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No. 36 - 09/06/2011
A IMPORTÂNCIA DO CONSUMIDOR VERDE E ISO 14000
O objetivo deste artigo é apresentar alguns motivos pelos quais estão levando os consumidores a buscarem cada vez mais produtos ecologicamente corretos, demonstrando sua preocupação, sensibilização e conscientização perante aos problemas da preservação ambiental e também os motivos que estão levando as empresas a investirem cada vez mais no gerenciamento ecológico. […]

A IMPORTÂNCIA DO CONSUMIDOR VERDE E ISO 14000

A IMPORTÂNCIA DO CONSUMIDOR VERDE E ISO 14000

 

ENGEL, Giseli¹

 FOFONKA, Luciana²

09/12/10

 

O verde é negócio.

Hans Jöhr

RESUMO

 

O objetivo deste artigo é apresentar alguns motivos pelos quais estão levando os consumidores a buscarem cada vez mais produtos ecologicamente corretos, demonstrando sua preocupação, sensibilização e conscientização perante aos problemas da preservação ambiental e também os motivos que estão levando as empresas a investirem cada vez mais no gerenciamento ecológico. Através desta pesquisa conclui-se que a preocupação com o meio ambiente e a aquisição de produtos ecológicos que não agridam o meio ambiente é um fator importantíssimo para as empresas buscarem o selo verde tendo como principal objetivo a preservação do meio ambiente apresentando e mantendo uma imagem saudável perante os consumidores.

Palavras-chave: Consumidor; Verde; Marketing.

 

 

 

ABSTRACT

The aim of this paper is to present some reasons why they are making consumers seek more environmentally friendly products, demonstrating their concern, sensitivity and awareness towards the problems of environmental preservation and the motives that are driving companies to invest more in ecological management. Through this research concludes that concern for the environment and the acquisition of green products that do not harm the environment is an important factor for companies to take the green label with the primary objective the preservation of the environment providing and maintaining a healthy image to consumers.
Keywords: Consumer; Green; Marketing.

 

______________________

¹. aluna do Pós-Graduação em Gestão e Educação Ambiental- IERGS

Trabalho de Pós-Graduação.

². Profª orientadora do Pós-Graduação em Gestão e Educação Ambiental- IERGS

 

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1 INTRODUÇÃO

 

    Com o surgimento do consumidor verde, na década de 80 as pessoas e órgãos não-governamentais passaram a pressionar os governos para que eles regulamentassem condutas relativas ao meio ambiente.

   Em decorrência disso as empresas passaram a buscar novas formas de gestão ambiental para competirem no mercado.

    Nesse contexto o presente trabalho demonstra que o mercado está preocupado em oferecer produtos que não agridam o meio ambiente. Por outro lado vê-se que a maioria dos consumidores não apresentam uma consciência ecológica, estão muito inseguros e lhes faltam muitas informações.

    Existe uma tendência de que o consumo ecologicamente correto se torne cada vez mais praticado pelas pessoas, pois, elas passaram a se preocupar mais com a qualidade de vida e assim com o meio ambiente. A qualidade ambiental passou a ser requisito para as empresas, onde cada vez mais estão preocupadas em passar uma imagem ecologicamente correta e positiva para seus consumidores.

   No Brasil a legislação ambiental está alterando significativamente a economia. Junte-se a isto o fato de que a parcela de consumidores verdes está se ampliando para constatar que não agir em conformidade com a lei e exigências de consumidores pode trazer prejuízos significativos ao bolso e à imagem de uma empresa ou entidade.

 

2 CONSUMIDOR VERDE E ISO 14OOO

 

    O consumidor verde prefere e paga mais por produtos ecológicos, não adquire produtos com empacotamento excessivo, prefere produtos com embalagem reciclável e/ou retornável, evita comprar produtos com embalagens não biodegradáveis, observa os selos verdes, entre outros comportamentos incorporados.

   Segundo Cuperschmid & Tavares (2002) o termo marketing verde é abordado, no mundo dos negócios, como um movimento das empresas para criarem e colocarem no mercado produtos e serviços responsáveis com relação ao meio ambiente. Comprometidas, as empresas “verdes” tentam não apenas contribuir para um ambiente saudável, mas também evitar a poluição. Para comunicar, explicar e valorizar o esforço da empresa para preservar o meio ambiente é utilizado o marketing verde, sendo este termo cunhado para descrever as estratégias que os profissionais de marketing procuram para se desenvolver objetivando o consumidor envolvido com as questões ambientais. Verificam as propriedades ecológicas de seus produtos e serviços, eventualmente, elevam os preços para cobrir os custos ambientais.

      No Brasil a tendência é a de utilização cada vez mais ampla das auto-declarações ambientais, buscando oferecer informações precisas, relevantes e de fácil entendimento para o consumidor, pois ao empregar estratégias de marketing ambiental, a entidade pode aumentar sua credibilidade e legitimidade, definir sua personalidade, área de atuação e imagem, além de agregar valor a sua marca junto a diversos compradores e fornecedores.

    A ISO significa (Organização internacional para Normalização), é uma federação mundial de entidades nacionais de normalização (organização não governamental), representando praticamente 95% da produção industrial do mundo.

   A ISO 14000 é uma norma elaborada pela International Organization for Standardization, com sede em Genebra, na Suíça, que reúne mais de 100 países com a finalidade de criar normas internacionais. Cada país possui um órgão responsável por elaborar suas normas. No Brasil temos a ABNT, na Alemanha a DIN, no Japão o JIS, etc. A ISO é internacional e por, essa razão, o processo de elaboração de normas é muito lento, pois leva em consideração as características e opiniões de vários países membros.

   A ISO 14000 – Sistema de Gestão Ambiental – Especificações com Guias para uso, estabelece requisitos para as empresas gerenciarem seus produtos e processos para que eles não agridam o meio ambiente, que a comunidade não sofra com os resíduos gerados e que a comunidade seja beneficiada num aspecto amplo.

   Assim, uma empresa poderá sistematizar a sua gestão mediante uma política ambiental que vise a melhoria contínua em relação ao meio ambiente.

   O comitê técnico de meio ambiente da ISO iniciou os trabalhos em 1994. O Brasil participou desde o início através do Grupo de apoio às Normalizações Ambiental (GANA), criado na ABNT.

    O objetivo da ISO é publicar documentos que estabeleçam práticas internacionalmente aceitas. Esses documentos são geralmente Normas Internacionais, que estabelecem regras a serem seguidas. As Normas Internacionais são aprovadas com o maior nível de consenso internacional possível dentro da ISO. Apesar de nem sempre serem ratificadas como normas nacionais nos países membros da ISO, elas formam a base de muitos aspectos do comércio internacional. Existem cerca de 10.000 Normas Internacionais publicadas pela ISO.

   Seu objetivo no Brasil é contribuir para a melhoria da qualidade ambiental, diminuindo a poluição e integrando o setor produtivo na otimização do uso dos recursos ambientais do consumidor consciente de nossa época.

    Além disso a ISO produz outros tipos de documento internacionalmente aceitos pelo Sistema de Gestão Ambiental:

- Guias ISO (regras a serem seguidas pelos TCs ao elaborarem Normas Internacionais);

- Especificações Técnicas ISO (documentos sobre áreas onde o consenso internacional ainda está em evolução);

- Relatórios Técnicos ISO (documentos informativos que fornecem material de apoio para as Normas Internacionais);

- Especificações Publicamente Acessíveis (documentos normativos representando o consenso dentro de um grupo de trabalho, válido apenas por um curto período de tempo);

- Acordos de Reuniões de Trabalho Internacionais (que podem ser preparados durante uma única sessão de uma reunião de trabalho).

    Esses tipos de documentos podem ser publicados sob regras menos rígidas e requerem menos consenso internacional do que as normas internacionais.

    A ISO 14001-SGA é uma certificação ambiental com normas específicas que está ajudando a criar uma política ambiental no Brasil. Ela fornece ferramentas e estabelece um padrão de sistemas de gestão ambiental.

 

    Os pequenos negócios tem cada vez mais se preocupado com a questão do meio-ambiente. Mais do que marketing, tem sido constante o desenvolvimento de uma consciência ecológica. E isto tem feito diferença tanto na estratégia de competitividade do negócio quanto na qualidade de vida do local onde o negócio está instalado.

 

   Ser “verde” ou ambientalmente correto não se limita, por exemplo, a inventar novas embalagens recicláveis, mas sim a administrar uma cadeia de fatos que envolvem várias etapas, desde a fabricação, relação com fornecedores, clientes, empregados, mídia e comunidade.

 

   Implantar sistemas de gerenciamento ambiental e investir em projetos ambientais fazem parte e são a base inicial do desenvolvimento e implantação de uma completa estratégia de marketing ambiental, que tem início na definição da política de gestão e culmina com a divulgação para o mercado de uma empresa verde. É preciso criar uma nova cultura empresarial.

 

   Ao se traçar uma estratégia de marketing ambiental para uma empresa é preciso começar pelos modos de produção, fazendo-se alguns questionamentos básicos como: quais materiais podem ser reciclados? O que pode ser feito para garantir mais durabilidade e longevidade aos produtos? Que tipo de componentes poluentes podem ser eliminados ou substituídos? Quando a empresa torna-se uma eco-empresa, ela vende mais do que produtos e serviços de qualidade, vende uma nova alternativa.

 

2.1 Gestão Ambiental

 

 

   A gestão ambiental nas empresas pode ser definida como aquela parte da função gerencial global que trata, determina e implementa a política de meio ambiente estabelecida pela própria empresa. De maneira mais específica, o dicionário de vocabulário básico de meio ambiente define gestão ambiental como: “tentativa de avaliar valores e limites das perturbações e alterações que, uma vez excedidos, resultam em recuperação demorada do meio ambiente, de modo a maximizar a recuperação dos recursos do ecossistema natural para o homem, assegurando sua produtividade prolongada e de longo prazo” (BACKER, 1995).

 

   Procura-se trabalhar a Gestão Ambiental em diversas empresas objetivando a redução de custos através de ações como: evitar desperdícios, promoção da separação dos resíduos e do lixo, possibilitando maior reaproveitamento e reciclagem de materiais, redução do custo para disposição final dos resíduos, adoção de procedimentos padronizados que reduzem o custo de controles, melhor aproveitamento de água, energia, combustíveis, menor risco de acidentes e ações corretivas, redução do risco de atuação pelos órgão ambientais e menor despesas com processos jurídicos e pagamento de multas.

 

   Além disso, resulta em melhor qualidade de vida dentro e fora da empresa: pessoas mais conscientizadas sobre a necessidade da preservação ambiental, ambiente de trabalho mais limpo, organizado e agradável, menor poluição e geração de lixo. Também obtém-se como resultados, a melhoria da imagem da empresa junto a clientes, parceiros e a comunidade em geral, que passam a ter uma imagem muito mais positiva da organização.

 

2.2 Marketing Verde

 

   Marketing verde, também conhecido como Marketing ambiental ou Marketing ecológico, está diretamente relacionado com as questões ambientais. A empresa se esforça em satisfazer as necessidades e desejos dos consumidores por produtos que provoquem menores impactos ambientais ao longo do seu ciclo de vida; estimulando assim a demanda destes produtos e aumentando assim o seu percentual de lucros.

      O Marketing Verde bem como a certificação ISO 14000, trazem muitos benefícios a vários elementos. Primeiramente ao empresário, que se insere em um mercado promissor e aumenta seu poder competitivo. Em segundo lugar, ganha o pólo industrial, pois novas empresas irão seguir o exemplo ecologicamente correto, com possíveis redução de custo a longo prazo. Posteriormente, ganha o governo que passa gastar menos recursos com medidas corretivas. Ganha a sociedade por passar a desfrutar de um ambiente menos nocivo à saúde. E, por último, ganha a natureza com a manutenção de seus ecossistemas e da harmonia entre todos os seres da do planeta ..

   Muitas empresas anunciam seus produtos dizendo que tais são benéficos ao meio ambiente, mas devemos cuidar dos anúncios exagerados ou vagos, pois eles podem confundir os clientes. Também temos que cuidar das leis de regulamentação, mantendo sempre os dados dos produtos o mais correto e real possível, pois isto passa para o cliente uma credibilidade onde ele vai passar a ter confiança na empresa, evitando assim decepcioná-lo.

    Além das exigências legais, os parceiros comerciais também estão ficando mais exigentes ecologicamente, principalmente, quando o produto será exportado, quando é preciso atender também aos requisitos legais do país importador. Um dos requisitos é a certificação ambiental, ISO 14000 e selos de garantia ecológica, que atestam que aquele produto é produzido em conformidade com as exigências ambientais. Desta forma, fica evidente que esta modalidade de marketing surge mais como uma resposta que empresas e outras entidades dão à sociedade que lhes cobra responsabilidade ambiental pelo processo de produção.

 

    Muitos países já introduziram os “eco-selos” ou “selos verdes', que garantem que os produtos foram produzidos dentro de padrões severos e restritos de “qualidade ecológica” aprovados em nível nacional. Para usar o selo, a empresa submete-se a constantes supervisões e auditorias. Para os consumidores, os selos são uma referência importante na escolha e decisão de compra do produto, pois significam que a empresa está ecologicamente correta.

 

    Já a obtenção da certificação ISO 14000 envolve a elaboração da análise do ciclo de vida do produto e da rotulagem ambiental. O primeiro implica em avaliar todos os estágios de sua produção, de forma a identificar os efeitos sobre o meio ambiente dos componentes e processos. Vai desde a extração de matérias-primas, inclusive o consumo de energia para fabricação, até a disposição adequada e reciclagem.

 

2.3 O que uma empresa ganha com o marketing ambiental?

 

   O marketing verde é bom para as empresas porque busca a eficiência no uso dos materiais e também ajuda a reduzir os custos. Empresas que não responderem às questões ambientais com produtos mais seguros e ambientalmente mais saudáveis estão se arriscando a perder a sintonia com o consumidor.

    Ao empregar estratégias de marketing ambiental, a entidade pode aumentar sua credibilidade e legitimidade, definir sua personalidade, área de atuação e imagem, além de agregar valor à marca junto aos diversos compradores.

  O marketing verde deve satisfazer dois objetivos: melhorar a qualidade do ambiente e promover a satisfação do consumidor. Se deixar de cumprir uma desses objetivos o marketing verde torna-se uma “miopia” (OTTMAN, STAFFORD; HARTMAN, 2006).

   Para Churchill & Peter (2000) estes fatos criam alguns desafios especiais para os profissionais de marketing do mundo inteiro. À medida que as barreiras comerciais caem e os mercados globais se expandem, as questões ambientais vão tendo um impacto cada vez maior sobre o comércio internacional. Os países da América do Norte, Europa Ocidental e outras regiões desenvolvidas estão criando padrões ambientais rigorosos. Nos Estados Unidos, por exemplo, mais de duas dezenas de regulamentos ambientais importantes foram decretados, desde 1970, e os acontecimentos recentes sugerem que mais leis estão por vir.  

   O consumo relacionado ao meio ambiente é definido por Dobscha (1993) como uma exibição da responsabilidade no mercado por consumidores que:

- Escolhem por produtos e serviços considerados seguros ambientalmente,

- Evitam Produtos e Serviços não seguros para o meio ambiente ou mal falados,

- Apropriadamente descartam produtos.  

    Desta forma o consumidor verde procura adotar atitudes e comportamentos de compra coerentes com a conservação dos ecossistemas (CUPERSCHMID & TAVARES, 2002). Este indivíduo ambientalmente orientado acabará se tornando uma parte permanente da cultura. Farão seus valores serem sentidos, acrescentando pressões internas e externas relativas ao esverdeamento dos negócios, e acima de tudo, relativas a desempenho ético (OTTMAN, 1994).

   O Marketing Ambiental como coloca Figueiredo (1995), muitas vezes confundido com planejamento ambiental, busca passar ao consumidor a imagem de preocupação com as questões ambientais. Este novo arranjo faz parte de uma estratégia atual, no sentido de atingir uma maior parcela do mercado, associando a empresa ao comprometimento com a preservação do meio ambiente. Desta forma, percebe-se que o Marketing Verde não representa apenas uma demonstração de preocupação com a questão ambiental, mas pode representar uma melhor posição competitiva e uma reação às novas expectativas do mercado, onde a preservação do meio ambiente vem adquirindo maior importância a cada dia.

  Adotar um programa de Marketing Verde não é uma medida simples, pois não se limita à promoção de produtos que tenham atributos verdes (recicláveis e sem componentes nocivos). A empresa deve estar mobilizada em ser ambientalmente responsável em todas as suas atividades, sendo necessária uma significativa mudança na cultura da organização.

    A imagem abaixo representa um pedido de socorro para o nosso planeta:

Fotos Gratis – Conceptuais símbolo de reciclagem com a Terra globo Ambiente conceito  

Fonte:Fotosgratis.fot.br, 2011

 

    Um dos aspectos influenciadores de comportamento é a mídia, ela tem feito com que as pessoas pensem a respeito do meio ambiente natural. Mas ela tem se preocupado muito mais em explorar mais o lado emocional das pessoas do que em passar informações corretas sobre o meio em que vivemos.

     O marketing verde deve procurar satisfação das necessidades não só dos clientes, mas efetivamente deve buscar compreender as necessidades ecológicas do planeta como um todo, trabalhando com mais responsabilidade, sustentabilidade e busca de um mundo melhor.

   Segundo Marsili (2000), podem ser destacados como motivos para adotar um programa de Marketing Verde:

• Satisfação de acionistas e funcionários: todos se sentem mais satisfeitos por                    estarem associados a uma empresa ecologicamente responsável, podendo esta satisfação representar ganhos em investimentos e produtividade.

 • Redução de custos: a maior parte da poluição é resultado de materiais mal aproveitados, desperdiçados e um melhor uso destes materiais representa uma redução nos custos da empresa. 

• Facilidades na obtenção de recursos: bancos e outras instituições financeiras oferecem linhas de crédito com melhores condições a projetos ambientais e analisa o comportamento ambiental das empresas na concessão de créditos.

• Pressão governamental: através de legislação rigorosa, o governo procura punir empresas que provoquem impactos ambientais negativos.

• Pressão das ONG´s: através de campanhas e lobby junto a legisladores, estas organizações podem pressionar empresas, sob a pena de publicidade negativa.

• Pressão do mercado: através da crescente conscientização do consumidor em relação ao meio ambiente e sua busca por empresas que simpatizem com a iniciativa de proteção ambiental.

 

   Conforme Winter (apud CALLENBACK, 1999, p.35) existem seis motivos pelos quais todo administrador responsável deve implementar os princípios da administração com consciência ecológica em sua empresa:

1. Sobrevivência Humana: sem empresas com consciência ecológica, não poderemos ter uma economia com consciência ecológica; sem uma economia com consciência ecológica, a sobrevivência humana estará ameaçada.    

2. Consenso Público: sem empresas com consciência ecológica, não haverá consenso entre o povo e a comunidade de negócios; sem esse consenso, a economia de mercado estará politicamente ameaçada.

3. Oportunidade de Mercado : sem administração com consciência ecológica, haverá perda de oportunidades em mercados em rápido crescimento.

4. Redução de riscos: sem administração com consciência ecológica, as empresas correm o risco de responsabilização por danos ambientais, que potencialmente envolvem imensas somas de dinheiro, e de responsabilização pessoal de diretores, executivos e outros integrantes de seus quadros.

5. Redução de custos: sem administração com consciência ecológica, serão perdidas numerosas oportunidades de reduzir custos.

6. Integridade Pessoal: sem administração com consciência ecológica, tanto administradores como empregados terão a sensação de falta de integridade pessoal sendo, assim, incapazes de identificar-se totalmente com seu trabalho.

     Seguindo o modelo Winter, o autor propôs que há seis princípios considerados essenciais para o sucesso a longo prazo de uma empresa administrada de forma responsável.

· Qualidade: um produto é de qualidade apenas se for fabricado de forma ambientalmente benigna, e se puder ser usado e descartado sem causar danos ambientais.

· Criatividade: a criatividade da força de trabalho de uma empresa é intensificada quando as condições de trabalho respeitam as necessidades biológicas humanas (baixo nível de ruído, alimentação saudável, arquitetura de cunho ecológico, etc).

· Humanidade: o clima geral de trabalho será mais humano se os objetivos e estratégias da empresa forem voltados não apenas para o sucesso econômico, mas também para o senso de responsabilidade para com todas as formas de vida.

· Lucratividade: a lucratividade da empresa pode aumentar pela adoção de inovações ecológicas redutoras de custo e pela exploração de oportunidades de mercado de produtos de apelo ecológico.

· Continuidade: no interesse da continuidade da empresa, torna-se cada vez mais importante evitar riscos de responsabilidade decorrentes da legislação ambiental cada vez mais rigorosa, e riscos de mercado resultantes da demanda decrescente de produtos danosos ao ambiente.

· Lealdade:em última análise, os funcionários de uma empresa são leais a seu país e a se concidadãos devido a uma ligação emocional, que só existe enquanto o país não se descaracteriza como resultado da destruição do ambiente.

    O modelo Winter inclui o uso estratégico de instrumentos tradicionais para fins ecológicos. Portanto, a gestão ambiental e a responsabilidade social tornaram-se importantes instrumentos gerenciais na busca de uma maior competitividade. A “empresa verde” é hoje e será no futuro sinônimo de bons negócios.

  Acredita-se que o consumidor cujas opções refletem uma preocupação com o Meio Ambiente, escolha os produtos onde a qualidade transcende com as características do rótulo, não se importando assim em pagar mais caro pelo mesmo.

 

2.3.1 Característica da Embalagem

- Não adquire produtos com empacotamento excessivo.

- Prefere os produtos com embalagem reciclável e/ou retornável.

- Evita comprar produtos com embalagem não-biodegradável.

- Não carrega compras em embalagem de plástico.

 

2.3.2 Característica do Produto

- Escolhe produtos isentos de alvejantes ou corantes.

- Observa a biodegrabilidade do produto.

- Recusa os produtos derivados de flora e fauna em extinção.

- Observa os certificados de gestão.

- Observa os selos verdes.

Fonte: Maimon (2000)

 

2.4 Símbolos da Reciclagem

    Abaixo alguns símbolos que representam a reciclagem:

 

http://Multiply.com/mu/vidasustentavel/image/24/photos/1/1200x120/1/reciclagem.gif?et=4kWr4Zp8ZBRXu2bpV41mvQ&nmid=45593215  Recycle symbol   Mundo com o símbolo da Reciclagem

Fonte: reciclagem, 2011

 2.5 Importância da Reciclagem
   

    A reciclagem é fundamental para a conservação do planeta, pois diariamente produzimos toneladas de lixo que muitas vezes acabam poluindo os rios, solos e o ar. Para evitar o desperdício de recursos naturais, devemos praticar o consumo responsável, reaproveitar ao máximo os materiais utilizados e encaminhar materiais recicláveis para os postos de coleta.

   Os materiais que podem ser reciclados, devem ser separados nas seguintes categorias: papel, plástico, metais e vidro. Os pontos de coleta encaminham para empresas de reciclagem.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

   Reciclar significa transformar objetos materiais usados em novos produtos para o consumo. Esta necessidade surgiu a partir do momento em que se verificou os benefícios que este procedimento trás para o Planeta Terra. 

2.6 Cores da Reciclagem

 

    Certamente você já deve ter visto recipientes para separação do lixo e com certeza surge aquela dúvida sobre a cor de cada tipo de resíduo. Assim, segue as cores para as lixeiras:

 

Cores da Reciclagem

Fonte: Reiclagem, 2011

   O reaproveitamento é bom para o meio ambiente e a sociedade, gera empregos e cria oportunidades de negócio.

   Antes de praticar estratégias voltadas ao meio ambiente as empresas precisarão realizar uma análise do ambiente. Esta apreciação é necessária no sentido de verificar qual a parcela do mercado que valoriza essa questão, de modo a avaliar a viabilidade prática dessa estratégia, pois a diferenciação somente será alcançada quando consumidor perceber que há valor no que está sendo oferecido. Assim, para uma empresa que oferece ou deseja oferecer produtos ecologicamente corretos, a análise do ambiente deve observar os critérios de compra utilizados pelo seu público-alvo e o grau de consumo ecológico destes clientes ou potenciais clientes (BERTOLINI; POSSAMAI, 2005, p. 18).

    Layrargues (2000) coloca que as empresas exportadoras e multinacionais são as únicas estimuladas a se adequar aos novos modelos, porque o mercado verde nacional ainda é pouco expressivo. Para muitas empresas a motivação para a adoção de um SGA tem sido a legislação e não as exigências do mercado. Sendo assim, o consumidor verde (aquele que dirige sua escolha de compra de acordo com, além da qualidade de preço, os impactos ambientais que o produto oferece em seu ciclo de vida) ainda representa uma fatia muito pequena do mercado nacional.

   Viu-se assim que grandes empresas começaram a perceber, na década de 80, que os gastos com o ambiente não eram custos e sim investimentos, além de um diferencial competitivo com grande probabilidade de ser revertido em lucro.

   Porter (1998) também afirma que as normas ambientais são capazes de provocar inovações reduzindo os custos ou aumentando o valor do produto. Segundo ele, o aumento da produtividade e a redução de custos favorece a competitividade das empresas mesmo com a ocorrência de outros gastos no processo.

    Frente a esta tendência da sociedade em transformar-se em uma população ecologicamente atenta, as empresas têm sido orientadas a se adaptarem a este novo mercado que surge e a adotar estratégias de marketing que atinjam e conquistem o mercado verde, de consumidores ecológicos, ou seja, os consumidores simpatizantes com as empresas engajadas na preservação do meio ambiente. O Marketing Verde é um instrumento pelo qual a empresa irá se inserir neste novo mercado e mostrar à população suas atividades preservacionistas.

 

2.7 Os problemas ambientais

   Em termos simples, a poluição ambiental pode ser definida como toda ação ou omissão do homem que, pela descarga de material, energia, atuando sobre as águas, o solo e o ar, cause desequilíbrio nocivo, seja ele de curto ou de longo prazo, sobre o meio ambiente. Seus efeitos mais sensíveis são a degradação da qualidade ambiental e os prejuízos à saúde, segurança e qualidade de vida do homem, afetando a biota e as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente. O poluidor pode ser uma pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, responsável direta ou indiretamente pela atividade causadora da degradação ambiental (VALLE, 2002:26). Com a Revolução Industrial, iniciada no século XVIII na Inglaterra, a capacidade da humanidade de intervir na natureza dá um salto colossal aumentando progressivamente (ROMEIRO, 2003:04).

 

3 CONCLUSÃO

   Como há uma crescente preocupação com a qualidade de vida e o bem-estar, várias pesquisas levaram a conclusão que trabalhar a conscientização das pessoas está em primeiro plano; ensinando-as a importância de obterem produtos ecologicamente corretos, a fazerem a reciclagem de forma correta e a procurarem o mercado que obtenham o selo verde.

   Este artigo destaca que a afinidade entre qualidade, a produção limpa, as atitudes, o Marketing, a gestão ambiental e também as outras áreas das organizações são fatores de destaque e de sucesso para a empresa. Há necessidade de uma sincronia entre o que a empresa apresenta à comunidade e o que ela realmente desenvolve.

   A atitude das empresas em face a estas questões deixa de ser um diferencial competitivo como em décadas passadas e assume papel de preocupação em fazer melhor e manter o planeta vivo, com conseqüências diretas a sua imagem.

   O consumidor verde, os ambientalistas, e as exigências legais quanto à qualidade de seus produtos e serviços e cuidados com o meio ambiente se solidificaram mais, e, com a estratégia de look verde, as empresas buscam mais confiabilidade do público, assumindo posturas ecológicas, estabelecendo vínculos de fidelização entre empresas, fornecedores e consumidores. Há correntes em todo o mundo defendendo o meio ambiente, exigindo das empresas uma produção limpa e o respeito à vida no Planeta Terra.

   A manutenção do verde que antes era considerado um custo para as empresas, agora passa a ser vista como sinônimo de bons negócios. O desenvolvimento de uma consciência ecológica por parte dos consumidores, principalmente dos países desenvolvidos, que preocupados com o futuro do planeta, é sem dúvida o principal motivo do crescimento da responsabilidade ambiental corporativa.

   Com os vários movimentos ambientalistas que ocorrem no mundo todo, não há como as empresas ficarem passivas a essas manifestações e não adotarem medidas preventivas com relação ao meio ambiente. Mesmo porque, os movimentos ambientalistas começaram tímidos e reprimidos, e atualmente ganharam força em nível mundial. Agressões à natureza, catástrofes, são noticiadas na mídia mundial. Apesar das indústrias se defenderem, colocando que os consumidores não estão dispostos a pagar o preço de uma produção limpa, com certeza não estão dispostos a pagar por erros castastróficos de agressão à natureza e de agravos sérios a saúde da população.

   As empresas que pretendem sobreviver devem estar atentas às exigências do mercado. Fazer Marketing da empresa ou dos produtos, e a eles atribuindo um look verde, pode ser considerado simples. O desafio está em integrar as atividades do Marketing às atividades diárias do SGA, efetivamente envolvendo a empresa num ciclo e num processo contínuo de melhoria, pois assim como o SGA exige a melhoria continua, o Marketing Verde exige um comportamento pró-ativo, em constante aperfeiçoamento.

    As organizações devem preocupar-se em trocar conceitos, rever culturas e preparar pessoas para esse novo modelo de Gestão de forma integrada. Este artigo buscou registrar algumas reflexões onde a Gestão Ambiental entre em sintonia com o Marketing Verde e, acredita-se, seja um primeiro passo para uma mudança empresarial em favor do meio ambiente. Certamente muito ainda deverá ser escrito, estudado e praticado.

   Não vamos parar de consumir, só que devemos avaliar a produção, as fórmulas, os produtos, as embalagens em geral, para ter certeza que a empresa realmente é “verde” em seus processos industriais. Assim consumimos com menos culpa!

 

REFERÊNCIA

 

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