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No. 41 - 03/09/2012
EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA O NÃO DESPERDÍCIO DE ÁGUA
O desperdício e a degradação da qualidade da gota d’água, disponível nas cidades do Brasil tem atingido níveis nunca imaginados. Mesmo tendo uma legislação vigente – Constituição Federal de 1988 e Lei Federal 9.433/97, que reforça as obrigações de cada indivíduo do uso cada vez mais eficiente da gota d’água disponível (...)

EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA O NÃO DESPERDÍCIO DE ÁGUA

EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA O NÃO DESPERDÍCIO DE ÁGUA

 

Raimundo Thiago Lima da Silva¹; Maria Bruna Martins Carvalho²; José Darlon Nascimento Alves³

 

¹Engenheiro Agrônomo, Mestre em Engenharia Agrícola e Doutorando em Agronomia -  Fitotecnia pela Universidade Federal do Ceará, tel: 085-96371364, e-mail: thiagoufra@hotmail.com

²Licenciada em Química, Discente de Especialização em Gestão Hídrica e Ambiental pela Universidade Federal do Pará, e-mail: bruna.martins20@yahoo.com.br

³Graduando do Curso de Agronomia da Universidade Federal Rural da Amazônia, e-mail:jose.darlon@yahoo.com.br

 

RESUMO

 

O desperdício e a degradação da qualidade da gota d’água, disponível nas cidades do Brasil tem atingido níveis nunca imaginados. Mesmo tendo uma legislação vigente – Constituição Federal de 1988 e Lei Federal 9.433/97, que reforça as obrigações de cada indivíduo do uso cada vez mais eficiente da gota d’água disponível. Vale destacar que, na lógica tradicional das empreiteiras, dos políticos e dos tomadores de decisão, a única solução aos problemas de escassez local e ocasional de água é o aumento da sua oferta. Porém, o que mais preocupa nessa situação é a atenuação dos desperdícios de água nas cidades brasileiras, e nesse contexto a educação ambiental é um instrumento importante para mudar esse cenário de degradação ambiental.

 

Palavras – chave: degradação, desperdícios, água.

 

INTRODUÇÃO

 

É inegável a importância da água para a ocorrência da vida, está além de ser indispensável às necessidades fisiológicas, está estreitamente atrelada ao conceito de desenvolvimento econômico, sendo matéria prima para diversos setores econômicos.

No principio, a água era para beber, higiene pessoal, preparar alimentos. O homem evoluiu. Buscou novas maneiras para viver. Sobreviver. Primeiro, a agricultura. Depois, as cidades, as indústrias. Aumentou o consumo de água. Junto aparecem as depredações, o homem começou a fazer mal ao seu bem mais precioso, á água. Assim caminha a humanidade (AMBIENTE HOJE, 2010).

A citação a cima, demonstra claramente a necessidade da água pelo homem, e a dependência desta ao longo do desenvolvimento da sociedade; evidencia também a falta de preocupação do homem com relação à água em detrimento ao desenvolvimento, fato que hoje se faz merecedor de atenção.

A descarga média de longo período nos rios (182.633 m3/s), dividida pela população de 170 milhões de habitantes (IBGE, 2000), resulta em um potencial da ordem de 34.000 m3 por habitante por ano, o que coloca o Brasil na classe dos países ricos de água doce das Nações Unidas. Além disso, deve-se considerar, ainda, que o uso de 25% da recarga média anual das águas subterrâneas representa mais 4.000 m3/ano per capita. Entretanto, os quadros sanitários nas cidades do Brasil são dos mais vexatórios do mundo. O problema resulta, fundamentalmente, dos desperdícios e degradação da qualidade da gota d’água disponível nas cidades do Brasil terem atingido níveis nunca imaginados (REBOUÇAS, 2003).

Dados como estes nos leva a refletir sobre a adoção de medidas que venham a minimizar os problemas decorrentes do desperdício e da má gestão dos recursos hídricos, sem falar na orientação da população, que é o ponto crucial desta pesquisa.

A área sob produção agrícola em nível mundial corresponde a cerca de 1,54 bilhões de hectares dos quais 278 milhões são irrigados; vale dizer 18% da área total cultivada do planeta. E mais, o percentual (18%) de área irrigada retrocitado, responde por praticamente a metade dos alimentos produzidos no mundo (44%). A expectativa de crescimento da área irrigada em nível mundial é de mais 200 milhões de hectares, dos quais 30 milhões estão no Brasil, o que credencia o nosso país como o 2º maior potencial para irrigação no mundo, só superado pela China (SILVA, 2009).

Segundo dados da COSAMPA o município de Capitão Poço possui uma população correspondente a 54.745 Habitantes; tem como atividade econômica principal a agricultura, predominantemente o cultivo de pimenta do reino e de laranja o que lhe atribui o apelido de “terra da laranja”; o município em questão, atualmente não possui sistema de tratamento de água e esgoto e o sistema de abastecimento de água é bem antigo e precário em alguns bairros além do que não se possui um mecanismo de informar a população quanto ao desperdício de água, o que nos chamou atenção para utilizá-lo como espaço para o levantamento de dados da presente pesquisa.

O presente trabalho se presta ao estudo da atual situação de uso da água no município de Capitão Poço pela população em geral, para que se possa a partir dos dados coletados e analisados, propor medidas que possibilitem a minimização do problema de desperdício da água no município, de modo que se faça uso da água de maneira sustentável e consciente, tanto nas atividades diárias da população, como na agricultura.

 

AS PRÁTICAS ATUAIS E O FUTURO DA ÁGUA

 

            Não é preciso ir muito longe para perceber situações de desperdícios e desvalorização dos recursos naturais, com a água não deixa de ser igual, e na teoria a idéia de preservação deste recurso apesar de ser de certa forma enfatizada, na prática não se vê grande mobilização para prevenir consequências previsíveis de um futuro com escassez de água. A citação a seguir, define claramente a situação em questão.

 

Um dos principais desafios da sociedade neste século 21, diz respeito a premente necessidade da preservação dos recursos hídricos em qualidade e quantidade, num cenário de aumento populacional e de baixa sustentabilidade dos processos produtivos e do consumo.

 [...]Essas previsões de crescimento populacional e estimativas vinculadas a produção, conservação e distribuição de alimentos consideram que se a população mundial atingir 10 bilhões de habitantes nos próximos 50 anos, teremos 70% dos habitantes do planeta enfrentando deficiências no suprimento de água, repercutindo em cerca de 1,06 bilhões de pessoas que não terão água sequer para alimentação básica (SILVA, 2009, p.1).

 

VICTORINO (2007) Afirma que a preocupação efetiva do homem com a qualidade da água se deu tardiamente e ressalta ainda que muitos até agora ainda não estão conscientes de que, mais dia ou menos dia, estaremos enfrentando sérios problemas de escassez, e continuam a lavar o carro com mangueira e a varrer a calçada com jatos d´água. Outros, ainda, jogam todo tipo de resíduos nos lagos, rios e riachos.

A aparente abundância de água na natureza pode ser uma explicação, em parte, para o descuido histórico do homem para com os recursos hídricos. Sabemos que não existe tanta água potável disponível como a paisagem nos faz ver. O que realmente temos como água potável corresponde a apenas 0,03% do total de água do planeta. Essa pequena porção deveria receber todos os cuidados possíveis, infelizmente não é isso o que vemos em quase todos os continentes, os principais aqüíferos estão sendo exauridos com uma rapidez maior do que sua taxa natural de recarga.

A concepção de desenvolvimento como sinônimo de poluição é uma idéia antiga e coerente que cada vez mais, tem que deixar de existir, dando lugar a um pensamento de sustentabilidade, onde se tem um presente com perspectivas de crescimento, pensando nas próximas gerações, porém, isso ainda não acontece em grande escala.

Segundo REBOUÇAS (2003) os problemas resultam basicamente da falta de gerenciamento efetivo das ações desenvolvimentistas em geral e da água em particular. Ao contrário, estimulam-se urbanização e industrialização – mediante vários incentivos – em áreas nas quais já se tem escassez de água para o abastecimento. Ademais, a qualidade da água dos mananciais utilizados é degradada pelo lançamento – deliberado ou tolerado – de esgotos domésticos e industriais não-tratados, uso e ocupação inadequado do meio físico e outros fatores impactantes. A situação tem o agravante de os erros do passado se repetirem, conforme pode-se observar nos centros urbanos que estão em franca expansão.

FIETZ (2006) afirma que segundo dados fornecidos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, revelam que parte considerável da água disponível para o consumo perde-se antes de chegar ao destino final, seja em redes clandestinas ou vazamentos. Como resultado, quase metade da água que sai das redes distribuidoras não chega à casa do consumidor. O Brasil pode ser considerado como campeão mundial do desperdício da água potável, com perdas superiores a 46%. Deve-se ressaltar que esse percentual seria suficiente para abastecer França, Bélgica, Suíça e norte da Itália.

Levando em conta que a resolução de um problema, deve-se partir do conhecimento de suas causas, não é difícil prever que a principal causa das perdas da água das redes distribuidoras, está nas precárias estruturas dos abastecimentos de água, situação esta comum em vários lugares.

As perdas de água no trajeto até as residências, somado aos desperdícios costumeiros da população como: torneiras e chuveiros abertos por tempo desnecessário, lavagens de automóveis e calçadas com água potável, caixas de vasos sanitários com grande capacidade de armazenamento, entre outros, geram um prejuízo considerável, se considerado em proporção de uma cidade ou um estado por exemplo.

Para Barros e Amin (2007) Cada dia torna-se mais notória a necessidade de perceber a água como um bem econômico, em que sua gestão deverá basear-se em princípios deficiência econômica, de forma que satisfaça a procura sob uma ótica de sustentabilidade.

Acrescenta ainda que é necessário que se estabeleça uma nova forma de pensar e agir, adotando diferentes hábitos, usos e costumes, onde o objetivo geral seja o crescimento econômico, fundamentado no consumo sustentável da água, promovendo assim a proteção dos mananciais ainda conservados e a recuperação daqueles já prejudicados, ressalta ele que isso apenas não basta, sendo preciso fazer muito mais para alcançar esse objetivo deve-se, portanto tratar a água como uma prioridade social e ambiental, uma vez que é preciso cuidar dos recursos hídricos brasileiros, pois a crescente necessidade de água mundial trará ao país a possibilidade de alavancar seu crescimento e desenvolvimento, passando a deter um insumo essencial à vida e a qualquer atividade produtiva.

 

A LEGISLAÇÃO E O USO DA ÁGUA

 

Tucci (2001) esclarece que, as instituições responsáveis pela administração dos recursos hídricos operam em diferentes âmbitos da administração pública envolvendo organizações públicas e privadas.

Quanto aos domínios das águas, podem ser de dois tipos no Brasil: águas federais e águas estaduais. São bens da União (águas federais) os lagos, rios e quaisquer correntes em terrenos de seu domínio ou que banhem mais de um Estado da federação, sirvam de limite com outros Países, ou se estendam a território estrangeiro ou dele provenham, bem como os terrenos marginais e as praias fluviais. Os bens dos Estados correspondem às águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes ou em depósito encontradas em seu território. A responsabilidade pela gestão depende, assim, do tipo de domínio correspondente ao corpo hídrico.

Cabral (2012) explica que a Constituição Federal e a Lei nª 9.433/97(a Lei das águas) revogam o Código das Águas (Decreto nº 24.643/34) e no art. 26 da Lei Maior descreve que as águas superficiais ou subterrâneas são bens dos Estados e de domínio da União os lagos e rios que banham mais de um Estado e os rios internacionais (art. 20, I).

A nova ordem constitucional e infraconstitucional classificou as águas como bem de domínio público, não recepcionando a legislação anterior, ao qual conceituava as águas em particulares e comuns. Assim se revela então que os corpos de água integrantes de propriedade particular têm um novo ordenamento jurídico.

Deu-se então deste modo, a retirada à apropriação das águas por particulares, devendo agora ser regulamentada por meio de outorga, assim então o proprietário antigo tem apenas o direito de uso da água, de caráter não alienável, por conseguinte, os açudes “particulares”, lagos e poços, não mais pertencem aos seus proprietários, porque a mudança constitucional oficializou as águas como bens públicos.

Em vista das diversas necessidades relacionadas a gestão adequada dos recursos hídricos, criou-se a resolução CONAMA nº 357, de 17 de março de 2005, considerando dentre vários argumentos, os presentes na citação a seguir:

 

Considerando que a saúde e o bem-estar humano, bem como o equilíbrio ecológico aquático, não devem ser afetados pela deterioração da qualidade das águas;

Considerando a necessidade de se criar instrumentos para avaliar a evolução da qualidade das águas, em relação as classes estabelecidas no enquadramento, de forma a facilitar a fixação e controle de metas visando atingir gradativamente os objetivos propostos;Considerando a necessidade de se reformular a classificação existente, para melhor distribuir os usos das águas, melhor especificar as condições e padrões de qualidade requeridos, sem prejuízo de posterior aperfeiçoamento; e

Considerando que o controle da poluição esta diretamente relacionada com a proteção da saúde, garantia do meio ambiente ecologicamente equilibrado e a melhoria da qualidade de vida, levando em conta os usos prioritários e classes de qualidade ambiental exigidos para um determinado corpo de água (RESOLUÇÃO CONAMA, 2005, p.1).

 

Quanto ao lançamento de resíduos resultantes de atividades industriais nas águas, conforme o Art. 24, capítulo IV da resolução CONAMA nº 357, de 17 de março de 2005. Os efluentes de qualquer fonte poluidora somente poderão ser lançados, direta ou indiretamente, nos corpos de água, apos o devido tratamento e desde que satisfaçam as condições, padrões e exigências dispostos nesta Resolução e em outras normas aplicáveis.

 

USO DA ÁGUA NA AGRICULTURA

 

Com o aumento cada vez mais expressivo da população humana, que atingiu o marco de 7 bilhões de pessoas, tornou-se necessária a ampliação da produção de alimentos, conseqüentemente a intensificação da atividade agrícola. Sendo que para que haja o máximo de produção, um dos fatores principais é a irrigação, como enfatiza (PAZ et al., 2000) “Para uma produção sempre crescente de alimentos, a alternativa está na produção agrícola sob irrigação, que tem possibilitado um número maior de safras por ano.”

Por causa de quadro atual de instabilidade alimentar e aumento crescente na produção agrícola faz com que a agricultura se torne um dos setores com maior demanda por água, conforme Paz et al. (2009), a agricultura consome cerca de 69% do total de água das fontes (rios, lagos, aqüíferos, etc.)

Bertoncini (2008) afirma que a demanda de água para a agricultura irrigada no Brasil representa aproximadamente 1,9% dos 155 milhões de hectares cultivados, mas que gera grandes perdas de volume de água, em torno de 60%, por processos naturais, tais como por evaporação, como a inundação, os sulcos rasos, o pivô central e a aspersão. Porém é uma alternativa que traz resultados positivos na produção da agricultura.

            A tendência com o passar dos anos é a expansão de áreas cultivadas sob irrigação no país, vista que as tecnologias estão surgindo e sendo aperfeiçoadas de forma bastante acelerada, podendo contribuir para o expressivo aumento do desperdício de água, que passa de forma invisível para uma parte expressiva dos produtores rurais.

            Para minimizar os impactos do uso inadequado da irrigação, Rebouças (2001) enfatiza que é necessário um planejamento mais eficaz e racional do uso da irrigação e otimização dos equipamentos utilizados. Podendo reduzir inclusive gastos com a energia elétrica.

Outra prática recente no Brasil e que vem ganhando força é a utilização da água de reuso para suprir a necessidade de irrigação de diversas culturas alimentares. Hespanhol (2002) complementa que em diversos países em que se utilizam essa técnica a produtividade aumenta de forma significativa quando bem planejadas.

Qualquer forma de uso eficiente da água visando minimizar o desperdício no campo depende diretamente do planejamento feito pelo produtor. Como expressa a citação abaixo:

 

O planejamento é indispensável no sentido de compatibilizar os vários usos da água, viabilizando os diferentes setores produtivos, monitorando a quantidade e a qualidade dos recursos hídricos, melhorando os níveis de eficiência global de uso (PAZ et al., 2000).

 

Em se tratando na produção animal a exigência de água também é expressiva como comenta Bertoncini (2008):

 

A pecuária confinada é outra atividade que consome grande volume de água, gerando resíduos, especialmente nos casos em que a limpeza de baias é efetuada por meio de lavagem. O caso da suinocultura talvez seja o mais grave. Nas granjas de suínos, o consumo de água para dessedentação dos animais e lavagem de baias varia de 7 a 45 litros de água para cada animal por dia. A água de lavagem das baias é impregnada de fezes, urina, restos de ração, pêlos, fármacos e hormônios utilizados na criação dos animais.

 

Portanto, é necessário analisar a questão do não-desperdício da água no meio rural de uma forma integrada, em que vários fatores influenciam para a mudança de hábito dos produtores, em se tratando do uso adequado dos recursos hídricos, como discute Oliveira (2008):

 

A decisão e opção pelo uso mais eficiente dos recursos naturais em geral e da água em particular deve-se dar de maneira integrada e associada aos instrumentos de gestão em todos os níveis competentes. Só assim será possível alcançar um patamar que possibilite uma adequação da oferta e da demanda com vistas ao uso racional desse recurso tão precioso.

 

Não deixando de lado o fator social, em que é necessários investimentos por parte do governo, em sensibilização dos produtores que em geral, possuem nível de escolaridade baixo, sobre os impactos que ocorrem com a diminuição da quantidade de água prontamente disponível para a sociedade.

 

A QUESTÃO DO DESPERDÍCIO DA ÁGUA NO MUNICÍPIO DE CAPITÃO POÇO – PARÁ

 

Para verificar a questão do desperdício de água no município de Capitão Poço, foi realizada uma pesquisa de campo com a aplicação de 60 questionários, obedecendo as seguintes classes: 26 residências, 6 açougues, 6 granjas, 6 lava-jatos, 6 peixarias e 10 agricultores. Todas as perguntas estavam relacionadas ao consumo de água desses setores da sociedade, sendo que havia um questionário elaborado especificamente para os agricultores, em função das particularidades da atividade agrícola.

Ao serem questionados sobre a qualidade do abastecimento de água em seus bairros, entre as opções: excelente, bom, regular e ruim, chegou-se aos seguintes resultados, presentes na figura 1.

 

Figura 1: Opinião sobre o abastecimento de água em Capitão Poço.

 

 

O abastecimento de água nas diferentes classes estudadas foi considerado bom, o que indica que todas as classes têm acesso à água.

Investigou-se também sobre a ocorrência de problemas, como: danificações na rede de abastecimento com vazamentos de água, e em caso positivo, a qualidade da assistência para resolver o problema. Na Figura 2 podem-se acompanhar os resultados.

 

Figura 2: Ocorrências de problemas de encanação e qualidade da assistência.

 

Na maioria dos estabelecimentos percebe-se que ocorrem problemas na rede de abastecimento e que há demora para se resolver os mesmos.

Outro dado levantado foi sobre a existência de um sistema de coleta e tratamento de esgoto, como pode ser observado na Figura 3.

       

 

Figura 3: Existência de sistema de coleta e tratamento do esgoto.

Em todas as classes quase inexiste sistemas de coleta e tratamento do esgoto.

Foi perguntado aos entrevistados, se estes utilizavam algum meio de reuso da água, e os resultados são mostrados na Figura 4.

 

Figura 4: Reuso da água pela população.

 

O reuso da água ainda é uma prática sem uso na região.

Perguntou-se ainda aos entrevistados, se estes tinham hábito de deixar torneiras ou chuveiros abertos por muito tempo, o quadro abaixo ilustra os resultados:

Figura 5: Hábito de deixar torneiras e chuveiros abertos por muito tempo.

 

Percebe-se que o hábito de desperdiçar a água ainda é um serio problema em todas as classes investigadas.

Foi perguntado também aos entrevistados, quantos litros de água a caixa do seu vaso sanitário armazenava, e os resultados estão mostrados na Figura 6.

 

Figura 6: Capacidade de armazenamento da caixa do vaso sanitário.

 

A maioria esmagadora possui vasos sanitários com capacidade de ate 6 litros de água.

 

Segundo (FURRIELA,2001) o primeiro grande desafio que se coloca para a humanidade é a tomada de consciência de que não existe um suprimento inesgotável de água potável no planeta. Algumas medidas devem ser promovidas para garantir o suprimento de água em quantidade e padrões aceitáveis. O grande desafio da atualidade reside em reduzir o nível de degradação da água por meio de medidas como conservação, melhoria do saneamento básico, redução da utilização de pesticidas, produção industrial mais limpa e gerenciamento do consumo. Algumas medidas citadas pela organização não-governamental Consumers International sobre esse tema que podem ser promovidas pelos consumidores de água:

• instalar válvulas hídricas amplamente comercializadas no mercado nas casas e nos locais de trabalho que permitem a economia de água nas torneiras, nos chuveiros e nas descargas;

• promover campanhas para a conscientização sobre o valor econômico e social da água, estímulo ao seu uso racional e proteção de sua qualidade;

• fazer campanhas para aprovação de leis de proteção dos recursos hídricos visando à garantia de sua qualidade e quantidade, inclusive por meio do estabelecimento de valor econômico para o bem “água” e de sua cobrança;

• buscar fontes alternativas de água (ex.: dessalinização da água do mar);

• desenvolver novas técnicas de economia de água para utilização na produção agrícola.

Algumas outras medidas pertinentes, principalmente no caso do Brasil, onde prevalece o equivocado conceito  de que temos água em abundância:

• evitar hábitos de lavagem de calçadas, quintais e carros em demasia;

• deixar a torneira fechada ao escovar os dentes, tomar banho, lavar louça, fazer faxina, lavar roupa quando não houver necessidade de deixar a água correndo.

Com relação à pesquisa com os agricultores do município em questão, foram formuladas sete questões voltadas para o consumo de água na sua propriedade e orientações recebidas quanto à utilização da mesma. A princípio, perguntou-se qual a fonte de água para a propriedade rural (Figura 7A) e em seguida qual o destino dos resíduos produzidos da atividade agrícola na propriedade (Figura 7B).

 

Figura 7: Fontes de água para as propriedades rurais (A) e o destino dos resíduos gerados da atividade  agrícola (B) em Capitão Poço - PA.

 

Percebe-se que a principal fonte de água para as propriedades rurais vem de corpos d’água (Igarapés, riachos ou rio) e que a prática de reuso e tratamento de resíduos, produzidos nas propriedades rurais, nessa região ainda inexiste.

Segundo a Agenda 21 (1994) no capítulo 21 – “Gestão ambientalmente adequada de resíduos líquidos e sólidos” estabelece como objetivos básicos: vitalizar e ampliar os sistemas nacionais de reuso e reciclagem de resíduos, e tornar disponível, informações, tecnologia e instrumentos de gestão apropriados para encorajar e tornar operacional, sistemas de reciclagem e uso de águas residuárias.  A prática de uso de águas residuárias também é associada, e suportiva, às seguintes áreas programáticas incluídas no capitulo 14 – “Promovendo a agricultura sustentada e o desenvolvimento rural”, capítulo 18 – “Proteção da qualidade das fontes de águas de abastecimento – Aplicação de métodos adequados para o desenvolvimento, gestão e uso dos recursos hídricos”, visando a disponibilidade de água para a produção sustentada de alimentos e desenvolvimento rural sustentado e para a proteção dos recursos hídricos, qualidade da água e dos ecossistemas aquáticos.

Questionou-se também quanto à utilização de medidas para o não desperdício de água (Figura 8A) e sobre a existência ou não de informações sobre a prática da irrigação com água de reuso (Figura 8B).

Figura 8: Utilização de medidas para evitar o desperdício de água (A) e a existência ou não de informações sobre a irrigação com a água de reuso (B), em Capitão Poço – PA.

 

 Percebe-se pelos resultados, que a maioria dos agricultores questionados, não fazem nenhuma medida para evitar o uso exagerado de água no meio rural, já com relação, se eles conhecem ou não, a técnica de irrigar as culturas com água de reuso, notou-se que 62,5% dos entrevistados tem conhecimento dessa prática.

Com a implementação da regulamentação do uso da água e da cobrança, poderão ocorrer dois processos opostos na área rural: (a) redução da demanda da irrigação nos projetos existentes, devido à cobrança e à racionalização do uso da água, criando melhores oportunidades para a sustentatibilidade regional da atividade, com obediência aos acordos e às decisões dos comitês de bacia; e (b) aumento de conflitos, com dificuldades na implementação das decisões dos comitês e de restrições de diferentes naturezas. Provavelmente, o País deverá registrar os dois tipos de processos, mas é esperado que o primeiro predomine (TUCCI et al., 2003).

Por fim perguntou-se, quanto ao recebimento de orientações técnicas sobre o desperdício de água (Figura 9A) e se estes acreditavam que a água potável é passível de escassez (Figura 9B).

 

 

Figura 9: Recebimento de orientações técnicas sobre o desperdício de água (A) e se a água potável é um produto que pode se esgotar (B).

 

Perante os resultados, pode-se inferir que a falta informação, quanto ao desperdício e a qualidade da água potável, gera um enorme gargalo para atenuar os impactos sobre os recursos hídricos nessa região.

O acesso à água doce é um dos problemas ambientais, econômicos e de saúde mais graves que afetam os países em desenvolvimento. A falta de água e sua poluição causam problemas graves de saúde pública, limitam o desenvolvimento econômico e agrícola e prejudicam os ecossistemas. A manutenção de estoques de água potável para consumo humano (na agricultura, nas casas e na indústria) e para o equilíbrio dos ecossistemas é um desafio crescente para muitas sociedades. A alocação dos recursos hídricos para esses diferentes usos também se tem tornado bastante complexa. Algumas estimativas demonstram que no ano 2025, quando a população mundial provavelmente terá atingido a cifra de 8 bilhões de pessoas, toda a água acessível no mundo para consumo será necessária para atender às necessidades de produção agrícola, uso doméstico e industrial e para o atendimento das necessidades dos ecossistemas (Watson, 1998).

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

O grande desafio que se coloca para os cidadãos, as empresas e os governos é buscar programar um conjunto de medidas, diretrizes, propostas, projetos, enfim, ações no sentido de promover o consumo e a sustentabilidade dos recursos hídricos do planeta. Isso só vai se tornar possível pelo incremento das iniciativas educacionais no campo do desenvolvimento sustentável. Além dessas iniciativas educativas medidas complementares de ordem cultural, política, jurídica, econômica, científica, artística, institucional, dentre outras, devem ser amplamente promovidas e divulgadas a fim de consolidar no Brasil a consciência e a prática de preservação da água.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

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