A primeira lei da ecologia é que tudo está ligado a todo o resto. (Barry Commoner)
ISSN 1678-0701 · Volume XX, Número 75 · Junho-Agosto/2021
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08/06/2021 (Nº 75) EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA AMAZÔNIA EM PERÍODO DE PANDEMIA
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EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA AMAZÔNIA EM PERÍODO DE PANDEMIA



Prof. Dr. Wander de Jesus Barboza Duarte¹

wanderdu@bol.com.br

¹FACIMAB, UJAEN-ES, UFPA, UFLA, UAA-PY



RESUMO

A Amazônia é uma região de superlativos, com dimensões continentais, que se espalha por todos os países do norte da América do Sul. Seus múltiplos matizes culturais, ambientais e biológicos são apenas parcialmente conhecidos, fato que limita de forma marcante as necessárias intervenções físicas da região. É preciso considerar que mais de vinte e cinco milhões de pessoas vivem na parte brasileira da Amazônia e são os verdadeiros responsáveis por sua conservação, e, em parte por sua revelação nos tempos atuais. O mundo vem experimentando mudanças ambientais significativas, com reflexos diversos, ora acentuando a magnitude de eventos naturais, ora reduzindo seus efeitos. A presente pesquisa, busca desenvolver elementos que contribuam para entender as causas e consequências dos eventos climáticos extremos na Amazônia em período de pandemia Covid-19 e verificar possíveis causas e consequências das queimadas e seca na Amazônia por meio de análise robusta dos dados disponíveis, partindo de uma ampla revisão bibliográfica, para identificar os fatores críticos, propondo uma reflexão sobre essas preocupações que devem ser consideradas nos processos decisórios relacionados à conservação, mitigação e adaptação aos efeitos das queimadas, das mudanças climáticas, as quais devem se acentuar nos tempos vindouros.

Palavras – chave: Queimadas. Pandemia Covid-19. Meio Ambiente.



ABSTRACT

The Amazon is a region of superlatives, with continental dimensions, which spreads across all the countries of northern South America. Its multiple cultural, environmental and biological nuances are only partially known, a fact that markedly limits the necessary physical interventions of the region. It is necessary to consider that more than twenty-five million people live in the Brazilian part of the Amazon and are the real responsible for its conservation, and, in part, for its revelation in the current times. The world has been experiencing significant environmental changes, with different reflexes, sometimes accentuating the magnitude of natural events, sometimes reducing their effects. This research seeks to develop elements that contribute to understand the causes and consequences of extreme climatic events in the Amazon in a pandemic Covid-19 period and to verify possible causes and consequences of fires and drought in the Amazon through robust analysis of the available data, starting from of a wide bibliographic review, to identify the critical factors, proposing a reflection on these concerns that must be considered in the decision-making processes related to the conservation, mitigation and adaptation to the effects of the fires, of the climatic changes, which should be accentuated in the coming times.

Keywords: Burnings. Covid-19 Pandemic. Environment.



INTRODUÇÃO

Quando se fala em educação ambiental, percebe-se que o assunto ganhou visibilidade com relevância na questão de ameaças globais, como a erosão da camada de ozônio e o aquecimento do planeta. A questão ambiental está no rol das grandes questões internacionais. Dessa forma, a educação ambiental deve contribuir para a preparação de pessoas que obtenham a compreensão que o uso predatório da natureza, as queimadas e a poluição do meio ambiente trazem consequências negativas para a sociedade.

Hoje em dia é comum acreditar que a questão ambiental é uma invenção do século XX. De fato, o tema só ganhou projeção a partir dos anos 1960, década que testemunhou os primeiros esforços de chamar a atenção do mundo para as consequências da exploração irrestrita dos recursos naturais. De acordo com os especialistas, a humanidade chegou a um momento decisivo de sua história. Se a economia mundial continuar crescendo no mesmo ritmo da última década, o planeta não suportará a demanda por recursos naturais já em 2050. Isto é, em poucas décadas, o homem enfrentará a escassez de itens indispensáveis à sua existência. A não ser que algo seja feito a respeito. Nesse contexto, de que forma desmatamentos, secas e incêndios podem provocar mudanças climáticas e impactar a Amazônia?

Na Amazônia, pode-se dizer que a vida, em todas as suas dimensões, depende dos pulsos de cheia e vazante, e esses parecem ser sensíveis às mudanças ambientais originadas em outros cantos do planeta. Por essas e outras razões, entender as causas e consequências dos eventos climáticos extremos na Amazônia é de fundamental importância.

O objetivo geral desta pesquisa é apresentar contribuições que relacionam eventos extremos com impactos nas áreas de terra firme da Amazônia. E os objetivos específicos se apresentam em entender os impactos da seca na floresta e a frequência com que as queimadas ocorrem durante as secas, bem como a severidade dos incêndios florestais no período de pandemia Covid-19.

Para o presente artigo foi utilizada como metodologia a pesquisa bibliográfica, através de referencial teórico e artigos científicos já publicados, na plataforma SCIELO (Scientific Electronic Libray OnLine), no viés qualitativo, como também a utilização da metodologia do trabalho científico.

1 CAPÍTULO I

1.1 Amazônia

Segundo Alfredini (2014) o Brasil possui mais de 8.500 km de linha costeira, considerando os recortes litorâneos. Dezessete Estados da Federação compõem essa linha de costa, contando com portos marítimos, estuarinos e lagunares, pelos quais se movimenta a quase totalidade do comércio exterior do país (navegação de longo curso), além da navegação de cabotagem entre os portos nacionais.

Aos mais de 60 principais portos comerciais marítimos brasileiros, agregam-se mais de 60 portos fluviais ou terminais hidroviários, compondo um conjunto de mais de uma centena de polos multimodais de transporte públicos e privados.

1.2 Identificação da Amazônia

De acordo com Gonçalves (2010) a Amazônia cumpre um importante papel na imagem que os brasileiros fazem de si próprios e de seu país. Normalmente se diz que o Brasil é o país do futuro. Nessa imagem, está subjacente a ideia de que o Brasil é um país de dimensões continentais, portador de imensos recursos naturais que nos garantiriam um futuro promissor. Nessa perspectiva a Amazônia, que corresponde a cerca de 54% do território brasileiro, seria um imenso reservatório de recursos naturais sendo, por isso, vista como o futuro do Brasil.

Figura 1 - Recursos Naturais da Amazônia

Fonte: Meio Ambiente – Cultura Mix (2020)

Segundo Gonçalves (2010) a Amazônia está associada a uma imagem de uma área de aproximadamente 7,5 milhões de km², localizada na porção centro-oriental da América do Sul, cortada pelo Equador terrestre, com um clima quente e úmido, coberta por uma densa floresta tropical úmida, banhada por uma intrincada e extensa bacia hidrográfica que tem o rio Solimões-Amazonas como eixo principal, habitada por uma população rarefeita constituída basicamente por populações indígenas ou caboclas que abriga riquezas naturais incalculáveis.

Figura 2 - Bacia Amazônica

A importância da Amazônia serviu para o governo nacional barganhar a implantação da Companhia Siderúrgica Nacional, base do processo de industrialização por substituição de importações e do projeto militar nacionalista de construir uma indústria de base capaz de gerar as condições materiais e tecnológicas necessárias para que as Forças Armadas desempenhassem seu papel de defesa da integridade territorial do país. Relata Gonçalves (2010) que ainda durante a Segunda Guerra Mundial o governo brasileiro volta a dar demonstração da velha tutela das elites nacionais não amazônicas com relação à Amazônia. Cria novos territórios Federais como o Amapá, Rio Branco (atual Roraima) e Guaporé (atual Rondônia), amputando espaço aos antigos Estados do Pará, Amazonas e Mato Grosso, e mantendo ainda o Acre na condição de território. Colocam-se assim, sob a administração direta do governo federal, amplas parcelas dos territórios dos estados amazônicos. É o reconhecimento tácito da frágil inserção social e econômica da sociedade que se propôs a colonizar a região, mesmo transcorridos mais de três séculos de ocupação.

A Amazônia Verde, de acordo com Becker (2008) adquiriu valor simbólico para o futuro da humanidade, pelo seu potencial e também pela oportunidade que passou a representar para o mundo. Sua contribuição para o clima global é hoje objeto de grande preocupação. Com um olhar geopolítico sobre a Amazônia têm-se como ambição mostrar que o futuro desejado é possível.

Esclarece ainda, Becker (2008) que os governos da América do Sul entraram em acordo em 2000, de que era necessário realizar ações conjuntas para impulsionar o processo de integração política, social e econômica sul-americana. Desse entendimento surgiu a IIRSA (Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana), o que tem por objetivo promover o desenvolvimento da infraestrutura de transporte, energia e telecomunicações, sob uma visão regional, procurando uma integração física dos doze países da América do Sul e visando alcançar um padrão de desenvolvimento territorial equitativo e sustentável. (IIRSA, 2007 apud BECKER, 2008, p. 88).

Figura 3 - Transporte de produtos

As populações amazônicas necessitam de uma logística mais eficiente. Nesse sentido, um dos elementos-chave é multimodalidade, que pode significar redução de custos, maior eficiência, maior velocidade, e melhor adequação às especificidades ambientais da região. Três modalidades são básicas para a região: fluvial, aérea e de informação. Os rios da Amazônia podem se tornar uma grande vantagem competitiva, pois o transporte hidroviário é a melhor opção em termos de custos e eficiência energética. Para isso, é necessário que haja investimentos em tecnologia na área de engenharia.

Segundo Becker (2008) a bacia Amazônica é a mais extensa bacia hidrográfica do planeta, formada por um emaranhado de 25.000 km de rios navegáveis, distribuídos em 6.925.674 km², dos quais 3.836.520 km² em território brasileiro. É o amplo sistema fluvial que unifica os vários ecossistemas florestais contíguos que compõem a Amazônia Sul-americana a maior floresta tropical do mundo formada por um complexo ecológico transnacional.

Figura 4 - Amazônia Verde