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Artigos

No. 41 - 03/09/2012
O Gerenciamento de resíduos sólidos e efluentes na indústria: aspectos ambientais, econômicos, sociais e estratégicos
O presente trabalho teve como objetivo analisar o processo de gerenciamento de resíduos sólidos industriais e efluentes líquidos como uma estratégia empresarial adotada relacionada à gestão ambiental, que contribui para o alcance dos objetivos da responsabilidade social e ambiental da organização, redução do consumo de matérias-primas e riscos ambientais e de trabalho.

O Gerenciamento de resíduos sólidos e efluentes na indústria: aspectos ambientais, econômicos, sociais e estratégicos

 

Roberta Monique da Silva Santos1; Mônica Alves de Vasconcelos1; Stiffanny Alexa Saraiva Bezerra2; Sendy Cristine da Silva Santos3

 

1 Mestranda do Programa de Pós-graduação em Ciências Florestais e Ambientais. Universidade Federal do Amazonas - UFAM

2 Mestre em Ciências Florestais e Ambientais. Universidade Federal do Amazonas – UFAM

3 Acadêmica de Biologia. Universidade do Norte – UNINORTE.



Resumo

 

O presente trabalho teve como objetivo analisar o processo de gerenciamento de resíduos sólidos industriais e efluentes líquidos como uma estratégia empresarial adotada relacionada à gestão ambiental, que contribui para o alcance dos objetivos da responsabilidade social e ambiental da organização, redução do consumo de matérias-primas e riscos ambientais e de trabalho.

 

Palavras-Chave: Gerenciamento ambiental; Efluentes industriais; Resíduos industriais

 

1.  INTRODUÇÃO

 

Nos últimos vinte e cinco anos vem crescendo a preocupação com a problemática ambiental por parte de vários grupos da sociedade em virtude da crescente degradação do meio ambiente e a necessidade da manutenção dos mesmos para as gerações vindouras.

 Problemas gerados por esta degradação como poluição do ar e dos recursos hídricos, contaminação do solo, extinção de espécies animais e vegetais, mudanças climáticas e esgotamento de alguns recursos naturais, tem sido considerados uma prioridade não somente para o Estado, mas também para muitas organizações.

É neste contexto que se insere o caso da indústria, que tem sido considerada um dos agentes causadores deste impasse, em virtude do impacto direto que causam ao meio ambiente, como o desmatamento para a implantação de empreendimentos, a produção e geração de materiais inservíveis (resíduos), o destino inadequado desses resíduos e efluentes produzidos, emissão de gases do efeito estufa, entre outros.

Porem, nos últimos anos, as questões ambientais tem conquistado espaço e relevância e sendo incorporadas ao planejamento de muitas organizações, que tem buscado novas técnicas e tecnologias para serem aplicadas tanto durante seus processos, visando, por exemplo, a eliminação do desperdício de matéria-prima, o que irá reduzir a quantidade de resíduo solido produzido, como também visando  serem aplicadas em uma fase posterior ao seu processo produtivo, ou seja, no destino que dão aos resíduos e efluentes.

 

 

 

2.  A QUESTÃO SÓCIOAMBIENTAL NO AMBIENTE DE NEGÓCIOS

                                                                                          

            A questão ambiental é um tema que tem sido amplamente discutido desde a década de 70, principalmente após a Conferência Internacional em Estocolmo no ano de 1972, que contou com a participação 113 países, com a finalidade de discutir soluções para problemáticas ambientais.  

            Os problemas ambientais têm sua origem atribuída ao surgimento das cidades e das fábricas.

Segundo Donaire (1999), as primeiras indústrias surgiram em uma época em que os problemas ambientais eram de pequena expressão, em virtude das reduzidas escalas de produção e das populações comparativamente menores e pouco concentradas. Ou seja, havia menos demanda e conseqüentemente menos exploração de recursos naturais essenciais a produção. Em virtude disso o impacto ambiental, apesar de existir, ocorria em menor intensidade. Porém, com o aumento da demanda e da produção, a geração de impacto aumentou drasticamente e conseqüentemente a geração de resíduos proveniente dessa produção.

            Porém, com o agravamento dos problemas ambientais, como o aumento da poluição devido ao lançamento de fumaça pelas chaminés da fabricas, aumento dos resíduos sólidos e líquidos e redução dos recursos naturais disponíveis, houve um crescimento das exigências ambientais principalmente em relação às empresas.

De acordo com Donaire (1995):

 

 “a visão moderna da empresa em relação a seu ambiente é muito mais complexa, pois ela é vista como uma instituição sociopolítica. A linha de demarcação entre empresa e seu ambiente é vaga e ambígua. Não há consenso de quais seriam as verdadeiras responsabilidades sociais de uma empresa. Muitos conceitos sociais, que eram comuns nas décadas de 60 e 70, foram reformulados nos últimos anos e deram origem a novas regulamentações e leis emanadas do poder público. Este estado de coisas tem tornado o atual ambiente dos negócios imprevisível e mutável.”

 

Sanches (2000) identifica dois modelos de gerenciamento quanto à abordagem da questão ambiental pelas empresas. No primeiro, ela é vista em termos de custos operacionais extras, constituindo então um limite à expansão dos negócios ou dos ganhos da empresa. No segundo, é vista como oportunidade de ganhos, caso em que se enquadram as empresas ambientalmente pró-ativas, cujos mecanismos de desenvolvimento e controle de processos ambientais melhoram a imagem no mercado.

Jabbour e Santos (2006) acreditam que a pró-atividade representa uma fase da vida empresarial em que a gestão ambiental é realizada sob a égide da alta gerência, que a toma como dimensão estratégica. Empresas pró-ativas desenvolvem uma visão menos imediatista de suas atividades ou objetivos, considerando que os custos envolvidos com medidas de proteção ambiental e a transformação de processos internos parcial ou integralmente não é um custo, mas um ganho no decurso do tempo. 

            Além das mudanças no perfil das organizações, que tem passado a considerar a variável meio ambiente no seu planejamento, ocorreram mudanças também no perfil dos consumidores, que tem passado a valorizar as práticas de responsabilidade socioambiental pelas organizações.

Tachizawa (2007) afirma que “um dos efeitos da competição global foi o redirecionamento do poder para as mãos do comprador, pois esse comprador está aprendendo a usar esse novo poder”.

A cada o consumidor brasileiro tem dado cada vez mais valor às práticas ambientais e sociais das organizações, dando preferência no ato da compra, a empresas com este perfil. Este fato torna-se um verdadeiro estímulo para que empresas busquem práticas sustentáveis em relação às questões ambientais. Apesar do crescimento desse perfil de consumidor, a demanda por produtos verdes ainda é mínima. 

            O fato do número de “consumidores verdes” ainda ser pequeno no Brasil, pode ser atribuído, por exemplo, ao preço pago por estes ao comprarem um produto ecologicamente correto, ou orgânico, como é o caso de alimentos produzidos sem a utilização de agrotóxicos. O preço de tais produtos é elevado em comparação aos outros, e pela questão de preço, a maioria dos consumidores acabam optando por produtos de menor valor. Pode-se dizer então que um estímulo para o crescimento da demanda por tais produtos ecologicamente corretos seria no caso, a redução dos preços dos mesmos.

            Segundo Oliveira e Rizzo (2011), outro fator relevante é o fato de que a lucratividade e a rentabilidade das organizações empresariais têm sido fortemente influenciadas pela sua capacidade de antecipar e reagir frente às mudanças sociais, políticas e ambientais que emergem de seu ambiente de negócios.

            De acordo com Anderson (1982 apud DONAIRE, 1995):

 

A principal alteração que se verifica atualmente é a percepção das corporações sobre o papel que desempenham na sociedade. A corporação não é mais vista como uma instituição com propósitos simplesmente econômicos, voltada apenas para o desenvolvimento e venda de seus produtos e serviços. Em face de seu tamanho, recursos e impacto na sociedade, a empresa tem grande envolvimento no acompanhamento e na participação de muitas tarefas sociais, desde a limpeza das águas até o aprimoramento cultural e espera-se que ocorra um alargamento de seu envolvimento com esses conceitos “não econômicos” no futuro, entre eles, proteção dos consumidores e dos recursos naturais, saúde, segurança e qualidade de vida nas comunidades em que estão localizadas e onde fazem seus negócios.

 

             As organizações, nesse sentido, passam de um integrante meramente com objetivo econômico para um agente com envolvimento em vários setores da sociedade. Dentre esses setores, o meio ambiente ganha destaque, visto que as indústrias são vistas como um dos principais atores no que tange a degradação ambiental, sendo, portanto, um desafio responder as expectativas da sociedade em geral em relação à postura adotada diante das questões ambientais.

De acordo com Donaire (1999), as repostas da indústria a esse novo desafio ocorrem em três fases, dependendo do grau de conscientização da questão ambiental dentro da empresas.

            A primeira fase consiste no controle ambiental nas saídas. Esta fase tem caráter reativo, com foco no controle da poluição. É uma alternativa para a solução imediata dos problemas ambientais na empresa, a fim de responder as exigências legais ou da sociedade. Porém, apresenta alto custo e nem sempre se mostra eficaz.  

            A segunda fase consiste na integração do controle ambiental nas práticas e processos industriais e tem caráter preventivo. Busca melhor emprego dos insumos e matérias-primasEnvolve fatores como a seleção de matérias-primas, desenvolvimento de novos processos e produtos, reaproveitamento de energia e reciclagem de resíduos.

            A terceira fase é a de Integração do controle na gestão administrativa. Essa fase é a mais ampla e tem por base o desenvolvimento de uma visão estratégica do gerenciamento ambiental, de modo que as atividades empresariais possam estar de acordo com as exigências ambientais, sociais e legais. Nessa fase, a proteção ambiental torna-se também uma função da administração. Pois passa a ser contemplada na estrutura organizacional, interferindo no planejamento estratégico, passando a ser uma atividade importante na organização.

A adoção de uma estratégia ecológica traz inúmeras vantagens, dentre elas: redução de consumo de matéria prima, redução de custos com multas e outras penalidades por parte dos órgãos ambientais, captação de novos clientes, melhoria da imagem organizacional perante a sociedade, aumento da produtividade, redução de acidentes de trabalho e riscos ambientais.

Esse novo posicionamento pró-ativo das organizações frente às questões ambientais está ligado ao conceito do desenvolvimento sustentável, no qual a idéia central parte do princípio de responder as necessidades do presente sem comprometer as gerações futuras em satisfazer as suas necessidades. Portanto, o conceito de desenvolvimento sustentável se refere à produção de bens, serviços e consumo de matéria prima, sem afetar o equilíbrio ecológico, contribuindo para a igualdade social.

A partir dessa idéia, nota-se a importância da responsabilidade social nas organizações.

Ashley (2002) define responsabilidade social:

 

A responsabilidade social pode ser definida, como o compromisso que uma organização deve ter para com a sociedade, expresso por meio de atos e atitudes que a afetem positivamente, agindo proativamente e coerentemente no que tange a seu papel específico na sociedade e a sua prestação de contas para com ela. A organização assume obrigações de caráter moral, além das estabelecidas em lei, mesmo que não diretamente vinculadas a suas atividades, mas que possam contribuir para o desenvolvimento sustentável dos povos.

 

            A responsabilidade social deve ser entendida não como uma obrigação e sim como algo fundamental para a sobrevivência de uma organização, pois é um instrumento para o aumento da competitividade.

            Melo e Froes (1999 apud  FERREIRA et al 2006), justificam a prática da responsabilidade social:

 

A empresa consome recursos naturais, renováveis ou não, direta ou indiretamente que são enorme patrimônio gratuito da humanidade; utiliza capitais financeiros e tecnológicos que no fim da cadeia pertencem a pessoas físicas e conseqüentemente a sociedade; também utiliza a capacidade de trabalho da sociedade, finalmente, subsiste em função da organização do estado que a sociedade lhe viabiliza como parte das condições de sobrevivência. Assim, a empresa gira em função da sociedade e do que a ela pertence, devendo, em troca, no mínimo prestar-lhe contas da eficiência com que usa todos estes recursos.

 

Desse modo, na perspectiva da responsabilidade social, as organizações devem alinhar suas ações em torno de seus objetivos estratégicos e também nos objetivos de cunho social e ambiental, em virtude da necessidade de retribuir à sociedade a utilização de recursos pertencentes à mesma.

 

 

3. POSICIONAMENTO DA EMPRESA

 

   As ações que são planejadas e praticadas por organizações com o objetivo de mitigar ou prevenir os impactos ambientais gerados pela indústria no meio ambiente são vistas por muitas empresas como onerosas e como um fator gerador de despesas. Porém, a cada dia empresas tem demonstrado que é possível reduzir custos e ganhar dinheiro através da proteção do meio ambiente. São empresas que vêem nas questões ambientais uma nova oportunidade de negócio. Um exemplo disso são empresas que adotam o reaproveitamento de resíduos e os incluem na linha de produção novamente.

  North (1992), elaborou parâmetros para avaliar o posicionamento da empresa em relação a questão ambiental, o que permite avaliar até que ponto os negócios da empresa poderão ser atingidos pela variável ambiental.  Os parâmetros elaborados pelo autor avaliam a organização através de diversas variáveis, classificando as empresas como “amigáveis”, ou seja, aquelas que se preocupam com o meio ambiente e procuram inovar em seus processos e tecnologias a fim de mitigar os impactos exercidos sobre o mesmo; e as “agressivas”, ou seja, aquelas empresas que exercem alto impacto sobre o meio ambiente e não se preocupam com o mesmo (Quadro 01).

 

Quadro 01: Classificação do posicionamento das empresas em relação ao meio ambiente.

Fonte: NORTH, K. Environmental business management. Genebra: ILO, 1992.

 

Segundo o autor, é necessário observar as seguintes variáveis para avaliar corretamente a posição de uma organização: ramo de atividade da empresa, produtos, processo, conscientização ambiental, padrões ambientais, comprometimento gerencial, capacitação do pessoal, capacidade da área de P&D e capital.

  O ramo da atividade, de acordo com o autor, é um dos principais indicadores de ameaça ao meio ambiente, pois dependendo do ramo da atividade, o impacto sobre o meio ambiente poderá ser maior ou menor. Dentre os setores que mais poluem, destacam-se as indústrias químicas, devido os resíduos que geram como é o caso da indústria metalúrgica e de papel e celulose. Porém, a intensidade com que cada ramo irá poluir dependerá das tecnologias que são utilizadas no processo.

  Os produtos estão relacionados ao tipo de matéria prima que é utilizada no processo de fabricação dos produtos.

  Outro ponto importante são os processos que são utilizados na fabricação dos produtos. Processos que sejam eficientes em relação ao uso dos recursos e energia, não ofereçam riscos aos trabalhadores e não produzam resíduos, correspondem a empresas preocupadas com a questão ambiental.

Pode-se dizer que empresas que apresentam consciência ambiental, em todos os níveis hierárquicos, são empresas preocupadas com a questão ambiental.

  Outro ponto importante da avaliação são os padrões ambientais existentes na organização. Empresas que respeitam as normas ambientais e as restrições por ela imposta, são empresas consideradas “amigáveis”, pela avaliação.

  Empresas ambientalmente ”amigáveis” devem apresentar gerentes sensibilizados e comprometidos pelas questões ambientais, a fim de que estes não tomem decisões relacionadas ao meio ambiente de forma superficial, porem de forma que possa garantir qualidade nas ações a serem desenvolvidas pela organização.

  Outra variável da avaliação é a questão da capacitação do pessoal. Caso as decisões e ações desenvolvidas não estejam compatíveis com o grau de capacitação dos recursos humanos da organização, influenciará na eficácia e eficiência das medidas adotadas, por isso é necessário que os recursos humanos da organização estejam preparados para lidar com a questão ambiental na empresa. É necessário então, investimentos em treinamentos periódicos, com o objetivo de preparar os recursos humanos para lidar com essa questão.

  A capacidade da área de P&D, também é uma das variáveis da avaliação. Uma organização que invista no desenvolvimento de novas tecnologias e processos que visem à redução da poluição e resíduos, por exemplo, são empresas consideradas “amigáveis”.

  A última variável é o capital. Muitas empresas não aderem à proteção do meio ambiente, pois acreditam que tal processo é oneroso e o retorno do investimento é lento. Por isso, deixam de investir na adequação ambiental de suas instalações e processos e acabam tendo que dispender um valor final mais alto do que o valor que seria necessário para sua adequação ambiental, em virtude de multas, acidentes e outros.

 

 

4. A GESTÃO AMBIENTAL COMO INSTRUMENTO ESTRATÉGICO

 

            De acordo com De Andrade et al (2004) a  expansão da consciência coletiva em relação ao meio ambiente e a complexidade das atuais demandas ambientais que a sociedade repassa as organizações induzem um novo posicionamento por parte das organizações diante  de tais questões. É nesse contexto que se insere a gestão ambiental, que se torna um importante instrumento gerencial para capacitação e criação de condições de competitividade para as organizações, qualquer que seja seu segmento econômico e visa integrar plenamente, em cada empresa, políticas, programas e procedimentos como elemento essencial de gestão, em todos os seus domínios, a fim de manter o equilíbrio com o meio ambiente.

A gestão ambiental, quando é implementada de forma eficiente e eficaz nas organizações, traz benefícios econômicos e estratégicos, conforme ilustrado no Quadro 02.

 

Quadro 02: Benefícios da Gestão Ambiental

Fonte: NORTH, K. Environmental business management. Genebra: ILO, 1992.

 

5. ISO 14001 – SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL

           

            A ISO 14001 (2004) é uma norma internacionalmente aceita que define os requisitos para estabelecer e operar um Sistema de Gestão Ambiental, que é um meio para que uma organização possa controlar seus impactos significativos sobre o meio ambiente e buscar melhorias em suas operações e negócios. A ISO 14001 é reconhecida mundialmente como um meio de controlar custos, reduzir os riscos e melhorar o desempenho ambiental de uma organização.

            De acordo com a NBR ISO 14004 (2005) o Sistema de Gestão Ambiental está orientado sob o modelo de gestão baseado no ciclo do PDCA (PLAN-planejar, DO-executar, CHECK-verificar e ACT-agir) visando o processo de melhoria contínua (Figura 01).

Dias (2006) destaca que uma organização ao implantar este sistema deve cumprir cinco etapas sucessivas, são elas: estabelecimento da política ambiental, planejamento, implementação e operacionalização, verificação e análise pela administração.

Antes de serem iniciadas estas fases, recomenda-se fazer uma análise global da relação da empresa com a natureza, por meio de uma avaliação das atividades produtivas, como também qual a legislação pertinente ao setor de atuação (LIMA et al, 2007).

Figura 01: Sistema de Gestão Ambiental para a ISO 14001. Fonte: BSI, 2009.

 

 

6. RESÍDUOS E EFLUENTES: CONCEITOS, CLASSIFICAÇÃO E NORMAS REGULADORAS.

 

            Os resíduos e efluentes industriais são um dos principais responsáveis pelos danos ambientais, já que são constituídos em geral de materiais que contém substâncias que alteram a composição do solo, da água e afetam a vida animal e vegetal, o que acaba causando desequilíbrios ecológicos. Apesar dos avanços da tecnologia em soluções que minimizem o impacto dos resíduos e efluentes no meio ambiente, ainda existe o impacto. O próprio processo de despoluição traz um determinado grau de impacto, pois utiliza substâncias químicas. No que tange a questão dos resíduos, vale ressaltar que os mesmos não podem ser destruídos, mas apenas transformá-los, minimizando o impacto e volume.

            A geração de resíduos está atribuída a vários fatores, dentre eles  problemas ao longo dos processos que podem ser evitados ou controlados. Nesse sentido, insere-se a questão dos riscos associados às atividades humanas para o meio ambiente.

            De acordo com Sousa e Silva (2008), os riscos ambientais constituem uma nova preocupação que deve estar presente nas decisões dos empresários e nos programas de imagem institucional das empresas e a gestão dos riscos ambientais em uma empresa moderna e que esteja preocupada com o meio ambiente, consciente de seu papel na sociedade e zelosa de sua imagem, é um tema que deve ser encarado com toda atenção, através da implantação de um Sistema de Gestão Ambiental - SGA.

            Valle (1995) classifica os riscos ambientais em quatro tipos:

1.  Riscos internos, relativos à saúde e à segurança dos trabalham na empresa;

2.  Riscos externos, relativos à contaminação de comunidades vizinhas e outras áreas;

3.  Riscos de contaminação dos produtos, resultando em graves problemas de marketing (imagem da empresa prejudicada);

4.  Riscos com a imagem institucional, atingindo a capacidade de inserção em mercados nacionais e internacionais.

            Para Identificar os riscos ambientais em uma organização devem-se elaborar fluxogramas com a finalidade de extrair informações que possibilitem identificar as fontes geradoras de resíduos em cada processo.

 

 

7. GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS

 

A Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT/NBR– 10004 (2004) define resíduos sólidos como aqueles resíduos nos estados sólido e semi-sólido, que resultam de atividades de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Ficam incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos de água, ou exijam para isso soluções técnicas e economicamente inviáveis em face à melhor tecnologia disponível.

­            Vale ressaltar que nem sempre o resíduo ou efluente é nocivo para o meio ambiente, como é o caso dos materiais biodegradáveis.

            De acordo com Sousa e Silva (2008), para solucionar a problemática no que tange a questão do descarte dos resíduos, iniciou-se a busca por soluções mais eficazes do que a simples deposição dos mesmos no meio ambiente. Essas soluções são escolhidas a partir de abordagens distintas além da seqüência em sua eficácia (Figura 02):

1. Minimização: a minimização ou redução é uma abordagem preventiva, que visa reduzir o volume e o impacto causado pelos resíduos. É feita por meio de mudanças no processo produtivo, ou pela adoção de tecnologias limpas, mais modernas que permitem, em alguns casos, eliminar completamente a geração de materiais nocivos. Não se considera a redução do volume de resíduos como minimização sem a redução de sua toxicidade.

2. Reciclagem: Segundo o autor, é um método de gerenciamento de resíduos baseado no reaproveitamento do material, considerando as suas características e composição, visando o mesmo ou um diferente uso para o qual foi originalmente concebido.

3. Recuperação dos resíduos gerados: É um método de gerenciamento de resíduos, baseado no emprego direto de um produto com a mesma finalidade para a qual foi originalmente concebido (reutilização), como é o caso das garrafas de vidro, que podem ser reutilizadas para o mesmo fim.

4. Tratamento: método de gerenciamento de resíduos baseado na transformação térmica, química, física ou biológica da matéria-prima utilizada na fabricação do produto, para produzir material e/ou energia diretamente disponível para uso. Como exemplo, pode-se citar a compostagem.

5. Incineração: consiste na destruição dos resíduos, caracterizando-os e reduzindo drasticamente o seu volume, transformando-os em cinzas.

6. Disposição: Eliminação dos resíduos em aterros sanitários ou inceradores. É restrita somente aos resíduos que não sejam reutilizáveis, recicláveis ou recuperáveis.

 

 

Figura 02 – Escala de prioridades no gerenciamento de resíduos. Fonte: VALLE, 1995 apud SOUZA e SILVA, 2008, p. 6.

 

 

8. GERENCIAMENTO DE EFLUENTES

           

            De acordo com a Norma Brasileira — NBR 9800 (1987), efluente líquido industrial é o despejo líquido proveniente do estabelecimento industrial, compreendendo emanações de processo industrial, águas de refrigeração poluídas, águas pluviais poluídas e esgoto doméstico.

Os efluentes industriais são um importante agente na degradação ambiental, visto que eles são responsáveis por danos severos como a poluição da água e solo, em virtude das substâncias químicas presentes. Apesar disso, por muito tempo não lhe foi dada a importância e atenção devida. No entanto, devido ao crescimento da consciência ambiental da população, Estado e organizações privadas, tornou-se necessária a adoção de medidas que minimizem ou impeçam essa degradação.

            A questão do controle da emissão de efluentes está previsto em legislação específica, tais como a Instrução Normativa n. 96 de 30 de março de 2006, do Ministério do Meio Ambiente e em normas técnicas, como é o caso da NBR 9800 (1987).

A definição do sistema de gerenciamento de efluentes deve considerar os custos de investimentos, custos operacionais, clima, direção de ventos, estabilidade do terreno e os recursos humanos disponíveis.

Os processos empregados são dependentes, principalmente, da natureza dos poluentes a serem removidos.

            De acordo com Giordano, (1999) os processos podem ser classificados em químicos, físicos e biológicos (Quadro 03) e a empregabilidade de cada processo é dependente da natureza dos poluentes a serem removidos:

 

 

Quadro 03: Processos de tratamento de efluentes (GIORDANO, 1999)

 

9. CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

A intensificação dos danos ambientais causados pelas industriais tem ocasionado em uma maior pressão tanto por parte da sociedade quanto da legislação sobre as mesmas.  A fim de amenizar esses impactos causados por suas atividades produtivas, elas têm adotado o gerenciamento ambiental, tanto como estratégia organizacional quanto uma forma de adequação as exigências ambientais.

            Através da implantação de um programa de gerenciamento de resíduos e efluentes industriais, é possível responder às necessidades estratégicas da organização (redução de custos a médio e longo praz devido às mudanças nos processos produtivos, retenção de clientes, valor agregado aos produtos, etc.), a legislação vigente e aos anseios de um novo perfil de consumidor

 

 

10. REFERÊNCIAS

 

 

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 10.004: Resíduos Sólidos: classificação. São Paulo, 2004.

 

_______. – ABNT. NBR 14.001: Sistema de Gestão Ambiental: classificação. São Paulo, 2004.

 

_______. ABNT. NBR 9.800: Critérios para Lançamento de Efluentes Líquidos Industriais no Sistema Coletor Público de Esgoto Sanitário: São Paulo, abr. 1987.

 

ANDERSON, Robert O. Foreword in the public affairs handbook. New York: Anacon, s.d.

 

ASHLEY, P. A.; CARDOSO, J. G. A responsabilidade social nos negócios:

um conceito em construção. In: ASHLEY, P. A. (Coord.). Ética e

Responsabilidade Social nos Negócios. São Paulo: Editora Saraiva, 2002.

p.2-16.

 

DIAS, R. Gestão ambiental: responsabilidade social e sustentabilidade. São Paulo: Atlas, 2006.

 

 

DONAIRE, Dennis. Gestão ambiental na empresa. 1 Ed. São Paulo: Atlas, 1995.

 

DONAIRE, Denis. Gestão ambiental na empresa. 2.ed. São Paulo: Atlas, 1999.

 

FERREIRA, Roberta do Nascimento et al.  Responsabilidade social nos negócios: um estudo das práticas sociais de empresas do município de são joão Del-Rei. Disponível em: <http://www.cedeplar.ufmg.br/seminarios/seminario_diamantina/2006/D06A101.pdf>Acesso em: 15/06/09.

 

GIORDANO, G. Avaliação ambiental de um balneário e estudo de alternativa para controle da poluição utilizando o processo eletrolítico para o tratamento de esgotos. Niterói – RJ, 1999. 137 p. Dissertação de Mestrado (Ciência Ambiental) Universidade Federal Fluminense, 1999.

 

JABBOUR, C. J. C.; SANTOS, Fernando César Almada. Evolução da gestão ambiental na empresa: uma taxonomia integrada à gestão da produção e de recursos humanos. Gestão da Produção, vol. 13, n. 3, São Carlos, set./dez. 2006.

 

JABBOUR, C. J. C; SANTOS, F. C. A. Empowerment dos funcionários e paradigmas da gestão ambiental na empresa: contemplação evolutiva e proposição de um modelo. In: XIII Simpósio de Engenharia de Produção, 13, 2006, Bauru-SP. Anais. Bauru: Universidade Estadual Paulista – FEB/UNESP, 2006b.

 

MELO NETO, F. P.; C. FROES. Responsabilidade social e cidadania

empresarial: a administração do terceiro setor. Rio de Janeiro: Qualitymark,

1999.

 

LIMA, José Rodolfo Tenório; LIRA, Thaisa Kelly da Silva.  A implantação de um sistema de gestão ambiental, baseado na NBR ISO 14001:2004 - um estudo de caso de uma Empresa prestadora de serviços do poló cloroquimico de Alagoas. II Congresso de Pesquisa e Inovação da Rede Norte Nordeste de Educação Tecnológica João Pessoa - PB – 2007.

 

NORTH, K. Environmental business management. Genebra: ILO, 1992.

 

OLIVEIRA,  Edenis César de. RIZZO,  Marçal Rogério. A questão ambiental no contexto das organizações: Responsabilidade Socioambiental ou Uma Forma de Diferenciação para o Mercado? Disponível em: http://www.funge.com.br/upload_trabalhos/25_artigo_ufscar_.pdf  Acesso: 10/01/2012

 

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SOUZA, M. R. de; SILVA, R. J. da. Geração de resíduos industriais e sua destinação final. Disponível em: <http://www.abepro.org.br/biblioteca/ENEGEP1997_T6501.PDF> Acesso em: 23 maio. 2008.

 

TACHIZAWA, T. Gestão ambiental e responsabilidade social corporativa:

estratégias de negócios focadas na realidade brasileira. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2007.18

 

TINOCO, J.E.P. Balanço social - uma abordagem da transparência e da

responsabilidade pública das organizações. São Paulo: Atlas, 2001

 

VALLE, C. E. Qualidade Ambiental: como ser competitivo protegendo o meio ambiente: (como se preparar para as Normas ISO 14000). São Paulo: Pioneira, 1995.

 


 
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