ISSN 1678-0701
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Artigos

No. 38 - 05/12/2011
EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO SUL CATARINENSE: AVALIAÇÃO DO PROJETO PRESERVAR É POSSIVEL
O presente artigo procura mostrar como está sendo trabalhada a questão da educação ambiental no sul de Santa Catarina, através da avaliação qualitativa e quantitativa do Projeto Preservar é Possível, criado pelo Sindicato das Indústrias de Extração de Carvão do Estado de Santa Catarina – SIECESC e desenvolvido pela Associação Beneficente da Indústria Carbonífera de Santa Catarina – SATC.

Revista Educação Ambiental em Ação 38

Educação Ambiental no sul catarinense: avaliação do projeto preservar é possivel

 rOSIMERI mIZEESKI

    Acadêmica de Jornalismo da Faculdade Satc

Rossy.m@hotmail.com

 

resumo:

O presente artigo procura mostrar como está sendo trabalhada a questão da educação ambiental no sul de Santa Catarina, através da avaliação qualitativa e quantitativa do Projeto Preservar é Possível, criado pelo Sindicato das Indústrias de Extração de Carvão do Estado de Santa Catarina – SIECESC e desenvolvido pela Associação Beneficente da Indústria Carbonífera de Santa Catarina – SATC.

 

palavras-chave:

Educação Ambiental; Preservar é Possível; meio ambiente.

1       introdução

O sul catarinense tem como histórico a extração do carvão, foi através desse minério que se construiu e desenvolveu as principais cidades da região, porém a mineração desordenada e sem fiscalização também foi responsável por poluir terras e rios regionais. Diante desse cenário faz-se necessário que as futuras gerações conheçam essa historia e o que está sendo feito para reverter essa situação. Com esse objetivo foi criado o Projeto Preservar é Possível.

O projeto é desenvolvido nas escolas da Associação dos Municípios da Região Carbonífera – AMREC e da Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense – AMESC. E nesse contexto pretende-se verificar de que forma é vista a cartilha trabalhada no projeto pelos educadores e educandos dessas regiões. Para isso, será avaliada a opinião dos participantes, através de uma pesquisa de campo.

Perceber como está sendo visto a questão ambiental e o Projeto Preservar é Possível pelos educadores e educandos é importante para que se possa fazer um trabalho mais dinâmico, com mais atrativos e conteúdos que realmente mostrem a realidade dessas regiões. Uma das hipóteses para essa pesquisa é que a cartilha está sendo bem aceita tanto pelos educandos quanto pelos educadores.

 

2       um breve resumo sobre educação ambiental

A questão ambiental vai além de tratar apenas da poluição, do desmatamento, do cuidado com a natureza e da destruição provocada pelo ser humano, mas, sim tudo o que envolve a natureza e o que está ligada a ela, inclusive o homem. É importante conscientizarmos as futuras gerações para a questão ambiental e, de como a sociedade se relaciona ou deve se relacionar com a natureza.

A educação ambiental é um processo de educação política que possibilita a aquisição de conhecimento e habilidades, bem como a formação de atitudes que se transformam necessariamente em práticas de cidadania que garantem uma sociedade sustentável. (CASTRO & CONHEDO JUNIOR, 2005, p.405)

A EA não pode ser vista como uma modalidade educacional. O que ocorre hoje em muitas instituições é mais um adestramento ambiental, do que propriamente uma aprendizagem. Isso se dá pelo fato de muitos educadores verem a educação ambiental como uma forma qualificada para a extração dos recursos humanos, e não como uma educação voltada para uma visão do mundo de forma geral.

Porém, alarmados observamos que muitos programas de educação ambiental limitam suas preocupações à conservação da natureza, sem prestar a mínima atenção à vida humana; muitas organizações ambientalistas militam em defesa do meio ambiente, mas não pelo direito de todos os cidadãos viverem com dignidade. (LUZZI, 2005 p.382)

O documento final da Conferência de Tbilisi sobre educação ambiental de 1987 trata a educação ambiental como um todo no currículo escolar, uma contribuição em varias disciplinas e na sociedade:

Não pode ser uma disciplina; há de ser uma contribuição de diversas disciplinas e experimentos educativos ao conhecimento e a compreensão do meio ambiente, assim com à resolução de seus problemas e à sua gestão; sem o enfoque interdisciplinar não será possível estudar as inter-relações, nem abrir o mundo da educação à comunidade, incitando seus membros à ação. (MAGOSO, 2005, p.424)

A sociedade industrial abriu as portas para o individualismo, não permitindo que as pessoas sejam outras formas de avaliar o meio ambiente ao seu redor. Hoje a sociedade como um todo, apenas sabe defender o que é de interesse próprio. Para o meio ambiente a educação implica em uma avaliação critica desse individualismo, numa visão ampla de vida em sociedade.

Nesse contexto é que defende-se que a Educação Ambiental não pode ser reduzida a uma simples visão ecologista, naturalista ou conservadora sem perder legitimidade social, por uma simples questão ética, e sem perder sua coerência, por que a resolução dos problemas socioambientais [...] se localiza no campo político e social, na superação da pobreza, na desaparição do analfabetismo, na geração de oportunidades, na participação ativa dos cidadãos. (LUZZI, 2005, p.398)

Tentando observar todos os pontos citados acima sobre educação ambiental, o Sindicato da Indústria de Extração de Carvão do Estado de Santa Catarina – SIECESC criou o Projeto Preservar é Possível desenvolvido pela Associação Beneficente da Indústria Carbonífera de Santa Catarina - SATC, que tem como carro chefe a cartilha “O meio ambiente está em nossas mãos” e “O CARVÃO MINERAL Progresso, Conhecimento e Preservação”, trabalhada com alunos do 2° ao 5° ano (1ª a 4ª série) do ensino fundamental.

2.1      preservar é possivel

Para uma melhor compreensão da natureza e do meio ambiente e a necessidade de utilizar os recursos naturais sem que isso afete a sobrevivência das próximas gerações, foi criado o Projeto Preservar é Possível, com o objetivo de promover a Educação Ambiental na região. O Projeto é desenvolvido nas regiões da AMREC e AMESC, totalizando 26 municípios do Sul de Santa Catarina, com 290 escolas participantes, 33 mil educandos e 2100 educadores.

O projeto propõe trabalhar educação ambiental dentro dos parâmetros descritos pelas bibliografias pesquisadas para o presente trabalho. Integrando a educação ambiental em todas as disciplinas escolares. Segundo a cartilha, “o trabalho pedagógico com a questão ambiental centra-se no desenvolvimento de atitudes, valores, posturas éticas e também no domínio de procedimentos, mais do que na aprendizagem escrita de conceitos.” Pág.10.

O material trabalhado pelo programa é montado de forma a chamar a atenção e despertando a curiosidade dos alunos. Para isso dois personagens ilustram as cartilhas, o Mineirinho e o Indiozinho, representando a realidade da região.

 

3       metodologia e avaliação

No inicio foi realizado um trabalho com pesquisas bibliográficas sobre educação ambiental e sobre o Projeto Preservar é Possível. Para tal esclarecimento também foi buscado informações em relatórios e conversas com os coordenadores e responsáveis do projeto. Além de saídas de campo para conhecer as atividades desenvolvidas por eles. Após toda essa pesquisa, e já conhecendo o que seria analisado, iniciou-se a elaboração dos questionários, material utilizado para a avaliação.

Os questionários foram aplicados com 1.199 alunos e 356 professores de escolas na AMREC e AMESC entre outubro e dezembro de 2009, da seguinte forma:

a)    Escolas Municipais: os questionários foram entregues nas Secretarias de Educação de cada município, que se encarregou de distribuir e recolher até o prazo estipulado;

b)    Escolas Estaduais: na Gerencia Regional de Educação – GERED - correspondente a cada região participante do projeto, que da mesma forma se encarregou de distribuir e recolher os questionários até o prazo estipulado;

c)    Escolas Particulares: essas foram visitadas uma por uma, e entregue as coordenadoras pedagógicas.

Após a entrega, foi estipulado um prazo de cerca de 20 dias com as instituições para retornar a pegar os questionários já preenchidos. Após o recolhimento do material, inicio-se a analise, a tabulação e criação do banco de dados.

Os municípios da AMESC e AMREC que participaram da pesquisa estão descritos nas tabelas 1 e 2.

Tabela 1 – Municípios da AMESC que participaram da pesquisa:

 

Professores

Alunos

Araranguá

25

26

Bal. Gaivota

06

52

Ermo

02

05

Jacinto Machado

21

40

Maracajá

04

10

Meleiro

07

23

Morro Grande

04

20

Praia Grande

07

35

Sombrio

17

04

Timbé do Sul

04

15

Turvo

15

30

Total

112

260

Tabela 2 – Municípios da AMREC que participaram da pesquisa:

 

Professores

Alunos

Cocal do Sul

10

16

Criciúma

47

193

Forquilhinha

19

61

Içara

32

156

Lauro Muller

26

84

Morro da Fumaça

0

12

Nova Veneza

25

172

Orleans

26

56

Siderópolis

20

74

Treviso

04

06

Urussanga

30

109

Total

356

939

 

3.1      avaliação dos alunos

O resultado apresentado pela pesquisa com os alunos apontou que os participantes do projeto, em maioria do sexo feminino e com 10 anos, obtêm informações sobre meio ambiente através da escola (26%). Portanto, podemos perceber a importância de trabalhar a questão ambiental nas salas de aula. Além dos educandos gostarem de estudar a cartilha (94%), também praticam os conteúdos estudados com sua família (56%).

De um modo geral as escolas não apenas trabalham com a cartilha, elas também promovem atividades sobre a questão ambiental. Entre os conteúdos estudados os que mais despertaram o gosto dos alunos foram o carvão (32%), o meio ambiente (10%) e a poluição de um modo geral (10%). E ao indagar se havia algum conteúdo que gostariam de estudar e não encontraram nas cartilhas, a maioria respondeu que não há (34%).Com base nessas informações podemos observar que o Projeto Preservar é Possível, está sendo bem aceito pelos educandos.

 

3.2      avaliação dos educadores

Os educadores participantes da pesquisa, em sua maioria, afirmam encontrar informações sobre meio ambiente na televisão (20%), além de livros e revistas (20%), nos jornais (19%), pela internet (18%) e em palestras (18%). Dos educadores pesquisados, 84% possuem pós-graduação completa e uma pequena minoria não possui graduação completa (3%).  Ainda de acordo com a pesquisa, os professores vêem o trabalho de educação ambiental como importante para os alunos e o meio ambiente (40%), além de conscientizar os educandos (30%). Quando questionados se a cartilha do projeto está dentro do conceito de educação ambiental, 29% dos educadores afirmaram que sim, e outros 19% também afirmam que complementam que a cartilha aborda um tema importante, que é o meio ambiente.

Segundos os professores, 88% dos alunos mostram interesse em todos os temas abordados nas cartilhas, e 92% responderam que a escola apóia o projeto com trabalhos extra-classe. 48% dos entrevistados julgam a coordenação do projeto como boa, e 74% afirmam receber as informações necessárias para trabalhar com o projeto. Dos 12% que dizem não receber orientações 82% atribui isso a falta de material.

A pesquisa aponta também que 73% dos entrevistados não encontram dificuldades em trabalhar o material e 70% afirmam que a cartilha está dentro da realidade dos educandos. De acordo com 31% dos educadores os pontos positivos do projeto é a qualidade do material, as palestras, as instruções recebidas, oficinas, gincanas, material individual, adequado à idade dos alunos, e 31% declaram não encontrar pontos negativos. As sugestões deixadas por 33% dos participantes da pesquisa são mais palestras, oficinas e atividades com os alunos.

Com base nos dados apresentados acima observamos a satisfação dos educadores com relação ao Projeto Preservar é Possível.

 

 

4       cONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao realizar essa pesquisa, a maior dificuldade encontrada foi à falta de participação das escolas em relação ao preenchimento dos questionários. Muitos educadores não tinham interesse em parar o seu conteúdo, já pré-estabelecido, para realizar essa etapa da pesquisa. Outro problema foi à falta de colaboração das GEREDS, que quase não repassaram o material as instituições de ensino estaduais.

No entanto, ainda que com tantos contratempos, a pesquisa realizada apresenta números significativos com relação ao Projeto Preservar é Possível. Tanto o projeto, quanto a própria coordenação tiveram uma boa avaliação dos educadores. Além de elogios a essa iniciativa, muitos professores salientaram querer trabalhar novamente o projeto em sala de aula.

Quanto aos alunos, foram poucos os que declararam não gostar de estudar a cartilha. A maioria dos educandos deram boas sugestões de conteúdos ainda não abordados pelo projeto. A pesquisa também revelou que as crianças gostam muito das atividades realizadas extra-classe, e dos personagens Mineirinho e Indiozinho.

Outro ponto importante foi à solicitação de expansão do projeto, sugerida por muitos educadores. Além de trabalhar apenas do 2° a 5° ano, foi proposto estender os trabalhos do 1° a 9° ano do ensino fundamental. Em 2010 outra região trabalhará o Projeto Preservar é Possível. Além da AMREC e AMESC, será incluído no cronograma um município da AMUREL. Possibilitando maior abrangência do programa.

A avaliação do projeto, portanto, foi boa tanto qualitativa quanto quantitativamente. Tem grande aceitação na comunidade escolar da AMREC e AMESC.

 

REFERÊNCIAS

BRÜGGER, Paula. Educação ou Adestramento Ambiental? Chapecó: Argos; Florianópolis: Letras Contemporâneas, 2004.

CARVALHO, Isabel Cristina de Moura. Qual Educação ambiental? Elementos para um Debate sobre Educação Ambiental Extensão Rural. Disponível em: . Acesso em: 22 de jul. 2009.

CASTRO, Mary Lobos & CONHEDO JUNIOR, Sidnei Garcia. Educação Ambiental como Instrumento de Participação. In: PELICIONI, Maria Cecília Focesi & PHILIPPI JUNIO, Arlindo (org). Educação Ambiental e Sustentabilidade. Barueri: Manoli, 2005.

LUZZI, Daniel. Educação Ambiental: Pedagogia, Política e Sociedade. In: PELICIONI, Maria Cecília Focesi & PHILIPPI JUNIO, Arlindo (org). Educação Ambiental e Sustentabilidade. Barueri: Manoli, 2005.

MAGOZO, Helena Maria Campos. Subjetividade no Processo Educativo: Contribuições da Psicologia à Educação Ambiental. In: PELICIONI, Maria Cecília Focesi & PHILIPPI JUNIO, Arlindo (org). Educação Ambiental e Sustentabilidade. Barueri: Manoli, 2005.

SAUVÉ, Lucie. Educação Ambiental: Possibilidades e Limitações. Disponível em: . Acesso em: 22 de jul. 2009.

Cartilhas do Projeto Preservar é Possível. 2009.

 


 
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