ESTIMATIVA DA GESTÃO DE RESÍDUOS HOSPITALARES DAS CIDADES DE ITAGUATINS (TO) E SÍTIO NOVO (TO)
Análise
do conhecimento de profissionais da saúde, estimativa na
cidade de Sítio Novo, TO, relativo aos resíduos
hospitalares
ANTONIO MOREIRA DE
CARVALHO FILHO1
GERALDO BARROSO
CAVALCANTI JÚNIOR2
AUREAN P. DE CARVALHO3
DANY GERALDO KRAMER
CAVALCANTI E SILVA4
GERUZIA MARQUES TEODORO
QUEIROGA5
Pós –
Graduando Gestão em Saúde Pública com Ênfase
em Saúde Coletiva e da Família – INESPO.
thundercat157@hotmail.com.
Universidade Federal do
Rio Grande do Norte / Dep. de Análises Clínicas.
Gbcjunior@hotmail.com
IFTO-ARAGUATINS
(Instituto Federal do Tocantins)/ UFCG, Rua Capitão João
Alves de Lira, 1305, Bela Vista, CEP 58101-281, Campina grande –
PB, E-mail: aureanp@yahoo.com.br.
Prof.
da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – FACISA -
Santa Cruz / RN. Dgkcs@yahoo.com.br.
Rua Praia Alagamar, n. 2193. Ponta Negra. Natal – RN.
Farmacêutica
Bioquímica. geruzia_mtq@yahoo.com.br
RESUMO
O crescimento
populacional tem levado a uma demanda crescente de pacientes em busca
de serviços de saúde e, conseqüentemente, a um
aumento na produção de resíduos desse setor,
acarretando em riscos ocupacionais, ambientais e à saúde
pública. No Brasil é possível se observar
inúmeras cidades que apresentam práticas inadequadas
para gestão de resíduos hospitalares, incluso
despreparo / desconhecimento dos profissionais de saúde
relativo a esta problemática. Nesta conjuntura, o presente
estudo teve como objetivo avaliar o nível de conhecimento de
profissionais da saúde sobre resíduos hospitalares e
materiais perfuro-cortantes em uma cidade da região do Bico do
Papagaio. Observou-se que a maioria dos profissionais desta cidade
desconhece legislações e medidas de gerenciamentos de
resíduos hospitalares. Relativo aos perfuro-cortantes,
detectou-se um comportamento inadequado quanto às práticas
pós-acidente, estando predominante apenas a lavagem da lesão,
embora a maioria tenha alegado ter recebido treinamento para lidar
com este material no último semestre.
Palavras-chaves:
Sítio Novo(TO),
Perfuro-cortantes, Resíduos Hospitalares.
ABSTRACT
The population growth has
led to an increasing demand of patients in search of health services
and, consequently, to an increase in the waste production in this
sector, causing occupational, environmental and the public health
risks. In Brazil is possible if to observe innumerable cities that
present practical inadequate for hospital waste management, enclosed
unpreparedness/unfamiliarity of the health professionals about this
problematic. In this conjuncture, the present study had as objective
to evaluate the of knowledge of professionals halths about
perforate-cutting and hospital waste in a city of the region of the
Bico do Papagaio. It was observed that the majority of the
professionals of this city is unaware of legislations and measures of
hospital waste management. Relative to the perforate-cutting, an
inadequate behavior was detected practical how much to the
after-accident, being predominant only the laudering of the injury,
even so the majority has alleged received training to deal with this
material in the last semester.
Word-keys: SÍTIO
NOVO (TO), Perforate-cutting, Hospital waste.
1. INTRODUÇÃO
O crescimento
populacional tem levado a uma demanda crescente de pacientes em busca
de serviços de saúde e, conseqüentemente, a um
aumento na produção de resíduos desse setor.
Entre as unidades que mais sofreram esta pressão encontram-se
os hospitais, os quais inicialmente apresentavam procedimentos
manuais para diagnóstico e tratamento, passaram por intensa
modernização nas últimas décadas, atuando
com maior credibilidade e segurança, bem como no atendimento
cada vez mais crescente destes pacientes (WEILERT, 1994; SILVA et
al.,
2003).
Entretanto, essa demanda
gera consumo e conseqüente produção de refugos,
contribuindo para ações impactantes ao meio ambiente,
demandando, por exemplo, combustíveis fósseis, energia
elétrica, água, borrachas, plásticos e produtos
do papel. Sendo que este setor representa refugos de classe especial,
uma vez que podem ocorrer contaminação biológica,
química e/ou radioativa de acordo com as atividades
desenvolvidas na instituição (CAMPONOGARA, 2008).
Estes refugos são
conhecidos por Resíduos do Serviço de Saúde,
gerados por unidades prestadoras de serviços de saúde,
como farmácias, laboratórios, hospitais, clínicas
e áreas correlatas. Apresentam grande importância por
apresentar riscos que possam comprometer aqueles que os manipulam,
pois apresentam variada natureza sendo, contudo, em sua maioria
resíduos comuns e de grande importância econômica,
uma vez que os custos operacionais de gestão do mesmo (RSS)
são de responsabilidade da unidade geradora em muitas cidades
do país (IPT, 2000; WHO, 1999).
Estes resíduos
apresentam crescente produção e grande preocupação
junto às secretárias de saúde e meio ambiente
dos municípios brasileiros, segundo Silva et
al. (2003),
é devido a suas propriedades químicas, físicas e
biológicas que podem acarretar riscos à saúde
pública e ao meio ambiente, bem como, a comunidade hospitalar
(os funcionários, pacientes, manipuladores e catadores de
lixo, e o público em geral), seja pela exposição
direta ou indireta.
No Brasil é
possível se observar inúmeras cidades que apresentam
práticas inadequadas para gestão de resíduos
hospitalares, desde a segregação até o descarte
final. No Estado do Tocantins inúmeros estudos demonstram este
perfil, como citado por Carvalho et
al (2005),
que observaram falhas na coleta, segregação, descarte
final, desconhecimento ou despreparo dos profissionais de saúde
para lidar com esta problemática, em cidades na Região
Norte do Estado.
Nesta conjuntura, o
presente estudo teve como objetivo avaliar o nível de
conhecimento destes profissionais referente à gestão de
resíduos hospitalares e sobre perfuro-cortantes no município
de Sítio Novo na região do Bico do Papagaio / TO.
2. ESTABELECIMENTOS DE SAÚDE
A Organização
Pan-Americana de Saúde (OPAS) define estabelecimentos de
saúde, incluindo-se hospitais, sanatórios,
maternidades, como todo estabelecimento onde se prática
atendimento humano ou animal, em qualquer nível, como locais
para fins de prevenção, diagnóstico, tratamento
e reabilitação. Incluindo-se ainda àqueles onde
são realizadas pesquisas. Dentre estes, propõe-se neste
estudo avaliar os hospitais, por serem unidades mais complexas e
representativas do universo amostral.
Um hospital pode ser
definido como uma instituição complexa, onde atividades
industriais são mescladas com ciência, tecnologia e
procedimentos utilizados diretamente em humanos, com componentes
sociais, culturais e educacionais, ou ainda como todos os
estabelecimentos com leitos, para internação de
pacientes, que garantem um atendimento básico de diagnóstico
e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de
admissão e assistência permanente prestada por médicos.
Além disso, considera-se a existência de serviço
de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente,
durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de
laboratório e radiologia, serviço de cirurgia e/ou
parto, bem como registros médicos organizados para a rápida
observação e acompanhamento dos casos (OLIVEIRA, 2002).
No Brasil há 5.178
unidades hospitalares de atendimento geral, credenciadas junto ao
Ministério da Saúde, segundo dados do DATASUS de 2008,
variando em complexidade, tamanho, categoria de gestão e
localidade. Compreendendo 25
municípios deste total. A região Norte do Tocantins,
por sua vez, também conhecida como Bico do Papagaio, possui 74
estabelecimentos de saúde inseridos nesta região.
Nas últimas
décadas, houve um crescimento na preocupação em
relação ao estabelecimento de saúde
populacional, considerando-se o consumo de alimentos, medicamentos,
produtos químicos, equipamentos e instrumentos para o
tratamento de pacientes, sejam estes intra ou extra-hospitalares,
levando a uma produção de resíduos cada vez mais
complexa e em maior quantidade (PATIL, 2001). Paralelo aos estudos
sobre a proteção ao meio ambiente e a qualidade de
vida.
Muitos destes,
demonstrando, o risco advindo dos refugos sólidos ou líquidos
de vários setores, inclusive, os hospitalares gerados do
tratamento de pacientes, podendo propagar infecções
pelo contato direto ou indireto através do meio ambiente,
entre outros riscos. No mundo esse problema tem sido seriamente
considerado, e apropriados sistemas de gerenciamento de resíduos
e programas de treinamento e conscientização
profissional estão sendo desenvolvidos e instalados (PATIL,
2001).
No Brasil e em diversos
países em desenvolvimento, este setor vem recebendo maior
atenção desde o início dos anos 80, quando as
autoridades de saúde despertaram para os riscos potenciais de
seus detritos, devido a sua natureza infecciosa e tóxica.
Entretanto, as ações preventivas têm-se
demonstrado insuficientes, pois em muitos locais, ocorrem falhas na
atenção ambiental, como, descarte inadequado de
resíduos, ausência de programas de conscientização
e treinamento profissional, dentre outros, que acarreta em riscos
(infecciosos, químicos e tóxicos) à saúde
pública e ao meio ambiente (LEONEL, 2002).
Sujeitos a estes riscos
estão os funcionários de unidades de saúde,
pacientes, manipuladores e catadores de lixo, e o público em
geral (HNP, 2000), seja pela exposição direta ou
indireta, podendo sofrer efeitos carcinogênicos, mutagênicos
e teratogênicos (anomalias fetais), danos ao sistema
reprodutivo, efeitos respiratórios, efeitos no sistema nervoso
central e muitos outros.
3.
METODOLOGIA
A pesquisa pode ser
caracterizada como exploratória e descritiva do tipo survey, o
qual visa à obtenção de dados ou informações
sobre as características, ações ou opiniões
de determinado grupo de pessoas, indicado como representante de uma
população alvo por meio de instrumento de pesquisa,
normalmente um questionário (FREITAS et al., 2000; GIL, 1991 e
SILVA et al., 2001).
Para se atingir o
objetivo desta pesquisa, optou-se por estudar uma unidade de saúde
no município de Sítio Novo na região do Bico do
Papagaio no Tocantins. Para tanto, utilizou-se um questionário
estruturado no modelo de perguntas do tipo “fechada” (uma
única resposta entre várias opções
possíveis), formuladas em um modelo do tipo “escala de
Likert”, ou seja, aquelas que devem ser analisadas dentro de um
tipo de escala de mensuração, pois as prioridades
variam de acordo com o posicionamento do entrevistado. (CHIAMENTI,
2003).
O objetivo principal de
se utilizar a análise descritiva e exploratória dos
valores absolutos e dos percentuais obtidos é o de apresentar
a percepção dos entrevistados sobre os fatores
direcionadores de consciência ambiental, abordando na forma de
tabelas e gráficos baseados em dados da amostra coletada,
considerando os vários atributos e suas dimensões.
4. CONTEXTO LOCAL
A
cidade em que se desenvolveu o presente estudo localiza-se no extremo
Norte do Estado do Tocantins denominada, Bico do Papagaio, sendo
localizada latitude
05º36'00"
sul e a uma longitude
47º38'29"
oeste, (figura 01) área
territorial de 340 km2,
apresentava em 2006 uma população estimada em 9.302
habitantes, sendo atendida por uma unidade de saúde
constituída de 20 leitos de internação (IBGE,
2007).

Figura
01: Localização
do município (Sítio Novo, TO) onde o estudo foi
realizado.
5. RESULTADOS E
DISCUSSÕES
No presente estudo foram
entrevistados 17
funcionários em
duas unidades de saúde do município de Sítio
Novo (TO), abordando-se variáveis inerentes à gestão
de resíduos hospitalares e dados socioeconômicos.
Foram
entrevistados funcionários em sua maioria que trabalham em
instituições de saúde como enfermeiros,
enfermeiros-chefe, diretores, agentes de saúde, auxiliares de
serviços gerais, médicos. De tal forma, se detecta
vários níveis de escolaridade, como ensino fundamental
até ensino superior completo. Variando assim a renda salarial
de cada um: em sua maioria de um salário mínimo até
quatro salários mínimos. Relativo
ao tempo de serviço verificou-se que 39% dos entrevistados,
tem mais de sete anos de atividade profissional (Figura 02).
Considerando-se o tempo de serviço dos profissionais
envolvidos, se espera melhores desempenhos em relação
ao conhecimento das atividades desenvolvidas, minimizando falhas e
riscos, incluindo maior convívio com materiais perfuro
cortantes e resíduos hospitalares.

Figura 02: Tempo
de serviço dos profissionais de saúde.
O gerenciamento de
resíduos hospitalares encontra-se falho em várias
cidades do país, sendo maior a problemática em regiões
menos favorecidas como a região Norte do país. Estando
a produção na América Latina por unidade de
saúde entre 1 kg a 4,5 kg/leito/dia, variando quanto ao tipo
de serviço prestado (BRITO, 2000).
Assim, buscou-se avaliar
a qualidade da gestão de resíduos hospitalares nas
unidades de saúde em Itaguatins e Sítio Novo sob a
ótica dos funcionários destas. Observando-se que a
maioria considera de qualidade insatisfatória, para 71% dos
funcionários em Sítio Novo e 79% em Itaguatins (Figura
03).

Figura 03: Qualidade
da Gestão dos Resíduos Hospitalares.
Uma das alternativas para
mitigar a problemática dos resíduos refere-se às
ações de educação ambiental junto à
comunidade hospitalar, buscando-se a conscientização
desta de forma a reduzir consumo, instruir sobre procedimentos e
legislações especificas, de forma a se obter ganhos
sociais, ambientais e econômicos (BRITO, 2000).
Nesta conjuntura, se
questionou os entrevistados quanto à importância de
ofertar cursos voltadas à temática dos resíduos.
A maioria citou como importante à oferta desses cursos /
treinamentos, uma vez que poderia melhorar suas ações
no processo de gestão dos mesmos, sendo respectivamente
apontado por 78% (Sítio Novo) (Figura 04).

Figura 04: Nível
de importância quanto à oferta de cursos sobre lixo
hospitalar.
Tendo-se em vista o tempo
de serviço prestado pela maioria dos entrevistados infere-se
que tenham conhecimento sobre vários aspectos ligados aos
resíduos sólidos, dentre eles, categoria, legislação
especifica, riscos a saúde e práticas de segregação.
Conhecimentos importantes para um adequado gerenciamento dos refugos,
com posterior acondicionamento, armazenamento, tratamento, transporte
e descarte seguro.
Quando questionados sobre
algumas destas variáveis observou-se que um pequeno percentual
de entrevistados alegou conhecimento sobre legislações
aplicadas aos resíduos hospitalares, tipos de resíduos
produzidos nas unidades de saúde e práticas de
segregação (Figura 05).

Figura 05:
Percentual de
entrevistados que alegam conhecer classes, leis e práticas de
segregação sobre resíduos hospitalares.
Os dados anteriores foram
confirmados quando se questionou o nível de conhecimento dos
entrevistados sobre resoluções no âmbito nacional
em vigência atualmente, sendo elas: a RDC N° 306 / 2004 da
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Dispõe
sobre o Regulamento Técnico para o gerenciamento de resíduos
de serviços de saúde) e a N 358 / 2005 do Conselho
Nacional de Meio Ambiente (Dispõe sobre o tratamento e a
disposição final dos resíduos dos serviços
de saúde).
A maioria dos
entrevistados (Sítio Novo – 63% e Itaguatins –
72%) alegou ter pouco conhecimento destes aspectos legais. Sendo
regulamentos importantes, pois tratam do aspecto gerencial,
tratamento e disposição final dos resíduos dos
serviços de saúde. Demonstrando a necessidade de
treinamento destes profissionais, afim de atualização
na referida temática.

Figura 06: Grau
de conhecimento dos entrevistados sobre legislações
aplicadas aos resíduos hospitalares.
Quando questionados sobre
a facilidade de desenvolverem um plano de gestão de resíduos
hospitalares para suas instituições, 67% (Sítio
Novo), alegou ter alguma dificuldade para execução
desta atividade (Figura 06), o que reforça os dados anteriores
quanto à importância de implantação de
programas de qualificação sobre a temática.

Figura 07: Nível
de dificuldade apontada pelos entrevistados para elaborar um plano de
gestão de resíduos hospitalares.
Quanto às práticas
adequadas de segregação, acondicionamento,
identificação, reciclagem ou tratamento dos resíduos
em suas unidades de saúde, a maioria dos entrevistados, em
média de 70% nesta cidade, alega não desenvolver estas
atividades na sua unidade de saúde. Podendo-se inferir que a
gestão dos resíduos, sob a ótica dos dados
coletados não é adequadamente gerenciada.
Outra variável
abordada na pesquisa, se relacionou aos materiais perfuro cortantes,
quanto aos que sofreram acidentes, as condutas tomadas e o
treinamento para a manipulação destes materiais. Uma
vez que, o risco de trabalhadores da área da saúde se
contaminarem com patógenos veiculados pelo sangue, já
está bem documentado e demonstra que a Aids e a hepatite B e
C, são adquiridas de maneira ocupacional, em especial por
estes materiais (CANINI at
al, 2002).
Relativo à
ocorrência de acidentes com estes materiais observou-se, 29% em
Sítio Novo (Figura 08), semelhante a outros estudos, como
Cabine at.
al (2002),
que encontraram dentro das categorias de acidentes ocupacionais
30,40% com perfuro cortantes.

Figura 08:
Percentual de acidentes com perfuro cortantes.
Nos casos de acidentes
com perfuro cortantes, as condutas pós-acidentes são
essenciais para minimizar o risco de contaminação.
Partindo-se de uma lavagem local, notificação do
acidente, busca de centros de referência, imunização
com vacina ou uso de medicação específica para
HIV, quando for o caso. Sendo em muitos estudos, relatado que os
acidentados se preocupam apenas com a lavagem local (TEIXEIRA at
al, 2008).
No presente estudo
observou-se que 46% dos entrevistados (Sítio Novo) apenas
lavaram o local do ferimento, realizaram esta conduta (Figura 09).
Dados semelhantes aos apontados por Teixeira at
al (2008),
na qual 69,5% dos entrevistados alegaram só ter lavado o local
do ferimento.

Figura 09:
Condutas pós-acidente.
A incidência de
acidentes dessa natureza é grande como citam Teixeira et
al (2008),
sendo necessário o treinamento e conscientização
dos profissionais de saúde quanto às condutas adequadas
na manipulação de perfuro cortantes, minimizando o
risco de acidentes. Neste contexto, se questionou os entrevistados
quanto à freqüência com que recebem alguma
orientação ou treinamento para lidar com estes
materiais. Pelo observado na Figura 10, infere-se que a maioria dos
entrevistados nas duas cidades recebe treinamento ao menos uma vez
por semestre, fato que pode contribuir para reduzir os níveis,
ainda altos de acidentes com esses materiais.

Figura 10: Freqüência
de treinamento para manipulação de perfuros cortantes.
6. CONCLUSÕES
Tendo-se em vista as
informações coletadas na cidade de Sítio Novo,
no Estado do Tocantins, pode-se concluir que apesar dos funcionários
apresentarem um bom tempo de serviço em sua maioria, estes
precisam passar por um programa de treinamento voltado à
gestão de resíduos sólidos e manejo de material
perfuro cortante.
Isto contribuiria para
melhoria da gestão destes refugos e mitigação
dos níveis de acidentes com material perfuro cortante,
reduzindo os riscos ocupacionais e ambientais nas referidas unidades
de saúde. O desconhecimento sobre as legislações
ou procedimentos na manipulação dos refugos demonstra
essa necessidade.
Relativo aos perfuro
cortantes, os hospitais necessitam voltar maior atenção
ao problema, buscando melhorar a notificação dos
acidentes, o encaminhamento dos profissionais trabalhadores
acidentados aos centros especializados e adotar medidas para a
prevenção dos acidentes nos locais de trabalho. Isto se
torna importante, pois as condutas pós-acidente não são
totalmente eficazes, sendo necessárias ações
educativas permanentes associadas a campanhas de vacinação,
uso de Precauções Padrão e de equipamentos de
proteção individual (EPI).
As duas áreas,
resíduos hospitalares e perfuro cortantes, podem ser tratadas
em conjunto nas unidades de saúde, através de práticas
e biossegurança, utilizando-se da educação e
treinamento dos profissionais de saúde, determinação
de responsabilidades, produção de leis específicas
e envolvimento da comunidade como um todo.
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