DA TEORIA À AÇÃO: MATERIAIS DIDÁTICOS EM PERCEPÇÃO AMBIENTAL
Prof. Dr. Renato Luiz
Grisi Macedo, Departamento de Ciências Florestais, Universidade Federal de
Lavras, 37200-000, Lavras, MG, (35) 3829-1432, e-mail: rlgrisi@ufla.br
Prof. Dr. Eric Batista Ferreira,
Departamento de Ciências Exatas, Universidade Federal de Alfenas, 37130-000,
Alfenas, MG, e-mail: eric@unifal-mg.edu.br
Lic. Gislaine Natalina
Rocha Buscarioli, Faculdades Integradas ASMEC, 37570-000, Ouro Fino, MG,
e-mail: renan_buscarioli@hotmailcom
1. Introdução
A humanidade atravessa um
momento de crise ambiental, em que os recursos naturais do planeta são
utilizados de forma inadequada, gerando degradação ambiental e conseqüências
negativas para a própria humanidade. Em muitos casos, as pessoas desenvolvem
ações degradantes sem ter a consciência dos impactos de seus atos, ou mesmo
desconhecem a capacidade de resiliência e suporte do ambiente. A
conscientização ambiental é uma alternativa eficaz para se alcançar a
minimização da crise.
A educação ambiental formal ou
informal se apresenta como um espaço em que a conscientização pode ser
construída, através da união entre teoria e reflexão sobre a realidade. Porém,
identificar e entender como as pessoas pré-concebem o ambiente antes de se
iniciar uma temática ambiental é pressuposto para que os conteúdos sejam
construídos de forma coerente e significativa para a realidade de quem a
constrói.
Nesse contexto, os estudos de
percepção ambiental se configuram como ferramenta metodológica capaz de
investigar as concepções ambientais existentes nos alunos.
Freitas (2009) apresenta com
sucesso o desenvolvimento de estudos de percepção ambiental por meio da
sustentação teórica de um tripé que conjuga teorias ambientais capazes de
examinar e entender as concepções ambientais dos entrevistados e a natureza de
suas ações. O referido tripé é composto pela teoria da representação social
(REIGOTA, 2007), da complexidade ambiental (LEFF, 2003) e da categorização das
ações ambientais (ABREU et al., 2008).
Vale ressaltar que os
conteúdos de educação ambiental devem ser desenvolvidos a partir do compromisso
de que eles estão adaptados às especificidades da realidade de quem os constroem.
A partir dessa perspectiva, a construção de materiais didáticos pelo educador ou
orientador se torna uma necessidade (FREITAS, 2003).
O objetivo deste estudo é
propor a confecção de materiais didáticos em percepção ambiental, conjugando as
teorias da representação social (REIGOTA, 2007), da complexidade ambiental (LEFF,
2003) e da categorização das ações ambientais (ABREU et al., 2008) para
a educação ambiental formal.
2. Tripé Teórico
A proposta de um tripé teórico
para o desenvolvimento de estudos de percepção ambiental surgiu da necessidade
de se conferir cientificidade e rigor teórico para realizar estudos de
percepção ambiental que contemplem as etapas de coleta, análise e interpretação
dos dados referentes à percepção ambiental e, por conseguinte, às ações
desempenhadas pelo indivíduo no ambiente.
2.1. A teoria da representação social
Identificar as percepções
que as pessoas apresentam sobre o ambiente é uma tarefa que precisa ser muito
bem orientada teoricamente. A teoria das representações sociais ampara a coleta
e a futura interpretação dos dados através da orientação metodológica de que os
conceitos científicos, quando internalizados pela sociedade, fundem-se a
saberes do senso comum e aparecem nas coletas de dados como representações
sociais (REIGOTA, 1999).
Entender como as pessoas se
sensibilizam, ou percebem o ambiente, e identificar as representações sociais
que as mesmas apresentam sobre o tema, é o primeiro passo para se proporem
discussões pertinentes sobre a questão ambiental.
Analisar as representações
pressupõe entender o porquê das mesmas terem sido construídas como tal, para se
proporem caminhos para desconstruir representações sociais equivocadas e
intensificar as representações coerentes, e então propiciar a construção de
conceitos que conduzam ao pensamento da complexidade e conservação ambiental.
2.2. A teoria da complexidade ambiental
Uma revisão sobre a teoria
da complexidade ambiental foi apresentada previamente (FREITAS et al.,
2009), então, somente uma breve apresentação será dada aqui.
Frente aos problemas
ambientais atuais, o ambiente requer uma metodologia de análise que favoreça o
raciocínio de interação entre seus elementos, processos e fenômenos. O
pensamento reducionista, de grande destaque na ciência atual, se caracteriza
por estudar fenômenos ou elementos isolados. Dessa forma, as intervenções
humanas, mesmo que guiadas pelo raciocínio científico, tendem a causar
degradação ambiental e impactos indesejados para o ambiente.
Com a busca da verdade
racional cartesiana, a ciência passou cada vez mais a compartimentar seu
conhecimento, valorizando as especializações (BUARQUE, 1994), abandonando a
visão filosófica do estudo do todo, do global, do planetário. Dessa forma, o
método científico passou a reduzir, ou mesmo simplificar, a realidade, que é
complexa (LEFF, 2003: pp.15-64).
Através da
compartimentalização do conhecimento científico, as diferentes áreas do
conhecimento passaram a desenvolver estudos isolados, que deram suporte à
realização de um mosaico de intervenções no ambiente, desvinculados do
comprometimento de pensar sobre o todo planetário e sua capacidade de carga,
resiliência ou sustentabilidade. Estudos com essa característica simplificadora
e reducionista foram valorizados pelo mercado capitalista, que prioriza o
pensamento individualista e resultados no curto prazo.
A complexidade ambiental se
apresenta como uma alternativa metodológica de raciocínio, que visa a restaurar
a visão do todo, evitando as simplificações científicas cartesianas, analisando
o ambiente frente ao cruzamento da maior quantidade possível de componentes, fenômenos
e processos (LEFF, 2003: pp.15-64).
2.3. A categorização das ações ambientais
O terceiro
componente do tripé teórico consiste numa categorização que busca classificar
os tipos de ações em benefício do ambiente e identificar seus traços
conservacionistas.
Partindo
do princípio de que as ações humanas são intencionais e raciocinadas, tem-se
que essas ações são orientadas de maneira consciente ou não por teorias, que
são apropriadas pelas pessoas no convívio social, pelo contato direto ou
indireto com esses referenciais teóricos. Nessa perspectiva, para se construir
a categorização das ações ambientais, partiu-se dos objetivos teóricos da
educação ambiental. Esses objetivos foram definidos por Smyth (1995), descritos
por Sato (1997, 2002) e apresentados por Abreu et al. (2008), e são: Sensibilização
Ambiental: processo de alerta, considerado como primeiro objetivo para
alcançar o pensamento sistêmico da educação ambiental; Compreensão Ambiental:
conhecimento dos componentes e dos mecanismos que regem o sistema natural; Responsabilidade
Ambiental: reconhecimento do ser humano como principal protagonista para
determinar e garantir a manutenção do planeta; Competência Ambiental:
capacidade de avaliar e agir efetivamente no sistema ambiental; Cidadania
Ambiental: capacidade de participar ativamente, resgatando os direitos e
promovendo uma ética capaz de conciliar a natureza e sociedade.
Abreu et
al. (2008) aplicaram com sucesso os referidos objetivos numa categorização
para propostas de educação ambiental. As categorias utilizadas foram: “Sensibilização”,
“Compreensão”, “Responsabilidade” e “Competência e Cidadania”.
3. Aplicações: construção de materiais
didáticos em percepção ambiental
Este estudo entende que o
material didático deve servir para o educador como um roteiro ou inspiração,
para que ele possa sondar os conhecimentos prévios de seus alunos sobre a
temática; possa desenvolver conteúdos de forma que o raciocínio seja construído
com clareza e embasamento teórico; ou mesmo possa servir como uma ferramenta
para avaliar a estruturação do conhecimento construído pelo aluno ou para avaliar
a proposta de construção de conhecimento desenvolvida pelo educador.
Dessa forma, o educador deve
ser livre e criativo para propor materiais que atendam às suas necessidades
específicas, tanto referentes aos conteúdos, quanto ao público alvo. Assim, é
imprescindível que o educador tenha o perfil de pesquisador, pois este estará
atento à leitura das especificidades da sua realidade e, como pesquisador,
tende a apresentar uma postura de busca de alternativas metodológicas para
melhorar e enriquecer a construção do conhecimento (FREITAS, 2003).
Em se tratando de materiais
didáticos em percepção ambiental, é pré-requisito que os mesmos sejam
criteriosamente embasados em teorias ambientais, pois, com esta postura, o
educador tende a não se influenciar por concepções do senso comum e reduz
consideravelmente a possibilidade de indução de resultados.
A literatura apresenta
inúmeros métodos para a coleta e análise dos dados referentes à percepção
ambiental. Por meio de uma revisão, foi possível elencá-los. Como principais
métodos de coleta de dados estão os questionários semi-estruturados,
estruturados e mistos. De acordo com Alencar (2004), o primeiro tipo de
questionário se caracteriza por apresentar questões semi-estruturadas, ou
abertas, que são aquelas em que o pesquisador padroniza as questões, que são
elaboradas frente ao seu objetivo de pesquisa, mas a resposta fica a critério
do respondente; o segundo tipo apresenta questões estruturadas ou fechadas, ou
seja, questões e respostas padronizadas e elaboradas objetivamente a partir das
variáveis a serem pesquisadas, em que todos os entrevistados têm a mesma opção
de pergunta e resposta. O questionário misto se caracteriza por apresentar
questões estruturadas e semi-estruturadas. As pesquisas em percepção ambiental
que enfatizam a análise qualitativa dos dados tendem a utilizar o questionário
semi-estruturado ou misto para realizar a coleta de dados (MACHADO, 1993, 1994,
1999; DEL RIO, 1999; FREITAS, 2009; FREITAS et al.,
2009), enquanto nas pesquisas cuja análise dos dados tende a ser
preponderantemente quantitativa, os questionários estruturados e mistos são
mais aplicados (ANDRETTA, 2008; FREITAS, 2009).
As entrevistas orientadas ou
não por roteiros, que seguem o nível de estruturação definidas pelo pesquisador
(ALENCAR, 2004) representam um método muito eficaz para se coletarem dados em
percepção ambiental (LUCHIARI, 1997).
O mapa mental se apresenta
como um interessante método para se coletarem dados espacializados de percepção
ambiental, por meio de desenhos elaborados por uma população amostral. Esses
dados refletem uma organização mental sobre a realidade percebida através de
esquemas perceptivos e imagens mentais carregadas de expectativas específicas e
individuais. Porém, com o objetivo de burlar a dificuldade de conseguir coletar
desenhos de alguns grupos amostrais, existe a técnica de elaboração do mapa
mental indireto, ou seja, ao invés de desenhos, os dados primários são obtidos
através de um questionário; assim, por meio da escrita, captam-se as percepções
e é o pesquisador quem transforma os dados em desenho, espacializando-os (DEL
RIO, 1999).
Um método peculiar para se
coletar a percepção ambiental pela ótica do objeto de estudo é a abordagem
fotográfica (FERRARA, 1999), no qual as pessoas a serem pesquisadas recebem do
pesquisador máquinas fotográficas para registrar suas imagens e percepções do
real. A partir de então, o pesquisador coleta um material que lhe permite
analisar as imagens por meio da visão que os objetos de estudo apresentam da realidade.
A observação participante ou
não-participante (ALENCAR, 2004) é um método em que o pesquisador acompanha seu
objeto de estudo, realizando as observações, guiado por seus objetivos de
pesquisa. A participante é aquela em que o pesquisador se junta ao grupo que
está sendo estudado como se fosse membro dele, enquanto a não-participante (SOUSA,
2003) é aquela em que o pesquisador permanece onde os indivíduos estão, mas não
se faz passar por nenhum deles. A observação pode ser revelada ou não revelada,
porém, o pesquisador precisa respeitar os preceitos éticos para a sua
realização. Em percepção ambiental esse método de coleta de dados é utilizado,
principalmente em pesquisas de análise preponderantemente qualitativas.
A abordagem iconográfica se
caracteriza por apresentar ao público alvo imagens e solicitar sua percepção e,
por conseguinte, sua interpretação. Reigota (2007) utilizou esse método
conjugado com o diálogo, com o objetivo de identificação e desconstrução de
representações sociais. Para se realizar a coleta das percepções ambientais, esse
método pode ser associado ao questionário semi-estruturado ou misto, entrevista
ou observação. Durante a etapa da análise e interpretação dos dados, a
interpretação das imagens deve ser respaldada por um sólido referencial teórico
ambiental, capaz de evitar induções e garantir cientificidade aos resultados.
Quanto aos principais métodos
de análise de dados, a estatística descritiva e o método da análise de conteúdo
destacam-se em pesquisas de percepção ambiental (FREITAS, 2009; FREITAS et al., 2009). Enquanto a Estatística
Descritiva se apresenta como um conjunto de métodos que auxilia na organização,
sumarização e apresentação dos dados para a análise teórica, a análise de
conteúdo é útil na categorização de textos.
Pode-se entender Estatística Descritiva
como o conjunto de dispositivosgráficos e contas que se fazem com os dados
amostrais para transformar números em informação, ou seja, organizá-los e
resumi-los em poucos números que contenham a parte mais importante da
informação contida na amostra inteira (FERREIRA & OLIVEIRA, 2008). Por
exemplo, gráficos de colunas, de barras, setogramas (gráficos de pizza) e
histogramas (Figura 1) são muito comuns quando se deseja apresentar,
resumidamente, o que a amostra quer “dizer”.

Figura 1 Dispositivos gráficos comuns à
Estatística Descritiva. (a) Gráfico de colunas; (b) gráfico de barras; (c)
setograma; e (d) histograma.
Entretanto, independente do
tipo de questionário adotado, sempre é possível e freqüente a estimação de
proporções (FERREIRA, 2005), por exemplo, a proporção de pessoas que definem ambiente
como sendo natureza antropizada e a proporção que enxerga ambiente como
natureza natural. A estimação de proporções pode ser feita de forma pontual
,
em que
é o estimador pontual da proporção;
é o número de
sucessos que se observa em
elementos amostrais; Ou intervalar, por
exemplo, pela aproximação Normal dada pela expressão:
,
em que o intervalo com
de confiança para a proporção
(
) é dado
pelo estimador pontual
mais ou menos um erro, que é função de
um quantil da distribuição Normal padrão (
), do tamanho amostral (
) e do própria
estimador pontual (
)^.
Em se
tratando de percepção ambiental, a maior parte dos dados coletados por meio dos
métodos expostos é apresentada na forma de textos. A análise de textos em
pesquisa científica tem sido conduzida, principalmente, mediante o método
denominado “análise de conteúdo”. Esse método de análise dos dados busca
classificar palavras, frases, ou mesmo parágrafos em categorias de conteúdo (CAPELLE
et al., 2003). A
partir dessa metodologia, primeiramente, a unidade de análise é definida. Na
seqüência, a partir da leitura exaustiva das unidades de análise, são elaboradas
as categorias, que organizam os dados para a interpretação.
Essa análise pode seguir uma tendência qualitativa ou
quantitativa. Segundo Capelle et al. (2003), os enfoques qualitativos
voltam sua atenção para a presença ou a ausência de uma característica, ou um
conjunto de características nas mensagens analisadas, na busca de ultrapassar o
alcance meramente descritivo das técnicas quantitativas para atingir
interpretações mais profundas com base na inferência. As análises quantitativas
preocupam-se com a frequência com que surgem determinados elementos nas
comunicações, preocupando-se mais com o desenvolvimento de novas formas de
procedimento para mensurar as significações identificadas (BARDIN, 1979; MINAYO,
2000). Essa abordagem da análise de conteúdo utiliza desde técnicas simples até
outras mais complexas, que se apoiam em métodos estatísticos, como, por
exemplo, a análise fatorial, a regressão múltipla, a análise discriminante,
entre outras.
Existem softwares no mercado que auxiliam a
análise textual, seja identificando palavras-chave e sua freqüência no texto,
seja identificando o contexto em que cada palavra aparece. No entanto, esses
programas não substituem o trabalho intelectual do pesquisador de conceituação,
codificação e interpretação do texto.
Os
procedimentos da análise de conteúdo criam indicadores quantitativos. Cabe ao
pesquisador interpretar e explicar os resultados a partir de seu referencial
teórico.
Cabe ao educador pesquisador
optar pela escolha dos métodos que melhor colete e organize os dados para sua análise
e interpretação. Para conferir cientificidade à pesquisa em percepção ambiental,
é imprescindível que a etapa da definição dos objetivos da pesquisa e, por
conseguinte, da definição dos métodos de coleta de dados e a etapa da análise e
interpretação dos dados seja fundamentada por teorias ambientais.
Os resultados da aplicação
de um material didático referente à percepção ambiental, permitem ao educador a
visibilidade sobre os aspectos referentes à questão ambiental que deverão ser
priorizados durante o desenvolvimento das temáticas ambientais. Portanto, os
materiais didáticos propostos neste trabalho se portam como elementos
fundamentais para o processo de planejamento de temáticas de educação
ambiental.
3.1. Propostas de materiais didáticos em
percepção ambiental
O educador, ciente de seu
papel pedagógico, deve gozar de autonomia para realizar os recortes
necessários, a fim de adequar os materiais didáticos a seus objetivos e
especificidade de público alvo, e também para adequar os mesmos para a
aplicação em diferentes momentos da aula.
São propostas três
atividades que apresentam objetivo, sugestões de métodos para coleta, análise de
dados e de fechamento para a atividade, além de um exemplo de aplicação da
mesma. Optou-se por padronizar as três atividades como sendo do tipo sondagem
de conhecimentos prévios. Porém, o educador pode adaptar sua aplicação para
outros momentos da aula.
3.1.1. Proposta de atividade referente à
definição de ambiente
Sugestão do tipo de atividade: sondagem de conhecimentos prévios.
Objetivo: identificar a definição de ambiente que o indivíduo
apresenta e sua respectiva representação social.
Sugestão de métodos para coleta dos dados: questionário semi-estruturado;
questionário misto; abordagem fotográfica; abordagem iconográfica; entrevista.
Sugestão de métodos para análise dos
dados: análise de
conteúdo, interpretação de imagens e estatística descritiva.
Sugestão de fechamento teórico da
atividade: a partir dos
resultados, o educador poderá apresentar os resultados ao público alvo e
promover uma discussão para avaliar, à luz do referencial teórico, as
definições para ambiente identificadas e suas respectivas representações
sociais.
Exemplo de aplicação: Freitas (2009) realizou um estudo de caso
em que aplicou um questionário misto contendo a seguinte questão
semi-estruturada: “Pensando em meio ambiente, descreva qual a primeira imagem
que vem à sua mente”. Como resultado, obteve 33 questionários que, submetidos à
análise de conteúdo, geraram as seguintes categorias: “natureza natural” (52%
dos respondentes); “natureza antropizada” (33% dos respondentes) e “não
definiu” (15% dos respondentes).
3.1.2. Proposta de atividade referente à
teoria da complexidade ambiental
Sugestão do tipo de atividade: sondagem de conhecimentos prévios.
Objetivo: identificar a concepção de ambiente a partir da
teoria da complexidade ambiental.
Sugestão de métodos para coleta dos dados: questionário semi-estruturado;
questionário misto; abordagem iconográfica; entrevista.
Sugestão de métodos para análise dos
dados: análise de
conteúdo, interpretação de imagens e estatística descritiva.
Sugestão de fechamento teórico da
atividade: a partir dos
resultados, o educador poderá expor os resultados ao público alvo e promover
uma discussão para apresentar a teoria da complexidade ambiental e as
categorias utilizadas para análise, que podem ser: “concepção reducionista” e
“concepção complexa”. O educador poderá incentivar a formação da concepção de
complexidade ambiental, elucidando a importância da referida concepção para a
conservação dos recursos do planeta.
Exemplo de aplicação: Freitas (2009) realizou um estudo de caso
em que aplicou um questionário semi-estruturado contendo a seguinte questão: “Para
você, o que é meio ambiente?”. Como resultado, obteve 31 questionários que,
submetidos à análise de conteúdo, geraram as seguintes categorias: “Interação”
(29% dos respondentes); “Meio” (23% dos respondentes); “Lugar” (16% dos
respondentes); “Sistema” (13% dos respondentes); “Entorno” (10% dos
respondentes); “Espaço” (3% dos respondentes); “Vida” (3% dos respondentes) e
“Não respondeu” (3% dos respondentes). A partir do aprofundamento da análise
teórica, constatou-se que o termo “sistema” é a melhor definição para se
conceber o conceito de ambiente dentro da concepção de complexidade ambiental.
3.1.3. Proposta de atividade referente à identificação
da natureza das ações ambientais
Sugestão do tipo de atividade: sondagem de conhecimentos prévios.
Objetivo: identificar se o indivíduo já desempenhou alguma ação
ambiental e identificar sua respectiva natureza.
Sugestão de métodos para coleta dos dados: questionário semi-estruturado;
questionário misto; entrevista.
Sugestão de métodos para análise dos
dados: análise de
conteúdo e estatística descritiva.
Sugestão de fechamento teórico da
atividade: categorizar em
qual tipo de ação as declarações se enquadram. Analisar a natureza das ações
declaradas desenvolvidas e explicitar quais as expectativas para ações que
reforcem a conservação ambiental.
Exemplo de aplicação: Freitas (2009) realizou um survey em
que aplicou um questionário misto contendo a seguinte questão semi-estruturada:
“Você praticou alguma ação a favor da conservação nos dois anos passados? Qual
(Quais)?”. Como resultado obteve 548 questionários que, submetidos à análise de
conteúdo, geraram as seguintes categorias de ações: “Técnicas de conservação
dos recursos naturais” (4% dos respondentes); “Participação em projetos
ambientais” (16% dos respondentes); “Elaboração de projetos ambientais” (13%
dos respondentes); “Ensino de educação ambiental” (19% dos respondentes);
“Fiscalização ambiental” (10% dos respondentes); “Conscientização ambiental” (4%
dos respondentes); “Práticas conservacionistas pessoais” (12% dos
respondentes); “Separação de lixo para reciclagem” (9% dos respondentes) e “Não
praticou nenhuma ação” (11% dos respondentes).
Dentro da classe sensibilização,
foram agrupadas as categorias “elaboração de projetos ambientais” e
“fiscalização ambiental”, que totalizaram 18% das ações declaradas; a classe compreensão
compreende a categoria “ensino de educação ambiental”, que totalizou 22% das
ações declaradas; na classe responsabilidade, foram agrupadas as
categorias “técnicas de conservação dos recursos naturais”, “participação em
projetos ambientais”, “práticas conservacionistas pessoais” e “separação do
lixo para reciclagem”, que totalizaram 46% das ações declaradas; a classe competência
e cidadania corresponde à categoria “conscientização ambiental”, que
totalizou 14% das ações declaradas. A partir dessa classificação, pode-se
afirmar que a maior parte das ações declaradas como desenvolvidas foi referente
à classe responsabilidade (46%). Isso indica que esses profissionais
declararam desenvolver ações que resultaram em consequências práticas para a
melhoria ambiental. Assim, suas ações tendem a servir como exemplo para
contribuir com a conservação ambiental. Porém, concluiu-se que a classe da competência
e cidadania, que contou com apenas 14% das ações desenvolvidas pelos
respondentes, é a classe que vincula o traço mais forte de conservacionismo
ambiental, pois é através da ação de conscientização ambiental que a sociedade tende
a se transformar em sustentável.
4. Conclusões
Este estudo atingiu seu
objetivo ao se configurar como um estímulo à conscientização e conservação
ambiental, pois propôs três materiais didáticos em percepção ambiental, que
conjugaram as teorias da representação social, da complexidade ambiental e a
categorização das ações ambientais. Por realizar uma revisão literária sobre
métodos de coleta e análise de dados em percepção ambiental, os materiais
propostos apresentam a flexibilidade necessária para que educadores possam
realizar os recortes didáticos necessários para adequá-los à sua realidade.
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Agradecimentos
À Coordenação de Aperfeiçoamento de
Pessoal de Nível Superior (CAPES) pela bolsa concedida (à M.R.F.).