por falta de mecanismos adequados de gestão de seus recursos hídricos, passam a explorá-los em um ritmo superior à capacidade de regeneração do ambiente local (GIACOMIN e OHNUMA JR., 2012).

A importância da cooperação para o manejo de recursos hídricos limitados em um mundo em que a demanda está em rápido crescimento não pode ser subestimada: 145 países compartilham uma grande bacia hidrográfica com pelo menos mais uma nação. A Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou 2013 o Ano Internacional de Cooperação pela Água em 2010, a partir de uma proposta do Tajiquistão (UNESCO, 2013).

Apenas em Julho de 2010, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma resolução afirmando que o acesso à água e ao saneamento é “um direito humano essencial ao pleno desfrute da vida e de todos os direitos humanos” (WORSHIP, 2010). Cerca de 884 milhões de pessoas carecem de acesso à água potável no planeta, mais de 2,6 bilhões não têm saneamento básico, e cerca de 1,5 milhão de crianças menores de 5 anos morrem a cada ano por causa de doenças vinculadas à água e ao saneamento, segundo países patrocinadores da resolução (WORSHIP, 2010).

Algumas iniciativas de tecnologias sociais envolvendo recursos hídricos e mudanças climáticas são apresentados no livro Água e mudanças climáticas: tecnologias sociais e ação comunitária (SILVA et al., 2012).

 

Água e a conservação da natureza

O desmatamento e o reflorestamento afetam o processo hidrológico de tal forma, que podem influenciar diretamente a disponibilidade de água (OEL e HOEKSTRA, 2012).

Para muita gente pode ser difícil perceber que as perdas de florestas decorrentes da mudança no Código Florestal vão afetar nosso bem-estar. Estamos falando de perdas fundamentais, como a água. Desmatamento em nascentes, cursos d'água e reservatórios afetarão a disponibilidade da água, e a tendência é que isso aconteça exponencialmente se o código sofrer as mudanças em discussão (PADUA et al., 2011).

O desmatamento, se permitido legalmente pelas mudanças propostas no Código Florestal, causará um efeito direto que pode ameaçar a quantidade e a qualidade de água disponível em um dos maiores conglomerados humanos do país (PADUA et al., 2011). Em terras sob cobertura florestal, o sistema radicular, serrapilheira e vegetação adensada das matas conseguem, juntos, reter em média 70% do volume das precipitações, regularizando a vazão dos rios, contribuindo para a melhoria na qualidade da água (SILVA et al., 2011).

Neste sentido, ações de conservação das matas ciliares e da vegetação em áreas de recarga hídrica do lençol freático são muito importantes para a manutenção do fornecimento de água pelo ambiente.

 

Considerações finais

Como indicador de sustentabilidade, a pegada hídrica é capaz de monitorar o impacto humano sobre o meio ambiente. Os indicadores de sustentabilidade devem ser usados e interpretados em conjunto visando à avaliação dos impactos ambientais de produção e consumo (SILVA et al., 2013).

Há necessidade de se iniciar um processo de educação ambiental voltado para o uso responsável e sustentável dos recursos hídricos, objetivando a redução do consumo e poluição da água, e consequentemente a redução da pegada hidrológica (GIACOMIN e OHNUMA JR., 2012).

A EA é um caminho para a melhoria de vida de todos e para alcançarmos a sustentabilidade ambiental e social. Mas para isto, cada um não apenas pode, mas deve mudar suas atitudes, tornando-as mais responsáveis sócio-ambientalmente. Neste sentido, o uso das pegadas ecológica, hídrica e de carbono são ferramentas uteis para uma análise do nosso modo de vida, assim como utilizados em atividades educacionais.

Para Arjen Hoekstra, apesar dos governos terem papel fundamental na elaboração de leis que tornem a gestão eficiente da água uma obrigação, a população e as empresas também devem se envolver completamente. As companhias precisam entender como utilizar os recursos hídricos da melhor forma e devolvê-los limpos para a natureza. Já os consumidores devem se preocupar com a origem dos produtos que consomem e com os procedimentos adotados na produção (WWFBRASIL, 2011).

 

Sugestão de Práticas

1) Calculadora

A pegada hídrica ajuda a criar um novo olhar sobre o consumo, já que mostra informações muitas vezes desconhecidas pelo consumidor final (CINTRA, 2011). Maia e colaboradores (2012) e Maracajá, Silva e Dantas Neto (2013) utilizaram este calculadora em suas pesquisas.


Figura 4: Figura retirada da calculadora do site Water Footprint.

 

O site Water Footprint (parte do site está em português) disponibiliza um questionário em inglês para calcular a Pegada Hídrica. Você pode acessá-lo pelo link:

http://www.waterfootprint.org/?page=cal/WaterFootprintCalculator

E você ou seus alunos, tem uma pegada hídrica grande ou é mais econômico?

 

2) Campanha “Virtual Water” da FAO.

http://www.fao.org/fileadmin/user_upload/newsroom/photos/220_water_hamburger_graphic.gif

Figura 5: Uma das figuras da campanha da FAO sobre a pegada hídrica dos alimentos.

 

A figura 3 também é um dos recursos didáticos desta campanha. A FAO disponibiliza alguns materiais para uso em atividades educacionais e de conscientização. Por exemplo, o arquivo PDF que pode ser acessado por este link:

http://www.fao.org/nr/water/docs/virtual/virtual_a4.pdf

 

3) Debates

O professor pode em sala de aula propor debates, por exemplo, sobre as escolhas alimentares e a consequência disto sobre o consumo de água. Ou utilizar alguns dos alguns dados apresentados a seguir (WATER FOOTPRINT, 2013):

Figura 6: Pegada hídrica da carne bovina. Fonte: Site Water Footprint (2013). O infográfico em formato circular acima indica a divisão entre os componentes verde, azul e cinza da produção de carne bovina.

 

  • A produção de um quilo de carne bovina exige 15 mil litros de água (93% verde, azul 4%, 3% cinza da pegada hídrica). Há uma variação enorme em torno dessa média global. A pegada para um corte de carne depende de fatores, tais como o tipo de sistema de produção e da composição e origem da alimentação do gado.

Estas informações podem ser complementadas por argumentos que usam a teoria de teias alimentares (LAMIM-GUEDES, 2012).

  • A Pegada Hídrica de um hambúrguer de soja de 150 gramas produzido na Holanda é cerca de 160 litros. m hambúrguer de carne do mesmo país necessita cerca de 1000 litros.
  • Brasil, com uma pegada de 2027 metros cúbicos per capita, por ano, tem cerca de 9% da sua Pegada Hídrica total fora das fronteiras do país.
  • A Pegada Hídrica global no período 1996-2005 foi de 9087 Gm³/ano (74% verde, azul 11%, e cinza 15%). A produção agrícola contribui 92% para esta pegada total.
  • Escassez de água afeta mais de 2,7 bilhões de pessoas para pelo menos um mês a cada ano.

Ao analisar a Pegada Hídrica de um produto, é preciso levar em consideração as etapas do processo de fabricação e os locais por onde ele passou – desde a matéria-prima até o produto final.

Para os negócios, os riscos de não se fazer o uso racional da água são vários. Eis alguns deles:

  • Físico, que ocorre quando os lençóis freáticos são comprometidos pelo mau uso de outros atores;
  • De reputação diante do mercado consumidor;
  • Regulatório, previsto em políticas de autorização do uso das águas, e
  • Financeiro, já que cada vez mais os investidores exigem clareza das ações social e ambientalmente corretas para fazer suas escolhas.

Medidas Mitigadoras da Pegada Hídrica de um indivíduo (MAIA et al.,2012):

Para minimizar a problemática do desgaste dos recursos hídricos e, consequentemente, a escassez da água, faz-se necessária a mudança de atitudes que reduzam ou compensem a Pegada Hídrica, como por exemplo:

  • Mudar as dietas alimentares, procurando produtos com pegada hídrica menor e que satisfaçam as necessidades nutricionais do ser humano;
  • Reavaliar hábitos consumistas, adquirindo produtos e serviços que agridam menos o meio ambiente;
  • Selecionar plantas e gramas nativas para jardins e paisagismo que dependam apenas das chuvas;
  • Instalar aparelhos e utensílios mais eficientes, em termos de água e energia;
  • Implementar práticas de reuso de água, em algumas atividades domésticas;
  • Participar de comissões locais de gestão de água, a fim de monitorar e implementar estratégias de proteção hídrica.

 

4) Dia Mundial da Água

O Dia Mundial da Água surgiu no âmbito da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento e Ambiente (Eco92 ou Rio92) que aconteceu na cidade do Rio de Janeiro, em 1992. Os países foram convidados a celebrar o Dia Mundial da Água e a implementar medidas com vista à poupança deste recurso e a promover a sua sustentabilidade. Ele foi passou a ser comemorado em 1993, desde então, segundo a ANA (Agência Nacional de Águas): “os países foram convidados a aderir às recomendações da ONU relativas aos recursos hídricos e a concretizar atividades apropriadas ao contexto de cada país”.

“A gente lembra e comemora, mas a hora também é boa para refletir e conhecer mais sobre o assunto. Afinal, a água não está somente no chuveiro e na torneira. Indiretamente, ela faz parte do processo produtivo de tudo que comemos, usamos, vestimos” (CINTRA, 2012).

 

5) Ano Internacional para a Cooperação pela Água

http://www.unesco.org/new/fileadmin/MULTIMEDIA/FIELD/Brasilia/brz_water_day_year_logo_pt_2013-novo.jpg

Figura 7: Materiais de divulgação - Ano Internacional de Cooperação pela Água. Fonte: UNESCO (2013).

 

A cooperação pela água tem múltiplas dimensões, incluindo os aspectos culturais, educacionais, científicos, religiosos, éticos, sociais, políticos, jurídicos, institucionais e econômicos. Uma abordagem multidisciplinar é essencial para entender as várias facetas implícitas no conceito e para misturar essas peças em uma visão holística. Além disso, para ser bem sucedida e duradoura, a cooperação pela água precisa de um entendimento comum do que sejam as necessidades e os desafios em torno da água. Construir um consenso sobre as respostas adequadas a estas questões será o foco principal do Ano Internacional e do Dia Mundial da Água em 2013 (UNESCO, 2012).

A lista de evento e material educativo e para divulgação podem ser obtidos no site:

http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/2013-international-year-of-water-cooperation/

 

6) vídeos

A História da Água Engarrafada - A grande mentira da Indústria

Da mesma produtora do vídeo A História das Coisas, Annie Leonard, apresenta neste vídeo de 8 minutos sobre como a industria fez com que se tornasse essencial a água engarrafada. Link para o vídeo legendado no Youtube:

http://www.youtube.com/watch?v=KeKWbkL1hF4

 

"Entre Rios" - a urbanização de São Paulo

Um excelente documentário sobre a urbanização de São Paulo, com um enfoque geográfico-histórico, permeando também questões sobre meio ambiente, política. No caso da PH, é interessante para discutir a PH cinza. Tempo de duração: 25 minutos.

Link para o vídeo no Vimeo: http://vimeo.com/14770270#comment_8826775

Link para o vídeo no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=Fwh-cZfWNIc

 

7) Fotografias

No Dia Mundial da Água de 2011, o jornal O Estado de São Paulo publicou o relato da expedição realizada pelo repórter Leonencio Nossa e pelo repórter fotográfico Celso Junior da nascente à foz do Amazonas. A tradicional imagem do curso barrento que serpenteia o verde da floresta é apenas um retrato de um rio de muitas faces. Ele nasce cristalino nos Andes, desce azul pelo deserto marrom do altiplano, fica verde nos precipícios do início da selva, ganha a tonalidade amarelada ainda na mata peruana e corta a Amazônia como um imenso tapete da cor de chocolate.

Link: http://blogs.estadao.com.br/olhar-sobre-o-mundo/o-rio-amazonas/

 

8) Material didático sobre água.

Água para a vida, água para todos: Guia de atividades produzido pelo WWFBrasil. Disponível para download:

http://www.wwf.org.br/informacoes/bliblioteca/publicacoes_educacao_ambiental/?2986

 

Referências

CAPRA, F. A Teia da Vida. São Paulo: Cultrix/Amana Key, 1996.

CINTRA, L. Dia Mundial da Água: entenda a relação entre água e segurança alimentar. Blog Ideais Verdes. Abril, 2011. Disponível em . Acesso em março de 2013.

CINTRA, L. Pegada hídrica: você sabe a quantidade de água que consome todos os dias? Blog Ideais Verdes. Abril, 2011. Disponível em . Acesso em março de 2013.

FAO. FAO at the World Water Forum, World Water Day. 2009. Disponível em . Acesso em março de 2013.

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HOEKSTRA, A. Y.; HUANG, P. Q. Virtual water trade: A quantification of virtual water flows between nations in relation to international crop trade. Value of water research report series. Institute for Water Education. Holanda: UNESCO-IHE, 2002. 66p.

HOEKSTRA, A. Y.; MEKONNEN, M. M. The water footprint of humanity. PNAS, vol 109(9): 3232-3237. 2012.

HOEKSTRA, A.Y.; MEKONNEN, M.M.; CHAPAGAIN, A.K.; MATHEWS, R.E.; RICHTER, B.D. Global Monthly Water Scarcity: Blue Water Footprints versus Blue Water Availability. PLoS ONE 7(2). 2012.

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